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História Detenção de Março - Capítulo 21


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Notas do Autor


Oii Cupcakes <3! E aqui estamos com o capítulo do dia. Espero mesmo que gostem. Muito obrigada Princesa_Fefeh e iamshipprinessa pelos comentários no capítulo passado. Boa leitura...

Capítulo 21 - Conversa


ROMANCES MENSAIS

LIVRO III - DETENÇÃO DE MARÇO

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CAPÍTULO XX - CONVERSA

Finalmente terminamos. Mal e eu encarávamos o depósito aliviados por termos nos livrado de todas as caixas e a poeira que nos cercava. Um suspiro cansado deixa meus lábios, enquanto me sento um pouco para recuperar as energias. Não havia sido fácil retirar todas as caixas vazias e colocar todas as lembranças do clube de hóquei em seu lugar.

- Terminamos. - Sussurra Mal, sentando ao meu lado, com um sorriso satisfeito em seus lábios.

- Acho que vou sentir falta dos nossos sábados de manhã, desvendando os mistérios do clube de hóquei. - Comento e a garota de cabelo púrpura ri, encostando a cabeça em meu ombro. Passo meu braço por detrás de sua cintura, puxando-a para se aconchegar em meu peito. Deixo um beijo no topo de sua cabeça e suspiro, cansado.

Minha cabeça estava um caos. Mesmo sem ter dito nada a Audrey, eu sentia que o Dr. Philip poderia agir a qualquer momento e toda essa calmaria ir por água abaixo. Eu também não aguentava mais as chantagens de Audrey. Depois de ter me declarado para Mal e ser correspondido, tudo o que eu desejava era gritar para todos o que eu sinto por ela, ao invés de ter que fingir que nos odiamos. 

No momento, apenas Evie, Austin e Barry sabem sobre nosso relacionamento. No entanto, eu sei que não posso continuar nessa situação para sempre. Por outro lado, o que eu poderia fazer? Eu não quero abrir mão de estar com Mal e também não me perdoaria se o tratamento de minha mãe fosse interrompido por minha causa. 

Suspiro e inspiro o perfume suave do cabelo roxo de Mal. Eu apenas queria que tivesse uma maneira mais fácil de resolver todos os nossos problemas. Com exceção de Evie, todos os amigos de Mal me odeiam e com razão. Depois de tudo o que eu falei e o que eles têm suportado por causa de Audrey, seria estranho se fosse diferente. Então mesmo que eu termine o falso namoro com a garota, não acho que eles aceitariam nosso relacionamento tão facilmente e isso nos levaria a mais problemas.

- Então é aqui que será realizado a festa de vinte e cinco anos do clube de hóquei da escola? - Pergunta Mal, tirando-me de meus pensamentos.

- Parece que sim. - Conto, pensativo. - Ontem eu perguntei ao meu pai o motivo de ter mantido esse lugar tão bem guardado por tanto tempo e ele me disse que ainda guardava ressentimentos do time que virou as costas para ele quando mais precisou. 

- Bom, se ele era mesmo um babaca antes do acidente, não é tão difícil assim acreditar que as pessoas viraram as costas para ele. Por mais cruel que seja, ele colheu o que plantou. - Responde a garota de cabelos púrpura. Suspiro, concordando. Ela então me encara com curiosidade.  - E o que o fez mudar de ideia?

- Vocês me lembravam Bela e eu quando mais jovens. Achei que precisavam de um empurrãozinho para se darem bem. - Meu pai entra no depósito de repente, assustando-nos. Mal se afasta imediatamente e o homem nos encara com um sorriso malicioso. 

- Diretor Adam! Você nos assustou! - Mal repreende meu pai, que ri e levanta as mãos em sinal de redenção.

- Desculpe. Eu não resisti. - Confessa o homem com um sorriso divertido em seus lábios. - Parece que eu atrapalhei um momento interessante.

- Nós já terminamos de arrumar o depósito assim como pediu. - Mudo de assunto, levantando-me do chão. Encaro meu pai e ele dá um fraco sorriso, enquanto ajeita os óculos em seu rosto. - Nós já estamos liberados?

- Claro. - Concorda meu pai, sorrindo. 

- Então vamos? Eu estou morrendo de fome. - Comenta Mal, pegando a mochila com o equipamento de patinação. 

- Claro. - Respondo, sorrindo. Pego a minha mochila que estava no chão, pronto para ir. Nós estávamos animados para ir ao Roller Jam, porque hoje eu aprenderei o tão temido salto Axel, o último salto que Mal e eu faremos na apresentação e o mesmo que deixou Ron afastado das pista de gelo por oito meses.

- Eu gostaria de conversar um pouco com o Ben, Malvina. Você se importa de ir na frente? - Pergunta meu pai e eu o encaro confuso.

- Claro. - Concorda a garota, um pouco cautelosa, enquanto me encara preocupada. - Eu vou te esperar lá fora.

- Tudo bem. - Respondo, vendo-a deixar o depósito. - Qual o problema, pai?

- Parabéns pelo bom trabalho que fizeram nesse depósito. - Parabeniza, encarando o depósito com um sorriso nostálgico. - Faz anos desde que o vi tão bem. Me traz muitas recordações de quando eu tinha a sua idade e jogava como capitão da equipe de hóquei. Nós sempre nos reuníamos aqui para brincar e descansar dos treinos pesados. Aqui era uma sala de descanso da nossa equipe antes de virar um depósito de caixas e muita sujeira.

- Obrigado. - Agradeço, confuso. Meu pai havia pedido para conversar comigo para falar sobre a história do depósito? Ele poderia ter feito isso na presença de Mal, afinal, ela me ajudou a deixar esse lugar limpo. No entanto, quando o homem me encara com seriedade, sinto que não era somente sobre isso que ele queria falar. - Pai?

- Termine com a Audrey. - Pede o homem e eu o encaro surpreso. - Eu sei que ela está te chantageando. 

- O quê? - Pergunto, surpreso. 

Meu pai suspira e se senta em uma das cadeiras que haviam no lugar. Deixo minha mochila de volta onde estava e me sento ao lado dele. O homem retira os óculos e esfrega os olhos, cansado. Ele havia passado a noite com a minha mãe, então com certeza não havia dormido nada na cadeira desconfortável do laboratório.

- Eu já desconfiava desse seu namoro com Audrey há muito tempo, mas preferi não me envolver. Achei que fosse algo passageiro e que essa tinha sido a forma que você encontrou de agradecer a Audrey pela ajuda que havia dado pelo tratamento de sua mãe. No entanto, nos últimos meses, você tem defendido atitudes terríveis dela contra os menos favorecidos da escola. Você sempre foi muito parecido com a sua mãe. Nunca hesitou em lutar pela justiça e em defender os mais fracos. Simplesmente não parecia certo você mudar sua visão de uma hora para outra. - Explica meu pai, voltando a colocar os óculos e me encarar. 

- Quem te contou? Barry? - Resmungo, sem acreditar que até mesmo meu pai havia descoberto sobre a chantagem de Audrey. - Aquele linguarudo! Nunca consegue guardar segredo. É impressionante como basta um olhar e ele logo...

- Não foi o Barry. Foi você, filho. - Conta meu pai. Eu o encaro sem entender o que ele estava dizendo. Como assim eu que tinha contado sobre a chantagem? Isso não fazia o menor sentido. - Eu ouvi sua conversa pelo telefone com a Malvina antes de eu ir para o laboratório. Eu achei estranho que vocês estivessem conversando por ligação tão tarde da noite e de forma tão... amável. Você contou que estava cansado de ser chantageado por Audrey. Eu fui para o laboratório e conversei com a sua mãe. Ela me contou os detalhes.

- Pai, eu... eu não tive escolha. - Respondo, suspirando cansado. 

- Eu sei, filho. Eu entendo, mas essa história já foi longe demais. Você já fez o suficiente. Eu sei que ama a Malvina. Posso ver em seus olhos o mesmo brilho que vejo nos olhos de sua mãe ao me encarar. Ela é uma boa garota. É inteligente, esforçada e te faz feliz. Desde que você começou a namorar com Audrey, eu nunca mais te vi sorri de verdade. Pelo menos não até ficar de detenção com Malvina. - Explica meu pai, sorrindo compreensível. Eu me sentia exposto e não sabia como reagir. Ao contrário da minha mãe, que eu sempre conversei sobre tudo, com meu pai era um pouco mais complicado. Não que a gente não conversasse. Eu apenas não conseguia me abrir com ele como faço com minha mãe. - Eu sei como você se sente, Ben. Eu já estive no seu lugar. Eu já tive que esconder meus sentimentos pela sua mãe, enquanto era chantageado.

- Esteve? - Pergunto, confuso. - Quando?

- Depois que eu voltei do hospital e me aproximei de sua mãe. Você sabe. Ela estava no auge de sua carreira, mesmo tendo apenas dezessete anos. Por outro lado, eu era o ex-jogador fracassado que tinha sido abandonado pelos supostos amigos. Ninguém nos queria juntos. Ela era a estrela da escola e sem poder jogar hóquei, eu era a decepção. Para impedir que eu interferisse na carreira dela, a família e os amigos dela começaram a ameaçar expor os meus problemas de família se eu não me afastasse. Na época, seu avô estava envolvido em alguns membros da Yakuza, que é uma organização criminosa japonesa. Eu não sei ao certo o que era, mas isso poderia causar muitos problemas a Bela. Imagina se descobrissem que a estrela do ballet estava se envolvendo com o filho de um criminoso?

- E como você saiu dessa situação, pai? - Questiono com curiosidade e ele me encara com um sorriso divertido.

- Na verdade, sua mãe resolveu. - Responde, dando de ombros. - Você sabe como ela é. Não demorou muito para ela descobrir o que estava acontecendo.

- Ela é tão incrível. - Comento, sabendo exatamente como minha mãe consegue ser perspicaz.

- No fim, nós começamos a namorar e fomos burros o bastante para engravidar quando ainda estávamos na escola. - Ele me lança um olhar desconfiado. - Espero que seja mais inteligente que a gente e não deixe que isso aconteça. Mesmo que você tenha sido a melhor coisa que aconteceu em nossas vidas, você ainda é muito jovem e tem um futuro grande pela frente.

- Eu sei. Não se preocupe com isso. Não vai acontecer. - Responde, sorrindo compreensível. 

- Ótimo. - Afirma meu pai, parecendo mais aliviado. - O que eu quero dizer, filho, é que você não tem mais que viver nessa situação, sendo chantageado de maneira tão baixa por aquela garota.

- Mas, pai, e o tratamento da minha mãe? - Questiono, alarmado. - Nós finalmente estamos chegando ao fim. Faltam apenas sete meses e enfim estaremos livres dessa maldita síndrome que tem nos atormentado há anos.

- Audrey não pode interferir nisso. - Fala o homem, surpreendendo-me. - Nós assinamos um contrato antes de iniciar o tratamento. O laboratório não pode interromper o tratamento da sua mãe sem que seja por causa de falecimento ou ordem judicial. Por mais que Audrey insista, os pais dela não tem controle algum sobre isso. Esse experimento pode ajudar a salvar a vida de milhares de pessoas e render lucros inacreditáveis para o presidente do laboratório. Acha mesmo que o Dr. Phillip se deixaria levar por causa dos desejos fúteis de sua filha? Querendo ou não, ele ainda é um empregado de Ted Wheeler. Duvido muito que ele desafiaria a autoridade do presidente do laboratório.

- Então eu... eu posso mesmo terminar essa farsa com Audrey sem colocar em risco a vida de minha mãe? - Pergunto, sem acreditar que minhas preces haviam sido atendidas. - Eu finalmente posso me livrar de Audrey e ficar com Mal sem qualquer peso na consciência?

- Você poderia confiar um pouco mais no seu velho, sabia? Se tivesse me contado antes sobre o que estava acontecendo, poderíamos ter evitado muitas dores de cabeça. - Resmunga meu pai com um tom levemente magoado. - Sua mãe não sabia dos detalhes do contrato e nenhum de vocês confiaram em mim para contar sobre o que estava acontecendo. Eu sou o seu pai, Ben. Eu movo montanhas se for preciso se for para te ver feliz, mas eu só posso te ajudar se você confiar em mim, filho. Eu sei que nem sempre sou o melhor pai do mundo, mas eu estou tentando o meu melhor para criar um homem forte, responsável e de bom caráter. Não quero que me veja como seu inimigo, Ben. Assim como a sua mãe, eu estou do seu lado. Apenas confie em mim.

- Eu confio, pai. - Respondo, pegando na mão de meu pai. - Sinto muito por não ter dito nada. Eu não queria te preocupar quando você já tem tantos problemas para cuidar. Com minha mãe vivendo no laboratório, você está cuidando de tudo e tendo que lidar sozinho com as nossas dívidas. Mas eu prometo que vou tentar me abrir mais com você. Eu te amo e tenho muito orgulho de você, pai.

- Eu também te amo, filho. - Declara o homem, levantando-se da cadeira. Ele abre os braços e sorri emocionado. Rio e o abraço apertado. - Eu também tenho muito orgulho de quem você é, Ben. Não importa o que aconteça, eu sempre vou te amar e prometo tentar apoiar você.

- Obrigado, pai. - Agradeço e ele me afasta.

- Agora vai atrás de Audrey. Termine esse namoro de uma vez por todas. - Aconselha, dando alguns tapinhas em meu ombro para me incentivar.  - Eu sei que você está esperando por isso há muito tempo.

- Tem razão. - Concordo, correndo até a minha mochila. Coloco-a em minhas costas e sorrio para meu pai. - Obrigado mais uma vez!

E sem esperar respostas, corro para fora do depósito. Meu coração quase não se continha dentro do peito de tanta animação. Depois de tanto tempo, eu finalmente terei paz. Audrey não pode mais me chantagear. Eu enfim ficarei ao lado da pessoa que eu amo sem qualquer culpa.  


Notas Finais




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