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História Devorador - Capítulo 3


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Capítulo 3 - Prisão


Devor estava dentro da viatura policial sendo levado algemado para alguma das prisões por ali, ele ficou com a cabeça encostada na janela admirando a vista por onde passava, aquela cidade era bem bonita mesmo. Não demorou muito para chegar na prisão e Devor ser tirado do carro por um policial. Ele foi levado para dentro do complexo, uma prisão simples por fora, parecendo pequena também, mas assim que passa pela porta de entrada, ele vê que o lugar é bem maior do que parecia ser.

Ele foi levado pelo policial até a recepção onde foi revistado por um guarda e passou pelo detector de metais, não apitou. O policial dentro da cabine de segurança apertou um botão no painel de controle que fez a porta de barras de metal abrir. Devor foi empurrado para dentro pelo policial que continuou acompanhando o mesmo.

-Onde estamos indo? -Devor finalmente decidiu perguntar, mesmo já esperando uma resposta óbvia como a que receberia em qualquer outro planeta em uma prisão.

-Vai ficar na casinha de cachorro esperando como um bom garoto. -Brincou o policial com um ar de zombaria. -Vai ficar preso até os superiores decidirem o que vão fazer com você.

-Justiça de merda. -Falou Devor enquanto eles dois entravam na área dos presidiários. Dois andares de celas repletas de presos, havia mais passagens para frente que deviam levar ao refeitório, banheiro, área de lazer e biblioteca. Mas Devor não foi para nenhum dos dois, o policial virou a esquerda e abriu uma cela vazia com uma das chaves que tinha na cintura.

Ele jogou Devor dentro da cela e a trancou. Era bem simples, uma cama beliche, um vaso e uma pia, uma mesa de madeira junto com uma cadeira, em cima dela havia um caderno com lápis grafite comum. A cama com lençóis brancos e travesseiros da mesma cor. O policial tirou as algemas de Devor e fechou a cela.

-Boa noite bonitão. -Disse ele dando um sorrisinho para Devor enquanto deu a volta e desapareceu do corredor principal.

Devor olhou ao redor analisando tudo estava por ali, talvez conseguisse quebrar tudo e escapar, mas no momento tinha se cansado de correr e precisava relaxar um pouco. Ele pegou o caderno e o lápis na mesa, objetos que já conhecia, e deitou na cama. Ele abriu o caderno vazio, era pequeno também, deveria ter oitenta ou noventa folhas. Logo, começou à fazer rabiscos em toda uma folha.

Distante dali, no aeroporto, uma garota usando um vestido branco com bordas azuis carregava uma mala de rodinhas da cor bege, ela tinha uma cicatriz de queimadura no pescoço e na perna esquerda, cabelos pretos longos e olhos azuis, tinha dezoito anos mas com uma aparência bastante juvenil. Ela era baixa, estava sorrindo com as bochechas levemente coradas e andava rápido com os sapatos pretos que usava.

-Hm... não devo estar tão longe, se pegar um táxi, chego em quinze minutos ou menos. -A garota disse para si mesmo com uma voz doce e suave.

Ela deixou o aeroporto e ficou observando a rua, assim que um táxi se aproximou, ela estendeu a mão e o carro parou. A garota entrou colocando a mala primeiro e depois fechou a porta.

-Para a prisão John Morony, pegue o caminho mais curto, por favor. -Ela falou sorrindo novamente e logo o motorista deu a volta com o táxi e seguiu pela estrada.

De volta na prisão, Devor tinha acabado seu desenho, ele fez um desenho quase perfeito de como era a passagem para o Templo de Ardorrus, a criatura mais temida de seu mundo. Ele já havia visto a entrada algumas vezes, mas nunca se aproximou o suficiente para olhar dentro do templo. Era um arco em espiral coberto por flores e cipós que nasceram ao redor da passagem, ao fundo, o templo de pedras velhas e algumas cobertas por musgo, a luz do sol iluminando todo o local dava um aspecto bem mais lindo.

-Acho que nunca mais voltarei para Nekhorthin, então agora esse planeta é meu novo lar, e eu já estou preso. -Pensou Devor se sentando na cama e deixando o caderno de lado.

Então, a porta da cela abriu, não só a dele, mas de todas as outras também. Policiais apareceram segurando bastões, eles estavam guiando os prisioneiros para o refeitório, logo, um dos guardas que Devor nunca havia visto pediu para ele sair da cela, o garoto se levantou da cama e obedeceu enquanto andava na direção dos outros prisioneiros. Eles todos foram para o refeitório formando uma fila única, Devor entrou nela e ficou como último, um dos guardas olhou ele com maus olhos, mas não fez nada além disso. Ele seguiu junto com os outros até finalmente entrar no refeitório, era bem simples, mesas e bancos divididos por áreas, o balcão com a comida do dia onde os presidiários pegavam suas bandejas, e tinham policiais em cada canto do lugar fazendo a guarda para que nenhum espertinho começasse uma briga ou algo assim.

Devor apenas seguiu assim como todo mundo, ele pegou uma bandeja vazia no começo do balcão e logo os cozinheiros estavam servindo a refeição. Na bandeja de Devor foi colocado arroz, feijão, batata, alface, carne cozida e macarrão. Ele ganhou uma caixa de suco também no final da fila. O garoto sabia como devia funcionar o sistema penitenciário dali, então seguiu até um banco vazio e se sentou, pegou a colher de plástico que estava na bandeja e começou à provar tudo.

Gostou do arroz e do feijão, não gostou do alface e do macarrão, a batata ficou em meio termo e o suco tinha um gosto vazio, como água. Água não tinha sabor nem mesmo com a língua que os Starveling's tinham. Ele estava comendo bem, quando alguns homens com o uniforme da prisão sentaram com ele na mesa. Estavam olhando para Devor como um intruso na área deles, eram cinco homens no total.

-Ei, novato, tá gostando da comida? -Um deles perguntou. Esse estava na frente de Devor e sorria com um ar de superioridade 

-Podiam não me interromper? Gosto de comer em paz. -Devor falou calmo fechando os olhos enquanto sentia o gosto levemente amargo e agradável da batata.

-Ha! Esse filho da puta acha que manda em algo por aqui, vamos mostrar pra esse merda como as coisas funcionam! -Um deles gritou alto e em seguida jogou a bandeja de Devor para longe.

Devor ficou parado olhando para a mesa, o cabelo cobria seus olhos e sua boca tremia levemente como um tique nervoso, ele então se levantou ainda mantendo a cabeça baixa, se virou para o homem que havia jogado sua bandeja longe e levantou o olhar, estava sombrio e com um ódio intenso que podia ser sentido por todas à sua volta, seus olhos como um lobo prestes à devorar sua presa e a boca aberta levemente mostrando seus dentes afiados.

-Eu odeio que me interrompam quando estou comendo. -Devor pronunciou com uma voz grave e aguda causando um arrepio na espinha daqueles homens.

O garoto então colocou as mãos embaixo da mesa e jogou contra o homem na sua frente, a força que usou foi alta fazendo ele ser jogado para longe contra outros presidiários, isso causou uma grande confusão com vários de detentos começando à brigar um com os outros, os que ainda estavam perto de Devor avançaram contra ele. Rapidamente, o garoto segurou a cabeça de um deles e quebrou seu pescoço o girando rápido, em seguida, ele perfurou o peito de mais um com as duas mãos e arrancou fora seus pulmões. Isso foi o suficiente para fazer alguns correrem de medo e a bagunça aumentar ainda mais, a polícia estava entrando no meio tentando parar o caos, mas a briga estava por todo lado com diversos presos matando uns aos outros. Devor lambeu o sangue dos dedos e seguiu em frente para tentar saciar mais sua fome.

Na ópera de Sydney, Tennady ainda estava investigando algumas coisas enquanto Artyom comia um hambúrguer no palco do teatro, alguns outros detetives também vasculhavam o local, as maiores dúvidas levantadas por eles eram...

-Como diabos esse cara chegou e entrou aqui? Por que e como ele quebrou a parede do teatro e quem é ele? -Tennady perguntou para si mesmo em voz alta.

-Ei, sabe, os maiorais querem logo que a investigação termine aqui para eles reconstruirem o lugar e voltarem com as programações, quem sabe quanto tempo e dinheiro eles já perderam... -Artyom fala olhando Tennady e morde o hambúrguer mais uma vez.

-Cala a boca, estou me concentrando. -Tennady falou respondendo para Artyom enquanto olhava o chão bastante de perto.

Então, uma viatura da polícia estacionou perto da ópera. De dentro saiu um guarda vestindo o uniforme, ele correu até a ópera e entrou nela olhando diretamente para Tennady e Artyom.

-Detetives! -O policial foi correndo até eles e parou um pouco para recuperar o fôlego enquanto mantinha as mãos nos joelhos. -Estava tentando ligar para seu celular, mas ele nem mesmo chamava.

-Ah, desculpe, eu sempre desligo o celular nas terças feiras. -Tennady disse o olhando. -É o dia que minha ex mulher liga pedindo dinheiro, prefiro passar o dia sem celular do que falar com ela, podia ter ligado para o Artyom.

-Não tinham o número do senhor Artyom... -Agora o policial recuperou o fôlego e olhou diretamente para Tennady. -Pegaram o assassino conhecido como Devor ou alguém muito parecido com ele, está na John Morony.

-Porra, Cléber! Devia ter falado logo! -Tennady segurou o braço de Artyom e o puxou para fora da ópera. Eles foram para dentro do carro e Tennady ligou o carro. -Eu quero fazer algumas perguntas, mas isso está um pouco estranho... -Tennady acelerou saindo dali.

-Nem terminei de comer... -Artyom falou com uma voz triste, mas logo se recuperou e olhou para Tennady. -O que é estranho?

-Ele foi pego tão facilmente... deve ser ruim em esconder ou fugir. -Tennady respondeu enquanto pisava mais fundo no acelerador e passando alguns sinais vermelhos.

-Tenha cuidado para não nós matar! -Artyom gritou colocando o cinto de segurança como se isso fosse salvar sua vida naquele instante.

Na prisão, Devor estava dando socos em alguns prisioneiros e poucos policiais, a confusão parecia não ter fim, apenas aumentava cada vez mais. Logo Devor percebeu o nível em que aquilo estava e com certeza muitos problemas estavam por vim, então ele precisava sair dali logo utilizando qualquer coisa.

Devor saiu do refeitório pela saída de emergência e agora estava no pátio ao lado, a cerca era elétrica, mesmo sendo mais resistente, Devor ainda tomaria o choque. Logo, um policial passou armado com uma espingarda para dentro do complexo, ele não viu Devor no pátio por estar bastante apressado.

Essa era quase uma chance perfeita para fugir, os guardas estavam concentrados no refeitório para acabar com o caos formado ali, a entrada principal não tinha sido reforçada, apenas três policiais e um guarda continuavam ali. Devor então olhou à sua volta e viu uma cadeira de ferro ali, andou até ela e a pegou.

-Porra, logo hoje esse vagabundos decidem fazer uma baderna, justo hoje. -Um dos policiais disse limpando o nariz.

-Você disse "hoje" duas vezes, tem algo de tão especial assim? -O colega ao lado dele perguntou o olhando.

-É aniversário da minha filha de três anos, eu devia correr pra lá agora comemorar com- Antes de terminar de falar, Devor se aproximou rapidamente sorrindo com a cadeira de ferro em uma das mãos.

Ele a jogou contra um dos policiais com uma grande força, acertou sua cabeça o fazendo desmaiar na hora, ele já estava perto o bastante para pegar o corpo do policial e arremessar contra os outros dois que caíram deitados no chão. Devor olhou para o chão e viu a pistola que havia caido da cintura do policial, ele a pegou e apontou para o guarda de segurança que já tinha tirado o telefone do gancho, atirou uma vez e acertou sua garganta. Ele apontou para os três policiais no chão e deu um tiro na cabeça de um, outro tiro na barriga do segundo e puxou o gatilho contra o terceiro, mas não tinha mais munição.

-Por favor, não me mate! Eu tenho mulher! Eu tenho uma filha! Hoje é o aniversário dela! Por favor! -Gritava implorando e chorando o policial enquanto olhava para Devor que se aproximava com um rosto estranhamente sério.

-Escuta aqui seu merdinha, eu nem precisei viver muito tempo aqui para perceber que sua raça só tem o objetivo de crescer, se reproduzir e morrer depois disso, além do fato dos humanos terem um grande medo da morte. Você acha que vou te deixar vivo apenas por ter uma filha? O quão isso te torna diferente das outras bilhões de vidas no planeta? Acha que se eu te deixar ir para a festa e pedir gentilmente que você volte aqui para morrer, vai fazer Isso? Não, você não vai, irá fugir para bem longe, sozinho ou com sua família, porque os humanos tem medo de morrer e perceberem que só nasceram para transar e esperar pela morte. Pois bem... -Devor se abaixou na direção do homem e colocou a mão em seu pescoço. -Eu sou a sua morte. Não me importo com outras vidas, muito menos com a sua. Então, adeus.

Devor começou à apertar o pescoço do policial, mas então o som de um disparo veio das costas dele, era um pequeno grupo de policiais que saiu da penitenciária e viu aquela cena. Devor ficou enfurecido e jogou o policial que segurava contra eles. Aproveitou essa chance e correu para longe.

Entrou numa pequena vegetação ali perto onde continuo correndo, em sua mente, se imaginou como um animal na selva, vivendo a vida como uma guerra e sentindo uma leve adrenalina. Ele sorriu levemente enquanto corria voltando à sentir a liberdade em suas veias, então chegou em uma estrada, mas para sua surpresa, um táxi o atropelou. Ele caiu rolando poucos metros na frente do carro, nesse momento, a garota do aeroporto desceu preucupada e correu até onde o rapaz estava caído.

-Ei! Você está be- Ela parou de falar ao ver o rosto do garoto, era o mesmo rosto que ela tinha visto antes no computador, o rosto do novo assassino canibal procurado.

-Droga... -Devor olhou para o braço e sentiu o osso quebrado, o segurou e torceu rapidamente fazendo o osso ficar no lugar de novo, continuava quebrado, mas agora sua pequena regeneração podia juntar o osso novamente.

-Você... é o... Devor, não é? -A garota perguntou corada e levemente ofegante, por incrível que pareça, estava sorrindo e com os olhos brilhando.

-Maldição... -Pensou Devor olhando para a jovem, mas algo parecia diferente com aquela pergunta e também com ela. -Sim? -Ele respondeu um pouco em dúvida se devia ou não ter falado.

-Então, por favor! -A garota se jogou em cima dele o deitando no asfalto. Ela estava por cima dele olhando diretamente e bem perto do seu rosto, ela estava sentada em cima da cintura dele se movendo para baixo de uma forma sensual, seu corpo estava quente e ela babou um pouco encarando o rapaz, então falou olhando para ele sorrindo e corada com uma voz ofegante e excitada: -Me coma!


Notas Finais


Próximo capítulo em breve.


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