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História Dez Invernos ( Mirandy - Intersexual) - Capítulo 5


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Capítulo 5 - Conhecendo o céu


Fanfic / Fanfiction Dez Invernos ( Mirandy - Intersexual) - Capítulo 5 - Conhecendo o céu

Point of view of Andrea Sachs

Caminhei com Augustine até algum dos bancos que tinha no hall de entrada da Elias-Clark. Seus gemidos de dor cada vez que seu pé encostava no chão enquanto ela caminhava, me deixava com o coração partido.

A passos pequenos e mancos, chegamos a um dos bancos, ela sentou lentamente. Olhando para a perna que torceu, disse:

- Será que eu quebrei?

- Acho que não, se não a senhora não ia conseguir colocar o pé no chão. - Me agachei um pouco. - Posso dar uma olhada? - Ela confirmou, levantei um pouco a calça preta que ela usava. O tornozelo estava inchado e um pouco roxo. - Meu Deus, isso está feio. - Olhei de volta para ela que não parecia estranha. Então me lembrei da foto em cima da mesa da Miranda. Ela é a senhora que teve aquele sorriso lindo da Miranda. Falando nisso.

Merda eu não almocei

Olhei para o meu relógio de pulso e passei a mão no cabelo o que não passou despercebido por ela.

- Eu não quero mais te atrapalhar, você já ajudou bastante.

- Pois é, eu sou assistente da Miranda Priestly. - Augustine me olhou surpresa. -E hoje é meu primeiro dia e eu não almocei ainda. - O seu olhar mudou para preocupado.

- Deus, Andrea. Estamos brincando com o perigo. - Comecei a rir. - Você ainda ri.

- É tão ruim assim?

- Ruim está o meu pé, você está fud...

- Okay, já entendi. - Me levantei e sentei do lado dela. - Eu preciso ligar para Emily, para ela falar para Miranda o que aconteceu.

- Não precisa, de certo aquela de lá deve ter passado por alguém e falado. "Ó tem uma velha caida ali na calçada" - Incrédula olhei para ela e incrédula eu fiquei.

- Credo.

- Ah, minha filha. - Ela fez cara de deboche.- Nem todo mundo é o que aparenta ser ou às vezes só merece ganhar um Oscar.

- É, nem todo mundo é o que aparenta ser. - Comecei a lembrar do Nate, da primeira vez que nos falamos. Naquela noite, rodeado de amigos, num barzinho com algumas cervejas na mesa. Eu achei que tinha encontrado meu grande amor.

-...e agora aparece grávida. Como eu te disse algumas pessoas merecem um Oscar. - Sai dos meus devaneios e fitei ela confusa. - Você não ouviu nada né?

- Acho que só ouvi a última parte. - Ela fez outra cara de dor. Nesse momento meus olhos insistiram em ir para a direção do elevador. Miranda estava parada me olhando. Respirei fundo.

- Falei... - Augustine sussurou no meu ouvido, me fazendo ter um susto. Observei de novo Miranda que estava vindo ao nosso encontro, com Nigel e aquela mulher loira que mais parecia uma Barbie.

- Augustine, o que aconteceu? - Miranda sentou do outro lado dela.

- Logo após que desci do carro, eu acabei tropeçando na calçada e virei o pé. - Augustine mostrou o tornozelo inchado para ela. E com a voz embargada, continuou. - Se não fosse pela Andrea, eu estaria até agora lá. - Disse olhando para a moça loira.

Então,quem merece o Oscar agora?

- Você não disse que tinha chamado os seguranças, Valerie? - Miranda perguntou para Barbie, quer dizer a loira que agora descobri que se chama Valerie.

- Eu... - Ela tentou falar algo mas Augustine interrompeu.

- Está doendo demais, Miranda.

- Andrea, suba ao escritório pegue a minha bolsa e ligue para o Roy, avise que estamos levando Augustine para o hospital. - Miranda como sempre dando ordens. - Algo na minha agenda agora para tarde?

- Eu e Emily tivemos uma manhã agitada, tivemos que marcar e remarcar muitas coisas e... - Olhei para Augustine que fazia negação com a cabeça como se quisesse dizer "Ela está ficando aborrecida Andrea. Foco."

- Já era para estar no hospital, Andrea. Mas estamos aqui vendo você reclamar do seu serviço. - Miranda disse com aquela voz rouca e grossa, num tom ameno mas que fez as pessoas do outro lado daquele hall estremecer só de ouvir ela. - Que aliás já está reclamando no primeiro dia. - Deveria ter ficado branca, ela me deu um sermão na frente dos que estavam ali.

Eu sou sensível para algumas coisas, qualquer palavra que era para não ofender, vira um nó na minha garganta e da vontade de chorar. Alguns dizem por eu ser do signo de peixes, sou sensível assim. Eu não sei mas é rara as vezes que eu consigo me impor, que eu consigo falar o que sinto.

- Me desculpa, Miranda. - Disse controlando minha respiração. - A reunião com a revista que você tinha pela parte da manhã, foi remarcada agora pela tarde.

- Ah amor, e nós temos que almoçar ainda. Estou com muita fome. - Disse Valerie.

Deixei eles debatendo e sai de fininho mas as pressas para pegar as coisas de Miranda e avisar o motorista, não queria que me vissem com os olhos vermelhos. Peguei bolsa e o casaco da Miranda e pedi para Emily chamar o motorista enquanto isso. Ela me encheu de perguntas, só que agora eu não poderia das as respostas. Na volta, dentro do elevador um perfume tomou conta do lugar mas eu estava sozinha no cubículo, então descobri da onde vinha. O casaco de Miranda, aquele cheiro amadeirado e viciante. O elevador sinalizou que eu já tinha chegado no destino e com a mesma pressa que eu subi, eu retornei.

- Com licença, Miranda. - Todos me olharam, menos Valerie que estava com uma cara nada boa. - Roy já está a sua espera, aqui sua bolsa e casaco. - Ela se levantou para pegar e antes dela falar qualquer coisa, eu disparei. - Quer que eu marque para amanhã sua reunião? - Miranda olhou para Nigel que se pronunciou a primeira vez.

- Eu vou fazer as fotos hoje, Miranda. A reunião pode ficar para amanhã.

- Então, remarque. De amanhã não pode passar, é a revista de fevereiro. - Miranda falou com os olhos em Augustine, eu apenas confirmei com um aceno. - Venha, Augustine. Nigel, me ajuda. - O mesmo estava indo ajudar quando Augustine soltou algo que me estremeceu.

- Não precisa, Nigel. - Ele parou no mesmo lugar.

- Que isso, Augustine? Eu só quero te ajudar. -Soltou com um tom magoado. A mais velha revirou os olhos.

- Não é isso, quero que Andrea me ajude e nos acompanhe ao hospital. - De novo os olhares em mim.

- Eu?... Senhora... Eu tenho que voltar ao trabalho.

- Não, você nem almoçou ainda. Se for rápido lá. Você almoça conosco. - Uma cara de deboche se formou no rosto de Augustine.

- Mas, Miranda. - A Barbie apontou para mim. - Se ela vai, eu também vou.

Acho que todos os olhos presentes reviraram ao mesmo tempo, ela tinha uma voz não muito agradável.


-Não tem cabimento isso, Augustine. - Já Miranda com essa voz. - Ela tem trabalho a fazer. - Augustine levantou bem devagar.

- Ela vai com nós, e ponto final. - A mais velha fitou Miranda séria. Nigel fez sinal de rendição com as mãos, enquanto as duas se encaravam, um duelo de olhares.

- Eu sou tua mulher, eu quem deveria ir. - Valerie falou quebrando o clima tenso que se formou.

- Mas não foi a mulher da Miranda que me ajudou. Isso é tudo. - Augustine deu por fim aquela discussão. - Andrea me ajude aqui.

- Cla..claro. - Segurei Augustine pela cintura para sairmos. Ainda consegui ouvir "Augustine é a única que eu perco uma batalha. Você sabe disso, Valerie." A mais velha sorria, deveria ser a única que ganha algo de Miranda.

Roy, o motorista de Miranda me ajudou a colocar Augustine no carro. Ele também estava preocupado com a mais velha. E não tardou a demonstrar isso.

- Meu Deus, Dona Augustine. Por que eu não voltei para pegar a senhora e a Dona Valerie. Agora estou com peso na consciência.

- Oh meu querido. - Augustine colocou a mão no queixo dele. - Tem coisas que acontecem nas nossas vidas, que agora não entendemos. Mas lá na frente... - Ela fez sinal com a mão.- ...começa a fazer sentindo. - Ele deu um sorriso para ela.

- Sempre sábia.- Acomodamos Augustine no carro, e logo após Miranda entrou.

- Tadinha da Valerie. - Augustine fitou a janela e eu mirei onde ela estava olhando, a Barbie estava com um bico maior do que o rosto e de braços cruzados na frente do edifício. Queria rir da birra da Barbie mas senti os olhos de Miranda sobre mim. Sustentei o olhar dela e a mesma revirou os olhos para o comentário de Augustine.

Estava desconfortável com a Miranda ali mas Augustine é tão iluminada que nem dei muita importância para a carranca da minha chefe.

Chegamos ao Hospital Mount Sinai em menos de 10 minutos, o mesmo ficava em frente ao Central Park e algumas quadras de distância da Elias-Clark. Enquanto, Roy desceu correndo para pegar uma cadeira de rodas para Augustine, eu e Miranda ajudavamos a mesma a descer do carro. Cada uma de um lado, os nossos pescoços serviram de apoio para os braços de Augustine e as nossas mãos estavam enlaçadas na cintura da mais velha. Não foi por querer que coloquei a minha mão por cima da dela o que nos causou um choquezinho. Acho que ela sentiu pois franziu as sobrancelhas.

Miranda foi direto na recepcionista para fazer a ficha ambulatorial. Roy ainda me ajudou com Augustine na cadeira de rodas, e antes dele sair, chamei:

- Roy? - O mesmo virou para trás. - Obrigado. - Meio timido ele acenou com a cabeça e disse que ia ficar por perto, caso precisarmos dele.

- Ele não é muito acostumado com gentileza, a não ser a minha. Sou um doce de mulher. - Dei uma risadinha.

- Vamos lá? - Augustine confirmou.

Eu nem esperava mas demorou uns 10 segundos para chamarem, Augustine pediu para mim ir comer, já que eu não almocei. Miranda não falou nada, só analisava, parecia que com a mais velha, ela não podia ir contra por que como a mesma já disse, sempre perdia para Augustine. Eu não me fiz de rogada, fui dar o que meu estômago pedia, achei uma carrocinha de cachorro quente na entrada de uma galeria de lojas, era o único lugar que o vendedor poderia se esconder desse frio e foi lá que eu me fiz.

Depois das energias postas no lugar, voltei para o hospital. Miranda estava na sala de espera em uma das cadeiras bem a frente, com as pernas cruzadas, seu corpo estava num terninho preto e um cinto marrom, e nos pés um salto alto preto, sem esquecer o sobretudo preto que estava na cadeira ao lado, aquele cheiro, ela estava mexendo no celular.

Cheguei perto dela, até então ela não tinha notado minha presença, os cabelos brancos como a neve que está caindo lá fora, queria saber o que ela estava vendo para aquele tal bico em sua face. Tão linda.

Meu Deus, amor a primeira vista não existe. O Nate é a prova disso.

- E a Augustine? - Ela levou um susto, colocando a mão no peito. Tomando ar de novo, ela me olhou.

- Está fazendo alguns exames. - Confirmei com a cabeça e sentei ao seu lado, separadas apenas pela cadeira que estava seu casaco.

Meu telefone vibrou dentro do casaco. Quando peguei me surpreendi com a mensagem.

- Andy, você não deixou dinheiro pro meu almoço. Estou louco de fome.

Respirei fundo. Não estava prestando atenção para quem estava do meu lado, simplesmente peguei o celular e liguei para Nate.

- Alô? - Estava com uma voz de sono, bufei de raiva.

- Nate, eu fui no mercado semana passada e comprei um monte de coisas, a geladeira está lotada, como você está com fome.

- Eu não quero nada da geladeira. Quero comer algo diferente. - Chorei de rir.

- Aproveita que você é um aspirante de cozinheiro e inventa algo pra te comer. - Desliguei na cara dele. Deveria estar vermelha de raiva ou de vontade de chorar.

Foi então que me dei conta que Miranda estava do meu lado, aos poucos fui olhando para ela que estava com a sobrancelha arqueada.

Merda... Malditos olhos azuis que me estremecem.

Tratei logo de me desculpar.

- Me perdoa por isso. - Disse mais pro meu telefone na minha mão do que pra ela.

- Não me envolvo na vida dos meus funcionários, Andrea. - Sorriu debochado. - Quantos anos o seu filho tem?

- 24 - Neguei com a cabeça sorrindo. Ela fez um bico torto.

- Ele precisava de dinheiro pro pão? - Aquele sorriso debochado continuava. - Eu sorri sem mostrar os dentes.

- Hoje, Augustine me falou uma coisa certa. Nem tudo é o que aparenta ser.

- Aquela mulher sabe de tudo. - Miranda disse,e nesse momento nossos olhos se encontraram. E eu viajei por segundos naquela imensidão azul.

- Seus olhos são lindos, azul como o mar e intenso como o céu. - Acabei pensando alto.

Uma voz masculina ecoou naquela sala.

Familiar de Augustine Coleman.






















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