História Devotion - Capítulo 7


Escrita por:

Postado
Categorias Supernatural
Personagens Dean Winchester, Personagens Originais
Tags Dean Romance, Dean X Oc, Ninfas, Personagem Original, Romance, Supernatural
Visualizações 301
Palavras 4.147
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Romance e Novela
Avisos: Álcool, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sexo, Spoilers, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


E os anjos fazem um coral de amém, porque olha, dessa vez eu demorei hein?
Peço desculpas logo de cara, porque mesmo em hiatus sei que foi mais demora do que devia...

Mas o importante é que estou aqui, então agradeço de coração a paciencia e os comentários amorzinho de vocês, obrigada de verdade!!!

E vamo que vamo que tem história pra ser contada!

Capítulo 7 - Filha de quem?


Fanfic / Fanfiction Devotion - Capítulo 7 - Filha de quem?

~ Dean Winchester ~

Acordei com a porcaria de um barulhinho infernal apitando bem do lado da minha cabeça.

— Cala a boca! — Resmunguei, cobrindo o rosto com o travesseiro afim de abafar o som, que continuou incessante. Merda!

Levei um ou dois segundos para entender que era o despertador e que mandá-lo "calar a boca" era inútil...

Despertador esse que eu tinha certeza de ter desprogamado ao menos dez vezes e, mesmo assim, tocava em manhãs esporádicas. Geralmente nas que eu queria dormir até mais tarde...

Porcaria de tecnologia antiga do Bunker!

Bati a mão sobre o criado-mudo, tentando encontrar aquele cacareco, mas mesmo alguns tabefes não fizeram o som cessar.

Minha mente gritou de ódio, joguei o travesseiro para o lado e me sentei na cama, agarrando meu "inimigo" com um instinto assassino correndo minhas veias, taquei aquela porcaria escandalosa na parede, sentindo plena satisfação pessoal quando a coisa se despedaçou e finalmente o silêncio voltou a reinar no meu quarto.

— Quero ver você ficar gritando agora... — Sorri de canto e caí na cama novamente.

Mas apesar do meu estado de sonolência, tentar dormir de novo foi inútil, uma merda, porque eu estava no meio de um sonho maravilhoso com duas asiáticas peitudas...

Imaginei que ficar deitado mais um pouco surtiria efeito, porém a minha bexiga não queria colaborar.

— Então ‘tá... — Suspirei, espreguiçando o corpo e me colocando de pé sem nenhuma disposição.

Minha ereção matinal deu "Olá" enquanto eu vestia as calças e novamente lamentei o sonho interrompido com as asiáticas peitudas, nada que um pornô depois do café não resolvesse...

Joguei o roupão por cima do "pijama", vulgo roupa velha pra caramba, e deixei o quarto ainda esfregando os olhos.

Tomara que Sam já tenha levantado e tenha feito café, eu realmente preciso de café... Fui resmungando mentalmente, me arrastando até o banheiro.

Eu já estava com a mão na maçaneta, bocejando abertamente, quando a porta se abriu e um corpo pequeno se chocou com o meu, trazendo o perfume de banho recém tomado direto para minhas narinas.

Valerie estava secando o cabelo com uma toalha enorme e por isso não me viu de imediato, até que batesse contra o meu peito.

— Desculpe... — pediu toda desajeitada, subindo os olhos para o meu rosto, enquanto todo seu rosto ficava vermelho feito um tomate, o que de alguma forma a deixava adorável como um filhotinho.

— Bom dia — cumprimentei em resposta, tentando não rir da cara de assustada dela.

Por um segundo eu tinha esquecido que podia dar de cara com uma bibliotecária com cara de anime no meu banheiro. Tudo bem que já fazia uma semana, mas em algumas partes eu não tinha acostumado totalmente ainda.

— Bom dia, Dean — Valerie respondeu e sorriu meio sem jeito, mordendo o canto interno da boca, enquanto passava por mim.

Eu honestamente não entendi por que ela estava tão sem jeito, afinal só tínhamos nos esbarrado na porta do banheiro, nada demais.

— Espera... — Ela parou repentinamente no meio do corredor e deu meia volta para me encarar. — Você ia bater na porta, não ia?

Alternei o olhar entre Valerie e a porta algumas vezes. Não, eu não ia bater...

— Não estava trancada? — Perguntei naturalmente e ela desviou os olhos muito rápido.

— Claro... Claro que estava trancada. — Riu toda sem graça e voltou a andar.

A garota definitivamente não sabia mentir, coitada...

Fiquei observando enquanto ela se afastava, com a toalha na mão, um vestido azul florido, que parecia coisa de filme romântico, e, claro, com os pés descalços.

Eu já tinha percebido que era uma mania dela.

Detive minha atenção no modo como ela andava, quase na ponta dos pés... Se o chão estava frio por que ela simplesmente não colocava um sapato?

Eu ainda estava olhando, quando Valerie virou para trás no fim do corredor e me pegou no flagra, franzindo as sobrancelhas como se precisasse entender o que eu estava fazendo.

Foi minha vez de ficar sem graça, coisa muito difícil, e entrar no banheiro como se nada de mais estivesse acontecendo.

Quer dizer, claro que não tinha nada de mais, eram só pés afinal de contas. E eu nem sabia por que me chamavam tanta atenção.

Talvez fosse o fato de serem pequenos como chaveirinhos. É, devia ser isso...

Ri da minha idiotice e resolvi usar o vaso de uma vez e quem sabe tomar um banho também...

Não pude deixar de notar que o banheiro cheirava muito bem, o que era estranho, porque nem o sabonete nem o shampoo cheiravam daquele jeito...

Sim eu conferi.

Resolvi parar logo de bobagem e tomei uma ducha rápida, torcendo para que Sammy já tivesse saído e comprado algo bem gorduroso para o café.

Voltei para o quarto e vesti qualquer coisa que achei pelo chão, para então seguir até cozinha.

Conforme fui me aproximando eu podia sentir um cheiro gostoso de café fresco e ouvir a risada do meu irmão.

— É muito fácil, viu? — A voz de Sam dizia cheia de humor.

Fazia algum tempo que ele não soava tão contente daquele jeito...

Parei na porta da cozinha, sem que ninguém notasse minha presença, e vi que meu irmão e Valerie estavam na frente do fogão com uma frigideira e o que parecia massa de panqueca.

— Eu já disse que não consigo, sou descoordenada... — Valerie retrucou no mesmo tom animado.

— Mas você nem tentou... — Sam parecia decidido a convencê-la de alguma coisa.

— Isso é porque eu não quero comer as panquecas e não brincar com elas. — Valerie deu de ombros e eles prosseguiram no que parecia a tarefa de fazer o café da manhã.

O triste é que se dependesse de Sam, eu seria obrigado a comer alguma coisa saudável e horrorosa...

Ver os dois entrosados daquele jeito não era uma grande surpresa, não demorou muito mais que um dia ou dois para que eles se dessem bem, como se fossem gêmeos siameses. Dois nerds.

Sam tinha assumido para ele a missão de fazer Valerie se sentir melhor e, a julgar pelos últimos dois dias, ele estava obtendo sucesso.

Isso era bom, afinal ver a garota se arrastando tristonha de um lado para o outro do Bunker não era algo que eu gostava de ver.

Ela não merecia toda aquela dor.

— Bom dia... — declarei, para que minha presença fosse notada e finalmente entrei na cozinha. Valerie apenas acenou com a cabeça, afinal, já havíamos nos encontrado.

— Bom dia, Dean. — Sam respondeu virando uma das panquecas no ar

— Exibido... — Valerie revirou os olhos e eu entendi o contexto da conversa dos dois. — Sabe que não tem nada errado em usar a espátula, não é? Ela meio que serve pra isso mesmo.

Me sentei sem muito ânimo, toda aquela energia e atividade antes de uma boa xícara de café realmente não era pra mim...

Enquanto Sam continuava incentivando Valerie a virar uma panqueca no ar e ela se negava, eu encarei a cafeteira na bancada e lamentei ter sentado tão longe.

— Se você não tentar, nunca vai conseguir. — Meu irmão riu, enquanto colocava a panqueca pronta em um prato sobre a bancada.

— Deixa a menina, Sammy, se ela tentar vamos acabar com panqueca grudada no teto. — Entrei na brincadeira e Valerie me encarou com os braços cruzados.

— Também não é pra tanto. Eu sou só um pouquinho descoordenada... — Ela retrucou com o narizinho empinado.

— Um pouquinho? — Eu tive que rir. — Você consegue tropeçar nos próprios pés.

Valerie fez uma careta de desdém e Sam segurou a risada. Ela caminhou até a bancada e serviu uma xícara enorme de café, entregando-a pra mim, sem que eu precisasse pedir.

Enviada dos céus!

— Desculpe se eu não tenho a sua destreza e graça, senhor caçador de criaturas malignas super fodão. — Valerie ironizou enquanto eu bebia o meu café, tendo plena certeza que não tinha sido feito pelo meu irmão.

Ela podia ser estabanada, mas fazia um ótimo café...

Pousei a xícara na mesa enquanto meu irmão ria.

— Não sei do que você está rindo, Sammy, ela está certa eu sou um caçador super fodão mesmo. Eu matei Hitler! — Me gabei superior.

— Como? — Valerie me encarou chocada e eu me preparei para contar a melhor história de todas, um tanto surpreso que Sam já não tivesse contado todos os detalhes da nossa vida naquela última semana.

— Por favor, não dá trela, ele não vai parar nunca mais...  — Sam pediu diretamente para a garota, enquanto colocava as panquecas na mesa.

Revirei os olhos, decidindo não contar mais nada, pelo menos não naquele momento.

— Então você comprou hambúrgueres também ou... — Apontei as panquecas na mesa.

— Então... — Sam colocou as duas mãos juntas como se tivesse uma novidade pra contar. Uma péssima novidade... — Eu a Valie conversamos, e ficamos pensando que talvez fosse uma boa ideia trocar o nosso usual café da manhã de fastfood, por algo mais...

— Se disser “Saudável” eu não respondo por mim... — ameacei, embora também tenha notado que Sam chamou a Valerie de “Valie”...

Pelo visto os dois estavam bem amiguinhos... Então era isso, os dois estavam de complô contra o meu estilo de vida? Que mal faz um pouco de fastfood? Ou muito, no caso...

— Caseiro. O Sam ia dizer que podemos trocar o fastfood por algo mais caseiro.... — Valerie completou e usou um tom conciliador que a fez parecer uma professora do prézinho.

— Então você é dessas garotas que se contentam com uma folha de alface... — presumi alternando meu olhar de desgosto entre os dois. — Que decepção...

— Eu gosto de salada, sim. Às vezes. E gosto de fastfood também. Ás vezes. Tudo se trata do equilíbrio. E eu pensei que podíamos ter um pouco de equilíbrio com panquecas, suco, ovos e Bacon... — Ela começou, enquanto colocava um prato enorme de bacon quentinho em cima da mesa. — Não precisamos comer como musas fitness super saudáveis, nem como crianças de doze anos mimadas, por isso pedi para o Sam trazer coisas diferentes do mercado dessa vez, já que na geladeira não tinha nada que...

— Já chega de blá-blá-blá, você me ganhou quando disse “bacon” — interrompi, puxando o prato pra perto de mim. — Mas eu não vou dividir, já aviso.

Sam não pareceu muito satisfeito em saber que não ganharia nenhum bacon, mas se deu por vencido, jogado as duas mãos para o alto.

Ele que ficasse com o suco verde e os sanduíches naturais, ué...

Valerie finalmente se sentou e serviu-se de panquecas.

— Mas você ‘tá certa, o Sammy come mesmo como uma criança de doze anos mimada — comentei com a boca cheia de bacon e meu irmão revirou os olhos.

Valerie riu, aquela risada gostosa que ela tinha, e eu fiquei feliz de ouvir isso pela primeira vez desde tudo que tinha acontecido.

— Isso quer dizer que é você que come como uma musa fitness, então? — Sam perguntou bem-humorado e eu assenti, enquanto colocava uma quantidade absurda de melaço na minha panqueca.

— Claro, musas fitness são todas lindas e gostosonas, eu também, logo, eu como igual a elas, simples... — Dei de ombros e arranquei risadas dos dois na mesa.

Eu não via graça, afinal você é o que você come certo? Logo: coma coisas gostosas e será gostoso, raciocínio lógico...

Enquanto tomávamos o café, eu me dei conta que aquele clima ameno e bem-humorado não era algo muito comum no bunker, principalmente nos últimos meses e mais ainda depois que Jack sumiu, mas pelo visto tirar Valerie do luto tinha contagiado não apenas o Sam...

E no fim era bom ter uma folga de toda a tragédia e clima de catástrofe que nos cercava. Além disso, por mais que Sam achasse que a mãe pudesse ser salva, eu sabia que aquilo era só a negação dele para o próprio luto. Pra mim ela já estava morta, e tínhamos que seguir em frente.

Não conseguiríamos fazer nosso trabalho direito de outra forma.

Quanto ao Jack, parte de mim achava que ele tinha dado um jeito de ir atrás do pai de verdade... Cultivar esperanças nunca deu muito certo pra mim. O jeito era encarar a coisa de frente e ser prático.

E, de alguma forma, Valerie era um sopro de leveza no bunker. Quer dizer, ela não era a primeira garota a colocar os pés ali, mas tinha algo nela, um tipo de inocência, que Charlie e a minha mãe não tinham.

Ela era boa, o que só me deixava mais ciente que eu tinha que fazer o meu trabalho direito e não podia pisar na bola daquela vez. Valerie não podia ter o mesmo fim que todos os outros que já tinham estado sob a minha proteção.

Eu estava com esses pensamentos em mente, quando um som na entrada o bunker chamou nossa atenção e logo uma voz muito conhecida ecoou nos corredores.

— Amigos? — Era Castiel.

Aquele anjo de uma figa já devia estar de volta há dias, mas tinha ficado à procura de Jack, por isso aquela demora.

No fim era assim mesmo, por mais próxima que a pessoa fosse ela nunca ficava por muito tempo, ninguém ficava, mesmo o Sam já tinha passado por aquela fase de dar o fora.... Eu já estava acostumado a ver as pessoas irem embora.

— Estamos aqui, Cas! Na cozinha. — Gritei em resposta.

— Você finalmente vai conhecer o Castiel. — Sam avisou e Valerie abriu um sorriso enorme.

Os dois já tinham falado sobre o Castiel e eu sabia que Valerie estava ansiosa para finalmente “conhecer um anjo”.

Assim que Castiel apareceu na porta sua postura abatida e decepcionada me disseram tudo que eu precisava saber.

— Hey, Cas! — Saudei e é claro que ele tinha que me abraçar. Nunca vi um anjo gostar tanto de abraços... — Não teve sorte com o Jack, não é?

Ele negou algumas vezes e seu semblante ficou ainda mais cabisbaixo, então cumprimentou Sam do outro lado da mesa.

— Essa é a Valerie... — Meu irmão apresentou apontando a garota.

— A filha de Caliope... — Castiel mediu Valerie de baixo a cima e não pareceu muito receptivo, o que era um tanto estranho.

— Eu prefiro filha de Diana e George Lockheart, na verdade, mas tudo bem. — Valerie sorriu sem graça e levantou para cumprimentá-lo, estendendo a mão direita. — É uma honra.

— Castiel, anjo do Senhor. — Ele se apresentou, então segurou a mão dela.

Algo muito estranho aconteceu então: A mão de Castiel começou a ficar vermelha, como se ele tivesse acabado de tocar o fogo.

Ambos se soltaram no mesmo instante, quando o anjo emitiu uma exclamação de dor.

— Eu não... — Valerie estava visivelmente assustada e surpresa, segurando a mão direita contra o peito.

Cas assumiu uma postura ofensiva e já estava com sua espada angelical em punho quando eu e Sam entramos no meio dos dois.

— Castiel! — Exclamei erguendo as duas mãos na direção dele.

— Ela me atacou! — O anjo de defendeu, fuzilando Valerie com o olhar.

— Eu... eu... — Ela estava tão apavorada que sequer conseguia formar as frases.

— É melhor a gente sair daqui, vem... — Sam a escoltou para fora da cozinha enquanto eu voltava minha atenção para Castiel.

— Você não devia ter trazido essa menina aqui pra dentro. — Ele guardou a espada e ajeitou o sobretudo, mas não pareceu menos nervoso.

— Ela é uma boa garota, Cas, precisava de ajuda — declarei, tentando apaziguar as coisas.

— Ela acabou de queimar minha mão com um toque... — Ele retrucou como se isso fosse a prova que a garota era maligna.

— Não parece que foi de propósito. — Tentei argumentar, mas Castiel lançou um olhar desconfiado para o lugar por onde Valerie tinha acabado de passar com Sam.

Honestamente eu não conseguia entender aquela agressividade, era quase como... quase como se ele soubesse algo que nós não sabíamos.

— O que você descobriu? — Questionei em um tom quase acusatório.

Castiel suspirou profundamente e desviou o olhar. Ele realmente sabia de alguma coisa.

— Eu estava ouvindo a rádio dos anjos por causa de Jack, mas tudo que ouvi foi esse burburinho por causa dessa garota que você está protegendo... — Ele declarou, meneando a cabeça algumas vezes. — Duma disse para ficarem de olho nela, disse que tem algo que não se encaixa, que mesmo perto da menina ela não sentiu nada.

— Isso é bom, não é? — Questionei, mas Castiel negou.

— “Nada” é ruim, Dean, os anjos tinham que sentir ao menos a essência humana dela, eles não sentem, eu não sinto... Quando não tem nada significa que a essência dela foi ocultada, tudo bem se ela fosse inteiramente ninfa, mas uma essência humana não pode ser ocultada, não assim, não tão perto de um anjo...

— O que isso significa exatamente? — Comecei a prever o pior.

— Isso significa que ela não é parte humana, significa que Caliope não ficou gravida de um humano. — Castiel explicou e era nítido que ele estava tenso. — E já que ninfas são esculpidas, não nascem, isso significa que o bebê na barriga de Caliope tinha um pai, e se esse pai não era humano...

— Então o que ele era? — Completei, preocupado. Por que as coisas nunca eram simples?

— Os anjos não sabem... Mas eles acham que ela é poderosa e está escondendo isso. Eles a querem, Dean. A querem para algo que não ficou muito claro no que eu pude ouvir. — O anjo encarou o chão por alguns instantes. — O estranho é que as ordens são para que ela seja trazida por livre e espontânea vontade...

— Isso explica o monte de mentiras que contaram em Hot Springs e aquele papinho de “no céu é legal”... — Comecei a colocar as coisas em ordem, afinal eles mesmo tinham dito que Valerie tinha essência humana. Por isso eu odiava aqueles anjos mentirosos tanto quando odiava demônios.

Mas, no fim, a verdade era que o fato de Valerie não ser humana era um problema com o qual eu não contava.

Mesmo assim eu não conseguia imaginar aquela garota escondendo qualquer habilidade de propósito, ela não sabia de nada. Humana ou não, ela era inocente, eu não desistira dela.

— Você viu a garota, Cas, acha mesmo que ela está escondendo alguma coisa e que te queimou de propósito? — Gesticulei com uma das mãos, enquanto apoiava a outra no quadril.

Castiel pensou por alguns segundos e por fim cruzou os braços e revirou os olhos.  

— Na verdade ela parece um daqueles filhotinhos de pelúcia que vendem em banca de jornal, com os olhos gigantes e fofinhos. — Ele admitiu a contragosto. — Só que filhotinhos não queimam o braço da gente, você sabe, mesmo assim... não, eu não acho que ela fez de proposito, está bem na cara que ela sabe menos que a gente.

— Viu? — Apontei superior. — Então você acha que eu fiz a coisa certa trazendo a Valerie pra cá, certo?

— Eu não sei se é certo colocar uma garota, que pode ser filha de qualquer criatura vil, debaixo do seu teto, mas sim, eu acho que não podemos deixar nem o inferno nem o céu ficar com ela. — Castiel concordou, não muito contente com aquilo. — Mas que fique claro que ainda estou chateado com a queimadura!

— Ah, para de ser resmungão, Cas, já até sumiu. — Apontei o braço dele e lhe deu um tapa nas costas. — Eu vou ver como ela está...

Lancei um olhar de “já voltou, meu amor” para meu bacon sobre a mesa e segui para a porta.

— Dean? — Castiel me chamou antes que eu saísse. — Talvez seja melhor não contar para ela sobre o pai desconhecido.

Pensei naquilo por um instante. Jogar mais aquela bomba no colo de Valerie realmente não pareceu boa ideia, principalmente quando ela tinha tanto medo de ser um dos monstros que eu caçava. Ser metade humana era a única ponta de verdade que ela ainda tinha, eu não podia tirar isso dela.

— Concordo. — Assenti para o anjo, antes de deixar a cozinha.

Segui direto para o quarto de Valerie e encontrei a porta aberta, com ela e Sam sentados lado a lado na cama.

— Como ele está? — Ela questionou preocupada, assim que me viu.

— O Cas ‘tá legal, anjos curam. — Fiz um movimento displicente com a mão.

— Eu não fiz de propósito. Eu juro. — Valerie tinha os olhos ainda mais redondos e brilhantes, seu rosto deixava claro que ela tinha chorado.

— Eu acredito em você — afirmei, movendo a cabeça em concordância.

Aquilo era algo estranho, afina, considerando tudo que eu tinha acabado de descobrir, Valerie podia se descendente de alguma criatura vil, podia ser apenas uma mentirosa se fingindo de santa... Mas por algum motivo eu acreditava nela. Simples assim.

— Ela disse que a mesma coisa aconteceu quando Asmodeus tocou nela. — Sam revelou e a nova informação apenas se acumulou com as outras e não me trouxe resposta alguma.

— Talvez seja uma coisa de ninfa... — desconversei, dando de ombros e Valerie assentiu rapidamente, não menos assustada do que estava antes.

— Dean está certo, quem sabe não encontramos respostas em alguns dos livros daqui? O que acha de me ajudar depois? — Sam sugeriu e se colocou de pé, era óbvio que ele queria animá-la, mas a julgar pelo aceno sem empolgação não tinha funcionado muito bem.

Fiz um sinal para o meu irmão e ambos deixamos o quarto, nos reunindo em um lugar mais reservado onde eu pude contar tudo que Castiel tinha dito e nossa decisão de não contar nada para Valerie.

— Talvez seja melhor mesmo. Ela já está lidando com muita coisa. — Sam concordou prontamente e pousou a mão no meu ombro todo fraternal. — E no fim não importa quem sejam os pais dela. Valerie é uma boa pessoa, eu sei disso, você fez a coisa certa decidindo protegê-la. Estou orgulhoso de você.

— Ah, para! — Tirei a mão dele do meu ombro com um safanão. — Eu sou o irmão mais velho aqui, eu faço essa coisa de moral da história e orgulho.

Sam riu e ergueu as mãos em sinal de rendição, dando alguns passos para trás.

— Você devia falar com ela, dizer que está tudo bem... — Ele sugeriu, caminhando para a saída da sala em que estávamos.

— Você já não fez isso? — Perguntei, enquanto seguia ao lado dele.

— É, mas ela vai se sentir melhor se vir de você — devolveu, dando de ombros e eu tive que franzir as sobrancelhas porque definitivamente não entendi.

— Por quê? Qual a diferença? — Lancei e Sam me encarou por alguns segundos.

— Vocês dois tem mais afinidade... — respondeu simplesmente, como se aquilo tivesse mais significado do que aparentava.

— Em que mundo? São vocês dois que ficam por aí feito dois ratos siameses de biblioteca, nerds e saudáveis — argumentei, tirando uma risada alta do meu irmão

Eram eles que tinham apelidos e risadas pela manhã, ué, tudo bem que eu tinha ficado com o bacon, que convenhamos era bem melhor...

— É... mas é diferente, Dean. Você é tipo o cavaleiro branco dela, ela confia em você. — Sam explicou e foi a minha vez de rir.

Sim, Valerie já tinha dito em voz alta que eu era tipo um herói, mas isso era besteira de garota, nunca imaginei que o meu irmão entraria nessa onda.

— Nada a ver. — Joguei a mão no ar, tratando o assunto como banal.

Sammy negou algumas vezes e soltou uma risada pelo nariz, apoiando a mão no meu ombro outra vez.

— Fala com a Valerie, Dean, ela vai ficar mais calma — aconselhou, seguindo em frente em seguida, mas parando como se tivesse lembrado de alguma coisa. — E, Dean...?

Também parei para esperar pelo restante da frase.

— Seu empenho em proteger a Valerie tem algo a ver com ela ser uma mulher bonita? — Ele perguntou de forma neutra.

Como é?!

— Ela é uma menina, Sammy! — Respondi de imediato, afinal meu irmão tinha enlouquecido de vez. — Ela mal saiu das fraldas...

Ele riu de novo e me encarou como se eu fosse um idiota.

— Ela tem vinte e cinco, Dean, não é nenhum bebê... — comentou e foi como se os neurônios na minha mente entrassem em curto. — Mas fico feliz que não pense nela assim, tiraria o brilho da sua boa ação. E nem tudo é sobre aparência...

Continuou pelo corredor que dava na cozinha e eu fiquei parado ali mais um tempo, pensando em dizer que ele não devia comer meu bacon, mas perdido no que eu tinha acabado de ouvir.

Minhas interações com Valerie voltaram a minha mente, incluindo aquele clima estranho no hospital e quando nos esbarramos na frente do banheiro pela manhã.

Valerie não era uma menininha mesmo...

Claro que ela usava os sapatos da vovó e era toda delicadinha, com aqueles vestidos floridos, mas ao mesmo tempo totalmente destrambelhada com qualquer coisa que exigisse coordenação. Uma combinação bem curiosa.

Mas ela não era uma menininha... mesmo assim, por algum motivo, quando se tratava de Valerie, eu tinha bloqueado aquela parte minha que sentia atração física pela maioria das mulheres...

No fim minhas decisões e interações com ela e sobre ela não tinha nada a ver com atração sexual. E isso era bom, afinal Valerie era trabalho, trabalho com requintes de problema, envolver essas coisas com prazer nunca daria certo...


Notas Finais


E vocês acharam que eu não ia colocar pelo menos um mistériozinho nessa origem da Valerie? kkkkkk logo eu?

E ao contrário da amizade Sam x Valerie, o primeiro encontro com o Cas não foi mil maravilhas, também neh, queimar os amiguinhos logo de cara não pega bem kkkkkkk

E o Sam já está caminhando para se tornar o capitão do nosso shipp OTP WinHeart, pra quem tava esperando crise de ciúmes do Dean ou disputa entre irmãos, sorry not sorry, SPN sempre foi sobre os dois e o quanto eles estão dispostos a sacrificar um pelo outro, colocá-los brigando e/ou disputando por causa de uma garota seria ir contra tudo que eu amo na série.

E aí teorias sobre o que/quem é o pai da Valie?

E por último, mas não menos importante: Dean e Beacon, uma história de amor melhor que Crepusculo kkkkkkkkkkk


Nós vemos no proximo que eu espero postar logo e já fora do Hiatus (sim, tá acabando genteee, Graças a Chuck!!)

Bjss e até!


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...