História Diário de Naur - Capítulo 14


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Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Ação, Drama, Guerra, Monstros, Romance
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Palavras 1.392
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Romance e Novela, Survival, Violência
Avisos: Álcool, Estupro, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Mutilação, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 14 - 6 de junho de 2018


Fanfic / Fanfiction Diário de Naur - Capítulo 14 - 6 de junho de 2018

Vocês devem ter pensado que nó transamos coisa e tal mas não, só ficamos nos beijando e dormimos de conchinha, vocês podem acreditar em mim ou não.

Hoje de manhã eu comprei uns pães doces e um café na padaria ao lado e dei pra Lili, café da manhã na cama, ela ficou feliz, acho que ela pensou que eu fiquei bravo com ela por não termos transado mas não liguei, o importante era ela estar feliz, e estava, fomos andando pela cidade e conversando sobre ontem, ela ainda achava que Pietra estava dando em cima de mim, eu não conseguia parar de rir quando ela ficava com ciúmes, não sei dizer direito mas acho fofo, ela tentando fazer com que a leve a sério e eu não conseguindo, mas era só eu a abraçar e falar algumas coisas em seu ouvido que ela logo se acalmava, encontramos Rony e os outros , eles deram os parabéns por eu ter completado os dezenove anos e fomos beber em um bar, a gente conversou bastante, Rony disse que depois que saímos a criminalidade tinha diminuído na cidade e que a algumas pessoas nos apontavam como salvadores mas outras achavam que a gente não tinha o direito de julgar as pessoas por sermos quem somos, eu não ligo pra essas coisas mas Lili não gosta que as pessoas falem mal pelas suas costas, saímos do bar umas horas depois, eu não bebo, nunca gostei Lili também não então voltamos a andar, algumas pessoas vinham nos cumprimentar, nos reconheciam por causa das nossas roupas, mesmo que agora eu esteja diferente por causa do cabelo e das cicatrizes, nenhuma veio nos criticar mas eu sei que algumas nos olhavam torto.

Eu disse que as pessoas que não tem dinheiro pra se sustentar na cidade vão embora, algumas ficam como mendigas, eu vi muitas assim, velhos, novos, crianças e adultos, eu sempre tentei ajudar eles com o que podia, comida, roupas ou dinheiro, essas pessoas não tem nada e mesmo assim eu já vi muitas pessoas os ignorando, os rejeitando, tratando eles piores que lixo.

Eu e Lili estávamos andando quando passamos por um garoto, ele estava sentado em cima de um pedaço de papelão, deveria ter seus doze, ele estava com um sorriso no rosto, um pote no chão, ataduras em seus olhos e uma placa “Eu não posso ver os sorrisos de vocês mas espero que possam ver o me, espero que ajude vocês no seu dia” ele se virou pra nós, Lili se ajoelhou na sua frente.

- Cadê seus pais?

- Eu não tenho pais senhorita.

- Quem cuida de você?

- Eu mesmo senhorita.

- Você não tem pra onde ir?

- Estou onde devo estar, eu dependo da ajuda das pessoas como meu irmão depende de mim e aqui é onde posso encontrar ajuda pra cuidar dele.

- Seus pais, o que aconteceu com eles e onde está seu irmão?

- Meus pais estão na casa deles em algum lugar, meu irmão está na lapide dele.

- O que aconteceu?

- Meus pais me amavam e cuidaram muito bem de mim até que descobriram que eu era um deslocado, eles se assustaram e sem querer acertaram meus olhos e no desespero eles acertaram o coração do meu irmão.

- Eles tentaram matar você.

- Não, eles são pessoas boas, só cometeram erros, eu cuido da lápide e da memória do meu irmão, pessoas boas também erram, com meu sorriso espero poder iluminar seus caminhos.

Lili estava com a mão na boca, eu sei que ela estava segurando seus sentimentos de horror e tristeza, eu olhei atentamente pra ele, ele tinha vários machucados nos braços e marcas vermelhas de sangue na barriga.

- Por que você está tão machucado?

- Pessoas boas como os senhores vem procurando saber mais de mim, alguns ficam irritados quando descobrem que sou deslocado, alguns descontam sua raiva em mim.

- Por que você não denúncia?

- Os protetores tem coisas melhores pra fazer do que se preocupar comigo.

A gente estava completamente atordoado com a história do menino.

- Qual seu nome?

- Meus pais me chamavam de Angelo, me achavam um anjo, são pessoas boas.

Ele passou a mão pelo rosto de Lili, como se estivesse gravando seu rosto na sua mente, ele analisava cada detalhe com os seus dedinhos.

- Eu fiz a senhorita ficar triste?

- Não, não estou triste por sua causa.

- Uma senhorita tão bonita não deveria ficar triste por minha causa.

O menino a abraçou, Lili retribuiu, as pessoas passavam ali e nem notavam ele mas Lili em seu abraço tentou dar todo o amor e carinho do mundo a ele e ele tentou fazer ela ficar feliz.

- Está melhor senhorita?

- Sim, obrigada.

- Posso saber seu nome?

- Lili fire.

- Que lindo nome, combina com a senhorita, seu abraço esquentou meu coração, obrigado Fire.

 Ele deu um sorriso radiante de alegria a Lili, duas garotas passavam bebendo refrigerante, pegaram o alumínio da latinha e jogaram no pote, o som parecia com o de uma moeda.

- Obrigado senhoritas.

Lili olhou pras duas com uma raiva que não cabia dentro dela, as duas nem notaram, saíram rindo e gargalhando, eu não aguentei.

- Elas não deveriam fazer isso com você, isso não é justo.

- Não fique irritado com elas – ele pegou o pedaço de alumínio e guardou dentro de um bolso de seu short rascado e meio sujo – veja, elas estão rindo, isso que é o importante.

- Elas estão rindo da sua desgraça, eu não posso permitir isso.

- O senhor é uma pessoa de bom coração, todos nós erramos e rodos nós merecemos ser perdoados e eu perdoou elas, o senhor poderia perdoa-las também.

Eu olhei pra ele, sua roupa puída, seus cabelos desarrumados, seu rosto sujo e seu sorriso radiante ainda estava lá.

- Obrigado Angelo, espero que possa encontrar um lugar melhor que este e que seja feliz pra sempre.

- Esse é o meu lugar e eu sou feliz senhor, sou feliz por ter encontrado o senhor e a Fire.

- Por favor pegue esse dinheiro e tente viver sua vida longe daqui, deve ser o suficiente pra um mês, não volte aqui.

- Mas, eu não mereço isso tudo senhor – ele passava as mãos no dinheiro tentando ver quanto tinha mas sabia que era muito.

- Só prometa que não vai voltar.

- Prometo senhor, obrigado eu nunca vou esquecer o senhor, hoje vou poder comer e dormir bem, ao lado de meu irmão.

Ele pegou suas coisas e saiu andado, eu e Lili não conseguimos nem comer mais, Lili tinha ficado tão tocada com a situação do menino que nem falava comigo direito, voltamos pro nosso quarto mais tarde, já estava escurecendo, nenhum de nós queria comer, ficamos lá, sentados na cama, sem dizer uma palavra, e eu lembrei que Lili veio do orfanato, devia ter se identificado com o garoto, não tinha ninguém como ela, depende dos ostros pra sobreviver como ela dependeu, já de noite Lili começou a deixar lágrimas caírem, ela segurou o máximo que pode mas não conseguiu se conter, eu coloquei sua cabeça em meu peito e acariciei seus cabelos, ela chorou durante horas, eu mesmo não aguente e soltei algumas lágrimas também, eu sei que nossa vida não é a das mais fáceis, sei que tomei decisões erradas na vida, matei pessoas, fiz pessoas sofrerem mas ele não merecia isso e mesmo assim ele sofre, ele sofre e mantem um sorriso no rosto, ele acredita na bondade das pessoas mesmo tendo passado por tanta coisa, muitos teriam se matado, muitos teriam ido pra vida do crime mas ele não, está tentando viver sua vida, uma vida honesta e cuida do irmão mesmo que já esteja morto, por que as pessoas que merecem coisas boas, coisas maravilhosas sofrem e as pessoas más ganham?

Eu e Lili dormimos aquela noite completamente arrasados, não consegui parar de pensar no menino, ele devia estar morrendo de fome, será que ele tinha algum lugar pra passar a noite? Eu deveria ter trazido ele, eu sou um idiota, o maior de todos, o maior idiota, eu só faço merda, espero que ele fique bem, rezo por isso; essa noite eu só consegui pensar nele e em seu sorriso.



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