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História Dez - Omegaverse ABO - Capítulo 48


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Notas do Autor


Como vão, sras e srs? Esteve muito tempo off cuidando da minha cadela que precisava de muita atenção nessas últimas semanas... Agora que tudo está bem de novo, já volto com as atualizações das minhas histórias! Desculpem a demora, seus lindos. ^^ Ah, e preparem-se para uma boa dose de pieguice.

Este capítulo segue o ponto de vista de Arthos e Ayva.

Capítulo 48 - Como nunca antes


Fanfic / Fanfiction Dez - Omegaverse ABO - Capítulo 48 - Como nunca antes

Quando Arthos viu Cieszyn se levantar e ir atrás dele após ele se despedir de todos,  sentiu um arrepio na espinha. Mais cedo, no quarto dela, Cieszyn tinha lhe lançado um olhar fixo tão profundo e andado na sua direção a passos calculados de uma forma que o fez ficar ligeiramente temeroso. De repente, o ambiente entre eles tinha ficado tenso.

E isso por quê? Uma provocação como muitas outras? Se ele soubesse que ela não estava com humor para aquilo, não a teria provocado.  E se ele dissesse que não teve vontade de sair correndo, estaria mentindo. Mas, bem no fundo, ele sabia que se chegasse a tentar fazer isso, não teria ido muito longe.

O que tinha sido aquilo?

Arthos já tinha cansado de ver Cieszyn irritada, e ela já o tinha intimidado muitas outras vezes com seu comportamento ou suas palavras, mas aquela que havia se aproximado dele não era a alfa que ele estava acostumado. Parecia mais um animal predador prestes a abater sua presa. Seu título de Caçadora nunca tinha sido tão preciso.

Então, com a mesma rapidez com que se transformou na sua versão predadora, bastou ela ouvir as batidas na porta e a voz de Zehel para seu olhar voltar ao normal. Como se nada tivesse acontecido.

– Durma um pouco – ela tinha dito, antes de sair pela porta – Eu vou avisar a Zehel que você ficará para o almoço.

Fácil falar”, Arthos pensou.

Apesar de toda aquela tensão, que se dissipou gradualmente depois que ele foi deixado sozinho, Cieszyn passou tanto tempo fora que Arthos foi vencido pelo seu cansaço. Ele não tinha dormido nenhum pouco na embaixada. Sempre que estava perto de adormecer, o forte cheiro de sangue chegava ao seu nariz como uma lembrança vívida. Mas ali, no quarto de Cieszyn, só havia o cheiro dela. Um cheiro familiar.

Talvez tivesse sido por esse motivo que ele conseguiu dormir. Seu subconsciente estava convencido de que não havia lugar mais seguro contra os Eternos do que o quarto de uma Irmã dos Justos num território independente para a recepção de alfas Boreains. Dormiu tanto que foi acordado algumas horas depois por Cieszyn, avisando que o almoço seria servido. Mas, depois disso... ela não falou mais com ele.

Não até agora.

Zehel tinha lhe dito que deixou em sobreaviso um dos cocheiros do Reduto para leva-lo de volta para a embaixada a qualquer momento depois do almoço, então ele só precisaria ir até a ala norte para apanhar a carruagem, e ele iria, se Cieszyn não o tivesse pedido para esperar.

– Eu queria falar com você sobre meu comportamento... estranho mais cedo. – Cieszyn disse – Eu só fiquei fora de mim por um instante. E é mais comum do que imagina. Isso só não tinha acontecido perto de você antes.

Era bem como Arthos tinha imaginado. Ele convivia com Boreains demais para não saber que, às vezes, eles ficavam um tanto... exaltados.

– Oh, entendo. – Arthos falou – Bem, parecia que você ia me bater. Eu estava só brincando.

– Eu sei. – ela disse, e fez uma longa pausa antes de continuar – E, só para concluir aquela conversa, eu realmente acho que você deveria pensar melhor antes de viajar para Hynon. Não é hora. Você não vai querer envolver mais ninguém com os Eternos agora que foi oficializado como um deles.

– Sim... Eu pensei nisso também. Até já estava inventando alguma desculpa na minha cabeça... Acho que consigo atrasar tudo até isso passar.

Cieszyn olhou para Arthos com uma expressão estranhamente insatisfeita. Parecia irritada novamente, talvez até... desapontada. Ele tinha acabado de concordar com ela. O que ela queria então?

– Só cancele. – ela falou – É mais fácil.

– Cancelar?

Ah. Lá estava aquela conversa de novo. Cieszyn sempre ficava incomodada quando falava sobre a pretendente de Arthos, desde o dia da reunião secreta em que ele contou que a tinha visitado a pedido dos seus pais. Era quase como se Cieszyn não gostasse da Srta. Suye, mesmo sem nunca tê-la conhecido. Quase como se...

Como se estivesse com ciúmes.

 

Cieszyn estava com ciúmes.

 

Mesmo que não fosse isso, foi o que Arthos decidiu tomar como verdade. Se pensasse bem, fazia sentido. Nada mais seria como antes depois que a futura noiva entrasse para ficar na vida de Arthos. Ele não poderia ficar muito mais tempo em Sozan e, possivelmente, só veria Cieszyn raramente depois que se casasse. Como o rei de Hynon. Tudo iria mudar.

Depois de tanto tempo, quem diria que ele sentiria falta dela?

E, toda essa mudança tinha nome e sobrenome: Hannah Suye. Por isso o aborrecimento de Cieszyn se concentrava sobre aquela ômega.

Provavelmente era isso. Não era o caso de Cieszyn ter algum sentimento especial por Arthos ou algo do tipo.

Não era esse o caso... Certo? Cieszyn não gostava de Arthos daquela forma, certo?

Quando pensou nisso, o coração de Arthos deu um pulo. Era uma sensação muito estranha. A sensação de que o que ele tinha acabado de imaginar poderia ser real. Cieszyn era... Como ele poderia dizer... Uma pessoa de confiança a qual ele poderia chamar para uma disputa de queda de braço no tempo livre, enquanto trabalhavam juntos para salvar o mundo.

Alguém com quem se dividiria uma aventura. Mas um romance...? Nem quando ele inventou a história de que eles eram amantes, ele tinha pensado em Cieszyn assim.

Mas, “e se...” era o pensamento da vez.

Ela continuava olhando para ele como se ele tivesse pisado no pé dela e esperasse um pedido de desculpas. E Arthos agora se esforçava para manter seu rosto neutro enquanto tudo aquilo se passava na sua mente.

– Por que você se importa? – ele perguntou, determinado – Além de claramente estar tentando desfalcar a estabilidade do reino impedindo esse casamento.

– A estabilidade do reino, hã? – ela disse, e suspirou, cruzando os braços – É isso mesmo. Parece que não importa o que eu faça, meu caminho sempre acaba direcionado ao seu país corrupto.

– Ex-corrupto. – Arthos disse, corrigindo-a.

– Mais um problema que eu resolvi. É quase como se eu tivesse que tomar conta de você, igual uma babá.

– Minha nossa. Ofensa gratuita? – Arthos disse – É seu novo modus operandi?

– Eu estou cansada, Arthos. – Cieszyn falou, descruzando os braços – Você sempre foi um tanto inconsequente. Eu te tirei da beira de precipícios mais vezes do que posso contar todos esses anos.

– Então pela primeira vez que eu faço algo certo você briga comigo?

– Talvez seja porque eu não estava esperando que você mudasse. – Cieszyn falou, com tanta franqueza que chegou a espantar.

E por que ele tinha a sensação de que ela o estava culpando por algo reprovável? O que de tão ruim ele tinha feito?

– Oh, bem, eu teria que mudar em algum momento. – ele disse.

Depois de dizer isso, Arthos sentiu como se tivesse acabado de fechar uma porta. Uma barreira entre seu verdadeiro eu, deixado do outro lado, e aquele que os outros esperavam que ele fosse, alguém que colocasse o dever como prioridade sem pestanejar.

Mesmo que aquilo significasse uma parte sua morrendo, ele não podia voltar atrás.

Cieszyn o encarou em silêncio, e então se virou de costas, como se estivesse prestes a ir embora. Mas ela não foi. Dava para notar seu aborrecimento pela forma como cerrava seus punhos. Pelo menos, daquela vez, Arthos não sentia nenhum tipo de ameaça vindo dela, então, o risco de levar um soco nos próximos instantes era baixo.

– Não vai falar nada? Certo. – ele falou – Não consigo entender. Eu também não esperava esse tipo de reação de você. Era você quem vivia reclamando que minhas atitudes eram-

A fala de Arthos foi interrompida por um puxão repentino no seu braço. Cieszyn tinha se virado novamente e no mesmo segundo o puxou na direção dela com força, agarrou-o pela nuca e colocou sua boca contra a dele.

Arthos cambaleou até ir de encontro ao corpo dela, mais surpreso do que nunca esteve em toda a sua vida. Os braços de Cieszyn o seguravam com força e o beijo... invadia também a sua mente. Porque, com a surpresa, veio a dúvida, e em seguida a vontade. A vontade de descobrir uma faceta dos dois nunca antes cogitada.

Por isso, a hesitação sumiu em um segundo, e Arthos retribuiu o beijo, reforçando aquele abraço. Era curioso... Não havia nada de estranho. Era uma pele que ele já tocara, um cheiro que ele já conhecia, uma proximidade que ele já experenciara... Mas era tudo novo. O despertar de um desejo que ficava cada vez mais forte.

Tão forte que foi difícil de lembrar que eles estavam numa área aberta do reduto, mesmo que não tivesse uma alma viva à vista. Tanto que foi Cieszyn quem se afastou primeiro, só que sem soltá-lo completamente.

– Eu não ia bater em você. – ela falou, com a voz baixa, seus olhos escarlates cravados nos dele, completando a frase sem ser necessária qualquer outra explicação.

Não foi uma surra que Zehel impediu quando bateu na porta do quarto de Cieszyn. Mas, definitivamente, se não tivesse impedido, tudo teria sido abrupto demais. Só que... Cieszyn era tão delicada quanto uma bala de canhão disparada, estando ou não fora de controle.

Ela havia encontrado a porta que Arthos tinha fechado para deixar para trás seu eu inconsequente. E já se sabia o que ela fazia com portas trancadas que estavam no seu caminho, não é?

Parece que Arthos também iria ficar para o jantar.

 

*

 

Ayva ficou conversando com Zehel, Keyon e Klaus depois que ela deixou Chiren e Fahamber sozinhos no quarto. Já fazia um tempo que estava suspeitando daquela gravidez, mesmo considerando o problema de fertilidade de Fahamber. E, depois que Keyon contou a ela sobre como tais doenças podiam ser revertidas no tempo dele, a concepção da criança sendo gerada por Chiren deixou de ser impossível e passou a ser muito provável. O exame físico foi determinante. Ayva já tinha diagnosticado várias gestações antes na sua carreira, então não poderia ter errado naquela.

Ela estava tocada pelo pequeno milagre que ajudou a descobrir, mas, na verdade, estava mais pensativa quanto a outra coisa que Chiren lhe disse, enquanto ela a examinava.

– Sabia que Minna está tendo aulas de etiqueta comigo? – Chiren tinha dito, com um olhar decididamente inquisidor – Ela deve estar querendo chamar atenção de uma certa pessoa, caso ela se sinta da mesma forma.

Depois, Chiren olhou para ela como se dissesse: “Entendeu?”. Ayva teve que sorrir, mesmo que de leve.

– Entendi. – falou, para a pura satisfação de Chiren, que mais parecia ter cumprido uma importante missão.

Apesar de ter parecido um comentário totalmente aleatório, para Ayva foi mais certeiro do que poderia ser. Chiren tinha dito a ela tudo o que precisava saber com aquilo: que os sentimentos de Ayva por Minna eram recíprocos. A alfa já tinha notado que Minna tinha algum interesse nela, mas também poderia ser sua timidez agindo. Em contrapartida, não sabia como demonstrar o que sentia, inexpressiva como sempre, o que poderia ser interpretado como frieza.

A verdade é que ela nunca tinha se sentido tão bem em apenas estar perto de alguém antes. Mesmo que não tivesse tido nenhuma outra experiência para comparar – já que ninguém nunca tinha despertado seu interesse antes, Ayva sabia que Minna era especial de alguma forma.

E, depois daquela “dica” de Chiren, todas as suas dúvidas foram sanadas. E não poderia ter sido melhor. Significava que ela tinha caminho livre para se aproximar daquela ômega de um jeito mais... veemente.

Denyas tinha ido embora para a ala sul e levou consigo um recado de Zehel, para convidar Laulliet para uma conversa sobre o início da nova temporada de negócios no Reduto, já que o lugar iria começar a ser frequentado por pessoas de fora. Aproveitando a deixa, Ayva pediu para que ele também chamasse Minna, sem um pretexto antecipado. Pedira sem nenhum plano, só pela vontade de vê-la.

Vontade que se justificava a cada instante. Que tipo de sentimento profundo era aquele?

Após a saída de Denyas, todo mundo foi para um lugar diferente. Klaus foi cumprimentar os novos futuros pais no andar de cima, Zehel foi para o escritório esperar por Laulliet e Keyon foi ao jardim de plantas medicinais perto do laboratório para apanhar mais ervas que aliviavam enjoos e fazer um concentrado para Chiren. Ayva saiu da mansão principal, escolhendo esperar por Minna do lado de fora.

Mesmo entre nuvens, o sol teimava em aparecer naquela tarde fria. Tinha chovido por quase toda a noite anterior e a terra continuava úmida, fazendo o vento levantar um odor agradável e fresco das árvores e demais plantas.

Assim, Ayva sabia que a ômega estava se aproximando sem precisar olhar ao redor, uma das vantagens de ter um olfato mais apurado. E, antes que se desse conta, o coração já estava batendo forte dentro do peito.

Ao vê-la, a sensação não foi diferente. Minna parecia mais bonita do que da última vez que a viu. Os dois ômegas se aproximaram dela, que estava parada de frente para a mansão principal, e a cumprimentaram formalmente. Pedindo licença, Laulliet se separou das duas e seguiu para a sua reunião, deixando Minna claramente embaraçada à sós com Ayva.

Minna realmente não sabia esconder nada. Fazia Ayva querer sorrir com tamanha transparência, o exato oposto dela. Minna era bastante tímida. Ayva não era nenhum pouco. Por isso, ela precisava tomar cuidado para não deixar a outra desconfortável.

– Eu ouvi sobre Chiren. – Minna disse, sorridente – Fiquei tão feliz com a notícia. Mas também soube que ela tinha passado mal.

– Sim, ela já está melhor agora. – Ayva falou – Vocês se tornaram amigas, não é? Chiren me disse que ela estava dando aulas de etiqueta para você.

Minna ficou surpresa. Seus olhos cor de avelã se arregalaram e ela levou um tempo para falar algo:

– Ela... Ela disse?

– Minna, por acaso, ter ido ao palácio deixou você incomodada?

– ...Não. – ela respondeu, hesitante – Não é nada disso. É que...

Sim, a teoria de Ayva era a de que ter entrado no palácio dos ômegas nobres do reduto afetou Minna ao ponto de querer aprender alguns requintes. Isso, de certa forma, preocupava Ayva. Ela não queria que a ômega se sentisse inferior o mínimo que fosse.

– Todos ali são tão elegantes e educados. – Minna finalmente disse – Eu sou tão... simples.

Então a teoria estava certa.

– Eu gosto da simplicidade. – Ayva respondeu, sem pensar.

A resposta franca de Ayva surpreendeu Minna novamente, que depois de ouvir isso desviou seu olhar para o chão, mais nervosa do que já estava.

Certo, talvez não ser tão direta ajudasse.

– Você gostaria de ir comigo numa confeitaria?

Minna olhou para ela, um pouco apreensiva.

– Ir... Lá fora? Com você?

– Sim. Eu a trarei de volta em segurança.

– A-Agora?

– Agora. A não ser que esteja sem apetite-

– Não, estou com muito apetite. – Minna disse, rapidamente, interrompendo-a.

Deu para perceber que era um exagero da parte dela, e que ela estava ciente disso, agora ficando ligeiramente constrangida. Transparente. Transparente demais.

Isso podia ser considerado fofo?

– Eu vou informar a Zehel e a Laulliet que vamos sair um pouco então. – Ayva disse – Poderia me esperar aqui?

Minna só balançou a cabeça, assentindo.

E assim Ayva fez. Conversou com os dois responsáveis por Minna e, após uma breve discussão, eles chegaram á conclusão de que a ômega não corria nenhum perigo fora do reduto sendo acompanhada por Ayva. Minna não estava sendo procurada por ninguém lá fora, diferente de alguns outros do seu grupo, portanto, podia estar à vista sem nenhuma preocupação.

Assim, Ayva e Minna subiram numa carruagem e foram para a loja de confeitaria preferida da alfa. Ela queria mostrar seu lado “doce” para Minna, um lado que poucos conheciam. Na verdade, ela queria que Minna soubesse tudo sobre ela, e queria saber tudo sobre Minna. Que outra forma de fazer isso do que numa conversa enquanto tomavam uma xícara de chá e comiam uma sobremesa?

A pequena viagem acabou sendo ainda mais interessante. Depois que desceu da carruagem, ainda na calçada da confeitaria, Minna olhou ao redor como se fosse a primeira vez que saía para a rua e via as pessoas caminhando, as carruagens indo e vindo e a quantidade de lojas abertas e movimentadas. E tudo a deixava maravilhada. Tanto que Ayva teve que perguntar se ela já tinha feito um passeio assim antes.

– Há muito tempo eu não saio assim. – Minna disse – Mesmo quando ainda vivíamos num esconderijo, eu não saía para as ruas. Eu... tenho uma doença que me impediu disso nos últimos anos.

– Uma doença? – Ayva perguntou, curiosa e preocupada ao mesmo tempo. Ela não sabia de nada daquilo.

– Ah, síndrome dos múltiplos cios.

Surpresa, Ayva apenas ficou quieta ouvindo o que Minna tinha para falar enquanto elas entravam na loja e ocupavam uma mesa. A médica já ouvira falar da síndrome, e sabia que era bem rara. Minna era a primeira pessoa que ela conhecia pessoalmente que possuía aquela doença.

– Está tudo bem agora, graças a Keyon. Eu posso controla-la com os fitoterápicos que ele receitou para mim.

– Que interessante. Preciso conversar com Keyon sobre isso depois.

Elas foram atendidas por um garçom, que anotou os pedidos e voltou com as sobremesas: um mil folhas com chantilly para Ayva e uma fatia de bolo Red Velvet para Minna. Elas conversaram um pouco mais sobre a doença de Minna, mas também falaram sobre a sobrevivência nas ruas, o que levou Ayva a descobrir que Minna tinha passado a infância num orfanato e iria para o Centro de Recolhimento se não tivesse fugido um dia antes. Ayva contou que fazia parte da gestão do Centro atualmente, e que estava lutando para tornar aquele lugar um ambiente seguro e saudável para os ômegas que lá viviam. Ayva também falou sobre seu irmão ômega, Oliver, e que ele gostaria de Minna se a conhecesse. Contou em como ele a inspirou a seguir carreira focada na saúde dos ômegas. E, assim, o tempo se passou.

E se passou de forma tão prazerosa que elas só perceberam que começara a chover forte lá fora depois que um cliente chegou um pouco molhado dentro da loja. Ayva pagou a conta e as duas saíram da loja para procurar uma carruagem livre que as levassem de volta ao Reduto. Elas ficaram debaixo do telhado da fachada da loja, protegidas da chuva.

– Eu só não insisto em passarmos mais tempo por aqui porque prometi que a deixaria no Reduto ainda durante o dia. – Ayva falou.

– Tudo bem, eu não me lembro da última vez que me diverti assim.

– Fico feliz que tenha gostado.

– Bem...  – Minna falou – Você é especialista em ômegas, certo? Então... Você queria saber mais sobre a minha condição rara?

– Eu queria saber mais sobre você. – Ayva disse.

Mais uma vez, Minna abaixou a cabeça com um sorriso tímido no rosto. O que Ayva tinha pensando sobre sua franqueza mesmo?

– Me desculpe se fui muito direta, eu não sou muito boa nisso. – Ayva falou, e Minna voltou a olhar para ela – É que desde que eu a vi pela primeira vez, sinto que você é alguém importante para mim.

Certo, melhor deixar para lá o plano de não ser tão direta. Melhor chegar logo ao ponto que interessava:

– Eu não paro de pensar em você. – Ayva falou – Quero ficar perto de você o tempo todo.

A alfa esperava que Minna desviasse seu olhar como sempre, mas, dessa vez, ela manteve seus olhos presos aos de Ayva. Havia uma conexão diferente naquele olhar. Um tipo de entendimento absoluto.

– ...Eu também – Minna falou, e mesmo nervosa, continuou – E-Eu me sinto da mesma forma. Achei que estava ficando louca por ter me sentido assim tendo visto você uma única vez...

– Uma única vez, exatamente. – Ayva falou – Aconteceu o mesmo comigo. Eu só não soube como lidar no momento.

 Ayva se aproximou de Minna e segurou suas mãos. A proximidade gerou um calor aprazível. E, com o barulho forte da chuva, por estar mais perto de Minna, Ayva podia falar num tom mais baixo, já que era algo que queria que só Minna escutasse:

– Eu não quero deixa-la desconfortável ou algo assim. – ela disse – É que a vida me fez ser bastante franca quanto as minhas pretensões.

Soltando uma das mãos dela, Ayva tocou o rosto de Minna afetuosamente, e disse:

– E eu pretendo beijar você agora.

Apenas separadas pela diferença de altura, Minna não tinha desviado seus belos olhos um segundo sequer, mas também não tinha dito nada, como se não conseguisse fazer qualquer outra coisa além de respirar.

– Eu posso? – Ayva perguntou, numa segunda tentativa de buscar algum consentimento.

Enfim, dessa vez, ainda que sutilmente, Minna assentiu silenciosamente com a cabeça, fazendo Ayva sorrir antes de aproximar mais os seus rostos, o sorriso se desvanecendo para dar lugar ao beijo, tão carinhosamente quanto o momento pedia.

A chuva não parecia que daria trégua tão cedo. As nuvens cinzentas tinham escurecido aquela tarde como se a noite já estivesse começando. Mas, debaixo daquele telhado, em frente àquela confeitaria, o clima estava muito mais agradável.


Notas Finais


Aquele momento "é agora ou nunca" eu duas versões muito diferentes, kkkk
Cuidem-se e até breve.

Ah, amanhã tem cap novo ^^


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