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História Detenção de Março - Capítulo 17


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Notas do Autor


Oii Cupcakes <3! Estou de volta com mais um capítulo. Obrigada Princesa_Fefeh e iamshipprinessa pelo apaio. Espero que gostem. Boa leitura...

Capítulo 17 - Atitudes


ROMANCES MENSAIS

LIVRO III - DETENÇÃO DE MARÇO

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CAPÍTULO XVI - ATITUDES

Eu estava nervoso. Não havia motivos. Era só uma saída com a Mal em um domingo de manhã qualquer. Ainda assim, meu coração batia descompassado e minhas mãos estavam suando, enquanto esperava a garota de cabelos roxos descer do prédio de sua prima. Realmente não havia motivos, mas era a primeira vez que sairíamos juntos para fazer compras e passaríamos tanto tempo sozinhos sem ter algo para fazer como limpar o depósito ou o treinamento de patinação artística. E mais do que isso, eu me sentia ansioso para o que eu estava planejando para o nosso almoço depois de ir as compras.

Com as mãos no bolso da minha calça e os óculos de sol protegendo meus olhos da claridade, encostado no capô do carro. As poucas pessoas que passeavam naquela hora da manhã em pleno domingo me encaravam curiosos e isso me deixava ainda mais nervoso. Eu estava me sentindo estranho com a roupa que Austin e Barry haviam me obrigado a vestir. Segundo os idiotas que eu chamo de melhores amigos, eu precisava impressionar Mal, então me obrigaram a colocar uma calça preta mais apertada, sapatênis bege, camisa social branca e blazer preto.

E então Mal aparece, usando um vestido curto roxo com detalhes preto, uma jaqueta de couro preta e botas pretas de cano curto. Retiro meus óculos de sol e encaro a garota, completamente embasbacado. Era a primeira vez que eu via a garota usando maquiagem e ela não poderia estar mais bonita. Ela sorri levemente e vejo suas bochechas corarem diante da minha falta de jeito. Eu não tinha dúvidas de que provavelmente estava fazendo cara de idiota.

- Você está ainda mais bonita do que já é. - Elogio sem perceber e logo fico sem jeito ao encarar o sorriso envergonhado de Mal. O sorriso inocente, os olhos brilhando doçura. Ela estava perfeita e isso realmente não estava fazendo bem para o meu cérebro. - Quer dizer... bom, eu...

- Obrigada. - Agradece Mal, aproximando-se de mim, lentamente. Ela para de frente para mim e me encara por alguns instantes, analisando-me de cima a baixo. Quando nossos olhos se encontram, Mal parece ficar ainda mais corada e desvia o olhar imediatamente. - Você também está muito bonito.

- Obrigado. - Respondo, sentindo-me tímido com aquele silêncio estranho que se fez entre nós. Eu não sabia o que estava acontecendo, mas nós não conseguíamos nos encarar. Ainda assim, havia aquele desejo de falar mais, como se as palavras estivessem presas em minha garganta.

- Nós vamos no carro do Barry? - Pergunta a garota, um pouco surpresa. - Eu não sabia que dirigia e nem que ele o emprestaria para você.

- Eu não tenho carro e não gosto muito de dirigir, na verdade. Eu tirei a carteira de motorista, mas pouco tempo depois minha mãe começou a piorar e meu pai passou a gastar fortunas em tratamentos que não surtiram efeitos. Então eu desisti de comprar um carro. Quando eu preciso, Barry e Austin me emprestam os carros deles. - Explico, afastando-me do capô do carro. Respiro fundo e abro a porta do passageiro para que Mal entrasse. Sorrio e ela me encara com divertimento. - Milady.

- Oh, muito obrigada, milorde. - Responde a garota, aceitando a minha ajuda para entrar no carro. Sorrio e assim que ela entra, fecho a porta. Corro para o lado do motorista e encontro a garota, colocando o cinto de segurança. - Para onde nós vamos?

- Nós vamos comprar patins adequados para me apresentar no campeonato e mandar confeccionar a minha roupa. - Respondo e Mal me encara surpresa.

Demora alguns segundos até que a ficha parece cair para a garota que abre um grande sorriso e tenta se jogar para me abraçar, mas o cinto de segurança a impede. Rio, vendo-a voltar para o seu lugar, completamente sem graça. Suspiro e a abraço, não demorando muito a ser correspondido, ainda que ela estivesse um pouco tensa.

- Obrigada. - Sussurra Mal contra meu ouvido e sinto meu corpo se arrepiar diante da ação. - Você não sabe o quanto está me salvando.

- E você à mim. - Respondo, inspirando o perfume delicioso de Mal. Preciso fazer um grande esforço para me afastar. Eu estava começando a perder o controle de mim e isso era tudo o que eu menos poderia fazer. Não agora que nos tornamos amigos. - Bom, como você é a especialista, pensei que pudesse me ajudar a escolher o melhor patins para usar na apresentação e um lugar onde devo ir para confeccionar a roupa. A treinadora Lisa disse que a Evie já tinha desenhado a sua roupa para a apresentação. Imaginei que ela também pudesse ter feito o modelo do seu parceiro também.

- É claro que fez. - Responde Mal, sorrindo. - Desde que eu contei que a treinadora havia feito a proposta para você ser o meu parceiro oficial, ela trabalhou como uma louca para fazer a sua roupa. Inclusive me mandou o modelo. Eu estava esperando você aceitar a oferta para te mostrar. Obrigada por ter me chamado para te acompanhar.

- E quem mais poderia fazer isso além de você? - Questiono e ela me encara, sorrindo agradecida. - Agora vamos. Nós temos muito o que fazer hoje.

- Achei que fossemos apenas comprar seus patins e fazer sua roupa. Você tem mais alguma coisa em mente? - Pergunta Mal, curiosa.

- Sim. - Respondo e ela me encara com expectativa. - Mas é surpresa. Primeiro vamos cuidar de nossas obrigações. Depois, a diversão.

- Então para que me contar que vamos a outros lugares se você vai guardar segredo dos nossos destinos? - Resmunga Mal, enquanto eu ligo o carro. Rio do bico infantil que fazia e seguimos para a primeira loja de muitas que nós visitaríamos.

- Você não vai se arrepender. Eu prometo. - Respondo e ela suspira, inconformada. A pressa e a curiosidade insaciável de Mal sempre me divertia. No fim, eu acabava sendo alvo de tapas doloridos, olhares assassinos e rosnados frustrados.

Por sorte, mesmo sendo domingo, todas as lojas que vendiam artigos para patinação artística estavam abertas. Aos poucos, conforme conversava com a garota, mais calmo eu me sentia. Os comentários ácidos e sarcásticos de Mal me divertiam e aliviavam o clima tenso que havia entre nós. Ela também contava algumas de suas histórias na patinação, sobre a sua maior rival, Uma, e como conheceu a treinadora Lisa e Ron.

- Depois que minha mãe negou me ajudar a entrar no mundo da patinação artística, eu andei por horas pelo meu bairro, chorando e questionando o motivo de nada dar certo para mim. E foi então que parei em um parquinho, onde várias crianças brincavam. Ron se aproximou com a irmã mais nova dele e me perguntou o que estava acontecendo. Acabei contando para ele e descobri que Ron e a irmã praticavam o esporte com a mãe. A treinadora Lisa procurava por uma parceira para o filho, então juntamos o útil ao agradável. - Conta Mal, sorrindo nostálgica.

- E desde então, nos últimos seis anos, ela tem treinado você para competir ao lado de Ron. - Complemento e ela assente, concordando. Permanecemos por um tempo em silêncio com a garota perdida em pensamentos. - Mal, posso te fazer uma pergunta?

- Você já fez uma. - Ironiza e eu a encaro com tédio. - Tudo bem. O que você quer saber?

- O que aconteceu com a sua mãe? Eu até posso entender que não morem juntas, já que meu pai incluiu na bolsa a moradia no dormitório estudantil da Auradon. Mas por que ela não apareceu no dia do seu aniversário ou no dia em que você precisou ficar internada no hospital para doar a medula óssea ao Hadie? - Questiono e vejo Mal ficar tensa no banco do passageiro. 

- Ela foi embora de casa quando eu tinha doze anos e voltou um ano depois. Desde então, ela não fala comigo e espalhou para toda a família que eu me envolvi com drogas, prostituição e destruí a vida dela assim como meu pai havia feito com ela. Eu não sei direito o que aconteceu, nem o que eu fiz de errado, nem o porquê de todos da família acharem que eu sou um problema. É por isso que eu tenho vivido praticamente sozinha desde que ela foi embora. Com Kara aqui, as coisas ficaram mais fáceis, mas eu ainda não podia estragar a vida da minha prima também. Eu já estava envolvida demais com Zevon e a gangue dele. Ele acabaria descontando nela qualquer atitude que eu tomasse. E foi por isso que assim que tive a oportunidade de morar no dormitório estudantil na Auradon, eu não pensei duas vezes em aceitar. - Revela Mal, limpando discretamente uma lágrima solitária que descia pelo seu rosto. - Kara é a pessoa que eu mais amo nesse mundo e a única da minha família que me defendeu, me apoiou e luta ao meu lado até hoje. Ela sempre tem um sorriso doce, uma história maluca para contar e um abraço caloroso para me consolar sempre que eu preciso. E agora que eu estou devendo muito dinheiro a Zevon, ficar perto dela pode ser perigoso.

- Nós precisamos colocar um ponto final nisso. - Afirmo, estacionando o carro. - Não pode continuar vivendo sobre a mira de Zevon. 

- Não há nada que eu possa fazer. - Resmunga a garota, cansada. Suspiro, inconformado. Ela olha em volta e me encara confusa. - Onde nós estamos?

- Esse é o Hawkins National Laboratory. Nós vamos almoçar com a minha mãe. - Respondo e Mal me encara como se eu fosse um assassino.

- Você não pode estar falando sério. - Fala a garota de cabelos púrpura, rindo. Ao ver que eu continuava sério, ela me encara desesperada. - Por favor, me diz que você não está falando sério. Que isso não passa de uma pegadinha.

- Mal, eu...

- Ai meu Deus! Ai meu Deus! Ai meu Deus! - Mal me interrompe, parecendo estar prestes a enlouquecer. - Almoçar com a sua mãe? A sua mãe, Ben? A sua verdadeira mãe?

- E por acaso eu tenho outra mãe? - Brinco e recebo vários tapas no peito como resposta.

- Cala a boca! Você ficou maluco? Como você tem a ideia insana de me trazer para conhecer a sua mãe? O que você tem na sua cabeça? Merda? - Questiona e eu a encaro, um pouco surpreso pela reação extrema dela. - Fala alguma coisa!

- Você quer que eu cale a boca ou fale alguma coisa? - Pergunto, fingindo estar confuso, enquanto eu a observo surtar com a notícia. - Escolhe um, porque não dá para fazer os dois ao mesmo tempo.

- Ah, eu odeio você! - Urra, dando mais tapas. Não consigo controlar o riso e isso a deixa ainda mais irritada. - Para de rir! 

- Desculpa, desculpa. - Lamento, tentando controlar a crise de riso. - É que eu realmente não estou entendendo o motivo de tanto desespero. É só um almoço.

- Com a sua mãe. - Ela responde como se tivesse me explicado toda a razão do desespero dela. Continuo a encara, confuso. - E se ela me odiar? Eu não sou uma dessas princesinhas ricas e cheias de glamour como as patricinhas da nossa escola. Eu sou só uma garota problemática que tem atrapalhado sua já complicada vida. Ela tem todos os motivos para me odiar. 

- Esse é o seu medo? - Pergunto, surpreso. Acabo rindo e recebo mais olhares assassinos em resposta. - Olha, para de falar besteira e vamos.

- Espera aí, Ben! Eu... - Antes que continuasse a ouvir as lamurias de Mal, saio do quarto e abro a porta de trás para pegar a cesta que eu havia trago. - Você trouxe uma cesta de piquenique? 

- Vamos longo. Nós já estamos atrasados. E minha mãe odeia atrasos. - Respondo e imediatamente Mal desce do carro, com o queixo erguido, ainda que eu soubesse que seu orgulho estava bastante ferido.

Rio do comportamento da maluca que tem tornado meus dias muito mais divertidos. Quando eu estou com ela, eu me sinto muito mais vivo e feliz. É como se ela tivesse um encanto único que recarrega minhas energias e faz com que eu me sinta um adolescente de verdade, pronto para fazer loucuras e não o jovem que teve que amadurecer rápido demais para entender que a mãe poderia morrer a qualquer momento e mesmo com dinheiro, ele e o pai não poderiam fazer nada além de assistir sua mãe definhando até a morte.

E assim, após nos identificarmos na portaria do laboratório, nós somos liberados para entrar. Mal estava tensa e pensativa. Ela estava realmente levando esse almoço a sério. Suspiro e entrelaço nossos dedos, enquanto a guio pelos corredores cinzas nos quais eu conhecia de olhos fechados depois de o percorrer todos os dias desde que minha mãe iniciou o tratamento dela há quase três anos.  

Cumprimento alguns cientistas que perambulavam pelo local até chegarmos ao quarto de minha mãe. Como de costume, bato na porta três vezes e espero a resposta da mulher. As três batidas de resposta me avisavam que ela estava bem e pronta para me receber. Sorrio e encaro Mal, que parecia prestes a ter um curto circuito por pensar demais nesse momento.

Abro a porta lentamente e coloco apenas minha cabeça para dentro. Assim como de costume, ela estava com um sorriso doce nos lábios, sentada na cadeira de rodas no colo, na varanda do quarto. Ela faz sinal para que eu entrasse e essa é a minha deixa para apresentar Mal a minha mãe. É por isso que eu abro a porta e puxo a garota de cabelos roxos para perto de mim.

- Mal, eu quero que conheça minha mãe, Bela Samovar Florian. Mãe, essa é a Malvina Faery, minha amiga. - Respondo e as duas finalmente se encaram. O clima é tenso e o silêncio de minha mãe não estava ajudando em nada. 

-  Prazer em conhecê-la, Sra. Florian. Eu sou a Malvina, mas pode me chamar de Mal. - Cumprimenta Mal à minha mãe, que se aproximava de maneira curiosa. - Desculpe por vir sem avisar.

- Oh, querida! Não se preocupe com isso. - Responde minha mãe, sorrindo docemente. - O prazer é todo meu.


Notas Finais




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