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História Devil's Lawyer (Catradora) - Capítulo 5


Escrita por: ac_angel

Notas do Autor


Att dupla pq já tenho vários capitulos dessa fic prontos.

AVISO:
Esse capítulo contém abuso psicológico e homofobia explicita ( não tem agressão física). Não recomendo a leitura caso você seja sensível a esse tipo de conteúdo.

Capítulo 5 - Capítulo 4


Fanfic / Fanfiction Devil's Lawyer (Catradora) - Capítulo 5 - Capítulo 4

Los Angeles, 23 de setembro de 2019

 

Catra Applesauce Point of View

 

  Já faz uma semana desde que eu tomei a decisão impulsiva de ir aquela festa e meu rosto está estampado em todas as matérias possíveis, todos os dias recebo milhares de mensagens perguntando sobre quem é a garota que eu estava beijando. É bem desconfortável, eu nunca havia falado publicamente sobre minha sexualidade, apenas meus amigos sabiam. Fui arrancada do armário á força.

 

  As mensagens estranhas também não pararam, de início eu achei que fosse Hordark tentando esgotar minha paciência, mas ele nunca perderia tanto empo com isso. Estou torcendo para que seja só mais um hater idiota, mas a situação já está me deixando aflita, nem bloqueios funcionam, a pessoa sempre volta com um número diferente.

 

- Catra, não acha que essa situação já está indo longe demais? É melhor você conversar com Hordark sobre isso. – Scorpia diz após eu finalmente contar sobre as mensagens estranhas que estou recebendo.

 

- Eu não sei. Ele não se importa muito com o que acontece comigo, só a reputação idiota dele importa de verdade.

 

- Mas você está recebendo até ameaças!

 

 - Olha, eu não quero mais falar sobre isso. – Sinto que Scorpia estava prestes a protestar, mas se cala logo em seguida. É melhor assim, eu sei que ela está preocupada, mas posso resolver isso sozinha.

 

   Sinto meu celular vibrar no bolso e o pego rapidamente, torcendo para que não sejam mais mensagens estranhas, mas infelizmente meu pedido não é atendido.

 

Número desconhecido:

Já te disseram que você é uma aberração? Deve ser por isso que sua mãe te abandonou em um

orfanato e só voltou quando você estava rica e famosa.

 

   Sinto meu coração parar e meu corpo gelar quando termino de ler o conteúdo da mensagem. Eu nunca havia falado sobre isso para ninguém da mídia, raramente falo sobre minha vida pessoal na verdade, apenas meus amigos mais próximos sabem disso. Como raios essa pessoa teve acesso a uma informação tão pessoal?

 

                                                    Catra:

                 O que você quer de mim?

                                                                               Não tem nada melhor para fazer do que encher a porra do meu saco?

 

  Número desconhecido:

  Eu quero sua ruína, e vou conseguir. É melhor você tomar mais cuidado a partir de agora, Catra.

 

 

    Fico totalmente sem reação e sequer consigo responder, permaneço olhando incrédula olhando para a tela do celular. Após alguns minutos finalmente consigo tomar uma atitude e bloqueio o número novamente, mesmo sabendo que provavelmente não vai adiantar. Talvez eu precise mudar de número.

 

- Catra, você está bem? Está olhando para esse celular há minutos. – Scorpia chama minha atenção, me dando um leve susto. Havia esquecido completamente de sua presença.

 

- Claro, eu só me distrai. – Minto descaradamente e a garota apenas dá de ombros e volta a mexer no próprio celular. Preciso urgentemente de uma distração.

 

  Me levanto e ando até meu quarto, trancando a porta logo em seguida e pegando a guitarra que estava posicionada na perto da cama. Começo a dedilhar algumas notas soltas e aleatórias, até que uma música vem em minha cabeça.

 

 Automaticamente, começo a tocar as notas de Dangerous Woman no instrumento enquanto cantarolo baixinho a letra da música. Não é muito o estilo de música que eu costumo escutar normalmente, mas é perfeita para tocar na guitarra, então apenas me deixo levar pela melodia.

 

  Já estava completamente perdida entre notas e pensamentos, quando ouvi o toque irritante do celular novamente. Pego meu celular em cima da cômoda e não posso evitar um revirar de olhos quando vejo quem está me ligando.

 

- O que você quer agora? – Perguntei sem tentar parecer educada.

 

- Olha como fala comigo, ainda sou sua mãe. Precisamos conversar, agora. – Samanta Weaver sibila irritada.

 

- Não, você não é minha mãe e devia ter vergonha de falar uma coisa dessas. E o que te faz pensar que eu quero conversar com você?

 

- Você querendo ou não eu sou sua mãe. E vai vir conversar comigo, a não ser que queira que eu faça da sua vida um inferno nos próximos dias. – Ela diz com um tom ameaçador, mas sinceramente, eu já nem me importo mais.

 

- Você já faz isso. – Murmuro irritada antes de desligar a chamada.

 

   Me levanto da cama e pego minha bolsa e chaves da moto, já me preparando psicologicamente para essa “conversa”. Conhecendo Samanta, que eu carinhosamente apelidei de Shadow, não há chance nenhuma de esse encontro ser amigável. Ela deve ter visto as últimas polemicas envolvendo meu nome e agora tem mais motivos para me humilhar.

 

- Aonde você vai? – Lonnie, que agora estava na sala junto com Scorpia, me pergunta enquanto eu abro a porta de casa.

 

- Estou indo até a casa de Samanta, ela quer conversar comigo. – Digo sem mais explicações.

 

- Hordark vai ficar uma fera por você estar saindo sozinha. – Scorpia me avisa.

 

- Eu me resolvo com ele depois. – Respondo, sem dar muita importância.

 

 

  Por sorte, a maioria dos seguranças está de folga hoje e os poucos que estavam presentes se encontravam distraídos conversando uns com os outros, então não tive problemas ao sair com minha moto pelos fundos.

 

  A casa de Samanta não fica muito longe de onde eu moro, então em menos de vinte minutos já estou tocando a campainha do local. A mulher rapidamente abre a porta e me dá passagem para entrar.

- O que você quer dessa vez? – Perguntei sem nem ao menos cumprimentá-la antes, só quero acabar com isso de uma vez.

 

- Uma mãe não pode querer ver sua filha? – Céus, ela é tão cínica, e o sorriso falso em seu rosto só aumenta minha raiva.

 

- Não tenho tempo para os seus joguinhos, Samanta. Me diga logo o que você quer para que eu possa ir embora daqui o mais rápido possível. – Respondi sem um pingo de paciência.

 

- Está bem, que história é essa de você sair beijando garotas por ai? – Ela perguntou séria.

 

- Receio que isso não seja da sua conta.

 

- A partir do momento que isso prejudica a sua imagem e consequentemente minha reputação, é sim da minha conta. – Ela respondeu irritada

 

- Eu estou pouco me fodendo para sua reputação. Você passou dezoito anos sem sequer me procurar, nunca se importou comigo, então não tente bancar a mãe preocupada a essa altura do campeonato. – Falei praticamente gritando, sem conseguir controlar minha raiva. A mulher solta uma risada dissimulada, o que me deixa ainda mais furiosa

 

- E o que te faz pensar que eu me importo com você? Eu só não quero alguém com o meu sobrenome que seja uma lésbica desviada. – Ela se aproxima de mim e me olha intensamente antes de continuar a falar. – Sabe por que eu larguei seu pai? Ele era um fracassado, um zé ninguém e a pior escolha da minha vida.

 

- E por que está me contando isso justo agora?

 

- Simples, foi por isso que eu te abandonei naquele orfanato também. Não queria que as pessoas soubessem que eu, uma advogada bem sucedida, tivesse engravidado de um falido. E, de alguma forma, senti que você seria igual a ele.

- Ela disse com uma naturalidade assustadora.

 

- O que você quer dizer com isso? – Sibilei com raiva.

 

- Você é uma decepção, Catra. Quando seu nome veio a mídia e você começou a ficar famosa, tentei contato novamente porque pensei que haveria chance de você ser alguém na vida. Aparentemente, eu estava errada. Mesmo com toda fama e dinheiro, você continua sendo uma zé ninguém, uma fracassada. Não é tão talentosa quanto pensa, e com certeza não faria falta naquilo que você chama de banda.

 

   Não tenho forças para refutar suas palavras, então ela apenas continua com suas ofensas e humilhações.

 

- Você é instável, problemática, nunca será o suficiente para nada nem ninguém. Um ser humano coerente não seria capaz de amar alguém como você. Não bastasse estar virando um alcoólatra, agora também beija mulheres? Você vai queimar no fogo do inferno por esses pecados, eu preferia ter uma filha morta a uma que fosse tão desviada dos caminhos de Deus e da normalidade

 

 

 

  Suas palavras são como uma faca cravando lentamente em minha pele. Tenho vontade de gritar, rebater tudo o que ela disse, extravasar minha raiva, chorar. Mas não consigo fazer nada disso, então apenas saio de sua casa e ando apressadamente até minha moto.

 

  No caminho de volta para casa, paro em um mercado 24hrs para comprar algumas bebidas e outras besteiras para comer. Antes de entrar, coloco o capuz do moletom sobre minha cabeça e pego uma máscara preta que fica guardada em minha bolsa para esse tipo de ocasião. Não quero correr o risco de ser reconhecida.

 

  Ao entrar, vou direto ao corredor de bebidas e pego algumas garrafas de vinho e vodka, seguindo para o corredor de salgadinhos e doces.  Essa com certeza não é a melhor solução para os meus problemas, mas no momento só quero ficar bêbada e me entupir de doces.

 

  Quando estava passando minhas compras no caixa, meu olhar cruza com o de uma garota que havia acabado de passar pela porta da frente. Ela é loira e alta, e tenho quase certeza de que já a vi em algum lugar. Pensando nisso, uma memória surge em minha mente e me lembro da garota em questão. Adora.

  Nos encaramos por alguns segundos que mais parecem minutos, mas antes que eu possa fazer qualquer coisa, ela é arrastada pela mesma garota baixinha que vi com ela na semana passada. Decido penas deixar para lá e pago minhas compras, voltando ao meu trajeto.

 

  Quando chego em casa, não há ninguém na sala ou na cozinha e fico aliviada por isso. Não quero responder nenhum tipo de questionamento agora. Subo as escadas quase correndo e me tranco no quarto.

 

  Sem conseguir segurar mais, deixo as lagrimas correrem livremente pelo meu rosto, em um choro silencioso, por mais que minha vontade fosse gritar até ficar sem voz. Sem perder mais tempo, abro a garrafa de vodka e começo a beber direto do gargalo.

 

  Alguns minutos já sinto meu corpo mais relaxado e anestesiado pela sensação do álcool correndo em minhas veias. Penso em como minha vida é uma desgraça e começo a rir exageradamente, efeito do álcool. E logo em seguida volto a chorar lembrando de todas as coisas que ouvi de Shadow Weaver.

 

  Quem ela pensa que é? Ela não tem o direito de me abandonar na porra de um orfanato e só aparecer dezoito anos depois e ainda me tratar desse jeito. E pensar que há cinco anos, quando Samantha apareceu, no fundo eu estava feliz. A raiva e a mágoa pelo abandono nunca passaram, e talvez eu nunca consiga perdoá-la por isso. Mas, pela primeira vez na vida, eu tinha contato com alguém da minha família.

 

   Eu tinha esperanças de que ela estivesse arrependida, que ia me tratar bem e tentar recuperar os anos perdidos. Mas eu estava terrivelmente enganada, tudo não passou de uma maldita ilusão da minha cabeça. Minha vida só piorou depois que essa megera apareceu.

 

  E assim, chorando e em meio a garrafas de bebidas vazias e embalagens de qualquer besteira que encontrei no mercado, adormeço.

 


Notas Finais


Cara, foi MUITO doloroso para mim escrever esse capítulo, justamente porque eu sei que apesar de ser só uma história, é uma coisa que infelizmente acontece muito na vida real. Eu tenho uma mãe maravilhosa que sempre me apoiou em tudo, mas nem todo mundo tem essa sorte, e eu fico bem triste por isso.

Enfim, estão todos convidados a dar um socão na SW e arrebentar a cara dela

P.S: Cap não revisado


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