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História Devil May Cry: Shattered Spirit - Capítulo 2


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Notas do Autor


Após problemas, enfim veio o capítulo! Espero que não role de novo.

Capítulo 2 - O coração e o plano


Fanfic / Fanfiction Devil May Cry: Shattered Spirit - Capítulo 2 - O coração e o plano

Capítulo 2 — O coração e o plano

 

 Um mês já havia se passado desde que Dante e Vergil conheceram Sapphire. Ela havia dado a ambos um lugar seguro para ficar no Inferno, além disso, garantia segurança e divertimento aos dois. Ela vivia contando histórias antigas, principalmente as de Sparda, o que inspirava e aumentava o respeito pelo pai que ambos tinham, o vendo cada vez mais como um ótimo guerreiro e um ser justo.

 Para Vergil, tudo isso era uma forma de entender a origem de seus poderes e a sua natureza demoníaca. Já Dante, ficava mais encantado, não pelas histórias, mas pela forma que Sapphire as contava. Sempre cheia de energia e alegria, sua voz poderia tornar qualquer história boa. Mas não somente ela contava o que já viu, os meninos falavam suas próprias histórias.

 Apesar de ser o espírito do tempo, Sapphire nunca havia olhado para tão longe no tempo e lá no Inferno, ela não conseguia ver como o mundo mudou. Os seres humanos, a natureza, as coisas, tudo mudou. Dante contava para ela, desse coisas que gostava a até inovações. Ela ouvia em silêncio tudo, encantada com o que o híbrido já tinha visto. A mesma vivia a perguntar coisas novas, questionar o significado de tudo:

 –Os humanos ainda cantam? Dançam?

 –Claro, eu adoro ouvir musica nas horas vagas. Principalmente antes de uma soneca.

 –Como são as músicas?

 –Insanas.

 –In... Sanas...? Tipo, loucas?

 –Isso mesmo! Escuta, é tipo isso.

 Dante começou a cantarolar, fazendo um som semelhante a uma guitarra, o bater de seus pés com a bota eram a bateria. Sapphire acompanhou cantarolando também, parecendo um baixo.

 –É tipo isso, só que bem mais alto.

 –Gosto de como soa... É... Insano!

 –Se chama rock, baby.

 Ambos riam, assim Dante novamente via a sua amiga demonstrando a silhueta humana por um pequeno segundo, isso o deixava pensativo, por que ela não assume logo essa forma? Vergonha talvez? Ele não sabia, mas queria ve-la.

 

Semanas depois...

 A relação por parte de Vergil e Sapphire não se alterava muito, o híbrido mais velho constantemente pensava se de alguma forma poderia usar o poder dela. Mas algo o fazia voltar atras sempre, isso o atormentava, ele chegava até a teorizar se não era a própria ser espiritual que fazia isso, mas o jeito que ela agia com ele o confundia. Sapphire estranhava muito esses momentos em que Vergil parecia perplexo ou distante, assim perguntava:

 –Vergil, está tudo bem?

 –Hã? Sim sim! Só estava pensando um pouco. Por que a pergunta?

 –Ele vivia fazendo isso também. Eu já deveria suspeitar.

 –Ele quem? E suspeitar de que?

–Sparda ué. Ele vivia pensando nas coisas. Não descansava quase nunca a cabeça, mas quando o fazia, nossa, ele se divertia e sorria tanto. Você me lembra ele nesses momentos de seriedade, mas deve abaixar um pouco aguarda.

 –É difícil... Estamos literalmente no Inferno, não posso correr pelos campos dançando e cantando.

 –O Dante faz quase isso. Se ele consegue, você também pode.

 Do lado de fora, o irmão mais novo estava curtindo uma rampa de cristal que a Sapphire fez:

 –Sapphire, pare de tentar agradar ele, por favor.

 –Mas eu gosto. Eu finalmente estou sendo útil para alguém por que eu quero. E sabe, gosto de ter a companhia de vocês. Uma pergunta, você estava pensando em algo, né? Por acaso era num tal de "Nero"?

 Vergil tomou um susto com a pergunta, nesse momento, ele tinha um impulso de pegar na Yamato e apontar para o espírito:

 –Como sabe?? E não me olhe assim, esse nome não tem significado algum, só estava pensando na situação em que estamos.

 –Você falou enquanto dormia... E se não é nada, por que reagiu assim?– Com essa patada, a mesma o olhava já irritada: –Olhe, eu gosto muito de vocês, mas não gosto desse comportamento. Por isso, abaixe a espada, Vergil. Eu não lutarei com você mesmo que me ataque.

 Seria covardia atacar alguém que nem levantou sua arma para se defender, era tão sujo quanto os humanos e demônios que Vergil sentia nojo, assim, ele guardava a Yamato, sem entender a atitude dela:

 –Eu não entendo... Meu pai podia ter destruído todo o Inferno com o seu poder. Matado cada demônio. Mas ele te libertou e quis se reduzir a um humano, por que?– Ele dizia isso enquanto estava confuso, se fosse a uns anos, ele já teria atacado e tentado tomar Sapphire para si, absorvendo seu poder, mas algo o impedia.

 –Poder, isso não importa muito.

 –Mas com poder você nunca fica abaixo de ninguém.

 –Poder sem propósito é como um vazio. Eu sei como é isso. Eu sou uma fonte de poder Vergil, mas olhe bem para mim. Não tenho corpo. Não tenho nada! Só... Esse poder. Mas nunca tive uma vida. E nem posso abrir mão dele, se não eu mesma irei parar de existir.

 –Espera, se algum demônio pegar você por completa, seu espírito morre? E se a separarem, não poderá voltar?

 –Não... Uma vez que tudo for tomado do meu núcleo, não há volta. Se restar em algum objeto ou corpo, eu poderei voltar, mas se eu for pega por completo... Eu nunca mais voltarei.

 Mais um choque vinha ao meio demônio, então perceberá que, tomar uma parte do poder dela seria como tomar parte do ser. Ele via que não podia, por mais que quisesse, discretamente, Vergil guardou sua katana que já estava pronta. Não era justo, alguém que estava o ajudando não merecia morrer.

 –Lamento. E na verdade, tem algo que eu queria pedir para você, Sapphire.

 –Oh, diga, sou toda ouvidos.

 –Eu particularmente gosto de suas histórias, mas queria poder como ele era. Consegue fazer uma estátua dele?

 Sapphire nesse momento arregalava os olhos, assim começava a criar um cristal bem grande, com isso, ela ia moldando e quebrando uns pedaços, indo aos poucos dando forma.

 –Acho que não termino hoje, mas farei sim. Ah, oi Dante! A prancha e a rampa estão funcionando?

 O irmão mais novo entrava na estrutura, deixando a prancha de cristal na parede, assim indo para mais perto de Sapphire:

 –Nossa, fazia tempo que não me divertia tanto! Obrigado Sapphire. Ei Vergil, deveria tentar.

 –Eu passo... Mas que tal a gent-

 Um barulho interrompe a fala de Vergil, os três se olham e Sapphire já assumia a forma de Coruja, indo verificar:

 –São hordas de demônios! Fiquem ai que eu cuido disso!– Dizia Sapphire enquanto se preparava.

 –Ei, não vou perder essa festa. E assim eu e o Vergil podemoa continuar a nossa disputa de "quem mata mais".

 –E não irei pro meu irmão de jeito nenhum. Iremos com você!

 Com um sorriso no rosto, Sapphire voava e ficava na linha de frente, indo até o meio dos demônios, cortando-os com as asas cristalizadas e criando espinhos cortantes no chão.

 –Nossa... Bem apressadinha.– Dante corria enquanto começava a atirar.

 –Direta ao ponto, do jeito que gosto.– Já Vergil usava sua velocidade extrema para se aproximar dos demônios.

 

 Numa luta, o fato da Sapphire voar e atacar com tudo que tinha era extramemente útil, ela fazia lindos movimentos no céu, como se dançasse, fazendo um verdadeiro show. Dante tinha uma ideia de como combinar as suas habilidades com as dela:

 –Sapphire, vem cá! Cria plataformas para mim. Eu quero voar com você.– Dizia com um sorriso e olhar carismático, deixando a Sapphire feliz também.

 Ela começava a voar na frente dele, criando pilares onde Dante ia pulando e acompanhando, ambos numa enorme sincronia. Quando criava-se o ultimo, ele pulava lá de cima, ficando de cabeça para baixo enquanto atirava para baixo com a Ebony e a Ivory. Quando ele acabava, Sapphire o segurava para ele não cair, nesse momento, Dante conseguia sentir mãos segurarem ele: 

 –Ei, Sapphire, você está tremendo? É minha beleza que te deixa assim?

 –N-Não! É que...

 –Ei, não fica assim. Pode me soltar, são só alguns demoninhos.

 Sem aguentar mais, Sapphire acabava o largando, assim ele caia bem em cima de um demônio, começando a lutar com vários outros que saíram vivos de seus ataques. Vergil chegava, lançando várias espadas de energia e cuidando da reta guarda do irmão:

 –Vergil, viu aquilo? Ela assumiu uma forma humana. Precisamos fazer que ela se solte.

 –Por que quer tanto isso afinal?

 –Curiosidade e...– Dante olhava para a Sapphire que voava e lançava vários disparos se cristais. –Deve ser linda.

 Vergil arregalava os olhos, não acreditando no que ouviu o irmão falar, se virando para o mesmo:

 –Dante, por que caralhos você está elogiando a beleza fisica de um espírito. Um espírito! Ela não tem corpo!

 –Eu sei, mas acho que se ela assumir essa forma, vai se sentir mais feliz. Já olhou como o corpo dela brilha quando ela se sente bem? Olha ali.– Apontava para a amiga, qus sobrevoava e matava demônio no ar, enchendo os céus de sangue de demônios enquanto deixava sua luz pelo caminho. Aos olhos de Dante, era como se ela estivesse sentindo toda a adrenalina do combate, algo como ele sentia e amava: –E ela se sentiria melhor agindo de forma mais humanoide. Digo, ela vive falando dos humanos. É o mínimo que posso fazer pela Sapphire, ela se preocupe tanto conosco.

 Essa conversa rolava no meio do combate, que nem se estendia muito, por que o último demônio era abatido por Vergil:

 –Isso não faz sentido Dante. Mas não vou te impedir de fazer nada. Só cuidado com esse seu jeito de agir, você normalmente afasta as garotas...– Vergil dava um sorriso e via a jovem Sapphire se aproximar.

 –Todo mundo bem? Ufa, fiquei prepcupada. Vamos meninos, melhor irmos para o abrigo!

 Dante já estava decidido, ele queria ver a forma humanoide de Sapphire, era o mais próximo de seu corpo, por isso tanto ansiava. Ele desejava que a sua amiga pudesse ter um gostinho de coisas humanas, como dançar ou simplesmente interagir com outros. Mas o que o híbrido mais queria vinha de seu coração, almejava ver aquela bela forma mais uma vez...

 

 Mais um mês se passou, contando ao todo 6 meses em que os irmãos estavam no mundo demoníaco. Como sempre, o tempo passava de forma que ninguém percebia. Então eles nem contavam os dias mais, porém sabiam que já se passou muito tempo desde que chegaram.

 –Eu não acredito que está crescendo barba em mim... Estou até parecemdo você!– Dizia Vergil enquanto pegava uma lâmina de cristal e cortava a barba: –Merda! Que saudade de um barbeador. Vou ter que tirar fio por fio mesmo?

 Os três estavam em frente a um lago, possivelmente uma das únicas fontes de água potável e normal ali no Inferno. Dante também aparava sua barba, mas diferente de Vergil, queria a deixar rala.

 –Nada mal. Sabe Vergil, você se acostuma. E deveria estar feliz que se parece comigo, eleva você a um nível bem acima do que deveria.

 Rindo, Sapphire se aproximava de Vergil na forma de Coruja, assim dizia:

 –Minhas patas são boas para isso. Venha, sente-se! Eu vou te ajudar a tirar esses pelos faciais. Por sinal, nem lembrava que humanos tinham isso. Crescem pelos em todo o corpo mesmo?

 Em frente a Vergil, ela começava a retirar pelo restante por pelo com as tapas de Coruja, indo bem devagar para não causar dor ao mesmo:

 –Mais ou menos, depende do lugar e da pessoa.– Explicava Dante.

 –Interessante. Nossa, com vocês eu descubro cada vez mais sobre os humanos.

 –Comigo você vai aprender muito mais...– Dizia Dante, enquanto dava um sorriso.

 –Termina isso rápido Sapphire, hoje sou eu quem vai caçar a comida. E desejo fazer isso o mais rápido possível.

–Espera... E... Pronto! Fiz o meu melhor. Se olha na água e vê se está bom. 

 Vergil olhava seu reflexo, assim dando umas ajeitadas no cabelo enquanto vestia o sobretudo:

 –Acho que já basta. Obrigado Sapphire. Agora eu estou indo, vê se não faz alguma loucura Dante.

 O mesmo se retirava, indo caçar algum demônio que fosse comestível para ele e o irmão comerem. Assim que ele saia da vista dos dois, Dante dava um sorriso para Sapphire:

 –Ver fazer uma loucura?– Deu uma piscadinha.

 –Eu ia dizer exatamente isso! Então, o que faremos hoje?– Sapphire começava a seguir ele na forma de esfera.

 –Que tal um jogo? É bem simples, se chama sinuca. Venha, vou te explicar no caminho até o abrigo.

 Quando eles chegavam lá, Sapphire já foi logo criando a mesa, com as bolas e os tacos, Dante retirava seu sobretudo e o deixava no sofá de cristal. Assim ele dizia:

 –Sabe Sapphire, recomendo você assumir outra forma. Pra jogar sinuca é bom ter braços, a forma de coruja não vai ajudar muito.

 –Mas... Além dessa forma e a de coruja eu só posso usar a forma humanoide. E... Eu não sei Dante...

 Ela ficava mais tímida, com um brilho mais fraco, Dante se aproximava da mesma com um olhar gentil e um sorriso carismático:

 –Ei, você não precisa ficar assim. Já estamos juntos a um tempo aqui nesse abrigo. Somos amigos já, não precisa ser tão misteriosa comigo. Então me diga, por que tanto medo e timidez?

 –É que... Fazem mais de dois milênios, eu não sei se vai ficar legal. E também, vai ser estranho para vocês dois verem uma mulher tão antiga. E se vocês me acharem feia?

 Dante ficava bem perto dela, segurando o taco de sinuca, assim abaixou um pouco o corpo e disse:

 –Eu já vi por alguns segundos sua forma, não vi nada de feia ou velha. Eu sei qual o motivo disso tudo: Você está com medo de perder né? Pode admitir.

 –Medo? Eu? Você está se achando demais sabia? Quer saber...– A luz de seu corpo ia tomando forma, ficando mais concentrada numa pequena esfera, com uma forma humanoide envolta. 

 Esse corpo de Sapphire tinha 1,74 de altura, com longos cabelos que flutuavam, sendo esses até maiores que seu corpo. Seus olhos tinham um brilho azul, sendo um deles coberto levemente por uma mecha de seu cabelo. Lábios esbeltos e um corpo magro, com curvas bem difinidas, porém, por ser um espírito, não tinha qualquer características físicas ligadas ao sexo feminino, como seios. Aquilo era apenas uma simulação, como ela própria se via. Sendo também a representação de como era seu corpo humano, aquele guardado a mais de dois mil anos lá no plano terreno.

 –Vamos ver se é tão bom mesmo. Eu vou ganhar mesmo sendo a primeira vez que jogo!– Dizia ela enquanto segurava o taco, o olhando diretamente nos olhos de um jeito confiante. 

 Dante então notava suas mãos, eram delicadas, mas o mesmo conseguia sentir a força que tinham. Ele já a viu lutar, sabia que apesar do olhar adorável, existia ali em sua frente alguém que era tão persistente quanto ele. E o mesmo gostava disso, dando uma risada e dizendo:

 –Quer colocar um prêmio então? Quem ganhar vai impor uma coisa ao perdedor, qualquer coisa. Mas saiba que não vou pegar leve só por que é iniciante.

 –Aceito! 

 Começou então o jogo, com ambos bem animados para aquilo. Em mais ou menos uma hora, acabou as 3 rodadas que haviam combinado, sendo Dante o vencedor. Ele comemorava com alguns passos de dança, mas no fundo não estava só feliz pela vitória, mas sim por que havia visto Sapphire na sua forma mais pura, percendo o quanto ela se divertia:

 –Agora... Meu prêmio! Hmm, o que eu vou impor. Já sei! Sapphire, a partir de agora, você vai ter que...– Ele se aproximava dela, assim dava um sorriso: –Ficar assim, para sempre. E nunca, jamais, ter vergonha ou medo de me mostrar algo.

 –E-Ei! Isso são duas coisas!

 –Qual foi, Sapphire, entra na onda.

 –Gr... Por que ainda topo fazer essas coisas que você sugere? São tão... Qual a palavra? Ah sim, merda!

 Dante ria da reação dela, assim chegando mais perto da mesma. Sapphire, enquanto colocava sua leve frustração de perder em palavras modernas que o rapaz a ensinou, acabava por ter seus olhos fixados no dele, que respondia da mesma forma. Em seu peito, onde deveria estar o coração, a luz brilhava intensamente, oscilando de tom, e seus olhos brilhavam:

 –Dante...?

 –Tem lindos olhos, um nariz, uma boca e belos cabelos. Por que achou que eu a acharia feia? Sapphire, você é linda. Não mais que eu né, mas com certeza, no mundo humano, seria uma bela dama. Você passaria e todos os homens iriam ficar loucos.– Ele a rodeava e dava um assobio, daqueles que se dá para uma mulher bonita.

 –Dante... E-Eu nem sei o que dizer... Fazem dois mil anos que não me elogiam assim.– A luz em seu peito brilhava muito forte.

 Dando um sorriso, o rapaz voltava a brincar com pouco com sua amiga. De fato, a presença dela deixou os últimos meses melhores. Dante se sentia diferente perto dela, não sabendo exatamente o que era. O mesmo só levantou um palpite mais tarde naquele dia, quando tentou cochilar, não conseguindo esquecer daquela luz... Ah, aquela luz! Parecia iluminar toda a escuridão que os rondava. Ela vinha inteiramente de Sapphire, deixando o caçador de demônios confuso:

 –Será que... Não. É besteira Dante.– Dizia ele para si mesmo.

 

 Mais um tempo de passava, contando-se mais seis meses, fazendo um ano em que Dante e Vergil haviam vindo pro submundo. Eles já estavam acostumados com a presença de Sapphire. Ela os protegia, dava abrigo, fazia companhia e se divertia com eles. A mesma se sentia cada dia mais viva, a forma humana a deixava muito feliz e animada. Nas lutas, ela deslizava como se patinasse no gelo, criando cristais com os pés, fazendo como se fosse uma dança. Por sinal, ela gostava disso, amava dançar e conhecer as músicas modernas.

 Em mais um dia qualquer, com Sapphire terminando mais um pedido de Dante:

 –Eu já perguntei mil vezes, para que uma fonte termal Dante??? Puta que pariu, você só tem essas idéias!– Gritava Vergil enquanto via Sapphire transformar um gêiser numa fonte termal.

 –Seria uma boa forma de relaxar. To pensando se uma sauna ficaria boa também.

 –Dante! Foco! Estamos no Inferno, literalmente, no Inferno! Não é um sessão VIP de Spa!

 –Terminei! Ei meninos, terminei! Olha como ficou. Vem! Vem!– Sapphire puxava os dois para verem.

 Ela transformou uma das bifurcações do lago numa fonte termal, coletando chamas infernais de um demônio de fogo e armazenando num cristal, assim ela deixou o mesmo dentro da terra, criando uma área levemente quente, mas não tanto para prejudicar os corpos dos híbridos. Eles olhavam surpresos, vendo o empenho da mesma em criar uma área agradável, se preocupando até com a segurança, poís envolveu o local com cristais de proteção.

 –E então, gostou Dante?

 –Se gostei? Eu adorei! E vou testar agora!– Ele dizia retirando o sobretudo e jogando na cara de Vergil, assim ia tirando a blusa. –Valeu por segurar maninho.

 Vergil olhava com una cara de irritado, pegando o sobretudo e o jogando no chão, porém Sapphire segurava rapidamente. A mesma estava um pouco envergonhada, talvez por fazer tanto tempo que não via um homem sem camisa, era tão estranho, parecia que seu núcleo ia estourar de tanto pulsar e brilhar.

 –Eu vou fazer alguma coisa, tipo me cegar para tirar essa visão de mim. Caso me procurem, estarei no abrigo de cristal.– Dizia Vergil enquanto se virava: –Por sinal, Dante, vai tomar no seu cu.– O mesmo se distanciava.

 –Também te amo irmão!

 Sapphire estava sozinha com Dante, olhando ele se aproximar da fonte apenas de calça, assim ele dizia:

 –Ei, fecha os olhos, a não ser que queira me ver quase sem roupa.– Ele dava um sorriso, provocando a amiga, fazendo-a ficar ainda mais nervosa. 

 Ela fechava rapidamente os olhos, toda tímida e cheia de vergonha. Assim ouvia os sons de zippers e roupas sendo retiradas, mas ao ouvir sons na água, abria os olhos e via Dante sentado na fonte, relaxando seu corpo e tirando as tenções que existia nele por tanto tempo.

 –Precisava disso... Não é meu sofá na minha querida loja, mas é uma forma de ficar mais tranquilo.– Ele olhava para o teto da cúpula de cristal, dando um sorriso de leves: –Obrigado novamente Sapphire, você vive me ajudando. Não fica cansada de criar tantos cristais? E você sempre mantém essa aparência de dama respeitável. Vem cá, relaxa um pouco também. –Ele olhava para a mesma.

 Sapphire estava com seu núcleo, aquela concentração de luz, brilhando muito e alternando o tom, ficando mais rápido ao ouvir aquilo:

 –E-Eu? N-Não Dante! Eu estou bem! Espíritos não cansam tão rápido nem precisam relaxar. Sério, pode ficar com tudo para você.

 –Mas eu não te vejo como um espírito... Você é mais que isso Sapphire. É minha amiga e tão humana quanto eu, merece ser tratada assim e experimentar as coisas boas que a vida traz. Entre. Ou está com vergonha? Ah Sapphire, não está caidinha por mim né? Pode admitir, sei que sou muito atraente.

 A espírito engolia o seco vendo a mão dele estendida para ela. Não sabendo como reagir, principalmente após as provocações do mesmo, ela deixava o sobretudo dele perto das roupas, assim aproximava-se da fonte e pegava na mão dele:

 –Só pra ver se assim calo sua boca. Seu idiota!

 –Ah, sei que gosta quando sou assim. Se não nem estaria pensando em entrar.

 Ambos riem enquanto ela entrava na água, sentindo a sensação de calma invadir sua consciência, sentando-se no chão da fonte, Sapphire respirava devagar. Seu núcleo ia se acalmando e ela própria ficando mais relaxada, assim olhava para o teto da cúpula também, suspirando:

 –Eu te invejo, sabia?

 –Hãh?

 –Invejo por vocês terem experimentado uma vida humana. Parece ser tão divertida. Obrigada por trazer um pouco dela.

 –Eu queria poder trazer mais. Sinto falta da minha loja, de comer pizza o dia inteiro, cochilar após uma boa cerveja e ouvir uma música enquanto apenas leio uma revista. Não há nada melhor.

 –Pizza? Ah, aquela comida que me falou! Do jeito que você fala parece deliciosa.

 –E é, pena que aqui não tem queijo para fazer. Apesar que pizza de demônio deve ser bem ruim.

 Eles dois riam, se divertindo enquanto falando sobre qualquer coisa. No caso, Dante falava sobre as banalidades da vida humana, enquanto Sapphire ouvia maravilhada, seu núcleo brilhava de maneira chamativa, fazendo o híbrido tomar coragem:

 –Sapphire, essa luz em seu peito, o que ela é? Sempre se altera com o seu humor, quando está feliz, ela muda, quando está triste, também. Me conta, estou curioso.– Ele se aproximava mais dela.

 –Ah, isso é... Meu núcleo.– Dizia ela enquanto ficava com vergonha, fazendo o núcleo reagir. –Ele muda a intensidade conforme minhas emoções. Seria para representar um...

 –Coração?

 –Sim... Um coração.

 Dante dava um sorriso, ficando bem perto de Sapphire:

 –Sapphire...

 –Sim Dante?

 –Você vive dizendo que não é humana, mas não consigo ver diferença entre mim e você. Tem até um coração! Consigo até imaginar, quanto mais forte brilha, é como se fosse um pulsando, cada vez mais forte. Eu e você não somos diferentes nesse quesito.

 –M-Mas... Dante...

 –Shiiiiuu. Escuta. Quando você luta, ele brilha. Quando eu luto, a adrenalina faz meu peito disparar. Quando se está calma, a luz fica fraca. Assim como eu, que quando relaxo, as pulsações vão diminuindo. E... Quando algo de ruim acontece e amboa ficamos aflitos, eles disparam. Você merece tanto quanto eu viver lá em cima.

 Enquanto dizia, o caçador pegava a mão da sua amiga, a olhando nos olhos. O mesmo queria a muito tempo dizer aquilo tudo e agora era a hora. Fechando os olhos, se preparava:

 –Sapphire, meu pai errou. Ele foi um babaca te deixando aqui! 

 –Não Dante! Seu pai era incrível. Ele sempre foi justo e bom...

 –Ele não foi justo com você, afinal não merecia. Ele nem te deu a chance de escolher e ainda virou as costas, te abandonando, nunca nem se quer voltando. Com isso, ele deixou uma pessoa fantástica aqui nesse Inferno. Eu o respeito muito, amo o meu pai e admiro seus feitos. Mas isso não apaga o que ele fez! Sapphire, acima de todos, você merece viver uma vida. 

 O mesmo colocava a mão no rosto dela, sentindo seu coração disparar. Nem mesmo as piores lutas o deixaram assim:

 –Eu... Nunca disse isso para alguém, não assim, mas eu me importo com você. Olha o que fez por mim e pelo Vergil. Quero te ver feliz, é o mínimo que posso fazer. Nunca irei repetir o erro de meu pai, eu não quero ser como Sparda. Sei que ele foi um herói, que salvou vidas, amou a mim e a minha família como ninguém e deixou um exemplo a ser seguido. Mas... Para isso, ele te deixou aqui. Nada disso apaga esse erro. Eu quero ser melhor que meu pai, não em força, mas em ações. Por isso, Sapphire, nunca vou te deixar.

 Dante abraçava a amiga bem forte, bem no fundo de seu coração, ele começava a entender o que sentia, mas era difícil admitir algo assim. Ele queria deixar as lágrimas caírem por saber que não poderia dar uma vida perfeita para essa pessoa tão especial.

 –Dante... Eu...– Dos olhos de Sapphire, caíam lágrimas: –Obrigada! Eu... Prometo também nunca te deixar!

 –Eu te odeio sabia? Me amoleceu... É uma bruxa! Mas... Não pare.

 –E você é um idiota... Não mude!

 

 Mais um mês se passava e tudo estava... Diferente. Dante a cada segundo sentia a vontade de estar ao lado de Sapphire crescer. Volte e meia eles conversavam, se abrindo um pouco mais. Porém, algo incomodava o meio demônio. Ele queria sentir o calor vindo dela, vê-la viver uma vida humana de verdade, poder mostrar o mundo para ela, isso o torturava, a sensação de falhar. E Sapphire sentia a mesma coisa, ela queria poder deixar Dante feliz, mas sabia que essa felicidade estava nas coisas banais do mundo terreno.

 Enquanto Vergil estava longe, eles conversavam na parte de cima do abrigo, bem na ponta da lótus:

 –Que vista. Só você para me fazer elogiar algo do Inferno.– Dizia Dante, que dava um sorriso.

 –Digo o mesmo.

 O caçador de demônios se aproximava dela e esticava a mão até o ombro dela, a puxando para si:

 –D-Dante... Eu não estou sentindo frio! Não precisa. Eu nem sinto na verdade!

 –Não é isso. É que... Quero você mais perto de mim. É normal, humanos gostam de contato físico sabe.– Ele a abraçava e ria com a reação dela.

 –Oh... Fazem dois mil anos, desculpa.– Dizia ela com o núcleo brilhando e com uma voz tímida.

 –Ah, Sapphire... Queria poder te mostrar outras interações humanas. Você ia enlouquecer e morrer de vergonha. Mas acho que você se acostumaria, no fundo, elas são boas.

 –Qua-Quais seriam essas interações...?

 –Ah... Bem...– Ele era pego de surpresa pela pergunta dela, não aguento e ficando com as bochechas vermelhas: –Quer mesmo saber?

 –Aham, me fala.

 –Calma, bem... Você sabe. Humanos dançam, cantam. E quando são mais íntimos, se beijam e transam.

 –Transam?– Seu tom foi como o de alguém que nunca nem tinha ouvido essa palavra.

 –Transam, sexo, fazem amor. Vai dizer que não sabe? Eu não quero explicar essas coisas!

 –Oh... Sexo... Eu sei o que é. Lembre-se, sou muito mais velha que você, tem que me respeitar! E... O quão íntimos os humanos são para fazer isso?

 –Isso eles mesmos quem determinam.

 –E é... Bom como as demais interações?

 –É muito melhor. Você nem faz ideia.

 Toda essa conversa sobre relações humanas e, principalmente, sexo e amor, deixaram ambos afetados. Fazia anos em que Dante havia se relacionado profundamente com uma mulher, ele sempre preferiu estar sozinho por segurança e medo que alguém querido se machucasse, mas de uns tempos para cá, sonhos cruéis o atormentavam, todos com Sapphire e a imaginação de Dante. Já a mesma, sentia curiosidade e vontade de sentir essas coisas tão faladas.

 Abraçados, eles pensavam em como solucionar seus problemas, foi nesse momento, que a poderosa espírito percebeu:

 –Dante... Tem uma forma. Eu preciso tentar! Me ouça, a cada 5 anos, o tecido entre o Inferno e o Mundo Humano fica mais fraco, esse momento chega cheio de sinais, como o desabrochar das Flores De'Vil. Com meu poder, sua espada e a de Vergil, seus amuletos e sangue. Consigo, talvez, criar uma fenda! Eu... Não havia contado antes por que... Sabia da decisão de vocês de ficarem aqui para proteger os humanos. Mas não posso deixar vocês aqui. Eu estaria tirando a sua vida.

 –Então... Podemos ir para casa juntos. Sapphire, você é incrível!– Ele e pegava no colo, assim rodando e saltando de cima da lótus: –Vamos sair daqui. Vou te levar para minha loja, tem espaço para você! Vai ser legal uma parceira e... Prometi nunca a deixar sozinha. Então só irei se vier comigo.

 –Dante... Obrigada. Mas estamos caindo.

 –Relaxa, a única queda que existe aqui, é a sua por mim.

 O mesmo caía em pé no chão, assim levando Sapphire para dentro:

 –Eu prometo te dar uma vida humana. Cheia de pizza, bebida, rock, demônios para matar e... O que mais quiser.

 Dante dizia engolindo o seco, por algum motivo, a presença dela o fazia ficar nervoso. Os dois esperaram Vergil voltar, explicando toda a ideia:

 –Uma forma de voltar... Isso é um milagre. Sapphire, tem ceeteza que consegue?– Perguntava o mesmo.

–Eu não tenho certeza. Mas quero tentar. E sinto que com a ajuda de vocês, poderemos abrir uma fenda perfeita, onde nós três poderemos passar!

 –Então, esse é nosso plano. Sairemos daqui juntos.– Dizia Dante, que completamentava: –Vergil, sei que quer voltar para o Nero. E Sapphire, você merece uma vida.

 –E você merece voltar a sua, Dante.– Sapphire se aproximava.

 

Muito tempo após...

Secretamente, Dante e Sapphire foram conversar as sós no campo onde cresciam as flores De'Vil, um olhava nos olhos do outro enquanto estavam se mãos dadas:

 –Entendeu? Esse é o nosso plano, Sapphire.

 –Dante... Por que me trouxe aqui para dizee isso?

 –Por que sei que no dia, você irá querer que eu vá enquanto você fica para proteger a fenda. Mas não farei isso. Iremos juntos. O mundo humano seria o pior Inferno se eu ficasse longe de você...

 –Eu digo o mesmo... Dante, e se por algum motivo, eu não gostar da vida humana? E se eu não me encaixar?

 –Se isso acontecer, farei o máximo para que veja o lado bom dela. E outra, não precisa conviver com os humanos, eu não irei te abandonar. Você vai realizar seu sonho, Sapphire.

 –E se você não gostar do meu corpo? E se... Eu não te cativar com ele?

 –Ei... Você já me deixou assim. Sabe, acho que não foi só você que levou aquela quedinha. Sua bruxa nefasta.

 –Seu caçador idiota... 

Ambos se abraçavam, fazendo uma promessa.


Notas Finais


Obrigado por lerem e espero que tenham gostado.
Até a próxima.


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