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História Desvanecer (Itasasu) - Capítulo 1


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Notas do Autor


Perdi o outro perfil.
Algumas histórias eu vou repostar, outras eu vou modificar e umas vou deixar no esquecimento

Capítulo 1 - Eu te amo, niisaaaaan


O primogênito acordou sentindo um peso no seu peito. Abriu os olhos, já com um sorriso no rosto, admirando a face do seu irmãozinho que agarrava-se a ele como se Itachi fosse a coisa mais preciosa do mundo. 

E para o caçula, ele realmente era.

Apertou os braços ao redor do irmão, para acordá-lo. O caçula dormia ao seu lado mas acabava sobre ele, possessivo. Eram próximos assim antes mesmo de eles ficarem órfãos, quase um ano atrás. Sasuke sempre foi carente, mas não uma carência qualquer e nem sobre qualquer um.

Sasuke tinha um caso sério de Carência de Itachi. 

Claro, o quadro se agravou depois da morte dos pais. 

Sasuke era tão frágil, tão dependente dele. O Uchiha mais velho tinha medo de que, ao seu menor descuido, seu irmãozinho fosse quebrar. 

Mas é claro que ele não deixaria isso acontecer. Era seu dever cuidar do pequeno, coisa que ele fazia com muito gosto e esmero.

Itachi ouviu resmungos, antes do caçula exibir um sorriso dengoso.

-Bom dia, otouto.

-Eu te amo niisaaaaan - falou com a voz arrastada de sono, antes mesmo de despertar completamente.

                   ∆∆∆

Itachi acordou num sobressalto.

Ainda não havia nem amanhecido, então por que ele despertara de forma tão abrupta?

Sentiu um peso familiar no peito, braços mais frágeis que os seus o rodeavam, só que dessa vez Sasuke movia-se de forma estranha, fazendo leves gestos de contração com seu quadril contra o corpo do mais velho. Itachi podia sentir claramente que seu irmãozinho estava excitado. 

-Anw....Ita...mais, Itachi....

Ah claro, aquela voz baixa soltando pequenos gemidos durante o sono foram o motivo do despertar do primogênito. 

Itachi corou, sentindo sua própria excitação.

Mas que tipo de monstro eu sou fazendo isso por causa do meu irmãozinho?

Mas que diabos Sasuke tem um sonho desses comigo?

Não dormiu pelo resto de horas que sobravam, sua mente e seu corpo o torturavam enquanto os sonhos de Sasuke iam se dissipando e ele abria os olhos, feliz com a visão com que era privilegiado todas as manhãs.

-Eu te amo niisaaaaan - falou, com a voz arrastada de sono, antes mesmo de despertar completamente.

 Ao notar o semblante sério do irmão, franziu o cenho.

-O que houve, nii-san?

Itachi encarou-o, os olhos denunciavam irritação e medo. 

-Você vai dormir no próprio quarto a partir de hoje - Dito isso, levantou, sem mais explicações. Deixando um Sasuke choroso se perguntando o que havia feito de errado para seu tão amado irmão o querer longe de si. 

                   ∆∆∆

-POR QUE, ITACHI? POR QUE NEM OLHA MAIS PRA MIM?

Sasuke estava exaltado. Quantas vezes nos últimos meses ele não fizera a mesma pergunta para si mesmo e para o irmão? Quantas vezes questionara o motivo de seu nii-san tornar-se tão frio e arredio para com ele? Quantas vezes não obteve resposta? Tendo que ver Itachi virar as costas para si, vê-lo tratar todos bem, menos ele.

Doía, doía de uma forma que ninguém jamais poderia descrever, pois era algo que apenas o caçula sentia. 

Perder tudo que amava e nem ao menos saber o motivo daquilo, sem nem ter a chance de se desculpar por seja lá o que fizera. 

Itachi não permitiu que Sasuke dormisse mais com ele. Levantava e saía antes do caçula acordar e, quando o mais novo começou a levantar mais cedo para tentar ver o irmão, Itachi simplesmente ignorava ou não aprofundava a conversa que Sasuke insistia em puxar. Deixou de levá-lo à escola e de preparar suas refeições.

Sasuke emagreceu e as olheiras escondiam seus olhos (nunca dormia bem pois sentia falta de Itachi ao seu lado ou simplesmente passava a noite chorando).

E ali estava ele, mais uma vez tentando arrancar alguma coisa, qualquer coisa que explicasse o porquê de ter perdido seu amado nii-san.

Itachi o encarou, inexpressivo, antes de virar as costas e caminhar em direção ao seu quarto. 

                    ∆∆∆

-Aqui está - Itachi deixou um envelope na sua frente, na mesa, enquanto Sasuke tomava um pouco do seu café instantâneo. Isso acontecia todo mês desde que o primogênito decidira que Sasuke já podia cuidar de todas as suas coisas sozinho, entregava-lhe sua parte da pensão que recebiam pela morte dos pais. 

-Obrigado - murmurou entre goles.

Itachi assentiu.

-Ah, e, otouto, feliz aniversário.

Uma pequena chama dançou no coração do caçula. Itachi ignorava seu aniversário (e ele próprio) desde aquele dia em que o enxotou da sua cama, e nunca mais o chamara de otouto. 

-Obrigado - falou, feliz dessa vez. 

-Você quer alguma coisa hoje?

A esperança inundou seu peito. Seria possível resgatar seu nii-san, afinal? Lembrou do antes, quando os dois passavam seu aniversário juntinhos comendo besteiras e assistindo filmes que o caçula adorava. 

Mas é claro que não pediria isso. Itachi jamais aceitaria. 

-Itachi, você... você pode... -corou, envergonhado e com medo de continuar.

-Sim...? - o mais velho incitou.

-Você pode me dar um abraço?

Itachi sorriu, sem graça. Antes de afagar os cabelos rebeldes do irmão. 

-Otouto, que coisa idiota. 

Pegou suas pastas e mochila e saiu. 

Sasuke suspirou, contendo as lágrimas.

Imagine se eu tivesse pedido que passasse o dia comigo. 

                     ∆∆∆

-Eu não a quero aqui - disse, ríspido.

-A casa não é sua, Sasuke. Sou eu quem mando aqui, e ela vai ficar - falou num tom claro de que não haveria discussão. 

Sasuke estava prestes a chorar, seu peito doía, uma dor íntima, proibida. Por que Itachi não entendia seus sentimentos? Por que o tratava tão mal quando aquela coisa recebia todo o amor que deveria ser dele? 

E agora Itachi aparecia com a coisa falando que ela moraria com eles. 

Sasuke teria que lidar com aquilo, sabendo que era ela quem acordaria sobre o peito de seu irmão, vendo (mais ainda) ela receber seus beijos, seus abraços, os toques que o caçula tanto desejava. 

Não conseguiu conter-se dessa vez e desabou em choro na frente do primogênito.

Vendo aquela cena, por um momento, Itachi voltou a ser como antes. Deixou transparecer toda a preocupação que sentia pelo seu caçula.

-Otouto? Ei, não chora, por favor. 

Aproximou-se, abraçando o irmãozinho. 

-Por que tudo isso? Por que não quer minha namorada aqui? Não chora otouto, calma. 

Sasuke aconchegou-se, aproveitando a atenção que não recebia há anos. 

-Não faz isso comigo, nii-san, dói. Dói tanto...

-O que dói, Sasu? - perguntou, como se falasse com o Sasuke de 6 anos que acabara de levar um tombo.

Sasuke ergueu a cabeça, só o suficiente para encarar aqueles olhos escuros, tão idênticos aos seus, que transbordavam amor. Quis tanto aquele olhar dessa forma sobre ele outra vez, e não os olhares frios e indiferentes que recebia. 

-Eu te amo, nii-san - soltou, num sussurro.

-Também amo você, otouto. 

Sasuke sorriu, doce. Em seguida colou seus lábios aos do irmão em um selinho demorado. 

Itachi vacilou, inebriado com aquela textura que tanto se reprimiu por desejar desde "aquela noite". Sasuke aprofundou o beijo quando viu que o primogênito não o afastara e Itachi permitiu-se aproveitar aquilo, aquilo que fez o possível para evitar, aproveitou por segundos, antes de recobrar seu lado racional e levantar num pulo, limpando a boca com as costas da mão. 

-Nii-san... - Sasuke chamou, choroso. Recebendo outra vez aquele olhar frio com o qual já estava acostumado.

-Você é doente - rugiu.

-Itachi, por favor...

-Izumi vai morar conosco, e eu não vou tolerar nenhuma falta de respeito sua com ela. 

Deixou Sasuke sozinho, para sofrer com a rejeição. 

                  ∆∆∆

Itachi encarava a criatura ruiva que estava grudada no seu irmãozinho como um chiclete.

Estava com Izumi na cozinha, preparando o jantar quando Sasuke entrou em casa sendo seguido pela ruiva. 

Izumi soltou um sorrisinho.

-Sasuke, quem é sua amiga? 

-Essa é a Karin - respondeu distraído. 

Itachi parecia que ia matar a garota só com os olhos, mas é claro que Sasuke não percebeu, os irmãos não se olhavam mais, nem ao menos falavam um com o outro. 

Não que a comunicação entre eles fosse a das melhores nos últimos anos, só que desde o beijo não trocavam absolutamente nenhuma palavra. 

Eram completos estranhos ali, e Izumi estava determinada a mudar o comportamento de ambos, por isso sempre procurava alguma coisa que pudesse fazer com que o namorado se dirigisse ao caçula.

-Ela é bonita, não acha Itachi? - comentou, fazendo as bochechas de Karin ficarem tão vermelhas quanto seu cabelo, o primogênito apenas deu de ombros - Não querem jantar com a gente hoje? - continuou a morena

-Não, obrigado. Nós já jantamos. 

Os dois subiram as escadas, enquanto o Uchiha mais velho ardia em ciúmes.

                  ∆∆∆

-O que você pensa que está fazendo pra ficar trazendo essa garota aqui?

Itachi tentou, tentou ao máximo se controlar pra não demonstrar que estava incomodado mas, na noite anterior, ao ouvir os gemidos dos dois, não conseguiu mais esconder sua raiva. Decidiu que falaria com o irmão no dia seguinte.

Sasuke arqueou as sobrancelhas, surpreso, tanto pela pergunta quanto pela visita inesperada no seu quarto. 

-A casa não é só sua, Itachi. Karin é minha namorada. 

-Você namoram?! - sentiu uma pontada no peito, acreditava que a ruiva era só um passatempo do seu caçula - Por que nunca me falou isso? 

-E desde quando você se importa? - rebateu, ríspido. 

O primogênito cerrou e descerrou os punhos, antes de assumir sua habitual expressão fria. 

-Não me importo, só fico contente em saber que meu irmão não é mais um doente. 

 Quando viu-se sozinho, Sasuke chorou. 

                 ∆∆∆

-Itachi? - chamou, batendo suavemente na porta - Estou entrando. 

Não queria que seu irmão sofresse sozinho, ele próprio havia passado por essa experiência mais vezes do que pôde contar. 

Mas, bem, Itachi devia estar sofrendo mais do que Sasuke sofria, ou não. Izumi não era irmã de Itachi, o primogênito não fora rejeitado e ignorado mas tampouco Sasuke havia sido traído pela noiva. 

Sentou na cama ao lado do irmão, Itachi não chorava como Sasuke pensara. Só tinha um semblante abatido.

-O que quer aqui, Sasuke?

O garoto de cabelos curtos encolheu os ombros.

-Só vim fazer companhia.

-Estou bem, não preciso. Vá embora. 

A última coisa que o Uchiha mais velho queria era ver seu caçula. Não conseguia entender a si próprio, acreditou que Izumi o salvaria dos seus sentimentos mas ficou foi feliz quando soube do que ela fizera, quando teve um bom motivo para livrar-se da mulher.

 Um motivo que não fosse o fato de amar outra pessoa. Amar alguém que não podia amar dessa forma. 

Sasuke ignorou a ordem do irmão, deitando junto com ele, como faziam a anos atrás, sobre o peito do primogênito.

O mais novo puxou o ar, aproveitando aquele cheiro tão bom do irmão que não sentia de perto fazia muito tempo. 

Itachi tremeu, lembrando da última vez em que estiveram assim, lembrando da razão para tudo aquilo que fizera, todos os esforços para afastar o irmãozinho até ele tornar-se um estranho para si. 

Moveu-se, encostando os lábios no pescoço do menor.

Itachi queria aquilo, queria desde "aquele dia", queria por mais que sua mente gritasse o quanto era errado. 

Mas estava inebriado demais para importar-se com isso, só Sasuke importava. 

E o caçula não fez nenhuma objeção quando Itachi começou a tirar sua roupa, tampouco quando o corpo do mais velho ficou sobre o seu, invadindo-o lentamente enquanto os dois Uchiha gemiam com o prazer tão desejado por ambos, revirava os olhos quando sentia o quadril do irmão ir e voltar de forma lenta e bruta, preenchendo-o. Os movimentos ficavam cada vez mais rápidos e profundos, fazendo a cama ranger e bater contra a parede. 

-Eu te amo, Itachi - sussurou no ouvido do mais velho antes de deixar sua boca divagar pelo pescoço deste. 

                   ∆∆∆

-O que nós fizemos? 

Sasuke acordou com a fala do irmão, e também porquê fora empurrado para o canto da cama. 

-Nii-san... -começou, mas foi interrompido

-NÃO ME CHAME ASSIM!

-Itachi, por favor....

-Você não entende, Sasuke? Não vê a desgraça que fizemos? 

O primogênito estava desesperado. Tudo que fez, tudo, foi por água abaixo em uma noite. Queria manter seu irmão longe disso, longe dos seus sentimentos, longe, longe dele.

Por que não controlou-se mais um pouco?

-Não tem nada de errado, eu te amo Itachi, não fizemos nada de errado. 

Ele encarou seu caçula, incrédulo com aquelas palavras, que droga era aquela que Sasuke falava? 

Riu, cínico.

-Me deixou tão doente quanto você

Sasuke contorceu o rosto belo em dor. 

-Nii-san...

-JÁ FALEI PRA NÃO ME CHAMAR ASSIM! EU NÃO SOU MAIS SEU IRMÃO!

Sasuke calou-se, sua felicidade destruindo-se por completo. 

-Por que você não some da minha vida? Por que você tem que ser assim? 

Perguntou o Uchiha de cabelos longos, enquanto recolhia sua roupa e enrolava-se num lençol, saindo do quarto e batendo a porta atrás de si. 

Sasuke ouviu o som do carro sendo ligado depois de um tempo. Ergueu-se, o rosto repleto de lágrimas e o coração, morto. 

Tomou banho, deixando a água gelada castigar sua pele por tempo demais. Vestiu a roupa que mais gostava e preparou uma mochila. Abriu a gaveta, recolhendo o dinheiro que juntara nos últimos anos.

A primeira ideia era comprar um presente para Itachi, algo que o faria esquecer seja lá o que Sasuke achava que havia feito para irritá-lo. Mas quando percebeu que nada faria seu irmão voltar a ser como era antes, simplesmente continuou a guardar a quantia, não fazia questão de ter muitas coisas onde gastar mesmo. 

Então foi isso que aconteceu? Seu irmão só o usara para esquecer sua decepção amorosa? Ainda achava-o um doente? 

Queria que Sasuke sumisse da sua vida? 

                      ∆∆∆

Itachi seguia para casa, depois de colocar os pensamentos em ordem. 

Dirigia decidido a pedir desculpas ao seu caçula assim que chegasse. Explicar tudo. Reconciliar-se. 

O que demais poderia acontecer, afinal? Não podia voltar no tempo e impedir a si próprio de atacar o irmãozinho. 

Então por que não aproveitar isso e admitir de vez o que sentia? Abraçar de vez o pecado do qual já provara?

Sua cabeça pesava, arrependido das palavras duras que dirigiu ao seu amado antes de deixá-lo sozinho depois de transar com ele. 

E também por todos aqueles anos em que fora um completo babaca.

Poderia resolver isso, Sasuke o amava, não é? Ele entenderia. 

Finalmente o mais novo receberia a resposta que sempre quis, a resposta que Itachi queria ter dado quando Sasuke deixou claro seus sentimentos sobre o irmão mais velho.

Mas nunca é tarde, era pensamento que rondava a mente do Uchiha enquanto ele estava animado e apreensivo por ter chegado àquela decisão. 

Chegou em casa e pôs-se a procurar seu otouto, mas ficou decepcionado quando percebeu que este não estava. 

Preparou a comida preferida do seu caçula ( ao menos era a que ele lembrava ser a preferida) e ficou esperando seu irmãozinho voltar.

Mas Sasuke não voltou naquele dia.

Nem no outro.

Nem na semana seguinte. 

Nem nos anos que viriam. 

                   ∆∆∆

Itachi muitas vezes acordava assustado, acreditando sentir o peso familiar no seu peito.

Abria os olhos na esperança de ver aquele rosto delicado, de ouvir a voz arrastada de sono murmurando que o amava antes mesmo de despertar por completo. 

O primogênito chorava quando a realidade o acertava em cheio, deixando claro que aquilo jamais ia acontecer outra vez. 





                  














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