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História Desventuras no Dormitório Paradise (1 Temporada) - Capítulo 9



Capítulo 9 - Ritual à meia-noite


Mais uma lua cheia chegando numa sexta-feira...

Como havia sido combinado, era o momento de Jonas e Luna se reunirem para fazer mais um ritual, como ele havia prometido a ela. Depois das estranhezas das primeiras sessões, Jonas se mostrava mais receptivo com o que Luna fazia. De modo geral, era um pouco divertido o modo como ela lidava com tudo aquilo e como ela via o mundo ao seu redor.

Quando estava perto da meia-noite, Jonas se levantou da cama, trocou de roupa e foi para o quarto ao lado depois de verificar que não havia ninguém olhando. Bateu na porta devagar e esperou a resposta do outro lado, com base no que haviam combinado de dizer antes de entrar.

— Aqui estou, Lady Valerie — ele achava muito vergonhoso falar daquele jeito.

— Entre, ser de escuridão — e ela sempre respondia da mesma forma.

Quando ele entrou, tudo estava na mesma posição como das outras vezes: o quarto sendo apenas iluminado por candelabros com velas, as cortinas cerradas na janela de cor roxa, um espelho oval pendurado em uma das paredes, mas havia algo de diferente também. A cama havia sido empurrada para um canto da parede, uma poltrona estofada colocada na frente da janela e um tapete em forma círculo e rabiscado com giz, dando a impressão de que seria para algum ritual especial. Luna, ou melhor, Lady Valerie, estava sentada na poltrona e com os olhos fixos em Jonas desde que ele entrou, como se estivesse prestes a dizer algo de suma importância. Ela começou a tocar seu olho esquerdo e estendendo a mão direita na direção dele.

— Você, que é conduzido pela escuridão profunda — seu dedo indicador apontava. — Isso mesmo, falo de você. Chegou a hora de fazermos um pacto contratual.

— Um pacto?

— Sim, depois das várias sessões que já tivemos, acredito que seu espírito já esteja preparado para ir para a próxima etapa. A partir de hoje, você será meu braço direito para todo o sempre e, definitivamente, recuperará as memórias da sua vida passada.

— Compreendo — ele tentou não a decepcionar, caso não tivesse nenhuma memória para lembrar.

— Sente-se aqui — ela apontou para dentro do círculo. — Iniciaremos o ritual imediatamente. Não podemos perder tempo.

— Sim, Lady Valerie — mesmo sem entender direito, ele se sentou no tapete. Em seguida, ela se sentou de frente para ele.

— Feche os olhos e me dê suas mãos.

— Como?

— Acaso não me ouviu?

— Desculpe, vamos continuar.

Jonas estendeu suas mãos voltadas para cima e ela colocou as delas por debaixo. Ele sentiu que as mãos dela eram bem macias, mas resolveu não comentar e fechou os olhos.

— Vamos iniciar o ritual e entraremos em contato com o mundo espiritual inferior. Primeiramente, preciso me identificar para podermos prosseguir — ela suspirou e continuou. — Meu nome é Lady Valerie. Uma divindade da escuridão profunda, Tenebris. Vou atrair e distorcer este mundo até o caos e o desespero. O que vamos fazer agora é um pacto que vai abrir as portas para o mundo das trevas junto com meu antigo companheiro de tempos passados. Agora responda a eles.

— Sim, aqui estou para firmar um pacto — ele quase se perdeu ao tentar entender o que ela dizia.

— Ouça as vozes do abismo. Assim os portões vão se abrir. Consegue ouvir?

— Ainda não — ele tentou entrar na conversa confusa.

— Eu sei que isto não é fácil para um iniciante, mas tente se focar em suas memórias perdidas.

— I-Isto é mais difícil do que pensei, mas ainda não posso ouvir.

— V-Você não ouviu nada? Está chegando a hora de invocar o deus do mal. Se concentre, agora.

Depois de alguns segundos em silêncio, ela recomeçou a falar.

— Está conseguindo ver do outro lado dos portões? A espiral incomensurável do vazio.

— Ainda não — realmente, ele não sabia o que tinha que ver.

— Hã? Não está vendo? Você devia dizer “sim, estou vendo”!

Ela abriu os olhos, soltou as mãos dele e começou a suspirar como se estivesse cansada de fazer aquilo e, ao mesmo tempo, ele abriu os olhos também.

— Não acha que está se esforçando demais para fazer isso. Acho que não estou pronto ainda — no fundo, ele já queria ser liberado depois do que escutou agora a pouco.

Para ele, realmente, Luna era uma pessoa bem estranha para se lidar e compreender. Ela até parecia outra pessoa quando falava daquelas coisas sem sentido.

— N-Não estou forçando demais — ela respondeu meio nervosa.

Depois de dizer isso, ela começou a tocar seu olho esquerdo novamente como se ele estivesse doendo muito.

— A Percepção do Abismo em meu olho esquerdo está em desarmonia. Por que ele dói? Consegue sentir esta minha pupila de azul profundo?

— Você quer dizer verde, né — ele falou ao observar a cor esverdeada do olho.

— Verde? — Luna olhou no espelho de mão que estava em cima do sofá e constatou que era verdade. — O-Olhe para o outro lado agora! — Ela falou nervosamente e virou o rosto dele.

Ela quase o jogou no chão durante este processo e ele ficou sem entender o porquê da reação dela.

— Pronto. Parece que nós acidentalmente invocamos uma manifestação irregular das sombras.

— Como?

— É uma lástima, ser de escuridão. Era por isso que não estava dando certo o ritual. Você devia ter me avisado mais cedo que havia algo bloqueando meus poderes.

— Como assim?

— Quando meu olho está verde é impossível fazer um ritual, pois é quando percebo as manifestações estranhas que dificultam meus grandes poderes. Se demorasse demais e meu olho não voltasse à coloração azul, ambos teríamos perecido. Precisamos fazer uma pausa para eu poder concentrar as forças que havíamos acumulado novamente.

— Entendo — no fundo, Jonas teve vontade de rir do mal entendido com as cores dos olhos.

Algumas vezes, Luna já havia se confundindo com as lentes de cores diferentes e o modo que ela reagia com essa confusão, apenas demonstrava que ela podia parecer bem fofa, às vezes, quando Jonas presenciava.

Passados alguns minutos, ela prosseguiu depois que se sentaram um de frente para o outro.

— Infelizmente, vamos precisar cancelar o ritual, por enquanto.

— Puxa, que pena. Digo, isso é lamentável. Então irei me retirar — ele falou se levantando.

— Um momento, ainda não terminamos. Sente-se — ela falou num tom sério.

— Como assim? — Jonas se sentou novamente.

— Vamos fazer agora um ritual de purgação. O ritual proibido que vai exorcizar a manifestação das sombras que nos atrapalharam antes.

— Por que precisamos fazer isso?

— Para que na nossa próxima sessão, eles não nos incomodem novamente.

— Então eu ainda vou precisar fazer aquele ritual novamente?

— Sim, você precisa, mas não agora. Eu não esperava que você conseguisse invocar uma entidade desconhecida no meio do ritual. Parece que você tem mais poder do que eu imaginei.

— O que devo fazer agora?

— Primeiro, finque sua lâmina afiada no solo da escuridão.

— Quê?

— Apoie sua mão direita no chão junto comigo.

— Sim, entendi.

Ele estendeu sua mão no chão e ela pôs a dela por cima.

— Deixe-se levar pelo grande abismo da escuridão profunda.

Jonas tentou ficar calmo depois que ela o tocou novamente, como se fosse algo normal de se fazer.

— Ah, isto parece mais fácil que o de antes? — Luna perguntou.

— Um pouco — ele tentou não olhar para o rosto dela.

— Parece que é mais fácil ouvir as vozes agora.

— Ainda não ouvi.

— V-Você não ouviu nada de novo!

Ela deu um longo suspiro na direção dele e continuou:

— Ainda sinto a presença da manifestação das sombras perto de você. Saiba que quem se opõe a mim está condenado ao esquecimento.

— Ainda não terminamos?

— Ainda não. Só até você ouvir as vozes. Eu estou destinada a selar este mundo nas trevas eternas.

— Entendo — mas Jonas já queria sair daquela posição estranha, que, por muito pouco, seus rostos não se encostavam.

Depois de alguns momentos em silêncio, ela falou confiante.

— Ouviu isso? Foi um rugido sangrento sem som da dispersão da manifestação das sombras.

Ele meneou a cabeça negativamente e, em seguida, ela segurou nas bochechas dele e o encarou no fundo dos olhos.

— Você ouviu, certo? — Luna parecia meio brava ao perguntar.

Jonas apenas balançou a cabeça positivamente e ela o soltou.

— Que bom! Isso é ótimo! Acenda as luzes e apague as velas.

Jonas fez conforme ela havia pedido.

— Eu aspirava extinguir este mundo, mas inesperadamente, acabei me tornando a sua salvação — ela falou enquanto estava se sentando no sofá e apontou na direção dele. — Mas não se esqueça que aqui existe uma deusa da escuridão profunda que vai atrair este mundo para o abismo.

Nesse momento, as luzes subitamente se apagaram.

— Hã? A luz foi embora logo agora!

— Parece que foi um apagão.

— Logo agora que falei algo legal!

Depois de acamá-la um pouco para que ela não falasse tão alto, ele saiu do quarto para ver como estavam os disjuntores antes que alguém descobrisse onde ele estava antes.



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