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História Deuses Lendo As Crônicas dos Kane - Capítulo 11


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Capítulo 11 - Bastet Fica Verde



CARTER

[SADIE, PARE COM ISSO! Sim, já vou chegar a essa parte.] Desculpe, ela fica tentando me
distrair colocando fogo em meu... deixe pra lá. Onde eu estava?

Muitos ergueram as sobrancelhas

Saímos da ponte Williamsburg para Manhattan e seguimos para o norte pela rua
Clinton.

— Ainda estão nos seguindo — avisou Sadie.

Sim, os carregadores estavam apenas um quarteirão atrás de nós, desviando de carros
e pisoteando bancas de bugigangas para turistas na calçada.

— Vamos ganhar tempo.

Bastet ronronou no fundo da garganta, um som tão grave e poderoso que me fez ranger
os dentes.

A mesma deu um sorriso de lado

Ela girou o volante e entrou à direita na East Houston.
Olhei para trás. Quando os carregadores viraram na mesma esquina, uma gataria
materializou-se em torno deles. Alguns pularam de janelas. Outros saíam de becos e ruas estreitas. Outros apareciam dos bueiros. E todos convergiam para os carregadores, formando uma onda de pelos e garras — escalando suas pernas de cobre, arranhando suas
costas, grudando em seus rostos e fazendo peso sobre a liteira. Os carregadores
cambalearam e derrubaram a caixa. Eles começaram a espantar os gatos com movimentos aleatórios, às cegas. Dois carros tentaram desviar dos animais e se chocaram, bloqueando
a rua inteira, e os carregadores caíram sob a massa de felinos furiosos. Viramos na FDR

- eu queria ter visto essa cena - disse Anubis rindo

Drive e a cena desapareceu de nosso campo de visão.

— Muito bom — reconheci.

— Mas não vai detê-los por muito tempo — observou Bastet. — Para o Central Park!

Bastet parou o Lexus no Metropolitan Museum of Art.

— Vamos continuar correndo — disse ela. — É logo ali, atrás do museu.

Quando ela falou em correr, não era só força de expressão. Sadie e eu tivemos de nos
esforçar muito para acompanhá-la, e Bastet nem suava. Ela não parava por causa de pequenos detalhes como carrinhos de cachorro-quente ou automóveis estacionados.
Qualquer objeto com menos de três metros de altura era saltado com facilidade, e nós
precisávamos contornar os obstáculos como fosse possível.

- mas gatos pulam alto - disse Bastet dando de ombros - e são rápidos

Entramos no parque pela East Drive. Assim que viramos para o norte, o obelisco
surgiu diante de nós. Com um pouco mais de vinte metros de altura, parecia uma cópia
exata da Agulha, em Londres. Ficava encravado no alto de uma colina gramada, por isso
parecia isolado, algo muito raro no centro de Nova York. Não havia ninguém por perto,
exceto dois corredores que já estavam adiante, no final da trilha. Eu podia ouvir o tráfego atrás de nós na Quinta Avenida, mas até isso parecia longe.
Paramos na base do obelisco. Bastet farejou o ar como se sentisse cheiro de
problemas. Assim que fiquei quieto, parado, percebi que fazia muito frio. O sol estava
alto, mas o vento atravessava minhas roupas de linho emprestadas.

— Eu devia ter vestido alguma coisa mais quente — resmunguei. — Um casaco de lã seria ótimo.

— Não, não seria — respondeu Bastet, examinando o horizonte. — Está vestido para a magia.

Sadie foi sacudida por um arrepio.

— É preciso congelar para ser mago?

Alguns se viram concordando com ela

— Os magos evitam produtos de origem animal — respondeu Bastet, distraída. —
Pelo, couro, lã, tudo isso. A aura residual da vida pode interferir nos encantamentos.

— Meus coturnos não me atrapalham em nada — comentou Sadie.

— Couro — Bastet constatou com desgosto. — Você pode ter uma tolerância maior,
por isso um pouco de couro não prejudica sua magia. Não sei. Mas roupas de linho
sempre foram as melhores, e de algodão... matéria-prima vegetal. De qualquer forma,
Sadie, acho que estamos tranquilos por enquanto. Há uma janela de tempo auspicioso começando agora, às onze e meia, mas não vai durar muito. Comece.

Muitos piscaram

- voce fala como se fosse fácil como fazer suco - disse Hórus a Bastet que deu de ombros

Sadie piscou.

— Eu? Por que eu? Você é a deusa!

— Não sou boa com portais — disse Bastet. — Gatos são protetores. Apenas
controlam suas emoções. Pânico ou medo podem estragar um feitiço. Precisamos sair daqui antes que Set invoque os outros deuses para apoiar sua causa.

Muitos se perguntaram quem seriam esses deuses

Eu estreitei os olhos.

— Quer dizer que Set tem outros deuses do mal, tipo, na discagem rápida do celular?


Bastet olhou para as árvores com certo nervosismo.

— Bem e mal podem não ser a melhor maneira de pensar nisso, Carter. Como mago,
você deve pensar em termos de caos e ordem. Essas são as duas forças que podem
controlar o universo. Set lida com o caos.

— Mas e os outros deuses que papai libertou? — insisti. — Não são do bem? Ísis,
Osíris, Hórus, Néftis... Onde estão eles?

Todos os citados se entreolharam

Bastet olhou fixamente para mim.

— Boa pergunta, Carter.

Todos os citados concordaram

- bem vocês dois - disse Tot apontando para Isis e Hórus - ja sabemos onde estão

Um gato siamês saiu do meio dos arbustos e correu até Bastet. Eles se olharam por um momento. Depois, o siamês fugiu apressado.

— Os carregadores estão perto daqui — anunciou Bastet. — E mais alguma coisa...
algo mais forte que se aproxima a leste. Acho que o mestre dos carregadores ficou impaciente.

- que maravilha - resmungou Osiris

Meu coração deu um salto.

— Set está a caminho?

— Não — respondeu Bastet. — Talvez um servo. Ou um aliado. Meus gatos estão
com dificuldade de descrever o que viram, e eu não quero descobrir. Sadie, chegou a
hora. Concentre-se apenas em abrir uma passagem para o Duat. Eu cuido dos inimigos.
Magia de combate é minha especialidade.

— Como a que você fez na mansão? — indaguei.
Bastet mostrou os dentes pontiagudos.

— Não, aquilo foi só combate.


As árvores se moveram e os carregadores surgiram. O manto que antes cobria a liteira havia sido rasgado pelas garras dos gatos. Os carregadores também estavam arranhados e cheios de marcas. Um deles mancava, o joelho dobrado. Outro tinha um para-choque de
automóvel enrolado no pescoço.
Os quatro homens metálicos baixaram a liteira cuidadosamente. Olharam para nós e retiraram tacos de metal dourado de seus cinturões.

— Sadie, mãos à obra — ordenou Bastet. — Carter, pode me ajudar, se quiser.

- novamente, voce fala como se fosse fácil - disse Isis massageando as têmporas

A deusa-gata mostrou suas lâminas. Seu corpo todo começou a brilhar com uma
claridade esverdeada. Uma aura a cercava, crescente, como uma bolha de energia, e a ergueu do chão. A aura tomou forma até Bastet estar cercada por uma projeção
holográfica quase três vezes maior que ela. Era uma imagem da deusa em sua forma antiga — uma mulher de seis metros de altura e cabeça de gato. Flutuando no ar no centro do holograma, Bastet deu um passo à frente. A gigantesca deusa-gata se movia com ela.
Não parecia possível que uma imagem transparente pudesse ter substância, mas seus pés
faziam o chão tremer. Bastet levantou a mão. A guerreira verde brilhante fez o mesmo,
exibindo garras tão longas e afiadas quanto floretes. Bastet bateu com força na calçada
diante dela e rasgou o concreto em tiras. Ela se virou e sorriu para mim. A gigantesca
cabeça de gato fez o mesmo, deixando à mostra presas horríveis que poderiam ter
arrancado metade de mim com uma mordida.

— Isto é magia de combate — anunciou Bastet.

No início, fiquei aturdido demais para fazer qualquer coisa além de olhar, enquanto
Bastet lançava sua máquina verde de guerra no meio dos carregadores.
Ela despedaçou um deles com um único golpe, depois pisou em outro e o achatou
como se fosse uma panqueca de metal. Os outros dois atacavam suas pernas holográficas, mas os bastões de metal atingiam, inofensivos, a luz fantasmagórica, criando uma chuva de fagulhas.
Enquanto isso, Sadie estava parada diante do obelisco com os braços erguidos, gritando.

— Abra, pedaço estúpido de rocha!

Muitos riram nervosos

Finalmente, empunhei minha espada. Minhas mãos tremiam. Eu não queria entrar na briga, mas sentia que podia ajudar. E, se eu tinha de lutar, concluí que ter uma gata brilhante de seis metros de altura do meu lado era uma boa maneira de começar.

— Sadie... vou ajudar Bastet. Continue tentando!

Bastet sorrio agradecida

— Estou tentando!

Eu corri para a frente justamente quando Bastet fatiou os outros dois carregadores como se fossem pão. Aliviado, eu pensei: Bem, é isso.
Mas os quatro começaram a se reconstituir. O achatado se descolou do chão. As fatias
se uniam como se tivessem ímãs, e todos se levantaram inteiros e perfeitos.

— Carter, ajude-me a despedaçá-los! — gritou Bastet. — Precisamos cortá-los em pedaços menores!

Eu tentava me manter fora do caminho de Bastet enquanto ela picava e pisoteava.
Assim que ela terminava de desmontar um carregador, eu corria para picar os pedaços em fragmentos ainda menores. Eles pareciam mais ser de massinha de modelar do que metal, porque minha lâmina passava pelo cobre com facilidade.
Mais alguns minutos e eu me vi cercado de pilhas de sucata de cobre. Bastet cerrou o
punho brilhante e esmagou a liteira.

— Não foi tão difícil — comentei. — Do que estamos fugindo?

- não diga que não esta difícil - disse Anubis revirando os olhos - é ai que fica difícil

Dentro do casulo cintilante, o rosto de Bastet estava coberto de suor. Nunca pensei
que uma deusa pudesse se cansar, mas seu avatar mágico devia ter exigido um esforço descomunal.

— Ainda não estamos seguros — ela avisou. — Sadie, como está indo?

— Não estou — respondeu Sadie. — Não existe outra maneira?

Antes que Bastet pudesse responder, ouvimos outro som no meio das árvores — como
chuva, porém rastejante.
Um arrepio percorreu minhas costas.

— O que... o que é isso?

— Não — murmurou Bastet. — Não pode ser. Ela não.

- ele quem?- perguntaram muitos ja nervosos

A vegetação explodiu. Mil seres marrons rastejantes surgiram do meio das árvores,
formando um tapete nojento — um manto de pinças e caudas com ferrões prontas para
picar.

Bastet arregalou os olhos

Eu quis gritar “Escorpiões!”, mas minha voz havia desaparecido. Minhas pernas
começaram a tremer. Odeio escorpiões. Eles estão em todos os lugares no Egito. Uma vez
encontrei um em minha meia.


— Sadie! — gritou Bastet em tom urgente.

— Nada! — minha irmã gemeu.

Os escorpiões se aproximavam — milhares e milhares. Uma mulher surgiu do meio
das árvores, caminhando sem medo entre aquelas criaturas peçonhentas. Vestia uma
túnica marrom e joias douradas enfeitavam seu pescoço e braços. Seus cabelos negros eram cortados à maneira egípcia, e havia sobre eles uma coroa estranha. Então, percebi
que não era uma coroa, mas um escorpião vivo e gigantesco. Milhões de pequeninos escorpiões se enroscavam em torno dela, como se aquela mulher fosse o centro de sua
tempestade.

— Serket — grunhiu Bastet.


— A deusa dos escorpiões — deduzi. Isso devia ter me aterrorizado, mas eu já estava em meu ponto máximo de pânico. — Pode enfrentá-la?

A deusa grunhiu

A expressão de Bastet não me tranquilizou.

— Carter, Sadie — disse ela —, isso vai ficar feio. Vão para o museu. Encontrem o
templo. Ele pode protegê-los.

— Que templo? — perguntei.

— E você? — acrescentou Sadie.

— Eu vou ficar bem. Alcanço vocês depois.


Mas, quando Bastet olhou para mim, percebi que ela não tinha certeza de nada. Estava
apenas tentando ganhar tempo para nós.

— Vão! — ordenou ela, e virou seu gato guerreiro verde e gigante para a massa de
escorpiões.

A verdade constrangedora? Diante daqueles escorpiões, eu nem fingi que era
corajoso. Agarrei o braço de Sadie e nós corremos.

- não precisa fingir ser corajoso - disse Osiris tenso

Os deuses estavam preocupados, principalmente 4 deles




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