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História Desventuras de um isolamento - Capítulo 5


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Notas do Autor


Eu, aqui, demorando pra postar por causa da imensa imprevisibilidade dos meus surtos. Um dia eu tô me sentindo um lixo, no outro eu tô um jibaku bunshin de alegria.
Hoje é um dia lixo.
E eu amo conversar sobre quaisquer coisas, então nas notas finais tem um papo aleatório que eu vou fazer pra me animar.
Tô péssima pela queda de comentários no capítulo anterior, não me julguem. Conversa me ajuda.
Tô escutando: “Vale do Fim - Lucas A.R.T.”

Antes de irem, quero que saibam. Não existe bom e mal, pois é apenas uma questão de senso subjetivo. Todas as pessoas, são as duas coisas. Pois, afinal, a luz faz sombra.

e... EU DISSE QUE IRIA EXPLICAR PORQUE O BRICK ERA TOTÓ, NÃO DISSE? AGORA DALE FLASHBACK.


Agora podem ler, eu deixo.

[Não corrigido]

Capítulo 5 - Nostalgia


Sete anos antes.


Três minutos. O relógio aparentava berrar um tic tac quase doentio de tão repetitivo. Os ponteiros parecendo gongos vibrando uma melodia ritmada. A sala de aula continuava em silêncio. Todos ansiando um sinal. Um sinal que os diria que estavam liberados do cárcere voluntário ou obrigatório subjetivamente. Três minutos e estariam fora da escola.

Ou todos prendiam até a respiração, ou o desordeiro estava surdo. O que estava errado.

A professora fazendo o barulho mínimo de virar a página do livro, poderia ser escutado da sala do diretor de tão barulhento que se mostrava. Mas não era.

Era a ânsia. Ânsia por liberdade.

Desde que decidiram sem o menor êxito que fariam os outros enxergarem-nos como iguais, eles tinham de ir a escola. Claro, era a pior coisa, sabendo que o seu maldito pai — como o desordeiro caçula amava chamar — estaria em casa esperando um horário imaginário para fugir de seus livros.

Mas o que o desordeiro ruivo não sabia, era que o ser humanoide passava as horas do dia fora de casa. Caçando aos ares e o mundo um emprego, onde pudesse conseguir dinheiro. De maneira honesta. Pela primeira vez na vida.

Aquelas crianças determinadas o haviam conquistado afinal. Determinadas a provarem que eram seres humanos também. Como toda e qualquer pessoa. Não um vilão de desenho animado, que sempre perde no final. Os desordeiros prometeram, como objetivo mútuo. Essas crianças de apenas nove anos se mostrariam iguais às outras.

Ele pegou o primeiro ônibus que viu. Mojo teria de chegar rápido em casa, pois a hora de saída da escola dos meninos estava próxima demais. Estava atrasado.

O sinal tocou.

As crianças correram desesperadas, como se a professora não estivesse na sala, ás súplicas para andarem devagar. A porta foi aberta com tanta velocidade que o vento fez o favor de folhear pelo menos sete páginas do livro que a professora lia.

Brick pegou seu material civilizadamente. Algo que aquelas crianças não demonstravam se importar ao último sinal da semana. Suspirou para si mesmo e para os papéis que caiam ao chão lentamente na sala agora calma e quase vazia. Depois ele e seus irmãos quem eram os selvagens.

— Selvagens. — escutou ecoar na sala que ele achava estar sozinho segundos atrás.

A voz suave mas pouco aveludada. A criança guardava com delicadeza e lentidão os materiais adicionais numa bolsa monocolor. Reconheceu os fios de cabelos imensos quando os viu balançando pelos ventos da porta aberta. Deu um passo atrás depois de ver os olhos inconfundíveis lhe encararem com o mesmo tom de surpresa que ele tinha. Foi assim que teve certeza.

Blossom. Blossom Utonium.


***

Atualmente.



Tempestade. O ruivo pensava. Qualquer conversa que estivesse ocorrendo ali, parecia distante e cinzenta. Ou talvez uma peça benfeita de seus pensamentos pesados.

Ele relaxou sobre o colchão da cama. O breu extremo do quarto. Não se deu o trabalho de se levantar para fechar o pequeno escape de luz que a cortina deixava entrar no cômodo.

O mundo estava em terceiro plano e seus pensamentos eram mais importantes que isso.

Rastros de lágrimas secas, presos ao rosto. Os sentidos capitando tudo ao seu redor como algo melancólico e frio. O lençól o cobrindo do peito ao pés, parecia a coisa mais gélida do quarto. Tão alheio quanto a própria noite.

Suspirou. Pensava demais em coisas de menos. Ou coisas que deveriam ter morrido, sido esquecidas e apagadas. Guardadas a sete palmos do chão frio que sustentava suas lembranças.

O dia podia ter passado carregado e no piloto automático. Mas não adiantava correr dos problemas como o diabo corria da cruz. Era inevitável. E isso lhe cansava.

Adiar o inadiável, esperar o inevitável. Ver seus sentimentos despencarem sobre si. Tudo tão complexo e discordante. Tudo tão confuso e cansativo. Sentimentos não deveriam existir.

O frio passou a acomodar suas noites, seus pensamentos. Assolando os medos, acendendo o que já havia se apagado. Havia muito tempo.

Perdeu os olhos no teto escuro. Nem sua visão raio-x parecia funcionar no momento. Bom, ele não queria que funcionasse.

Fechou os olhos novamente, sentindo as únicas coisas quentes de sua noite, traçarem um caminho indefinido pelo rosto. As lágrimas caminharam pelo canto de seu rosto, pingaram no lençól molhado não de agora.

Seus músculos pareciam cansados, os olhos agora abertos, brilhando como se colírio lhe tampasse a vista. O ar preso enquanto seus músculos afundavam no colchão. A sensação o inundava. 

Nostalgia.


***

— Então vocês não são mais bandidos? — via a superpoderosa rosa perguntar, sua voz esganiçada lhe doía os ouvidos. Sua voz era irritante, sua pergunta era irritante. Ela era irritante. E sua aparência, ridícula.

— Sim. — respondeu seco, com os dentes travados depois de se cansar de explicar isso pelo segunda vez.

Os dois esperavam quietos sentados na escada da grande entrada da escola. As crianças correndo pelo grande jardim escolar esperando seus pais chegarem. Brick esperava o irmão chegar, coisa que ele não esperava de Butch depois que o mesmo ganhara uma popularidade desnecessária — aos olhos de Brick —, e não aparecia mais para ir embora a pé, como eles sempre faziam para ir para casa.

Ele apoiava a cabeça nas mãos, o tédio e a irritação competindo quem o dominaria primeiro. Estava quase desistindo de esperar o irmão azul, até escutar a voz vilã de seus tímpanos — Blossom — falar:

— Mas como eu vou saber que você não está mentindo? — o ruivo sentiu uma veia lhe saltar a testa.

Já não bastava todos os seus pensamentos pesados lhe perseguirem. Também tinha que aguentar, agora, aquela pessoa. Ela. O ser que por tantos anos odiou de nervos e alma. Odiou, por todos amarem e idolatrarem. Amarem justamente por lhes darem uma surra toda vez. E ainda ter que escutar o interlocutor dizer em plenas palavras “Então, mais uma vez, o dia foi salvo graças às meninas superpoderosas”.

A ruiva sempre tinha um plano, sempre virava o jogo, sempre o subestimava e o deixava para trás. Seu gênio quase idêntico ao do ruivo. Agora não parecia muita coisa. Parecendo mais um disco arranhado que não sabia trocar o vinil. Repetindo as mesmas perguntas. Tirando-o do sério.

— Pensei que você fosse mais inteligente. — pensou alto, sem se preocupar com o fato de que a ruiva o escutasse.

Silêncio. Seus ouvidos agradeciam enquanto procurava o irmão no meio da multidão. Os círculos de amigos conversando e rindo. Lhe davam uma gastura interna. Pois Brick não tinha isso. Nunca teve. Era apenas mais um menino excluído. Um monstro, como gostavam de lhe chamar. Ele lembrava dos rostos assustados das mães nos primeiros dias de aula. Elas puxavam seus filhos e diziam para ficarem longe dos três garotos. Boomer chorou muito naquela noite. Brick deveria ter feito algo, mas escutou calado. O que ele faria? Não poderia bater em ninguém, pois, oras, ele queria provar que era humano também. Então gritaria com elas? Diria que as pessoas estavam erradas por avisarem seus filhos sobre os três antigos vilões que destruíam até prédios, quando deveriam estar no jardim de infância? Será que esses três vilões mereciam perdão?

— Não seja tão grosso. — Brick se assustou. A ruiva falou repentinamente — Estou apenas garantindo que eles não estejam em perigo.

Eles? Ah, sim. As crianças que corriam e riam ao seu redor. As mesmas que lhes apontavam o dedo e lhes diminuíam por um passado que eles não escolheram. Simplesmente nasceram para isso. Para causar caos. E agora que eram apenas almas revividas querendo paz? Não. Ainda pagariam. Ainda seriam monstros que tiraram vidas. Ainda seriam apedrejados quando fossem à padaria. Ainda seriam exorcizados pelos religiosos quando passassem na frente da igreja. Ainda seriam motivo de cochicho e medo quando andassem juntos na hora do recreio. Ainda seriam monstros. Para sempre.

— Por que... Está tão triste? — Se viu assustado novamente. Não pelo falatório repentino da ruiva, e sim pela pergunta. Ele demonstrou? Estava perdido demais divagando que nem percebeu.

Fitou seus olhos curiosos e penosos. Sentiu ódio por poucos segundos, ódio da pena. Até sentir a pergunta lhe socar mais uma vez. Ele desviou o olhar, o perdeu no amontoado de crianças na frente do portão da escola. E pensou por segundos, enquanto sentia os olhos cor de rosa não fugirem de seu rosto.

— Acho que... Não somos nós os monstros dessa história. — o ruivo disse, se levantando, ao ver a superpoderosa azul caminhar em direção a irmã rosa sentada na escada. 

Andou até o irmão caçula que lhe acenava com o braço, de longe, no portão da escola. Chamando-o.

Deixou a ruiva sozinha, pensativa, naquele dia.


***

Atualmente.



Seus olhos agora secos sentindo que não viriam mais lágrimas. As lembranças lhe quebrando.

As lágrimas poderiam não sair. Ficarem escondidas no fundo de seu sentimental inóspito e inacessível. Guardadas com os sentimentos estranhos que brincavam com suas emoções. Que desafiavam seu olhar e semblante impassíveis.

Mas ele desistiu de entender. Foda-se. Eram sentimentos, ele não tinha que os entender, apenas sentir e aceitar.

Aceitar que tudo passou. Aceitar que o frio de seu quarto era sua culpa. Aceitar que o passado seria passado e não passaria disso.

Aceitar que era tão humano quanto qualquer um naquele mundo. Pois ele também tinha sentimentos.

Sentimentos fortes e doloridos.

Afinal, ele também era frágil. Como qualquer um naquele mundo.

Seus olhos fechados, esperando um vazio passear pela mente conturbada, e lhe dar segundos de paz. Para descansar, finalmente. Para esquecer, momentaneamente. E dormir.

Seus devaneios o afogando em um mar súbito e frio. Com ondas calmas e transparentes. O escuro tomando conta das pequenas vibrações que o mantinham no raso. Ele pensou se afogar nas próprias lágrimas, mas na verdade só perdia a consciência da luz inexistente do quarto, tonalizado num azul frio. Aproximando-se da imensidão negra. Perdendo o último raio de luz ao sentir a solidão pura o abraçar ternamente. Até tudo ficar escuro e imperceptível. Adormencendo.


***


— Onde estava? — a voz saiu inegrecida enquanto o semblante da morena permanecia de poucos amigos.

— Numa festa. — soltou inerte, como se não estivesse surpreso segundos atrás.

— À essa hora?

— Virou minha mãe, agora? — o tom de desafio fez a carranca de Buttercup antes reconhecível, agora o mastigar com ódio.

Ele engoliu um seco.

— Vá tomar um banho. — Sua mão apontou a porta do banheiro do quarto, enquanto sua cara permanecia mortífera. Butch sentia que se pisasse em falso, era sua cabeça que voaria para o chão.

— O que?! — perguntou incrédulo e rindo. Nervosamente.

— Não me faça repetir.

O moreno arfou o peito, sentindo os olhos da morena o condenarem friamente por se mexer sem pedir. Ele se sentia um pássaro engaiolado.

Estava cansado. E sabia que alguém descobriria cedo ou tarde de seu segredo. Cedo, bem cedo na verdade. Mas não sabia que seria a morena.

E não era o medo da boca de Butter soltar o que não devia para os adultos. Não, não, isso nem o importava. Era aquela cara.

Desde o começo, aquela feição da morena não parecia nem um pouco contente em dividir uma casa com eles. Discutirem pelo último quarto foi resultado desse mal humor e, claro, um boas vindas ao caos que aquela casa se tornaria. O maior medo dele, era ter aquela feição. Claro, nunca admitiria. Que tinha medo. Porém, sua infância lhe trazia boas e longínquas lembranças da sensação eufórica de lutar contra aquela cabeça-quente. Mas não poderia lembrar mais a frente na infância dolorosa e estagnada que ele e os irmãos passaram. Onde foram tratados como monstros. E os sermões fervorosos do irmão ruivo o fizeram abominar uma boa luta por muito tempo. Se ele levantasse um braço contra alguém, pagaria em casa, pelas mãos do próprio irmão. Porque, afinal, ele sempre fora mais forte.

E era essa mesma cara. Essa mesma expressão. Era a que o ruivo fazia quando ele chegava em casa depois de fazer besteira. Mojo nunca sabia das merdas que o moreno fazia. Só o ruivo.

E talvez seu enorme ego, que odiava perder e apanhar, fizeram-no temer aquela expressão.

Mas Brick desistira havia tempos. Tempos onde Butch aproveitou para espancar até uma lata de lixo, apenas para sentir a liberdade de chegar em casa e não ter uma carranca de ódio e desaprovação dizendo um “Não”, o esperando.

Como o ruivo dizia, eles cresceram, e não seria mais assim.

Foi aquela expressão medonha que atormentou sua liberdade por tanto tempo. Vê-la novamente, o enjaulava. Em amargura e dor, num passado estranho e atormentado pelo gosto metálico do sangue que sentia depois de um soco na cara. Um que ele estava com medo de receber agora.

— Banho. Agora. — escutou a voz da morena praticamente rosnar.

Ele caminhou estático, sentindo cada passo o lembrar um soco maciço. Encarava a morena como a criança que Brick um dia foi. Brick com tanto medo quando Butch. Medo do mundo. Medo por eles. E por tudo. E Butch sabia disso.

Abriu a porta do banheiro. E se trancou lá.




Notas Finais


Anjos, gostaria de saber a opinião de vocês porque esse capítulo foi cheio de gatilhos e foi MUITO difícil de escrever.




A seguir, um papo sobre anime.

ALERTA DE SPOILER DE FULLMETAL ALCHEMIST (Pra quem não assistiu, porque eu tô no começo):


Eu tô assistindo fullmetal alchemist, e na verdade, comecei ontem. Mas já amo o Edward. Ah, e meu personagem favorito é o Mustang, não me pergunte por quê.
Não, eu não shippo a Wirty com o Ed, por alguma maldição divina. Sei lá, meu amplificador shipper tá quebrado.
Eu literalmente achei esse anime por acaso na Netflix e comecei a assistir. Parece que ninguém assistiu ele, mas é impossível porque o anime é muito bom. Ah, e eu tô assistindo o antigo, de 2003, não o novo, de 2010, que eu vi que tinha.
Então, não tenho nenhum spoiler até agora. E não me dêem, por favor.
Minha teoria depois de assistir até o episódio 14 — sim, eu só assisti até o quatorze até agora —, é que aquela mulher — que eu escutei ser a Luxúria, acho que no primeiro episódio — tá perseguindo os irmãos Elric, o motivo, eu teorizo que seja pela transmutação humana que eles tentaram fazer pra reviver a mãe.
POSSO ESTAR REDONDAMENTE ERRADA, mas não quero que me corrijam, não quero spoilers.
Falem-me, quem já assistiu, quais a suas opiniões sobre o anime? E quem não assistiu, pretendem?

Até, um beijo e um abraço pra quem quiser <3


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