História Dia Após Dia - Em Revisão - Capítulo 7


Escrita por: ~

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Categorias Originais
Visualizações 7
Palavras 2.409
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Drama (Tragédia), Romance e Novela, Shoujo (Romântico)
Avisos: Álcool, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Sexo, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Heello!
Dia após dia está de volta! E dessa vez será terminada, em nome da Jesus. Bom, antes de iniciarem o capítulo, gostaria de lhes dizer algumas novidades interessantes sobre a minha vida.
Agora, eu estou realmente empenhada nas minhas histórias de tal forma que eu finalmente fiz o roteiro de DAD e fiz o resumo de cada capítulo até o fim, e foi exatamente por estar trabalhando nisso que demorei tanto para aparecer. E então com esse roteiro eu finalmente vou seguir a risca minha história, sem voltas e deslizes, e é claro, eu preciso do apoio de vocês. Se eu errar, fugir do rumo certo ou se eu fizer qualquer coisa errada puxem a minha orelha! Eu não me importo com críticas, desde que sejam construtivas e educadas.
Também ganhamos uma capa nova! Entretanto, ela só estará por aqui quando for finalizada. Também renovei a sinopse, então se preparem para todas essas novidades.
Ah, e não se preocupem, a história permanece a mesma.
Boa leitura!

Capítulo 7 - Capítulo 7


Capítulo 7

INVERNO

Kim Jae Mo

 

            Tudo estava da forma como devia ser, os móveis, os objetos, mamãe e papai ocupados com cestas básicas, eu sozinho, meu moletom rosa jogado perto da porta, e alguns órfãos pingados ao redor da nossa TV. Porém o mais comum de toda essa cena era a forma como eu não me encaixava nela, todos ali pareciam ter um trabalho, uma função. E eu, bom, só ficava observando.

            Então como um click eu me lembrei da minha função. Repentinamente animado passei alegremente por todas aquelas crianças desconhecidas e recolhi meu casaco perto da porta, o coloquei rapidamente tentando sair dali o mais rápido possível.

            — Mãe, pai, eu estou indo até a casa de Ryu Shin! – gritei alto, mas não obtive resposta. Curioso, voltei de onde estava e fui até eles.

            Foi estranho, quanto mais me aproximava mais cestas básicas surgiam ao lado deles, eram milhares em um piscar de olhos, e eles nunca paravam de fazer, só faziam e faziam. Em algum momento seus corpos começaram a definhar, como se não tivessem mais forças para aquele trabalho árduo e repetitivo, o engraçado era que minha mãe definhava mais que meu pai.

            — Eu preciso ir até a casa de Ryu Shin. – disse roboticamente observando a cena grotesca a minha frente.

            Mamãe então parou e olhou para mim, seus olhos estavam frios e sem vida mostrando como ela realmente estava. Morta.

            — Onde você estava que não nos ajudou? Onde você estava? Nós precisamos da sua ajuda, são muitas cestas! Muitas cestas! – meu pai gritava para mim, enquanto minha mãe me olhava com seus olhos mortos.

            — Eu preciso ir até a casa de Ryu Shin, eu preciso ir até lá. – quando eu finalmente me convenci, dei meia volta rápido tropeçando em minhas pernas curtas.

            Quando já estava perto da porta algo aconteceu. Ela foi repentinamente aberta e a partir dela sugiram milhares de órfãos, eu não via os seus rostos, mas eles me sufocavam e apertavam enquanto eu tentava sair dali. Foi aterrorizante em cada segundo. Até o momento em que finalmente alcancei a maçaneta saindo dali o mais rápido possível.

            Mas o terror não passou assim que eu saí dali, eu corri o máximo que pude, como se eu nunca estivesse longe o bastante daquela casa, longe o bastante deles. E quando eu pensei que nunca pararia de correr, a casa de Shin surgiu. A grande e elegante mansão dos Ryu’s.

Caminhei lentamente até a porta buscando me acalmar antes de bater, assim que me senti mais calmo levantei os punhos e dei leves batidas na porta. Após alguns minutos ela foi aberta especialmente por Shin, e ele parecia mais entediado do que nunca.

            — Bom dia! – minha voz soou mais infantil que o normal. – Vamos para o parque?

            — Fazer? – seu rosto era puro desinteresse.

            — Empinar pipa!

            — Eu já enjoei as minhas pipas, acho que hoje vou ficar em casa.

            Senti meu peito doer com a possibilidade de ter que voltar, então respirei fundo e insisti:

            — Vamos só dar uma volta no parque. Por favor.

            Ele me encarou por um tempo, até que aquele famoso rosto de interesse surgiu e eu pude soltar o ar que estava segurando. Sem muita demora ele gritou para sua mãe que estava saindo, e sem esperar a resposta fechou a porta e seguiu na frente.

            Em um piscar de olhos já estávamos no parque, estranhamente sentados na grama. De inicio fiquei curioso com a súbita mudança, mas deixei de lado assim que Shin começou a falar.

            — As pessoas acham que você está me ajudando. Mas quem é você mesmo? – ele nem sequer olhava para meu rosto. – Eu sou feliz com a minha vida, não sou solitário e nem deprimido. E você, você não é nenhum menino de ouro, não é feliz e é o garoto mais solitário que conheci. Então eu me pergunto o real motivo de você fazer isso… Você não tem nada melhor não? Quem sabe salvar uns órfãos, ou algum gato preso por aí.

— Pare… Por favor… Eu só quero ser outra pessoa. Então, pare, por favor.

            Suas palavras se enfiavam como estiletes em meu corpo, tanto que nem eu conseguia encara-lo mais, somente abaixei minha cabeça e a enterrei entre os joelhos. Só a levantei quando senti a mão quente e pequena de Shin em minhas costas, o olhei e ele tinha algo em suas mãos, era uma máscara grande e preta.

            — Toma, é para você. Vai te ajudar, eu também tenho a minha, olha. – então ele me mostrou a sua, ambas eram pretas e cobriam todo o nosso rosto.

            — Pra quê isso?

            — Para sermos o que quisermos ser. – então Shin sorriu, e eu me esqueci de todas as suas palavras.

            Shin colocou a sua cobrindo todo o seu rosto, e eu fiz o mesmo que ele. Por um momento tudo ficou escuro dentro daquela máscara, até que a luz foi surgindo pelas aberturas... Quando finalmente enxerguei o parque mais uma vez, o garoto ao meu lado não era mais um garoto, e sim um homem.

            — Shin? – perguntei temeroso. Sua máscara também estava maior e suas roupas eram de inverno. A estação já era outra, não havia mais verão, só o inverno.

            — Você tem que voltar para casa Mo. Agora. – eu tentei lhe perguntar o porquê, mas ele não quis me escutar, somente agarrou a minha mão e me puxou correndo pelas ruas.

            Percebi que também estava maior, pois minhas pernas já davam passos enormes conseguindo acompanhar as longas pernas de Shin. Ele não parava nem por um minuto, e mesmo que eu o gritasse irritado sua corrida era contínua e incessável.

Shin só parou quando estávamos em frente a minha casa.

            — Por que correr tanto assim? – reclamei alto e ofegante.

            — Entre logo em casa, e retire a droga dessa máscara. – ele me empurrou em direção à porta.

            — Mas por quê? Foi você quem me deu ela. E eu não quero entrar aqui.

            Por causa das máscaras não conseguíamos interpretar nossas expressões, mas eu sentia a irritação vinda dele.

            — Só entre na droga da casa.

            Mesmo irritado fiz o que ele disse cedendo a sua vontade. Toquei a maçaneta e empurrei a porta devagar, assim que ela estava escancarada vi que o interior era o mesmo, porém algo diferente estava acontecendo. Do teto caiam folhas secas, alaranjadas, como se fosse outono. Meio abobalhado me permiti sorrir.

            — Shin olhe só! – me virei e ele estava no mesmo lugar, parado enquanto nevava ao seu redor.

            — É bonito não é? – ele disse de volta, e então sua mascara quebrou e se tornou pequenos flocos de neve.

            Seu rosto estava tão bonito, leve e tranquilo. Ele sorria tanto, parecia que estava vendo algo muito bom e eu só não sabia o que era.

            — Sua máscara... Para onde ela foi Shin? – perguntei ainda abobalhado por tantas coisas.

            — Eu a tirei, você devia ir tirar a sua. – e antes que eu o perguntasse como, a porta da casa se fechou me prendendo ali.

            Ao invés de sentir medo uma paz inesperada me atingiu, era como se eu já esperasse tudo isso e conhecesse bem aonde devia ir. Sem necessidade de comando fui andando pela casa. Tudo estava vazio e cheio de folhas alaranjadas espalhadas, era bonito e ao mesmo tempo triste. Era como se estivesse abandonado.

            Segui até meu antigo quarto, onde a porta estava entreaberta e uma leve luz emanava. Quando o abri encontrei o lugar também cheio de folhas, mas algo de diferente estava ali, ela estava ali.

            — Você demorou tanto...

            Senti meu rosto livre, a máscara havia sumido.

            — Não chore... – ela disse calmamente, e eu percebi que chorava. – Eu também senti a sua falta.

[...]

 

            Tudo estava escuro, meio desnorteado tateei o criado mudo atrás do meu celular, acabei derrubando algumas coisas durante o processo, mas depois consegui o pegar.

            01:45

            Respirei fundo percebendo que tudo não passou de um sonho esquisito, liguei a lanterna do meu celular e iluminei cada canto do quarto procurando qualquer vestígio estranho. Poderia ser uma folha alaranjada, um pouco de neve, ou alguém, eu realmente não sabia. Eu só sentia que o sonho significava algo, foi tão real e forte, que se eu fechar os olhos por um mero instante conseguia ver tudo mais uma vez.

            Senti meus pés tocarem o chão frio e um pequeno arrepio percorreu o meu corpo, me levantei lentamente caminhando em direção ao interruptor, meus passos eram letárgicos, pois meu corpo ainda parecia estar cansado. Então eu liguei a luz.

            Eu fiquei por um tempo olhando o quarto todo iluminado e quando percebi que nada ia mudar o deixei, caminhei pelo meu apartamento pequeno ligando cada luz de cada cômodo, tentando buscar uma sensação de companhia ali. Busquei qualquer coisa para me distrair dos meus pensamentos e do meu recente sonho, mas tudo o que consegui foi um copo de leite bastante frio e meu sofá duro.

            — Mas que merda de sonho. – falei para as paredes, ou para os móveis. O que estivesse me ouvindo.

            Kim Jae Mo não podia ficar encabulado com um simples sonho, ele devia estar dormindo e descansando, afinal amanhã será um longo dia e ele terá que ajudar na ONG. Ele vai ter que ser gentil, alegre, parecer alguém que todos gostariam de ser, ele irá passar alegria mesmo sem a ter, e então terá que voltar para casa, onde não há ninguém o esperando. Onde ele é o verdadeiro Kim Jae Mo.

            A quem eu quero enganar? Não vou conseguir esquecer esse maldito sonho. Como também não vou conseguir dormir e estar descansado para amanhã. O que eu devo fazer então?  Exercícios físicos? Uma terapia rápida sobre meus sentimentos? Ou então remoer o passado?

            Quem sabe eu poderia remoer um pouco o passado. Ver exatamente onde eu fiquei, aonde o pequeno Kim Jae Mo se perdeu. Talvez tenha começado exatamente na época do inicio do sonho, quando eu tinha meus poucos nove anos, e vivia de lá para cá com Shin. Nós dois não éramos bons amigos, estávamos mais para projetos científicos um do outro.

            Ele me tratava como um brinquedo. E eu o tratava como minha boa ação de caridade. Enquanto ele me achava interessante, eu tentava o fazer sair mais de casa, não porque me importava com ele, mas porque eu gostava de como as pessoas me olhavam por estar o ajudando. Era como se eu finalmente tivesse a atenção que eu merecia. Todos me olhavam e eu me sentia bem com aquilo.

            Junto com toda essa minha atuação veio um medo de ser descartado por Shin, afinal depois de passar tanto tempo com ele acabei realmente me apegando ao garoto rabugento. O que não foi a melhor escolha, já que para ele eu era só um brinquedo interessante, e todos sabiam que ele se enjoava rápido das coisas.

            É, nós dois crescemos fingindo ser o que não éramos, mas foi mais fácil assim, terrivelmente mais fácil. O engraçado é que agora não é mais tão fácil, agora é somente doloroso demais.

            Senti meu celular vibrar e o peguei entediado.

            Você deseja renovar seu pacote? Tudo pode ser mais fácil se você adquirir nossa mais nova...

            — Mas que merda. – disse com raiva.

            Me levantei do sofá duro e coloquei o copo agora vazio em cima da mesa, antes de voltar para o meu quarto peguei uma caixa de fósforos e desliguei todas as luzes. Entrei, fechei a porta e fui procurar uma caixa de incensos que eu tinha quase certeza que estava por ali. Acabei a encontrando em uma das caixas empilhadas no canto do quarto, peguei alguns e fui até a janela do meu quarto.

            — Eu não me lembro como se faz isso... – minha cabeça coçava com meu esforço para lembrar.

            Acabei fazendo do meu jeito, acendi somente dois incensos usando a base da janela como apoio, juntei minhas palmas e comecei minha prece em voz alta.

            — Eu realmente não sei se isso vai dar certo, mas espero que de alguma forma isso chegue até você. Olá mamãe, já faz algum tempo não é? – eu parei por um tempo levemente constrangido com a idiotice que eu estava fazendo. – Deixe de besteira. Bom, eu só vim lhe dizer que sinto a sua falta e que sinto muito por não ter te ajudado mais quando pude. Ao invés disso eu só fui aumentar o ego de um garoto mimado e rico. Muitas coisas ruins aconteceram, e eu sinto que foi por causa disso, entretanto, eu também sei que coisas boas aconteceram, ou melhor, bons momentos aconteceram.

            ‘’Seu filho solitário foi feliz na infância por causa do garoto mimado, e hoje é somente ele quem me ajuda mamãe. Para você ver as voltas que o mundo dá. É estranha toda essa situação, de como eu não me sinto nem um pouco satisfeito com nada. Mesmo que agora eu esteja fazendo de tudo para ajudar os outros, eu não consigo me sentir feliz, satisfeito.

            O pior é que mesmo assim eu sigo os seus passos, eu caminho pisando perfeitamente em suas pegadas, e tudo o que eu vejo no fim é a morte. É triste mamãe ser o garoto feliz de dia nas ONG’s, e a noite ser seu filho. É realmente difícil.

Mas não se preocupe, eu me lembro dos seus ensinamentos. Eu sei que o melhor para mim é fazer as pessoas felizes, não importa se eu também seja. Então não se preocupe com seu pobre filho.

            Sabe, por um momento eu jurei ter encontrado a felicidade, e ela parecia ter a cor e o cheiro do outono, mas por uma única razão eu a perdi mamãe. Talvez seja por isso que eu estou tão ruim assim.

            Eu sinto a sua falta apesar de tudo.

            Boa noite Sra. Kim. ‘’                                         

 

            No fim, eu me sentia mais leve e quem sabe até um pouco feliz, o sono finalmente estava vindo e o quarto estava perfumado por causa do incenso. Tudo parecia realmente em equilíbrio, e por causa disso Kim Jae Mo conseguiu desligar as ultimas luzes e tentar dormir.

            Mas não sem antes pensar mais uma vez naquele sonho.

            — Não chore... – ela disse calmamente, e eu percebi que chorava. – Eu também senti a sua falta.

            Me lembrei do origami vermelho que ela havia me dado há muito tempo atrás, e que estava exposto na sala. Sorri lembrando o seu sorriso, alegria e espontaneidade, e percebi algo realmente assustador naquele momento.

            — Eu sinto sua falta. – disse o óbvio. Porém só as paredes me ouviram. 


Notas Finais


Ah eu gostei tanto de escrever esse capítulo! E então pegaram as referências do sonho? Logo, logo, tudo isso fará sentido, então guardem tudo na mente de vocês. Ok?
Então foi isso, espero que tenham gostado, e me perdoem por ter demorado tanto. Eu senti tanto a falta de vocês...
LEITORES FANTASMAS SE PRONUNCIEM, VAMOS FAZER AMIZADE!


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