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História DevilEye - Capítulo 77


Escrita por: Seilapqtoaq

Notas do Autor


Cara algum fã de Demon Slayer vai me xingar por esse capítulo.
O plágio não poderia ser mais evidente, mas foda-se que a história é minha!! Kkk
Enfim, quem não gostar não gostou e quem gostar gostou, independente disso bora mergulhar de cabeça

Capítulo 77 - Capítulo 62 Laços


Já imaginava que ele ia se transformar alguma hora, só não imaginava que seria tão escroto assim, parece um diabo da Tasmânia misturado com uma lampreia e um gorila, sem falar desses tentáculos bizarros de aranha saindo das costas, é de longe a coisa mais bizarra que eu já vi, o brilho verde obviamente indica que ele está fortalecendo o grafeno nos tentáculos, como grafeno é o material mais duro e resistente da face da terra já seria idiotice atacar os tentáculos se não estivessem fortalecidos, mas com esse brilho verde eles são praticamente indestrutíveis, é só um palpite, mas eu suponho que uma quantidade tão grande de grafeno sendo fortalecido ao mesmo tempo esteja puxando toda a concentração dele, isso explicaria porque o grafeno dos espinhos e no peito dele continuam transparentes.

Mirar na região do ombro que não tem espinho quase nenhum talvez seja uma ideia melhor que mirar nesses pontos, enquanto os dois se preocuparam em desviar da chuva de tentáculos verdes eu decidi encarar essa porra cara a cara, fui na direção do perigo sem hesitar, com meu coração mais rápido que um piscar de olhos desviar daqueles tentáculos era difícil afinal alguns ainda me arranhavam mas isso não me impediu de forma alguma, ele concentrou toda sua atenção em mirar nos outros dois, conforme me aproximei ele começou a se levantar, com isso surgiu a oportunidade de concentrar a força nos pés e dar uma cambalhota por cima do seu corpo, antes que ele percebesse minha corrente já havia se enrolado sobre sua axila direita, seu braço foi arrancado assim que pus os pés no chão, ouvindo o rugido de dor logo atrás de mim.

Conforme seu braço se regenerava comecei a prestar atenção na ponta dos seus tentáculos, quando vi algo que chamou minha atenção, a ponta deles antes tinha uma curva que terminava numa ponta brilhante e afiada, mas agora parecia ser dividida como um monte de folhas de papel uma em cima da outra, mas isso foi só por um segundo antes dele recuperar o membro e voltar-se para mim, eu tenho uma hipótese na mente, se for verdade essa luta pode acabar ficando bem mais fácil do que eu imaginava, corri na direção dele um pouco mais devagar, como eu bem queria ele lançou um tentáculo na minha direção, meu coração mudou de ritmo, eu me abaixei curvando meus joelhos o máximo que conseguia ao ponto das minhas costas arrastarem no chão, vi o objeto verde passando a menos de um metro do meu nariz, sem medo eu lancei a corrente em volta do ponto aonde os fios se transformavam nessa ponta bizarra de grafeno, fiz um pequeno paço de brake pra me por de pé, girei o corpo e joguei a ponta contra o corpo do tentáculo, como esperado os fios rebentaram e o tentáculo caiu no chão aos poucos perdendo sua coloração verde, aproveitei que a criatura estava regenerando o tentáculo usando pó de grafite vindo de suas costas e agarrei o objeto.

Passei meus dedos pela superfície sólida da ponta e pra minha felicidade ela começou a folear, como quando se folheia um livro, isso é bem simples de explicar: a estrutura molecular do grafeno é bidimensional, ou seja, seus átomos se ligam seguindo uma linha, diferente de outros materiais que se ligam de forma desorganizada, por consequência a única forma conhecida do grafeno é no formato de uma folha, como uma folha de papel só que com a espessura de um átomo, o Unusable não pode modificar a estrutura do material pra torná-lo tridimensional porque se não o transformaria em outra substância, a solução dele foi organizar as folhas de grafeno pra ficarem uma em cima da outra e formarem estruturas mais complexas enquanto usa a própria energia pra mantê-las íntegras - é como pôr um monte de folhas de papel uma em cima da outra… você percebeu mais fácil que eu, merece o crédito - disse meu irmão observando enquanto eu folheio a ponta do grafeno - não mereço não, anos lidando com esse idiota e só percebi agora, se ele não tivesse se concentrado em regenerar o braço e deixado as folhas separadas por um segundo eu nem descobriria - afirmei enquanto ele me observava folheando o objeto com a mão no queixo - de um jeito ou de outro pelo menos sabemos que ele tem uma fraqueza, já tava ficando preocupado dele não conseguir me responder verbalmente nessa forma - admitiu o arroxeado, de fato deve ser um saco ter uma limitação tão estúpida quanto precisar que o adversário te responda uma pergunta pra ativar a quirk.

- Exatamente, agora só precisamos nos adaptar a essa fraqueza - com essa afirmação eu concentrei minha energia na ponta da corrente, modificando sua estrutura eu consegui formar um gancho fino o bastante pra passar entre as folhas de grafeno, quase de imediato a criatura rugiu irritada jogando outro tentáculo na minha direção, eu enfiei o gancho rápida porém delicadamente entre um dos vãos entre as folhas que formavam o objeto desfazendo o tentáculo em duas partes, percebeu o que aconteceu objeto brilhante foi puxado de volta, a criatura olhou surpresa pro objeto dividido em dois antes de recuperar a ferocidade e jogar mais um monte deles na minha direção. Com um sorriso no rosto e mais uma vez correndo na direção do perigo eu agarrei a corrente pelo corpo e comecei a fazer movimentos horizontais, repetitivamente enfiando o gancho entre as folhas dos tentáculos e dividindo-os em dois, a cada corte o olhar do careca se transformava em um medo silencioso, ao me aproximar me joguei de joelhos no chão, a corrente deslizou na minha mão até que eu agarrasse a base do gancho e com muito prazer eu cravei a ponta do objetivo fundo na virilha dele, puxando tão forte que arranquei sua perna fora. Mais uma vez não pude conter o sorriso quando, sem se quer dar tempo pro monstro respirar após meu golpe, Shouta avançou em sua direção, em uma sincronia perfeita Shinso enrolou o pescoço dela com sua fita e puxou seu corpo enorme na direção de ambos, meu irmão dobrou os joelhos até quase encostar as costas no chão e deixou a espada virada pra cima de forma que a ponta, pra minha surpresa, cortou a enorme pelota de grafeno no peito dele ao meio, ele parou do meu lado enquanto Shinsou acertou o rosto do monstro com seu bastão de fibra de carbono com maestria, arremessando ele a vários metros na direção de uma das paredes.

- Como cortou aquela coisa? É mais dura que diamante? - ainda ofegante porém com um quase imperceptível sorriso de satisfação ele se ergueu chacoalhando a espada pra tirar as gotas de sangue, se preparando pra responder minha pergunta - a única vantagem do grafeno sobre minha arma de captura é que a largura muito fina das folhas de grafeno as tornam lâminas quase perfeitas para cortes, mas ele jogou essa vantagem no lixo ao acumular tudo em uma armadura, fora isso grafeno e fibra de carbono tem resistência e durabilidade semelhantes - enquanto ele falava reparei que o corte deixou sua lâmina um pouco desgastada - certeza que são tão semelhantes assim? - perguntei, assim que seguiu meu olhar ele levou a mão até a parte cega da arma e de sua palma saíram partículas de pó de grafite que concertaram a lâmina totalmente - eu disse semelhantes, não quer dizer que nenhuma é mais forte - afirmou enquanto Shinso vinha para o nosso lado - pelo menos fica mais fácil assim - afirmou ele enquanto transformava o bastão em uma lança. O careca por outro lado estava dividindo os tentáculos em pequenos fios de nilon de grafeno - mas parece que ele também tá se adaptando - observou o de cabelo roxo enquanto novamente o bicho vinha pra cima de nós.

Ele tentou nos agarrar com suas enormes garras de grafeno mas nenhum de nós foi idiota o bastante pra tentar defender então apenas esquivamos, uma vez que suas garras cravaram no chão Shinsou com um golpe vertical de sua lança penetrou os espaços entre as folhas arrancando quatro dedos de uma vez, mas recebeu um golpe brutal do outro braço que o lançou na parede metros ao lado, enquanto meu irmão teve coragem o bastante pra cravar a espada no ombro do monstro e enrolar seu pescoço com as faixas enquanto montava nele como se fosse um cavalo eu corri pra ajudar o cacho de uva, ele estava deitado de barriga pra baixo grunindo de dor enquanto uma pequena possa de sangue se formava abaixo de si, virando seu corpo com delicadeza soltei um suspiro horrorizado quando vi quatro cortes profundos cobrindo o abdômen e parte do peito dele jorrando um pouco de sangue que encharcava o seu uniforme, rapidamente pus a mão no bolso dele pra procurar o soro, mas minha mão ficou molhada pelo líquido azul cujo pote estourou com o impacto. Numa tentativa de reduzir os danos eu pinguei um pouco do líquido por cima dos cortes, eles pararam de sangrar e fecharam um pouco como o líquido não foi aplicado diretamente na veia ou consumido não dava pra curar mais do que o local aplicado, um barulho de impacto ao meu lado atraiu minha atenção, o corpo inconsciente do meu irmão jazia deitado de barriga pra cima em condições parecidas com várias perfurações espalhadas pelo peito. Diferente do Shinsou seu pote estava intacto, mas sua boca estava fechada então não dava pra obriga-lo a engolir, eu rasguei a parte de cima da sua camisa e despejei o líquido sobre seu peito cheio de pequenos buracos que causariam um nervosismo severo em pessoas com tripofobia.

Os buracos se fecharam mas ele continuou desmaiado, me virei pra criatura agora com os incontáveis fios ao redor do corpo rugindo com olhar tomado pela fúria e desejo incontrolável de matar enquanto corria na minha direção.


 (…)


Era completamente insano, eu tentava chegar no seu peito pra acertar o golpe mas eu mau conseguia chegar a menos de 5 metros dele, sempre era perfurado e arremesado pra lonhe por aqueles fios de grafite, o pior é que eu tenho a impressão que ele nem está lutando sério, porque se estivesse teria me acertado na cabeça ou na coluna em vários momentos, em vez disso ele prefere ficar brincando de me acertar em pontos não vitais só pra me jogar pra longe e me ver tentar de novo, admirando enquanto eu falho de novo, de novo e de novo; é como um gato que prendeu uma ratazana entre as patas e fica empurrando a coitada de uma pata pra outra, se deliciando com seu desespero antes de comê-la viva. Não tenho tempo pra ficar brincando, a qualquer hora Ejin e os outros podem chegar na sala do meu pai pra levar o navio pra terra, quando isso acontecer, por menor que seja a chance dele perceber, eu não posso arriscar um encontro entre ele e os outros, ele tá mais forte que qualquer Nomu contra qual eu já lutei, é como lutar contra Jaakuna de novo, mas o fato dele ser um oponente formidável se dá não pelo poder bruto, mas sim por tirar o MEU poder, minha individualidade mais forte não tem efeito, minha corrente se despedaçou pela metade no momento em que tentei acertar um desses fios duros do caralho, essa luta é… completamente inútil, EU sou completamente inútil, a única vantagem que eu tinha era minha quirk e ele tirou de mim, acho que só meu pai supera ele no momento.

- Já cansou?! - ele desfez parte dos dentes de grafeno pra pronunciar essas duas palavras, eu tentava me levantar depois de jogado na parede pela 16ª vez mas não tinha forças o bastante, com essas perfurações nos joelhos, coxas e braços o máximo que consegui foi me erguer com o corpo tremendo de dor, mas lutando pra permanecer de pé - tu tá fraco demais - não é verdade, ele quem está forte demais, eu sei disso, mas se eu sei tão bem disso por quê essas palavras me atingem tanto? - tem certeza que você é o mesmo garoto que causou um acidente nuclear aos 9 anos? Você é o mesmo que derrotou um ser quase onipotente aos 14? Como pode ter feito tanto se mau consegue ME derrotar? De que adianta tanto poder se mau pode usá-lo contra mim? Se pretende derrotar seu pai, como pretende derrotar o maior país do mundo e o homem mais poderoso do mundo sem ME vencer primeiro? - suas perguntas era como facadas direto no meu peito, eu tinha esquecido como era essa sensação de impotência, como poderei seguir daqui pra frente se meu poder não funciona contra esse idiota? Como pretendo sair dessa vivo se não consigo derrota-lo?

- Desse jeito qualquer adversário que saiba explorar suas fraquezas como eu pode te derrotar… acha que estamos dentro desse submarino por acaso? Acha que eu deixei todas as pessoas, sem ser a garota de cabelo preto, continuarem nesse navio por acaso…? eu poderia muito bem encontrar a garota que seu pai queria e ter despachado todas as outras que não serviriam de nada, mas eu pensei: por que não explorar essa sua nova "moralidade heróica"? Que graça tem uma missão se eu nem posso brincar com meu inimigo? - seu sorriso sádico me enchia de raiva, o mesmo sorriso de quando o Oboro morreu, me deu tanta raiva que eu apertei a corrente ainda mais forte, ignorando todos os protestos do meu corpo - vai continuar? Desse jeito todo fudido? você não tem mais forças garoto, não é nada além de um brinquedinho quebrado, até seu pai te considera inútil agora, tão inútil que o plano dele tá completamente desfocado de você… ele tem planos BEM maiores agora, e já que você não faz parte deles não vejo porquê eu deveria evitar te matar… afinal você não serve mais pra nada - com essa última fala, que foi como um ultimato pra mim, todos fios de nilon avançaram vindo em direção aos meus pontos vitais, minhas pernas automaticamente me jogaram na direção do ataque mas… por que eu estou atacando? Quero dizer por que eu ainda tento? Eu vou morrer de qualquer jeito, afinal ele tem razão, ele se aproveitou de todas as minhas fraquezas tanto psicológicas quanto físicas, eu passei tanto tempo fortalecendo meus pontos fortes que nem me preocupei com as minhas fraquezas que, apesar de poucas, podem ser exploradas por pessoas que me conheçam… no fim acho que vou morrer pra um mero subordinado, passei por tanta coisa, derrotei tantas coisas e pra quê? Pra morrer pra esse cara, eu sou um inútil de fato… não sei se é porque a morte está próxima de mim de novo mas sinto uma memória tomando conta da minha mente, como uma válvula de escape do sofrimento.

Eu estava fazendo dever de casa, uma face entristecida tomava conta do meu rosto, minha mãe entrou no quarto e percebeu na hora - que exata é essa meu filho? - ela virou a cabeça como um cãozinho confuso enquanto se aproximava ternamente - nada… - eu mentia muito mau com 6 anos, mas mesmo que eu mentisse bem minha mãe sempre teve um radar pra essas coisas, como se soubesse o que eu estava pensando - implicaram com você de novo… me fala o que disseram, tudo bem eu não sou seu pai, não vou dar chilique nem ir pra escola resolver tudo nem nada, pode me contar minha boca é um túmulo - com um sorriso terno ela fingiu fechar a boca com um zíper, o que me arrancou um leve sorriso, deixei o lápis de lado e comecei a contar sobre como me intimidaram fácil na escola mais cedo, eu não costumo ligar pra essas coisas quando o Rin tá por perto eu sempre me sentia bem por ser fraco junto de outra pessoa, me dava a sensação de não estar sozinho, mas hoje ele ficou resfriado e eu não pude evitar de me sentir mau da forma como fui intimdado, me senti impotente e sozinho - vem comigo - disse minha mãe que ficou todo o tempo escutando cada palavra com rosto neutro mas que decidiu se levantar e ir até a porta, como menino obediente eu me levantei da cama - aonde vamos? - perguntei enquanto esperava de pé ao lado da cama, ela parou ao lado da porta e me lançou aquele sorriso lindo que parecia emitir luz própria - pro lugar especial - eu já sabia aonde ficava mas era muito longe, e andar até lá demorava muito.

- Mas eu tenho dever - falei com toda a sinceridade e inocência que podem sair de uma criança - deixa pra mais tarde, hoje é sexta! Vem logo - ainda que a obedecesse eu tratei de guardar tudo no seu devido lugar, arrumando na minha prateleira aonde eu guardo meus livros e cadernos junto com meu estojo. Depois de calçar meus pequenos sapatos tamanho 30 nós fomos pra rua e andamos por quase um hora pela cidade de mãos dadas, sorrindo e conversando, nós conversamos alegremente sobre coisas completamente inocentes como os desenhos que eu assistia ou os deveres que me passavam na escola, assim que chegamos ao lugar minha mãe deitou no meio da grama de um montinho, eu como sempre deitei ao lado dela - mas então… você me contou o que eles fizeram… mas não por que isso te deixou mau… nós dois sabemos que isso acontece sempre e você nunca foi de ficar mau por causa disso - de fato, isso sempre acontece, dessa vez eu nem cheguei a ficar com um machucado por que foi só um empurrão mas não deixei de me sentir mau.

- É que… ele me empurrou tão fácil… isso me fez pensar que… eu sou tão fraquinho… eu nunca conseguiria fazer nenhum trabalho muito pesado… - sempre fui uma pessoa visionária, mesmo nessa época eu pensava no que eu queria ser no futuro e pra mim isso era até claro - tipo ser um herói igual seu irmão? - o problema é que eu tava começando a desistir por não me achar forte o bastante, eu nunca tive muita força e apesar de ser um garoto sonhador sempre fui de ser realista - e isso tá fazendo você pensar em desistir né? - meu silêncio por si só já falou tudo, minha mãe por outro lado não tirou o sorriso do rosto enquanto arrancava um pedacinho de grama no chão e aproximava do meu rosto - olha essa graminha… como ela parece? - a pergunta aleatória mudou o tom da conversa tão rápido que eu tive que pensar pra responder - verde - já comecei falando o óbvio, ela por sua vez deu uma risadinha - mais o que? - eu tentei procurar outra característica pra falar - pequena? - afirmei quase em tom de pergunta - ela parece pequena sim… mas e se eu te contasse que dentro dessa graminha… tem um universo inteiro - apesar de parecer algo bobo, pra uma criança cheia de imaginação isso era tão incrível que beirava ao absurdo - como assim?! Não cabe tudo isso aí dentro! - afirmei com os braços cruzados e um biquinho irritado enquanto minha mente infantil imaginava um monte de estrelas e buracos negros dentro de um pedacinho de grama - aí é que tá! Pensa o seguinte… se eu divido ela em dois - ela partiu com os dedos a grama em dois pedaços menores e iguais - ela se divide em dois pedaços iguais, eu posso continuar dividindo e dividindo até os menores pedacinhos e mesmo assim ainda terá o que dividir - ela triturou a folha dividindo em pedaços cada vez menores até ficar menor que seus dedos a ponto de ser difícil segurar- podemos dividir em pedaços cada vez menores até chegar no átomo, e ainda assim dá pra continuar dividindo afinal tá cheio de cientistas por aí descobrindo partículas cada vez menores que compõem o átomo, mas eles nunca vão descobrir de fato quantas existem porque cada uma delas é formada por partículas cada vez menores! Entende o que eu quis dizer? Cada pedacinho de grama tem milhões de átomos, cada átomo tem milhões de partículas ainda menores e cada uma dessas partículas é formada por pedacinhos ainda menores que ninguém sabe e provavelmente muitos vão viver a vida sem saber: um universo inteiro dentro de uma única graminha - eu sentei na grama e recolhi os pedacinhos de grama como se fossem barras de ouro, eu gosto de passar o tempo com a minha mãe porque ela me faz ver as coisas de ângulos que nenhuma outra pessoa faz.

Ela tem pouco mais de 40 anos mas é mais sábia que muita gente com 80 - e ainda que um pequeno átomo pareça fraco e insignificante sempre tem algo a esconder dentro de si… se mesmo uma folhinha tem bilhões de partículas desconhecidas… o que dirá de você meu filho - ela pôs a mão no meu ombro e em reflexo me virei pra olhar pro sorriso acolhedor dela - não desista de fazer as coisas por não achar que é capaz, se você quer ser um herói, médico ou carpinteiro pra mim tanto faz, porque eu sei que dentro de você existe algo muito especial… você é um garoto inteligente e cheio de imaginação, essas são virtudes para poucos filho… por isso seja lá o que você fizer sei que vai ser o melhor dos melhores… é através de laços que a força nasce, então não importa o que escolha fazer tenha muitos e muitos laços com várias pessoas, pessoas que se importem com você e que nunca te deixem na mão quando precisar… não importa onde você vá ou o que faça, leve essas pessoas com você da mesma forma como essa graminha carrega milhões de átomos e eu te prometo que você nunca vai estar sozinho nem se sentirá fraco, porque sempre vai ter forças pra fazer o que quiser - de repente eu acordei de novo pra vida, ou melhor pra minha vida à beira da morte, ainda assim essas palavras despertaram sensações e várias lembranças, o meu irmão rindo no carro no meu primeiro dia da U.A, o momento em que comheci o Kirishima, Kaminari e o Bakugou, o abraço que eu dei no Hizashi pra acalma-lo quando estávamos indo pro hospital ver o Shouta, Ojiro me abraçando depois de me aconselhar quatro anos antes disso tudo, minha primeira vez com o Tetsu, as vezes que vi ele sorrindo com seus dentes pontudinhos lindos.

E foi na hora que eu percebi que todas essas pessoas seriam afetadas pelo que aconteceria a seguir, a ideia de que se eu perder pro Unusable a vida de todas elas pode ser arruinada me despertou algo, uma sensação de determinação incomparável, a força sobre qual minha mãe me falou tomou conta de mim, mesmo sem saber se eu ia ou não sobreviver eu apertei a corrente nas mãos e brandi na direção dos fios, meu corpo inteiro parecia vibrar como se minhas células gerassem ondas sísmicas invisíveis, a energia que cobria as correntes mudou para uma coloração violeta vibrante. De repente os fios de grafeno estouraram ao entrar em contato com essa energia, assim que meus pés tocaram no chão eu era capaz de sentir cada átomo de metal daquela cúpula, bem como os presentes no meu corpo, isso não era um poder que eu já tinha usado antes, definitivamente é algo novo, quase de forma automática uma camada de metal do chão virou pó metálico, flutuando pelo ar envolta pela aura violeta e pousando na ponta da corrente, a regenerando por completo. Não me importa de onde essa magnetocinese surgiu, tudo que importa é que agora eu tenho chance, propulsionei meu corpo pra frente estourando todos os fios de grafeno que Unusable jogava na minha direção com a energia roxa remanescente de minhas mãos, me aproximei o suficiente do urubu maldito pra ver uma expressão de medo surgir em seu rosto.

Como o verdadeiro covarde que é, ele pulou pra trás na tentativa de se afastar de mim arremessando simultâneamente uma nova floresta de fios na minha direção, enquanto mergulhava na direção dele girei meu corpo como um peão, a corrente de metal roxo iridescente acompanhou o movimento num tipo de escudo rotatório, rasgando todos os fios que ele jogava, nós dois pulávamos de parede em parede percorrendo rapidamente toda a extensão da cúpula repetidas vezes a cada pulo, ele era rápido em desviar dos meus ataques que outrora acertavam e abriam rasgos nas paredes mas uma hora consegui me aproximar de seu corpo, seus fios foram todos arrebentados e ele precisaria de concentração e tempo pra recontrui-los, sua face está amedrontada e cheia de adrenalina, em pleno movimento vi uma abertura que me permitia acertar ser quadril e prosseguir com um corte preciso, ainda assim não pude deixar de dar atenção às enormes garras vindo na direção do meu rosto, a chance de penetrar meu cérebro e eventualmente me matar era grande, mas tem muitos fatores que me impedem de me defender, não sei quanto tempo posso ficar nessa forma, meu corpo inteiro formigava então era difícil dizer com precisão o quão esgotado eu estava, fora que não sei quando serei capaz de alcança-lo visto sua velocidade superior, eu tenho que atacar agora, TEM que ser agora, todos que eu amo dependem que eu o derrote nesse momento e eu não posso exitar… mesmo que esteja arriscando minha vida no processo.


[…]


Meu corpo dói tanto que é difícil me mexer, mesmo o menor movimento parece que vai me partir em dois, meus olhos ardem como quando se está de olhos fechados a tanto tempo que é difícil abrir e deixar a claridade entrar pelas pupilas, ainda assim ignorei a dor e abri os olhos só para me deparar com uma cena de tirar o fôlego, ambos, meu irmão e Unusable, ricocheteavam de uma parede a outra tão rápido que pareciam dois vultos, não sabia se era ou não coisa da minha cabeça mas o careca parecia… estar fugindo do meu irmão? Não entendi a princípio o porquê até o momento em que eles passaram a pouco mais de um metro do meu lado e tudo parecia estar em câmera lenta, seus cabelos eram abraçados por uma energia roxa que fluía através de seu corpo, seus olhos irriadiavam a luz violeta que cobria suas mãos e transformava o metal branco da corrente pra um tom violeta iridescente emanando energia pura na forma de luz monocromática roxa.

Mesmo em câmera lenta eles se movimentavam em direção a parede, meu coração quase parou ao ver as garras da criatura indo de encontro ao rosto do meu jovem irmão que não se preocupava em defender, quase em desespero eu me levantei, meus joelhos irriadiaram dor insuportável, meu peito doía como se todas as costelas estivessem quebradas e tive que me apoiar na parede pra me manter de pé, eu tentei alcançar minha espada quebrada no chão mas só de me afastar centímetros da parede meu corpo ameaçava despencar, eu não tinha como ajudar mas eu PRECISO tentar. Eu não posso deixar ele morrer, eu não posso, eu nunca me perdoaria, nunca poderia olhar na cara de todas as pessoas que se importam com ele e dizer que não consegui salva-lo, eu não me olharia no espelho de novo, mau conseguiria dormir sem fechar os olhos e ver essa mesma memória. Eu prometi que ia cuidar dele, ele é minha responsabilidade, ele é MEU irmão e eu não posso deixar nada acontecer com ele, em um ato pra não ter que lidar com a dor da perda meu cérebro me fez lembrar de quando prometi pra minha mãe que ia cuidar dele, que ia sempre estar com ele quando precisasse de mim.

Eu estava parado do lado de seu berço poucas horas depois dele nascer, eu tinha só dez anos na época e quando ele chorou minha mãe pediu pra trazê-lo até ela - desculpa se ele te acordou - ela deu uma pequena risada do meu pedido, eu tinha costume de pedir desculpas por tudo - não precisa pedir desculpas - ela estava suada e bem cansada, meu pai dormía no sofá ao lado da cama de casal e o berço do meu irmão ficava do outro lado, eu queria ver como ele era pois meus pais me deixaram sozinho em casa quando a bolsa dela estourou, ele era… fofo, quer dizer, é meio estranho ver um ser humaninho tão pequeno assim mas era fofinho, eu apensas fiquei vendo enquanto ela ninava ele - ele é só um bebê, não tem culpa de chorar, aliás ninguém tem culpa de chorar… mas nós uma hora temos que cuidar de quem está chorando… sabe, o laço de uma mãe e do pai com um filho é especial, mas nada é mais especial que o laço entre irmãos… quero dizer um irmão pode fazer coisas que os pais não podem, enquanto muitos pais tentam ser amigos dos filhos eu tenho consciência de que haverá coisas que ele não vai contar pra nós, mas com o irmão mais velho é diferente… se trata de uma pessoa que assim como ele está aprendendo a lidar com a vida, alguém que pode aconcelha-lo e cuidar dele muito mais do que os pais - minha mãe sempre foi reflexiva, ela é uma mulher muito a frente do seu tempo, era sábia e inteligente, sempre dando os melhores concelhos e ensinamentos - como assim muito mais? Em que eu aconcelharia ele melhor que vocês? - ainda assim eu me esforçava pra acompanhá-la, eu sempre fui uma criança inteligente mas nunca fui tão mente aberta quanto ela, eu era mais como meu pai eu acho - eu não vou estar aqui pra sempre pra cuidar dele Shouta… seu pai também não… vai chegar uma hora que você vai ter que cuidar dele por nós três - ela o ergueu pra mim, ainda que com relutância eu o peguei no colo, era um pouco pesado mas não era difícil de segurar, ele me olhou com um olhar indecifrável, aqueles olhinhos pretos era bem fofos, eu queria admirar mais só que ele agarrou e puxou meu cabelo de forma que eu dei um pequeno urro de dor, esse ato fez tanto ele quanto minha mãe rirem - ele já é agitado mesmo nessa idade - observou ela.

Mesmo com o rosto emburrado eu continuei segurando ele nos braços - não olha assim pra ele… ele não tem culpa do que faz… tem muito poder entre um laço de irmãos sabia? - essa observação repentina me fez olhar pra ela com curiosidade - um laço entre irmão é uma das coisas mais poderosas da natureza, diferente do laço entre pais e filhos o laço entre irmãos tem que ser muito forte pra aguentar qualquer distância, afinal uma mãe nunca abandona o filho, então o laço entre eles não precisa ter tanta força, mas o laço entre irmãos é diferente… irmãos podem ser chatos… podem ser um pouco irritantes - enquanto ela falava e eu prestava atenção o Irishi agarrou e puxou minha orelha gargalhando logo em seguida enquanto eu reclamava da dor - irmãos também são teimosos… mas mesmo com a distância, mesmo que eles estejam em polos diferentes no globo, o laço entre eles prevalece, é um laço de sangue que não pode ser rompido, mesmo a morte não pode desfaze-lo - sua afirmação me fez refletir.

Quando o Irishi aproximou a mão do meu rosto eu achei que fosse puxar alguma parte do meu rosto de novo, mas ele só repousou a mãozinha na minha bochecha, quando olhei pra ele nossos olhares se encontravam e ele riu de um jeito muito fofo, uma gargalhada genuína que só um bebê sabe dar - irmãos foram feitos pra se cuidarem, se protegerem, eles tem que ficar unidos, por isso filho você vai ter sempre que cuidar dele tá bem? - a forma suave com que ela falou isso me fez encara-la por um instante - me promete que vai cuidar dele sempre que puder? - eu me virei de novo pra ele enquanto o pequeno bebê aproximou a testa e encostou na minha, arrancando um pequeno sorriso da minha cara enburrada - prometo - essa palavra ecoou pela minha mente. Era a promessa de uma criança mas ainda assim significou muito pra mim, significa até hoje, mas não consigo deixar de me sentir mau por todos os momentos em que não cumpri essa promessa. Nesse momento em que tudo pode ir a água abaixo, com meu irmão nas mãos frias da morte e meu coração pulsando forte por todo meu corpo as lembranças de quando eu o deixei ir pra longe com o papai, quando não fui forte o bastante pra resistir ao controle daquele ser maligno de olhos pretos e deixei meu irmão sozinho, quando o ataquei sem nem pensar que ele podia não ter escolha quando nos traiu naquele prédio e recebi um golpe muito merecido no rosto… quando o julguei sem nem pensar em como ele se sentia no hospital, e agora eu estou prestes a deixar ele morrer sem nem ter coragem de fazer nada, dane-se se não consigo me mexer, dane-se se a dor é muito grande, nada disso é desculpa.

As garras da criatura se aproximavam cada vez mais do rosto dele, as palavras "eu prometo" se repetiam cada vez mais altas na minha mente, meu coração ardia com a palpitação acelerada tomado pelo medo insano de odiar cada segundo da minha existência por quebrar a promessa, eu não posso, eu NÃO posso, eu NÃO VOU deixar ele morrer aqui. Meu coração batia tão rápido que parecia estar prestes a explodir, minhas costelas doíam com as marteladas, meus pulmões pareciam inúteis de tanta falta de ar mas num último segundo antes das garras acertarem a cabeça do meu irmão parecia que um universo inteiro tinha acabado de explodir dentro de mim, cada célula do meu corpo vibrava num formigamento estranho, diferente de quando ficam arrepiados quando uso minha individualidade meus cabelos começaram a dançar ao redor da cabeça envolvidos por uma energia azul, minha mão se fechou sozinha sobre o cabo da espada misteriosamente puxada na minha direção, o toque forçou a espada a se iluminar com a energia e se reconstruir em questão de milésimos, levantando meus olhos pro rosto daquele homem, aquele homem que ameaçava tirar a vida da pessoa a quem eu devo minha eterna proteção, meus dentes trincaram de raiva enquanto ameaçavam rachar, minhas pernas me jogaram pra frente num arrancão de velocidade absurdo na direção daquela coisa enquanto a aura de energia azul envolvia todo meu corpo.

[…]

Quando meu destino parecia estar escrito, quando eu mesmo havia aceitado minha morte a figura coberta de energia azul do meu irmão apareceu do meu lado, com a raiva estampada na face e olhos exalando um rastro de luz azul por onde passava, sua espada azul cortou o braço da criatura como se fosse queijo, não parando por aí e cortando todos os membros dele, nossos olhares se cruzaram transmitindo nossos pensamentos através de uma conexão invisível, com a mesma aproximamos nossas mãos de forma que nossas energias começaram a se misturar, as nossas armas se desintegraram em uma nuvem de poeira abstrata lentamente tomando forma.

Quando nossas energias se misturaram em uma coloração homogênea que cobriu nossos dois corpos transitando entre nós na forma de uma ligação misteriosa a nuvem de poeira se condensou em uma espada gigante com núcleo de metal e forrada por fibra de carbono irradiando luz magenta, a mesma cor da energia que transitava entre nós dois, com um sorriso psicótico na face ambos nos viramos pra criatura, que admirava de queixo caído o poder dos nossos laços, com um prazer indescritível na face agarramos juntos o cabo da espada que se iluminou ainda mais ao nosso toque e juntos brandimos a arma contra o homem, a espada perfurou o material supostamente indestrutível no peito dele como se fosse um pedaço de queijo suíço, a rajada circular de energia magenta proveniente do nosso golpe fez o ar ao nosso redor vibrar em um estrondo poderoso que cortou o corpo da criatura ao meio, apesar da espada se desintegrar logo após o golpe, a energia impregnou o metal nas paredes, no chão e no teto gerando um poderoso tremor que mais parece um terremoto.


Notas Finais


Aeeeeee cacete!!!!! FINALMENTE ACABEI ESSA PORRA!!! Desculpa a exaltação kk mas sério, EU NÃO AGUENTO MAIS AÇÃO, falta tão pouco pra eu acabar a fic (a primeira temporada pelo menos) e eu me recuso a fazer isso com ação.
O próximo capítulo tem um pouco de ação mas não tanta quanto esse aqui, é uma ação mais ou menos que termina com um pequeno presságio 😈
Até semana q vem😗


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