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História Deuses e Semideus lendo Percy Jackson e os Olimpianos - Capítulo 3


Escrita por:


Notas do Autor


Oii gente!
Mais um capítulo pra vocês!!
Espero que gostem😊

•Leiam as notas finais por favor•

Capítulo 3 - Três Velhas Senhoras Tricotam As Meias Da Morte


Percy Jackson estava exausto.

Depois de adormecer, na noite anterior, teve vários pesadelos que duraram a noite toda.

Ja era manhã e a única coisa que os campistas falavam no almoço era dos livros. O que não ajudou em nada o humor de Percy.

Enquanto comia suas  panquecas azuis, Percy se lembrou da conversa que teve mais cedo com Luke.

*FLASHBLACK ON*

Percy estava sentado do lado de fora do chalé 11. 

Ele havia tido uma péssima noite de sono, pesadelo atrás de pesadelo. Nenhuma novidade.

Desde que matara aquela Fúria na Academia Yancy sua vida estava muito confusa. Não saber quem é seu pai e viver como um indeterminado no acampamento não ajudava em nada.

Toda essa história de livros do futuro só servia pra deixar ele mais confuso.

Por que os livros tinham o nome dele?

Por que era ele que narrava?

O que ele faria de tão importante que fizesse com que as próprias Parcas parassem o que estava fazendo para escrever livros?

Será que as Parcas também eram escritoras?

Percy estava tão perdido em pensamentos que não reparou quando um rapaz loiro de olhos azuis se sentou ao seu lado.

— No que esta pensa cara?— questão Luke.

Luke estava com uma bermuda bege, sandálias e a camisa padrão do Acampamento. O sol forte do meio dia rekuzia sobre seus cabelos e sua cicatriz.

— No quão maluca minha vida se tornou em tão pouco tempo— confessou Percy.

— Realmente,— disse o loiro— pelo que já lemos sua vida mudou bastante. Mas não é só isso neh?

— Sinceramente? Eu estou com raiva! 

— Do que exatamente?

— De tudo! Estou com raiva pela morte da minha mãe, estou com raiva pelo meu pai não dar sequer um minuto para me reclamar, estou com raiva desses livros! Estou com raiva de tudo!— Percy despejou tudo aquilo em um fôlego só. Estava precisando desabafar, e por mais que conhecece Luke a pouco sentia que podia confia nele. (N/A irônico não? kkk)

Luke sorriu internamente. Percy poderia ser bem fácil de convencer a se juntar a sua causa. É claro que Luke já tinha convencido alguns campistas a jurarem lealdade a Cronos, mas quanto mais melhor.

Mas antes de conseguir falar qualquer coisa a concha foi tocada, estava na hora do almoço. O quer dizer que estava quase na hora da leitura. 

*FLASHBLACK OFF*

Percy ficou pensando se deveria ter dito todas aquelas coisas a Luke.

Ao acabar de almoçar Percy se dirigiu para anfiteatro junto com os outros campistas.

Os Deuses já estavam lá, igual na noite anterior.

Os campistas se espalharam pelo anfiteatro. Todos estavam muito ansiosos para a leitura, afinal quem não gostaria de saber o futuro?

Percy se sentou entre Grover e Annabeth.

— Cara você tá horrível!— disse Grover.

— Poxa obrigado Grover, é sempre bom saber que posso contar com a sua sinceridade— murmurou Percy em tom sarcástico.

— Você dormiu?— questionou  Annabeth em um tom preocupado.

— Dormi, mas bem pouco— respondeu Percy com um meio sorriso. Alguma coisa dentro dele se acendeu ao perceber que Annabeth se preocupava com ele, mesmo que só um pouco.

— Hum hum— pigarreou Zeus— Bom acho que já podemos começar. 

— Quem vai ler?— questionou Poseidon.

— Passa pra cá— disse Apolo animado.

 Três Velhas Senhoras Tricotam As Meias Da Morte— leu Apolo— velhas senhoras? Que velhas senhoras?

—Se é quem estou pensando...— murmurou Atena.

— Descobriremos depois,— interrompeu Ártemis— leia Apolo.

Eu estava acostumado a uma ou outra experiência esquisita, mas normalmente elas passavam depressa. 

—Acredite, sem tem uma coisa que elas não fazem é "passar depressa"— murmurou Luke com um certo pesar na voz.

Todos os semideuses foram obrigados a concordar, afinal a vida deles era resumida em experiências esquisitas.

Aquela alucinação 24 horas por dia e sete dias por semana era mais do que podia encarar. Durante o resto do ano escolar o campus inteiro parecia me pregando algum tipo de peça.

—Muito provável—  comentou Clarisse em um tom sarcástico.

 Os alunos agiam como se estivessem completa e totalmente convencidos de que a Sra. Kerr 

— Na verdade eles estavam convencidos. Esse é um dos efeitos na Névoa— comentou Ártemis. 

– uma loira alegre que eu nunca tinha visto na vida até o momento em que ela entrou no nosso ônibus no fim da excursão – era nossa professora de iniciação à álgebra desde o Natal.

De vez em quando eu soltava uma referência à Sra. Dodds para cima de alguém, só para ver se conseguia fazê-los titubear,

 — Foi uma atitude bem inteligente— comentou Atena meio a contragosto. O garoto ainda a incomodava, só não sabia o porquê.

— O garoto não é burro, só é lerdo.— comentou Hermes.

Percy tentou não se sentir ofendido.

 mas eles me olhavam como se eu fosse louco.
Acabei quase acreditando neles: a Sra. Dodds nunca tinha existido.

— Não fassa isso!— gritou Silena.

— Ele disse quase— disse Backenford.

Quase.

Charles convencido.

Mas Grover não conseguiu me enganar.

— Sátiros são péssimos mentirosos— comentou Dionísio.

Quando eu mencionava o nome Dodds ele hesitava, depois alegava que ela não existia. Mas eu sabia que ele estava mentindo.
Alguma coisa estava acontecendo. Alguma coisa havia acontecido no museu.

— Jura? Parece que temos um gênio entre nós!— zombou Clarisse.

Poseidon cerrou os punhos. Estava começando a ficar irritado com as pessoas falando desse gesto de Percy. "Ninguém falaria assim do seu filho!" Era o que o deus pensava. Estava tentando se controlar, mas se  as pessoas prestassem atenção poderiam ver que o lado começava a borbulhar.

Eu não tinha muito tempo para pensar no assunto durante o dia, mas, à noite, visões da Sra. Dodds com garras e asas de couro me faziam acordar suando frio.

O tempo maluco continuou, o que não ajudava meu humor.

 Certa noite, uma tempestade de raios arrebentou a janela do meu dormitório.

Todos os olhares se voltaram para Zeus que apenas ignorou.

O lago não barata de borbulhar.

 Alguns dias depois, o maior tornado jamais visto no vale do Hudson tocou o chão a apenas trinta quilômetros da Academia Yancy. Um dos eventos correntes que aprendemos na aula de estudos sociais era o número inusitado de pequenos aviões que caíram em súbitos vendavais no Atlântico naquele ano.

Comecei a me sentir mal-humorado e irritado a maior parte do tempo. 

— Com razão— comentou Luke.

Minhas notas caíram de D para F.

— Que vergonha!— ralhou Atena, recebendo apoio de seus filhos.

 Entrei em mais atritos com Nancy Bobofit e suas amigas. Era posto para fora da sala e tinha de ficar no corredor em quase todas as aulas.

Finalmente, quando nosso professor de inglês, o Sr. Nicoll, me perguntou pela milionésima vez por que eu tinha tanta preguiça de estudar para as provas de ortografia, eu explodi. Chamei-o de velho dipsomaníaco.

Risadas foram ouvidas por todo o anfiteatro.

— Voce não fez isso!— disse Annabeth olhando para o garoto com total descrença.

Percy apenas deu de ombros.

 Não sabia direito o que aquilo queria dizer, mas soou bem.

— Você basicamente chamou seu professor de velho bêbado— comentou Apolo entre risadas.

O diretor mandou uma carta para minha mãe na semana seguinte, tornando oficial: eu não seria convidado a voltar para a Academia Yancy no ano seguinte.

— Não seria convidado a voltar, o que é igual a não te queremos aqui amigo— ironizou Connor arrancando várias risadas.

Ótimo, disse a mim mesmo. Simplesmente ótimo. Eu estava com saudades de casa. Queria ficar com minha mãe no nosso pequeno apartamento no Upper East Side, mesmo que tivesse de freqüentar uma escola pública e aturar meu padrasto detestável e seus jogos de pôquer estúpidos.

Poseidon começou a ficar nervoso com a menção do atual marido de Sally.

E no entanto... havia coisas em Yancy de que eu sentiria falta. A vista da minha janela para os bosques, o rio Hudson a distância, o cheiro dos pinheiros. Sentiria falta de Grover, que tinha sido bom amigo, mesmo com seu jeito meio estranho. Fiquei pensando como ele iria sobreviver ao próximo ano sem mim.

— A sua confiança em mim é reconfortante— comentou Grover com sarcasmo.

— Ah para! Você sabe que não vive sem mim— disse Percy brincalhão.

Os amigos riram.

Também sentiria falta da aula de latim – os dias malucos de torneio do Sr. Brunner e sua confiança em que eu poderia me sair bem.

Quíron lançou um sorriso no  direção do garoto.

Quando a semana de exames foi se aproximando, latim era a única prova para a qual eu estudava. Não tinha me esquecido que o Sr. Brunner falara, sobre essa matéria ser questão de vida ou morte para mim. Não sabia muito bem por que, mas decidi acreditar nele.

— Boa escolha— disse Deméter.

Na noite anterior ao meu exame final, fiquei tão frustrado que joguei o Guia Cambridge de mitologia grega do outro lado do dormitório. As palavras tinham começado a flutuar para fora da página, dando voltas na minha cabeça, as letras fazendo manobras radicais como se estivessem andando de skate.

— Deixa de ser dramático— murmurou Malcom.

Percy o encarou irritado.

Não havia jeito de eu me lembrar da diferença entre Quíron e Caronte, ou Polidectes e Polideuces. E conjugar aqueles verbos latinos?

— É agora que a gente vai estudar em dobro, até você saber todos os nomes de trás pra frente!— disse Annabeth em um tom nada amigável. 

— Sim senhora— respondeu Percy prestando continência, arrancando uma risada geral.

Nem pensar.

Fiquei indo de um lado para outro no quarto, com a sensação de que havia formigas andando por dentro da minha camisa.
Lembrei a expressão séria do Sr. Brunner, de seus olhos de mil anos. De você, aceitarei apenas o melhor, Percy Jackson.

Respirei fundo. Peguei o livro de mitologia.

Eu nunca havia pedido ajuda a um professor antes. Se falasse com o Sr. Brunner, quem sabe ele me daria algumas dicas.

— Eu só mandaria você estudar mais— comentou Quíron.

Poderia, pelo menos, pedir desculpas pelo grande F que ia tirar na prova. 

— Cara você é muito pessimista!— disse Luke.

— Eu sou realista— corrigiu Percy.

Não queria sair da Academia Yancy deixando-o pensar que eu não tinha me esforçado.

Desci a escada para os gabinetes dos professores. A maioria estava vazia e escura, mas a porta do Sr. Brunner estava entreaberta e a luz que vinha da sua janela se estendia ao longo do piso do corredor.

Eu estava a três passos da maçaneta da porta quando ouvi vozes dentro da sala.. O Sr. Brunner tinha feito uma pergunta. Uma voz que, sem sombra de dúvida, era a de Grover disse: "...preocupado, senhor."

Eu gelei.

— Você ouviu?!— questionou Quíron alarmado.

— Só uma pertezinha! E foi sem querer...

— É muito feio ouvir as conversas dos outros, mesmo se o assunto trate de você— repreendeu Hera.

— Sim! É muito feio!— concordou Atena rapidamente. No momento estava aceitando qualquer motivo para odiar o garoto. Principalmente se isso o deixasse bem longe de sua filha.

Poseidon já estava ficando bem irritado com essa perseguição ao seu filho. O garoto não fez nada!

Normalmente não sou bisbilhoteiro, mas desafio alguém a não tentar ouvir quando seu melhor amigo está falando sobre você com um adulto.

— Eu ouviria— admitiu Hermes ganhando o apoio de seus filhos. Com a exceção de Luke, que fazia questão de discordar do pai, mesmo que internamente.

Cheguei um pouquinho mais perto.

– ...sozinho nesse verão — Grover estava dizendo. – Quer dizer, uma benevolente na escola! Agora que sabemos com certeza, e eles também sabem...

– Só vamos piorar as coisas se o apressarmos – disse o Sr. Brunner. – Precisamos que o menino amadureça mais.

– Mas ele pode não ter tempo. O prazo final do solstício de verão...

— O que vai acontecer no solstício de verão?!— questionou Annabeth derrepente.

Os deuses ficaram tensos e Poseidon e Zeus se olharam com ódio.

— Não importa agora criança.— disse Quíron lançando um olhar de aviso pra garota.

Annabeth estava tremendo. Seus instintos de filha de Atena estavam a matando. Ela precisava de respostas assim como precisava de comida. Afinal, quem não gosta de respostas?

– Terá de ser resolvido sem ele, Grover. Deixe-o desfrutar sua ignorância enquanto ainda pode.

– Senhor, ele a viu...

– Imaginação dele – insistiu o Sr. Brunner.– A Névoa sobre os alunos e a equipe será suficiente para convencê-lo disso.

– Senhor, eu... eu não posso fracassar nas minhas tarefas de novo. – A voz de Grover estava embargada de emoção. – Sabe o que isso significaria.

– Você não fracassou, Grover – disse o Sr. Brunner gentilmente. – Eu deveria tê-la visto como ela era. Agora vamos apenas nos preocupar em manter Percy vivo até o próximo outono...

— Voce poderia, por favor, me dizer o que você quis dizer com "me mater vivo até o próximo outono"?— questionou Percy.

Quíron apenas balançou a cabeça de forma negativa.

Poseidon olhou com pesar para o filho, que por uma maldita profecia morreria. É claro que ele amava o garoto, era seu filho! Mas as vezes desejava que ele não tivesse nascido. Ele estava condenado a uma vida de sofrimento, e ainda morreria por cima morreria no final. Isso era sua culpa.

O livro de mitologia caiu da minha mão e bateu no chão com um ruído surdo.

— NÃO PERCY!— disse Connor incorformado.

— Definitivamente não é meu filho— disse Hermes com um sorriso divertido.

— Precisamos te dar umas aulas de como bisbilhotar!— disse Travis mandando a cabeça.

O Sr. Brunner silenciou.

Com o coração disparado, peguei o livro e voltei pelo corredor.

Uma sombra deslizou pelo vidro iluminado da porta da porta de Brunner, a sombra de algo muito mais alto do que meu professor de cadeira de rodas, segurando alguma coisa suspeitamente parecida com o arco de um arqueiro.

Abri a porta mais próxima e me esgueirei para dentro.

Alguns segundos depois ouvi um lento clop-clop-clop, como blocos de madeira abafados, depois um som como o de um animal farejando bem na frente da minha porta.
Um grande vulto escuro parou diante do vidro e depois seguiu adiante.

Uma gota de suor escorreu por meu pescoço.

— Quanto drama— murmurou Ares.

Em algum lugar no corredor, o Sr. Brunner falou.

– Nada – murmurou ele. – Meus nervos não andam to bons desde o solstício de inverno.

— O que aconteceu no solstício de inverno?!— questionou Annabeth rapidamente.

Novamente Zeus e Poseidon se olharam com ódio.

Quíron apenas lançou um olhar severo que a calou.l

– Nem os meus – disse Grover. – Mas eu podia ter jurado...

– Volte para o dormitório – disse-lhe o Sr. Brunner. – Tem um longo dia de provas amanhã.

– Nem me lembre.

— Já não basta ter que trabalhar de protetor, ai da tenho que fazer provas.— disse grover em um tom amarfo, arrancando muitas risadas.

As luzes se apagaram na sala do Sr. Brunner.

Aguardei no escuro pelo que pareceu uma eternidade. Por fim, me esgueirei para o corredor e subi de volta para o dormitório. Grover estava deitado na cama, estudando as anotações para a prova de latim como se tivesse estado lá a noite inteira.

– Ei! – disse ele, com olhar de sono. – Vai estar preparado para a prova?

Não respondi.

– Está com uma cara horrível. – Ele franziu a testa. – Tudo bem?

– Só estou cansado.

— Que feio Jackson, mentido pro amiguinho.— zombou Clarisse.

Virei-me para que ele não pudesse perceber minha expressão e comecei a me preparar para dormir.

— Não adianta gênio! Satiros podem ler emoções— disse Dionísio.

— 1⁰ eu não sabia, 2⁰ você pode ler o que?— questionou Percy para Grover.

— Emoções— respondeu Grover como se fosse óbvio.

Não entendi o que tinha ouvido lá embaixo. Queria acreditar que havia imaginado aquilo tudo.

Mas uma coisa estava clara: Grover e o Sr. Brunner estavam falando de mim pelas costas. Achavam que eu corria algum tipo de perigo.

— Se só achassemos Percy, as coisas seriam bem mais fáceis.— admitiu Quíron com pesar na voz.

Percy franziu a testa, afinal o que eles estavam lendo já havia passado, há  uma semana, mas daqui a pouco deveriam chegar as partes do futuro. Talvez ai finalmente ele finalmente descobrisse que diabos era o perigo que el corria.

Na tarde seguinte, quando estava saindo da prova de latim de três horas,

—TRÊS HORAS?!— Perguntou Hermes alarmado.

 atordoado com todos os nomes gregos e romanos que tinha escrito errado, o Sr. Brunner me chamou de volta.

Por um momento, fiquei preocupado achando que ele descobrira minha bisbilhotice na noite anterior, mas não parecia ser esse o problema.

– Percy – disse ele. – Não fique desanimado por deixar Yancy. É... é para o seu bem.

Seu tom era gentil, mas ainda assim as palavras me deixaram sem graça. Embora ele estivesse falando baixo, os que terminavam a prova podiam ouvir. Nancy Bobofit me lançou um sorriso falso e, fez pequenos movimentos de beijo com os lábios. 

— A raiva que eu tô dessa garota vocês não tem ideia!— murmurou Silena.

Eu murmurei:

– Está bem, senhor.

– Quer dizer... – O Sr. Brunner andou com a cadeira para trás e para frente, como se não tivesse certeza do que falar. – Este não é o lugar certo para você. Era apenas uma questão de tempo.

— Você precisa praticar mais essa sua tática de consolo— disse Apolo se interrompendo.

— Farei isso Lorde Apolo— respondeu Quíron prontamente.

Meus olhos ardiam.

— Vai chorar?— perguntou Ares em sarcástico, ganhando um olhar severo mas quase imperceptível de Poseidon.

Ali estava meu professor favorito, na frente da classe, me dizendo que eu não era capaz.

— Não foi isso que eu quis dizer Percy— disse Quíron um pouco envergonhado.

— Eu sei Quíron— respondeu o garoto.

— Você também é muito dramático.-— disse Clarisse.

Depois de falar o ano todo que acreditava em mim, agora me dizia que eu estava destinado a ser expulso.

– Certo – disse eu, tremendo.

– Não, não – disse o Sr. Brunner. – Ah, que droga. O que eu estava tentando dizer... é que você não é normal, Percy. Não é nada ser...

– Obrigado – soltei. – Muito obrigado, senhor, por me lembrar.

– Percy...

Mas eu já tinha ido.

— Que dramático— murmurou Annabeth no ouvido de Percy, de um jeito brincalhão.

Percy só revirou os olhos, com leve sorrisinho nos lábios 

No último dia de aulas, enfiei minhas roupas na mala.

Os outros garotos estavam fazendo piadas, falando sobre os planos para as férias. Um deles ia fazer trilha na Suíça. Outro faria um cruzeiro de um mês pelo Caribe. Eram delinquentes juvenis como eu, mas delinquentes juvenis ricos. Os papais eram executivos, embaixadores ou celebridades. Eu era um joão-ninguém, de uma família de joões-ninguém. 

— Como é que é?!— questionou Hera irritada.

— Ei! Na época eu não sabia!

Eles me perguntaram o que ia fazer no verão, e eu disse que voltaria para a cidade.
O que não lhes contei foi que ia arranjar um trabalho de verão passeando com cachorros ou vendendo assinaturas de revistas, e passar o tempo livre pensando em onde iria estudar no outono.

– Ah – disse um dos garotos. – Legal.

Eles voltaram à conversa como se eu não existisse. A única pessoa de quem tinha medo de me despedir era Grover, mas do jeito como as coisas aconteceram, eu nem precisei. Ele havia comprado uma passagem para Manhattan no mesmo ônibus Greyhound que eu, então lá estávamos nós, juntos outra vez, indo para a cidade.

Durante toda a viagem de ônibus, Grover olhava nervoso para o corredor, observando os outros passageiros.

 Ocorreu-me que ele sempre agia de modo nervoso e inquieto quando saíamos de Yancy, como se esperasse que algo ruim fosse acontecer. Antes, eu achava que ele tinha medo de que o provocassem. Mas não havia ninguém para fazer isso no ônibus.

Finalmente, não pude mais aguentar.

– Procurando Benevolentes?

— E é assim, senhoras e senhores, que se mata um sátiro do coração!— disse Will em tom teatral, fazendo todos rirem.

— Eu realmente quase tive um treco— admitiu Grover, enquanto mastigava uma lata.

Grover quase pulou do assento.

– O que... o que você quer dizer?

Confessei ter ouvido a conversa dele com o Sr. Brunner na noite anterior ao dia da prova.

O olho de Grover estremeceu.

– Quanto você ouviu?

– Ah... não muito. O que é o prazo final do solstício de verão?

— É o que eu gostaria de saber— murmurou Annabeth irritada.

Ele se esquivou.

– Olhe Percy... Eu só estava preocupado com você, entende? Quer dizer, tendo alucinações com professoras de matemática demoníacas...

– Grover...

– E eu estava dizendo ao Sr. Brunner que talvez você estivesse muito estressado, ou
coisa assim, porque não havia uma pessoa chamada Sra. Dodds e...

– Grover, você mente muito mal mesmo.

As orelhas dele ficaram cor-de-rosa.

Do bolso da camisa, ele pescou um cartão de visitas encardido.

– Pegue isto, certo? Para o caso de você precisar de mim este verão.

O cartão tinha uma escrita floreada, que era um terror para os meus olhos disléxicos, mas por fim consegui identificar coisa como:

Grover Underwood

Guardião

Colina meio Sangue

Long Island, Nova York

(800) 009 -0009


— Alguém já tentou ligar pra esse número pra ver se funciona?— questionou Charles.

Quíron balançou a cabeça 

– O que é Colina Meio...

– Não fale alto! – ganiu. – É meu, ah... endereço de verão.

Meu coração desabou. Grover tinha uma casa de veraneio. Eu nunca imaginara que a família dele poderia ser tão rica quanto as dos outros em Yancy.

– Certo – falei, mal-humorado. – Tá, se eu quiser uma visita à sua mansão.

Ele assentiu.

– Ou... ou se você precisar de mim.

– Por que iria precisar de você?

— Que grosseiro!— ralhou Dionísio.

Saiu mais rude do que eu pretendia.

— Desculpe cara— disse Percy para o amigo.

— Tudo bem cara.

Grover ficou com a cara toda vermelha.

– Olhe, Percy, a verdade é que eu... eu tenho, de certo modo, que proteger você.

Olhei fixamente para ele.

Durante o ano inteiro me meti em brigas para manter os valentões longe dele. Perdi o sono temendo que, sem mim, ele fosse apanhar no ano que vem. E ali estava Grover agindo como se fosse ele a me defender.

— Chega a ser irônico— disse Annabeth.

– Grover – disse eu –, do que exatamente você está me protegendo?

— Aparentemente tem muita gente te querendo morto garoto— disse Deméter.

Percy se encolheu em seu lugar. Por que diabos queriam matar ele? O que ele havia feito? Percy era só um garoto! 

A perguntas estavam  chegando em uma velocidade muito mais que as respostas, e isso não era nada bom.

Podeidon lançou um olhar irritado para Poseidon e Zeus, mas ninguém percebeu.

Houve um tremendo barulho de algo sendo triturado embaixo dos nossos pés. Uma fumaça preta saiu do painel e o ônibus inteiro foi tomado por um cheiro de ovo podre. O motorista praguejou e levou o ônibus com dificuldade até o acostamento.

Depois de alguns minutos fazendo alguns sons metálicos no compartimento do motor, o motorista anunciou que teríamos de descer. Grover e eu saímos em fila com todos os outros.

Estávamos em um trecho de estrada rural – um lugar que a gente nem notaria se não tivesse enguiçado lá. Do nosso lado da estrada não havia nada além de bordos e lixo jogado pelos carros que passavam.

— Mortais estúpidos!— ralhou Ártemis, assustando algumas pessoas.

Os sátiros e espíritos da natureza abaixarm a cabeça chateados. Odiavam o jeito que os mortais não davam a mínima para a natureza.

 Do outro lado, depois de atravessar quatro pistas de asfalto que refletiam uma claridade trêmula com o calor da tarde, havia uma banca de frutas como as de antigamente.

As coisas à venda pareciam realmente boas: caixas transbordando de cerejas e maçãs vermelhas como sangue, nozes e damascos, jarros de sidra dentro de uma tina com pés em forma de patas, cheias de gelo.

—Tudo isso parece uma delícia— disse Kate G. com os olhos brilhantes, ganhando o apoio do chalé de Deméter, inclusive da própria deusa.

 Não havia fregueses, só três velhas senhoras sentadas em cadeiras de balanço à sombra de um bordo, tricotando o maior par de meias que eu já tinha visto.

Todos arrgalaram os olhos.

—VOCÊ ENCONTROU AS PARCAS?!— perguntou Will alarmado.

— Sim...— disse Percy um pouco confuso.

— Por que você não me contou?— indagou Annebth, apenas para Percy escutar.

— Nao achei que fosse importante.

Poseindo ficou ainda mais preocupado com seu filho. Um encontro com as Parcas nunca era um bom sinal.

Era possível ver o lago de canoagem cada vez mais agitado.

Quer dizer, aquelas meias eram do tamanho de suéteres, mas eram obviamente meias. A senhora da direita tricotava uma delas. A da esquerda a outra. A do meio segurava uma enorme cesta de lã azul brilhante.

As três mulheres pareciam muito velhas, com o rosto pálido e enrugado como fruta seca, cabelo prateado preso atrás com lenço branco, braços ossudos espetados para fora de vestidos de algodão pálido.

Todos os presentes prestavem muita atenção na descrição das Parcas. Afinal era muito raro encontrar com elas em vida.

A coisa mais esquisita era que elas pareciam olhar diretamente para mim. Encarei Grover para comentar isso e vi que seu rosto tinha ficado branco. O nariz tremia.

– Grover? – disse eu. – Ei, cara...

– Diga que elas não estão olhando para você. Estão, não é?

– Estão. Esquisito, não? Você acha que aquelas meias serviriam em mim?

— Não é momento para piadas! Isso é muito sério.— disse Dionísio.

– Não tem graça, Percy. Não tem graça nenhuma.

A velha do meio pegou uma tesoura imensa — dourada e prateada, de lâminas longas, como uma tosquiadeira. Ouvi Grover tomar fôlego.

No anfiteatro era possível ouvir uma agulha caindo em uma pilha de algodões.

Ninguém nem piscava pelo nervosismo.

– Vamos entrar no ônibus – ele me disse.

– Venha.

– O quê? – disse eu. – Lá dentro está fazendo quinhentos graus.

— Só entra no ônibus— disse Annbeth massageando as têmporas, visivelmente nervosa.

– Venha! – Ele forçou a porta e subiu, mas eu fiquei embaixo.

Do outro lado da estrada, as velhas ainda olhavam para mim. A do meio cortou o fio de lã,

— MEUS DEUSES!— disseram uma boa parte dos campistas.

— Garoto eu te até com pena de você— admitiu Ares.

Poseidon estava se segurando para não explodir o lado de canoagem. Seu filho não podia morrer.

Todos olhavam com pena para o garoto, para as Paracas irem até ele cortar o fio significava que a coisa era muito séria.

A cabeça de Percy estava começando a latejar, ele já não aguentava mais as pessoas dizendo que ele iria morrer.

Depois que os ânimos se acalmaram, Apolo voltou a ler.

e posso jurar que ouvi aquele ruído cruzar as quatro pistas de trânsito. As duas amigas dela enrolaram as meias azuis e me fizeram imaginar para quem seria aquilo – o Pé Grande ou o Godzilla.

Algumas risadas foram ouvidas, mas o clima ainda estava muito tenso.

Na traseira do ônibus, o motorista arrancou um grande pedaço de metal fumegante do compartimento do motor. O ônibus estremeceu e o motor voltou à vida, roncando.

— Tarde de mais— murmurou algum indeterminado.

Os passageiros aplaudiram.

– Tudo em ordem! – gritou o motorista. Ele bateu no ônibus com o chapéu. – Todo mundo para dentro!

Quando já estávamos a caminho, comecei a me sentir como se tivesse pego uma gripe.

— Essa foi rápida— disse Zeus.

Grover não parecia muito melhor. Estava tremendo e batendo os dentes.

– Grover?

– Sim?

– O que me diz?

Ele enxugou a manga da camisa.

– Percy, o que você viu lá atrás, na banca de frutas?

– Você quer dizer, aquelas velhas? O que há com elas, cara? Elas não são como... a Sra. Dodds, são?

— São muito piores— disse Hades com um tom sombrio, assustando alguns campistas.

A expressão dele era difícil de interpretar, mas tive a sensação de que as velhas da banca de frutas eram algo muito, muito pior do que a Sra. Dodds. Grover disse:

–Só me diga o que você viu.

– A do meio pegou uma tesoura e cortou o fio.

Ele fechou os olhos e fez um gesto com os dedos parecido com o sinal-da-cruz, mas não era isso. Era outra coisa, algo um tanto... mais antigo.

 "Ela não é tão burro" pensou Atena.

Ele disse:

– Você a viu cortar o fio?

– Sim. E daí? – Mas mesmo enquanto dizia isso, já sabia que era algo importante.

– Isso não está acontecendo – murmurou Grover. Ele começou a morder o dedão. – Não quero que seja como na última vez.

– Que última vez?

– Sempre na sexta série. Eles nunca passam da sexta.

Annabeth e Grover abaixaram a cabeças trsites ao se lembra de quem não passou da sexta série. 

Já Luke parecia irritado.

– Grover – disse eu, porque ele estava realmente começando a me assustar –, do que você está falando?

– Deixe que eu vá com você da estação do ônibus até sua casa. Prometa.

— Não vai adiantar. — disse Atena.

Aquele me pareceu um pedido estranho, mas prometi.

– É uma superstição ou coisa assim? – perguntei.

Nenhuma resposta.

– Grover... aquele corte no fio. Significa que alguém vai morrer?

— Muito pior que isso— informou Ártemis.

Ele olhou para mim com tristeza, como se já estivesse escolhendo o tipo de flores que eu gostaria de ter em meu caixão.

— Acabou— disse Apolo.

O silêncio reinava o anfiteatro.

Todos estavam absorvendo o que acabaram de ler. Aquilo era muito sério.

Todos pensavam a mesma coisa: tão jovem, e tão azarado. 

Percy nunca esteve tão cunfuso. Ele sabia que as três senhoras significavam alguma coisa, mas não sabia que era algo tão sério.

Ele era só um garoto fracote sem importância nenhuma, então por que as próprias Parcas vieram avisar sobre a morte dele?

A água do lago de canoagem já estava começando a transbordar, quando Zeus disse:

— Hã... bom, acho que já chega por hoje. Nós temos alguns compromissos amanhã a essa hora, então vamos nos reunir depois do jantar. Tenham um bom dia.

E com um rápido estalo, todos os deuses sumiram.


Notas Finais


Bom gente... pensei bastante e decidi que, a partir de hoje, vou publicar um capítulo novo dia sim e dia não. No mais tardar a cada 3 dias.
O que acham???
Se gostaram do cap pfv comentem🥰🥰


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