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História Diamond Heart - Capítulo 1


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Notas do Autor


Olá pessoal! Essa é a primeira fanfic de Boku No Hero que eu escrevo, amo esse anime, mas nunca consegui criar uma historia boa para se tornar uma fanfic, mas após assistir o arco de Overhaul... bom o que posso dizer, me apaixonei nesse vilão, coisa que eu não deveria, pois ele é muito sem coração e cruel (tadinha de Eri T.T).

Espero que gostem. Deixei alguns avisos nas notas finais, leem por favor.

Capítulo 1 - Prólogo


Fanfic / Fanfiction Diamond Heart - Capítulo 1 - Prólogo

O pequeno feixe de luz atravessou as cortinas criando uma linha alaranjada que pegava metade do cômodo mergulhado no breu. No cômodo com roupas esparramadas, garrafas de bebidas vazias que jaziam em uma mesinha de centro, havia uma garota deitava na cama de casal e que fitava o teto escuro. Sabia que do outro lado da parede estava de dia, um sol que acalentava a todos na grande Tóquio. Mas ela não compartilhava daquela sensação acolhedora, segura e despreocupada que a maioria da população.

A garota se levantou, até então deitada para os pés da cama. Usava uma regata preta justa e que mostrava sua barriga e um short rosado, um pijama que usava para dormir. Caminhou até a janela abrindo de uma vez a cortina velha que levantou poeira, a claridade castigou seus olhos, mas ela pouco se importou.

Debruçou-se sobre o batente e ficou a olhar o lado de fora, onde uma rua movimentada com carros e pessoas andando causavam ruídos que adentravam agora seu minúsculo apartamento.

Uma olhada para trás e ela bufou ao ver que era presunção demais da parte dela chamar aquilo de apartamento, o lugar nada mais era do que um cômodo com um banheiro. Uma cozinha improvisada com um fogão elétrico e de uma boca, uma tv que conseguira de um amigo e ela tinha certeza de que era roubada. Entre sua cama e a tv havia uma mesinha de madeira pequena e redonda, com duas garrafas de cerveja vazias.

Voltou a olhar para fora, onde a vida parecia ganhar força.

Sentiu inveja das pessoas que andavam na rua com tanta tranquilidade. Houve uma época em que ela também podia ser como eles, mas isso já fazia muito tempo.

Seu nome verdadeiro ela abandonou aos dezoito anos, desde então se passou a chamar de Diamond. Um nome significativo para ela. Diamond nascera em uma família feliz, com pais que a amavam, mas que assim que descobriram sua peculiaridade passaram a usa-la, mas aos quatro anos de idade, ela ficou feliz em ajudar. Seu pai fez fortuna com isso e o nome da família ganhou atenção e prestigio, no entanto, pessoas perversas também queria usufruir de seu poder. Por isso mataram seus pais e tentaram leva-la quando tinha apenas doze anos, mas fora salva por um Hero recém-formado.

A polícia a ajudou a se manter escondida e ela passou de lar em lar, depois de orfanatos em orfanatos, até que aos dezoito anos, ela decidiu viver por conta própria. Fez uso novamente de sua individualidade e conseguiu viver bem por quatro anos, até que essas pessoas gananciosas voltaram a persegui-la. Há três anos atrás, ela vem vivendo no anonimato. Vive mudando de casa de tempo em tempo. Para que ninguém perceba quem ela é de verdade.

Sua peculiaridade nada mais é do que converter lágrimas em diamante. Quando ela chora, as gotas de suas lágrimas se transformam em diamantes. Além de que sua pele ser tão dura e fria quanto uma. Uma vez quando se irritou, sua pele chegou a ficar como um diamante lapidado, como se fosse um cristal. Mas ela nunca conseguiu fazer de novo.

E assim ela tem vivido.

Um suspiro cansado escapou dos lábios rosados quando se afastou da janela, o estomago reclamando de fome. Caçou algo dentro das sacolas com as compras do supermercado que fizeram no dia anterior. Naqueles quatro anos, ela fizera uma fortuna consideravelmente boa, o que garante que ela tenha uma vida sem se preocupar com dinheiro, mas por conta de seu poder ela é obrigada a viver em lugares apertados e que chamem pouca atenção. E raramente compra coisas caras, seu dinheiro vai mais para comida e bebida do que para outra coisa.

Enquanto escolhia o que comer, viu seu celular brilhar em cima da cama. O visor mostrou o nome da única pessoa em que ela confiava, Rick, seu amigo e a pessoa que vem a ajudando a se esconder.

Rick sabia de sua peculiaridade e por incrível que pareça nunca tentou usa-la para conseguir diamantes, mesmo que ela tenha oferecido algumas para ele como agradecimento pela ajuda que tem recebido durante esses anos.

- Alô! – murmurou. Rick do outro lado da linha parecia animado demais para uma manhã de Domingo, falava rápido e eufórico – Ah, está certo. Te encontro em meia hora – falou antes de desligar.

Diamond estalou a língua, não estava com muito animo para sair de casa naquele dia.

Vestiu uma roupa simples – um short jeans, tênis e uma camiseta preta – e em seguida saiu. Usou um boné para esconder o rosto e manteve os cabelos platinados presos em um rabo de cavalo baixo. Logo se encaminhou para o ponto de encontro.

 

***

 

Rick a aguardava na entrada de um bar, que ficava em um bairro pouco movimentado. Mas o bar era um ponto de encontro constante entre os dois. Ela acenou do outro lado da rua e ao atravessar o abraçou.

Rick era alto, loiro e com barba por fazer, olhos acinzentados e opacos. Sua individualidade era pouca comentada por ele e ela também nunca o questionou sobre. Entraram no bar que ficava no subterrâneo de um prédio, o lugar era tranquilo e frequentado por todo tipo de gente. Sentaram em uma mesa ao fundo, onde poderiam conversar sem que tivesse alguém ouvindo.

Após a garçonete sair com o pedido deles, Rick se pôs a falar.

- Tenho novidades – falou ele animado novamente – Lembra dos amigos que fiz há uns meses atrás? – ela assentiu – Eu passei no teste e agora faço parte de um grupo, mas não é qualquer grupo – ele chegou mais perto para poder falar no ouvido dela – Faço parte da Yakuza – sussurrou o mais baixo que conseguiu.

Diamond arregalou os olhos e ambos olharam para os lados para ter certeza de que ninguém ouviu nada. A tranquilidade costumeira ainda permanecer servindo de resposta para a apreensão deles.

- Por que se meter com eles? – Diamond questionou.

- Assim que fiquei a par do que eles estão fazendo eu tive que te contar, agradeço aos céus por ser parte da máfia – riu.

- Então sua afobação era somente para me contar que entrou num grupo de esquisitos? – desdenhou.

Em seguida a garçonete trouxe as bebidas e uma porção de batatas fritas. E saiu.

- Não. É sobre o que eles estão fazendo – sorriu – Diamond, acho que achei a solução do seu problema. Você disse que se pudesse tiraria sua individualidade e assim poderia viver sem medo de usarem você por seu poder – falou.

E era verdade. Uma vez ela disse a Rick que desejava aos céus que alguém tivesse uma individualidade de tirar a individualidade de outra pessoa, assim ela poderia ir atrás dessa pessoa e se livrar de vez daquela maldição. Sem seu poder, ela poderia viver com mais tranquilidade, poderia arrumar um emprego sem se preocupar de alguém a ver chorando e querer roubar os diamantes que caiam no chão, pois sem seu poder suas lágrimas seriam apenas lágrimas. Ela não teria mais que se esconder.

O coração dela acelerou ao se imaginar vivendo em uma casa descente, com cômodos de verdade e não um cubículo. Podendo comprar coisas que sempre sonhou e poder chorar sem temor.

Pois por causa dos diamantes, ela tem se tornado um tanto apática e evitado contato com qualquer coisa que fizesse seus olhos marejarem.

- I-Isso é verdade mesmo? – ela gaguejou ao perguntar.

- A mais pura verdade. Ainda estamos em fase de testes, mas posso apresentar você ao líder e podemos conversar – falou.

- Seria ótimo – ela fitou sua bebida e sorriu singelamente.

O primeiro sorriso sincero e de verdade desde os doze anos de idade. 

 

_______________________________________________  

 

Os dias seguintes foram angustiantes para Diamond, a cada dia que passava ela verificava o celular esperando a ligação de Rick para leve-la até a Yazuka. E por mais que temesse essa máfia e achasse melhor não se aproximar deles, sua esperança de se livrar de sua individualidade era maior do que o temor. Ou qualquer possibilidade de dar errado ou no pior dos casos, ser meramente um rumor ou uma piada para brincar suas esperanças.

Depois de quinze dias, ela entrou em desespero. Sua mente já muito conturbada passou a lhe dizer que tudo aquilo fora apenas uma brincadeira. Que talvez eles não tinham droga alguma e que aquilo era apenas para capturarem pessoas bobas como ela. E com isso em mente, ela passou a desejar que Rick nunca ligasse. Tentou esquecer a conversa que teve com o amigo e conseguiu.

Mas ao completar um mês...

O celular brilhou no escuro, era de madrugada e Diamond dormir no sono profundo. Tanto que demorou a encontrar o celular debaixo das cobertas. Quando o encontrou viu o nome do amigo no visor e ela prontamente atendeu.

- Sabe que horas são? – reclamou – Acho bom ter um motivo plausível para me acordar as...

- Senhorita Diamond – disse a voz do outro lado da linha e ela congelou ao ver que não era a voz de Rick.

Ela gelou. Uma corrente fria subiu por sua espinha, não conseguiu esboçar nenhuma reação que não fosse medo. Tanto por ela quanto pelo amigo. A pessoa misteriosa do outro lado da linha ainda se encontrava aguardando, pacientemente. Mas então houve uma movimentação na linha e de repente a voz sempre elevada de Rick soou.

- Diamond! Menina, responde, não temos o dia todo, ou melhor, a noite toda! – respondeu Rick, estavam no viva voz.

- Pelos deuses, Rick. Quer me matar do coração? – respondeu.

- Lamento – disse sendo sincero – Adivinha quem conseguiu uma visita com meu chefe? Isso mesmo, pode comemorar – riu – Mas tem que ser agora, vamos passar aí para te pegar. Fique pronta – falou.

- O quê?! Agora?! – exclamou, quase caindo da cama ao se levantar – Não podia ter avisado antes? – rebateu.

Andou pelo quarto tentando encontrar uma roupa descente para ir nesse “encontro”, mas a verdade era que nada era bom o suficiente. Raramente comprava roupa nova, pois praticamente não saia de casa e quando saia era somente para ir ao mercado ou ao bar beber com Rick.

- Senhorita Diamond, nosso chefe é uma pessoa importante e ocupada, mas ele se dispôs a ceder um pouco do tempo dele para lhe ver. Sinta-se lisonjeada por ele poder lhe receber pessoalmente – a pessoa misteriosa proferiu, agora não parecia com tanta paciência e ela notou o tom de arrogância na frase.

E a voz dele causava certa desconfiança por parte dela, como um alerta quase imperceptível.

- Estarei pronta em dez minutos – mentiu, mas não queria demonstrar que ele causava certo tipo de medo nela.

Em seguida desligou, sem nem dar a chance dele ou de Rick dizerem alguma coisa.

Após jogar o celular com certa irritação na cama, ela foi atrás de algo descente para se apresentar diante do líder da Yakuza. Acabou optando por uma camisa branca de mangas cumpridas e gola alta, uma saia de corte reto de cor lilás e uma bota cano médio. Deixou os cabelos soltos e não colocou nenhum acessório, até porque os brincos que possuía, a maioria era velho. Saiu do seu apartamento e ficou na calçada aguardando pelo suposto cara misterioso e seu amigo.

Coisa que não tardou muito. Logo avistou uma van preta virando a esquina ao longe, a rua possuía a iluminação dos postes somente, não havia movimentação nenhuma, nem mesmo de vândalos bêbados. Coisa comum naquele bairro onde morava.

Quando a van parou diante dela a porta logo foi aberta e Rick saltou do veículo, no entanto, sua atenção se voltou para a pessoa dentro do mesmo. A pessoa usava um manto semelhante a uma capa de chuva, mas o tecido parecia ser mais pesado e uma máscara em seu rosto com formato de um bico de um tucano.

- Ah, esse é Hari Kurono – Rick fez as apresentações – Vamos, o chefe está aguardando... e ele não é do tipo paciente – sussurrou a última parte.

Silenciosa e atenta a cada movimento do tal Hari Kurono e do motorista que era um brutamonte mascarado também, ela adentrou a van e sentou-se no fundo, enquanto que Rick sentou-se ao lado do primeiro. As janelas eram bem escuras e quase não se dava para ver do lado de fora, se perguntou se aquilo era uma ação preventiva de ela não descobrir onde era o esconderijo deles. Afinal, não sabia o que esperar dessa repentina reunião em plena três e meia da madrugada.

Diamond também não se preocupou em saber onde era o local da Yakuza, pouco importava se saberia ou não onde ficava. Apenas queria saber sobre essa tal droga e se poderia resolver o problema dela. E com tais pensamentos ela nem percebeu o trajeto que faziam. 

 

*** 

 

Minutos depois a van parou, para a surpresa de Diamond que estava perdida demais nos pensamentos felizes de um futuro sem preocupações e sem fuga constante. Como dinheiro não seria problema por um bom tempo em sua vida, ela apenas teria que se preocupar em viver como bem entenderia. E ela ansiava por isso.

Desceu da van assim que Rick abriu a porta de correr, o motorista parrudo e Kurono já haviam descido também e andavam em direção a uma casa típica japonesa, o que causou estranhamento nela. Observou que não estavam na rua e sim no pátio diante da casa, o portão atrás de si e de madeira estava fechado. Não havia muito iluminação do lado de dentro e do lado de fora era somente os postes de luz.

- Nos acompanhe, por favor, senhorita Diamond – a voz de Kurono soou a frente, ele nem ao mesmo parecia esperar para ver se ela os acompanharia, parecia até que o caminhar dele já era uma ordem explicita – Nosso chefe não gosta de atrasos – alegou.

Com suspiro e sem outra alternativa, ela os acompanhou. Mantendo-se perto de Rick por via das dúvidas.

A casa em si não havia muita coisa de diferente do que ela esperava, como havia observado antes era uma típica casa japonesa com suas portas de correr feitas de madeira e leves, pisos de madeira bem polidos e cômodos quadrados de tamanhos medidos com precisão. Jardins bem enfeitados e cuidados nas laterais, até podia ouvir uma pequena fonte vindo de algum canto. No entanto, não se preocuparam em retirar os sapatos, parecia que aquele costume havia sido esquecido ali.

Seguiram em direção ao fundo da casa, em um corredor pequeno que terminava com uma única janela como saída e o luar do lado de fora iluminava aquele pequeno lugar. Havia uma única porta ali e nela Kurono bateu e em seguida adentrou o cômodo. A luz estava acesa e o recinto nada mais era do que um escritório, havia dois sofás um de frente ao outro e uma mesinha de centro separando-os, uma janela grande no lado direito por onde a brisa fresca da madrugada entrava e fazia a cortina leve balançar.

No entanto a atenção de Diamond caiu na figura sentada detrás da mesa de madeira pesada, havia papeis sobre a mesma e a caneta na mão dele se movia com certa lentidão e concentração. Ela sentiu outra onda fria percorrer sua espinha ao avaliar mais atentamente a pessoa sentada ali. Era um homem, mas não um velho no qual esperava encontrar, pois sempre ouviu que o chefe da Yakuza era um velhote, mas para falar a verdade nunca procurou saber realmente.

O homem possuía cabelos negros bem aparados, usava uma máscara negra semelhante à de um médico, suas mãos usavam luvas brancas. Dava para notar que trajava um terno informal preto – camisa social, calça bem modelada e uma gravata branca -, um casaco verde se encontrava por sobre seu terno.

No instante em que a porta fora fechada, a caneta parou de se mover e os olhos tão concentrados do rapaz se ergueram, no entanto, Diamond podia jurar que ao invés de fitar seus comparsas, seu olhar frio e calculista caiu sobre ela. Se a postura e forma de andar de Kurono emanavam uma ordem não dita, a daquele homem demonstravam mais do que uma ordem, era uma exigência e ele parecia lhe desafiar a desobedece-lo, somente para poder lhe punir.

Respirar de repente se tornou difícil para ela.

Viu Kurono cochichar algo no ouvido dele e o olhar que já estava cravado nela se tornou ainda mais penetrante.

- Então, você é a amiga do Rick – a voz dele irrompeu o cômodo silencioso, parecia uma navalha bem afiada, potente e perigosa.

E ela percebeu que não gostaria de vê-lo irritado, não gostaria de ouvir aquela voz beirando a ódio. Ele se levantou e caminhou em direção a um dos sofás, sentando-se nele, em seguida moveu a mão pedindo que se sentassem. Apesar de que ela sentiu como se fosse uma ordem.

Desconcertada e tensa ela se sentou, tendo Rick ao seu lado.

- Seu nome? – ele indagou.

- Diamond.

- Seu nome verdadeiro – falou.

- Não uso meu nome verdadeiro já tem muito tempo – respondeu fitando a mesinha de centro.

- Quantos anos tem? – fora Kurono quem perguntou.

- Vinte e quatro. Espero que estejam a par da minha situação, creio que Rick tenha explicado tudo – proferiu.

O rapaz assentiu.

Overhaul se encontrava sentado naquele sofá e apenas escutava as perguntas de Kurono serem pronunciadas e a moça a sua frente as respondendo. Sua mente matutava querendo saber por que alguém queria a sua droga ainda nem terminada sendo que ela tinha mais vantagem mantendo sua individualidade. Seu objetivo era acabar com a praga chamada de Hero na sociedade, reorganizar o mundo e limpa-lo.

Mas aquela garota de belos cabelos platinados e olhos turquesa tinha mais a ganhar mantendo sua individualidade do que a perder.

- Rick nos explicou sua situação, porém, nossa droga ainda está em fase de teste – explicou mantendo contato visual com ela e ele pode ver certa decepção nos olhos turquesa – No entanto, se quer realmente se livrar de sua individualidade, podemos ajudar, mas claro sob um preço – avaliou.

Diamond respirou fundo, sabia que para ganhar algo tão bom assim teria que haver um preço alto. Mas não se importaria, choraria durante o mês todo se precisasse para paga-lo.

- Eu tenho um pouco de dinheiro no banco ainda – alegou e viu o rapaz balançar a cabeça em negação.

- Não estou me referindo a dinheiro, estou me referindo a serviços prestados – explicou melhor – Se quer minha droga terá que trabalhar para mim e precisarei de seu corpo como cobaia para testar a droga – emendou.

A boca de Diamond abriu levemente em surpresa assim como seus olhos se arregalaram um pouco.

- Nada vem de graça nessa vida. Não achou que eu entregaria algo tão valioso de mão beijada, não é mesmo? – Overhaul acrescentou. Ela assentiu, concordando – Quero ver como sua individualidade funciona – disse.

E novamente a ordem implícita estava ali, ele nem ao menos perguntou se ela conseguia demonstrar, pois seu nervosismo era evidente.

- Vamos lá, Diamond, é só chorar – Rick riu, dando tapinhas nas costas dela.

- Como se fosse fácil – rebateu.

A verdade era que ela conseguia chorar com facilidade, mas ela não conseguia desligar seu estado de alerta estando naquele lugar e presa naquela sala com uma pessoa que não parava de encara-la tão friamente e de forma tão penetrante. Estava tensa demais para chorar. Rick zombou dela mais uma vez e ela o rebateu novamente, causando impaciência em Overhaul.

- Rappa... – disse somente e Diamond não o ouviu desta vez.

Uma frase mal educada que daria para Rick foi interrompida quando Rappa, o enorme homem mascarado, puxou seu braço o quebrando com tanta facilidade quanto quebraria um graveto. O grito de horror de Diamond irrompeu o cômodo e talvez para fora dele, ela segurou o braço quebrado e se curvou para frente, no mesmo instante seus olhos lacrimejaram e lágrimas começaram a brotar. Overhaul notou que a cor turquesa mudou para um lilás brilhoso e de repente as lágrimas que caiam dos olhos viravam diamantes após deixarem o rosto dela.

Algumas pedras caíram no chão acarpetado e outras quicaram na mesinha de madeira.

- Ih, chefe, parece que tiramos a sorte grande! – Rappa exclamou, rindo como se tivessem contado uma piada engraçada – Ganhamos uma cobaia, um banco ambulante e talvez até uma diversão – provocou e Diamand trincou os dentes para o grandalhão.

- Não estou aqui para te satisfazer, seu imbecil! – gritou ela.

- Abaixe o tom de voz, não está em sua casa – disse Overhaul e Diamond o encarou com raiva.

- Então, esse é o preço se eu quiser sua droga estupida – rangeu os dentes em irritação.

Porém, o rapaz que até então não sabia o nome, parecia se divertir com sua dor e raiva.

- Rick nos disse que faria qualquer coisa para acabar com sua individualidade – Kurono respondeu – Ou será que ele mentiu?

Ela trincou os dentes. Realmente ela queria acabar com sua individualidade, mas servir de cobaia e sabe-se mais para quê naquele lugar, era demais para aceitar.

- Não tem muitas opções, Diamond – falou Overhaul, unindo as mãos enluvadas uma na outra – Seu destino já foi decidido no momento em que nasceu, sua individualidade a levou a esse final. Você nasceu para me servir – completou.

Sua irritação cresceu ainda mais, porém, não pareceu importância para ele. Tanto que se levantou do sofá e a encarou com desdém por aqueles olhos dourados.

 

***

 

Depois de mais algumas palavras trocadas e Diamond ficar sem saída, pois eles deixaram claro que ela não sairia de lá viva caso recusasse a “oferta” de trabalhar para a Yakuza, ela estava sendo conduzida pelo próprio líder da máfia até o quarto na qual ocuparia. Porém, ela estava abismada com o fato de que debaixo da casa simples houvesse um enorme subterrâneo, com corredores de concreto e canos passando pelos tetos. Era possível sentir uma corrente de ar, mas nada muito forte, tanto que os fios de seu cabelo nem se mexiam.

Havia portas aqui e ali, mas eram poucas. E em uma delas, numa mistura de corredores e mais corredores, Overhaul abriu a porta de um cômodo. Ele adentrou o mesmo e ligou o abajur deixando o recinto mergulhado na cor bege que cobriu o quarto, não havia janelas, ela observou e se sentiu abafada de repente. Como se seu ar estivesse sendo sugado.

- Um pouco diferente do que está acostumada, eu suponho – murmurou ele.

O quarto possuía somente uma cama de casal, um criado mudo e uma cômoda com três gavetas.

- Vocês tratam suas cobaias muito bem, até me deram uma cama – cuspiu.

Mas o homem a sua frente pouco se abalou ou fez qualquer outro comentário, apenas a observou adentrar o quarto e sentar-se na cama, ainda segurando o braço quebrado.

Ele se moveu e Diamond entrou em alerta novamente, seus pelos do corpo se erriçando. Ele parou diante dela e retirou a luva da mão esquerda, enquanto a olhava como se fosse uma criação nova ou um experimento novo. O que de fato era. Ela seria o mais novo brinquedinho dele.

- Estique o braço – ordenou e sem entender ela o obedeceu.

Com a mão sem luva ele tocou seu braço ferido e em um instante e em um baque, ele estava... curado. Seus olhos se arregalaram diante do fato e de que não sentira dor. Seus olhos turquesa se ergueram para encarar o par dourado que ainda lhe fitava sem se abalar com nada ou demonstrar qualquer empatia pelas coisas a sua volta.

Depois de longos minutos a encarando, ele se afastou recolocando a luva e saiu, fechando a mesma.

Enquanto que Diamond ainda olhava o braço “novo”, perplexa.

 

 

 

 


Notas Finais


Espero que tenha ficado bom. Aguardo os comentário de voces.

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Alguns avisos importantes:
*A capa foi feita e editada por mim mesma. A Diamond, minha personagem Oc, é a garota da capa.
*As fotos usadas na minha capa não me pertencem, então dou total credito aos autores.
*Os capítulos serão postados ou no Sábado ou no Domingo. Tentarei postar todo fim de semana, caso fique complicado (pois eu trabalho o dia todo), terei que mudar para duas semanas entre uma postagem e outro. Mas vocês serão avisados, não se preocupem.
*Essa fanfic será postada somente aqui no SocialSpirit, eu não tenho mais conta no Nyah. Se virem essa fic em outro site, por favor me avisem.


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