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História Destino desconhecido - Capítulo 8


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Notas do Autor


😃

Capítulo 8 - Cavando fundo demais


xXxXx

Gambit pilotava a moto vertiginosamente, em uma tentativa inconsciente de controlar os seus pensamentos, de abafar a aflição que a busca por respostas causava. A ansiedade que enchia o seu peito era estranha para ele. Mesmo quando ainda era criança, ele sempre mostrou frieza diante de qualquer trabalho, por mais difícil e intrincado que fosse. Ele sabia como manter a cabeça fria diante de perigo iminente e se safava de situações difíceis como ninguém. Contudo, desta vez era pessoal, dizia respeito a quem ele era.

Ele acelerou ainda mais, mas então sentiu os braços de Vampira apertarem ao seu redor, e pareceu finalmente voltar ao chão. Ela não era apenas o seu freio, mas também o seu apoio. Ela estava ali para cumprir a missão que lhe fora incumbida; ela estava ali com ele, por ele. Novamente, Gambit sentiu que não estava sozinho, que não precisava ficar sozinho, e esse sentimento o alentou, fez com que seu mundo parasse de girar tão rápido.

Em pouco tempo, eles chegaram ao seu destino. Antes, passaram no galpão por onde Dentes-de-Sabre havia saído, contudo, este não estava abandonado. Mantendo distância, viram os trabalhadores do turno da manhã chegando. 

Gambit soltou um suspiro ao erguer o visor do capacete. “Acho que vamos dar mais sorte no outro.”

Da garupa, Vampira concordou. Ele acelerou e deu meia volta em direção ao galpão abandonado, onde chegaram em poucos minutos. Adentraram o lugar vazio cautelosamente, olhando ao redor. Nada havia mudado desde que estiveram lá dias atrás. A impressão era a mesma da vez anterior, porém, desta vez, estavam determinados a não irem embora enquanto não encontrassem alguma pista. Desta vez tinham a certeza de que havia algo a ser encontrado. 

Começaram a perscrutar o local de forma semelhante à vez anterior, então passaram a procurar por etapas, cada um começando por um dos lados e se encontrando no meio. Bateram nas paredes à procura de alguma passagem ou espaço oco, porém eram todas maciças. Bateram no chão, mas novamente não encontraram nada. 

Gambit se agachou para inspecionar os caixotes podres que circundavam o lugar um a um até que notou algo: ao lado de um dos caixotes encostado em uma parede havia uma marca de poeira que indicava que o caixote havia sido movido recentemente. Ao contrário dos outros, que caíam aos pedaços, este estava firme e era pesado apesar de ter a mesma aparência decrépita dos demais. Vampira se aproximou e juntos eles o moveram. Não havia nada. Passaram para os outros dois caixotes grandes, empilhados ao lado daquele. Ao removerem o de cima, notaram que o de baixo não tinha fundo. 

Os dois trocaram olhares alarmados. Encontraram um alçapão. Era estreito, porém grande o bastante para que um homem adulto pudesse entrar por ele; mesmo um grandalhão como Dentes-de-Sabre conseguiria se espremer por ali. Gambit se repreendeu mentalmente por ter deixado aquela porta literal passar despercebida. 

Durante todos os seus anos como parte do Clã dos Ladrões, ele havia passado por muitos testes, alguns deles por pouco não tiraram sua vida. Ao final de cada um, Remy, em idades variadas, se perguntava se seu pai adotivo tinha tanta fé nele e em suas habilidades, que tinha certeza de que ele conseguiria escapar e cumprir a tarefa ou se de fato aqueles momentos poderiam ter significado o seu fim. Se esta missão fosse um dos testes do Clã, Remy teria falhado. Ele guardou o sentimento de fracasso para si e afastou quaisquer pensamentos e sentimentos que poderiam distrai-lo da missão (como aprendera a fazer desde criança) e se focou no que havia à frente. Ou, neste caso, abaixo.

Gambit tentou mover o caixote, mas estava pregado ao chão. Ao abrir a portinhola, notou que ela era da altura do caixote; assim quem entrasse poderia cobri-lo com outra caixa e então fechar a portinhola.  

Eles se inclinaram para olhar dentro. 

“Não dá pra ver nada” Vampira comentou diante do breu.   

Gambit energizou uma carta e iluminou o vão. A princípio pareceu bastante fundo. Ele enfiou o braço mais fundo e conseguiu enxergar o chão. Não havia escada. De certo aquela era apenas a entrada. 

Ele avaliou a altura, deixou a carta energizada cair; ela plainou e se apagou ao tocar o chão. “É uma queda de quase três metros” 

“Eu consigo” Vampira afirmou.

Com os X-Men, ela havia passado por treinamentos que exigiam pular, rolar, desviar e cair sem se machucar. Wolverine lhe ensinara que havia jeitos certos de cair. A altura e o terreno não eram as partes mais importantes, era como você caía que determinava o final, juntamente, é claro, com preparo físico. Além disso, Vampira vestia roupas apropriadas, bota e calça comprida, assim como Gambit, que inclusive estava com o seu casaco longo. 

Com um meneio de cabeça, Gambit saltou. Seu casaco se levantou esvoaçando na queda e caiu assim que ele pousou perfeitamente, com os joelhos dobrados e as solas dos pés firmes no chão. Energizou mais uma carta e olhou ao redor antes de acenar para Vampira. Ela caiu bem como ele, sem machucar os calcanhares, apenas sentindo o impacto na sola dos pés.

Assim, eles se encontraram em um corredor estreito e escuro. Sentiram a diferença de temperatura, como aquele corredor era gelado em comparação com o sol lá fora. Era o tipo de cenário que parecia extirpar qualquer resquício de esperança de rever a luz do sol. Clareando os dois lados com a luminosidade fraca que a carta energizada emitia, eles viram que havia dois caminhos para seguir. 

“Para qual lado?” ela perguntou.

“Podemos seguir o nosso nariz” ele disse, com um sorriso. Ela pegou a referência ao Gandalf e sorriu de volta para ele. “Fence disse que encontrou imagens de Dentes-de-Sabre a um quilômetro a leste daqui.” 

Vampira assentiu e os dois seguiram, cautelosos, pelo corredor da direita. Era estreito demais para que pudessem caminhar confortavelmente lado a lado, então Vampira seguiu um passo atrás dele; cuidaria da retaguarda caso fossem surpreendidos. 

“A gente podia ter usado a técnica Scooby-doo e se separado” ela brincou, tentando amenizar o clima aflitivo. Gambit se voltou para ela, sorrindo.

Caminhavam há alguns minutos quando luzes automáticas começaram a acender, indicando sua presença. Novamente trocaram olhares. Vampira meneou a cabeça, mostrando que não havia dúvidas; eles tinham de continuar. Gambit apagou a carta, mas a manteve pronta para ser arremessada ao primeiro sinal de ataque. Eles redobraram a atenção e continuaram.  

Vampira sentia os pelos dos braços eriçados, pois aquele corredor gelado e sem vida a fazia se lembrar das catacumbas dos Morlocks. Um lugar triste que parecia carregar lembranças dolorosas. Contudo, lá havia vida e esperança, enquanto aqui não havia nada; era lúgubre, tão estéril quanto o lugar onde Sinistro os havia mantido presos meses atrás. 

Vampira apanhou o celular do bolso e viu que estava sem sinal. Graças ao pragmatismo de Gambit, ele havia instruído Fence a alertar o seu pai caso eles não voltassem naquele dia. Infelizmente, por ora, eles não poderiam contar com a ajuda dos X-Men.

Os dois sabiam que pensar em cada detalhe era fundamental em qualquer missão, e que ter uma saída em mente era a regra primeira. Entretanto, aquele corredor longo em linha reta parecia frustrar essa regra, pois eles não tinham como saber o que havia do outro lado ou se tinham tomado o caminho certo. Podiam apenas continuar em frente. 

Após mais um minuto, o corredor finalmente chegou ao fim, dando em uma porta aberta. Eles atravessaram o limiar e se encontraram em uma sala grande e bem iluminada. Parecia um quarto moderno de hospital, quase idêntico à sala para onde Essex havia levado Vampira, Scott e Jean para testá-los. Se ainda restavam dúvidas, Vampira teve certeza de que o vilão estava envolvido. 

Havia alguém na outra extremidade do quarto. De onde estavam viram uma forma recostada em algo que apenas parecia com uma cama. Havia telas de monitoramento ao redor, equipamentos mais modernos que hospitais comuns, mais uma meia dúzia de sacolas com líquidos transparentes conectados ao corpo por via intravenosa. 

“Quem são vocês?”      

Os olhos deles dispararam em direção ao rosto da figura deitada. Daquela distância não parecia que seus olhos estavam abertos, sequer conseguiam saber se respirava ou não.

Decididamente, Gambit se aproximou da cama enquanto Vampira permaneceu mais perto da porta, para vigiá-la. Mesmo assim, não conseguiu resistir em dar alguns passos para dar uma olhada no corpo, que agora percebiam pertencer a uma mulher. Uma mulher muito velha cuja pele era enrugada e escurecida como se ela tivesse duzentos anos. Era bastante magra e seus cabelos, totalmente brancos, eram longos e ralos. Ela parecia uma bruxa saída de contos de fada. Entretanto, ficou claro que apenas o seu corpo era decrépito, não sua mente.

“Você é a Amanda Mueller” Gambit disse, em uma afirmação. 

A mulher o encarou diretamente nos olhos e foi como se uma sombra de reconhecimento passasse pelos seus olhos. “Essex mandou vocês?” então seus olhos perspicazes se estreitaram. “Não, vocês parecem surpresos em me ver. Estavam procurando o grandalhão animalesco? Ele já foi embora.”

“Estamos procurando o Essex” Gambit disse com firmeza, embora sua mente rodasse vertiginosamente com perguntas que talvez ela pudesse responder. Contudo, a mulher não parecia interessada em cooperar.

“Como podem ver, ele também não está aqui” sua voz era prepotente e debochada. 

“Onde ele está?”

Ela gargalhou longa e divertidamente antes de dizer: “Espera que eu lhes dê essa informação de graça?”

Non” ele respondeu entredentes. “Mas certamente você tem um preço, afinal até os seus bebês estavam à venda.”

O rosto extremamente enrugado anuviou. “O que uma criança como você sabe?”

“Então você era inocente?”

“Inocente? Nem perto disso” um sorriso meio macabro crispou seus lábios afinados com o tempo. Não havia remorso na sua voz tampouco em sua expressão. Ela parecia ser completamente fria, com traços claros de psicopatia. “Se você procura respostas, não é aqui que vai encontrá-las.”

“Eu posso pagar muito bem.”

Ela bufou em escárnio. “Dinheiro sempre foi a última coisa de que precisei. A não ser que você tenha algo para trazer minha juventude de volta. É claro que disso eu duvido.”

“Eu posso forçá-la” ele disse de uma forma que não pareceu blefe. Aquela velha repulsiva parecia saber quais teclas apertar para tirar alguém do sério. 

A mulher gargalhou novamente. Não parecia achar que corria qualquer risco. “Está completamente enganado se acha que estou indefesa.”

Perto da porta, Vampira achou ter ouvido passos ao longe. Ela se apressou ao se aproximar de Gambit e cochichou no seu ouvido: “Tem alguém vindo.”

Apurando os ouvidos, ele pôde ouvir passos a uma distância considerável. Encarou Vampira com uma expressão determinada e ela entendeu que ele estava disposto a lutar contra quem surgisse. Não poderiam simplesmente deixar aquela chance escapar. 

Ela apertou a mão dele. “Deixa comigo” cochichou novamente antes de dirigir a palavra à mulher. “É o seu dia de sorte” Vampira se segurou para não virar o rosto para longe daquela forma grotesca que tão perfeitamente combinava com seus olhos perversos. “Eu posso ajudá-la a reverter a sua aparência.”

Chère...” Gambit disse em um tom de voz preocupado que implorava para que ela fosse cuidadosa. Ela abanou a cabeça ligeiramente e relaxou os ombros. Precisava acreditar no próprio blefe. 

A mulher a encarou de volta, incrédula, percebendo sua mentira. “Não, não pode. Eu acho que sei quem é você e o que pode fazer, garotinha.”

“É mesmo? O que você sabe sobre mim?”

“Que você rouba poderes mutantes.”

Vampira engoliu em seco, mas conseguiu manter a cabeça fria. “Não apenas poderes; traços físicos também. Desenvolvi muito as minhas habilidades nos últimos meses; posso escolher o que absorver. Eu poderia ‘roubar’ a sua aparência, e logo, eu voltaria ao normal, mas você continuaria jovem” enquanto falava Vampira havia dado três passos lentos em direção à mulher. Por mais que ela não acreditasse nas palavras de Vampira, promessas de juventude a distraíram o suficiente para que não percebesse a aproximação.  

Então, em um movimento mais rápido que o seu normal, Vampira agarrou o pulso dela. Só então Gambit notou que quando Vampira tocou sua mão, ela pegou sua agilidade emprestada, sem que ele sentisse qualquer efeito colateral. 

As duas berraram ao mesmo tempo assim que o contato físico foi feito. Gambit gritou por Vampira e correu na sua direção. Ele a segurou pelos ombros e a puxou para longe, mas o aperto da sua mão era forte. Em meio aos gritos, eles não ouviram os passos no corretor se tornarem apressados. Uma pessoa de jaleco branco surgiu à porta. Gambit apanhou seu cajado, e sem estendê-lo, o arremessou em direção à testa da pessoa que entrava; ela foi nocauteada no mesmo instante.  

Os berros de Amanda Mueller cessaram assim que ela desmaiou. 

Vampira finalmente soltou o punho dela e cambaleou para trás, gemendo. Gambit a amparou antes que ela despencasse. Esquivando-se dos seus braços, ela caiu para a frente de joelhos, com as mãos tampando os ouvidos enquanto seus cabelos se tornavam completamente brancos. 

Vampira não apenas lia a mente como um telepata, ela se tornava quem tocasse, vivia em primeira pessoa as experiências, gostos, sensações... a essência. 

Naquele momento, enquanto gritava de dor, Vampira vivia relances de uma vida cruel.

Era uma fração de segundo no mundo real, mas na sua mente Vampira vivenciava momentos longos. De repente, ela estava em pé em uma instalação do Projeto Útero Negro. Eram meados da Segunda Guerra Mundial e aquela filial era chamada de Eugenics Information Center.  

Ela viu o seu reflexo em um vidro espelhado; seus cabelos e olhos eram castanhos claros e ela vestia roupas caras e da moda. Nathaniel Essex passou por ela. Estava exatamente igual a agora, apenas com roupas apropriadas àquela década. Devia estar usando maquiagem, já que sua pele, mesmo que pálida, não parecia cadavérica. Seus olhos estavam ocultos por trás de óculos com lentes escurecidas. 

O tempo pareceu se contorcer e como se estivesse avançando como em uma fita cassete ela se encontrou em outro lugar. 

“Este aqui nunca passaria por humano” foram as palavras que deixaram seus lábios, os lábios de Amanda Mueller. O pobre bebê parecia um lagarto, com escamas e olhos esbugalhados sem pálpebras. Ela segurava uma prancheta e lia as informações para Essex. “A mãe acha que ele morreu no nascimento. O pai nos vendeu ele, disse que pagaria para levá-lo conosco.”  

“Podemos seguir com a dissecação” disse Essex. 

“Uso éter?”

“Não, não quero químicos afetando nossa análise. Melhor sufocá-lo.” 

O tempo se distorceu novamente.

Ela estava grávida. A fita avançou. Seu bebê tinha a aparência normal, porém carregava o Gene X. Ela entregou o bebê a Essex em prol da curiosidade mútua. A fita avançou. A morte do bebê foi um infortúnio, mas Amanda se deu conta de que não se importou com a sua morte, não sentiu empatia ou amor ou remorso. Sua apatia a incentivou a entregar seus próximos bebês a Essex sem pensar duas vezes, sem moral ou ética. Os experimentos eram mais importantes que um laço de maternidade com aquelas criaturinhas. 

E o tempo continuava a se distorcer.

Enquanto Essex permanecia o mesmo, a beleza exuberante de mulher abastada de Mueller ia desvanecendo. Essex conseguiu retardar o seu envelhecimento por muitos anos, até que não pôde mais. Ela envelheceu mais rapidamente, como se para compensar o retardo forçado. Há mais de dez anos estava confinada àquela cama. Sua aparência era como de uma struldbrug saída diretamente da Ilha de Luggnagg.

Vampira gritou, mas desta vez nenhum som deixou seus lábios, como em um pesadelo. Sentiu que ia desmaiar, ao invés disso, despertou. Estava deitada no chão, Remy amparando sua cabeça. Por um momento aterrador, os olhos dela o encararam sem vê-lo. O horror nos olhos dele aumentou ao notar que Vampira não o reconhecia. Mas ele não a soltou mesmo quando ela se contorceu para se livrar dos seus braços.

“Volta pra mim, chérie” ele dizia com a voz alquebrada. Os cabelos dela haviam voltado à cor natural, mas seus olhos ainda não eram os seus. “Você se lembra de mim, não é? Você... você me contou tantas coisas, coisas que apenas eu sei sobre você. Você me contou o seu nome. Não se lembra? Por favor, volta para mim, meu amor” ele sussurrou antes de apertá-la em um abraço.  

Vampira choramingou, mas parou de se debater. Fechou os olhos apertados, com medo de abri-los. Afundou o rosto no peito dele, os dedos agarrados ao seu casaco. Ela gemeu baixinho e Gambit pôde reconhecer que ela murmurava o seu nome. Uma onda de alívio percorreu o seu corpo. Ele a afastou para olhá-la nos olhos e notou que eles haviam finalmente voltado ao normal. 

“Ela está morta?” Vampira perguntou, de repente aflita, sentindo a garganta seca. Sua cabeça parecia estar prestes a explodir, suas juntas endurecidas e ela se sentiu tonta quando tentou se levantar.

Gambit virou o rosto na direção da mulher. “Parece apenas desacordada” então ele a segurou nos braços e a apertou. “Você me assustou, chérie. Você foi muito imprudente.”

Ela pigarreou e finalmente conseguiu se sentar, embora ainda estivesse enjoada com a tontura. “Eu não sei o que aconteceu... eu não consegui cortar o contato” ela respirou fundo, lutando para não vomitar. “Achei que pudesse conseguir informações específicas, mas... a vida dela... eu não sei... acho que eu ainda não estava preparada pra tanto...” ela não conseguiu encontrar a palavra certa, embora “maldade” parecesse ser apropriada. 

“Você me deu um susto tão grande” ele confessou, a apertando nos braços novamente. Então segurou as mãos dela. “Está tremendo, chérie.

Vampira também estava gelada, pálida e precisando de ar. Apesar de ter conseguido as informações que buscava, o preço havia sido alto demais. Ela percebia isso agora. 

“Você e Logan estavam certos” ela disse com dificuldade, contudo, sua aflição a impelia a falar; queria tirar aquele peso do peito. “Mueller estava com Essex no Novo México há anos antes de fugirem pra cá novamente. A pista do Logan era quente, tanto que os dois voltaram lá recentemente; estão tentando reabrir o lugar para dar continuidade a experiências” ela engasgou, cobriu o rosto com as mãos e começou a chorar. “As coisas que eles fizeram. Oh, meu Deus” lamuriou com as mãos segurando a cabeça. Era difícil se recompor de uma vida tão longa e corrupta. “Ela é mutante, por isso é tão velha. Mas o seu corpo continua a envelhecer, embora ela provavelmente não possa morrer. Essex se interessou por ela porque naquela época ter genes mutantes era incomum. Permaneceram juntos porque ela é tão inescrupulosa quanto ele. Os dois fizeram um acordo em que Mueller se casaria e ficaria grávida, então forjaria abortos espontâneos para que Essex pudesse levar os bebês e estudar seus materiais genéticos. E tinha outros bebês também. Ela os matou... como ela pôde, Remy? Eu me vi sufocando um bebê” olhava para as próprias mãos assassinas.  

Ele a segurou nos braços novamente. “Não era você, Vampira.”

“Eu senti como fosse” ela parou para tomar fôlego. Ainda podia sentir a pele da mulher a vestindo. Quando voltou a falar havia urgência na sua voz. “Essex operou aqui durante anos, até duas décadas atrás, mas ela não sabe sobre você. Você não foi fruto do Útero Negro.”

Ele apenas assentiu. Infelizmente esse fato não excluía Essex totalmente, mas Gambit afastou esse pensamento. Agora precisavam se focar em sair dali. Ele a ajudou a se colocar em pé, novamente se focando no imediato, deixando seus sentimentos e questionamentos de lado. “Vamos embora antes que acordem” ele olhou ao redor. Amanda Mueller continuava apagada, assim como a pessoa que ele atingira com o cajado. Do outro lado do quarto havia uma segunda porta. Eles tentariam a sorte por ela.

Gambit ajudou Vampira a se pôr em pé e ela o encarou no rosto séria e intensidade. “Ela sabe onde Essex está. Eu sei.”

“Então precisamos nos apressar” ele disse. “Antes que Essex seja alertado sobre nós e possa fugir de novo.”

Ela chacoalhou a cabeça. “Ele está aqui” disse, fraca, apoiada no ombro dele.

“Aqui na cidade?”

“Não, Remy” ela juntou forças e os fez parar. “Aqui.”

Debaixo do nariz deles. Gambit deveria ter percebido, havia sido treinado para isso.

Sinistro sabia que os tinha em suas mãos. 

xXxXx



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