História Destiny's Irony - LisKook - Capítulo 10


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Categorias Bangtan Boys (BTS), Black Pink
Personagens Jennie, J-hope, Jimin, Jin, Jungkook, Lisa, Personagens Originais, Rap Monster, Suga, V
Tags Bullying, Drama, Got7, Irmã, Junkook, Lisa, Liskook, Preconceito, Vhope
Visualizações 88
Palavras 4.101
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Crossover, Drama (Tragédia), Famí­lia, Ficção Adolescente, Fluffy, Hentai, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Violência, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Cês acharam que eu não iria rebolar minha bunda hoje né?

TCHARANNNNNNN\o/
Ah, nem demorei taaaaaanto assim né?
14 dias sem atualização acho que é tipo um recorde pra mim, rsrsrs.
O QUE IMPORTA É QUE HOJE TEM CAPÍTULO NOVOOOOO EEEEEEEE. Tá quentinho, acabou de sair do forno, então espero que aproveitem muito.

Eu tenho uma notícia boa e infelizmente uma ruim. Vamos começar pela ruim:

1-Amanhã as minhas aulas começam :,), e eu sinceramente não estou nenhum pouco preparada e afim de acordar as 6:00 horas da manhã.

2 - Maaaaas, a boa notícia é que, isso não vai interferir tanto nas atualizações. Vou estudar de manhã, então eu vou ter praticamente a tarde inteira para bolar novos capítulos. Isso se eu não gastar meu tempo com outras coisas, rs :)

Enfim

Leiam as notas finais por favorzinho <3333

Tenham uma boa leitura<33333

Capítulo 10 - Agradecer


Fanfic / Fanfiction Destiny's Irony - LisKook - Capítulo 10 - Agradecer

Veja bem. Nem em um milhão de anos, nem se estivéssemos em um mundo paralelo, e nem mesmo se eu caísse de cabeça em uma pedra e a minha área neurológica ficasse comprometida, eu me imaginaria numa situação igual a que eu estou agora.

Sério! Eu acabei de usar a última pessoa da minha lista para um desabafo. Aliás, Jeon Jungkook nunca esteve em minha lista.

Aliás, nunca teve lista nenhuma!

E não. Não, não, não, isso não foi um desabafo. Nem que me paguem um milhão de dólares eu irei admitir isso em voz alta.

Eu estava sensível, estava em um momento complicado, um momento pessoal, e claro que a presença dele me incomodou um pouco - muito! - no momento, mas aos poucos eu fui percebendo que a única pessoa que estava ali, era mesmo ele, e eu não poderia mudar isso. E ele não fugiu, como eu imaginava. Ele ficou ali, no seu canto, ouvindo tudo o que eu falava sem rebater ou sequer dizer alguma gracinha pra me tirar do sério, e eu acabei cedendo em deixar que ele ficasse. E foi só isso!

E agora ele ainda está aqui, sentado a pouco centímetros de onde eu estou, me olhando já tinha alguns minutos. Ficamos sem assunto depois de um bom tempo em que ficamos ali embaixo. O silêncio representava o momento, e confesso que já estava ficando meio constrangedor. Não só o fato de que o garoto que eu odeio me viu chorar, e agora estava ali me encarando como se eu fosse 'sei lá o quê', mas também o fato de que não havia mais nada para dizer, e tudo o que havia nos restado era ficar em silêncio.

Mas, como se ouvisse os meus pensamentos, ele perguntou após longos minutos:

- Os livros que você deixou cair... Eles eram importantes?

Eu desvio a minha atenção do chão para ele.

- Você os estraga... E depois pergunta se eles eram importantes?

Ele dá de ombros.

- É o mínimo que eu posso fazer agora. - Disse.

Sorri e balanço a minha cabeça negativamente, desviando o meu olhar do dele.

Eu não posso contar pra ele a verdade. Não para ele.

- Não. - Digo.

- Não? Então, eu não te deixei encrencada?

- Não, estou bem. - Eu disse, ainda olhando para o lado.

Eu não vi, mas tenho certeza de que ele sorriu.

- Eu só vou fingir que acredito em você.

- O quê? Acha que eu estou em maus lençóis por sua causa?

- Não, quê isso. - Ele ergue as mãos, rendido. - Longe de mim querer insinuar uma coisa dessas.

Sem querer, eu solto uma risada, meio incrédula.

- Você que faz o estrago, e eu tenho que pagar a conta? - Eu questiono a primeira coisa que apareceu em minha mente, sem nem mesmo ter certeza se era a coisa certa a se fazer.

Ele une as sobrancelhas e a sua testa se contrai.

- Ué, mas você disse que eu não te deixei encrencada.

Droga, você me deixou encrencada sim! Muito encrencada, aliás! Tão encrencada que o meu futuro tá comprometido por sua causa, então faça o favor de calar a boca antes que eu te dê uma surra, seu idiota do cara...

A princípio eu quis, muito, dizer isso, mas tudo o que eu fiz foi respirar fundo e contar até dez, logo dando um sorriso fechado que, pela expressão que ele fez deve ter sido bizarro.

- E não me deixou mesmo. Estou ótima! - Foi tudo o que eu disse.

Ele dá uma risada, e eu comecei a pensar no que eu tinha falado de errado para ele rir daquele jeito. Estava começando a me sentir uma idiota. Além de eu estar contendo a vontade enorme de dar um soco em seu rosto perfeito e deixar uma bela marca. Não só pelo fato de que ele estava rindo da minha situação e desacreditando da minha capacidade, mas também pelo fato de que eu quero fazer isso há um bom tempo.

Minhas bochechas inflaram e eu cruzo os braços violentamente, emburrada.

- Tudo bem... - Ele disse após recuperar o fôlego. - Eu acredito em você.

Reviro os olhos.

- Grande coisa. Até agora você só me mostrou o quanto consegue ser idiota.

Ele arqueia as sobrancelhas, meio surpreso com a minha resposta grosseira, mas pareceu não se intimidar com isso.

- Eu venho aqui te consolar, e é assim que você me retribui? Me chamando de idiota?

- Você não me consolou... - Olho pra ele e encolho os ombros. - Só me serviu de ouvinte.

- Você desabafou comigo, e eu te ouvi sem ao menos dizer uma palavra, isso já não serve de consolo pra você?

- Eu não desabafei com você!

 - Ah, não?!

- Você disse que não veio aqui pra discutir, então faça o favor de ficar calado. Você fica bem mais bonito de boca fechada. - Digo, enfim, dando um fim naquele assunto.

Ele fez uma expressão surpresa, tombando levemente a cabeça para trás com o "impacto" que o meu comentário fez.

- Devo levar isso como um elogio?

- Bom, diferentes das outras garotas, que acham que você fica perfeito, atraente, lindo, - Vou contando os elogios nos dedos. - e mais outros elogios fúteis quando você abre a boca para dizer alguma coisa, por acharem a sua voz a mais sensual do mundo, o que eu acho muito exagero, eu prefiro mil vezes que você fique mudo. Tenho mais paz, e isso é prazeroso pra mim. Então sim, leve isso como um elogio.

Ele fica perplexo por um tempo, com a boca entreaberta, sem saber o que dizer enquanto olhava pra mim antes de sorrir.

- Uau... Então você escuta bem o que as outras garotas falam sobre mim.

- Eu não sou surda. E ah, poupe-me, nesses dois anos que eu estudo aqui era o mínimo o que eu poderia saber.

- Hmm, entendo... - Foi a única coisa que ele disse, ainda mantendo a expressão surpresa no rosto.

Mais alguns segundos de silêncio, antes dele olhar para o lado como se esperasse alguém aparecer ali a qualquer momento, para logo depois olhar pra mim e perguntar:

- Não acha que já ficamos tempo de mais aqui?

- Acho... - Respondo rapidamente, afinal, eu também já tinha percebido isso, só que eu não queria comentar nada a respeito pois estranhamente, eu estava me sentindo confortável ali junto com ele.

Passo as mãos pelo meu rosto, removendo alguns fios de cabelo que ficaram grudados ali e suspiro, fitando o garoto que estava em minha frente.

- Eu já deveria estar em casa. Minha irmã é muito preocupada.

Ele franziu o cenho quando eu terminei de falar, como se tivesse acabado de descobrir uma coisa muito importante.

- Não sabia que você tinha uma irmã. - Ele comenta.

- É... Você não sabe muita coisa sobre mim.

- Qual o nome dela?

Penso um pouco antes de respondê-lo, até que eu percebi que não adiantaria de nada esconder isso dele.

- Louise. - Ele balança a cabeça lentamente, concordando. Então, mais uma vez, eu respiro fundo. - Você pode sair primeiro. Acho que as pessoas vão achar estranho ver que você está junto da "esquisitona" da universidade.

Ele demorou alguns segundos até entender o que eu quis dizer.

- Mas não tem ninguém no pátio. Todos já foram embora. Não sei se você se esqueceu mas o horário de aula já acabou. - Disse.

- Eu... Só acho melhor prevenir. - Eu digo, só então ele percebeu que eu estava falando sério.

Eu sinceramente não queria ser pega junto com o Jungkook. Sem contar que estamos particularmente sozinhos aqui, e não seria nada legal alguém nos encontrar nessa situação. Sorte que o que o Coelho boy tem idiota ele também tem de compreensão, então não demorou até ele balançar a cabeça, concordando.

- Eu vou logo depois. - Digo, enfim.

- Okay... - Ele diz, confuso entre dar um sorriso simples ou dizer alguma coisa. - Então... a gente se vê por aí.

Foi tudo o que disse, antes de sorrir uma última vez. Retribuo com um sorriso fraco e o acompanho com o olhar até ele finalmente sair daquele canto, deixando tudo em silêncio.

E ali estava eu, sozinha mais uma vez.

                         [...]

Segunda-feira. Cinco dias após aquela estranha ligação da Choy. O exato dia em que eu voltarei a trabalhar na lanchonete, e, infelizmente, o último dia do prazo para a entrega dos livros.

Meu dia não poderia estar melhor! Eu acho até que não poderia estar mais feliz.

- Você tem certeza disso, Lisa? - Lise me pergunta pela vigésima vez em apenas dez minutos, colocando o seu casaco para poder ir para  faculdade de manhã.

- Tenho, Lise. - Eu respondo, cansada, enquanto fechava o livro para olhá-la. - Eu preciso falar com a Choy, e eu preciso ver se eu consigo fazê-la me ajudar. Nem que seja de alguma forma.

Ouço Lise suspirar pesadamente, antes de caminhar até a minha direção.

- Meu bem, - Ela segura meu rosto com as duas mãos, fazendo olhá-la no fundo dos seus olhos. - Vai dar tudo certo, ok? Olha... Aquilo que eu te falei, aquela oferta ainda está válida, tudo bem? Eu não vou pensar duas vezes em te ajudar se você me disser que precisa.

Respiro fundo, e por fim, sorri.

- Tudo bem, Lise. - Levo minhas mãos até as delas. - Obrigada... Mesmo... Por tudo. - Permaneço a encarando. - Eu não sei o que faria sem você, sua chata!

Ela sorri.

- Eu te amo.

- Eu também te amo...

Então, com as mãos segurando o meu rosto, ela dá um beijo demorado em minha testa de uma forma carinhosa, reconfortante.

- Preciso ir, não posso me atrasar.

Então ela sai, e eu fico sozinha naquele pequeno espaço.

Aproveito o quanto eu posso para estudar, pois só faltavam algumas horas até eu ir para a faculdade, e assim que eu chegar lá eu vou ser literalmente obrigada a ir direto para a biblioteca, com o coração na mão.

A Choy só havia me ligado uma vez até agora, o que eu particularmente achei muito estranho. Será que eu estava muito encrencada?

Mas isso não vem ao caso. O que importa é que hoje é o dia em que o prazo vence e o exato dia em que eu deveria devolver os livros que o Jungkook estragou!

Falando no coelho boy, depois da conversa que tivemos nós não tocamos mais no assunto. Aliás, tudo voltou a estaca zero mais uma vez. Nos evitamos, da mesma forma como sempre. Ele com o seu "bonde" e a sua personalidade egocêntrica, enquanto eu, continuo isolada junto a meus livros.

É... Era o que eu estava esperando que acontecesse.

A gente ainda se odeia, e isso não vai mudar mesmo, então não tem o porquê eu ficar incomodada, certo?

Certo!

Nesses cinco dias que se passaram eu estudei feito louca para absorver o máximo de informações possíveis, com outros livros que eu peguei emprestado da Lise. Mas infelizmente eles não continham nem um terço dos conteúdos que tinham nos livros que Jungkook estragou.

Mas, mesmo que isso não adiante muita coisa, eu ainda tinha um tempo de sobra para estudar antes da "prova do satan" - nome carinhoso que eu inventei -, e pelo que eu estudei nesse meio tempo, eu já absorvi bastante coisa. O que já era suficientemente bom.

Como de costume, eu passei a manhã inteira sozinha naquela República até dar o horário de ir para a faculdade.

Assim que eu estava basicamente pronta, eu coloco rapidamente uma jaqueta velha por conta do frio que a cidade estava fazendo ultimamente, recolho o material necessário para levar e finalmente - ou até tragicamente - eu saio, e, tomando uma dose de pressentimento positivo, eu caminho a destino da universidade.

Tudo estava indo bem. Ou, quase bem...

Eu não sei se foi só pelo fato do meu dia não ter começado bem, ou, pelo meu ânimo que também não estava um dos melhores apenas por conta dos benditos fatores que me proporcionaram a passar por isso. Mas, antes de sair de casa todos os dias, eu sempre prendo o meu cabelo em um rabo de cavalo. Sempre. Mas hoje nem isso eu tive a coragem de fazer.

Não que isso seja algum exemplo para que o meu dia estar sendo uma merda. Mas a minha áurea estava - está - tão negativa, mas tão negativa, que eu pensei "o que adianta eu prender o meu cabelo hoje? Minha vida é uma merda. Meu dia está sendo uma merda. Eu não tenho motivos para prender o meu cabelo? Pra quê eu devo prender o meu cabelo?"

Pra quê?!

Eu praticamente estou me arrastando pra faculdade hoje por que definitivamente eu não estou afim de me ferrar. O que chega até ser cômico, pois, literalmente eu estou indo hoje para assinar a minha sentença de morte. E não, eu não estou afim de morrer hoje.

Mas já não bastou eu não ter tido disposição para prender o meu cabelo, o universo simplesmente surgiu, e fez questão de mostrar a mim que o meu dia pode sim ficar pior do que já está.

Hoje, justo hoje o clima de Seul simplesmente fecha, e junto com ele uma ventania desgraçada. E como uma maldita consequência, essa ventania estava bagunçando o meu querido cabelinho, levando vários fios para o meu rosto, o que estava me fazendo literalmente engolí-los, além de estarem atrapalhando a minha visão por onde eu caminhava. E pra piorar, eu estava com os braços parcialmente ocupados, o que dificultava eu levar as minhas mãos para remover o cabelo do meu rosto.

Ou seja, quando eu achei que não poderia piorar, está piorando cada vez mais.

Eu bufei em frustração várias vezes durante o caminho, além de cuspir violentamente os fios de cabelo da minha boca. Eu estava ignorando o frio que eu estava sentindo por que a minha raiva estava aumentando cada vez mais e eu não estava me preocupando em mais nada além de evitar que o meu próprio cabelo me matasse engasgada.

Quando eu finalmente cheguei naquele lugar de Deus, eu pude finalmente suspirar de alívio. Isso, se o cadarço do meu tênis não resolvesse desamarrar justo quando eu estava diante dos portões.

Ok, falta mais o quê pra me acontecer nessa droga de dia?

Faço um esforço para andar sem tropeçar em meus próprios pés até conseguir chegar em frente ao meu armário.

O meu cabelo deve estar um completo horror, e a minha cara também não deveria estar expressando um dos meus melhores humores. Mas, ignorando qualquer outra ocasião que pudesse atrapalhar o real motivo para eu estar aqui hoje, eu guardo os materiais no armário, amarro meu tênis e dou um jeito no meu cabelo antes de me erguer novamente. Se eu queria mesmo pedir uma chance para a Choy, eu deveria estar no mínimo apresentável para isso.

Então, ainda parada no mesmo lugar, eu fecho os olhos e respiro fundo, antes de me virar para seguir o caminho até a biblioteca. Mas assim que eu menciono dar o primeiro passo eu me paralizo bruscamente em meu lugar quando a primeira coisa que eu percebo é um Jungkook me encarando à alguns metros de onde eu estava.

Ele estava encostado com o ombro em uma parede, e os braços estavam cruzados enquanto aparentemente tentava prestar atenção em algo que os seus amigos estavam falando em seu lado. Mas assim que percebeu que eu também estava o observando, ele desvia o olhar e se remexe em seu lugar balançando seu cabelo com uma das mãos, tentando inutelmente esconder o seu constrangimento.

Se eu não o odiasse, eu acharia que o seu ato foi no mínimo adorável.

Um sentimento estranho toma conta de mim enquanto eu permaneço parada em frente ao meu armário. Meu coração estava levemente acelerado, minhas bochechas estavam um pouco quentes e a minha respiração um tanto descompassada.

Querendo eu aceitar ou não, Jungkook tem a incrível habilidade de me irritar, e me deixar constrangida ao mesmo tempo.

Por que ele está olhando para mim?

Por que ele tem que estar olhando justamente para mim?

Confesso que mesmo eu acumulando todo esse ódio dele por todo esse tempo, eu simplesmente não posso ignorar o fato de que Jeon Jungkook é... irritantemente irresistível.

E, droga, ele não pode olhar para mim desse jeito...

Mas o que é isso que você está pensando, Lisa?

Balanço a minha cabeça, eliminando qualquer pensamento que não seja o fato de que o meu real objetivo é fazer o meu caminho até a biblioteca, agora, neste exato momento. Então, ignorando-o, eu abaixo a cabeça e à passos ligeiros saio dali o mais rápido possível.

Assim que eu chego no corredor da biblioteca a avisto a bancada da Choy, meu coração bombeia aceleradamente.

Certo, não é tão difícil fazer isso, não é?!

Paro de caminhar à alguns metros de onde a Choy estava, me certificando de que ela ainda não tinha me visto, então eu aproveito para me preparar psicologicamente. Respiro fundo o máximo de vezes o possível, e assim que me senti o máximo preparada, me encorajo a dar o primeiro passo.

Me aproximo da bancada de madeira, percebendo que ela ainda não tinha notado a minha presença. Por baixo dos seus óculos, parecia estar concentrada em alguns papéis que ela estava segurando em suas mãos.

Mas não demorou até ela perceber que não estava sozinha. Ela ergue o olhar diretamente para mim, e eu, já estava esperando pelo pior. Mas me surpreendi quando ela me deu um sorriso simpático.

- Boa tarde, meu bem.

Seu tom não era irritado, muito menos desanimado. Sua expressão era radiante e ela não parecia nem um pouquinho desconfiada de nada.

Mas o quê...?

De todas as reações, essa definitivamente estava em último na minha lista.

- É... Bom dia. - É agora. - Eu vim conversar com você sobre aqueles livros...

- Os que você pegou para estudar? - Ela palpita.

- Isso... Você sabe... Os que estão estragados.

Ela franze a testa, e faz uma expressão surpresa.

- Você estragou os livros?

Ah, não.

- S-Sim... Eu tentei dizer isso quando você me ligou na quarta-feira...

Ela pareceu ficar mais confusa.

- Espera, espera, meu bem. Vamos com calma. Eu não liguei para você na quarta.

- Ligou sim, você falou com a minha irmã e...

- Se bem que... - Ela me interrompe, pois pareceu lembrar de algo. - Na quinta-feira eu recebi uma ligação. Era um homem. E ele me perguntou sobre esses mesmos livros que você pegou.

Dessa vez sou eu quem franze a testa.

- Um homem...?

- Sim. Ele me pediu detalhes, do tipo... Quando você os pegou, quanto custavam, qual era a data do vencimento e essas coisas...

- E o que você fez? - Me apresso em perguntar.

- Eu dei as informações que ele me pediu, oras. - Ela diz. - Ah, e hoje mesmo chegou um conjunto dos mesmos livros que você pegou, só que novinhos em folha, e junto veio um bilhete...

- B-Bilhete...? - Eu não estava conseguindo absorver tantas informações.

Ela mexeu em uma gaveta por baixo da bancada, até estender um pequeno papel em minha direção.

Me apresso ao pegá-lo, e enfim, lê-lo junto a uma caligrafia impecável.

- Estou devolvendo exatamente no dia da data de vencimento. Atenciosamente, Lalisa Manoban... - Eu leio em voz baixa, quase inaudível, descrente de que isso realmente estava acontecendo.

- Eu realmente não faço a mínima idéia de quem tenha feito isso... Mas posso garantir que essa pessoa deve ter uma consideração enorme por você. E se você sabe quem tenha feito, agradeça.

Eu continuo encarando o pequeno papel em minha mão, lendo e relendo várias vezes até finalmente perceber que isso estava, mesmo, acontecendo.

Não me contive em dar um leve sorriso.

Não é possível.

Não é possível que ele tenha feito isso.

Não tinha outra pessoa. Não havia nem sequer outra alternativa. Tudo me indica que ele tenha feito isso pois não existe outra possibilidade, mas eu não consigo me conformar com esse fato.

Por que...?

Eu não posso ficar com essa pergunta na minha cabeça. Eu tenho que ter respostas.

Choy está certa. Eu devo ir agradecê-lo.

                            [...]

De longe, eu o observava conversar com Miury Kojima, ou para ser específica, ele estava conversando com a piranha Kojima em um canto afastado daquele enorme pátio, enquanto eu estava optando entre não atrapalhá-los e deixar para resolver isso com ele depois, ou interrompê-los e acabar com isso de uma vez por todas.

Percebo que Jungkook prestava atenção no que ela falava, mas dava para perceber um pingo de desinteresse em sua expressão. Então, eu poderia estar fazendo um favor se eu os interrompesse, não é?

Eu estava em uma maldita dúvida.

Ah, dane-se! Não vai adiantar nada se eu continuar só ali. Eu posso agradecê-lo depois.

Eu já estava preparada para me retirar dali, mas resolvi dar uma olhada nos dois uma última vez, e percebi que eles estavam se despedindo. Ela deu um selinho rápido nos lábios dele (Urgh!), e saiu rebolando pelo extenso corredor.

Vaca.

Eu devo ter ficado olhando o caminho por onde ela passou com a maior expressão de nojo por um bom tempo, até me dar conta de que Jungkook agora estava sozinho, olhando para o chão com as mãos enfiadas no bolso da calça. Foi aí que percebi que essa era a minha chance antes que ele se retirasse também.

Respiro fundo e começo a caminhar em sua direção.

Fui diminuindo gradativamente a velocidade quando eu já estava perto dele. Ele estava com a cabeça abaixada, mexendo em alguma coisa no seu celular, mas eu percebi que ele já tinha notado a minha presença quando ele sorriu, ainda olhando para o aparelho.

Cruzo os braços, esperando ele dar a graça de olhar para mim. E assim que ele faz, ele guarda o celular no bolso e sorriu diretamente para mim.

Calma, coração.

- Foi você. - Eu digo antes mesmo de me preparar.

Ele pareceu surpreso, mas nem um pouco desinformado.

- Eu? - Ele pergunta, descontraído.

- Foi você, não foi? - Pergunto mais uma vez, mesmo já tendo a certeza estampada na cara dele.

Ele não respondeu, só sorriu.

No momento eu não sei se eu amo ou se eu odeio esse sorriso.

Balanço a minha cabeça para os lados minimamente, tentando entender.

- Por quê...?

Ele dá de ombros.

- Eu estraguei os livros, não foi? Nada mais justo.

Agora eu balanço a minha cabeça positivamente, erguendo as sobrancelhas surpresa.

- É... Tem razão.

Ele encosta o ombro na parede, e cruza os braços, não tirando o seu olhar de mim.

- Quanto foi? - Pergunto.

- O valor não importa. Mas, quanto você acha que valia?

- Hm... - Olho para cima, pensativa. - A Choy disse que valia o meu pulmão esquerdo.

Ele ri.

- Acho que não passou muito longe.

Sorri.

- É...

Eu estava com a palavra na ponta da minha língua, mas alguma coisa em meu consciente me impedia de dizê-la.

Mas, Jungkook foi mais rápido ao quebrar o silêncio.

- Eu gostaria que você visse isso como um pedido de desculpas. Não quero que você pense que eu faria alguma coisa para prejudicar você.

- Mas você já fez...

- Eu sei. Por isso eu assumi o meu erro. - Ele rebate.

Não falo nada, só assinto, até porquê ele tem razão.

Ele pareceu querer dizer alguma coisa, pois aparentava estar agitado, e abriu a boca algumas vezes para falar, mas nada saia, então por fim, ele sorriu olhando para o chão.

- Eu... Preciso ir agora. Minha aula já vai começar.

- Certo...

- Eu... e os outros garotos vamos comer alguma coisa depois da aula. Quer ir?

De início eu me surpreendo com o seu convite repentino. E me dou o trabalho de pensar um pouco ao perceber que ele estava falando sério. Tento ignorar o fato de que ele estava com Miury à cinco minutos atrás, e agora estava praticamente chamando outra garota para sair.

Eu junto os meus braços ao redor do meu busto, me abraçando um pouco forte ao sentir uma forte brisa gelada.

- Eu... Não dá. - Eu digo. - Eu preciso voltar para casa, eu não tenho dinheiro... E eu não confio em você, esqueceu?

Ele ri mais uma vez, fazendo uma careta decepcionada depois.

- Uma pena.

- Pois é... - Suspiro.

- Enfim... Eu tenho que ir. - Ele deu um sorriso fechado. - O convite ainda tá de pé, então... Se mudar de idéia, é só me procurar depois da aula. - Era incrível como o seu jeito charlatão me impressionava.

Então ele me olhou uma última vez antes de passar por mim, fazendo o cheiro do seu perfume entrar diretamente em minhas narinas.

Meu subconsciente estava gritando para mim dizer logo, e a palavra já estava entalada em minhas cordas vocais.

Então, deixando cair os braços na altura das cinturas eu me viro bruscamente, e, enfim, o chamo.

- Jungkook.

Ele parou imediatamente, antes de se virar.

- Obrigada.

A expressão dele se suaviza e as narinas dele se contraem, antes de sorrir abertamente, como se gostasse do que ouviu.

- Disponha. - Então ele volta a fazer o seu caminho mais uma vez, olhando para trás uma última vez.

Eu fiquei observando ele caminhar até sumir por entre os outros alunos, até que eu, por fim, me permiti sorrir.


Notas Finais


Gente.
Eu peço que por favor, se vocês estão gostando da fanfic, do enredo, ou até mesmo quer dar opiniões. Comente! E favoritem também.
Sério, eu percebo que muita gente não comenta, e isso me entristece um pouco.
Eu gosto de saber o que vocês estão achando, isso me ajuda a ir mais em frente. Sério, eu estou pedindo por favor mesmo :)

Agradeço os 80+ favoritos, vocês são uns amores <3333

Até o próximo capítulo <3


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