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História Dezenove Anos Depois - Capítulo 5


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Notas do Autor


Bom dia pessoal, espero que todos estejam se cuidando e na medida do possível quietinhos dentro de casa.

Uma coisa menos ruim da quarentena: Consegui escrever um pouco. Espero que gostem do capitulo.

Capítulo 5 - O Baile e tudo que deu errado nele


O convite formal para o bendito baile chegou três dias depois, informando a data para dali duas exatas semanas, a carta de Pansy, horrorizada pelo convite que ela mesma recebeu, chegou um dia depois. Parecia que Mcgonagall realmente tinha se esforçado para a inclusão de todos os alunos no evento. 

 

Blaise estava nesse momento na minha sala de jantar tentando convencer Theo a ir, e eu não culpava o homem pelas negativas, se eu tivesse qualquer escolha estaria tão irredutível quanto ele. A pequena briga já durava mais de uma hora. Astoria erroneamente tinha comentado sobre a festa e isso pareceu abrir uma torneira em Blaise que começou com pequenas indiretas até chegar a esse ponto, onde quase implorava ao marido:

 

— Theo! Por favor, eu estou com saudades daquelas masmorras escuras...

 

— Por Merlin, Blaise! Eu nunca mais volto a pisar os meus pés naquele lugar! O que demônios a para sentir saudades? Você é um homem adulto, está passando de hora de deixar a escola para trás. 

 

— Até Draco está indo! Não entendo o porque de você ser tão teimoso.

 

— O merlin! EU NÃO ESTOU TENDO ESSA CONVERSA.

 

Theo, que estava tentando ser a voz da razão ali, finalmente explode, mas passa rápido, ele respira fundo e volta a pegar os talheres, ignorando o silêncio e o clima.

 

— Esse peixe está divino, Astoria. — Elogia como se nada de anormal estivesse acontecendo.

 

— O seu preferido, mandei fazer assim que soube que viriam. 

 

Os dois engatam uma conversa leve e agradável sobre o jantar, Blaise emburrado pega a taça de vinho, fazendo barulho o suficiente para todos olharmos para ele, mas quando tem atenção ele nos ignora fazendo um bico extremamente infantil em direção ao marido, terminando o prato com o máximo de barulho que ele consegue. 

 

Astoria sentada ao meu lado esconde o riso com a mão e eu sorrio abertamente daquela cena ridícula. Estávamos mais do que acostumados com Zabini conseguindo o que queria com aquela atitude pelas últimas décadas e dessa fez não foi muito diferente, Theo solta um suspiro pesado e fecha os olhos não resistindo mais do que alguns minutos.

 

— Tudo bem! Você venceu, okay? Vamos para esse maldito baile se isso vai fazer você me deixar em paz. Agora por favor, para.

 

A careta no rosto de Blaise se desfaz como mágica e ele abre um sorriso enorme enquanto se inclina para o lado e beija Theo nos lábios. Nott retribui o selinho meio rígido, mas quando Blaise coloca a mão em sua nuca e tenta aprofundar o beijo ele o afasta se voltando para mesa com as bochechas levemente ruborizadas e eu gargalho alto, sendo acompanhado discretamente por minha esposa. 

 

— Sério, Theodore? Eu não sei se você se lembra, mas eu dividi o quarto com vocês durante dois anos de namoro! 

 

— Isso não muda o fato de eu não gostar de dar um showzinho em público.

 

— Era só um beijinho inocente, amor! — Blaise se defende, voltado com o biquinho, seu marido o encara e revira os olhos achando o prato quase vazio a sua frente muito interessante. 

 

Balanço a cabeça negativamente para o comportamento dos dois e chamo Milli para retirar os pratos e servir a sobremesa. Enquanto o elfo trabalha nós quatro ficamos em silêncio, algo confortável dado a todos os anos de amizade. 

 

Quando Milli abre o domo do bolo Floresta-negra e faz menção de começar a nos servir Blaise o dispensa com um aceno e suspirando baixo deixo que o elfo se retire. 

 

Quando se mudaram do país, Nott foi deserdado pelos pais, que ja não aceitavam um filho que não compartilhavam dos mesmos ideais que eles e fugir da guerra com o namorado tinha sido o limite para eles. E como ele era um orgulhoso filho da mãe nunca tinha se deixado ser sustentado por Zabini, o que acabou com os dois vivendo uma vida ridiculamente simples. 

 

Aparentemente eles tinham gostado do estilo, já que agora com empregos rentáveis e uma família construída ainda viviam em uma casa modesta, não pequena ou pobre, mas nada comparada as mansões nas quais ambos tinham crescido e esse novo estilo incluía, nada de elfos domésticos e mesmo quando estavam aqui ou na Parkinson eles agiam como se eles não fossem necessários, dispensando seus serviços sempre que podiam, como agora onde o homem pegava a faca e cortava pedaços do bolo para todos nós e nos servindo.  

 

Logo depois que terminamos o jantar os dois se despedem e dizem que precisam ir para casa antes que Lisa matasse a mãe de Blaise, ou o contrário. Com promessas de passarmos uma semana das férias dos garotos na frança nos despedimos. 

 

---DMHP---

 

Depois da notícia os lucros da empresa principal, eu tinha reuniões todas as manhãs, relatórios e perguntas; havia sido um erro? uma exceção? Como faríamos para aumentar cada vez a margem? Os acionistas estavam sedentos. Pelo menos oitenta por cento deles tinham tido suas fortunas severamente comprometidas, junto a todas as outras grandes famílias sangue puros, depois da guerra e agora viam uma oportunidade de voltar as eras de ouro e eu não podia querer diferente. Era assim que aquele mundo funcionava. 

 

No fundo eu havia ficado grato pela quantidade de trabalho extra que isso exigia de mim, menos tempo para pensar em pessoas que eu definitivamente não devia estar pensando, apesar de que não parecia que eu conseguia fugir desses pensamentos por muito tempo.

 

---DMHP----

 

Queria poder dizer que estava perfeitamente calmo enquanto esperava Astoria terminar de se arrumar, mas sentado na poltrona em frente a lareira eu batucava os dedos no braço do móvel e cruzava as pernas somente para descruza-las e então batia o pé ritmicamente no chão. Tinha certeza que o ambiente que encontrariamos não seria nada agradável.

 

— Vai acabar abrindo um burado no chão desse jeito, querido.

 

Ouço a voz e me viro para as escadas, vendo Astoria descendo por elas, num vestido azul escuro, longo, o cabelo amarrado em tranças em volta da cabeça, ela usava um simples par de brincos cor de giz, que eu havia dado de presente de casamento muito tempo atrás. Estava simplesmente deslumbrante. 

 

— Esta linda, Senhora Malfoy. — Encontro com ela aos pés da escada oferecendo meu braço junto ao elogio, sorrindo ela agradece, um sorriso largo que mostra os dentes pequenos. 

 

— Eu tive que caprichar para não te deixar roubar os holofotes dessa vez. 

 

A provocação me causa um riso alegre e eu concordo, sem poder devolver nada diante de tal inegável fato. Eu nunca fui conhecido por ser um homem modesto.

 

Quando chegamos a Hogwarts o salão principal estava perfeitamente arrumado para a festa, as mesas das casas tinham sido removidas e o espaço tinha sido montado com pequenas mesas redondas ao redor do centro do salão, onde ficava a pista de dança, a mesa longa a frente, que servia como mesa dos professor estava lá, mas agora coberta por uma toalha de mesa branca com bordados das cores das casas e enfeitadas com velas e arranjos de flores, assim como as demais mesinhas, o teto mostrava a noite estrelada lá fora, os estudantes andavam em roupas de gala entre os adultos, eles ficariam conosco até às nove da noite. Famílias tinham escolhido suas mesas e alguns estudantes mais velhos rodeavam Potter e Weasley animados em estar na presença dos heróis de guerra.

 

Reconheci Neville na mesa dos professores e  me lembro somente agora que ele era professor de herbologia de Scorpius. Além deles reconheço Luna Lovegood que faz alguns truques que deixam os primaristas e secundaristas impressionados, ela ri alto chamando a atenção, as roupas prata com impossiveis bordados em amarelo, nada discreta ajudando nisso.

 

 Blaise, que havíamos encontrado no lado de fora esperando por reforços, passa por mim e assobia alto elogiando a decoração, Nott parece querer se esconder e xinga o marido baixinho, ele parece tão confortável quanto eu. Depois de todos os acontecimentos do fim da nossa adolescência tínhamos nos tornado adultos bem mais reservados. Nott que havia sofrido um ataque quando saia no meu julgamento era o pior entre nós, em situações como aquela, em que sabíamos que haveria pessoas que tinham mágoas profundas sobre nós era impossível julgá-lo pelo comportamento contido. 

 

 Escolhemos uma mesa afastada e um pouco depois Scorpius se aproxima com seus dois colegas de quarto e Blaise engata uma conversa com perguntas completamente inapropriadas até que Nott murmure um “Eletricus” e Blaise da um gritinho de dor e forma um bico, mas se cala momentaneamente.  

Os amigos do meu filho se retiram para ir conversar com outras pessoas, mas ele escolhe ficar mais um pouco em nossa mesa, matando as saudades dos tios que já não via a quase seis meses e se inteirando das novidades de casa. 

 

Infelizmente reconheço e sou reconhecido por inúmeros ex-colegas, o que me obriga a comprimenta-los de forma educada, principalmente aqueles que não pertenciam a Sonserina. Os olhos vigilantes e severos de Mcgonagall sobre nós o tempo todo. A conversa parecia fluir bem, dado a tamanho barulho, a pista de dança quase não foi usada e a comida parecia sumir em segundos. Tudo parecia perfeitamente no lugar, até a diretora resolver falar algumas palavras aos presentes e ainda, ter a brilhante ideia de deixar Potter discursar sobre o motivo de estarmos ali essa noite. Logo a pessoa menos eloquente de todo o local.

 

— Obrigado, Professora Mcgonagall. Acho que não tenho muito o que dizer. — Soltando um riso nervoso ele parece se desculpar, mas o vejo respirar fundo, encarando nada em particular. — Mas queria reforçar que estamos aqui celebrando uma nova geração de jovens fortes, que felizmente podem crescer em tempos mais tranquilos que os nossos. Sei que cada pai presente nesse salão agradece por isso. Eu com certeza agradeço.

 

A voz calma, porém alta e seria cai sobre a plateia cativa e silenciosa, todos olham para ele, alguns adultos concordando discretamente, outros se acomodando mais perto ao lembrar dos dias de que ele fala. Theo segura a mão do marido forte e eu olho para Astoria que faz o mesmo e sorri para mim.

 

— Eu sei também que nós vivemos coisas que não podemos esquecer e é inevitável passarmos isso aos nossos filhos, eu mesmo não fujo desse fato. Graças a Merlin tenho uma esposa maravilhosa para me parar sempre que necessário. — Ele procura pela ruiva entre a multidão e abre um sorriso largo.

 

— Por exemplo, quando eu uso dessas experiências para julgar pessoas que já mudaram a muito tempo, ela me impede de viver no passado e de levar nossos filhos para ele. E é isso que eu quero pedir para que façam. Deixem nossos filhos viverem no presente e no futuro, deixem que eles aprendam por si mesmo e que julguem pelas atitudes de hoje, não das do nosso passado. 

 

Ninguém podia negar a força das palavras dele e por mais que antes eu sentisse a resistência no ar, a medida que ele continua todos percebem a atmosfera mudar. Meus próprios olhos não conseguiam desgrudar da figura do homem parado à frente de todos, bebendo suas palavras e rezando para que todos o ouvissem da mesma forma magnética que eu estava. 

 

Potter dá uma pausa e sorri, um sorriso largo, mostrando os dentes, um sorriso que vai até os olhos verdes. Ouço suspiros nada discretos e ouço Theo rindo ao meu lado.

 

— E ao jovens, por favor, nos fazem mudar, nos obriguem a olhar para frente e não deixe que preconceitos dos seus velhos pais o impeçam de conhecer as pessoas mais incríveis e importantes de suas vidas. — Ele se dirige suas palavras ao jovens presentes, seu tom paternal desarmando-os. — Hogwarts, agora, é a chance de vocês saírem dos ninhos e vocês merecem viver essa experiência ao máximo. Os seus colegas de casa assim como todos os outros estudantes o acompanharam por toda uma vida, estudaram juntos, alguns trabalharam lado a lado, e, bem é provável que formem famílias a partir das pessoas que estão ao seu lado nesse momento. 

 

As crianças riem alto e começam a provocar os amigos, fazendo insinuações aos garotos e garotas que estavam perto um dos outros e até os pais se permitem rir livremente da bagunça dos mais jovens. Vejo alguns casais que estão juntos desde a escola, inclusive Blaise e Theo, se entreolham e sorriem cúmplices.

 

Potter aguarda os ânimos se acalmarem, também sorrindo divertido e finaliza agradecendo a Diretora mais uma vez e propõe um brinde, que me vejo obrigado a participar já que todos tinham as taças erguidas.

 

— Ao futuro! — Todos brindam e Potter desde da bancada onde ficava a mesa dos professores e é engolido pela multidão. 

 

Eu me viro para minha mesa e pergunto se já podemos acabar com a tortura, Scorpius tinha sumido a alguns minutos e algo me dizia que ele não voltaria antes do toque de recolher e eu já não suportava aquela bagunça, tinha me desacostumado a grandes festas e as conversas forçadas tinham me esgotado.

 

 Theo concorda em ir, mas Blaise nega dizendo que eles tem que dançar uma vez antes de irem. Para nossa surpresa o homem somente suspira e concorda, pegando a mão que lhe estendida, antes de ir ele se vira para trás e sussurra para mim e Astoria:

 

— Todos sabem que vai acabar mais rápido se eu aceitar de primeira.

 

Astoria concorda e eu sorrio, ele estava certo. 

 

Pego a taça de vinho que estava bebendo e observo os homens abrirem espaço e não posso me conter em sorrir vendo Theo com um rosto sério, pronto para     passar pela provação, mas se desmanchando assim que o marido passa as mãos por sua cintura e o puxa, o vejo até mesmo abrir um sorriso mínimo quando eles começando a dançar a melodia lenta que tocava. Me viro para minha esposa e ergo uma sobrancelha, ela ri baixo:

 

— Nem pensar, querido. Deixe que eles roubem os holofotes sozinhos. — Sorrindo eu faço uma menção e concordo.

 

 Resolvemos ficar em silêncio vendo nossos amigos aproveitarem a situação um pouco, é confortável ficar assim com Astoria, tínhamos adquirido aquele tipo gostoso de intimidade em que não precisavam preencher os silêncios, eles eram até reconfortantes. 

 

Deixo meu olhar rodar pelo local, não me prendendo em um lugar, falando para mim mesmo que eu não estava procurando por ninguém. Me volto para os dois dançando depois de um tempo e franzo a testa, dois bruxos que eu não conhecia pareciam conversar irritados, a poucos passos deles lançando olhares nada amistosos para os dois e de repente eu entendo o que vai acontecer. Me levanto, pegando a varinha enquanto ando em direção a eles e antes que um dos homens chegue a pronunciar um feitiço em direção as pernas de Blaise eu ataco, um Expelliarmus bem acertado. O homem cai para trás e sua varinha voa alguns metros. Eu mal percebo que estou recebendo toda a atenção. O outro homem avança me xingando e ergue a varinha, eu me protejo a tempo do feitiço.

 

— O que você acha que está fazendo?— ele berra.

 

—O que eu penso?! Pensa que não vi o que iriam fazer? Eles estavam quietos.

 

— Oh, era só uma brincadeira. Derrubar duas bichinhas não iria machucar ninguém, além do ma-

 

Sua fala e cortada quando um feitiço o atinge em cheio no peito e eu me viro para ver Blaise tentando segurar Nott, que parecia furioso. Os homens se levantam e parece ter mais se juntando a eles. Blaise se põe ao meu lado.

 

— VOCÊ QUER MORRER MESMO NÉ, BICHINHA?

 

— Eu posso te matar antes que pronuncie a próxima palavra, não faça isso.

 

Eu ameaço em voz baixa, estava furioso.

 

— A putinha de Voldemort defendendo a amiguinha, que graça.

 

Dou um passo à frente e aponto a farinha para seu peito: — Agora você finalmente tem coragem de falar o nome dele, seu covarde? 

 

— Covarde? Tem se olhado no espelho, Malfoy?

 

Astoria é quem perde a paciência agora e com maestria, antes que eu pudesse falar mais alguma coisa, prende os dois em um feitiço de amarração e os coloca de cabeça para baixo, flutuando acima de nós. Eles começam a xingá-la aos gritos e ela cala a boca deles com mais um feitiço.

 

— Não me faça lavar a boca de vocês com sabão, estamos na frente das crianças. — A voz dela é calma, mas eu sei que ela está se segurando para não machucá-los severamente. 

 

Uma multidão já nos cercou, porém ninguém interfere até que Potter e Weasley abrem espaço, o ruivo nos vê, olha nossas varinhas erguidas e mira um feitiço, o idiota não podia ter entendido a situação de forma mais deturpada. Eu ergo minha varinha e penso ter nos protegido do feitiço que ele lança, mas ele ricocheteia no teto e uma da luminarias despenca sobre nós. 

 

Eu empurro Astoria a tempo e acabo recebendo a maior parte do impacto, sinto minha perna presa embaixo da coisa e minha cabeça roda, eu apago quase imediatamente. 

 

Acho que antes consigo escutar a voz do meu filho me gritando de longe e ergo uma mão tentando alcançá-lo, acalmá-lo, qualquer coisa, mas tudo fica escuro muito rápido.

 

Minha perna esquerda dói, é a primeira coisa que registro, dói como o diabo, e minha cabeça lateja, acompanhando a dor. 

 

Tem pessoas gritando, alguém está chorando, é a segunda coisa que registro. 

 

Ainda de olhos fechados, demoro um tempo para me localizar, o cheiro do lugar me leva a Hogwart, me lembra da noite fria que passei revirando meu ódio de Potter antes de finalizar meu plano. Isso me assusta e eu demoro a me lembrar que estava mesmo na escola, na festa. Lembro da briga estúpida e de Weasley tirando todas as conclusões erradas e Scorpius!

 

Percebo quem está chorando.

 

— Scorpius. — Eu chamo baixo, minha cabeça doendo forte quando abro os olhos e tento me levantar. Dói ainda mais quando um corpo pequeno se atira contra meu peito, eu me esforço para esconder o gemido de dor e levo a mão ao cabelo dele.

 

— ‘Ta tudo bem, Scorpius. Eu estou bem. — Ele não responde somente chora mais intensamente. 

 

— Scorpius meu bem, vem aqui, deixe seu pai respirar.— O mais delicadamente possível sua mãe o puxa e o abraça, eu sorrio, um sorriso pequeno e doloroso, mas ela devolve parecendo mais aliviada. 

 

— Quanto temp- quanto tempo eu apaguei? 

 

— Algumas horas, já é madrugada.

 

— Tanto tempo? O que aconteceu, eu não me lembro de muita coisa…

 

— Vou chamar a madame Pomfrey. — Ouço a voz de Potter vindo do fundo do cômodo e me assusto, erguendo um pouco a cabeça e vendo que não só ele, mas Granger, Theo e Blaise, também estavam ali a uma distância segura.

Quando o homem sai, Theo se aproxima e afasta uma mecha do meus cabelo da testa, parecendo prestes a chorar.

 

— Eu estou bem — reafirmo e ele nega com a cabeça.

 

— Quase matou a todos de preocupação. - Blaise aparece sorrindo pequeno, também preocupado.

 

— Desculpa.

 

Todos parecem rosnar com minha resposta e eu sorrio mais largo. 

 

— Aqueles idiotas é que deviam pedir desculpas — Nott diz entredentes.

 

— Implorar, na verdade. — Minha esposa corrigi, também com raiva.

 

— De joelhos, claro. — Completa Zabini. 

 

— O que aconteceu com eles?

 

Dessa vez acho que Nott é capaz de matar alguém, ele fala entre dentes, furioso: 

 

— Potter não nos deixou por a mão neles e Weasley levou os dois para o Ministério para depoimento. Com certeza vão soltá-los pela manhã.

 

— Bom, alguém deveria levar Weasley para interrogatório… — Astoria quase não consegue esconder seu ódio, ela aperta o filho entre os braços, tentando se segurar.

 

— Ron voltará para se desculpar mais tarde, ele somente reagiu a cena. É o trabalho dele.

 

Granger se pronuncia pela primeira vez e se aproxima um pouco, parando quando nota aos olhares assassinos sobre ela. 

 

— Eu dispenso as desculpas o seu marido, Granger. Ele reagiu uma grande ova, estava esperando a oportunidade de me acertar assim desde da escola. 

 

Eu com certeza não devia deixar todo aquele rancor tingir minha voz, ainda mais na frente do meu filho, mas eu estava cansado, dolorido e a morena com aquela voz arrependida simplesmente tinha me tirado do serio tambem. Ela ao menos teve a decência de parecer envergonhada e respondeu apenas com um aceno rápido. 

 

Volto minha atenção para o rosto do meu filho, que ainda chorava um pouco, passo minha mão por seu cabelo o bagunçando um pouco.

 

— Ei, eu ja disse que esta tudo bem, hum. Acho melhor você ir para a cama está muito tarde

 

— eu não vou!

 

— Scorpius seu pai está certo querido, é hora de você ir. Está tudo bem e você pode vê-lo amanhã logo cedo.

 

O menino faz uma careta, mordendo a parte interna da bochecha, uma mania que se repetia sempre que ele estava pensando seriamente em um assunto, mas antes que ele encontre argumentos falo novamente.

 

— Sem discussão sobre isso Scorpius, para cama, eu estou bem e madame Pomfrey vai vir expulsar todos vocês em minutos mesmo. Não adianta bater o pé com aquela ali.

 

— O senhor está correto, Senhor Malfoy! Todos podem ir se despedindo.

 

A voz da mulher se aproxima, alta e ela ergue as mãos empurrando todos do caminho até minha maca. Ela se vira para todos com o rosto sério.

 

— Vamos. Como o senhor Malfoy já mencionou, sem discussões. vamos vamos.

 

Minha família se despede, Scorpius me abraça forte mais uma vez eu prendo um gemido de dor. Astoria me dá um beijo na testa e sussurra que volta cedo com roupas, eu respondo que a amo. Hermione os segue para fora sem olhar novamente em minha direção. 

 

Madame Pomfrey, não perde tempo em jogar feitiços sobre meu corpo, falando sozinha sobre os resultados em uma voz baixa e mais rápida do que eu imaginaria ser possível. Não entendo uma única palavra que sai da boca da mulher e em poucos minutos desisto de tentar e olho na direção das janelas enquanto ela termina, vendo as nuvens espessas cobriram a lua crescente, a noite estava fria quando saímos e parecia somente ter piorado na madrugada. 

 

Ainda estou perdido em pensamentos rasos quando ela me chama.

 

— Prontinho senhor Malfoy. O senhor está inteiro e quase perfeitamente bem. A perna deve se curar completamente nas próximas horas e o senhor tem  de tomar uma poção para concussão.

 

Bom, pelo menos eu sabia agora porque de tamanha dor de cabeça. Concordo e agradeço em voz baixa, aceitando o frasco com um conteúdo roxo e cheiro suspeito fazendo uma leve careta quando tomo o  líquido amargo.

 

— Agora acho que posso dormir, sim?

 

Pergunto quase retoricamente, já de olhos fechados.

 

— Na verdade ainda não, Malfoy

 

— Senhor Potter! O que ainda está fazendo aqui? Ainda escondido no escuro!

 

A senhora, com a mão espalmada no peito repreende o homem e eu somente consigo olhar de um para o outro. Meu coração batendo contra minha orelha de susto. 

 

— Desculpa Madame Pomfrey, eu preciso falar com o Senhor Malfoy sobre o incidente.

 

— Ora! E não se pode fazer isso de manhã? O Senhor malfoy precisa de descanso e eu não pretendo ficar vigiando os senhores a essa hora. Já passou da minha hora de ir para cama.

 

— Desculpa, preciso e quero resolver esse caso o mais rápido que posso, e…

 

— E nada Senhor Potter, algums horas não iram matar o senh-

 

— Tudo bem, madame Pomfrey. Eu quero acordar sem mais nenhuma lembrança desse ocorrido, acho que é melhor resolver tudo agora. 

 

Me intrometo entre eles, já me erguendo para sentar na cama, fechando os olhos quando o enjoo fica mais forte e respiro fundo. A mulher me ajuda a me manter firme, massageando minhas costas, parecendo meio preocupada.

 

— O senhor não está em condi-

 

— Estou bem. — Afasto a mão dela com a minha e respiro fundo novamente antes de abrir os olhos. — A senhora pode ir dormir tranquila, sobrevivemos sozinhos a partir de agora, somos crescidinhos. Muito obrigado.

 

Ela abre a boca para retrucar, mas algo, provavelmente o conhecimento sobre minha teimosia, a faz fechar a boca de novo e dando de ombros se despede ainda parecendo desconfiada enquanto se  retirando.

 

Respiro fundo, mais uma vez, quebrando o silêncio que se estabelece no cômodo quando a porta se bate. Potter parece meio deslocado e tenho a impressão que ele está prestes a sair correndo. Eu ergo uma sobrancelha e um sorrisinho cínico desponta em meus lábios.

 

— Então Potter, pediu esse tempo somente para apreciar minha beleza, coisa que eu não julgaria se fizesse, OU pretende fazer seu trabalho?

 

— Não comece, Malfoy. — Ele revira os olhos e se aproxima, sentando-se ereto na cadeira ao lado de minha maca e puxa um bloco de anotações das vestes, eu solto uma risada com a cena ridiculamente rígida. — Poderia começar me dizendo como a confusão começou, senhor?

 

Ele me ignora parecendo incrivelmente regio e profissional, então conto tudo que se passou, sentindo minha pele queimar de puro ódio. Ele anota sem mostrar qualquer reação, pelo menos até que eu cite Weasley e sua total falta de bom senso. Vejo pelo canto do olho que ele se segura para não retrucar minhas palavras.

 

— Ron sente muito pelo que causou, ele ‘so estava tentando fazer o trabalho dele.

 

— Bom, isso só prova o que eu já sei a décadas: ele é um completo incompetente.

 

— Qualquer um poderia ter reagido da mesma forma dado a situação e aos envolvidos.

 

Ele me encara e eu sei que está me alfinetando, nada muito digno de um homem adulto.

 

— Ainda acho que alguém devia tranca-lo onde ele não tenha contato com outros seres humanos. Para o bem de todos.

 

— Sei que ele pensa o mesmo de você. 

 

Faço um som indignado, mas não retruco essa. Minha cabeça ainda estava rodando um pouco e a conversa tinha me exaurido. Fecho os olhos, deitando minha cabeça sobre a cabeceira de metal, está fria e isso parece bom no momento.

 

— Sou eu quem estou ferido deitado nessa enfermaria, não é? — Falo por fim, abrindo os olhos e encarando os dele, estava cansado e meu tom transparece isso mais do que eu gostaria.

 

— Ele realmente sente muito, Malfoy… — Bufo, mas ele me ignora. — … Ninguém queria que a noite terminasse assim. Era para hoje ser um recomeço para todos nós.

 

— Não muda o fato de que aconteceu. — Retruco mal humorado, meus pensamentos vagando de volta para o momento que eles atacam e não posso deixar de me sentir desanimado. Não era a primeira e muito dificilmente seria a última vez que algo do tipo acontecia. Volto a fechar os olhos e suspiro, pelo que deve ser décima quinta na última hora.

 

— Scorpius, ele, você sabe se ele viu? — A pergunta sai em um sussurro quase contra minha vontade.

 

— Acho que sim, não o tinha notado, mas quando, bom quando você foi atingido ele estava la, Astoria deve que para-lo antes que ele chegasse em você.

Parece difícil para Potter relembrar a situação, talvez, como um pai, ele entenda o que estou sentindo. Essa imensa preocupação e apreensão acerca da segurança do meu filho.

 

É a vez do moreno suspirar pesadamente. 

 

— Sinto muito por isso, Malfoy.

 

— Uhum.

 

Ficamos em silêncio por mais alguns, ele limpa a garganta e eu me viro para ele.

 

— Parece acontecer uma briga todas as vezes que você aparece-

 

— Apesar disso o problema não é exatamente minha charmosa pessoa, hum? Não sei se notou, mas eu não comecei essas brigas, Potter. — Cuspo seu sobrenome daquela forma arrastada que eu fazia tão bem.

 

— Mesmo assim. Se- se você sabe que vai ser assim não seria melhor, sei la, se afastar? Para sua segurança.

 

Ele expõe o pensamento nada eloquente, parecendo, pelo menos, envergonhado enquanto o faz. 

 

Minha boca se abre em descrença, minha raiva escalonando enquanto os segundos se passam. 

— Porque? PORQUE? Ora Potter, eu paguei minha dívida, se não percebeu parece que a pago todos os malditos dias. Mas eu não vou dar a eles o gostinho de tirar minha liberdade, não porque ainda estão magoadinhos que eu não tenha pegado perpétua em azkaban.

 

— Eles não estão só magoa-

 

— Eu não terminei, Potter. — Cuspo cada palavra, tentando manter meu tom baixo. Com muita dificuldade devo dizer

 

— Eu tenho a merda do direito de ir onde eu bem entender. Eles não vão tirar isso de mim. Cometi erros terríveis na minha vida, todos cometemos alguns, mas eu paguei diante da justiça se não se lembra. — Ele desvia os olhos dos meus. — Então, não eu não vou deixar que eles continuem essa punição idiota, nem a mim nem de ninguém que eu posso impedir. 

 

Suspiro longamente, minha destra indo a testa, massageando a têmpora onde a dor ameaça aumentar.  

 

— Braise e Nott raramente voltam para Inglaterra, e eles nem sequer são culpados de alguma coisa. Estavam longe o máximo que podiam de tudo.

 

 — Pansy não pisa aqui por medo do que pode acontecer e por mais que ela fosse uma garota mimada e preconceituosa ela também não deve nada haver com a guerra. — MInha voz a muito está alterada e sinto meu rosto pegar fogo à medida que jogo tudo em cima do outro.

 

 — Draco, as familias deles estavam envolvidas até o pescoço em tudo e eles não se distanciaram exatamente deles.

 

—Por Merlin eles eram apenas crianças, não tinham escolha a não ser estar com suas famílias! Isso não significa que concordavam ou que fizeram alguma coisa! 

 

Estou quase gritando agora, frustrado e chocado que ele ainda tinha a cara de pau de tentar se justificar. Meu estado parece fazer efeito nele que, que aperta forte o braço da cadeira e vejo seus olhos se dilatarem. 

 

 — Devo imaginar que  isso se aplique a você também? Pobre garoto que não teve escolha.

 

Sua voz escorre um veneno que me lembra os anos de escola, mas sua fala me faz respirar fundo, conseguindo manter a voz baixa quando respondo.

 

— Bom, Potter, eu tenho minha cota de decisões erradas que não são culpa dos meus pais. Admito isso. Em algum momento eu tive que parar de culpa-los por ter sido um babaca. Eu tive escolha, e escolhi errado. Não significa que eu não mereça continuar minha vida. Não significa que meu filho tenha que pagar por isso.

 

Vejo em seus olhos arregalados que ele não esperava por uma resposta sincera, muito menos essa. É minha vez de desfiar os olhos. 

 

Caimos em silencio e eu tremo levemente pelo frio que entra pela janela entreaberta. Não tenho muita vontade de voltar a olhar para o moreno para descobrir o que ele estava pensando e ele tampouco parecia conseguir responder ou falar qualquer coisa.

 

Mordo nervosamente o interior da minha bochecha contando os segundo para me acalmar e a medida que a adrenalina se assenta eu me sinto exausto e com muito mais frio agora. Será que eles não podiam por um simples feitiço de aquecimento naquele lugar?

 

Passo as mãos por meus braços sentindo os pelos arrepiados, me assustando quando a janela se fecha em um baque seco e enfim olho de volta para Potter, que tem a varinha em mãos. Quase agradeço, mas depois de tudo prefiro manter a boca fechada, ele parece decidir o mesmo.

 

— Já tem tudo que precisa, Auror? Acho que aquela velha rabugenta tinha alguma razão, eu preciso descansar. — Tento e consigo manter a voz em um tom formal, mas leve na tentativa de aliviar o clima tenso. Não resistindo a me deixar fechar os olhos e voltar a cabeça para a cabeceira. Só queria que aquela noite acabasse o mais rápido possível, talvez se ele fosse embora eu conseguisse dormir alguns dias. 

 

— Acho que sim, qualquer outro problema entro em contato via coruja. Te deixarei ter seu ‘sono da beleza’, Senhor. —  Tenho quase certeza que tem certa malícia descontraída no seu tom. Sem abrir os olhos ouço o barulho da cadeira quando ele se levanta. Ele pigarreia antes de voltar a falar. — Tenha uma boa noite, Malfoy. 

 

Resmungo uma resposta e não percebo exatamente se caio no sono antes ou depois que ele tenha se retirado.

 


Notas Finais


Ate a próxima


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