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História Diário de um vampiro - Capítulo 2


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Capítulo 2 - Uma presença


Edward ficou como uma estátua, esperando pelo que iria acontecer. Estupidez sua, pois ele sabia muito bem o que iria acontecer. Jacob avançou sobre ele, puxando o braço direito para trás enquanto apertava seus dedos em um punho. Na volta, o braço viria com toda a força do mundo, pois Jacob já era um garoto mais forte, provavelmente pronto para herdar o poder dos lobisomens, mesmo ainda não sendo um.

Se fosse em qualquer outro momento da vida, Edward iria se esquivar, se aprontar para a briga, mas ele não o fez. Seus olhos nem fecharam, ele só esperou pelo soco de Jacob, que veio forte, mas não doeu nem uma parcela do que deveria. Pelo menos não em Edward.

“Merda!” Exaltou-se Jacob, levando a mão ao peito assim que ela se desgrudou do rosto de Edward, que sequer havia sentido muito. Ele grunhiu mais uma vez, e Edward ficou preocupado em ter machucado Jacob, mas pelo que ele conseguia sentir pelo ar, não foi nada muito grave.

A audácia de Jacob de adentrar o lar de um vampiro, e partir pra briga com ele era de se admirar, mas ele não tinha seus instintos aflorados, então aquilo era motivo suficiente. E Edward também tinha que encarar a realidade de que, se Jacob se sentia daquele jeito, Edward tinha sua parcela de culpa.

“Me perdoe,” disse Edward, voz quase sem vida. Mas ele não tinha vida mesmo.

Dois metros longe dele, Jacob levantou seus olhos, e Edward podia ver o choro nele. Ao contrário de um vampiro sem sentimentos, Jacob podia chorar, e as lágrimas caíam de seu rosto.

“Você matou ela, seu sanguessuga.” Jacob continuava a deixar as lágrimas cair, seu rosto esmagado de dor, ele ainda agarrando a mão ao peito.

Edward assentiu, porque não tinha o que dizer. Ele não poderia negar que grande parte do momento que eles se encontravam tinha que ver com ele, e sua inabilidade de proteger a pessoa mais importante de sua vida. E que agora não existia mais.

Jacob perdeu as forças e se sentou no sofá, o choro sumindo enquanto a vergonha começava a aparecer. Era mesmo um testamento de sua vida antes de ser um lobo, que ele se permitia ver assim tão nu, seus sentimentos à mostra como se fosse a coisa mais normal do mundo.

“Você quer uma água?” Edward ofereceu quando o silêncio os envelopou na casa. Por um momento ninguém se moveu, mas Jacob sacudiu a cabeça.

“Eu quero que você traga ela de volta. E morra no processo.” Agora a voz dele veio com dor, vingança. Desespero. Era quase como se Jacob quisesse que Edward perdesse sua vida ali e agora, como se fosse possível fazer uma troca.

A verdade é que talvez Jacob ainda nem soubesse tudo que tinha que descobrir sobre Forks, e como a vida dos dois estava, de uma forma estranha, entrelaçada para todo o sempre. Ou pelo menos até o momento em que um dos dois não fosse mais existir.

“Eu preciso ir embora,” Jacob disse, levantando-se do sofá, sem olhar para Edward. A vergonha começava a tomar mais conta dele ainda, e Edward se sentiu mal naquele momento.

Era menos um sentimento puro por Jacob, e mais um reflexo de sua ligação com Bella, e como os sentimentos dela ainda tinham total controle sobre quem Edward era e como seu corpo trabalhava por dentro. Algo em Edward não conseguia se sentir confortável com a ideia de que, de uma forma indireta, ele havia causado sofrimento em tantas outras pessoas. Ele nunca quis machucar humanos, nunca quis beber do sangue deles, e agora suas ações, por mais altruístas que foram, machucaram muitas pessoas em seu caminho.

Ele viu Jacob sair a passos largos da casa, e seu corpo ficou preso ao chão, mas Edward queria ir atrás dele.

Ele não foi.

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Nas noites que se seguiram àquele confronto, eu quase nunca fiquei na minha casa. Muitas memórias de Bella ainda moravam ali, mas em Forks, qualquer lugar me lembrava dela. Se não de seu rosto, do seu cheiro, ou de sua voz, de sua inocência quase que infantil e da forma como ela via o mundo de um jeito tão seu, único. Agora nada daquilo mais tinha importância, porque apenas as lembranças ficam.

Em poucos dias, o cheiro dela não restava mais em lugar algum, pois o tempo se livrava daquelas marcas. O problema era com as cicatrizes que ficaram.

Eu vi Charlie em sua casa, abrindo a porta do quarto da filha na esperança de que ela estaria ali esperando por ele, apenas para descobrir o vazio de sua ausência e ser tomado pelo desespero da perda. Algo em mim queria chegar perto dele e dar um pouco de conforto ao homem que agora vivia sozinho. E que parte de mim se sentia tão sentimental para ele?

Eu não queria o ver sofrer, essa era a verdade, mas não tinha como controlar tudo. Em alguns momentos tive dúvidas sobre a segurança de Charlie, simplesmente porque ele não tinha mais motivos pra viver, mas quem sabe eu era o único que queria terminar a minha vida por causa dela.

Ou talvez Charlie apenas era um homem mais forte do que eu, mas também, eu nem era muito um homem mesmo.

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Em meio a suas noites de vigília perto da casa de Charlie, Edward percebeu uma constante presença por perto. Os lobos de La Push vinham até a casa, mas ficavam a uma distância segura, como se quisessem cuidar de Charlie também. Parte de Edward queria colocar sua marca ali, e dizer que ele era o suficiente para um humano, mas não seria aquilo uma mentira?

Todas as noites a mesma coisa acontecia, e Edward tinha já aceitado seu fardo, pelo resto da vida.

E então algo mudou.

Ele estava nas árvores perto da casa, e já acostumado a ouvir os lobos por algumas horas da noite, ele não tinha seus ouvidos em completa sintonia com o ambiente, por isso mesmo ele demorou mais do que deveria para perceber que havia outra pessoa ao longe, alguém que não pertencia ao território.

Foi tão rápido que ele poderia jurar que aquilo foi obra de sua cabeça, os passos eram diferentes, o cheiro era diferente, a presença parecia uma surpresa para seus sentidos, mas se esvaiu de forma tão rápida que foi até difícil encontrar uma forma de colocar nome a quem estava lá.

Edward ficou a se perguntar por um momento se era alguém que ele conhecia, mas logo seus sentidos foram mais fortes e ele decidiu seguir eles. Seu corpo se desviou de tudo em meio à mata, mas ele não conseguia encontrar mais o cheiro. Apenas detalhes perdidos pela floresta, nada tão forte que o fizesse encontrar algo para seguir, mas ele ainda tentou.

Só achou Alice e Jasper na floresta.

“Eu vi que você sentiu alguma coisa, Edward,” ela disse como forma de cumprimentar ele, Jasper próximo dela, os dois com olhares fixos em Edward, que agora se encontrava em uma clareira algumas milhas fora de Forks.

Ele sacudiu a cabeça, sem saber o que fazer.

“Eu senti o cheiro, ouvi os passos de um vampiro. De um intruso em nosso meio, mas não consegui uma revelação sobre quem seria. Alguém queria passar por aqui, alguém queria ir para a cidade, mas sentiu que eu estava por perto, ou que os lobos estavam perto e deu meia volta.”

Alice parecia pensar por um momento, seus olhos fixos em um mesmo lugar, como se ela estivesse tentando ver o futuro, mas não era tão simples assim. Ela poderia ver as decisões e repercussões do que ela conhecia, e das pessoas que a cercavam, ela não iria ver o futuro de um mistério.

“Nós podemos fazer rondas pelo território,” ela sugeriu, voltando ao presente, e depois olhando para Jasper.

“Talvez sim. Vou conversar com Carlisle.” Edward olhou em volta de si, e depois sacudiu a cabeça. Se aquele vampiro queria realmente aparecer, ele não iria demorar para retornar, o que sempre poderia trazer ainda mais perigo para uma situação delicada.

Eles voltaram correndo pra casa.

Todos estavam ali, prontos para uma discussão.

“Alguém tentou invadir o território,” disse Edward, olhando para todos antes de concentrar seus olhos em Carlisle. “Não sei quem, não sei se vai voltar, mas temos que ficar alertas.”

“Depois do que aconteceu, não podemos deixar escapar mais histórias sobre ataques em Forks. Não tem só a tribo de La Push para nos preocupar,” Carlisle falou.

“Tem mais alguém atrás de nós?” Emmett perguntou, sentado ao pé da escada, Rosalie do seu lado.

Carlisle ficou um momento em silêncio. “Vocês sabem que os Volturi não querem que vampiros sejam uma ameaça para si mesmos e para a sociedade. Se começar a rolar histórias do nosso descontrole aqui…”

Edward sacudiu a cabeça. Carlisle estava certo. Bella foi a primeira, mas a trilha de corpos deixados para trás por causa de James, Victoria e Laurent não seria a única coisa a chamar atenção.

Corpos perdidos era uma coisa. No momento em que essas trilhas de mortes aconteciam de novo, elas começavam a chamar atenção. Sem falar no fato de que os lobos aceitaram a história da morte de Bella uma vez, se mais vampiros começassem a matar perto do território deles, coisas ruins poderiam acontecer. E o que eles menos precisavam era uma guerra civil na península.

“Todos vão participar de rondas no território, duas vezes ao dia. Vamos cobrir a área mais extensa possível, retornando a cidade e depois até aqui. Quero que todos contem suas experiências e usem seu sentidos para procurar por cheiros estranhos.” As ordens de Carlisle eram simples, e Edward queria mergulhar a cabeça naquele momento para ter algo que fazer.

“Essa pessoa não estava indo na direção de Charlie, ou coisa assim?” Perguntou Esme, e todos olharam para ela, e depois para Edward, que sacudiu a cabeça.

“Não sei. Não consegui que chegasse perto o bastante. Mas…” Ele estava pronto para perguntar quando algo apareceu em sua cabeça.

“Victoria,” disse Edward.

“Existe o risco, sim,” comentou Carlisle. “Mas é cedo demais para ter certeza. Estivemos em nosso direito de matar James, pelo simples fato de que ele terminou uma vida humana, mas também porque atacou um dos nossos.”

E então Alice tentou ver mais alguma coisa em sua mente, e Edward queria invadir a mente dela para poder presenciar o que ela veria, mas Edward não queria a distrair, por isso eles ficaram apenas esperando, e esperando, até o foco retornar aos olhos de Alice, e ela deixar sua cara cair em desgosto.

“Não consigo ver nada… Só posso ver ela correndo, mas poderia ser por qualquer lugar.”

Todos ficaram tensos por um momento. Sem saber o que aquilo poderia significar.

Mais tarde naquele dia, eles se dividiram em turnos e rotas pelo territória. Edward foi mais uma vez até a casa de Charlie para checar se ele estava bem. A monotonia de sua existência trazia um pouco de calma para o dia de Edward, pois essa falta de acontecimentos significava segurança para Charlie, e o cumprimento do pedido de Bella.

Ele se sentou no galho de uma árvore, longe da casa para não ser visto, mas perto para ter controle de seus sentidos enquanto ficava a olhar para Charlie. Ainda assim, os mesmos sentidos estavam vagando para longe, tentando procurar pela pessoa a tentar invadir a cidade, e invadir os pensamentos de Edward também. Parecia que as coisas não poderiam ser apenas dolorosas, elas tinham que ser complicadas e perigosas também. Não seria suficiente apenas Bella morrer, mas outras pessoas teriam que sofrer.

Edward estava cansado de ter o sangue de inocentes em suas mãos.

---

Naquela noite, no mais escuros das estrelas, sob a luz do luar, eu ouvi o uivo de dor de um lobo novo. Alguém que estava apenas se transformando pela primeira vez. O uivo soou triste, alto e potente. Vinha de alguém que doía por causa da transformação, mas também por causa de algo a mais. De uma tristeza que se abatia em seu coração. Dava para ouvir tudo naquele uivo.

Assim como também dava para reconhecer a tristeza de Jacob Black por trás daquele som.

Nascia um novo lobo em La Push.

 



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