História Diário - Capítulo 1


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Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
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Terminada Não
LIVRE PARA TODOS OS PÚBLICOS
Gêneros: Comédia, Drama (Tragédia), Famí­lia, Ficção Adolescente, Universo Alternativo
Avisos: Linguagem Imprópria, Tortura
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Sem nenhum fins lucrativos faço isso, só me disseram que escrever ajudaria e de fato ajudou, mas eu decidi postar, para ver se mais pessoas se identificam comigo.

Capítulo 1 - Dia 09 de agosto de 2018


   Já sentiram a terrível vontade de chorar, mas aquela que quanto mais você chora, mais vontade da de continuar aos prantos debaixo de suas cobertas gritando com o travesseiro, abafando os gritos, para que ninguém da sua família ouça e venha encher o saco perguntando o que está acontecendo(?).

Horrível se sentir um ser desprezível, horripilante conviver com os nossos demônios no dia-dia, odioso ter que lidar consigo mesma todos os dias.

Eu li um livro e uma das personagens principais disse algo que me chamou bastante atenção, que foi: “ Não existe um ‘eu’ para odiar. É como se, quando eu olhasse para mim mesma, não visse nada definido... só um monte de pensamentos, atos e contextos. E muitos na verdade nem parecem meus. Muitos pensamentos eu não quero pensar, muitas coisas eu não quero fazer, é mais ou menos isso. Quando procuro o que eu sou, nunca encontro. Como as matrioskas, aquelas bonecas russas, Sabe? As bonecas são ocas e, quando abrimos uma delas, tem outra boneca menor dentro, e assim por diante, todas ocas até a menor delas, que é sólida. Só que dentro de mim... acho que não existe a última. Só bonecas ocas, uma menor que a outra”.

Esse pequeno diálogo me fez ficar pensativa, eu realmente me identificava com isso. Existe vários “eu's" dentro de mim, a cada dia um deles me controlam ou sou eu mesma?

Pensamentos são confusos, é algo que você pode chamar de seus, mas ao mesmo tempo não são. Intrigante? Pois bem, muitas vezes ficamos reféns de nós mesmos, muitas vezes parecemos estar em uma prisão e a cela é exatamente nossos pensamentos que nos rodeiam com perguntas e afirmações ao mesmo tempo.

“Tem certeza que vai lembrar? Não pode esquecer como da última vez não tem como eu esquecer, tô pensando nisso direto tem certeza disso? É melhor colocar um post-it para lembrar não, não precisa disso, eu vou lembrar você não vai lembrar, você sempre esqueceu, é melhor se prevenir do que remediar”.

E você acaba cedendo aos seus pensamentos intrusos que a tormenta até você fazer o que se pede. Como eu disse, somos reféns de nós mesmos.

Medo. Agonia. Ansiedade. Raiva. Dor. Suor. Tristeza. Angústia. Apreensão. Abalo. Amargura. Carência. Dúvida. Fingimento.

Todos esses e mais outros são sentimentos que sempre estarão lado a lado de você. São sentimentos que uma hora desaparece, mas de repente volta com força total, como se estivesse nos destruindo de dentro pra fora.

Comparado a um câncer que já corroeu todo o seu corpo internamente devagarinho sem dar suspeitas ao seu hospedeiro que ali existe uma bactéria que da início a outra e outra e mais outra, continuando o ciclo interminável até que finalmente o hospedeiro se da conta que tem uma bactéria desumana em seu organismo e... é tarde demais, a bactéria já fez todo o seu trabalho e o hospedeiro fica em choque recebendo tratamentos esperando por um milagre de ser curado, mas sabe que só estaria prolongando o inevitável: a morte.

Se damos ouvidos aos nossos pensamentos, ele se torna ambicioso, parece até que tem vida própria. Quer mandar em mais e mais situações em sua vida lhe deixando um caos completo por dentro, mas por fora tenta demonstrar o que chamam de:

Alegria. Empatia. Afetividade. Bom-humor. Bondade. Calma. Carisma. Entusiasmo. Equilíbrio. Interesse. Tolerância. Coragem. Amor.

Por mais que tente e não for sincero, todos esses esforços não vão passar de um grande fingimento que você tenta passar para o outro.

Não estar bem, mas ter que parecer bem. Nunca me pareceu uma missão tão difícil como está sendo hoje em dia.

Hoje mesmo, tentei pedir ajuda a dois amigos meus e logo depois apaguei as mensagens sem que eles tivessem a chance de visualizar, mais uma vez vítima de meus pensamentos tenebrosos.

Eu preciso de ajuda eles não irão te entender eles podem tentar, só preciso desabafar antes que eu morra sufocada com tudo isso tentar não é de grande ajuda e você vai mostrar suas fraquezas diante deles? Sempre as escondeu tão bem em um baú trancado a sete chaves acontece que esse baú se quebrou e abriu, não consigo suportar isso sem um ombro amigo mas que droga você está dizendo?! Você sempre, sempre sofreu sozinha, que papo é esse de correr para os braços de outra pessoa que não seja os seus próprios braços? Eles vão sentir pena de você, quer isso? Não! Então aguente sozinha como sempre fez, descarregue a raiva em si mesma, ninguém pode lhe compreender sendo que nem você mesma se compreende, entende? Aham.

Eu foi ai que eu bloqueei todos eles para não me perguntarem o que estava acontecendo comigo.

Nessa tarde que estava só eu e meus pensamentos, tentei descarregar a raiva socando a parede algumas vezes, isso não funcionou. Só me deixou com mais raiva ainda. Não consegui tirar os pensamentos até agora 22:40 da noite e ainda tenho sinais de raiva e chorar até ficar desidratada.

Eu tinha passado a noite anterior em claro, preguei os olhos somente 10min e estava na hora de levantar para ir ao dentista.

Com certeza vocês não devem estar entendendo nada agora, mas o resumo do resumo é que para eu estar escrevendo isso foi por causa do que aconteceu comigo no dia 09 de agosto de 2018. Vou explicar como tudo aconteceu e como me senti o resto do dia inteiro.

Bom, as aulas tinham começado há uma semana atrás, eu estava conseguindo acordar para ir por mais que fosse dormir altas horas da madrugada, sempre acordava às seis e meia da manhã, me arrumava e ia para escola.

Muitas pessoas não acham, mas para mim, ir para escola era divertido pelo simples motivo de eu poder esquecer um tempo os pensamentos que me veem em mente, estar com os meus amigos é engraçado, rimos de tudo, sem enxame.

Somos o trio da nossa sala, sempre sentamos perto um do outro. Era eu, uma amiga e outro amigo.

Nós andamos sempre juntos e quando estou com eles é como se fosse minha válvula de escape, me sinto real, me sinto eu mesma controlando a mim mesma quando rio sem parar a cada palavra que dizemos. Momentos incríveis foram ao lado deles.

Isso não vem ao caso agora. Voltando para o foco principal:

Por mais que eu odiasse alarmes, eu prefiro mil vezes ser acordada por eles do que por um ser humano. Odeio ser acordada por pessoas, prefiro me levantar só. Então já foi uma perturbação logo de manhã, minha tia gritando comigo para se levantar — ela tinha dormido aqui na minha casa na noite de 08 de agosto, porque iria sair comigo de manhã cedo.

Então, eu me levantei e fui tomar banho. No banheiro vi meu reflexo no espelho, meus olhos estavam vermelhos e inchados, parecia que eu passei a noite inteira chorando, mas isso foi só consequência da noite que eu não dormi.

A água estava gelada, o que me fez me acalmar totalmente e a raiva passar — momentaneamente, mal sabia eu o que me aguardava mais tarde no dentista.

Enfim, fui pegar o ônibus com minha tia e começamos a conversar normalmente. Ela amava a trilogia de 50 tons de cinza e de alguma forma ela sempre levava o nosso assunto pra falar do livro que ela já leu mil vezes. Eu só ficava concordando com a cabeça, até que eu achava legal a história.

O ônibus chegou e entramos nele. A gente só desceu no terminal e demorou um pouco, mas o outro ônibus chegou e nós entramos.

Bem, vamos pular para a parte final.

Eu entrei na sala do dentista e fiquei esperando a boa vontade dele sair do telefone e vim fazer a manutenção do meu aparelho. Não estava incomodada com ele em seu celular, eu estava muito confortável deitada e o ar-condicionado ligado. Eu estava bem.

Ele resolveu me atender já que eu estava a bom tempo esperando. Ele fez o que tinha que fazer e perguntou qual cor eu queria, mostrando as Únicas quatro cores, que eu já usei.

Cinza, rosa, preto e azul.

Eu escolhi azul, pois bem, ele trocou, mas só metade. Eu sabia que ele não tinha trocado o resto das liguinhas do resto dos dentes, mas eu estava pensando.

“Ele vai trocar tudo, não vai?”

O cara acabou que me mandou embora, deixando metade das liguinhas rosa — que era a cor que eu já estava usando. — E metade azul.

Fui imediatamente olhar no espelho do banheiro de lá. Paralisei totalmente no espelho, vendo o meu sorriso com essas liguinhas de duas cores.

Ridículo. Foi a primeira palavra que eu disse.

Sai daquele consultório quase que saindo fumaça pelos meus ouvidos. Fiquei puta.

Pode ser algo que para você que está lendo seja algo totalmente insignificante e nomeie de “besteira", mas para mim isso não era besteira.

Teria que conviver com isso até o próximo mês. Mostrei a minha tia o que o cara fez no meu dente e ela disse que da nem pra ver.

Como não? Claro que dava pra ver! Dava pra ver tudo!

Eu estava puta, muito puta com isso. Estava prestes a esmurrar um poste, mas minha tia me impediu.

Se eu fosse um leitor — como vocês. — Estaria rindo do autor — que sou eu. — Então não julgo se estiverem, mas só quero que entendam que mexer com a autoestima de uma pessoa é sério e complicado. Eu fiquei de cara fechada o resto do caminho, não ousei falar uma palavra ou ao menos sorrir. Não mesmo!

Eu estava com tanta raiva e em um ambiente público, onde não podia me libertar disso completamente que eu fiquei pensando se eu não fazer isso sair de mim agora, eu vou explodir. Então fechei minhas mãos em punhos — com bastante força e por muito tempo. — Minhas unhas furavam a minha pele. Doía. Mas a raiva estava passando. Estava funcionando, mas no momento em que eu parava de me machucar, a raiva voltava com as lembranças de eu me vendo no espelho e vendo a merda que o dentista fez, então eu continuei até eu entrar no ônibus.

No ônibus de volta para casa, comecei a ler um livro que tinha trago de casa e de fato me acalmou, porque eu não estava pensando nos meus dentes e sim no desenrolar da trama.

Porém, o livro já estava no seu fim e meus pensamentos atacaram.

Você não ter mais nada pra se distrair quando acabar esse livro, o que vai fazer? Essa raiva não vai ficar em mim por muito tempo, quando eu tomar um banho gelado, vai passar.

Sempre me ajudava uma ducha gelada quando eu estava com raiva de algo.

Isso não vai funcionar e se funcionar você vai se ver no espelho todos os dias e lembrar de seus dentes.

Tinha razão, eu iria me ver no espelho todos os dias e iria sentir a mesma raiva de quando eu saí da clínica odontológica.

Eu cheguei em casa com os pensamentos a mil.

— E ai? Como Foi? — Minha mãe perguntou quando me viu passar pela porta, ela estava na sala, deitada.

Passei reto, por ela sem dizer nada e entrei no meu quarto tirando meus sapatos e calçando minha chinela. Ouvi ela perguntar para minha tia o que aconteceu e minha tia explicou a ela.

Peguei a minha toalha e fui direto para o banheiro. Sabia que aquilo só iria me ferir e meus pensamentos iriam me assombrar por isso, mas mesmo assim eu o fiz, sorri de frente para o espelho e via aquilo de novo.

Estava com esperanças de que fosse somente uma alucinação da minha cabeça, tanto é que fiquei repetindo o ato de sorrir de frente ao espelho várias vezes. Tentei dar uma de positiva.

Até que não tá tão ruim tá sim, isso está muito feio tão feio que todos que verem você sorrindo vão rir da sua cara por isso estar tão feio pelo menos eu vou fazer eles felizes mas e você? Vai estar feliz quando eles perguntarem “por que colocou essas liguinhas diferentes em seus dentes?” e você vai lembrar e passará raiva de novo e não poderá esmurrar a parede com gente por perto.

Mais uma vez dei razão aos meus pensamentos e entrei debaixo do chuveiro. A raiva me consumia aos poucos e eu comecei a chorar, não de tristeza, mas do único sentimento que me sufocava no momento: a ira.

Passei alguns minutos tentando engolir o choro, só que quanto mais eu queria que acabasse, mais vontade vinha e eu fiquei no banheiro por alguns minutos chorando como nunca vi antes.

Chorava sem som algum, alguém poderia desconfiar que eu estava fazendo, então fui a mais silenciosa possível mesmo querendo gritar. As lágrimas se juntavam com a água do chuveiro.

E pela primeira vez a água gelada, não me acalmou.

Eu estava demorando muito no banheiro, então resolvi engolir o choro.

Eu só preciso dormir um pouco, isso deve ser cansaço você não pode dormir, se dormir passará a noite acordada e faltará aula por só conseguir dormir na hora que acorda para ir a escola é verdade, eu só posso dormir a noite.

Me olhei no espelho do banheiro antes de sair, dessa vez não ousei sorrir, só olhei para os meus olhos vermelhos.

Sai do banheiro de cabeça baixa para que ninguém me visse, então me tranquei no quarto.

O único problema, eu tinha um espelho enorme na porta do meu guarda-roupa e só conseguia olhar para os meus lábios.

Troquei de roupa e comecei a ler o livro novamente pra tentar não pensar muito nisso. Não funcionou muito como quando eu estava em público.

Eu estava no meu quarto sozinha, então eu lia e pensamentos vinham sobre o meu aparelho. Soquei a parede três vezes do meu quarto, isso só me trazia dor não aliviava nada. Então optei por enfiar as unhas na minha pele, isso também não estava adiantando, então eu chorei, não adiantou do mesmo jeito.

Eu estava completamente desesperada para me livrar dessa porcaria de sentimento.

Sem dúvidas eu preferia a tristeza do que a ira incontrolável.

Consegui me concentrar no livro de novo, mas minha mãe gritava por mim pra eu ir almoçar. Eu fui almoçar, terminei e olhei para pia que continha louça suja pra lavar.

Lavei. Eu estava aceitando qualquer coisa para não pensar nos meus dentes.

Sempre tenho um ritual, almoçar, lavar a louça e escovar os dentes. Esse último me fez lembrar daquilo que já estava passando.

Novamente fechei minhas mãos em punhos e enfiei as unhas na minha pele enquanto escovava os dentes e me via naquele estado deplorável de frente para o espelho.

Logo voltei para o meu quarto para acabar de ler o livro, eu acabei e foi ai que eu fiquei sem nada pra fazer que meus pensamentos encontrou uma brecha para me atormentar.

Acabou o livro e agora? Olhe para o espelho. Veja. Sei que quer ver de novo e se lamentar. Eu não quero quer, você quer.

Veja. Veja. Veja. Veja.

Fiquei de pé e olhei no espelho sorrindo novamente. Ridículo.

Sai do meu quarto para beber água e ir no banheiro, quando voltei. Pesquisei no Google várias coisas , tipo “Como controlar sua raiva?”, “Como não dormir?”, “Como fazer para parar de chorar?”.

Tentei fazer como o site mandava, mas nada adiantava. NADA.

Está vendo? Vai ter que conviver com isso por um mês eu vou me acostumar é um mês inteiro, não vou ficar com raiva por um mês inteiro tem certeza?

E foi ai que lembrei da minha ansiedade, eu estava sendo dominada por pensamentos ruins e o obedecendo, eu não poderia fazer isso pelo bem da minha sanidade mental — ou pelo menos o que me restava dela ainda.

Tentei respirar fundo várias vezes. Inspirar e expirar. Inalar e soltar. Isso controlava a minha ansiedade em dias normais no qual não estou dominada pela fúria. Portanto fazendo isso só me deixou com raiva.

Vou assistir algo, vou me distrair que nem o livro me fez não vai conseguir.

Coloquei um anime para assistir e em 5min eu já estava quase dormindo, então vi as horas. Ainda eram três e meia da tarde, talvez isso pudesse afetar meu sono a noite, mas mesmo assim eu desliguei o celular e fechei os olhos.

Não vai conseguir dormir a noite, não durma! Espere anoitecer.

Dessa vez não dei ouvidos, eu estava tão cansada que eu apaguei.

Acordei com minha mãe dizendo pra eu ir pra sala, porque ela iria sair e a casa iria ficar sem ninguém. Agradeci mentalmente por ela ter me acordado, olhei as horas no celular e era seis e meia da noite. Dormi exatamente três horas. Ótimo. Assim eu conseguiria dormir a noite.

Fui para sala e deitei. Eu tinha me acalmado e cogitei que aquilo tudo que eu estava sentindo seria somente por conta do cansaço. Lembrava dos meus dentes e não me incomodava tanto assim.

Mas foi só eu sorrir de frente para o espelho que tudo voltou. Fiquei inquieta e vi meus olhos marejados novamente. Me recusei a chorar por isso alegando ser uma “besteira” e disse que se alguém falasse sobre os meus dentes, eu mesma tiraria sarro de mim e iria fazê-los rir.

Rindo do próprio sofrimento, tão triste. Prefere que as pessoas fiquem felizes do que você? É mais fácil assim.

Comecei a fazer algumas coisas no meu celular me desligando de tudo.

Eu estava inquieta o bastante para perceber que isso não sairia de mim a não ser que eu escrevesse tudo o que eu estava sentido e que passei.

Foi então que depois da janta, tomei banho e deitei na minha cama começando a escrever isso.

No momento tudo o que eu estava sentindo a algumas horas atrás não passou totalmente, mas diminuiu gradativamente. Talvez amanhã eu esteja melhor ou pior quem sabe.

Agora são 00:54 e meu sono quase que está indo embora. Então, boa noite, bom dia ou boa tarde para vocês que leram até aqui esse momento da minha vida. 


Notas Finais


E é isso beijinhos.


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