História Destinados ao Amor - Park Jimin - Capítulo 3


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Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens Jeon Jeongguk (Jungkook), Jung Hoseok (J-Hope), Kim Seokjin (Jin), Kim Taehyung (V), Park Jimin (Jimin), Personagens Originais
Tags Dinastia, Época, Hetero, Histórico, Hot, Imperador, Império, Jimin, Josei, Joseon, Lírica, Rei, Romance
Visualizações 96
Palavras 4.305
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Bishoujo, Bishounen, Drama (Tragédia), Ecchi, Fantasia, Ficção, Harem, Hentai, Lírica, Literatura Feminina, Mistério, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Universo Alternativo, Violência
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Oie, como vão? ^^
É, demorei um pouquinho com essa atualização. Desculpem.
Matemática e física ultimamente tem acabado comigo. Tenho estudado que nem louca :/
Confesso que tive dificuldade em escrever esse capítulo, pois descrever um harém não foi nada fácil. Principalmente um harém coreano! Se fosse um harém chinês ou turco seria mais fácil, já que são mais ricos de informações. Por conta disso, eu o descrevi baseada no conhecimento que tenho por alguns filmes e doramas, e algumas outras coisinhas eu peguei com base nas características do harém do Sultão Suleiman. Muito provavelmente posso estar sendo equivocada em alguma coisa ou outra, então me desculpem se eu citar algo que não condizia com o funciomento real.
Ah, e me desculpem qualquer errinho, eu ainda não revisei a escrita. Depois eu concertarei.
(A garota na foto do capítulo é a Na Ri. Linda né? )
Enfim, boa leitura <3333

Capítulo 3 - Capítulo II


Fanfic / Fanfiction Destinados ao Amor - Park Jimin - Capítulo 3 - Capítulo II

“Um lugar tão desprezível aos meus olhos que faz me questionar se talvez isto seja algum tipo de castigo divino”

Destinados ao Amor - Capítulo II

Quiçá o tamanho descontento e aflição que Jimin vinha sentindo na noite anterior estivesse a ser compartilhado por outrem. Hwa Young, enquanto sentada em seu colchão, mantinha um olhar perdido enquanto emergia atentamente em meio aos cosmos celestes vistos através da pequena janela posicionada acima de sua cama. A ventania fria do inverno batia contra o seu corpo, enquanto seus olhos vagavam à procura de respostas, como se os céus as tivessem escritas em sua imensidão infinita. Como um oráculo aberto e exposto para quem fosse capaz de lê-lo e compreender de sua tamanha complexidade.

Um sentimento aflito tomava conta de seus vastos pensamentos enquanto a mesma apertava fortemente, e de maneira inconsciente, o pingente de quartzo que adornava o seu delicado colar, pressionando-o contra o próprio peito. Respirava de maneira profunda, numa tentativa falha de conter-se em não chorar, todavia, lágrimas desceram incessantes por seus olhos. Precisava acreditar que sairia dali. Necessitava crer que iria rever o seu pretendente e corresponder suas tão belas e sinceras juras de amor. A jóia cor-de-rosa que caía-lhe tão bem foi ele que a deu, e Hwa Young jurou ao mesmo que nunca a tiraria de seu pescoço. Ela estava determinada a cumprir tal meta.

— Eu sairei daqui. — A frase soou carregada de amargura e em sequência uma lágrima sôfrega escorregou por sua bochecha rosada.

Detestava aquele ambiente com todas as forças cabíveis ao ser humano. Chegara àquele lugar a apenas uma noite e um dia, no entanto, ao seu ver, pareciam ter sido numerosas semanas. Sentia saudades de seu lar, de sua querida mãe e também de seu amado. Até mesmo o ódio que antes cultivara por seu pai havia esvaído, talvez  por compreender que tal sentimento não a faria retornar até sua casa, e muito menos a faria algum bem.

O incômodo em seu estômago era em decorrência do forte golpe ao qual sofrera. Sua mão desceu até sua barriga e passeou pelo local. Os momentos que lhe ocorreram no início do dia começaram a ressurgir pouco a pouco em sua mente.

~ Algumas horas atrás.

Hwa Young recuperara os sentidos não havia muito tempo. Sentia seu corpo repousar sobre uma superfície plana e macia, fazendo o seu corpo afundar levemente sobre a estrutura. Sua cabeça repousava acima de um travesseiro, enquanto seus olhos mantinham-se fechados e ela passava vagarosamente as mãos pela barriga; ato que resultou em seu cenho franzido, em razão da sensibilidade que sentia no local. O golpe que havia recebido em seu estômago ainda era incômodo.

Forçou seus olhos a abrirem, e aos poucos, todo o espaço ao seu redor começou a fazer algum sentido. Estava em um quarto gigantesco, com inúmeras fileiras de camas alinhadas lado a lado, enquanto havia uma outra fileira de colchões virados de frente a si, deixando um espaço razoável para servir de corredor. As paredes, todas pintadas em delicadas temáticas florais, denunciavam a riqueza do local no qual a mesma se encontrava. Haviam poucas janelas circulando as paredes, e as existentes eram muito bem gradeadas. Seus olhos subiram em direção ao teto e aumentaram de tamanho ao ver os inúmeros desenhos contidos nele; retratavam de maneira religiosa a criação do universo. Hwa Young não se encontrava só, na verdade o local era muito bem compartilhado; as mulheres que ali se encontravam, permaneciam a dormir entregues a um sono profundo.

E a garota observou que absolutamente todas ali presentes, usavam de um padrão de vestes. Intrigada, desceu seu olhar para si própria e analisou seu corpo, para em seguida arquear as sobrancelhas em questionamento, vendo que também compartilhava daqueles mesmos trajes. Era um hanbok puro e completamente branco, simples e sem qualquer detalhe ou adorno estampado ao mesmo; belo, porém sem grandes requintes. Passou as mãos pelo tecido e sentiu de sua textura delicada.

— É seda! — Afirmou surpresa. Os olhos transmitiam incredulidade.

Em toda a sua vida, definitivamente era a primeira vez que trajava algo de seda pura. Sua linhagem descendia  de agricultores pobres de bens materiais, e por conta deste fato, nunca chegara a conjecturar que um dia teria a chance de tocar, ou até mesmo vestir-se, com tamanha maciez. Estava pasma e estarrecida; não esperava por aquilo.

— É claro que é. Todos no palácio fazem uso dela.

Em meio ao completo silêncio no quarto, uma voz se fez presente. Intrigada, Hwa Young virou a face para o lado, de encontro à dona do familiar timbre vocal. Sua boca abriu-se brevemente em razão de sua surpresa ao mirar quem estava ao seu lado naquele exato momento. A garota com quem falara durante a noite, estava deitada, de bruços, no colchão ao seu lado direito e sua face estava virada para si, observando-a com um sorriso meigo preso aos lábios.

— Também viestes parar aqui? — A pergunta soou razoavelmente alta, denunciando seu nítido desapontamento para com aquilo. Hwa Young não esperava reencontrá-la.

— Como podes ver, cá estou eu.  — Respondeu simplista ainda com um sorriso de canto aos lábios.

— Ah, Compreendo. — sorriu fraco para em seguida passar uma fina mecha de seu cabelo para trás da orelha — És verdadeiramente bela, não é atoa que tu fostes uma das escolhidas. — Seus olhos estreitaram-se. Queria de algum modo confortar a moça ao seu lado.

Era fato, a donzela possuía grandiosa beleza. Mesmo com a ausência de luz presente no quarto, era perceptível que a jovem foi agraciada com encanto e formosura; atributos considerados indispensáveis para os tipos de funções as quais exerceria. Seus cabelos eram longos e acastanhados; presos em uma trança diagonal simples. Alguns fios cortados em franja caíam sobre sua testa e estavam assanhados de um jeito gracioso.

— Agradecida estou por tamanho elogio… — Fez um gesto de continuidade com as mãos, de modo que Hwa Young completasse a frase que havia dado início.

—  Hwa Young.

— Agradecida estou, Hwa Young. — Riu, e seus olhos diminuíram minimamente.

— Como te chamas?

— Hyeyeon, mas podes chamar-me de Hye, se assim quiseres.  

— Hye-ssi. — Sorriu.

Hwa Young sentia-se aliviada em saber que ao menos poderia compartilhar do companheirismo de alguém naquele recinto. Não sabia com que tipo de pessoas seria obrigada a lidar diariamente, só tinha a certeza de que não seria uma tarefa simples, e que a sua vida mudaria drasticamente. Desconhecia a tudo e a todos, no final das contas era apenas uma garota sem muita experiência de vida. Saber que não estava só, era, de algum modo, reconfortante para si.

— Dormistes por um bom tempo. — ri — Tanto quanto os ursos costumam dormir em épocas frias. Estava preocupada. — ajeitou-se na cama, de modo que afundasse o cotovelo no colchão e então recostou a cabeça sobre a palma mão — Não me parecias bem… Falastes de maneira atormentada o nome de alguém enquanto repousavas… — Hwa Young arqueou a sobrancelha em sinal de dúvida — Tu viravas de um lado para o outro… Creio com plena certeza que um nome masculino escapou por sua boca… — encarava-a fixamente nos olhos enquanto buscava por palavras certas a dizer — Quem era este, Hwa Young? Por que praticamente choravas ao falar o nome do mesmo?

E naquele momento Hwa Young engoliu seco. Os olhos arregalados enquanto processava o que seus ouvidos acabaram de ouvir. Certamente o nome de seu amado foi pronunciado por seus lábios enquanto dormia. Tinha o péssimo hábito de narrar inconscientemente os seus pensamentos mais íntimos enquanto repousava. O nome do mesmo circulando pelo palácio poderia causar-lhe gravíssimos problemas, afinal, uma mulher do imperador deve servir unicamente a ele, não podendo relacionar-se amorosamente com qualquer outro homem. Caso o contrário daquilo ocorresse, ambos poderiam perder a vida. Era necessário evitar que aquele tipo de situação se repetisse, para o seu próprio bem, e também para a segurança de seu amante.

E Hwa Young não sabia o que responder-lhe. Não gostava de mentir, entretanto, contar a verdade na íntegra jamais lhe fôra uma opção a ser considerada. No final das contas acabou por contar a primeira desculpa coerente que veio em seus pensamentos.

Após alguns segundos, sua voz finalmente soou; calma e aparentemente tranquila em relação a pergunta recentemente feita.

— Provavelmente eu estava a proferir o nome de meu pai. Mesmo tendo ele me enviado para tal lugar, não consigo esquecê-lo no final das contas. Ele e minha mãe são minha família.

O que havia falado não era uma mentira completa. De fato, realmente não menosprezava as lembranças que tinha de seu pai, pelo contrário, passou boa parte da noite meditando sobre o mesmo em meio ao inconsciente de seus pensamentos. Esforçou-se bastante, e enraivecida ficou por não ter a capacidade de odiar seu progenitor. Por que detestá-lo era algo tão difícil para si? Porventura ela o amava pelo simples fato dele a ter presenteado dando-lhe a vida. Seus pensamentos eram confusos e contraditórios ao extremo, e isso lhe era deveras irritante.

No entanto, tinha certeza plena de que naquela noite seus pensamentos foram possuídos por outras lembranças; no caso, aquelas eram aprazíveis. Recordou-se com total clareza do dia em que conheceu o rapaz que fez seu coração palpitar acelerado e conhecer o chamado: amor. Em suas mais recentes memórias foi capaz de sentir o calor de sua mão dada a sua e o timbre apaixonado de sua voz próximo ao seu ouvido. Não aguentava estar longe do mesmo, simplesmente estava dominada pelo mais sincero amor. No entanto, seu inconsciente voltou a brincar consigo e decidiu recordá-la de que já não se encontrava mais em seu vilarejo, e com isso, afastada dele. Nervosa ficou e por muito pouco não desabou em choro.

Depois daquilo, Hwa Young aquietou-se. E bem; não lembrava-se do que ocorreu-lhe, só sabia que acabou por acalmar-se. Não sonhou mais nada; apenas dormiu.

— Compreendo. És boa de coração, Hwa Young. Outra em teu lugar estaria o amaldiçoando com todas as suas forças. curvou os lábios em um pequeno sorriso — Tu provavelmente és alguém bastante especial, minha querida. — Seus dentes foram expostos em meio a um sorriso sincero.

— Realmente achas isso, Hye? — a voz soou baixinha e denunciava a sua timidez em relação àquilo. Uma pequenina curva em sua boca deixava claro a sua felicidade ao ouvir aquelas palavras. Hyeyeon prontamente assentiu com a cabeça após ouvir de sua pergunta.

— Pelo que pude analisar, sim.

Naquele momento Hwa Young sentiu-se bem. Gostava de Hyeyeon. A conhecia há pouquíssimo tempo, mas em seu coração, a garota já residia, assim como muitas outras pessoas que amava, mas que acabou deixando-as para trás após tudo o que havia lhe ocorrido.

Muito obrigada. Compartilhou de sua simpatia e expôs o seu mais terno sorriso. Os olhos estreitaram-se e assemelhavam-se ao formato de duas pequenas meias-luas.

— Digo apenas verdades. Não precisas me agradecer. — Riu docemente.

Hyeyeon era uma mulher de personalidade amável e simpatia era algo que nunca lhe faltou. Era notável que a mesma possuía numerosas qualidades, entre elas, saber fazer alguém sentir-se bem com simples palavras. Sem dúvidas Hwa Young e ela tornar-se-iam boas amigas uma da outra a partir daquele dia.

— Mas diga-me, Hwa Young, quantas primaveras já presenciastes? — Hyeyeon questionou enquanto ajeitava-se em seu leito. Mudou de posição; passou a ficar sentada de pernas cruzadas sobre o colchão enquanto virada de frente para a garota ao seu lado — Não aparentas possuir idade superior a minha.

— Possuo apenas vinte. E tu?

— Eu supus que estivesse por volta dos vinte a vinte e um! — a voz transparecia convicção enquanto que em seus lábios um sorriso de satisfação surgia — Vinte e dois. — Disse por fim.

— Ah, então me é um dever te tratar por unnie*. — Hwa Young afirmou mais para si própria do que para a moça ao seu lado. Hyeyeon confirmou com a cabeça. — Unnie! — riu.

Assim, passou-se algum tempo enquanto as duas dialogavam entre si. Ambas sentadas lado a lado, agora compartilhando do mesmo espaço na cama de Hwa Young. Quem sabe as garotas estivessem a conversar muito alto, o caso foi que acabaram por acordar a moça que cochilava à esquerda,  na cama ao lado. Seu nome era Yoon Hee, e aparentava tratar-se de alguém agradável.

No final das contas acabou por juntar-se com a dupla.



— Mas diga-me, Yoon Hee, o que pensas a respeito de vossa majestade?  — Hyeyeon questionou. Em sua face um sorriso carregado de malícia surgiu — Ele não te faz querer conhecê-lo melhor? Huh?

— Unnie, deste jeito tu a deixas envergonhada! — Hwa Young afirmou em meio aos risos.

— Não vejo o porquê disto. — Hyeyeon deu de ombros.

— Bem… Vossa majestade é tão belo! — encarou as próprias mãos enquanto carregava um sorriso contido — Já vistes como os fios de seu cabelo brilham quando o sol os ilumina?  — encarou Hyeyeon — Mais se assemelha a uma imagem divina. — sorriu constrangida — É isto.

— Só?! — Hyeyeon ditou frustrada — Aish! Esperava bem mais palavras… Enfim, concordo com tudo o que dissestes! Ele realmente é belo. Tão misterioso! — Hyeyeon falou com um sorriso alegre e encantado no rosto. Provavelmente viajava em seus típicos devaneios — Mas e tu — virou abruptamente o rosto em direção a Hwa Young — o que pensas a respeito de vossa majestade? — Questionou novamente com aquele sorriso que denunciava um sentimento de perversão pura.

E foi naquele momento que Hwa Young lembrou que jamais viu a face de seu senhor. Nunca em sua vida inteira chegou a ver o tão famigerado rosto de seu imperador. Estava curiosa, no entanto, acreditava não ser algo com que devesse preocupar-se, afinal, sua maior preocupação deveria ser manter-se afastada dele. Um homem que permitia que mulheres fossem negociadas como simples mercadorias, em sua sincera concepção, nem mesmo poderia ser considerado um ser humano. Quanto mais longe dele, mais segura estaria.

— Nunca vi sua face, e com sinceridade direi, não cultivo interesse algum. — Falou convicta e deu de ombros, nitidamente indiferente. Seu ato fez ambas as garotas ao seu lado arregalarem o olhar.

— Ela diz tais coisas porque não tem conhecimento de quem vossa majestade se trata. — Hyeyeon cochichou próximo ao ouvido de Yoon Hee e a mesma prontamente assentiu. 

Hwa Young muito embora ouvisse seus indiscretos murmúrios, e revirasse tediosamente os olhos, as ignorava. De fato, não entendia porque tantas mulheres morriam de amores por um homem tão desprezível! Acaso eram dementes? O que encontravam de tão magnífico nele? Quiçá nem mesmo possuísse tamanha beleza como diziam que possuía.



Por aproximadamente uma hora à fio, trocaram ideias e opiniões em meio ao, até antes, escuro do quarto. Compartilhavam interesses em comum, visto que tinham idades próximas uma da outra, e isto era algo bom para as três. Sabiam que a partir dali teriam a confiança e a amizade incondicional uma da outra.

E tudo fluía perfeitamente calmo naquela madrugada que não demorou até tornar-se manhã. Não estava mais tão escuro, todavia, também não estava tão claro. O sol aparecia aos poucos e gradativamente clareava o ambiente. As garotas estavam tão atentas em seus próprios diálogos, que nem mesmo se davam conta da passagem de tempo ocorrido.

Decerto as três moças estivessem tão inertes em suas conversas, que não repararam quando subitamente, os gigantescos portões do harém foram abertos.

— ACORDEM-SE TODAS! — A autoridade era transmitida convictamente na voz feminina que ecoava alto e firmemente no dormitório.  

E as moças que até antes conversavam entre si, abruptamente viraram o rosto em direção ao local. Os olhos muito bem abertos enquanto engoliam seco. As outras mulheres que ali dormiam acordaram nitidamente desnorteadas, sem saber o que naquele momento ocorria; algumas estavam assustadas, enquanto outras denunciavam um mal humor nítido.

A mulher que naquele momento adentrara o local exalava autoridade em seu semblante. As mãos mantinham-se posicionadas na cintura enquanto permanecia com o queixo erguido. Quem quer que fosse, possuía exorbitante poder naquele harém.

As três jovens a analisavam fixamente. A mulher de fato era dona de grandiosa beleza. Uma verdadeira dama. A pele delicada e de cor leitosa destacava-se em meio aos seus longos cabelos pretos, o nariz era pequenino e fino; assim como sua boca. Suas sobrancelhas eram retas e seus olhos, muito embora fossem bem desenhados, transmitiam um frieza sem igual. O hanbok que trajava era rubro e repleto de pequenas formas geométricas e pedrarias brilhantes.

E a dama misteriosa não se encontrava só. Dois homens, de vestimentas iguais as do homem que Hwa Young teve o desprazer de conhecer na noite anterior, também estavam presentes ali.

Seus olhos vagavam pelo local até irem de encontro aos de Hwa Young, que quando sentiu seu olhar sobre si, engoliu seco. A mulher arqueou a sobrancelha ao vê-la, e em sequência desviou o olhar e ditou alto:

— Levantem-se! — ordenou, e receosas, todas as mulheres ali presentes o fizeram. Inclusive Hwa Young, que muito embora não desejasse, achou melhor comportar-se e não criar confusão. — Prestem atenção ao que vos direi! Vocês não foram escolhidas dentre tantas atoa. — seus olhos vagavam pelo gigantesco quarto e estudavam minuciosamente a face de cada mulher ali presente. O silêncio predominava no ambiente enquanto todas que ali estavam assistiam ao seu discurso. — Sintam-se honradas por terem o privilégio de servir ao nosso tão amado imperador. — Hwa Young franziu o cenho de imediato. Aquilo era uma honra? Ao seu modo de ver, mais assemelhava-se a uma punição — Passarão boa parte de suas vidas aqui, onde aprenderão a comportar-se devidamente e a agradar o seu senhor. Para quem desconhece quem sou, permita-me apresentar: chamo-me Oh Soojin, a chefe das concubinas do palácio. — murmúrios se fizeram audíveis no ambiente — Silêncio! — ordenou irritadiça e a paz voltou a reinar — Responsabilizarei-me por vós de agora em diante. A partir de amanhã todas vocês terão aulas de educação e etiqueta. A cada dia irão à escola, onde aprenderão a se comportar devidamente como concubinas do imperador.

E Hwa Young não poderia estar mais indignada com tudo aquilo. Quem aquela mulher pensava que era? Por que ela deveria obedecê-la? E acima de tudo, quem aquele imperador achava que era? Servi-lo?! Não, ela não aceitaria este tipo de condição tão facilmente. Fazer tal coisa não conduzia com sua personalidade.  

E no meio daquele discurso, ao qual Hwa Young via como desnecessário, o homem que estava à direita de Oh Soojin se pronunciou:

— Se aprenderem direito tudo o que nós vos ensinarmos de amanhã em diante, então este palácio será um verdadeiro paraíso para vós. — expôs os dentes longos e esbranquiçados em meio a um sorriso — Contudo, — abruptamente fechou sua boca e a face tornou-se séria novamente — caso o contrário venha a ocorrer, vocês provavelmente irão se sentir no inferno. — Ditou tranquilamente a frase, e ao seu final um sorriso sádico preenchia o canto de seus lábios. Era amedrontador. Soojin, por sua vez, balançava a cabeça em confirmação.

— Vale ressaltar que — o homem à esquerda pronunciou-se —  as melhores concubinas dentre vós, ganharão inúmeras regalias — falou e seus olhos percorreram o espaço e pararam em alguém específico — Mi Cha, venha para cá! — chamou-a autoritário, e assim, uma das belas moças que estavam em pé se aproximou. Ficou ao lado do rapaz que prontamente colocou a mão em seu ombro. — Mi Cha está aqui há exatos dois anos. Uma concubina exemplar, devo lhes dizer. — falou e a mulher esboçou um sorriso que exalava orgulho e satisfação enquanto permanecia com seu queixo bem erguido — Aprendeu a ser uma dama bem educada, inteligente, e, principalmente, teve a honra de ter sido escolhida duas vezes por nosso tão amado imperador. Por conta disto a mesma possui vantagens e regalias invejáveis…

Hwa Young escutava tudo aquilo ainda com os braços cruzados na altura dos seios. De fato, não tinha interesse algum no que estava a ser falado naquele recinto.

— Jóias e pedrarias, moedas de ouro,  artigos de luxo, hanboks, e um quarto apenas dela. — Falou e pequenos murmúrios inundaram o ambiente. A grande maioria das mulheres ali mostravam algum interesse.

Mi Cha, por sua vez, permanecia calada, apenas ouvindo os inúmeros elogios os quais recebia. Seu ego era simplesmente inabalável, não seria algo equivocado dizer que a mesma sentia-se superior a todas a outras mulheres que ali estavam.

Hwa Young não sabia o que pensar. Eram tantas informações que havia recebido, que nem mesmo sabia ao certo como lidar com as mesmas. Estar lá, em sua concepção, era viver no inferno, mas ao que parecia, o que já era terrível, poderia piorar ainda mais.

— Hoje não exigiremos nada por parte de vós. — Oh Soojin voltou a falar — Contudo, seus estudos iniciarão amanhã de manhã. — seu olhar vagou pela sala e parou em Hwa Young. A analisava cuidadosamente. Notava que a garota lhe daria algum trabalho — Preparem-se! — ditou a ordem ainda  com a atenção voltada a mesma. — Era só isso. Vamos! — Direcionou o olhar para ambos os homens ao seu redor, e assim, os três se retiraram do local. 



— O que achastes da Oh Soojin? — Hyeyeon perguntou à Yoon Hee. Estava sentada na ponta de sua cama enquanto balançava os pés para frente e para trás. 

— Eu simpatizo com ela. Me parece ser alguém muito bem instruída e educada. — falava de maneira descompassada porque pulava inscessantemente sobre o colchão já havia algum tempo — Isso é tão divertido! — Riu. Provavelmente nunca havia feito aquilo em toda a sua vida. Colchões macios eram absurdamente caros.  

— E você, Hwa Young? — Hyeyeon perguntou em tom de riso por conta da contagiante felicidade de Yoon Hee. — O que achas dela? 

— Não me agradou. — estalou a língua — Me pareceu ser alguém arrogante e prepotente. — Pronunciou enquanto deitada em seu leito e observando os desenhos no teto. Eram belíssimos. 

— Não sejas assim! Nem mesmo a conheces direito. — Hyeyeon criticou-a. — Eu a aprecio. — falou e Hwa Young direcionou-lhe o olhar. Era a única que não havia simpatizado com sua superior? 

O harém estava agitado. Todas as mulheres que ali se encontravam dialogavam entre si e com seus pequenos grupos já estabelecidos.  Todas mantinham idades entre vinte a vinte e sete anos, no máximo. Já que passariam tanto tempo por lá, o mínimo que poderiam fazer seria tornar aquilo algo proveitoso e tornarem-se amigas umas das outras. Embora na teoria fosse algo verdadeiramente bonito, na prática nem sempre isso ocorria, já que muitas vezes acabavam brigando e criando rivalidades ridículas. 


E diferente da noite anterior, aquele dia não foi estressante ou desgastante para as mulheres que lá estavam. Muitas haviam criado interesse em permanecer lá. Poderiam levar uma vida de requintes e luxos, e porventura, ter a chance de ser escolhida por seu senhor. O que mais aquelas jovens que antes não possuíam nada poderiam desejar? Era uma oportunidade única em suas vidas. 


O dia não demorou a chegar ao fim. Hyeyeon e Yoon Hee haviam tentado, em vão, melhorar o humor de Hwa Young. Chegaram inclusive a crer que a mesma estava doente, já que aparentava um estado crítico de abatimento. Sentiram sua temperatura e ficaram aliviadas ao ver que a mesma não tinha febre. 

No final das contas, o sentimento que Hwa Young carregava em seu coração realmente a adoecia. Estava com saudades de sua família e amigos, assim como de seu querido amor. 

Todas ali aparentavam um estado de conformidade e aceitação, e Hwa Young não conseguia compreender como elas encaravam tal situação com tamanha tranquilidade. Estava sentindo-se verdadeiramente mal naquele ambiente. Sentia-se enfurnada em uma gaiola. Poderia ser confortável e luxuosa, mas ainda assim, não deixaria de ser o que era: uma prisão. 

~ Fim do Flashback

A noite havia chegado já havia algumas horas, e todas ali presentes dormiam calmas e tranquilamente, exceto Hwa Young que ainda permanecia a observar as estrelas. 

— Sim, eu sairei daqui. — apertou a pedra com maior força. Seu semblante denunciava sua determinação para com aquilo — Custe-me o que tiver que custar. — Engoliu seco para em seguida sentir sua visão nublar e as lágrimas escorrerem.

Através da janela, Hwa Young observava a deusa  Yondung Halmoni* trabalhar; sua ventania úmida carregava as folhas mortas e secas, fazendo-as voarem soltas para bem longe de seu campo de visão. Estavam mortas, porém libertas e donas de si, indo para onde o vento as guiasse. A questão era: quando desprendidas de sua árvore, voavam soltas e sem rumo de destino algum, desconhecendo onde iriam parar, acabando por cair no chão e sendo pisoteadas pela barbárie humana.

A garota questionava-se até quando permaneceria lá. Fugir era algo improvável de acontecer com êxito, entretanto, caso ocorresse, provavelmente acabaria por tornar-se como uma simples folha; guiando-se sem rumo, para no final, terminar só, enfrentando todas as dificuldades da vida.

E nesta analogia entre o material e o humano, uma sonoridade suave e melancólica de uma flauta somou-se. Estranhamente era boa; transparecia doçura e sinceridade em suas notas. Notavelmente era tocada com paixão e, em sua melodia, era visível um anseio por refúgio, mas ao mesmo tempo, um sentimento acolhedor e de paz faziam-se presentes. Hwa Young sentia-se verdadeiramente bem naquele momento, como se um sentimento caloroso aquecesse o seu peito.

— Que melodia mais linda. — respirou fundo e fechou os olhos enquanto apreciava da música. O peito subia e descia enquanto suas mãos seguravam as grades metálicas verticais e frias da janela — Quem será o criador de tal som? — Questionou-se ao abrir vagarosamente os olhos e observar novamente as estrelas — Seja quem for, que os deuses confortem-lhe o coração. Assim como ele foi capaz de confortar ao meu neste momento tão difícil em minha vida.

E naquela noite, Hwa Young adormeceu profundamente em seu leito enquanto ouvia de tal música. Mal sabia ela que seu tão sincero desejo foi ouvido.


Notas Finais


• Dicionário •

Unnie: expressão tipicamente coreana usada por mulheres para se referirem a outra mais velha;

Youndung Halmoni: Deusa coreana do vento, celebrada em rituais xamãnicos onde lhe são oferecidos bolos de arroz;

Então pessoal, o que acharam do capítulo? Deixem a opinião de vocês nos comentários. Lê-los me deixa imensamente feliz ^^ <333


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