História Deuses do poder: A primeira tempestade - Capítulo 12


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Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Ficção, Luta, Magia, Mistério, Misticismo, Romance e Novela, Saga, Sobrenatural, Suspense, Universo Alternativo, Violência
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Canibalismo, Estupro, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


CAPÍTULO ANTERIOR

– Obrigado, Fulle. – Brixia estava trêmulo. Alguns movimentos bruscos o faziam delirar com a dor sentida no pulso deslocado, mas tinha certeza que não era nada comparado ao que Thor estava sentindo. – Isso vai doer um pouco. – Rasgou outro pedaço da vestimenta e colocou entre os dentes do homem grande e ruivo caído a sua frente. – Morda isso, vai ajudar. – Em seguida despejou o rum sobre a ferida em carne viva e ouviu os murmúrios desesperados do seu companheiro que se debatia em agonia. Jogou mais até limpar totalmente e em seguida espalhou a erva do vale, cobriu todo o profundo corte até que estivesse suficientemente protegido de bactérias e infecções. Amarrou a atadura com cuidado, Thor estava fraco e agora inerte, não enxergava nada além de um vão escuro e coberto de terror, mesmo ainda sendo dia. – Bom, estanquei o sangue e desinfeccionei. Logo você se sentirá melhor. – Suspirou brevemente aliviado, foi quando notou que a situação no navio não era nada agradável. “Pro capitão estar usando sua metamorfose, significa que a coisa vai ficar feia por aqui”. – Concluiu em seu íntimo, precisaria sair dali de imediato e retirar consigo Thor e Fulle.


PRÓXIMO CAPÍTULO...

Capítulo 12 - Água e fogo: Atrito!


Fanfic / Fanfiction Deuses do poder: A primeira tempestade - Capítulo 12 - Água e fogo: Atrito!

As asas do dragão moviam-se fazendo seu corpo pesado flutuar e ganhar altura, a garota que controlava o animal já postava-se sobre seu pescoço longo enquanto segurava firme as correntes presas a ele para manter o equilíbrio, pareciam fugir de algo em extrema velocidade. O topo do mastro mais alto do navio estava vinte e cinco metros mais abaixo de onde a fera sobrevoava agora, os tentáculos longos e ligeiros tentavam alcançá-lo, mas aquela altura parecia o limite de alcance que a criatura marítima conseguia atingir.

 – Então é aqui. – Disse para si reduzindo a velocidade e parando de ganhar altura, Ayla analisava toda a situação. – Maldito arqueiro intrometido. Maldito Lamyr! Deixá-lo ir pro mar foi um descuido e tanto... Tsc, vencê-lo aqui e agora será complicado. – Reclamou enquanto visualizava o Kraken erguer-se na água azul acinzentada, o animal era maior que o dragão Horn e possuía tantos tentáculos que jamais alguém pudera – ou quisera –  contar.

 – O que foi dragãozinho? Só ataca criaturas menores que você?! Hahaha! Desça aqui e sinta a fúria do Kraken! – O molusco que muito lembrara uma lula gigantesca possuía coloração rosada, dois olhos esbugalhados e uma boca imensa e repleta de dentes pontiagudos e compridos. Estava próximo ao navio que ao seu lado parecia um objeto comum, de lá Brixia observava os animais se confrontarem como duas bestas mastodônticas.

 – Humf... Você verá. – Ayla cerrou o cenho. Com um simples movimento de agito nas correntes a menina ordenou que o dragão descesse na direção do Metamorfo, em curtos segundos já ultrapassara a distância limite, nesse momento o Kraken agiu, eufórico. – Ficou maior, mas continua o mesmo idiota, Lamyr! – A mulher rugiu. Tentáculos aproximavam-se de Horn tão ligeiramente quanto ele pudera ser, o dragão agitou as asas com muita eficácia e seu corpo comprido subiu desviando de alguns ataques. Retomou voo declínio, novos membros longos e ágeis tornaram a surgir em seu caminho, atacavam o dragão como se fossem estacas e se o atingissem causariam danos consideráveis. Ayla guiou o animal seguindo para o lado esquerdo, mas por onde quer que fosse, o Kraken os perseguia com muita insistência. 

 – Pare de fugir seu dragão de bosta, ou suma logo de uma vez! – A voz grave e aguda estremecia as águas fazendo fugir animais próximos a área. – Desista menina, nos mares mando eu! – A besta mitológica perseguia o dragão com três tentáculos, o animal voador parecia seguir fazendo um círculo em volta do Kraken enquanto buscava escapar das presas do molusco. Horn conseguiu ser mais veloz e penetrou em meio a defesa de Lamyr, buscava aproximar-se em alta velocidade para não dar-lhes chances de defesa, porém, o pirata que agora possuía a forma de um Kraken gigante não seria pego com algo tão simples. Outros dois tentáculos surgiam diante de Horn saltando dos mares e tentando atingi-lo de baixo para cima, o dragão que tentava atacá-lo pelas costas esquivou-se no momento exato deixando seu corpo o mais inclinado possível, Ayla que estava sobre o pescoço de Horn precisou pressionar as pernas para não cair, seus dedos e mãos faziam tanta força para manterem-se firmes nas correntes que sentira até as feridas se abrirem na pele macia.

A aproximação entre os animais ocorria veloz, novos tentáculos do Kraken ousavam aparecer diante do dragão que era totalmente submisso a mulher que estava sobre si. 

– Nos mares você pode mandar... – Ela dissera alto o suficiente para que ele pudesse ouvir. Nesse instante as garras do dragão rasgaram ao meio dois membros do molusco com um simples movimento vertical, em seguida cuspiu uma onda de fogo calorosa o suficiente para queimar mais tentáculos e fazer recuar outras partes do Kraken que intervinham em seu caminho. – Mas estamos nos céus, e aqui mando eu! – Ela rugiu junto com o dragão que agora seguia numa diagonal e em declinação, o animal inclinava o corpo ganhando mais velocidade na medida em que aproximava -se do mar e também de Lamyr. 

 – Tenho um presente pra você! – Ayla bradou. Segurava em uma das mãos um pequeno frasco enquanto a outra permanecia firme nas correntes. – Não faça desfeita. – Ela sorriu. Removeu a tampa do objeto pequeno e o atirou na região da água próxima do capitão. No instante que o frasco atingiu o mar, um líquido escuro e que parecia ter vida própria espalhou -se tão rapidamente que alcançou um diâmetro de trinta metros em questão de segundos ao redor do Kraken gigantesco.

 – Mas que merda... – O Kraken soltou um grunhido estranho. – Essa porra é fibra viva. – O líquido viscoso parecia enrijecer conforme mantinha contato com a água. Alguns tentáculos do molusco já sentiam a densidade da fibra que aos poucos tirava seus movimentos, era como se algo extremamente pesado caísse sobre si, se ele permanecesse ali logo estaria totalmente paralisado. – Brixia... Fulle, segurem-se! – O molusco gigante alertou-os. Moveu o membro mais próximo por baixo da água dando ao navio um grande impulso, a movimentação no mar criou uma onda de grande tamanho e proporção, com sorte conseguiria tirar a embarcação que estava dentro do diâmetro atingido pelo líquido denso e estranho.

 – Mas que merda! – Brixia sentiu o tremor abalar a estrutura onde estavam, Escorpius ganhava altura rapidamente e parecia voar sobre as águas enquanto era lançado para frente em muita velocidade. As caixas empilhadas na lateral do navio despencavam uma a uma dentro da água, as bandeiras agitavam-se com a força do vento e os mastros balançavam mesmo presos ao piso do transporte marítimo. – Segurem-se! Acho que iremos naufragar! – Ele pressionava as mãos em volta de um dos mastros enquanto tentava manter o corpo deitado e firme no chão, Fulle segurava-se como podia e até Thor, que a pouco parecia não ter forças para nada, lutava pela vida segurando -se como podia.

A embarcação chocou-se novamente com o mar mais de cinquenta metros adiante de onde encontrava-se segundos antes, as madeiras estremeciam com a força e peso do impacto ocasionado, ondulações surgiam de todos os lados devido a pressão de Escorpius exercida na água,  as ondas chegavam a atingir quinze ou vinte metros de altura e largura enquanto outras menores vinham de encontro com a embarcação. O navio dançava subindo e descendo grandes alturas, era como se navegasse por sobre lombadas altas e baixas que faziam muitas variações. Parte de Escorpius afundou chegando ao limite, porém, não sofreu nenhuma danificação estrutural externa, e por ser um navio leve e bem delineado conseguiu manter-se acima do mar.

 – Isso foi... Incrível. – Brixia estava próximo a beirada da embarcação, sentia seus dedos latejarem e seus braços fracos e doloridos. Suas costas doíam devido aos vários abalroamentos com o solo, estava bastante molhado, culpa das ondas que caíram com frequência dentro do navio  durante a turbulência marítima. – Vocês estão bem?! – Bradou assustado, não conseguia se levantar de imediato.

– Não sei se seria certo dizer que estou bem, mas sobrevivemos. – Fulle dissera quase sem ar, encontrava-se ao lado de Thor e deitado de costas para o chão assim como o outro pirata, sentiam aos poucos a agitação marítima perdendo as forças.

 – O que diabos aconteceu?! Por que o navio voou dessa forma? Tsc, de voador Escorpius não tem nem o nome! – Balbuciou nervoso. Thor sentia dores por todo o corpo, mas a que mais o incomodava era na parte posterior da coxa, lugar onde havia sido ferido minutos antes. Após o ruivo terminar seus dizeres, Brixia lembrou-se que o capitão estava em perigo.

Horn sobrevoava dez metros acima do mar e três ou quatro metros fora do diâmetro alcançado pela fibra viva, ao comando de sua invocadora o dragão disparou uma rajada incandescente de fogo na direção da água atingida pelo líquido de coloração escura, além de ter uma densidade imensa conforme misturado com a água, a fibra viva era também um dos materiais mais inflamáveis existentes, em contato com o fogo poderia proporcionar desastres incalculáveis. O fogo espalhou -se com grande voracidade por sobre o mar, chamas incandescentes brilhando por cima de águas profundas e gélidas, tudo que estivesse dentro do alcance do fogo com certeza transformaria -se em cinzas numa questão de segundos.

 – Capitão! – O pirata de cabelos negros bradou ao ver o acontecimento, chamas laranja-azuladas tomavam conta de boa parte da região onde encontrava-se Lamyr, vários tentáculos agitados debatiam-se enquanto queimavam no fogo ardente que parecia não se apagar. – O navio voou por causa do capitão! Ele nos arremessou para que escapássemos do fogo! Maldição... Maldição! Se ele foi atingido por esse fogo, com toda certeza ficará muito ferido. Precisamos ajudá-lo! – Brixia gritou explosivo. Levantou-se ignorando todas as dores que sentia, ele não havia reparado, mas seu braço direito estava quebrado em três lugares diferentes e sua costela fraturada.

– Mas o que iremos fazer? – Thor questionou-o estando agora sentado, não conseguia se levantar por causa do corte profundo que parecia voltar a sangrar. – Não tem como nós vencermos um dragão! Se nem mesmo o capitão conseguiu, não seríamos páreo. – Findou sereno e visualizou o rapaz prosseguir em direção ao leme do navio.

 – Thor tem razão. De fato não seremos páreos pra aquele dragão... Mas não podemos abandonar o capitão. – Fulle falava enquanto erguia -se. – Temos alguns equipamentos de ataques para longa distância, Escorpius é uma embarcação de guerra, afinal de contas. Se conseguirmos usar, talvez tenhamos alguma chance. – Finalizou, mesmo sendo apenas um garoto, Fulle mostrara que aprendeu muito. 

– Se ao menos tivessem restado mais homens no barco, seria possível utilizar as bestas que equipamos. Thor não consegue andar, você, Fulle, é pequeno demais e não alcançaria a alavanca de disparo... Eu preciso pilotar o navio, fazer isso e atirar no dragão seria impossível. Além do mais, meu braço direito deve estar quebrado, sinto uma dor insuportável nele. – Brixia dizia enquanto caminhava com dificuldades até o leme da embarcação, seguiam para o lado oposto de onde o confronto entre as feras acontecia e ele tentaria fazer o retorno.

 Horn agora voava baixo e próximo das águas, mantinha as asas em movimentos calmos enquanto observava junto a mulher as chamas que haviam se alastrado parar aos poucos, sucumbindo perante a maré. – Huh, você me desafiou, Lamyr, não tive escolha. – Balbuciou em tom de voz baixo. – Será que eu o matei? Espero que não, ou todo esse combate terá sido em vão. – Sua feição ganhava novamente um ar de  serenidade. Quando as chamas esvaíram-se por completo, Ayla conseguira visualizar as marcas negras sobre a água e por um segundo pensou que fossem rastros do fogo misturados ao líquido denominado fibra viva, mas imediatamente entendeu que não era disso que se tratava. – Miserável... Como conseguiu?! – Os tentáculos do Kraken surgiram de dentro do mar em grande velocidade e com demasiada força, Ayla tentou direcionar o animal fazendo-o sair do ângulo do ataque, mas eram diversos membros e espalhados de uma maneira que dificultava e muito esquiva. A fera voadora conseguiu escapar com muita agilidade, encolheu as asas e deixou o corpo cair lateralmente para diminuir a probabilidade de ser golpeado, desta forma foi capaz de esquivar-se dos outros quatro tentáculos que faziam ataques agora num céu vazio.

“Não adianta, você apenas facilitou o meu trabalho!” – Lamyr pensou ao se expor novamente, junto a isso, três tentáculos saíram do mar e agarraram o dragão que estava bem próximo das águas, mesmo que tivesse notado o ataque  não possuiria tempo suficiente para uma esquiva.

 – Desgraçado! – Ayla gritou. – Mesmo a fibra viva não foi capaz de ocasionar uma ferida grave? Não posso acreditar. – Ela estava presa entre um dos membros do Kraken e a pele rígida do dragão, os tentáculos enrolavam-se por Horn como se fossem cobras e em três regiões diferentes; Pescoço, estômago e cauda.

 – Heh, se engana. Muitos tentáculos foram queimados e destruídos, mas são membros regenerativos e nessas regiões a dor é menor. Por sorte eu não fui atingido em nenhum outro local, ou talvez tivesse voltado a minha forma humana. – Balbuciou o Kraken pressionando os tentáculos que envolviam o dragão, tanto o animal quanto a mulher gemiam devido a dor do aperto nos ossos. – Contudo, acabou a brincadeira. Ambos irão morrer! – Ele espremeu-os ainda mais e percebeu o dragão esboçar uma reação, tentava forçar uma abertura de asas para que o movimento trouxesse também liberdade perante os membros que lhe prendiam, mas o molusco possuía mais força e parecia menos cansado no confronto. A menina aos poucos tentava sair de onde seu corpo estava preso, mas era tão apertado que ficava difícil até mesmo pra respirar.

“Merda, merda! Eu preciso pensar em algo urgente, ou morrerei esmagada como uma barata! Tsc... Não imaginei que esse pirata de bosta fosse tão poderoso, nem mesmo Horn conseguiu vencê-lo... Não consigo pensar em nada!” – Ayla matutava, sentia o suor frio sobre a pele enquanto os músculos contraíam-se devido a força exercida neles.

 – Me diga Fulle, o que está havendo lá? – O rapaz de cabelos negros que pilotava a embarcação atirou seu pequeno binóculo de um olho só na direção do garoto, ele agarrou o objeto e de imediato voltou a atenção para onde o combate acontecia.

 – O capitão está parado, parece que conseguiu imobilizar o dragão. – O jovial baixinho dissera. – Consegui ver a mulher, também está presa entre os tentáculos e parcialmente imóvel. – Concluiu. Permanecia a observar o cenário para entender melhor toda a ação que ocorria durante o combate.

– Ow! Eu sabia que o capitão conseguiria, isso explica a calmaria no mar. – Brixia riu ligeiramente e logo sentiu a dor tremenda tomá-lo novamente, seu braço quebrado estava imóvel e suas costelas fraturadas, ele utilizava o braço útil para girar o leme, mas devido a correnteza da água no mar a embarcação custava a mudar sua rota.

 – Essa transformação é incrível, pena que o faz perder um pouco os sentidos e a noção. Por isso, nem sempre é confiável estar por perto. – Thor informou. –  Ainda acho loucura nos aproximarmos. – Terminou os dizeres enquanto tentava caminhar até onde Brixia manuseava o volante da embarcação, estava mancando e sentindo muita dor.

Nesse momento um estrondo fora ouvido na superfície de Escorpius, um homem completamente molhado e exausto jogou-se no chão, parecia ter vindo do mar e escalado pela lateral do navio.

 –  Yvin! – Thor fora o primeiro a notar a presença do homem que respirava com muita dificuldade. – O que houve?! – O grandalhão ruivo  questionou, segurava-se em um mastro para não cair.

 – Aquela vagabunda... – Suspirou profundamente, permanecia com o corpo deitado e as costas apoiadas no solo. – Quase me matou. – Tossiu cuspindo uma dose considerável de água, em seguida virou-se ficando de lado e cuspiu mais e mais do líquido salgado engasgando-se algumas vezes. – Siga o caminho até a ilha, marujo. James consegue cuidar de si mesmo sozinho. – Estava tão exausto que mal conseguia reclamar.

 – Yvin, que bom que está vivo. Achei que tinha sido envolvido no fogaréu criado pelo dragão. – O jovial que estava no controle do navio dissera. “Mas, vaso ruim não se quebra assim tão fácil, né?” – Pensou por fim. Prosseguiu tentando mudar o destino de Escorpius, mas o vento e o mar não estavam ao seu favor.

– Merda! Tem algo vindo muito rápido na direção do capitão... É uma espécie de coruja, ou algo do tipo. – Fulle bradou agitado e isso chamou atenção dos demais presentes no âmbito.

 – E qual o problema? O que uma pobre coruja poderia fazer contra o capitão na forma de um Kraken? – Brixia sorriu. – Me mantenha  informado, Fulle, mas diga apenas coisas necessárias. – Ele dissera quase que interrompendo o menino.

 – O problema é que é uma coruja feita de rocha e cinquenta vezes maior do que uma comum! – Ele afirmara. – Tem uma mulher sobre o pássaro e o capitão parece não tê-los enxergado ainda! Precisamos avisá-lo imediatamente! – O rapazinho correu até a beirada do navio tentando ficar o mais próximo possível de Lamyr, devido estarem num ambiente completamente aberto, a chance do animal ouvir seus berros era minúscula. – Capitão! Capitão! Cuidado! – Sua voz parecia perder -se na brisa que pairava sobre as águas. Mesmo assim ele tentou, gritou alto depositando toda sua força enquanto apontava para a direção de onde vinha o pássaro, cada vez o objeto se aproximava mais do capitão.

 – Porra, esse navio é muito lerdo! Vira, vira, vira! – Brixia mudou sua feição, estava tão nervoso que ignorava até mesmo as dores horripilantes nas costelas e braço, precisava chegar ao capitão o quanto antes, ou ao menos alertá-lo sobre os riscos que corria.

O Kraken caçoava dos seus inimigos enquanto apertava-os entre seus tentáculos, por mais resistentes que ambos fossem, ele por nenhum segundo sequer afrouxou, não daria a chance deles escaparem. – Hahahahah! Você me parece tão frágil agora, garota! Eu avisei, vocês deviam ter ido embora quando eu dei a opção! Agora pagarão pelo erro com suas próprias vidas! – Ele usou mais membros enrolando o dragão junto a mulher quase por completo, quando forçou as partes sobre os corpos já enfraquecidos, ouviu um barulho baixo e distante, como uma mosca zumbindo pequenina e discreta próxima aos ouvidos. – Ora! O que aqueles burros estão fazendo?! Eu os tirei daqui com muita dificuldade e eles ousam voltar?! Puta merda, não imaginei que fossem tão idiotas. – Dissera enquanto avistava o barco a mais de sessenta metros de distância, alguém de lá fazia gestos nos quais o Kraken não conseguia compreender com exatidão, até que o som de algo cortando os ares fora notado à sua direita.

Somente houve tempo de Lamyr retomar o olhar para a direção cujo qual vinha o som, a ave composta por uma rocha mais resistente e densa que as comuns colidiu brutalmente contra a face do Kraken. A velocidade somada ao peso do objeto lhe garantia uma força incalculável, o golpe empurrou o animal marítimo o fazendo estremecer e cair para trás, uma ferida enorme se abrira nas proximidades da testa e supercílio do molusco gigantesco, a visão do animal estava turva e ele afundava aos poucos, sem ter forças para manter-se na superfície, sentira como se toda a sua energia corporal se esvaísse de uma única vez.

Ma-mas o que aconteceu? Estava tudo bem e de repente...” – O corpo gigantesco e cheio de tentáculos agora não passava de um homem franzino e desacordado, que cada fez mais aproximava-se do fundo misterioso e inatingível do mar enquanto uma escuridão igualmente estranha tomava lugar em sua mente. “Será que é esse o meu fim?” – Fora seu último pensamento antes do mergulho profundo no breu que invadia sua mente roubando por completo a lucidez.



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