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História Destinados... ( ABO ) - Capítulo 24


Escrita por: Ynra

Notas do Autor


Oiie.
Para quem está chegando agora, só um aviso, a estória está em revisão. Por isso as diferenças nos capítulos. Logo deixo tudo em ordem.

Boa leitura! 👉👈

Capítulo 24 - Os Quimeras.


Fanfic / Fanfiction Destinados... ( ABO ) - Capítulo 24 - Os Quimeras.

Casa de Bryan

… horas atrás

BRYAN

Eu mal tinha colocado a mão na maçaneta da porta, quando ouvi Roger gritar meu nome. Depois de falhar em obter uma resposta de Will, e Ivan não conseguir resposta de Tam, quando tentou contatá-lo, eu já estava pronto para ir até o ômega, e assim que pisei no corredor, Roger apareceu me informando que os homens que coloquei para cuidar do pequeno, haviam ligado, dizendo que aconteceu uma explosão no apartamento. Eu já estava tremendo com uma sensação que eu não entendia, e após ouvir as palavras alheias, um pânico absurdo me envolveu. Em questão de segundo, que sequer percebi, eu já estava no carro. Tudo parecia confuso à minha volta, apenas borrões de imagens passavam aos meus olhos, e os sons chegavam abafados aos meus ouvidos, mesmo assim, ainda ouvi o bater da porta quando Roger praticamente se jogou dentro do veículo; eu já havia dado a partida.

Eu mal percebia o que estava acontecendo, parecia estar sendo guiado por outra pessoa. Podia sentir minha respiração fervendo quando passava minhas narinas; minha boca, eu mantinha fechada com os lábios prensados, em agonia. Como era horrível aquela sensação, como era sufocante me sentir impotente. Tudo o que eu estava sentindo, aquele pânico, a ansiedade, a dor, nada daquilo vinha de mim, pensei. Todas aquelas sensações estavam vindo dele. Jiwon estava sentindo aquilo. E seus temores estavam gritando para mim. Ele estava, provavelmente e inconscientemente me chamando, manifestando seu desejo por minha presença, por meu contato, pela segurança que ele como ômega, só poderia sentir voltando a estar em contato com o alfa que o marcou. E a nossa marca? Nada mais era do que a mera ligação do destino, mais forte e mais profunda, que uma mordida.

Contra o vidro do carro, o brilho do fogo refletia cada vez mais forte conforme nos aproximávamos do prédio de Jiwon. 

Parei o veículo em um solavanco, estacionando-o de qualquer forma, deixando a porta aberta com a chave na ignição. Acredito que Tam o fechou, pois eu apenas corri rua a frente, desviando do veículos também parados desajeitadamente por causa da rua bloqueada, no processo ainda percebendo que Ivan e Naty estacionaram logo atrás. 

Eu corri até a barreira montada na entrada do prédio e ouvi os quatro correndo atrás de mim. Os polícias e prováveis responsáveis do local, conversamos sobre a evacuação e possíveis vítimas.

Apenas os dois precisaram de atendimento.

Foram poucas as palavras e não importava o quanto a situação já estivesse resolvida, o pânico me torturou naquele instante. Meu primeiro pensamento foi procurar as ambulâncias ainda no local e averiguar o paradeiro de um loiro acompanhado de um rapaz de mecha verde.

Praticamente empurrando Adrian, corri de volta para o meio dos veículos. 

Ainda longe, avistei um de meus rapazes, em pé ao lado de um dos veículos brancos. As portas traseiras abertas com dois garotos envoltos em uma manta azul escuro. O pequeno com os olhos fechados com o rosto contra o ombro do beta. Senti o ar finalmente voltar a circular meus pulmões, mas ainda não era o suficiente.

Jiwon!

Não gritei. Foi um chamado alto, mas não um grito. Em meio a todo aquele barulho, era quase impossível que alguém àquela distância ouvisse, mas algo me dizia que ele estava me esperando.

Assim que seu nome saiu de minha boca, o ômega levantou, não só a cabeça, mas ficando em pé, caminhou apressado em minha direção.

O rosto sujo, os olhos cristalinos pelo choro, o corpo trêmulo rumando até mim como se não houvesse mais nada a sua volta. Eu sentia meu peito apertar em pura angústia e tudo aquilo finalmente passou, quando o senti colado em meu corpo, seguro, protegido em meus braços.

O cheiro dele estava apagado, fraco e chamuscado, diferente, pelo medo que esteve presente em si por tanto tempo. Sem perceber, meus feromônios já estavam fluindo, indo de encontro a ele, o envolvendo instintivamente, buscando o seu cheiro natural como prova de que estava mesmo bem. Em poucos segundos, o agradável aroma dele, fora se espalhando, ainda com resquício de medo, mas com a típica fragrância doce. 

Observei as mãozinhas sujas e trêmulas dele, agarradas desesperadamente a minha camisa, como se tentasse impedir que eu me afastasse, como se estivesse receoso de perder, no momento, seu porto seguro. Meus braços só não o apertavam mais, pois eu temia que ele tivesse algum trauma causado pela explosão, mas me contentei com o contato sem espaços que estávamos tendo. Pouco a pouco, ele se acalmou e seus feromônios afloraram a essência delicada, e quase imperceptível de rosas, apenas para mim.

Do outro lado Roger avisou, aproximando-se do beta.

Era visível a maneira envergonhada, que o garoto ficava sempre que Roger se aproximava ou se pronunciava. 

Tam sempre se mostra frio e indiferente em relação a muita coisa, mas tem coração, e mesmo que não pareça, ele se preocupa com as pessoas, apenas tem a maneira dele para demonstrar isso.

A caminho do hospital, meu pequeno cochilou agarrado em meu braço. Algumas vezes ele abria minimamente os olhos, mas em seguida os fechava. Parecia que estava apenas conferindo se eu ainda estava ali. Ele ajeitava os braços em volta do meu e inspirava profundamente meu cheiro, antes de voltar a ficar imóvel.  

O hospital para o qual foram levados, não era o de Helly, mas o atendimento não foi de se desdenhar. Pouco tempo e já fomos liberados com a confirmação de que os garotos estavam bem e só precisavam apenas se hidratar.

Enquanto aguardávamos, Adrian havia ligado com explicação sobre o que aconteceu. Os bombeiros ainda estavam trabalhando, mas confirmaram que houve vazamento de gás. O detalhe incomum era que, o que continuou queimando foi o combustível que estava despejado em algumas partes da cozinha. Segundo Roger, Will confirmou que haviam fechado o registro do gás, sem contar que o apartamento foi bem trancado. O beta não tinha comentado nada sobre terem, armazenado em casa, combustível. O que tudo levava a crer, era que a residência foi invadida e, para garantir um estrago maior, o invasor espalhou gasolina pelo cômodo. 

Adrian conversou com os seguranças que eu havia deixado lá. Eles disseram que se afastaram porque um grupo de quatro homens suspeitos, havia passado pela terceira vez na rua, olhando para o andar de Jiwon e, para averiguar, os seguiram. Aparentemente, não passou de uma distração para alguém invadir e preparar o atentado. 

Quando voltaram, os outros dois seguranças que estavam acompanhando beta e ômega, sentiram falta dos que deviam estar nos arredores, decidindo por ir procurá-los. Felizmente eles não chegaram a ir muito longe, pois assim que uma explosão ecoou do prédio, eles voltaram. A princípio, tinham certeza que era apenas Jiwon lá dentro, já que Will costumava parar nas proximidades da entrada para comprar doces, a pedido de Fiori, de uma senhora que vez ou outra, passava para vender. Por uma sorte inacreditável, a tal senhora não tinha aparecido, o que fez com que Calan subisse direto com Jiwon.

Will contou a Tam que durante o incêndio, podia jurar que em um momento, ouviu o ômega sussurrar meu nome, mas aparentemente ele mesmo não teve noção disso. Enquanto estava protegido no abraço do beta, foi o meu nome que ele chamou. 

Ainda na avenida, pedi a Calan que ficasse em minha casa. Achei que o ômega aceitaria com mais facilidade meu convite, sem contar que era mais seguro para os dois ficarem em minha residência. Não precisei pedir nada ao loiro. Ainda no carro, o beta avisou meu pequeno que ambos ficariam em minha casa e no dia seguinte eles, com mais calma, iriam para a casa dele. O pequeno que, talvez, inconscientemente estava abraçado a mim desde que entramos no carro, não disse nada, apenas escondeu mais o rosto contra meu braço. Por alguns instantes, eu cheguei a pensar que Jiwon estava me marcando. Os feromônios dele ficaram mais doces com a leve essência apimentada. Para o beta e o alfa, não fazia diferença, talvez Roger se sentisse incomodado e, de qualquer forma, não era comum. Se houvesse outro ômega, eu entenderia. Ele estaria deixando claro que não queria proximidade pois era algo normal para o gênero, quando ele sente desafiado ou inferiorizado, mas como não era o caso, tudo me levava a pensar que o pequeno não estava ciente do que estava fazendo. 

Quando Roger estacionou, Fiori estava dormindo; acordando quando fui pegá-lo no colo. Ele me olhou confuso, esfregando os olhos, logo sendo puxado para fora do carro pelo amigo. Assim que deram a volta no veículo, me aproximei do menor, torcendo para não ser rejeitado, e para meu alívio, ele não tardou em se desvincular gentilmente de Calan e segurar minha mão. Tam e eu nos entreolhamos, um pouco confusos; eu com um pequeno e disfarçado sorriso nos lábios. Ele parecia uma criança indo pela primeira vez a casa de um desconhecido, segurando firme a mão dos pais por vergonha ou insegurança. 

Sina já havia preparado um banho para os garotos e a meu pedido, levaria o jantar ao quarto. 

Meus amigos Blanco, foram para casa depois do hospital e mesmo nós estando acompanhados dos seguranças, Roger se dispôs a vir dirigindo. Acredito que ele não gostou quando alternei o olhar entre ele e o beta. 

Ao fim da noite, ele também estava dormindo em um dos quartos de hóspedes. 

Por insistência de minha governanta, jantei na cozinha enquanto esperava os dois tomarem banho. Eu queria ter entrado e o visto jantar, queria apenas ficar mais aquele momento do resto do dia, com ele. Por fim, achei que era melhor lhe dar esse espaço, mas para minha surpresa, Calan me mandou mensagem "mandando" eu ir ver o ômega.  

Feliz por Jiwon me querer por perto? Sim, eu estava, mas sua falta de palavras ainda me incomodava. Minha cabeça ficava reprisando o momento em que ele voltaria a si e me mandaria ficar longe. 

A passos lentos, me aproximei da cama, enquanto o beta nos deixava a sós. Fiori já estava deitado, abraçando um dos travesseiros, esse que eu tirei de suas mãos calmamente, analisando cada reação sua. Ele me olhou, sereno e sonolento, em silêncio e ainda sem se mexer, como se esperasse que eu fizesse algo. Pedi para sentar e com sua confirmação, me coloquei ao seu lado, o vendo se aproximar. Em uma reação automática, levei minhas mãos para seus ombros o ajudando a se acomodar, por fim, me deitando também. 

Ele não disse uma única palavra. Sua mão que estava sobre meu tórax, apertou firme o tecido da minha camisa. Ele estava tenso, não por vergonha ou medo, era outra coisa. Inseguro, talvez? Inseguro que eu fosse julgá-lo ou depois de tudo, afastá-lo. Com os olhos fechados, evitando me olhar, o pequeno esfregava o rosto contra a lateral do meu braço, pedindo meu cheiro. Embora ele não tenha visto, eu sorri, ajeitei meu braço sob sua cabeça, passando minha mão gentilmente em seu rosto, ao tempo em que minha canhota cobriu os dedos finos, cerrados em meu peito. Ouvindo, baixa e tímida, sua respiração fui, lentamente, liberando mais meus feromônios, ninando-o e só quando tive certeza que ele dormiu, sai do quarto.  

Sala de estar

O que faz aqui? perguntou Roger. 

Como bom amigo que era, o beta deu licença para o casal lá em cima e deitou no sofá da sala para esperar o alfa por o ômega para dormir. Visto que estava cansado e medicado, Will quase dormiu onde estava.  

Uhm… disse, movendo a cabeça para fitar o homem. Bryan está no quarto com Jiwon, resolvi esperar aqui até ele sair explicou, passando a palma no rosto, em parte, para esconder a face acabada de sono e, em parte, para afastar o sono. 

O alfa apenas assentiu e sentou no outro extremo. Calan que estava deitado com os joelhos dobrados, os encolheu mais, completamente envergonhado, não só pelo deus grego estar tão perto, mas por ele estar com uma bendita regata colada cobrindo quase nada a pele. O beta até pensou em se sentar, mas na posição que estava podia ao menos manter os olhos fechados dando como desculpa o cansaço. 

E a cabeça? 

Melhor. Não foi nada sério respondeu com as mãos próximas aos rosto, acanhado. 

Você não reparou em nada estranho quando saíram? 

Não. Tirando os homens que Bryan mandou, não vi mais ninguém nos seguindo, quando deixamos o apartamento, também estava tudo certo. Não foi um acidente, né? perguntou levantando a cabeça para olhar para o moreno. 

Invadiram. Tinha gasolina espalhada na cozinha para aumentar o fogo. Sua resposta foi fria. Ele apenas continuou olhando para a parede à frente com os braços cruzados. Vocês foram ao mercado, quando chegassem o primeiro lugar que iriam seria… 

A cozinha. Com a frase finalizada pelo beta, Roger o fitou. A face assustada, beirando o choro. 

Jiwon havia chorado, mas o amigo permaneceu firme a noite toda. Não seria estranho se finalmente cedesse às lágrimas. Ou talvez não. Não na frente do alfa. 

Calan se encolheu, escondendo novamente o rosto com a ajuda das mãos. 

Bryan vai pedir para não falar sobre isso a Jiwon, ao menos por enquanto. 

Eu sei. Não pretendia contar. Eu quero que eles se acertem logo, Jiwon estará mais seguro ao lado dele. Esses detalhes podem ficar para depois explicou com a voz abafada. 

Tam o observava curioso. O beta estava com medo, ele sentia, e mesmo assim, seu foco ainda era o ômega. Por quê? 

Tudo indica que ficará tudo bem entre eles, agora. O menor apenas concordou, mexendo a cabeça. 

O alfa o percebeu o bocejar contido do visitante e acreditou que a conversa se encerrava por ali. 

Atacaram ele por causa do Bryan? A pergunta o pegou de surpresa. O moreno precisou de um tempo para processar a questão, mas independente desse tempo, só havia uma resposta e ao beta, ele não teria porquê encobrir. 

  É muito provável respondeu baixou. O sujeito no hospital deve ter ido lá para confirmar se havia algo errado com Bryan e acabou sabendo sobre Jiwon. Há a hipótese de que já sabiam sobre o ômega, devido ao incidente no parque e desde então vêm apenas observado. Os olhares voltaram a se encontrar. Bryan não é uma pessoa comum, você já percebeu. É normal ter alguém tentando algo contra ele, isso inclui fazer mal às pessoas que lhe são importantes. Quando o rapaz de fio castanhos comprimiu os lábios engolindo as lágrimas , o alfa achou melhor parar de falar. Will Calan não era alguém desse meio, e não dava para esperar que ele e muito menos Jiwon, digerissem isso facilmente. Desculpe. 

Tudo bem falou fungando, dando um sorriso em seguida. 

Os dois permaneceram em silêncio e um tempo depois Grigory apareceu descendo as escadas. 

Ele dormiu? 

Tam, que havia se perdido nos pensamentos, não percebeu que o garoto tinha dormido.  

É melhor ele subir… Roger se levantou, aproximando-se do rosto de Calan pronto para acordá-lo. 

Não o acorde. Interrompeu o mais velho. Você aguenta com ele. Leve-o no colo.

O que? Não. E se for o caso, leve você. Ele vai ficar no mesmo quarto que o ômega, se eu entrar lá ele vai acordar com o meu cheiro. 

O quarto está inundado com os meus feromônios, ele não vai sentir você, e não vai fazer diferença se você só entrar e sair em seguida. 

Irritado com o pedido do amigo e, com o que acreditava que ele estava tentando fazer, a contragosto, o moreno com a mão sobre a testa cobrindo os olhos assentiu. Suspirou, olhando para o adormecido e com pena de tirar a paz que finalmente conseguiu, o alfa o pegou no colo, tomando todo cuidado para evitar que acordasse. Já que decidiu levá-lo para não ter que acordá-lo, então que tratasse de continuar dormindo. 

Bryan que, quando saiu, cobriu o pequeno com uma manta grossa, agora puxava essa mesma manta cuidadosamente para que Roger acomodasse o ser em seus braços, sem problemas, ao lado do amigo. 

Grigory permaneceu parado em frente a cama admirando seu ômega e, por sinal, Roger também parou para observar algo.  

Vamos disse Tam, ao perceber o sorriso disfarçado do amigo. 

Assim que os alfas saíram do cômodo e fecharam a porta, uma mensagem chegou para o mais velho. 

Reforce a segurança na sua casa, AGORA. Descobri algo sério e precisamos conversar. Estarei aí assim que o sol nascer. 

O agora, em caixa alta, fez Bryan apertar o celular com força, novamente tomado por receio e insegurança. Seus feromônios que estavam aflorando, tensos, foram cessados quando o outro moreno puxou Grigory para longe da porta. 

Não surta agora, idiota. Ele já está aqui. Só reforce a segurança repreendeu, Roger. 

Você está certo respirou fundo , vou resolver isso. Ligue para o Adrian e peça para estar aqui bem cedo. 

Após se recompor, Bryan desceu as escadas com o celular no ouvido, deixando um o homem de olhos verdes para trás. 

6:15 horas

Tá brincando? questiona Pluz, boquiaberto. 

Naty estava escondida nos braços de Ivan, chorando compulsivamente. E Grigory com a face de que não dormiu direito estava com o antebraço escorado contra a vidraça do escritório. 

Tem certeza que ele estava falando a verdade? 

Sim. A tatuagem é a mesma imagem do brasão antigo dos Azzuls. Ele me contou sobre várias "encomendas" que eles transportavam para outra facção. Ele não soube me dizer o nome, mas disse que o brasão deles era uma junção de vários animais. 

  Quimera disse Tam, sem paciência. 

Além de não saber para quem os ômegas eram vendidos na época, ele também não sabia sobre a possível aliança dos Azzuls com os Nights. Mais recentemente quando os grupos começaram a usar o bar como ponto de encontro é que ele ficou sabendo da parceria. 

Como a polícia… não soube sobre isso? pergunta a ômega afastando o rosto do tórax do marido para olhar para os rapazes. Blanco afagava as costas da esposa tentando acalmá-la. 

Quimera era um grupo pouco visto. Embora seus atos fossem os mais inescrupulosos, quase não se ouvia falar deles. Entretanto, sempre que se ouvia sobre algum caso horrendo, todos pensavam logo neles. Os Quimeras eram o grupo que se esgueirava nas sombras das sombras, e quando eram vistos à luz do dia, era sempre por um acontecimento terrível. Não seria de se estranhar que tivessem pessoas sumindo e ninguém estivesse associando a eles, mesmo que eles tivessem o perfil para isso, pois, esses eram muito calculistas e sorrateiros, mexiam com coisas sérias e que muitas vezes envolviam grandes quantias de dinheiro. Serem pegos não era uma coisa opção. Os Quimeras eram justamente o grupo que Brayn mais temia, que estivesse de olho em Jiwon e agora tinha certeza de que eles estavam se movendo. 

Eles apagam qualquer rastro. São uma facção tão antiga quanto o Dracon. Não é de se estranhar que saibam como se manter invisíveis. Dificilmente outro grupo encontra com eles, e mesmo quando encontram, não sobra ninguém para confirmar que eram eles mesmos. Bryan se afastou da janela e caminhou até a mesa, pegando seu celular. Passavam das seis e meia. Ele não fazia ideia de que horas Jiwon iria acordar e realmente desejava que o mesmo dormisse bastante, até que saber como falar com ele. Eram problemas demais para organizar e Grigory aí não fazia ideia se o pequeno o aceitaria. 

Apenas ômegas? pergunta Roger, voltando o olhar para Ivan. 

Sim. Mas eles têm preferências em ômegas com algum tipo de diferencial. Agora era Bryan quem o encarava. Naty levantou os olhos para o parceiro. Corpo, cor de pele ou cabelo, coisas assim, mas com atributos incomuns ou raros. 

Jiwon tem olhos mesclados…  disse o alfa dos olhos verdes. E se souberem que ele é… 

Se…  já não souberam completa, Ivan. Sim. Por ser um ômega branco, ele se torna um alvo ainda mais desejado. Vão vir atrás dele mais cedo ou mais tarde. Ele é raro, e portanto… 

Vale mais dinheiro. Vai ter alfa matando para comprar ele. 

E nosso alfa aqui, vai matar quem quer se aproxime. Adrian em um tom brincalhão, se apoia no braço no ombro de Grigory. Tenho certeza. 

Pluz podia ter proferido as palavras rindo e brincando mesmo não sendo o momento mas cada sílaba era verídica. Bryan, se necessário, caçaria e exterminaria de vez, os malditos Quimeras

Ivan havia descoberto algo importante e, ao mesmo tempo, confirmando o que mais temiam. 

Os Azzuls estavam sequestrando ômegas e os transportando a pedido dos Quimeras e, ao que tudo indicava, ambos estavam contando com os serviços dos Nights. Mesmo que o homem no hospital tenha atacado Bryan quando ele o seguiu, aquilo foi apenas para atrasar o alfa, enquanto fugia. Não foi planejado um confronto, muito menos um atentado ao Grigory, sua presença lá, foi apenas para confirmar se o moreno havia mesmo levado um ômega para receber atendimento. Para piorar tudo, seja quem fosse, talvez tivesse conseguido a informação de que Jiwon Fiori entrou em HDF, o que torna o seu preço ainda mais alto. E por fim, se soubessem que ele era o Destinado de Bryan, por questões pessoais, os grupos rivais farão de tudo para capturar esse ômega. 

Ivan levou sua pequena à cozinha para lhe servir algum doce, depois de tanto chorar, ela se sentiria melhor com um pouco de açúcar. Roger ficou no escritório com Adrian. Ele não estava com paciência para as insinuações de Bryan, muito menos, queria ficar olhando para o alfa babando pelo ômega. 

Todos combinaram que nada seria dito ainda. Grigory queria conversar com o loiro com calma, e quando tivesse certeza que ele já está bem. O primeiro passo era convencê-lo a ficar em sua casa, mas não fazia ideia de como fazer isso. 

Sem fazer barulho, o moreno abriu uma fresta na porta para poder observar dali mesmo, o pequeno dormindo e logo notou que ele estava sozinho. Abrindo mais a porta, o alfa viu o beta caminhando em sua direção, provavelmente voltando do banheiro. 

Bom dia cochichou. Deita lá com ele. Ele dormiu bem, então acredito que vá acordar logo sorri. 

Bryan assentiu e deu passagem com o rapaz. O garoto já tinha dado uns passos quando parou e olhou para trás. 

É… Você…  por acaso sabe como voltei para o quarto? perguntou envergonhado. 

Roger te trouxe respondeu com um sorriso discreto nos lábios, vendo que Calan ficou corado. Você dormiu no sofá e não quisemos acordar. O sorriso de antes ficou mais largo, mas permaneceu gentil, o que não impediu o beta de corar mais, anuindo e voltando a caminhar pelo corredor. 

Mesmo sem certeza se realmente deveria deitar e estar ao seu lado quando ele acordasse, o maior não conseguiu contrariar o desejo de se aproximar e abraçar o loiro. 

Grigory havia deitado do lado que o Calan dormiu e Jiwon que já estava virado para si, se aninhou em seu corpo quente assim que se acomodou sobre os lençóis. 

O garoto de olhos mesclados parecia ronronar em meio aos braços fortes do moreno. E assim ficaram, ambos dormindo, aromatizando um ao outro. 

Bom dia cumprimentou o casal na cozinha. Seu sorriu morreu assim que percebeu a face vermelha e inchada da moça. O que houve? 

O casal sentado na mesma cadeira ela sentada no colo dele ainda estavam pensando em que desculpar dar, ou até onde podiam falar para Will, quando Tam apareceu atrás do beta, negando com a cabeça como se pedisse para evitar o assunto até com ele. O garoto de cabelos castanhos sentiu os pelos arrepiarem, então olhou para trás tendo a visão dos céus. Um moreno lindo de cabelos meio despenteados com uma xícara em uma mão e a outra dentro do bolso da calça. 

O alfa fitou o menor por alguns segundos e adentrou na cozinha se servindo de mais café. 

Na-aty, está tudo bem? questionou novamente, tentando desviar a própria atenção do recém chegado. 

Si-iim respondeu sorrindo, passando a mão no rosto como se estivesse limpando o rosto. Não foi nada. Dormiu bem? 

Sim confirmou se sentando à mesa e, para seu azar, de frente para o alfa que estava em pé encostado no balcão , visto que ali era o único lugar com cadeira livre. 

Bryan te expulsou do quarto? brincou Ivan e com exceção de Roger, todos riram. 

Não, eu saí. Achei melhor deixá-los sozinhos. E eu já estava para descer, de qualquer forma. Tenho que ir trabalhar hoje, só resolvi me adiantar. 

Enquanto Will falava, o alfa em pé pegou uma xícara para ele e depositou sobre a mesa junto com a garrafa térmica e no processo, por alguns segundos, cruzou o olhar com Blanco. Não precisavam falar, os dois se perguntavam a mesma coisa: será que estava tudo bem deixar Will sair? Será que não o seguiriam? Ou pior, o capturariam para saber sobre a relação do ômega com Grigory? 

Uhm… Will, você não poderia faltar hoje…  para acalmar o Jiwon caso que volte a rejeitar Bryan? 

Ivan estava apenas dando uma desculpa. Estava meio que evidente que o ômega não rejeitaria o alfa, mas eles precisavam mantê-lo ali até eles, ou o próprio Grigory, decidissem que medidas tomar. 

Acho que não. Eu já faltei ontem para ficar com ele e como ele não vai hoje porque minha chefe mandou ele descansar, eu preciso ir para não ficarem sem garçons. E tenho quase certeza que o baixinho não vai mais rejeitar o alfa sorriu vitorioso, com xícara em frente ao queixo. Sorriso esse que tornou as bochechas rosadas ao olhar o moreno à frente. É… Roger, obrigado por me levar para o quarto agradeceu baixo, acanhado, olhando para o líquido no objeto em mãos. 

O silêncio reinou. Naty e Ivan travaram no lugar, surpresos, com os olhos vidrados em Tam. Eles quase não acreditavam no que ouviam. Na verdade precisavam de uma explicação para aquelas palavras. O homem de olhos verdes suspirou vencido ainda com a porcelana em mãos e interiormente irritado, pois sabia o que passava na cabeça do casal.

Bryan não deixou que te acordasse então pediu que te levasse de volta respondeu simplista, solvendo mais um gole de café. 

Naty não se preocupou em esconder a risadinha, quando encarou o beta. Já Ivan, abraçando a cintura da esposa, deu um sorriso provocador que só o moreno viu. 

Mas…  obrigado de qualquer forma agradeceu novamente, dessa vez sem vergonha, um pouco cabisbaixo, pela maneira que o outro falou. 

Blanco era um alfa sensível, culpa da esposa talvez, então decidiu não deixaria isso passar assim. Roger precisava de uma lição por ter sido tão frio com o garoto que havia feito um simples agradecimento. 

Você pode acompanhar Will até o trabalho, certo Roger? Você também está indo para o centro. Ivan mal tinha terminado de falar, quando Calan quase se engasgou com a bebida. 

O alfa sabia que Roger não teria escolha. Eles precisavam ficar de olho no beta, então teria que concordar com a sugestão. 

Não precisa… 

Certo disse, interrompendo o mais novo. Deixou a xícara na mesa e foi para a saída da cozinha. Me avise quando estiver saindo. Estarei na sala. 

Assim que ele saiu, Will suspirou aliviado, com sua ausência apoiando a testa na mesa. A ômega sorriu para o cônjuge lhe dando vários selares pelo rosto. 

Vocês não têm pena de mim disse o garoto fingindo choro, olhando ainda com a cabeça na mesa  para o casal sorridente. 

Os dois apenas sorriram. Will não sabia a verdade por trás da sugestão, mas de uma coisa ele estava certo, os Blanco estavam tentando aproximar o alfa e ele. 





Notas Finais


💫

Roger e Will? 😏


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