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História Destiny. - Capítulo 1


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Notas do Autor


Eu tava com tempo livre de novo

Capítulo 1 - Reborn


Fanfic / Fanfiction Destiny. - Capítulo 1 - Reborn

Ouvia uma música calma ao analisar as gotículas de água que deslizavam pelo vidro do carro. Taehyung gostava de viagens. Os fones o isolavam da conversa animada de seus pais e irmão, não que aquilo realmente o interessasse, preferia se perder em seu próprio mundo. Era mais confortável. Poderia passar horas daquela maneira.

O celular em suas mãos vibra e o garoto o pega sem pestanejar, lia as mensagens tão rápido quanto conseguia e as respondia em seguida. Passaria uma semana longe de seu amado, mas para si, aquilo já se tornava uma eternidade.

(15:43)

Kim Taehyung: Estamos na metade do caminho. Já sinto sua falta...

(15:44)

Jeongguk: Eu também sinto a sua... Quando volta mesmo, meu amor?

Taehyung não teve tempo de responder a mensagem. Só pode ouvir o barulho do carro se chocando contra algo e então tudo virou uma escuridão completa.

Não demorou para que os paramédicos chegassem, por sorte, a família Kim estava perto da civilização. Todo o resgate fora feito como de costume. O mais velho ali, que continuava consciente, com apenas alguns arranhões, queria entender como um caminhão desgovernado daquela forma tinha feito tão pouco estrago. Tinha de ser sorte.

O homem sobre a maca suspirava e sentia as lágrimas escorrerem ver os corpos da família serem levados por outras ambulâncias. Os filhos em estado grave, a mulher estável. Mas, de qualquer forma, cortava seu coração saber que aquilo poderia ter sido evitado se não fosse sua maldita ideia de viagem.

As portas da ambulância se fecham e o Kim engole o choro. Precisava ser forte. Pela sua família.

Taehyung mal podia sentir seus braços. Pareciam dormentes. Seus olhos estavam pesados como chumbo e a luz branca do local parecia o cegar. Era capaz de perceber os médicos e enfermeiros correndo ao seu redor, causando em si uma confusão mental imensurável. Não entendia o porque daquilo. Quando finalmente era capaz de enxergar algo com clareza, via seus pais, com algumas rugas a mais, chorando a sua frente. A mulher corre para abraçá-lo, com cuidado, Taehyung parecia tão frágil que um simples gesto em falso poderia quebrá-lo.

— Eu te amo, tanto. — A Sra. Kim dizia baixo, acariciando os cabelos do garoto. — Nunca mais nos dê um susto desse. Não podemos perder outro filho.

Outro? Taehyung suspira baixo, abraçando-a de volta. Sabia o que aquilo significava. Podia sentir as lágrimas rolarem pelo seu rosto, não podia acreditar que tinha perdido Jisung.

O abraço é separado quando o médico volta a sala. O castanho ajeita sua postura no leito onde estava, esperando as notícias. Era sempre assim, um reencontro bonito e as notícias ruins. Podia sentir seu coração batendo forte contra seu peito, a respiração acelerada e o suor frio em sua testa, aquele nervosismo não era de seu feitio.

Olá Taehyung, sou o Dr. Yoo, cuidei de você durante esse um ano e sete meses que ficou em coma e cuidarei da sua recuperação.

Aquelas palavras o pegam desprevenido. Um ano e sete meses? Ele aperta os lençóis e morde seu inferior, com medo de apenas ser mais um pesadelo ruim, queria apenas voltar para quando tudo aconteceu.

— Creio que já saiba, mas seu irmão não sobreviveu aos ferimentos. Entretanto, você lutou e está aqui, então vamos nos concentrar em você. É possível que tenha alguma perda de memória... Lembra de algo do acidente?

— Não... Lembro que falava com alguém, mas creio que não era importante.

— Com certeza não, meu filho. — A Sra. Kim interrompe, com um sorriso doce no rosto, acariciando os pés do garoto no leito.

— Se lembra do que fazia antes do acidente? — O médico perguntava sério, lançando um olhar ameaçador para os pais do garoto, indicando que não deveriam interromper aquele processo.

— Acho que... faculdade. De artes cênicas. Era isso, faculdade de artes cênicas. — Taehyung sorri e olha para sua mãe, antes de continuar. — Eu perdi o ano?

— Nós trancamos sua matrícula, filho. Pode continuar quando quiser. — O sorriso compreensivo volta e ela se senta na ponta do leito.

— Além disso, algo que se lembre?

— Eu tinha amigos, certo? Eu devo me lembrar deles em algum momento? — Taehyung pergunta aflito. Não queria perder todas as memórias boas com aqueles que amava.

— Com certeza. A perda de memória é, provavelmente, temporária, como disse para seus pais. Então, com certos estímulos, deve tê-las de volta.

— Entendi. Muito obrigado. — Taehyung sorri e dobra suas pernas, garantindo seu movimento ali. Estava pronto para voltar para casa, ou pelo menos, era o que imaginava.

Após ajeitarem toda a papelada necessária, Taehyung podia voltar para casa. O garoto segue com dificuldade seus pais até o carro, era como aprender a andar novamente. Não sabia direito o que estava fazendo e seus músculos atrofiados não ajudavam na tarefa. Suspira aliviado ao se sentar no banco do carro, finalmente poderia descansar.

— Como pôde fazer isso com a gente, Taehyung? — A mulher inicia, a voz estava embargada. Ela se vira, lágrimas corriam pelo rosto da grisalha. — Achamos que jamais iria acordar. É sua culpa, você não queria acordar. — O choro era desesperado. A Sra. Kim volta-se para frente, se abaixando no painel.

O mais velho, sem dizer uma palavra, dá a partida no carro e segue em direção a nova residência da família, que tinha se mudado depois do acidente. Taehyung passa o caminho em silêncio. Não tinha uma palavra a dizer. E tinha medo do que poderia acontecer caso resolvesse falar algo.

A família desce do carro. Era uma casa de frente extensa, dois andares, muito bonita e ornamentada. O castanho segue para dentro, era igualmente esplêndida, passava cada cômodo analisando os detalhes, gostava de como a casa era disposta. Agradava os olhos de qualquer pessoa que a via.

— Tae, se arrume, chamei um velho amigo seu para te ver. — A mais velha sorri fraco, pegando um copo d'água e entregando para o garoto sentado na bancada da cozinha americana.

— Acha que é uma boa ideia? Sabe, assim, tão cedo? — Taehyung estava aflito. Era visível.

— Claro, querido. Você precisa voltar para a sua vida o mais rápido possível. — A mais velha sorri e se vira, começando a retirar legumes da geladeira e panelas da porta sob a pia. — Não acha?

— Sim... — Murmura o castanho. Seus pensamentos estavam longe. Ele bebe a água do copo com rapidez e deixa o mesmo na pia, sela a testa da mulher e sorri breve. — Vou me arrumar. — Tenta fazer soar certo entusiasmo. Precisava ao menos tentar.

Taehyung encara a escada com cansaço. Seria difícil passar por aquilo todos os dias. Degrau por degrau, ele tinha chegado ao segundo andar, seus cabelos grudavam à testa suada. Ele suspira se apoiando nas paredes para chegar ao quarto que apontaram como seu.

Retira a roupa que vestia antes de entrar no chuveiro, jamais esqueceria como a sensação de banho tomado era deliciosa. O castanho se demora lavando seus fios e corpo, saindo depois de longos minutos. Penteia seus cabelos e veste um conjunto de moletom cinza e preto, ouvindo tocarem em sua porta logo depois.

— Querido, este é o Hoseok, seu melhor amigo. — A Sra. Kim dizia de forma doce, agora trajando um avental. — Vou deixar vocês sozinhos.

— Tae... Sabe, a faculdade tá um saco sem você. — Hoseok ri e se joga na cama, encarando o olhar estranho do outro. — Ah, verdade. Sim, sou Hoseok, seu ex-melhor amigo? Fazíamos faculdade juntos. E eu preciso de você de volta. — Ele se senta sorrindo de forma doce. — Você não tem ideia da saudades que tenho de você. Pode me dar um abraço? — O garoto diz abrindo os braços e se mexendo para os lados de forma energética.

Taehyung, mesmo que relutante, dá um abraço no garoto. Era caloroso. Parecia sincero para si. Ele se senta do lado do outro, o olhando de forma desconfiada, algo parecia muito errado, ninguém poderia ser assim tão animado o tempo todo, era impossível.

— Tae, o que foi? — O de cabelos negros pergunta baixo, inclinando sua cabeça de forma leve, estava ali para responder quaisquer dúvidas que o castanho tivesse.

— Nada... — Ele suspira e se joga na cama. Não é como se a sua dúvida fosse realmente importante.

— Você realmente perdeu toda a memória? — Pergunta como um segredo e se vira para Taehyung, que assente de forma breve.

— Parte dela. Eu lembro de algumas coisas... Não de tudo. Lembro que não morava aqui. Lembro que fazia artes cênicas. Não lembro da maioria das pessoas... — Taehyung suspira de forma profunda. Parecia querer se lembrar de alguma coisa importante. Um ponto perdido em seu passado. Mas nada parecia ajudar.

— Entendi... Eu vou te ajudar, então. Novamente, sou Jung Hoseok. Mas pode me chamar de Hobi. Serei seu guia por esta jornada de memórias. — Ele sorri de forma aberta, encorajando Taehyung a fazer o mesmo.

Foram precisas muitas visitas de Hoseok para que Taehyung finalmente voltasse a faculdade. Era claro para o Jung a escassez de vontade do outro para com a vida. Era como se tivesse perdido sua faísca e não a pudesse encontrar. O castanho passava seus dias deitados, ouvindo música, talvez lendo alguma coisa, raramente deixava seu quarto.

— Taehyung? — A voz da mais velha invade seus pensamentos, fazendo-o emergir. — Você não deixa o quarto há dias. Precisa comer alguma coisa, sua faculdade começa hoje. — Sua voz era ríspida. Estava cansada do corpo mole do garoto. Já tinha se passado um mês desde que ele acordara do coma, era mais do que suficiente para uma recuperação adequada. — Arrume suas malas, você vai morar no campus.

A porta de fecha e o garoto se senta sobre a cama. O ar parecia rarefeito dentro do quarto escuro. As mãos se agarram as coxas e ele encara as janelas, a ideia de sair de dali de dentro o deixava apavorado. Sabia que deveria arrumar suas malas, mas a sensação de sufoco não o deixava levantar, sentia que poderia desmaiar a qualquer segundo. Taehyung se levanta, indo o mais rápido que podia para a porta que dava para a sacada, abrindo-a e se apoiando no parapeito. Havia dias que não via o sol, a luz incomodava seus olhos. O garoto se senta, esperando aquela sensação ir embora. Não era nada. Nunca foi.

Tinha passado longos minutos sentado ali. A camiseta que vestia estava encharcada em suor, assim como seus cabelos. O castanho se levanta, partindo para o guarda roupas, precisava separar o que levaria para o campus. Não fora muito seletivo, demorou cerca de meia hora para realizar todo o processo. A única coisa que podia pensar agora era em um banho.

Se demorava ao analisar o corpo magro em frente ao espelho. Tinha uma aparência doentia. Taehyung suspira, ainda era o início do dia e já estava abatido. Toma uma ducha, lavando os cabelos de forma rápida, descendo para tomar café da mesma maneira. Se senta na bancada junto a seus pais, o Kim mais velho lia um jornal, a outra resolvia problemas de Sudoku. O castanho tomava o café em suas mãos com calma, não tinha pressa para chegar ao campus.

— Não quer se atrasar no primeiro dia, Taehyung. — A mais velha diz baixo, sem o direcionar olhar. — Sua mala está pronta?

— Sim... — Ele assente com a cabeça, mesmo sabendo que ela não veria.

— Bom. — Murmura, sem se distrair dos quebras-cabeça a sua frente. — Seu pai vai te levar. Querido, pode descer a mala dele?

O mais velho fecha o jornal, bufando, e o coloca sobre a bancada antes de se levantar. Taehyung poderia ter descido a mala sozinho, não estava assim tão debilitado. O castanho suspira ao terminar o café, se levanta e vai até a pia, onde lava o pouco de louça que tinha ali, antes de se voltar para onde sua mãe estava.

— Mãe, vocês vão ficar bem? — O mais novo pergunta, segurando a mão da outra, estava genuinamente preocupado.

— É claro, você tem que viver sua vida. — Ela sorri de forma doce e aperta a bochecha, quase inexistente, do outro. — Mas não demais. — Sra. Kim fecha sua expressão, mas volta a suavizar, não queria assustar seu filho.

— Vamos logo Taehyung. — É possível ouvir o homem gritar da porta e o castanho sela a testa da mais velha antes de correr até onde seu pai estava.

O caminho era mais longo do que se lembrava. A universidade, muito maior. Por consequência, muito mais pessoas a frequentavam. Ele se despede de forma breve do mais velho antes de adentrar o campus, segundo Hoseok, deveria encontrar uma lista com a distribuição de quartos na porta dos dormitórios. Por sorte, lembrava de alguma coisa daquele lugar e tinha ajuda de placas, não demorando muito para chegar no prédio que procurava.

Seu nome fora fácil de achar. Estava destinado ao terceiro andar e tinha um colega de quarto. Talvez isso o deixasse mais aflito. Passava por todas as pessoas como um fantasma, tinha dificuldades em fazer amizades e, depois de tudo o que tinha acontecido, talvez nem estivesse interessado em fazê-las.

Taehyung deixa sua mala sobre a cama, parando em frente a janela. Uma onda de sentimentos o invade. Queria que as coisas fossem como antes. Não podia evitar de derramar lágrimas ao pensar em todos os acontecidos dos últimos meses. Seu desejo era apenas acordar daquele longo pesadelo, que já durava tempo demais. Não aguentava mais viver com pequenos fragmentos da sua memória. Era doloroso demais e não sabia até quando iria suportar.

A porta bate atrás de si e Taehyung não se vira, estava com o rosto banhado em lágrimas. Não queria que ninguém o visse tão fragilizado.

— Oi, prazer, meu nome é Jimin! — A animação poderia ser contagiante, se o outro ali presente não estivesse tão imerso em seus próprios problemas. — Ei... Você tá chorando. — O garoto diz rápido, caminhando até Taehyung de forma rápida, ficando ao seu lado. — Tá tudo bem? O que aconteceu? Alguém te fez alguma coisa? Eu faço psicologia, pode contar comigo. — O moreno o enchia de perguntas. Taehyung podia sentir sua cabeça explodir diante de tantas questões. Só queria sair dali.

Sem responder nenhuma delas, o castanho avança para fora do quarto, caminhando sem rumo pelos corredores, torcendo para não ser seguido. Estava em exaustão, corporal e mental. Seu corpo encontrou repouso perfeito numa árvore plantada no gramado da universidade, precisava tentar se lembrar de alguma coisa.

Numa luta contra si mesmo, Taehyung acabou caindo no sono. O céu estava escuro quando este acordou, tendo vista para a entrada da universidade, ele observava as pessoas animadas e bem vestidas saindo pelos portões. Se levanta coçando os olhos, tentando entender a situação.

— Eu te procurei a tarde toda! Onde estava? — Taehyung vê um garoto baixo sair do meio da multidão, tão bem vestido quanto o resto. Jimin.

— Dormindo. Na árvore. — Responde de forma tranquila e aponta para onde estava há minutos, não mentia. — O que é tudo isso?

— Festa de boas vindas para os calouros! — Ele diz sorridente. Já parecia bêbado. — Você não vem? — Jimin passa o braço pelos ombros de Taehyung, que fica visivelmente desconfortável com aquilo.

— Não, obrigada. — Ele diz, saindo dos braços do baixinho.

Entretanto, aquele movimento todo o deixava curioso. O castanho continuava a seguir as pessoas, passando pelo portão frontal, ficando ao lado de Jimin. Seus olhos rápidos analisaram as pessoas ao redor, parando quando encontra um garoto que parecia sugar sua alma com os olhos. Do outro lado da rua, Taehyung podia vê-lo descer da moto e caminhar de forma apressada na direção em que ele estava. Sem perceber, recua alguns passos, engolindo em seco, entrando novamente na universidade.

Ele corria, seu coração martelava contra seu peito. Quem era o garoto de cabelos escuros, lábios desenhados e olhar tão penetrante que queria chegar perto de si? Dentro dos corredores, podia sentir sua cabeça girar, ela doía como o inferno. Não foi capaz de buscar ajuda. Tudo virou um grande borrão antes.


Notas Finais


É isto, acaba por aqui o capítulo.
Não faço ideia de quando vou atualizar, quando der outra explosão criativa, provavelmente.
Espero que tenham gostado, deixem seus comentários e favoritos, beijo beijo, amo vocês.

link das minhas outras fanfics
https://www.spiritfanfiction.com/historia/consequencias-da-liberdade-6980892
https://www.spiritfanfiction.com/historia/prostitute-18480107


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