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História Destiny - Capítulo 4


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Notas do Autor


boa leitura e leiam as notas finais!

Capítulo 4 - Quarto.


 

Regina Mills

 

Se existe algo que minha vida é, essa coisa é monótona. Demais. Todos os meus dias são iguais e mecânicos. Eu sei exatamente o que vou fazer, que horas farei e como farei. Sei com quem terei o prazer (ou não) de interagir, bater papo, mandar ou desmandar, e também sei como tal pessoa reagirá. Em minha vida não há o prazer de acordar pela manhã e me perguntar, ansiosamente, como meu dia será. Bom, pelo menos não havia.

 

 Tudo isso até conhecer ela.

 

Ela é boba, bem-humorada, um pouco cafajeste e tenta dar uma de piadista. Pelo que percebi, gostou de chegar em minha casa de noite e interromper meu descanso após um dia tão cansativo. Ela é tão, mas tão espontânea. Para ser sincera, eu conheço pouquíssimas pessoas desse jeito. Nossas conversas são leves e ao mesmo tempo muito importantes e profundas.

 

Emma Swan é tudo isso e mais um pouco.

 

Desde o dia em que apertou a campainha de meu apartamento e batemos papo por horas seguidas, não conversamos mais. Apenas nos vemos todos os dias de manhã no elevador para ir ao trabalho, e não ocorre nada mais que um animado “Bom dia!” da parte dela e um “Bom trabalho, Swan” da minha parte.

Alguns dias se passaram. Eu odeio, realmente odeio, me sinto brava e com vontade de morrer ao admitir que quero muito que qualquer dia simplesmente dê em sua cabeça a vontade de vir bater à minha porta, e que, obviamente, ela acate essa ideia. Mas, tento enfiar na minha cabecinha que ela provavelmente deve estar ocupada com o trabalho, já que, pelo que eu percebi, realmente leva a sério sua vida profissional. Provavelmente ela não possui tempo o suficiente para ficar conversando até as 00:00 de uma terça feira, que foi como aconteceu da última vez.

Eu gostei das nossas conversas e de como o assunto fluiu naturalmente. Gostei de seus conselhos, suas piadas, o fato de Eve ter ido com a cara dela e de ela ter me feito refletir sobre Robin.

Caso não tenham percebido ainda, quero relembrá-los de que sou uma pessoa muito reservada. E eu odeio isso em mim. Demoro muito para conseguir estabelecer relacionamentos e gostar de pessoas. Posso dizer que o fato de eu estar sentindo saudades de Emma é quase mágica. Juro.

Talvez eu esteja um pouco carente, mas isso não importa. Pelo menos hoje não. Hoje é Ruby Lucas que virá aqui em casa para assistirmos filmes, bebermos álcool de qualidade, espero eu, e comermos porcaria, como ela mesma disse, já que sente saudades desses nossos momentos juntas. Apesar de nos vermos quase todos os dias no escritório, posso assegurar que a última vez que tivemos uma noite assim fora há anos. Eu já passei por várias fases: A de curtição na faculdade, a de querer só ficar perto de Robin e ninguém mais, a de querer ficar com a cabeça enfiada no trabalho e, a última e a atual, a de preferir ficar sozinha.

E Ruby esteve comigo em todas elas. Ela é uma ótima amiga, de verdade. Sempre esteve me apoiando, animando e querendo meu bem em primeiro lugar. É por isso que me sinto tão mal por não estar dando a devida atenção a ela e, um pouco contrariada, resolvo aceitar seu pedido de uma “noite do pijama”.

Hoje é sexta-feira, oito horas da noite e ela ainda não chegou. Minha casa já está arrumada: Há cobertores, comidas e bebidas de sobra na sala, e eu já estou fuçando na Netflix e colocando filmes que considero interessantes para assistirmos na minha lista, dando uma preferência para os de terror.

Ruby disse que chegaria às oito da noite, mas acaba atrasando trinta minutos. Como somos amigas há muitos anos, eu não me choco nem um pouco com isso, pois sei que ela possui problemas com horários.

Como não possui um pingo de vergonha na cara, ainda chega apertando inúmeras vezes a campainha como uma doida, me fazendo ficar estressada.

 

–  Para que isso, Ruby? Parece que não sabe ser civilizada. – É assim que a recebo. Abro a porta, digo isso, reviro meus olhos e dou meia volta, me jogando no sofá.

 

–  Eu acabei de chegar e você já está me tratando mal, é isso mesmo? Credo, como você é chata! – Ela, que está vestindo uma calça apertada de couro, camisa social vermelha e alguns acessórios caros e espalhafatos, diz toda dramática e fingindo tristeza. Até parece que não me conhece. – Mas por sorte sua, eu te amo o bastante para aguentar suas grosserias. – Sorri para mim e eu sorrio de volta. Não tem jeito, o carinho que eu sinto por ela é enorme. – Antes de começar a nossa incrível festa do pijama, eu quero falar sobre o Robin. – Não posso deixar de, novamente, revirar os meus olhos e bufar dramaticamente. Ela se senta do meu lado no sofá. – Regina, eu quero saber o que está acontecendo com vocês dois, já que você não me conta mais nada. Até vir falar comigo ele veio, acredita? Disse que sente saudades de você.

 

–  Para ser honesta com você, nem eu sei o que está acontecendo. Nós não nos vemos pessoalmente há, mais ou menos, um mês. Apenas conversamos pelo WhatsApp e nada mais. Eu simplesmente não sinto vontade de vê-lo e nem nada do tipo. – Desabafo, já me sentindo triste e desconfortável por estar falando desse assunto.

 

–  Regina, vocês namoram há muitos anos, possuem uma história grande e complicada, e por conta disso, ainda devem muita satisfação um pelo outro e devo dizer que isso que você está fazendo é infantil. Você sabe que eu não gosto daquele feio, mas ele merece uma explicação. Se você quiser terminar com ele eu apoio completamente, você sabe disso. Tudo bem? – Seu tom muda para um compreensivo e calmo. Seu sorriso é fraco e aconchegante.

               

–  Minha psicóloga já disse tudo isso aí. – Rio, tentando aliviar a a tensão que se instalou no apartamento e me livrar desse assunto nem um pouco gostoso de se conversar—Olha, você tem que entender que tudo isso é muito difícil para mim. Realmente, são muitos anos de relacionamento, de histórias, consideração e muito afeto. Passamos por muitas coisas juntos, você sabe disso. – Fixo meu olhar em um ponto qualquer atrás de Ruby. – Eu preciso pensar muito bem sobre tudo isso. Mas fica calma, okay? Tá tudo bem, não precisa se preocupar com nada. – Sorrimos juntas, ela com seu olhar preocupado e eu tentando passar toda a calma do mundo com o meu. Não está tudo bem, mas ela não precisa saber disso. Bom, pelo menos acho que agora o assunto Robin deu-se por finalizado.

–  Agora podemos começar a nos divertir! Eu vou preparar a pipoca. – Diz ela, animada, enquanto se levanta rapidamente e vai até a minha cozinha saltitando. Honestamente, não sei como eu amo tanto esse ser de vinte e nove anos tão exagerado e extrovertido. Tal atitude de Ruby infelizmente me faz lembrar de Emma. Suspiro e me levanto, indo em direção à garrafa de vinho que me aguarda na mesinha da sala de estar. Ela está extremamente gelada e cheia, bem do jeito que eu gosto.

 

 ***

 

–  Regina, pelo amor de Deus, como você teve coragem de colocar esse filme? Você deve ter algum problema, não é possível. É o filme mais perturbador que eu já assisti na minha vida!

 

Enquanto estou no meu mundinho, não prestando atenção no filme e já no final da garrafa de vinho que não quis compartilhar com Ruby, ela está totalmente aterrorizada assistindo AnnaBelle 2.

Não sei se é porque eu não estou realmente prestando atenção no que está passando na televisão, mas o filme parece ser entediante. Ruby que é muito exagerada mesmo.

–  Esse filme não é nada comparado com A Bruxa. Esse sim, se você assistisse, morreria de medo. – Digo, dando de ombros e colocando o restante do vinho na taça. Agora que acabou, me dou conta de que bebi uma garrafa inteira sozinha, enquanto Ruby ainda está na metade da dela. Eu não me sinto bêbada, apenas um pouco tonta, porque praticamente bebi tudo rapidamente e de uma vez, mas tenho certeza de que daqui alguns minutos eu já estarei fora de mim.

Resolvo começar a comer a deliciosa pipoca misturada com chocolate que Ruby fez, enquanto tento dar uma chance ao filme e entender o que está acontecendo. Nas cenas jump scare, minha amiga me abraça feito um bicho preguiça e esconde seu rosto no meu pescoço, me fazendo dar altas risadas, já que o álcool está, cada vez mais, fazendo efeito no meu corpo.

Penso em pegar outra garrafa de vinho, já que estou no meu apartamento e não tenho com o que me preocupar se ficar muito bêbada, porém foco na ressaca que enfrentarei amanhã e desisto.

Quinze minutos depois, o ambiente sonoro da minha sala de estar se resume em: minhas risadas bobas e sem motivos, os gritinhos de Ruby e a trilha sonora do filme. Ruby só para de gritar quando está debochando dos personagens e dizendo “Parece tal pessoa”. Estamos no escuro, com apenas a televisão iluminando o cômodo.

 

E então a campainha toca.

 

Vários grãos de pipoca voam no meu tapete felpudo e grande da sala, por conta do meu susto e o da Ruby, que estamos segurando os baldes de pipoca. Desbloqueio meu celular para ver as horas. São quase dez horas. Eu, de modo algum, esperava alguém na minha porta àquela hora, porém me levanto para atender. Na verdade, eu tento me levantar, já que caio novamente sentada no sofá, tamanha a minha tontura.

–  Não atende não, Regina, vai que é o demônio! – Ruby praticamente grita desesperada, o que me faz rir mais ainda.

–  O único demônio que eu conheço é o nosso presidente, e eu posso te assegurar que ele não gastaria seu tempo vindo aqui. – Novamente me levanto, e graças a força quase sobrenatural que sou obrigada a fazer, consigo ficar em pé. Milagrosamente, me lembro de amarrar o meu robe com um nó, já que eu estou com uma camisola curta não muito indicada para usar perto de gente que eu não possuo intimidade. Saio cambaleando até chegar em minha porta. Não sei se é porque eu demorei um tempo considerável para conseguir chegar, mas na metade do caminho a campainha toca novamente. Que sem paciência!

Quando abro a porta, tenho uma agradável surpresa.

 

Ela está com um pijama diferente, mas infantil do mesmo jeito. Ao invés dos unicórnios, é cheio de arco íris. Não possui maquiagem, deixando à mostra suas sardas e seu cabelo está levemente bagunçado, como se tivesse arrumado de qualquer jeito. Ela está sorrindo para mim.

–  Oi, Emma! – Digo mais animada que o normal, e creio que devo tê-la assustado, já que faz uma expressão de confusão.

–  Oi! Eu vim aqui porque queria conversar com você. Queria que nós tivéssemos mais uma noite igual àquela. Eu gostei muito. – É direta, como foi das outras vezes que nos falamos.

–  A minha amiga Ruby está aqui. Nós estamos assistindo AnnaBelle, comendo besteira e nos embebedando. – Swan ergue as sobrancelhas, arregala um pouco os olhos e entreabre a boca, surpresa. Provavelmente não imaginava que eu faço essas coisas. Na verdade, não faço com frequência, a não ser a parte de me embebedar. – Mas não tem problema, você pode entrar. – Volto para dentro de meu apartamento a deixo lá fora, no corredor. Espero que ela aceite meu convite.

–  Uau, quem é essa? Não parece nem um pouco com o demônio. – É Ruby quem diz, assim que Emma fecha a porta e resolve entrar na sala de estar.

–  Ela é a minha vizinha. – Explico, me jogando novamente no sofá e dando batidinhas no mesmo, incentivando Emma a sentar. – Ela é legal.

–  Prazer, sou Emma Swan. – Sorri simpática e acena para a minha amiga, que ainda está sentada, comendo uma barra de chocolate com uma mão e uma garrafa de vinho na outra. O que será que Emma deve estar pensando de nós nessa situação? Como estou bêbada, ao invés de me preocupar, apenas rio com meus pensamentos.

–  Prazer é só na cama, meu bem. – Esqueci de mencionar que elas são muito parecidas nesse sentido. Ruby, sóbria, não possui vergonha na cara, e bêbada é pior ainda. Por que será que eu só faço amizade e me relaciono com pessoas assim, tão diferentes de mim? Curioso. Ao ouvir o comentário de Ruby, Emma me parece um pouco surpresa, mas logo ri e leva na brincadeira. – Eu sou a Ruby.

–  Regina já me falou sobre você. – Ela se senta ao meu lado e enfia a mão do balde de pipoca que está no chão, levando à boca vários grãos. Me pergunto como ela consegue comer tudo aquilo de uma vez só.

–  Bem ou mal? – Lucas pergunta só para me provocar. Eu reviro meus olhos.

–  Neutro. Apenas te mencionou.

–  Eu sabia que essa vaca não tem consideração alguma por mim mesmo. – Bufa, irritada, e bebe longos goles de vinho pelo gargalo.

–  Você sabe que eu te amo, amiga. – Puxo bruscamente a garrafa de sua mão, bebo um pouco e logo a levo em direção à Emma. – Quer?

–  Valeu mas não, eu prefiro cerveja. Você tem?

–  Sorte sua que eu gosto de cerveja também, lindeza. Vai buscar na geladeira. – Antes de eu poder responder, Ruby se antecipa e, com uma animação fora do normal, a responde.

Emma levanta e vai até minha cozinha.

–  Ela é linda, né, Regina? Aliás, como vocês ficaram intimas desse jeito, com ela vindo aqui e tudo mais? Você nem me contou que está com amiguinha nova. – Pergunta confusa e tentando sussurrar. Não sei se são meus sentidos que estão alterados, mas ela está, na verdade, falando alto.

–  Ah, a gente conversou algumas vezes só. Meio que desabafamos uma para a outra, não é nada demais. Ela me chamou de fodona e eu amei! – Sorrio, lembrando de suas palavras.

–  Hum. – Ela faz um biquinho, pensativa. Então, pega o controle da televisão e pausa o filme que estava passando. Não ligo para isso, já que nem estávamos mais prestando atenção mesmo. – Quero conhecer mais sobre essa tal de Emma Swan.

 

***

 

Eu estou no meio das duas. Ruby está do meu lado direito e Emma do esquerdo. Honestamente, não sei se eu faria falta aqui, já que Lucas está tão interessada em Emma. A loira está sentada, sem classe alguma, com as pernas abertas e bebendo alguns goles de sua garrafa de cerveja. Não tenho certeza do porquê, se é por conta da bebida ou algo mais, mas vê-la assim me deixa, curiosamente, excitada. Fico encarando, por algum tempo, seus braços musculosos e firmes. Penso no quão forte ela deve ser e o que pode carregar, incluindo eu. Porém, fiel a Robin do jeito que sou, logo trato de pensar tais coisas sem sentido algum. Eu e Emma somos, no máximo, amigas. Respiro fundo e fecho meus olhos, deixando minha cabeça cair para trás, no encosto do meu confortável sofá, enquanto escuto a conversa das duas e sinto que estou rodando de tão bêbada.

–  Mas é claro que eu adoraria ouvir histórias de vocês da época da faculdade! – Swan a responde, empolgada, e eu sei que daí não vem coisa boa.

–  Acho que você já deve ter percebido que a Regina tem jeito de ser certinha e séria, mas a verdade é que ela nem sempre foi assim. Robin infelizmente acabou com o lado vagabundo dela.

Abro meus olhos apenas para revirá-los para ela, que sorri provocadora.

–  Lembro que nós duas íamos em todas as festas que tinham nas repúblicas, mesmo não morando em nenhuma. Regina passava o rodo em todo mundo! Agora vem com esse papo de que é hétero, mas naquela época ela não era não. De jeito nenhum.

–  Mas eu sou hétero, Ruby!

 

Solto uma gargalhada gostosa, porque a realidade é que eu só falo que sou hétero para lhe encher o saco, já que nem eu acredito em tal coisa.

Quando olho para Emma, ela está me olhando de uma forma surpresa e divertida. Hoje está sendo um dia de descobertas para ela.

 

–  Mas você não tem moral nenhuma para falar de mim, já que também transava com todo mundo. Na verdade, ainda transa, né.

–  Eu sou linda, solteira e bem-sucedida. Por que não vou transar? Isso é inveja de mim, já que você não transa. – Ruby me responde a altura e termina de falar jogando beijinhos com a mão para mim.

- E não tá errada! – Emma puxa seu saco em meio a risadas. Bufo dramaticamente, mas internamente também concordo com Ruby.

–  Você sabe o que a Ruby fez quando fomos em uma festa da universidade, Emma? – Em meio a risadas exageradas que me resultaram em falta de ar e dificuldade para terminar de contar a ilustre história, pergunto à Emma, que obviamente diz que não. –  Ela fez uma plaquinha escrita “Quem quiser matar a curiosidade de pegar mulheres, estou aqui!”. Eu juro que ela fez isso! – Todas nós começamos a rir escandalosamente. Gargalhamos por, desconfio, longos minutos, e pelo que parece, eu sou a mais descontrolada por conta de todo o álcool que ingeri.

–  É nessas horas que eu queria ser inexperiente em me relacionar com mulheres, né. – Observo a interação entre as duas. Emma solta essa, maliciosamente, com um sorriso de canto e dando uma piscada. Ruby, como não é boba, retribui todos os seus gestos. Eca.

–  Se for para eu ficar de vela, vou botar todo mundo para fora.

 

Emma Swan

 

–  E como foi sua semana no trabalho? Deu tudo certo? – Regina questiona, e mesmo após já fazer um tempinho que ela parou de beber, sua voz continua embolada. Para ser sincera, eu acho isso uma graça.

 

A aleatoriedade da situação em que estamos não poderia ser maior.

 

Quando apertei sua campainha, eu esperava vê-la com uma expressão séria, agindo do modo reservado de sempre e que, ao longo tempo, riria das minhas piadas. Mas é claro que não foi assim. Ela me atendeu animada, sorridente e até saltitante, eu diria. Achei que iriamos apenas conversar igual a outra vez, porém no segundo em que falou de Ruby e do que estavam fazendo, percebi que não seria bem assim. Eu, como uma apreciadora de situações aleatórias e fora da zona de conforto, amei isso.

Ruby possui olhos azuis, cabelos castanhos longos e ondulados e é dona de um porte físico atrativo. Ela é muito linda. Dizer que eu não me sinto atraída por ela e não estou amando os nossos flertes seria uma total mentira.

Porém, dizer que eu não me sinto atraída por Regina também seria uma mentira. Porra, eu odeio isso. Ela namora. Tudo bem que seu relacionamento está uma bosta, mas ela ainda namora.

Além disso, nós estamos caminhando para uma espécie de amizade, eu acho, e eu não quero fazer nada que resulte em destruir essa evolução. É muito bom ter alguém para desabafar e que de alguma forma me entenda, de verdade.

Mas o mais importante é: Ela querer algo comigo. Não sei se ela já, ao menos, me viu de alguma forma diferente. Sobre sua sexualidade, percebi que ela não é totalmente hétero, e isso quase me fez soltar fogos. Já é meio caminho andado, não é? Porém, infelizmente, não é apenas por gostar de mulheres que ela seria capaz de preferir, especificamente, a mim.

Eu já me senti atraída por muitas, mas muitas mesmo, mulheres impossíveis. De alguma forma, isso já virou parte da minha rotina e eu já estou acostumada a lidar com isso. Infelizmente.

Mas que ela é linda pra caralho, ela é.

–  Está tudo indo muito bem na medida do possível. – A respondo e bebo um gole da minha garrafa de cerveja que já está no fim. – Killian e Rose são muito legais, estou me identificando muito com eles, e meu chefe também é legal. Eu não me arrependo de ter me mudado, mas sinto saudades das pessoas de Boston.

–  Eu imagino.  Eu nunca me arrisquei assim, infelizmente. – Faz um biquinho muito, mas muito fofo. Percebo que quando está bêbada ela tem o costume de fazer muitas caretas para expressar suas emoções, diferente de quando está sóbria, que fica quase o tempo todo séria. – Mas você ainda está tendo contato com eles, não é?

–  Sim, eu converso diariamente com meus pais no nosso grupo no WhatsApp, e com Mulan e August eu tento fazer chamadas de vídeo pelo menos uma vez por semana, porém quase sempre estou muito cansada depois do trabalho. Nosso distanciamento é triste, mas eu sei que nossa amizade vai muito além de estar perto o tempo todo. – Sorrio, pensando em como eles são importantes para mim.

–  Você é uma inspiração, sabia? – Ela diz bem assim, como se falasse sobre qualquer assunto cotidiano, como quem não quer nada. Ela diz algo que nunca sequer haviam falado para mim. – Você fala várias coisas bonitas, que fazem sentido e que são positivas. De verdade, eu queria ser mais igual a você. Você é muito legal, Emma. – Não sei se é por efeito da bebida, por uma repentina benção de qualquer ser superior ou ela apenas enlouqueceu, mas o fato é que me abraça. Bem apertado. Igual a um bicho preguiça, eu diria, já que se joga completamente em cima de mim, e já que estamos sentadas lado a lado, acaba deitando sobre minhas pernas. O abraço é relativamente curto, já que logo ela desaba de tão tonta que está.

É nosso primeiro abraço. Não sei se ela tem noção disso ou ao menos lembrou. Provavelmente não. Mas estou feliz.

Regina fecha seus olhos e se acomoda mais no meu colo, deitando-se de bruços e colocando as pernas em cima das de Ruby, que resmunga. Surpreendente, em menos de 5 minutos, ela já está dormindo feito um anjo.

–  A Regina tem muita dificuldade em se relacionar com pessoas, sendo como amizade ou qualquer outro tipo de relacionamento. Ela é muito fechada e meio que vive em seu mundinho, achando que é melhor ficar sozinha. Eu conheço ela há muito tempo, e posso afirmar que ela realmente gosta de você. Nunca a vi fazer amizade tão rápido assim com alguém, e como você provavelmente percebeu, ela possui poucos amigos. – Ruby me diz. – Enfim, o que eu quero dizer é que você me parece ser uma pessoa boa e incrível. Regina está confiando em você para contar seus problemas e pensamentos, e eu realmente espero que você não a decepcione. Vê-la fazendo amizades, estabelecendo relacionamentos e saindo da zona de conforto me deixa muito feliz. – Lucas está emocionada e com os olhos lacrimejando. Sinto que suas palavras são verdadeiras, que ela realmente ama Regina e só deseja o melhor para a mesma.

Penso em lhe falar várias coisas. Penso em lhe falar que já possuo um generoso carinho por Regina, que também quero investir em nossa amizade, que sua confiança em mim é reciproca, já que eu me sinto extremamente confortável conversando com a morena. Penso em jurar de dedinho que tentarei, de todas as mais diversas formas, nunca a decepcionar nem a magoar.

Mas ao invés disso, apenas dou um sorriso cheio de significados para Ruby, me abaixo e dou um beijo na testa de Regina.

 

Espero que tenha sido suficiente.


Notas Finais


eu escrevi o capítulo anterior com muito carinho e estava animada para postá-lo, porém teve uma queda em relação aos comentários. eu fiquei tristinha e até pensei em desistir da fanfic, dramática como eu sou, juro.
não irei desistir porque amo escrever, mas por favor, comentem! se houver algo que não esteja lhes agradando, me digam. isso me desanima muito.

espero que vocês tenham gostado e até o próximo. :)


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