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História Detective EYE - Capítulo 4


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Capítulo 4 - Caso 0: Vingança


 — Que mansão é essa? Não sabia que sua família era rica! — Sana saltou vendo aquele enorme complexo. 

— E não é. — Lia disse transtornada. Sua irmã tinha morado mesmo naquele lugar? Onde ela havia arranjado dinheiro para pagar aquilo?

— Eu vi casas desse tipo nas revistas. Custam mais de trezentos milhões de dólares. Isso é inacreditável! — correu até a entrada da casa. — Vamos entrar! — Sana disse colocando a mão sobre a porta. — Oh, está aberta! — disse sorrindo e depois entrando no local.

— Isso é estranho. — Lia seguiu a professora para dentro da casa. Elas subiram as escadas indo para o segundo andar.

O local também era grande e espaçoso por dentro. Era realmente uma mansão luxuosa.

Enquanto a professora bisbilhotava cada canto da casa, Lia olhava para a sala e tentava entender tudo aquilo. Era impossível sua irmã ter morado naquela mansão. Talvez ela foi forçada a viver ali. Pessoas ruins poderiam tê–la mantido ali. Era a única explicação possível.

— Julia! — Sana apareceu animada. — Acabei de perceber uma coisa! — se aproximou da jovem. — Já que essa era a casa da sua irmã, ela agora é sua não é!? — disse sorrindo e saltitando de alegria.

— Isso é besteira. — Lia olhou sério para a mulher. — Minha irmã não tinha dinheiro para comprar um lugar tão caro como esse. — observou em volta. — Talvez essa mansão seja o esconderijo de bandidos.

— O quê? — Sana estremeceu com a revelação. — O que você está falan...
Lia ouviu alguém subindo as escadas.

— Silêncio! — disse sussurrando.

As duas escutaram alguém se aproximando da porta. Sana tocou no braço de Lia e as duas correram para um dos quartos e depois entraram dentro de um closet escuro.

***

— Eu sei que você está aqui! — ouviu a voz grave de um homem.

— O que a gente faz agora? — Sana sussurrou e se encolheu em um canto do espaço.
Lia ficou perto da porta. Essa pessoa sabia que ela estava ali.

— Bom, eu vou ficar esperando aqui. — o homem continuou.

De repente ela sentiu uma pressão no olho esquerdo. Colocou a mão sobre o local. Talvez fossem as lembranças de sua irmã novamente. Ela não conseguia explicar aquela sensação, mas sentia que precisava liberá–la.

— Professora, a senhora precisa me bater! —sussurrou.

— O que? — disse horrorizada. — Eu sou sua professora, não posso bater em uma aluna. Isso é muito errado…

Lia precisava que algo a acertasse. Sana estava relutante. Lia decidiu partir para uma abordagem mais agressiva.

— Rápido. Não temos tempo. — fez uma pequena pausa. Ela não sabia xingar os outros. Mas não tinha escolha. — Sua afogada em dívidas! — disse fazendo cara feia.

Sana riu baixinho da sua aluna.

— Entendi o que você quis fazer. Mas infelizmente não fiquei ofendida. — se aproximou. — Você não precisa de um soco, se alguém pode te dar um tapa bem–dado.

O barulho foi alto. Lia se escorou na parede com o impacto.

As lembranças começaram aparecer como flashes. Pessoas mascaradas portando armas, as figuras de um microscópio, artigos de jornais, figuras de galo e leão e fotografias de pessoas.

— Já disse que não precisa se esconder! 

Lia ouviu a voz do homem no quarto ao lado. 

— Se esconde! — acenou para a professora. Depois levantou e foi até a porta. Se virou para Sana e fez sinal de silêncio.

— O que você está fazendo? — a mulher começou a se aproximar.

— Essa pessoa está atrás de mim. E melhor você ficar quieta e fugir quando der. E chamar ajuda. Entendido?

A professora acenou com a cabeça. 

Lia abriu devagar a porta e viu um homem de óculos escuros e careca sentado sobre uma poltrona. 

— Até que enfim você apareceu! 

O homem levantou. Ele era enorme. Lia começou a andar para trás. Quando ela tentou fugir, ele a puxou pelo rabo de cavalo e a arrastou até a sala.

Jogou a garota no chão e se sentou sobre o sofá.

— Eu tenho um recado da sua irmã morta: “Por que você não me esquece e se concentra em estudar para as provas?”

A jovem ainda deitada ficou sem entender aquela afirmação.

— O que você está falando? — sorriu. — Minha irmã nunca ia dizer algo desse tipo.

— Escute bem garota. Não me importo se vocês são irmãs. Se você continuar metendo o nariz onde não deve eu vou matar você! Sua irmã não vai voltar dos mortos. Você não pode só cuidar da sua vida!? Hein!? — disse de forma agressiva.
Naquele momento o ódio tomou conta da garota. As coisas pareciam estar cada vez mais claras.

— Eu sabia! 

— O que? — o homem disse arrumando seus óculos escuros.

— Minha irmã foi morta. — começou a se levantar. Olhou para o homem. — Foi você que matou ela, não foi? — disse indo para cima do homem, mesmo sendo uma formiguinha perto dele.

Ele levantou e a segurou pelo braço como se não fosse nada. 

— Você vai continuar com essa atitude? — deu um tapa bem forte na cara dela. Lia foi ao chão novamente.

Seu rosto estava queimando. Então, uma sensação estranha percorreu o seu olho esquerdo. As visões voltaram. 

Alguém recebia documentos, uma pessoa digitava em uma máquina de escrever, fotografias de pessoas posando com sinais de paz, viu em uma tela o número 13, uma maleta de dinheiro, pessoas mascaradas e armadas saindo de um carro e andando pela rua, e por último um prédio.

Depois que voltou a si, percebeu que ainda estava deitada no chão.

— Ei, garota. Isso deve ter doído. Você entendeu agora? Se você continuar se metendo nesse assunto as pessoas não vão acreditar que sua irmã morreu daquela forma.

— Seu idiota... — se levantou com dificuldade.  — Você devia morrer! Eu vou matar você! — disse fora de si.

O homem riu.

— Você é muito corajosa e... burra!

Lia pegou um vaso perto de uma estante da janela, enquanto o homem se aproximava. Ela tentou acertá–lo, mas era um jogo desigual. O homem desviou e acertou um soco no estômago dela. A jovem caiu no chão sem ar.

Viu a figura do homem portando um bastão na mão. 

— Acho que você vai ficar bem elétrica com isso. — disse admirando o instrumento. — Eu te dei duas oportunidades, eu não dou uma terceira. — disse aproximando o instrumento do olho esquerdo de Lia. 

A garota apertou os lábios em desespero e fechou os olhos.

***

Sana não podia ficar quieta ouvindo tudo aquilo. Se ela não fizesse nada Lia morreria e depois ela seria a próxima. Saiu do closet, foi para o quarto e andando devagar viu pelo corredor Lia ser acertada na barriga. Ela se aproximou mais. O homem estava de costas. Observou algo na mão dele. Ela não quis esperar para ver o que aconteceria. Ela correu e por trás acertou um chute na parte íntima do indivíduo. Ele caiu no chão se contorcendo de dor.

— Levanta, vamos fugir!!! — gritou para Lia. 

A garota ainda assustada seguiu a professora para fora da sala.

A enfermeira pegou seu celular do bolso e digitou o número da polícia. Depois olhou para trás se certificando de que Lia também descia as escadas. 

— Alô? É da polícia? Alguém está querendo matar a gente! — disse em desespero.

***

As duas se encontravam na enfermaria da escola. A professora terminou a ligação colocando o telefone no gancho. Suas mãos tremiam. Ela notou isso e sorriu fracamente.

— Tudo bem professora? — Lia apareceu com um uniforme de ginástica.

— Sim. A polícia não encontrou o homem.

— Entendo. Ele deve ter fugido. — disse se encostando na mesa.

— O que você acha de parar de investigar sobre isso? — disse nervosa. Estava com medo de continuar a investigação.

— Não vou. — a jovem respondeu séria.

— Nós duas podemos acabar mortas. — sorriu de nervoso. — Olha o que aconteceu com você hoje. 

— Não posso parar agora. Descobri que minha irmã foi morta por pessoas ruins. Preciso saber quem são e por que fizeram isso.

Sana olhou para frente.

— Eu entendo. Isso tudo parece ser parte de um crime maior. — se levantou da cadeira. — Isso prova que estávamos no caminho certo para achar as maletas de dinheiro. — sorriu — Onde estão os desenhos que você fez no carro? — se dirigiu até a bolsa da jovem. — Vou escanear seus desenhos e deixar aqui para o caso de acontecer alguma coisa com a gente. — se dirigiu a impressora e começou a fazer cópias.

Um silêncio constrangedor se estabeleceu entre as duas.

— Professora, você não precisa mais se envolver com isso.

— Como não? — sorriu se concentrando nas cópias. Mas ao mesmo tempo olhava de soslaio para a aluna.

— Eu quero continuar investigando, porque minha irmã era a única família que eu tinha. Mas você nunca conheceu ela. — olhou para a professora. — Você não precisa se meter em algo perigoso por uma pessoa que nunca viu.

— O que você está dizendo? — tirou o caderno da impressora, virou a folha e o colocou sobre o aparelho novamente. — Eu sou uma professora. — disse tentando parecer positiva. — Eu vou fazer o que puder pelos meus alunos.

Mais silêncio se estabeleceu entre elas. Sana ouviu a respiração profunda da jovem.

— De qualquer jeito, acho que já deu por hoje. Vou pra casa... estou confusa com tudo o que aconteceu. Sinto que não posso pensar em mais nada por agora. — Lia pegou sua bolsa e tirou o caderno da mão da professora indo embora.

Sana ficou parada sem reação.

***

Já era oito da noite, quando Lia chegou a pensão. Pensava nas visões que tinha tido nos últimos dias. Ela voltou sua atenção para os desenhos.

Tirou as folhas do sketchbook e espalhou sobre o chão do quarto. Aquelas imagens deveriam ser parte de algum quebra–cabeça.

Ela se concentrou nos números: 8247630673 e 13.

Depois nas quatro fotos de homens fazendo sinais de paz. Ela percebeu que
todos os estabelecimentos ao fundo eram de bancos.

Seu corpo estava todo dolorido. Ela se sentiu cansada e se jogou no chão do quarto.
Se recordou do dia em que a irmã tinha a levado para a pensão. Jennie não queria mais que Lia morasse na casa de parentes. A maioria deles não a tratava mal, porém cuidavam dela unicamente por obrigação. Eles não pareciam sua família. 
Lia começou a lembrar das palavras do homem que quase a matou. A única família que ela tinha foi morta. Naquela noite ela jurou vingança, enquanto chorava pela irmã.



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