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História Destinos Cruzados - Capítulo 14


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Capítulo 14 - A Revelação De Roberta


Assim que chegamos em casa, Lucas foi correndo até a gente e me deu um beijão de cinema. A gente termina de se beijar e eu olho surpresa para ele, não esperava essa recepção.

-Já deu? -Pergunta Mel com as mãos cobrindo os olhos.

-Já, meu amor. -Digo.

Ela tira as mãos dos olhos. Lucas e eu ficamos nos olhando, eu estava sem reação. Ele sorri e eu faço o mesmo.

-Hey, eu também estou aqui. -Diz Mel para Lucas.

-Oi, desculpa meu amor. -Fala Lucas ao pegar Mel no colo.

Sabe, eu estava reparando que ultimamente Lucas estava bem mais carinhoso e mais presente com a nossa filha, ele não era assim antes, estava demonstrando mais que a ama, e isso me deixa tão feliz, se bem que a Melzinha é um encanto de criança, não tem como não se apaixonar por ela. Uma vez sua professora me confidenciou que a Mel era a sua aluna preferida, fiquei muito feliz em saber disso, pois ela era como eu sempre sonhei, do jeitinho que eu tanto planejei e vê-la crescendo cada dia mais amável, obediente e carinhosa, com os valores e princípios que eu sempre lhe ensinei era maravilhoso.

-Eu fiz o jantar pra esperar a minha rainha e a minha princesa. -Fala Lucas.

Lucas fazendo comida? Isso sim é um verdadeiro milagre, acho que a última vez que eu o vi cozinhar, foi quando havíamos terminado por conta de uma das inúmeras traições dele, aí para me reconquistar ele fez o meu prato preferido, óbvio que eu não quis voltar, mas ele me ameaçou, não tive muita escolha, voltamos, ele ficou uns cinco dias me tratando super bem, fazia todas as minhas vontades, mas depois foi só chegar mal humorado em casa, que o inferno começou novamente. Era sempre assim, ele passava uns dias bem, me tratando feito princesa, mas é só algo dar errado para ele, que o mesmo desconta sempre em mim. Já não aguentava mais ser o saco de pancadas dele.

Jantamos como uma família feliz, até que o clima estava bem agradável, Lucas estava super descontraído, estava nos agradando bastante, não parecia o mesmo cara que morava conosco, parecia outra pessoa, gostava tanto quando ele estava assim de bom humor.

No dia seguinte, assim que o sinal da saída tocou, os alunos começaram sair e eu fiquei arrumando as minhas coisas, como de costume. Roberta se aproxima da minha mesa vagarosamente.

-O que foi, querida? -Pergunto.

-Eu não quero ir embora. -Ela me diz. -Será que posso ir pra sua casa? Por favor.

-Hey, o que aconteceu?

-A minha mãe está viajando, estou só com o meu padrasto e não quero ir pra casa com ele. -Diz Roberta tristemente.

-E por que não?

Nesse momento me passa um milhão de coisas na cabeça, coisas terríveis, chego a pensar que ela pudesse estar sofrendo abusos por parte do padrasto, mas rezo para não ser nada do que eu estava pensando. Ela então, começa a chorar, me deixando mais assustada do que eu já estava. 

-Hey, tá tudo bem. -Falo. -Pode confiar em mim, eu só quero te ajudar.

Eis que ela levanta as mangas da camisa e consigo ver os diversos roxos pelos seus braços.

-Meu Deus! Ele que fez isso? -Pergunto assustada.

Roberta consente com a cabeça e logo levanta sua camisa e mais e mais roxos, eram diversos hematomas por todo seu corpo. Por isso que ela sempre usava camisa de manga longa e calça, inclusive no verão, mas quando eu lhe perguntei o porquê, Beta apenas me falou que ela gostava e não sentia calor, agora tudo fazia sentido.

-Meu padrasto é ruim. Ele sempre me bate por qualquer coisa que eu faça, e quando eu não faço nada ele também me bate.

-E a sua mãe? Ela sabe?

-Sabe, claro. Mas não faz nada, porque apesar de tudo ela o ama.

-Oh, meu amor. -Digo ao lhe abraçar.

-E me conta uma coisa… Ele te machuca de outra forma além das agressões?

-Como assim? -Me pergunta meio desentendida.

-Ele faz outras coisas com você?

-Desculpa prof, mas eu não estou entendendo.

-Nada, esquece querida. -Falo um pouco aliviada, mas ainda furiosa.

Arrumo a roupa dela. E lhe dou um abraço tentando lhe passar a certeza de que tudo ficará bem. A levo até a direção e mostro os machucados para a diretora Carmen, que fica horrorizada. A gente cuida dos machucados dela. Roberta estava muito assustada e com medo do que poderia acontecer com o padrasto. Mas sem pensar duas vezes a diretora chamou a polícia. 

A recepcionista nos avisa que o padrasto de Roberta chegou para buscá-la, a menina me abraça fortemente enquanto treme sem parar.

-Eu não quero ir pra casa, eu não quero. -Ela diz agarrada em meu pescoço.

A diretora não faz alarde para o padrasto de Beta, apenas pede para que ele aguarde um pouco, alegando que a menina está no banheiro. Cerca de dez minutos depois, a policia chega e na frente dela, a diretora conta o que o homem fazia com a enteada, apenas observo toda a cena de longe. Claro que aquele troglodita nega tudo, mas os hematomas da Beta falavam mais alto. Eu a levei até os policiais para que eles pudessem ver. Roberta vê o padrasto e chora muito, ela me abraça com medo. Vejo o olhar de ódio dele para a criança. A policia o prende. Pego minha aluna no colo, ela me abraça e agradece sem parar a mim e a diretora.

-Pronto, meu amor, acabou. -Digo.

-Obrigada. -Fala a menina. -Vocês fizeram o que a minha mãe nunca teve coragem de fazer. Mas… Se a minha mãe está viajando e meu padrasto preso, pra onde eu vou? Não tenho mais parente aqui no estado, minha família é toda do Rio Grande do Sul.

Olho para a diretora, que me consente com a cabeça como se já soubesse o que eu estava pensando.

-Hey, o que você acha de ir pra minha casa? Você quer?

Ela consente com a cabeça com os olhinhos ainda lacrimejados.

Agradecemos a diretora por tudo, pegamos nossas coisas e vamos embora. Ou quase… Ainda tivemos que passar na escola da Mel, pois Lucas não poderia buscá-la.

Assim que chego na sala da minha filha, a vejo sentada de cabeça baixa, nunca tinha visto ela daquele jeito. 

-Vem Melanie. -Chama a professora. 

Mel pega sua mochila e vêm até mim de cabeça baixa. A professora vem junto.

-Oi meu amor. -Falo.

-Desculpa mamãe, eu não me comportei hoje.

-O que aconteceu? -Pergunto ao olhar para a professora.

-Mãe, acredita que a Mel bateu num coleguinha hoje?

-Como é? -Pergunto ao olhar para a minha filha, que nem consegue me olhar nos olhos.

-Ela me explicou o motivo. -Continua a professora. -Mas mesmo assim na nossa escola a gente não tolera violência, sabemos que ela é criança, mas a Mel sabe que qualquer coisa, ela precisa contar pras profes e não bater nos amiguinhos.

-Claro. Com certeza. -Digo. -Eu também a ensino que não se deve bater, mas pode deixar que eu vou conversar com ela em casa.

Agradeço a professora e nos dirigimos para o carro. Estava louca para saber o que havia acontecido, pois a minha filha nunca foi violenta, ela via o pai me batendo, mas eu ensinava que ela não podia fazer isso nas pessoas. Queria saber o que a levou a fazer isso...

 



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