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História Dez Impressões Erradas Que Eu Já Tive Sobre Você - Capítulo 2


Escrita por:


Notas do Autor


Olá. É, eu sei, dois meses. Sinceramente? Não vou me desculpar, levei o tempo que levei para escrever somente porque não fazia sentido me forçar. Escrevi no meu tempo e acredito que é exatamente por isso que a fanfic vai se desenvolver do jeitinho que eu quero!

Então, quero agradecer por todos os favoritos e comentários. Muito obrigada a quem esperou pacientemente pela att. Tô muito feliz com o crescimento da fic em tão pouco tempo.

Boa leitura, nós nos vemos lá embaixo. 💕

Capítulo 2 - Meias, sutiãs e calcinhas


Fanfic / Fanfiction Dez Impressões Erradas Que Eu Já Tive Sobre Você - Capítulo 2 - Meias, sutiãs e calcinhas


Na semana retrasada, enquanto arrumava minhas coisas e as colocava em caixas para a faculdade, Sora me repreendeu por misturar meias, sutiãs e calcinhas na mesma caixa. Eu culpei sua mania de limpeza por isso, pensando em como aquela lógica era falha e bizarra e nós nunca compartilharíamos dela juntas. Mas aqui e agora, vinte e cinco minutos depois, há um prato de macarrão à carbonara intocado na minha frente, um silêncio absoluto da minha parte e um formigamento estranho na ponta dos dedos.

Do outro lado da mesa, há Jungkook, o namorado taciturno de Jiwon. Ele me ofereceu um sorriso simpático quando ela nos apresentou, e vez ou outra, quando nossos olhares se encontraram na mesa, volta a repetir o gesto. Ao lado de Jungkook, há Park Jimin. 

Coisas que sei sobre ele? Nada. Coisas que me intimidam sobre ele? Tudo.

Jimin é um combo. Cabelos tingidos de loiro, jaqueta de couro e as tatuagens que tomam alguns dedos e somem pela manga da jaqueta de couro, e o que chama meu olhar até lá é o zíper prateado que se assemelham à moedas caindo no chão cada vez e ele move os braços, a cada cinco minutos. Na maior parte do tempo, seus olhos estão grudados no celular, e enquanto uma mão segura o aparelho, a outra sustenta os hashis para pegar a comida do prato. Mas ainda assim, Jimin é um combo, um combo de que tudo que aprendi a ficar longe.

Olhando para ele agora, acho que entendo o  que Sora disse, e de repente. Acho que entendo o porquê dela não misturar meias, sutiãs e calcinhas em sua gaveta. 

— Jungkook, o que vai fazer nesse fim de semana?

Paro para ouvir a conversa que rola na mesa entre Jungkook e Namjoon.

— Vou pra Busan visitar os meus pais. É aniversário da minha mãe.

— Jiwon vai junto?

— Não posso. — Seus lábios formam um bico, e mesmo sem conhecê-la há muito tempo, até eu sou capaz de entender o tom de ironia em sua voz. — Não vai ser dessa vez que vou poder parabenizar minha sogrinha. Infelizmente, ficarei presa aqui no campus comendo porcaria naquele dormitório apertado.

Paro de prestar atenção na conversa, porque de repente, me sinto exatamente como aquela caixa cheia coisas misturadas. Fora do lugar. Como se eu não pertencesse a esse ambiente, a essa conversa. Eu simplesmente não consigo me sentir confortável.

— Sério, Suzy? Você precisa me levar até lá nos fins de semana. Algumas vezes eu fico presa aqui e nossa, é horrível. 

Suzy.

Corro meu olhar pela mesa até entender que é o meu nome que está sendo posto em uma conversa da qual eu não tenha a mínima ideia de onde surgiu, ou do que seja. Apoio meu cotovelo na mesa e vejo a expressão ansiosa de Jiwon para mim e de repente, sinto que virei o centro das atenções, porque todo mundo parece parar o que está fazendo para ouvir minha resposta. Resposta sobre algo que eu não tenho a mínima ideia do que seja.

— Ahm… Claro?! — Minha voz carrega um tom repleto de dúvida e, por alguns segundos, eu sou aflição e um enorme receio de me meter em alguma situação vergonhosa na frente de todos. Mas então, Jiwon sorri, junta suas mãos e bate palmas como uma criancinha do jardim de infância.

— Ótimo, então, nesse fim de semana, programa das garotas!

Entendo rápido que concordar e sorrir é a melhor opção, mesmo que eu não tenha a mínima ideia do que seja. Meus olhos se voltam para meu prato e eu enrolo o macarrão no garfo, tão desorientada que o seguro no ar por cinco segundos antes de levá-lo até a boca. 

E aí, eu percebo. Percebo os olhos dele me escaneando com curiosidade. Mas eu também percebo seus detalhes. Seus lábios grossos e avermelhados, seus olhos, sem nenhum resquício de pálpebra dupla, seus dedos repletos de anéis e tatuagens pequenas que formam uma trilha até os pulsos, e provavelmente, dos pulsos até o antebraço. E eu me perco na contagem. Uma, duas, três, quatro, cinco…

Minha cabeça dói e eu engulo o ar, porque finalmente entendo o que é a sensação estranha que se instalou em meu peito desde que cheguei aqui. É semelhante àquela vez quando eu tinha quatorze anos e cabulei aula pela primeira vez para ir até o shopping com algumas amigas. A sensação de ver todos rindo, se divertindo, e sentir que você não consegue fazer o mesmo porque há algo errado. Você. Porque quando conto as tatuagens dele, me lembro da maldita regra de três do papai, e sinto que estou desobedecendo-o novamente, assim como há anos atrás, cabulando aula.

Não lembro exatamente quando papai criou as regras, só sei que eles as considera essenciais para viver. Diz que as engrenagens do mundo não girariam sem as regras, e que o ser humano não seria capaz de levantar da cama sem elas. Esta talvez possa ser uma forma dura e difícil de criar duas meninas, mas foi assim que ele aprendeu e e nos repassou. Temos regras sobre o horário de acordar, regras sobre os minutos debaixo do chuveiro, regras sobre o almoço, a limpeza da casa, regras sobre namoro, e sim, por mais absurdo que pareça, regras sobre tatuagens.

Antes de Sora completar a maioridade, papai costumava ser completamente contra tatuagens, e contra pessoas que carregavam pelo corpo também. Ele estabeleceu uma lista sobre pessoas com quem não deveríamos nos envolver — e que, segundo a lógica dele, tinham tudo para preencher o perfil de má índole, como as pessoas que ele já viu em seus anos servindo o país —, e tatuagens estavam inclusa nela. Isso, claro, até Sora completar a maioridade.

Se eu me esforçar, consigo lembrar exatamente o que eu fazia naquela tarde. Era um daqueles dias terríveis de verão e o alívio só veio pelo fim da tarde, quando o ar refrescou e o vento voltou a soprar frio pelas janelas da casa. Papai e eu estávamos na cozinha, ele tomando uma xícara de café e eu descascando uma laranja quando Sora chegou. Pude ouvir o barulho de suas botas batendo no chão até que ela as tirasse e as substituísse pela pantufa rosa pink que lhe dei no aniversário passado. Ela passou pela sala até chegar à cozinha, uma jaqueta jeans cobria seus braços e um sorriso feliz até demais para quem passou a manhã reclamando por ter que ir até o centro da cidade. Minutos depois, ela riu de algo, seu braço esticou e a manga da jaqueta frouxa revelou mais do que deveria. Uma tatuagem. Depois outra, e depois outra. 

Sora saiu de casa para pagar algumas prestações de seu notebook novo e voltou com três tatuagens.

Depois daquele dia, papai não poderia mais chamar pessoas tatuadas de marginais, afinal, ele estaria incluindo a própria filha na lista. Então ele criou a regra de três sobre tatuagens. E é por isso que olhar para Park Jimin faz com que eu me sinta uma intimidada, porque as palavras de papai estão cravadas em algum lugar dentro de mim. Seus pensamentos antepassados  e cafonas estão lá, enterrados em mim como um raiz debaixo da terra. E eu me sinto ridícula por isso. Por notar que tudo que eu sei sobre a vida, meu pai me ensinou. Todos os meus instintos foram baseados nas palavras dele. E agora, quando ele ergue o queixo na minha direção, como se questionasse o porquê do meu olhar tão focado, meu instinto me diz que eu deveria me afastar de Park Jimin. 

Ele definitivamente é problema.

...

Meu primeiro fim de semana oficial como universitária chega numa sexta-feira limpa. Abro a janela e ar parece estar puro como nunca esteve em anos, e como nos filmes, uma brisa suave acaricia meu rosto assim que olho pela janela. Corro para o banheiro, me jogo debaixo do chuveiro e até me disponho a lavar o cabelo pela manhã, sentindo a água morna escorrer pelo meu corpo junto com a espuma do shampoo.

Estou extremamente feliz. Não só eu, os outros alunos também parecem contagiados e animados. Os corredores da faculdade nunca pareceram tão cheios, com dezenas de pessoas para lá e para cá, os rostos livres de máscaras assim como o ar da poeira, e de certa forma, todo mundo parece animado. Inclusive eu.

No sábado passado, quando me instalei no dormitório, Jiwon passou o final de semana com Jungkook no pequena quitinete que ele divide com um amigo, e nós só nos conhecemos no domingo à noite, quando ela chegou cansada e trocou uma conversa estranha e constrangedora comigo até a hora de dormir. Por isso, neste fim de semana, acreditei que seria diferente. Eu estava na faculdade agora, e tudo em que eu conseguia pensar eram nas festas de fraternidades, bebidas em copos vermelhos e até mesmo um mergulho na piscina à noite, porque foi isso que sempre vi nos filmes e idealizei quando consegui entrar na faculdade. Por isso, quando Jiwon caminha tranquilamente para dentro do dormitório após o fim do último período, abro um sorriso entusiasmado na sua direção.

— E então, pronta? — Penso em responder que provavelmente vou precisar de ajuda, porque não tenho a mínima ideia do que vestir, mas então ela completa: — Você chegou a avisar seus pais, não é? Quero dizer, eu não quero ser um incômodo.

Travo, certa de que posso contar nos dedos quantas vezes me senti tão estupefata assim. Jiwon me encara com um sorriso simpático, espera pacientemente pela minha resposta. Pisco, contando até dez mentalmente até que possa pensar em alguma coisa razoável para dizer, mas minha mente é um grande vazio, então eu recorro a minha última opção: sorrir e acenar.

— Claro… — A insegurança no meu tom é tão palpável que se Jiwon erguer seu braço, ela pode tocá-la. Por isso, decido reformular: — Claro que estou pronta! 

— Ótimo, estou esperando por você. Não sei quanto tempo demora pra chegar até sua casa, mas acho que podemos sair daqui a pouco, não? Só vou me despedir do Jungkook.

— Pode ser. — Manejo a cabeça de forma positiva, e a expressão no meu rosto é tão forçada que sinto que vou explodir.

Solto uma sequência de resmungos desconexos quando ela passa para fora do quarto, caçando meu celular em meio aos lençóis bagunçados da cama. Assim que o encontro, disco o número de Sora com uma habilidade de só quem já fez isso várias vezes poderia ter.

Saudades, Suzy?

Ela atende nos primeiros toques, e mesmo que eu tenha ligado com certo nervosismo, sinto um imenso alívio ao ouvir a voz familiar dela do outro lado da linha. 

— Em uma semana e alguns dias? Jamais. Estou dando suspiros de felicidade longe de você. — Meus lábios se curvam em um sorriso e sei que ela está da mesma forma do outro lado da linha.

Então, a que devo a honra da sua ligação? 

— Vai estar em casa neste fim de semana? Hoje, mais especificamente.

— Hmm, por que quer saber? Acabou de dizer que não está com saudade.

Deito no colchão de barriga para cima. Quando olho para o teto daquele dormitório minúsculo e sem graça, quase posso imaginar que estamos no meu quarto outra vez, deitadas lado a lado, encarando as estrelas fluorescentes que papai grudou no teto quando eu tinha sete anos. 

— Minha colega de quarto meio que combinou comigo de passarmos o fim de semana aí, já que é mais perto. 

Mordisco meu lábio enquanto espero penso em minha resposta. Eu nem sequer lembro de ter tido alguma conversa com Jiwon sobre isso, mas eu não recuaria ou inventaria uma desculpa para me esquivar do compromisso. Eu quero a amizade de Jiwon. E é justamente por isso que me preocupo en levá-la até minha casa.

—  Ah, deixa eu ver se entendi, você quer ajuda para distrair o papai e ele não soar careta? — Ela ri, entendendo exatamente o que eu quis dizer.

— O papai não é careta. — Defendo, também prendendo um riso. —  Você sabe como ele é!

—  Sim, ele é careta.

— Não! Ele é só um pouco… superprotetor. Não quero que ele fique fazendo trezentas perguntas para Jiwon sobre a vida dela e as pretendencias para o futuro. Sabe, se for para traumatizar alguém com essas perguntas, que seja algum namorado.

— Entendo. É seu primeiro mês na faculdade, naturalmente você quer fazer amizades. 

—  Sim.

— Ok, Suzy, ajudarei você. Vou avisar o papai que você está vindo com uma amiga e que eu esqueci de avisar no começo da semana. — Solto um murmuro animado e ela me interrompe logo depois. — Mas é claro, tudo tem um preço.

— Claro, vou lavar sua louça durante esse fim de semana.

— E quem disse que é esse o preço? Você só vai saber o que é quando a hora chegar.

Ela ri de forma estranha, e por alguns segundos, juro que sinto medo.

— Está bem. Hm, estarei com você daqui a pouco?

— Vou estar esperando por você.

Quase duas horas depois, Jiwon e eu estamos paradas em frente a minha casa. Meus joelhos estão flexionados, o corpo está suado e eu assisto pacientemente Jiwon beber a última gota de água da garrafa que trouxemos. Agora, exausta, ela finalmente entende o motivo pelo qual eu optei viver nos dormitórios, mesmo morando na cidade. Foram dois ônibus — ambos lotados de estudantes e trabalhadores com tanta vontade quanto a nossa de chegar em casa — e quinze minutos de caminhada do ponto de ônibus até minha casa. E foram quinze infernais minutos debaixo do sol, chutando pedrinhas da estrada velha até que finalmente eu pudesse avistar minha casa.

— Quando você disse que era longe, eu não imaginava que seria tanto. 

— Eu sei. É perto de uma área rural, mas também é perto do trabalho do papai, por isso nos mudamos — digo, subindo os degraus que levam até a varanda de casa, parando no meio do caminho apenas para esperá-la. — Mas não é de todo mal. É um bom lugar pra brincar e explorar quando se é criança. 

Não espero uma resposta, digito a senha no painel digital e ouço o som da trava, indicando que a porta se abriu. Jiwon segue em meu encalço para dentro da casa, e logo na entrada, tiramos os calçados e eu lhe jogo uma das muitas pantufas que tenho. 

— Uau.

Ela exclama assim que põe o pé no piso da sala. A casa é grande, aconchegante e está arrumada. Passo meus olhos pelo piso vinílico de mutunga e noto que Sora encontrou tempo para encerá-lo na semana que estive fora. Jogo minha mochila sobre o sofá e dou alguns passos até a porta da cozinha, encontrando papai e Sora ali, tomando café da tarde.

— Olha só quem chegou! 

Sora é a primeira a notar minha presença, levantando da cadeira e me envolvendo num abraço. Papai assiste a cena, uma xícara de café em sua mão e a armação quadrada e antiga de seu óculos dançando na ponte do nariz.

— Achei que eu fosse a única com saudade. — Zombo dela, me afastando quando percebo que Jiwon já está escorada no batente da porta, nos observando. — Essa é a Jiwon, minha colega de quarto.

— Minha irmãzinha e sua amiga! Seja bem-vinda, Jiwon. Eu sou a Sora, e aquele cara ali, bebericando o café como um senhor de oitenta anos, é nosso pai. — Ela aponta para a mesa, onde papai está sentado com o rosto enrugado.

— Boa tarde, senhorita…?

— Kim.

— Senhorita Kim — repete ele em um tom cordial, logo se levanta. — Estamos felizes com sua visita, é bom saber que Suzy está se adaptando fazendo amizades tão rapidamente.

 — Obrigada por aceitar me receber. Sua filha é incrível, estou muito feliz com o fato de sermos colegas de quarto!

 — São colegas de quarto?  — Mesmo que Jiwon não note, sinto seu tom mudar.  — Então você é a menina que esperamos para conhecer, mas só apareceu a noite, que surpresa.

Ele não sabe se a surpresa é agradável.

 — Eu disse que teríamos outras chances de conhecê-la, não disse?  — Como se lesse meus pensamentos, minha irmã corta qualquer brecha que papai poderia ter para questionar Jiwon sobre o atraso.

 Quando me levaram para o dormitório, meu pai fez questão de esperar para conhecer minha colega de quarto, e essa espera durou quase duas horas, até que Sora o convencesse a voltar para a casa, alegando que haveriam mais oportunidades para conhecê-la. Ele saiu irritado, resmungando que aquilo era um péssimo sinal e que era falta de consideração que ela não estivesse ali para me receber.

— Parece que sim — diz papai, num tom sério e até rabugento.

— Pai, Jiwon e eu vamos subir pra arrumar as coisas. Depois nós descemos para ajudar a Sora com o jantar.

 Puxo Jiwon pelo braço antes mesmo que ele possa contestar. Não quero que ela fique mais tempo ao lado dele e perceba que esse é exatamente o motivo pelo qual decidi viver nos dormitórios.

— Sua casa é tão legal — Jiwon comenta outra vez enquanto subimos as escadas. Ela anda em meu encalço, e é a primeira a passar quando abro a porta do quarto. — Uau. Então é aqui que você se esconde?

 É aqui que me escondo.

Na parede azul turquesa que costumava ser a cor favorita da minha mãe, na roupa de cama estampada com flores que ganhei de Sora há três verões atrás, nos detalhes que moram aqui. Me escondo na cama onde eu costumava deitar de cabeça pra baixo e observar o teto por pelo menos meia-hora antes de dormir. Me escondo no cesto de roupa sujas, onde por muito tempo misturei meias, calcinhas e sutiãs, e talvez milhares de outras coisas que não deveriam ser misturadas. Estou escondida ali, na frustração de saber que essa ainda é minha zona de segurança, que ainda me sinto tão confortável e acostumada chamar este lugar de lar. Estou me escondendo dentro de mim mesma, na ilusão de que deixar esse lugar seria capaz de acarretar alguma mudança brusca em minha vida.

 E eu só percebo isso agora, parada em pé no carpete fofinho em frente a cama, com os olhos estão atentos a cada detalhe do quarto, como se fizesse muito tempo que eu não o frequentasse. Achei que algo mudaria quando voltasse para casa, seja no quarto, seja dentro de mim. Mas percebo que tudo ainda parece tão igual. No quarto, dentro de mim. 

— Gostou?

— Você tem bom gosto. 

Jiwon anda até a cômoda branca perto da cama, seus olhos vidrados em um porta-retrato específico. Mãe, Sora e eu, abraçadas no parque dois meses antes dela falecer.

— Essa é minha mãe — comento acanhada.

— Vocês se parecem muito. 

— As pessoas não me dizem muito isso. Todo mundo diz que sou mais parecida com meu pai, e quem puxou a mamãe foi a Sora.

— Não, vocês definitivamente se parecem. — Suas mãos alcançam o porta-retrato e ela o ergue, como se estivesse o comparando comigo. — São os olhos. Vocês têm o mesmo olhar.

Fico em silêncio por alguns segundos, porque perco as palavras. Não é doloroso falar dela, não como todos pensam. Não sinto vontade de chorar todos os dias, embora existam vezes em que sequer quero sair da cama porque a saudade me bate, porque me machuca. Eu gosto de falar sobre ela, mas sei que as pessoas a minha volta se sentem desconfortáveis. É como falar sobre um tabu, é praticamente como se eu me ajoelhasse e exigisse por pena, e eu odeio isso.

— Minha mãe está…

— Eu sei. — Ela devolve o porta-retrato para a cômoda e me encara, com um sorriso travesso demais para quem fala de um assunto desses. — Seokjin é muito informativo, sabe? Ele chama de empatia, eu chamo de fofoca. Você não precisa falar sobre isso se te machuca, apenas se quiser.

Pisco, surpresa com a quantidade de informações novas. É tudo que eu não esperava ouvir, mas é definitivamente tudo o que eu precisava.

 — Não me machuca, gosto de falar sobre ela, mas talvez agora não seja o momento.  — Abro um sorriso fraco. — Deixe sua bolsa em cima da cama, vamos descer.

Sora lava a louça do jantar enquanto eu seco os pratos e talheres pacientemente. Ela sempre demora com as panelas, alegando que se não lavar com água quente a gordura ficará nítida do fundo da panela. É uma coisa nossa; Sora lava e eu seco, em outras vezes, eu lavo e Sora seca. Geralmente, enquanto fazemos isso, costumamos conversar sobre diversas coisas, mas hoje ela está quieta, presa em seus próprios pensamentos. Não parece ser algo ruim, porque seu olhar se perde na esponja cheia de espuma que ela agarra e seus lábios se curvam em um sorriso bobo.

— O que é que há com você? — finalmente pergunto, jogando o pano de prato por cima de meus ombros e me voltando para ela.

— Sobre o que está falando? Não tem nada de errado comigo, idiota.

 Mas ele ainda está lá. O sorriso persistente no canto dos lábios dela.

—  Não é o que a sua expressão diz, se quer saber. —  O pano de prato cai dos meus ombros e eu aproveito para acertá-la com ele, e sei que dói, porque está úmido pela louça que sequei.

— Como você é chata. Achei que voltaria um pouquinho mais legal comigo já que te fiz um favor. —  Ela me encara sugestiva. — E você me deve.

 — Viu? Está agindo de forma estranha. Seus favores geralmente são relacionados à tarefas de casa.

—  Eu não posso mudar?

—  Pode, só espero que não seja algo como lavar suas calcinhas ou coisas assim.

— Idiota.

Seu comportamento me intriga, mas decido deixar pra lá. Ela termina de lavar as panelas e eu seco em silêncio enquanto a assisto limpar a pia. Não temos máquinas para secar ou lavar a louça em casa, às vezes, Sora e eu passamos minutos e mais minutos conversando enquanto fazemos aquela tarefa juntas e eu entendo o porquê, mas às vezes ainda é chato como papai está preso aos costumes antigos e o fato de não aceitar que o mundo mudou.

 — Você deveria subir logo com Jiwon, vou levar sorvete depois. —  Sora puxa o pano de prato das minhas mãos e me empurra.

 —  Não vai ir com a gente?

 —  Não. Anda logo, cada minuto que você fica me atazanando aqui é um minuto a mais da Jiwon com o papai.

 É o bastante para me convencer. Volto rapidamente para sala, papai e Jiwon estão sentados em sofás diferentes, ele vê o jornal. Jiwon parece desconfortável, sua postura está ereta e as mãos estão juntas sobre as pernas, enquanto seu olhar parece fixado em um ponto vazio da sala.

 —  Pai, acho que eu e a Jiwon vamos subir, tudo bem? Queremos ver um filme lá em cima, você pode olhar o jornal aí da sala.

 — Você não tem nenhuma lição de casa pra fazer?

 — Não. Pai... é faculdade. Não tenho a mesma matéria todos os dias.

 — E por isso precisa protelar para fazer suas tarefas? Se tiver algum coisa, quero que faça agora.

 — Não tenho nada. —  Solto um suspiro mais cansado do que deveria. —  Vamos subir agora, tudo bem? Tenha uma boa noite.

 Sinalizo para que Jiwon se levante logo e me acompanhe até as escadas, e ela é rápida ao fazer aquilo. Quando estamos nos últimos degraus para o andar de cima, ouço papai dizer:

— Nada de ir dormir tarde, amanhã cedo quero que me ajude a limpar o quintal.

— Sim, pai. — Suspiro, cansada só de pensar em levantar cedo para fazer algo daquele tipo. Empurro as costas de Jiwon com certa leveza e logo estamos dentro do meu quarto outra vez. — Bem vinda à minha vida, Jiwon. Agora espero que entenda porquê eu fiz tanta questão de ficar nos dormitórios.

— Não é tão ruim. — Mas a careta em meu rosto faz com que ela ceda e admita logo em seguida, rindo: — 'Tá, é ruim. Entendo você agora.

Caminho para perto da cama e me jogo nela, tateando o edredom estendido para encontrar o controle da televisão. Jiwon me avisa que vai tomar banho e pega uma muda de roupas na mochila enquanto eu assisto com concentração ao drama que passa na JTBC. Minutos depois ela volta, vestindo uma camiseta branca que eu assumo que seja do namorado e uma calça de moletom.

— Você tem pente pra me emprestar?

Aponto para superfície da cômoda e ela começa a pentear os cabelos úmidos. Segundos depois, Sora entra pelo quarto com um pote de sorvete nas mãos. Um pote de sorvete, um vestido e maquiagem.

— Sora? Por que está arrumada assim?

— Vou sair. Você me deve um favor, lembra? — Ela põe o pote gelado de sorvete no meu colo. — O papai está dormindo, mas caso ele acorde para ir no banheiro ou coisa do tipo, estou aqui dormindo com vocês, certo?

— Certo! 

Jiwon é a primeira a concordar, e parece entender as palavras de Sora melhor do que eu, que continuo confusa.

— O que está fazendo? Vai sair com quem?

— Com o meu namorado.

Levo alguns segundos para processar a informação, completamente congelada. Olho para o rosto dela mas não encontro nenhum resquício de diversão.

— Você está brincando? Que namorado?

— O meu namorado.

— Desde quando você tem um namorado? Eu saberia se tivesse um namorado, você me conta tudo, não é? — Nós ficamos em silêncio por alguns segundos, então percebo que ela não precisa me responder em voz alta, porque já sei a resposta para minha pergunta.

— Suzy… — Ela suspira, parecendo culpada, seu olhar encontra o de Jiwon e minha colega de quarto se encolhe, como se estivesse desconfortável.

— Eu acho que vou no banheiro — diz Jiwon.

Ficamos em silêncio, porque não há o que dizer. É desconfortável para nós três que Jiwon presencie aquela conversa, então ela escapa rapidamente porta afora e nos deixa a sós. Sora se abaixa perto da ponta do colchão e apoia os braços ali, me encarando. 

— Em minha defesa, não faz muito tempo desde que estou namorando, tem menos de duas semanas. Menos dias do que os que você frequenta a faculdade, mas eu saio com ele há algum tempo sim.

— Como? O papai sabe?

— Não. — Ela ri. — Eu pulo sua janela, pulei diversas vezes enquanto você dormia.

Desvio meus olhos para a janela aberta, se a luz estivesse desligada, sei que a lua iluminaria o quarto, porque ela parece incrivelmente perto e dez vezes mais bonita daqui.

— Por que estou sabendo disso só agora?

— Porque você é como o papai. Não me leve a mal, isso não é ruim, mas você ainda não desenvolveu sua própria personalidade. Tive medo de te contar e você me julgar, dizer que eu devo pedir permissão do nosso pai. — Ela desenha com os dedos o formato de uma flor no estampada no edredom. — Você vai entender isso agora, porque vai se tornar mais independente. Vai fazer amigos na faculdade, e talvez vá se apaixonar, e aí vai entender. 

— Eu já me apaixonei outras vezes, Sora. — Reviro os olhos. — E só pra você saber, é irritante quando você diz isso como se fosse uma anciã muito vivida.

Arranco uma risada dela.

— Eu sei que é, mas veja bem, nunca tive ninguém que me dissesse. Tive que aprender sozinha. — Ela abaixa a cabeça, e eu não preciso de muitos segundos até entender que ela fala da nossa mãe. — E eu sei que é irritante, mas é a verdade. Você está crescendo bem, logo não vou precisar mais te aconselhar. 

— Está tentando me irritar com esses comentários? Sério, me tratando como se eu tivesse dez anos…

— Estou tentando te dizer, sua idiota, que você precisa sair debaixo das asas do papai. — Ela belisca minha perna que está perto dela. — Tenho que ir, o Hoseok já deve estar me esperando. 

 — Espera, você está namorando o Hoseok?! Como isso foi acontecer?

Jung Hoseok. Nosso vizinho mais próximo. Sos amigos de infância, como aqueles com quem você brinca de pique-pega, conhece a família toda e até mesmo já dormiu na casa várias vezes. Ele, Sora e eu costumávamos fazer tudo juntos, desde ler o mesmo livro, jogar os mesmos jogos e nas quintas-feiras, comer batatas fritas. Sinceramente, sempre soube que ele sentia algo por Sora, e isso chegou a me magoar uma vez quando, por alguns meses, gostei de Hoseok. Com o tempo, todas aquelas sensações estranhas foram sumindo e ele voltou a ser apenas meu amigo. 

— Essa é uma longa história, e eu prometo te contar os detalhes quando eu voltar, mas agora eu realmente preciso ir.  — Ela caminha para perto da janela e passa uma perna por lá. Minha janela é a mais baixa, apesar do quarto ficar no segundo piso, ela sempre foi mais fácil de descer graças a calha que fica logo ao lado. E Sora desce com tanta habilidade que me traz a convicção de que ela tem feito isso por um bom tempo.  — Vou estar de volta pela manhã, ok?

— Certo.

Assisto enquanto ela some completamente do meu campo de visão, me deixando somente com inúmeras perguntas para as quais não tenho respostas. Quero me chatear com Sora por esconder o namoro de mim e me comparar ao papai, mas no fundo sei que ela está certa. Cada pequena coisa que meu pai me ensinou ainda está enraizada dentro de mim, e ainda não sou capaz de desenvolver opiniões próprias sobre certas coisas. Ainda sou a pessoa que fica em silêncio em debates políticos na aula porque não sei o que dizer. Ainda continuo procurando por algum tipo de liberdade quando sequer consegui me encontrar.

— Suzy, você 'tá aí?

A voz de Jiwon reverbera do outro lado do quarto. Ela dá batidinhas singelas na porta e a abre, passando sua cabeça pela fresta e espiando o local. Estou deitada na cama, mas arrumo minha postura quando ela finalmente entra, sorrateira. Senta na ponta da cama, quase no mesmo lugar onde Sora estava, então me encara e ri:

— Sua família é uma peça.

Talvez seja mesmo. E talvez essa seja a razão pela qual eu sinto que não me encaixo em outros lugares. 

— No bom ou no mau sentido?

— No bom... — Ela parece reflexiva. — E no mau também, porque todas as famílias são assim. Também tive meus problemas com minha família, eu não saíria de casa e faria faculdade em outra cidade por nada.

— Jiwon, posso confessar uma coisa?

— Hm?

— Tive medo de trazer você pra cá. Meu pai é… Bem, meu pai é meu pai. Ele é superprotetor, acha que a maioria das pessoas à nossa volta são maus elementos, e mais um monte de conceitos preconceituosas que ele se recusa a rever. 

— Eu meio que percebi. 

— É impossível não perceber, acontece que esse jeito dele já afastou muitas amizades de mim. Não é à toa que eu e a Sora nos damos tão bem, é porque podemos interagir livremente sob os olhos do papai sem problemas, porque somos irmãs. — Solto um riso fraco, carregado de ironia. — Só que essa situação com a Sora, as coisas que ela me disse, e outras situações também fazem com que eu me sinta mal.

— Tipo o quê? 

Ela apoia o cotovelo no colchão e me olha como quem realmente quer saber. Deito de barriga pra cima e encaro o teto cheio de estrelas, é nostálgico. Sempre estive aqui com Sora, compartilhando segredos, risos baixos e suspiros por algum filme bobo que havíamos acabado de assistir. Entretanto, quem está aqui agora é Jiwon, e sinto que estamos prestes a compartilhar novas histórias aqui, debaixo das estrelas fluorescentes do teto.

— A Sora sempre foi extremamente certinha, pelo menos para mim. Eu sempre pensei que, sei lá, era algum exemplo que eu deveria seguir, me assemelhar, mas agora eu percebi que ela nunca foi nada disso. Quando ela ficou mais velha, ela fez tatuagens escondidas do papai, agora, ela tem um namorado e sai escondida de casa no meio da noite para se encontrar com ele. É como se…

É como se ela estivesse misturando meias, sutiãs e calcinhas

— Eu vejo como se ela estivesse se libertando — opina Jiwon. — É perfeitamente normal, sabe? Chega uma idade em que você cria suas próprias regras, faz seu próprio destino. Talvez sua irmã esteja fazendo isso.

Criar minhas próprias regras. 

Como Sora conseguiu criar as próprias regras em meio as milhares de regras de papai? É quase como se ela furasse uma bolha, quebrasse um tabu. 

— A Sora me disse que eu sou como o nosso pai. — Pauso, em partes porque não sei o que dizer. Talvez só reste admitir. — Acho que às vezes eu sou assim. Eu odeio isso, mas às vezes sinto receio por estar perto de alguém apenas porque sei que é o tipo de pessoa que ele não julga boa, sabe? Porque tudo que ele sempre disse martela na minha mente e parece que é a única coisa que meu subconsciente aceita. Eu não gosto de me arriscar, prefiro ficar na zona de segurança.

— Quer minha opinião sincera sobre isso? — Balanço a cabeça, afirmando. — Acho que é uma questão de educação, você não tem culpa. É como ensinar uma criança a falar, sabe? 

— Como assim?

— Quando aprendeu coreano, você era um bebê, mas foi se acostumando a associar uma palavra com algum objeto, ou pessoa. Seus pais te chamavam de Suzy tantas vezes que, mesmo bebê, você já sabia esse era seu nome, porque eles se direcionavam assim apenas a você. Se seus pais falavam sobre ver TV, então a ligavam, assim você entenderia o que uma televisão era. Estou fazendo sentido?

— Está.

— Ótimo, pensei que estava ficando totalmente confuso. — Nós rimos. — Mas é isso, você aprendeu a falar porque viu seus pais falando, então começou a associar as coisas. Logo, se você cresceu ouvindo seu pai falar que algumas coisas são erradas, você logo associará isso a alguma pessoa ou a alguma situação. Você ainda não pode evitar isso, o que pode fazer é se reeducar.

— Me reeducar?

— A faculdade vai te ajudar nisso. Você vai conhecer pessoas novas e vai acabar se desprendendo dessa visão que tem. 

— Você acha?

— Acho. — Ela levanta a cabeça e seus olhos brilham como se tivesse tido uma epifania. — Conheço alguém perfeito para mudar sua visão.

— Quem?

— O Jimin. Lembra dele? Daquele dia do restaurante...

Tento conter minha surpresa ao ouvir aquilo, mas minha expressão me contradiz. É como se Jiwon houvesse atirado diretamente no alvo, mas não lhe digo isso. Não lhe digo que a presença de Jimin me intimida, que foi graças a ela que comecei a perceber como estou presa nos preceitos de papai. Não tenho coragem, ainda não. Tudo que faço é sorrir da forma mais torta possível, fingindo interesse em compartilhar qualquer coisa a mais com ele do que o mesmo ambiente.

— Você acha?

— Acho, o Jimin é um doce. Vocês são parecidos, na verdade. Sabia que ele também joga xadrez? Vou dizer a ele para aparecer por lá quando você estiver. 

— É.

— Mas não se assuste, não é como se você fosse mudar bruscamente. Você só vai evoluindo, seus pensamentos, sua atitude. — Ela para de falar apenas para sorrir com sinceridade. — Essa é uma conversa muito boa pra se ter, não acha?

— Como assim?

— Sobre a vida. Não só sobre vestidos, maquiagens, namorados…  Estou feliz que posso falar sobre coisas da vida com você.

— Cheque-mate.

Namjoon diz outra vez. Desvio meu olhar distraído da janela para olhar para a situação do jogo e solto um suspiro cansado, porque percebo que estou encurralada. Não há para onde ir, não já para onde voltar. O jogo acabou, e por isso, derrubo as peças de maneira desmotivada, enquanto assisto Namjoon encarar o relógio prateado no pulso.

— Uma e dezessete — diz em voz alta. Ele parece se dar conta de algo, porque arruma o casaco e recolhe a mochila que pendurou na cadeira, se levantando. — Tenho uma reunião sobre um trabalho de economia daqui há vinte e três minutos, preciso ir.

— Certo. Boa reunião.

— Obrigado. Boas futuras partidas?

Rio de sua confusão, assentindo e lhe dando a deixa que ele precisa para ir embora. Mas não convido ninguém pra jogar. Todos parecem ocupados em partidas animadas e encarar as peças por bons segundos antes de colocá-las no saquinho preto parece muito mais interessante no momento.

É terça-feira, a tarde acaba de se iniciar. Para ser sincera, não planejei parar aqui, mas Namjoon e eu acabamos nos esbarrando no corredor ao lado e ele me convidou para uma partida, provavelmente pra matar o tempo. Acabei aceitando porque não tinha nada para fazer durante a tarde. Jiwon tem o dia cheio e só voltará para o dormitório à noite, e depois de ler duzentas páginas de um relatório para resumir, sinto que minha vista está cansada demais para ler um livro ou assistir a mais um episódio de Boku No Hero.

— Com licença, essa cadeira está vaga?

— Não.

Continuo a guardar as peças no saquinho, mas um toque quente para minha mão. Desço meus olhos para a mão que cobre a minha, e tenho a sensação de que vou entrar em uma colapso nervoso quando vejo as tatuagens que cobrem do início de seus dedos até os pulsos, e provavelmente se estendem por dentro da camisa listrada de manga comprida.

— O que está fazendo?

Minha voz é sussurro aterrorizada, mas ele a ouve ainda assim. Recolhe o saco da minha mão e abre, jogando as peças para cima do tabuleiro outra vez. Meus olhos finalmente encontram seu rosto, e posso ver o sorriso encabulado se formando nos lábios de Jimin quando ele diz:

Serei seu adversário.


Notas Finais


O Jimin apareceu pouco nesse capítulo, mas eu julgo MUITO necessário que vcs entendam o ambiente que a Suzy vive/foi criada pra que possam entender ela num futuro próximo.

Como tá a quarentena de vocês? Estão se cuidando direitinho? Espero que sim! A minha começou esse final de semana oficialmente, e eu aproveitei pra escrever 💕

Espero que tenham curtido o capítulo. Vou gostar muuuuito de saber a opinião de vocês.

E APROVEITANDO PRA DIVULGAR UMA FANFIC MARAVILHOSA COM O JUNGKOOK: https://www.spiritfanfiction.com/historia/arqueologia-18228548


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