História Desventuras de Lady Amélia - Capítulo 23


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Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Amor, Duque, Época, Escandalo, Gay, Histórico, Londres, Personagem Gay, Personagem Plus Size, Plus Size, Plussize, Romance, Romance De Época, Romance Histórico
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Palavras 2.010
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Famí­lia, Romance e Novela
Avisos: Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Sexo
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 23 - Capítulo 23


Amélia ouviu o grito antes mesmo de sair da carruagem.

Daisy foi capaz de assustar o marido que largou as roupas que carregava no chão olhando assustado procurando o porque da mulher gritar.

— Milly! — Daisy repetiu, berrando alto.

Amélia empurrou a porta da carruagem fazendo Thomas quicar do seu assento correndo atrás da mulher que repetia o nome da amiga colina abaixo.

Se jogaram com tanta força que Daisy mal pode manter o equilíbrio, Amélia precisou piscar algumas vezes para poder ver a amiga com clareza. Daisy tinha os cabelos pretos trançados ao lado da cabeça, e chorava tanto que soluçava, Amélia segurou sua bochecha e a puxou para outro abraço.

Fazia muito tempo que não a via, chorou muitas noites temendo que Daisy não aguentaria até o dia seguinte, as vezes gritando, as vezes gemendo e quando Amélia tinha mais medo, as vezes calada, mas a amiga estava ali, tinha sobrevivido.

— Você passa só esse tempinho longe e já volta casada menina! — Dayse limpou o rosto com o avental. — Tão bonita!

—Tenho tanta coisa para te contar, Daisy, tanta! — Amélia fungou, e deitou a cabeça na mão que Thomas apoiou no seu ombro.

Daisy voltou a limpar o rosto no avental e o cumprimentou com reverencia.

— Daisy Adkins, senhor— Daisy apontou para o homem que corria apressado atrás de uma das blusas que tinha derrubado no chão. —Meu marido Joan, estamos ao seu dispor.

— Iremos da uma volta na propriedade

— Sim sim, claro. — Daisy fungou e olhou para Amélia, esticando a mão. — No vemos depois.

— Avise a Kristen que cheguei, quero revê-la. — Amélia beijou as mãos de Daisy e as duas sorriram.

Thomas deixou as duas por alguns segundos e caminhou na frente, e entendia bem o porque do nome da casa, a plantação de jacintos rodeava a maior parte das coisas, parecia que as sementes foram jogadas de forma aleatória em toda a região, as cores, principalmente a roxa, espalhava da por todos os cantos, embaixo de arvores, perto das cercas, no chão ao lado da estrada, a propriedade era tomado pelas flores.

Thomas se ajoelhou e pegou uma, puxando delicadamente e virou, se qualquer surpresa se viu sendo observado pela mulher, que segurava o chapéu e tinha as saias do vestido esvoaçando, era quase uma miragem de tão maravilhosa.

Esticou a mão para ela e a puxou para perto, estendeu os braços e entregou uma flor a ela, e a viu cheirar de forma tímida e deitar a cabeça no seu ombro enquanto caminhavam.

— Foi ali que tudo começou.

Amélia sussurrou, e apontou para um campo, que não parecia ter sido tocado por muito tempo, o mato junto com as flores iam por quase mais de dois quilometro, Thomas pode perceber.

— O que meu bem? — Sussurrou e a puxou para seus braços, o olhar melancólico dela o assustando.

— Estava perto de fazer dezoito, estávamos voltando de Londres porque Alicia tinha tido sua primeira temporada, e no dia seguinte passeava no corredor, e fui falar com Kristen. — Fechou os olhos e se encolheu no peito do marido, não queria a dor que vinha do peito, mas entendia porque ela estava ali. — Mas eu não podia encontrá-la, até que me falaram que ela não viria trabalhar porque Eva estava muito doente.

— Não precisa me contar se não quiser. — Thomas sussurrou no seu ouvido e beijou o topo da sua cabeça.

— Eu não sei se quero sequer lembrar, mas é um peso que eu carrego comigo a anos. — Amélia beijou seu pescoço. —Jamais temi a morte, nunca precisei, minha mãe morreu ainda era muito pequena, tenho algumas lembranças, mas passou muito tempo para eu temer isso, por favor, não me pense mal, você consegue entender o que eu digo?

— Continue. — Thomas voltou a abraça-la.

— Eu nunca via morte com meus próprios olhos Thomas, mas naquele dia, quando fui na casa de Kristen, eu olhei dentro dos olhos dela. — Amélia saiu de seus braços e apontou para um ponto no meio do campo. — Era ali onde ela morava, Kristen, Eva e Brain. Daisy tinha ganhado uma casa do irmão por ter casado a metros abaixo, as duas eram vizinhas.

Amélia caminhou devagar até um ponto, e Thomas a seguiu, e ele pode reparar que Amélia estava em cima de um circulo e entre todo os lugares aquele era o único que não tinha mato, era só terra batida no chão.

— Bem aqui tinha um poço, o pai de Kristen o construiu. — Amélia chutou alguma terra e permaneceu alguns segundos em silêncio, até que virou o corpo e apontou para um ponto mais na frente,quase em uma colina. — Ali em cima, Seu Sam, o nome dele, tinha construído um chiqueiro de porco, a maioria que me lembre era, mas tinha de tudo, cavalos, bois, coisas que ele conseguiu comprar com o tempo, e como Kristen era a única filha que tinha ficado com ele, metade era dela.

— Vocês acham que foi dali que infectou a água? — Thomas perguntou.

— Nos disseram que sim, aqueles homens importantes que papai contratou, muitas outras moravam por aqui, algumas morreram, algumas foram embora, outras se moveram para o outro lado da propriedade, mas parecia que a morte tinha deitado nesse solo.

Thomas esperou em silêncio ela continuar.

— Quando eu entrei na casa onde Kristen vivia, Eva apenas reclamava que a barriga dela doía, e ela estava tento sérios problemas com diarréia, Kristen lhe dava chá , água e uma sopa constantemente, eu lembro que ela fez até um pão doce para ver se a menina comia, não achávamos que era muita coisa, e ai atacou Daisy, Eva ficou doente de manhã, Daisy caiu a noite, ela literalmente desmaiou no meio da nossa sala de estar, me lembro que ela se encolheu inteira, e pôs a mão na barriga e ficou ali de joelhos, caída ao lado do sofá. — Amélia continuou. — Depois Kristen caiu, e pareceu que tudo aconteceu ao mesmo tempo. Sam, foi o primeiro a morrer, depois veio Lauren, Haley, Kyle, Sarah, e não tenho mais certeza depois de quantos, mais quinze? Vinte? Lembro-me de cada rosto. Foi aterrorizante, muitos gritavam, e gemiam de dor, outros apenas estavam tão cansados demais para conseguir sequer abrir os olhos, eu me lembro dos choros, gritos, das rezas surradas, consigo lembrar-me da minha exaustão, e da nossa confusão: Porque eu, minha família, e algum de nós estava perfeitamente bem? Mas Eva estava tão perto da morte que mal abria os olhos? Ou Kristen mal tinha forças para chamar pela filha?

Thomas estivou a mão, mas Amélia não pegou, apenas voltou a olhar para os pés em cima do buraco no meio das flores.

— Eu me lembro do homem, ele tinha os cabeços mais brancos que ja tinha visto, era incrivelmente longos, mas eles os mantinha preso em uma trança, lembro-me que carregava uma muda de roupa para Lauren quando ouvi ele dizer ao meu pai, "Queime tudo conde, existe tantas formas que aqueles porcos podem ter sujado a água desse poço, que poderíamos ficar aqui e esperar mais pessoas morrerem." — Amélia fechou os olhos. — Foi ai que entendemos o porque não termos ficamos doente também, nos tínhamos outro poço e forma de tirar água, mas todo mundo que precisou usar aqui, ficou doente, recordo que o salão de Hyacinthus se tornou uma grande enfermaria, levamos todos que sobreviveram, ou ainda tentavam para lá, e eles destruíram tudo, sacrificamos todos os animais, queimamos todas as casas, as comidas, as roupas, as historias dessas pessoas. Foi difícil Thomas, foi uma dor que jamais poderei esquecer, entrei em Hyacinthus naquele verão e jamais retornei, não como a mesma pessoa.

Thomas olhou hipnotizado para ela, embaixo daquela sorriso gentil e aquele grande coração existia uma mulher capaz de massacra exercícios inteiros, estava tão fora de si que mal podia encontrar a língua.

— Por isso ficamos tão pobre, foi difícil manter tudo durante a doença e mais ainda reconstruir o que foi roubado de nós, até Libby nos ajudou, Jon doou mais de cinco mil libras, mas nos falimos de forma que mal poderíamos comer, mas não me arrependo de absolutamente nada, todo mundo tem uma casa, aqueles que não quiseram mais ficar aqui nos demos ajuda para recomeçar, eles são nosso povo, e os Morrison cuidam um dos outros.

— Amélia! — Alguém gritou e os dois olharam para trás.

Thomas observou com certa aflição uma menina, que mal se equilibrava na intensidade da corrida que dava sobre os dois pés, os cabelos castanhos voando pela velocidade, mais atrás vinha uma mulher loira, com um bebê no colo segurando a toca dele, e Daisy, que deixou a mulher atrás e acompanhou a criança na corrida.

Nenhuma das mulheres parou para cumprimentá-lo, todas se jogaram nas plantas, pulando até onde Amélia estava paralisada no seu canto, chorando silenciosamente, a menina foi a primeira a alcançar, e Amélia a girou nos braços.

— Que falta de educação, Eva! — A mulher com o bebê mal enxergou Thomas, e puxou a barra da saia para não se prender no mato baixo, e apoiou o bebê em um dos braços e apertou Amélia em um meio abraço. — Estávamos com saudades demais de você, essa menina quando soube que estava aqui saiu em disparada da cozinha, acordou o condado inteiro pelos gritos.

— Kristen! — Amélia apertou de novo a amiga e olhou para o bebê, que tinha a mão enfiada na boca e olhava curiosa para ela. — Quem é essa?

— Amélia Lucy. — Kristen fungou quando Amélia a abraçou, chorando copiosamente. — Não acho que existiria nome melhor a ela.

— Minha irmã! — Eva gritou e puxou a saia de Amélia, tentando chamar atenção a si. — Minha irmãzinha milady!

E Thomas ficou ali, parado, observando-as se abraçarem, e chorarem juntas, aquela historia era delas, ele ali apenas era afortunado de poder apreciar aquilo.

↠↞  

Henry assinou mais um papel, quando escutou uma pedra bater na sua janela.

Largou tudo em cima da mesa com pressa e abriu a janela da forma mais discreta que pode ansioso por mais uma carta de Richard, jogou discretamente a corta para ajudar ao entregador particular subir, mas afastou alguns passos atordoado quando Richard pulou a janela do seu quarto.

O baque surdo o fez quase tremer de medo, por mais que soubesse que ninguém jamais escutaria.

Richard limpou suas mãos nas calças e ajeitou a manga do paletó antes de olhar para ele.

Henry ficou alguns segundos em silencio esperando o próximo passo de Richard, mas o homem apenas sorriu de forma maliciosa e se sentou na mesa onde Henry assinava, passou o olhar discretamente pelos papeis, e os jogou do outro lado da mesa, e finalmente focou o duque.

— Surpreso com a minha visita? — Richard perguntou.

— Agradavelmente surpreso. — Henry levantou as sobrancelhas. — Porque está aqui?

— Posso ir embora. — Richard batucou os dedos sobre a mesa.

— Estaria tentado, mas me diga porque está aqui primeiro.

— Você me mandou algumas cartas, por isso pensei que não se importaria.

Henry sorriu para ele, mas fechou a janela.

— Acredito que fui incentivado pelas suas.

Richard levantou da cadeira e rodeou pelo quarto, e voltou a se sentar na poltrona que tinha ao lado da grande cama de dossel.

— Seu irmão fez um bom casamento no fim, acredito. — Richard observou Henry enrugar as sobrancelhas.

— Porque fala sobre ele? — Henry cerrou os olhos.

— Seu irmão uma vez me fez uma proposta. — Richard bufou. —Se é que pode dizer proposta, e eu tive que vender a parte entre a terra de vocês e a da mulher.

— Fiquei sabendo. — Henry respondeu serio.

— Eu acredito que tenho um coração muito bom Duque de Walsh, por isso vim aqui primeiro antes de qualquer outro lugar, quero da a Thomas a oportunidade de se arrepender.

— Se arrepender?

— Você sabe que sodomia é crime, eu tenho um coração bom, mas sou fiel as regras de conduta, pessoas como você são a escoria e a podridão da sociedade, porque acreditou que eu seria como você?

Henry sentiu o coração bater mais rápido, mas mal poderia piscar.

— O que quer dizer?

Richard soltou um risinho e balançou a cabeça.

— Chame Thomas, precisamos conversar.  



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