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História Destinos Cruzados - Capítulo 28


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Capítulo 28 - A Revelação de Melanie Parte 2


Mel, em sua santa inocência me confessou que o filho da puta do vô da amiguinha dela havia colocado o dedo na vagina dela e a obrigou a tocá-lo.

-E ele também colocou o pipi dele nas minhas partes, e doeu, sabia, mamãe? Eu chorei muito e ele me mandou calar a boca.

Esse foi o momento que eu desabei a chorar.

-Tá triste comigo, mamãe? Eu juro que eu disse que não. 

-Hey, meu amor, eu não tô triste com você. Jamais, viu? Só estou muito brava com ele por ter feito isso e brava comigo por não ter descoberto antes.

-Mamãe, ele me disse que todos os homens fazem isso porque é algo normal, e que todos homens fariam isso comigo, mas é mentira, né? O titio Steve é bonzinho, não é?

Claro, por isso que Mel havia me perguntado aquilo sobre Steve no outro dia, agora estava explicado, e eu acabei desconfiando da pessoa errada, não era ele, o coitado não tinha nada a ver com a história.

-É sim, querida, ele é bonzinho, sim. E escuta aqui, o que ele te disse é mentira, infelizmente há sim muitos homens maus que fazem essas coisas feias com as crianças, mas graças a Deus não são todos e também há muitos homens bons, como o Steve, o vovô, o Matteo...

Ouvir minha filha me contar aquilo me deixou sem chão, era como se meu chão estivesse desmoronando bem debaixo dos meus pés e eu não conseguisse me levantar, era uma dor que não cabia no meu peito, senti como se eu tivesse feito tudo errado, eu era a pior mãe do mundo, acho que eu nem merecia o título de mãe, ah, se arrependimento matasse…

-E deixa eu te perguntar, querida. -Falo. -Você sabe se ele também fez essas coisas com a Vale?

-Sim, mamãe, ele fez com nós duas e ela me disse que nem se lembra como e quando começou porque ela era muito pequena.

-Óh meu Deus! -Digo ao abraçá-la aos prantos.

Naquele mesmo instante liguei pra Mila e perguntei se ela podia ir voando lá em casa pra ficar com a Mel e só disse que eu precisaria resolver um assunto de extrema importância.

-Está tudo bem? -Me perguntou.

-Não. Mas depois eu te explico. Tem como você e a Becky virem pra cá agora?

-Claro, tem sim. Mas o Matteo está aqui em casa, ele pode ir comigo?

-Claro que sim. Mas por favor, não demorem, é urgente.

Desligo a ligação e tento me lembrar onde eu errei, eu fazia de tudo para cuidá-la e protegê-la, o único homem que eu deixava chegar perto da minha filha na minha ausência era meu pai, porque ele era a única pessoa no mundo que eu tinha 100% de certeza que jamais a machucaria. Acho que talvez o fato de eu ser muito paranóica e morrer de medo que isso acontecesse, que acabou acontecendo.

-Daqui a pouco a mamãe vai sair, você vai ficar aqui com o tio Matteo, a tia Mila e a Becky, tá bem?

-Tá. Mas onde você vai? -Me perguntou.

-Vou conversar com a titia Solange.

-Você vai contar pra ela? -Perguntou cabisbaixa.

-Ela precisa saber, meu amor. Mas não se preocupa, vai ficar tudo bem, viu?

Mel acenou a cabeça positivamente, me deu um selinho e me abraçou fortemente.

Assim que Mila, Becky e Matteo chegaram, eu pedi para Becky e Mel irem brincar no quarto da minha filha, enquanto eu conversava com meus amigos. Contei toda a situação para eles que me deram muita força.

-Não se culpe, Kim. -Disse Matteo ao me abraçar. 

-É, amiga, a culpa não é sua, mas sim, daquele pedófilo desgraçado. -Falou Mila. 

-Eu vou até a casa deles para contar isso, esse desgraçado não vai ficar impune.

-Quer que eu vá com você? -Me perguntou Matteo.

-Quero sim. -Respondi. -Eu não estou em condições mesmo de dirigir. Mila, se importa se ele for comigo?

-De jeito algum, acho melhor mesmo você não ir sozinha. -Disse Mila.

Sendo assim, Matteo e eu corremos para meu carro e fomos até a casa da Vale. Matteo dirigiu o caminho todo, enquanto eu o guiava. Durante o caminho, eu só pensava em como falaria isso pra filha daquele canalha, seria um tremendo desgosto para ela. 

Ao pararmos no semáforo, Matteo pega em minha mão, o olho e lhe sorrio.

-Vai ficar tudo bem. -Me diz.

Lhe dou um leve sorriso mesmo estando destruída por dentro e coloco minha cabeça em seu ombro até o sinal ficar verde.

Quando chegamos na casa da Solange, Matteo ficou em meu carro me aguardando, mas combinamos de caso eu precisasse, ele sairia do carro para ficar comigo, falou que qualquer coisa era só eu o chamar, de fato, Matteo era um amigo incrível.

Toco a campainha, uns quinze segundos depois, Solange abriu a porta. Fico de cara com ela e não sei nem como começar a falar.

-Kimberly? Que surpresa! E a Melzinha?

-Ela ficou em casa. Preciso falar com você.

-Claro. Entre. -Diz soando simpática.

-Seu pai está?

-Meu pai? -Pergunta surpresa. -Não, ele deu uma saída. Por quê?

-Porque ele é o assunto da nossa conversa. -Falo. -Com licença.

Entro na casa dela, e logo Solange me convida para sentar. Eu me sento e ela me oferece algo para beber, mas eu não queria nada, a não ser contar para ela o que aquele velho safado fez com a minha filhinha.

-Solange, eu preciso te contar algo muito sério. -Digo. -Já faz alguns dias que a Mel estava apresentando um comportamento diferente, ela não queria ficar sozinha de jeito nenhum por medo, voltou a fazer xixi na cama mesmo não fazendo há 2 anos, tem pesadelos constantemente e até a professora dela me relatou algumas mudanças no comportamento da minha filha.

-Nossa, que estranho. -Ela diz. -Mas você sabe o motivo disso?

-Infelizmente eu acabei de descobrir. Quando eu contei pra Mel sobre o aniversário da Vale, aos prantos, ela me disse que não queria vir.

-Como assim? -Perguntou surpresa. -As duas são ótimas amigas, a Mel adora a Vale.

-Eu sei. -Falo. -Mas ela me confidenciou que o motivo de tudo isso se deve ao fato de que quando ela esteve aqui… O seu pai… Ele abusou da minha filha.

-O quê? -Pergunta ao se levantar do sofá. -Mas que absurdo é esse? Meu pai jamais faria isso.

-Solange, ela me contou com detalhes o que ele fez, e criança não mente, não sobre essas coisas.

-Mas aposto que ela inventou isso. -Fala furiosa.

-Como é? Como uma criança de 4 anos poderia inventar algo que ela desconhece? Você tem uma filha da mesma idade, deveria saber que criança não tem discernimento para inventar isso.

-Então, se sua filha foi molestada com certeza foi por outra pessoa, meu pai é um senhor de idade, nunca faria isso. Ela deve estar querendo botar a culpa no pobre do meu pai por medo de denunciar o verdadeiro culpado.

-Ah, por favor… -Digo já indignada. -A Mel jamais faria isso, ela não é de mentir. E o que ganharia acusando uma pessoa de fazer isso se não fosse verdade? E a Mel me contou que ele faz o mesmo com a sua filha.

-O quê? Isso é um absurdo! Ele jamais encostou um dedo na minha filha.

Nisso noto a presença de Valentina, que havia chegado discretamente.

-Oi meu amor. -Falei para Vale. -Vem cá.

Valentina se aproximou de mim e eu a peguei pelas mãos.

-Olha só, a Mel me contou que o teu vovôzinho fez coisas muito, muito feias com ela e com você também. Isso é verdade?

Vale olhou para sua mãe, parecendo estar com um pouco de medo.

-Hey, tá tudo bem. -Falei. -Não precisa ficar assustada, você pode falar a verdade.

-É verdade, sim, tia. Ele machucou a Mel e a mim. -Falou Valentina.

-Você induziu a criança a falar isso, ela não sabe o que diz. -Disse Solange sem querer ver a verdade. -Meu pai é um homem bom, ele nunca tocou em mim e jamais faria isso com uma criança, muito menos com a própria neta.

-É verdade, sim, mamãe. -Gritou Valentina. -O vovô é mau e eu não gosto dele e nem das coisas que ele me faz.

-Cala boca, Valentina, não quero escutar mais nada, e você está de castigo por ser mentirosa e ficar inventando coisas do teu avô.

Olho para Solange incrédula, não a conhecia a muito tempo, mas ela parecia ser uma mãe tão carinhosa, que ela não acreditasse em mim, eu até poderia entender, mas não acreditar na própria filha? Isso era demais, ela estava cega e se negava a ver o que estava bem diante dos seus olhos. Não podia crer que uma mãe fosse capaz de ficar contra a filha numa acusação tão grave para defender o pai, um velho pedófilo, isso me parece doentio. Mas com certeza, se dependesse de mim, ele não ficaria impune.



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