1. Spirit Fanfics >
  2. Diário de um Alfa em Apuros >
  3. Papai, eu quero pipoca!

História Diário de um Alfa em Apuros - Capítulo 9


Escrita por:


Notas do Autor


Olá, amores ♥
Agora Diário de Um Alfa em Apuros também tem dois dias de atualização, sendo eles segundas e quintas \o/
Espero que gostem do capítulo ♥

Capítulo 9 - Papai, eu quero pipoca!


Ser pai não é um tarefa fácil. Os filhos não chegam em nossa vida com um manual de instruções, você tem que identificá-los pelo choro ou qualquer mínima ação possível e, posso garantir, me formar em Direito com todas as notas acima de 9 foi muito mais fácil do que ser pai da Jiwoo.

Mas, apesar das dificuldades, eu aprendi muito desde que ela nasceu.

Só que algumas vezes ainda me sinto frustrado por não conseguir compreendê-la cem por cento. Como agora, que ela entrou no carro emburrada e com os olhinhos cheios de lágrimas, ignorando a presença de todos nós — já que tinha buscado Jimin e Jin antes de ir até ela, apenas para mudar um pouco o caminho. Por sorte, pude identificar o motivo ao que vi algumas crianças rindo do lado de fora, o que já trouxe o instinto protetor para dentro de mim e, pelo visto, para dentro de Yoongi também, afinal nós dois descemos do carro.

— O que há de tão engraçado? — Perguntou Yoongi, mas eu o segurei, afinal era capaz de partir para cima de crianças apenas para defender a afilhada.

— Jiwoo é tão chata que nem a mãe não gosta dela. — Uma das crianças disse. É, como eu disse para minha filha: crianças podem ser bem cruéis quando querem. — Ah, esqueci, ela não tem mãe.

Jiwoo desceu do carro e se grudou em mim, chorando baixinho ao mesmo passo que a peguei no colo.

— É verdade. — Jimin disse, abraçando a mim e Jiwoo de lado. — Ela tem dois papais. — As crianças ficaram apenas olhando para o Park, até eu mesmo estava o encarando embasbacado. — Que tal conhecerem um pouco melhor as pessoas antes de julgá-las? Vocês deixaram minha pequena triste, como se sentiriam se eu dissesse algo ruim assim para vocês?

As três crianças olharam para baixo, minha filha ainda estava chorando com a cabeça deitada em meu pescoço, e eu estava a acariciando. Não queria falar nada com aquelas crianças porque certamente eu acabaria sendo rude e sei que minha filha não queria ver esse lado meu.

Logo pudemos voltar ao carro, entretanto Jiwoo não queria me soltar, nem para ficar nos braços de Jimin, por isso acabei pedindo que Yoongi dirigisse, mesmo que ele descesse antes de mim. Ao menos tentaria fazer minha filha dormir até chegarmos na casa dele.

E foi difícil, ela ainda chorou bastante, mas eu fiquei fazendo carinho em seus cabelos e cantando uma música bem calminha para ela, Somewhere Only We Know, do Keane, que é a música que canto para ela desde seu nascimento, a música que ela gosta de ouvir quando não está bem.

E mesmo depois de ela ter pego no sono, continuei cantando e fazendo carinho nela, porque meu peito estava doendo de ter visto-a daquela forma. E eu tinha chegado a pensar que ela sequer se importava com Jihyo.

Mas, como eu disse, filhos não possuem manual de instruções.

Fiz uma dedução totalmente errada.

Quando ouvi alguém fungar, parei de cantar e olhei para o lado, vendo algumas lágrimas caindo pelo rosto de Jimin. Acabei sorrindo pequeno antes de deixar um beijo em sua bochecha.

— Posso cantar para você dormir também se quiser, hyung. — Brinquei apenas para vê-lo rir. — Mas essa música é minha e da Ji. Precisamos achar uma nossa.

— Muita fofura para minha pouca paciência. — Yoongi resmungou. — Jungkook, hoje é o último dia que pego carona com você, seu cheiro está ficando insuportável.

— E eu lá tenho controle do meu cheiro, agora? — Me indignei, vendo-o rir após revirar os olhos.

— Concordo que é o melhor, Jungkookie, também estou ficando nervoso com seu cheiro. — Jin comentou. — Eu e o Yoon podemos dividir um táxi nos próximos dias. E no domingo eu pego a Ji na sua casa para ela ficar comigo semana que vem.

Suspirei, concordando com a cabeça antes de encarar minha filha outra vez. Ela precisava de mim, precisava da minha companhia, era um momento em que ela estava vulnerável.

— Jin hyung, acho que é melhor eu usar os supressores. — Disse antes do mais velho descer do carro. — A Ji precisa de mim.

Você precisa de você. Nós podemos cuidar dela. — Ele trocou um olhar comigo apontando para Jimin antes de finalmente sair do veículo. — Qualquer coisa me manda mensagem.

Em seguida troquei de lugar com Yoongi, com Jimin sentado no banco do carona e Yoongi atrás com Jiwoo — que dormia tranquilamente. Meus amigos realmente pensavam que eu iria passar meu cio com Jimin, mas sendo sincero eu achava cedo para algo assim. Não era nem medo de acabar engravidando-o, pois sei que ele seria bem diferente de Jihyo, meu medo mesmo é que isso acabe estragando a relação que aos poucos estamos construindo.

— Até semana que vem, Jeon. Vê se come bastante nut...

— Tchau, hyung. — Cortei-o, pois sabia bem o que ele iria falar. — Ignora o que eles falam, por favor.

— Então você não sente vontade de comer Nutella? — Questionou com um tom acusador, me fazendo revirar os olhos.

— E se eu sentir, é um problema? — Resolvi devolver, falando baixinho para não corrermos o risco de acordar minha pequena.

— Considerando que eu adoraria me afogar em café, não. — Rebateu.

E eu me senti muito quente. Mas então lembrei que precisava conversar com ele sobre algo. Por isso, quando chegamos no nosso prédio, pedi que ele fosse até meu apartamento rapidinho para conversarmos sobre algo que era necessário. Jimin concordou, inclusive foi abrindo a porta do prédio e também do meu apartamento quando chegamos, já que eu estava carregando a Ji.

Larguei minhas coisas e coloquei Jiwoo na cama dela, decidido a acordá-la só na hora de jantar.

E em seguida voltei para a sala, sentando no sofá de frente para o Park.

— Hyung, obrigado pelo que disse hoje para os colegas da Ji, mas... — Respirei fundo, pensando na melhor forma de abordar o assunto com ele. — Sabe que está falando essas coisas para uma criança de cinco anos, não sabe? Se você resolver sair da minha vida por algum motivo, vai machucar, mas eu vou entender e respeitar... só que eu não vou aguentar ver a Ji destruída de novo, hyung. Ela gosta muito de você, ela fala todos os dias que no futuro nós três seremos uma família e vamos dar irmãos para ela, fala que você vai morar com a gente e que vai contar histórias para ela dormir e tudo o mais. Ela já te considera uma parte dela, ela é apegada a você de um jeito que nunca foi com a Jihyo. O que dói nela não é a Jihyo ter ido embora, mas sim o fato de que ela se sente incompleta por nunca ter tido a mãe do seu lado.

Respirei fundo outra vez, e Jimin pegou a minha mão, segurando-a de forma firme e a acariciando, como se quisesse me acalmar de alguma maneira.

— Eu gosto de você, Jimin. Eu gosto de você de verdade. — Confessei novamente. — Então se você por alguma razão quiser partir o coração de alguém, faça comigo, não com a minha filha.

Jimin não respondeu com palavras, na verdade ele literalmente veio para cima de mim, grudando sua boca na minha com tanta vontade e determinação, que me senti tonto e entorpecido, pelo seu cheiro, seu gosto, seu toque. Minhas mãos envolveram sua cintura e eu nos ajeitei melhor sobre o sofá, o deixando em cima de mim e sentindo sua pele quente se juntando com a minha.

Nossas línguas se juntaram em seguida, me deixando ainda mais quente e perdido, sem nem saber direito como agir, porque estava todo bagunçado em cima do sofá.

— Sei muito bem o que estou fazendo, Jungkookie. — Garantiu a mim. — E eu não teria me enfiado na vida de vocês se tivesse intenção de sair. Então, se você quiser que eu vá embora, me avise antes que fique verdadeiramente sério, tudo bem? — Ele estava tão decidido que cheguei a sentir vontade de rir, de amor e não de deboche, claro. — Pensei já ter deixado claro, mas caso não tenha ficado: eu também gosto de você, Jeon Jungkook. Eu gosto mesmo de você.

Aquilo encheu meu coração de tanta alegria, que eu levei minha mão até sua nuca apenas para puxá-lo de volta na minha direção e lhe beijar com toda a vontade possível. Eu era um idiota apaixonado, mas devo dizer que tinha até mesmo orgulho disso.

— Quando te conheci eu tentei me afastar justamente porque não queria me enfiar na sua família, eu sempre vi o apego que você tem pela Jiwoo, mesmo quando ela só vinha de vez em quando aqui, mas com o passar do tempo eu que me apeguei e chegou em um ponto em que não consegui deixar de me envolver. — Aquela confissão apenas me deixou ainda mais feliz. — Por isso, fica tranquilo, Jungkookie, eu não quero magoar ela. E nem você.

 

Jimin e eu acabamos pegando no sono no sofá, com o corpo de Jimin deitado sobre o meu. E quando acordei, senti uma mãozinha pequena segurando meu braço enquanto outra fazia carinho em meus cabelos. Abri os olhos assim que notei que o peso sobre meu corpo era menor do que antes, me deparando com a minha ruivinha preferida sentada em meu abdômen.

— Tio Ji pediu para te acordar, porque ele fez o nosso jantar e já ‘tá pronto. — Minha filha disse ainda sorridente. — Vamos comer?

— Claro, bebê, vamos sim. — Sentei com ela ainda em minhas pernas e estiquei meu corpo antes de levantar e encher de beijos o rostinho dela, em seguida fazendo cócegas em seu pescoço apenas para vê-la rir um pouco mais.

Ela quis ficar em meu colo durante o nosso jantar e eu não me importei nem um pouquinho, porque ter Jiwoo pertinho de mim fazia com que me sentisse muito bem, e feliz.

~#~

No sábado, como o dia estava quente, Jimin e eu decidimos levar Jiwoo no parque perto do nosso prédio. Ela ficou toda faceira, quis botar um short azul clarinho, uma blusa amarelinha e o all star rosa que tinha sido presente de Yoongi em seu aniversário. Mesmo sabendo que ficaria toda suada pela correria, não quis prender o cabelo, mas eu deixei uma presilha na mochila dela porque sabia que durante o dia ela iria querer.

Também deixei roupas extras ali dentro, uma garrafa com água e alguns lanchinhos. Era óbvio que ela não iria comer nada dali de dentro, iria me pedir alguma coisa no parque, mas melhor ir prevenido.

Jimin também usava uma bermuda jeans, com uma camiseta preta soltinha e all star, assim como minha filha. Acabei sorrindo pela fofura alheia, e também me senti um pouco constrangido por estar vestindo uma calça jeans e uma camisa social para ir ao parque. Mas era o tipo de roupa que eu tinha, não havia muito o que pudesse fazer para mudar isso.

Nós fomos caminhando para o parque, com Jiwoo segurando a minha mão e também a de Jimin. Ela parecia feliz, e após uma semana de tanta tristeza da minha pequena eu só queria, de verdade, vê-la feliz mesmo.

O parque em questão tinha brinquedos para as crianças, um pequeno lago e muitas árvores, com um gramado limpo e amplo para a realização de piqueniques ou para simplesmente sentar e descansar. Havia uma parte cheia de areia também, que foi onde sentamos para que a Ji pudesse fazer um castelo, como ela dizia querer muito.

— Tem outras pessoas ruivas na sua família? — Jimin perguntou repentinamente. — É tão diferente, a Ji é ruiva natural. É lindo!

— Todos os ômegas da família da minha mãe nasceram ruivos. — Respondi-o. — Também acho lindo, a minha ruivinha parece ainda mais preciosa desse jeito.

Nós três acabamos nos sujando de areia enquanto tentávamos fazer o castelo que Jiwoo tanto queria, rimos muito e brincamos ainda mais. Parecíamos, de fato, uma família.

Em determinado momento, a fome chegou nos dois ômegas ali presentes, mas Jimin parecia envergonhado de admitir isso, enquanto minha filha sem vergonha alguma me puxava pela mão — após eu ter guardado suas coisas na mochila — na direção dos quiosques de comida.

— Papai, eu quero pipoca! — Ela disse empolgada, parando em frente ao homem, que a questionou se ela queria doce ou salgada. — Os dois!

Acabei rindo, encarando Jimin, esse que parou ao nosso lado logo em seguida. O questionei se ele também queria pipoca, mas ele negou com a cabeça, dizendo que iria comprar alguma coisa para si e que já voltava.

Eu levei minha filha para um banco e a deixei sentada confortavelmente do meu lado, prendendo seus cabelos quando ela disse que não aguentava mais o calor. Quase debochei, mas não conseguia, meu lado bobão era muito maior.

— Acho que estou um pouco estranho. — Comentei ao que Jimin voltou. E quando ele sentou ao meu lado com seu algodão doce cor de rosa grudei meu rosto em seu pescoço, inalando seu cheiro com força. — Seu cheiro é tão gostoso.

— Jungkookie! — Ele me afastou, as bochechas vermelhas de vergonha. — Come o algodão doce, eu trouxe para nós.

Prefiro comer você. — Quase não me reconheci ao que sussurrei isso para ele, e em seguida uma forte pontada me atingiu pouco abaixo da barriga. — H-Hyung... liga para o Jin.

O cheiro de todos os ômegas daquele parque começou a me invadir, era incrível como consegui distinguir cada um deles, e ainda assim o que mais me entorpecia era o de creme de avelã. Segurei o banco em que estava sentado com força, tentando manter a sanidade ainda presente em mim, mas se tornou a cada segundo mais difícil.

— Bebê, você vai ficar com o tio Jin uns dias, tudo bem?

— Alerta vermelho, papai? — Eu não tinha explicado para Jiwoo o que era o cio, afinal não era algo para uma criança de cinco anos ter conhecimento, mas eu a disse que sempre que estivesse acontecendo um alerta vermelho, ela deveria ficar com Jin. Apenas concordei com a cabeça. — Tá bom, papai. Eu amo você!

— Eu... — Precisei me segurar quando o cheiro de Jimin se intensificou ao que ele pegou a mochila de Jiwoo dos meus braços e também pegou ela no colo. — Também amo você, minha princesa. — Olhei para Jimin rapidamente. — Jin tem uma mochila com coisas dela na casa dele.

— Vai para casa e tranca a sua porta. — Jimin disse a mim, e eu apenas concordei.

Deixei um beijo na testa de Jiwoo e corri. O doloroso era que quanto mais eu corria, mais sentia meu alfa lamuriar dentro de mim, afinal o ômega que desejávamos estava nesse instante longe.

Durante alguns instantes minha parte consciente ficou preocupada, porque nunca tinha deixado Jiwoo sozinha com Jimin desse jeito, confiando nele para levá-la ao meu melhor amigo, entretanto não iria conseguir raciocinar a tempo de deixá-la com o meu hyung, então precisava acreditar que Jimin era mesmo alguém bom e confiável.

Assim que adentrei meu apartamento os sintomas começaram a vir com mais força e velocidade, ainda podia sentir o cheiro de Jimin vindo do apartamento ao lado mesmo sem a presença dele e isso aos poucos estava me fazendo sucumbir a tudo que aquela maldita febre podia me causar.

Respirei fundo, tirando minha camisa de qualquer jeito e a jogando em qualquer canto possível. Em seguida, tirei meus calçados e também a calça, já não aguentando o calor absurdo que me tomava conta.

— Jungkookie, não sei se ainda está pensando direito, eu só queria avisar que a Ji já está com Seokjin. — A voz de Jimin me fez levantar do chão ao que fui na direção da porta. — Fique bem, Jungkookie, eu vou para o meu apartamento, seu cheiro está muito forte e...

Eu abri a porta.

E talvez esse tenha o sido erro que mais amei cometer.

 


Notas Finais


Sei que muitos querem logo lemon desses dois, mas eu queria avisá-los de que não teremos agora, ok? Sim, ainda vamos ter, mas essa fic é fofa, não quero escrever uma selvageria de cio porque não acho que combine com o estilo da história.
Acho que a fic terá cerca de 20 capítulos, então uma certa coisinha vai acontecer porque precisamos nos encaminhar para o final, não me xinguem kkkkk

Espero que tenham gostado, beijinhos ♥


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...