História Diário de uma suicida - Capítulo 2


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Categorias Fallen, Justin Bieber
Tags Adolescente, Amor, Drama, Suicida, Superação
Visualizações 91
Palavras 1.731
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Crossover, Drama (Tragédia), Festa, Ficção Adolescente, Romance e Novela
Avisos: Álcool, Drogas, Estupro, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sexo, Suicídio, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Como prometido, o primeiro capitulo tá ai.
Eu quero saber o que vocês acharam, então não deixem de me dizer.
E lembrando que estou sempre aberta para tirar duvidas.
É isto amores, boa leitura <3

Capítulo 2 - 1


Ouviu-se um barulho alto ocupando todo o quarto. Alice moveu-se com dificuldade na cama. Mesmo depois de um ano, ainda não havia se acostumado com o frio.
No despertador ao lado de sua cama marcava 6:00m da manhã.
Com uma respirada bem funda ela se sentou. Todos os dias era a mesma rotina: acordar, se arrumar, comer algo e voltar para a tortura.
Levantou em passos lentos e caminhou até o banheiro.
Seu rosto estava amassado e seu cabelo despenteado. Seus olhos inchados denunciavam o choro da noite anterior. Ela respirou fundo mais uma vez.
Sua vida costumava ser tão colorida quando ela era criança. Mas em algum momento tudo mudou. Em algum momento tudo ficou cinza. E ela se lembrava com dor de qual momento transformou sua vida em um inferno.
Abriu o registro do chuveiro e se despiu lentamente. Enquanto sentia a água cair no seu rosto, se esforçava para manter em mente que faltavam apenas dois anos para o fim de sua tortura.
Alice tinha 17 anos e cursava o segundo ano do ensino médio.
Terminou seu banho e se aqueceu dentro de seu moletom favorito. Deixou o cabelo solto, e algumas ondas brincavam no seu rosto.
O caminho até a escola era rápido e tranquilo, e mais rápido do que gostaria, Alice já se encontrava parada na porta da escola.
Depois de seis meses ali, começara a fazer uma espécie de ritual todos os dias antes de entrar na escola. Na verdade, não era nada demais, era só uma forma de atrasar o inevitável.
Havia entrado na escola na metade do primeiro ano. Por sorte, era bastante inteligente, se não, haveria ficado para trás. O ensino do Brasil é totalmente diferente do de Toronto, e Alice passara a vida toda no Brasil.
Assim que terminou o seu pequeno ritual, se direcionou para sua primeira aula, rezando para que fosse tão invisível como se sentia.

 

 

[...]

 

 

 

 

O professor explicava alguma equação que Alice não sentia vontade de prestar atenção, quando ela sentiu uma bolinha bater atrás de sua cabeça.
Todos os dias era a mesma coisa. Ela se perguntava se estudava com adolescentes ou com crianças mal educadas.
Respirou fundo e deixou sua caneta cair de propósito no chão, e a pegou junto com o papel.
Alice estava cansada dos adjetivos que usavam para a descrever. A chamavam de gorda, feia, manchada.
Os cabelos ruivos e as sardas realmente nunca ajudaram muito.
A situação seria realmente engraçada se não a afetasse tanto. Antes de se mudar para o Canadá, nunca pensou que as coisas que via nos filmes de adolescentes clichês fossem tão reais. Mas ali estava ela, sendo alvo de bullying em uma escola canadense.
Antes que pudesse abrir o pedaço de papel estúpido, o sinal tocou lhe trazendo alívio. A hora do almoço era solitária, mas ao menos ela conseguia ter um pouco de paz.
Alice sentia falta do Brasil, não porque lá ela tinha vários amigos, mas sim porque, mesmo que não gostassem dela lá, ela só era invisível, não alvo de piadas sobre coisas que ela não tem controle.


 

 

 

 

 

 

[...]

 

 

Depois do almoço, seria sua aula favorita: artes.
Alice gostava de artes porque não precisava prestar atenção ao redor, e podia se expressar sem ter que falar. O que, pra ela, era perfeito.
Ela caminhou até a sala de aula com calma e distraída, mesmo que fosse sua aula favorita, ainda preferia estar em casa.
Do lado de fora da sala ouvia-se conversas altas e risadas exageradas. Alice sentia falta de alguém para conversar assim. Ao menos no Brasil, ela tinha alguém quando era mais nova.
Se sentou no lugar de sempre e observou a escola pela janela. Havia um sol fraco do lado de fora e ventava um pouco, fazendo as árvores dançarem.
Ela estava tão distraída com o vento lá fora que nem percebeu quando toda a turma fez silêncio.
Carmen, a professora de artes, chamou atenção de toda a sala e sorriu. Era uma mulher de 33 anos com cabelos loiros naturais e olhos castanhos. Era média e estava sempre com algum vestido florido. Era uma pessoa legal.

- Tenho novidades para vocês. - Carmen disse sem tirar o sorriso do rosto.

Toda a turma prestava atenção na professora. Sua voz suave preenchia a sala de aula.

- Esse ano vamos ter uma grande feira de artes na escola, finalmente. - Ela riu e a turma a acompanhou - Bom, eu fiquei responsável por organizar tudo e a ideia principal é fazer vocês aprenderem com os seus colegas.

Ela olhou para Alice nesse momento. Carmen tinha a garota como sua aluna favorita, mesmo que ela não demonstrasse isso para o restante dos alunos.
Alice era uma fotógrafa nata, que tinha muito talento e paixão, e Carmen reconhecia isso.

- Vou separar vocês em duplas e dizer o que vão ensinar uns aos outros. - Carmen disse já pegando uma folha de papel em cima da mesa.

Os alunos estavam animados, mas Alice só se encolhia cada vez mais em sua cadeira. Não tinha nem colegas, como poderia trabalhar em dupla com alguém?
Carmen começou a falar os nomes e o que fariam.

- Emma você fica com a Júlia, e vai a ensinar a dançar.

Júlia era uma menina quieta que conversava com três pessoas na escola inteira, e Emma era a mais popular líder de torcida.
As duplas continuaram e algumas vezes os alunos faziam festa, outras reclamavam.
Alice tentava de todas as formas parecer completamente invisível diante a professora e os alunos. Até que ouviu seu nome.

- Alice, você vai trabalhar com o Justin. Quero que você o ensine a fotografar.

Nesse momento os olhares de Emma e Justin se viraram pra ela. Ela desejou poder cavar um buraco e se enterrar nele, mas apenas afundou mais na cadeira e olhou para as próprias mãos, procurando alguma desculpa boa o suficiente para não apresentar aquele trabalho.

Carmen continuou falando os nomes das duplas e o que ensinariam a quem, mas Alice não prestava mais atenção.
Depois de ter ouvido seu nome, sentia os olhares de Emma a fuzilando.
Ela era uma das que jogavam bolinhas de papel em Alice, e todo mundo sabia de sua paixão por Justin.
A ruiva mantinha a cabeça baixa e mexia os dedos impacientes, rezando para que ninguém notasse o princípio do ataque de pânico que ela estava tendo.
Os quinze minutos seguintes pareceram uma vida inteira, e quando finalmente o sinal tocou, Alice não conseguia se mover.
Pelo canto do olho observou toda a sala esvaziar com rapidez. Respirou fundo pela milésima vez e levantou com cuidado pegando sua mochila.
Carmen estava em sua mesa a aguardando. Já sabia que a aluna tentaria dar alguma desculpa para sair desse trabalho.
Alice se aproximou com cuidado, e sem jeito, chegou perto da mesa de sua professora favorita.

- Preciso falar com você professora.

Alice começou com a voz um pouco trêmula. Ela estava prestes a ter um ataque de pânico.

- Estou ouvindo você. - Carmen respondeu em um tom amigável.

- Eu não posso fazer esse trabalho com Justin. - Ela começou e colocou sua mochila de lado, pensando em alguma desculpa plausível. - Aliás, eu não posso fazer esse trabalho com ninguém.

Carmen a observava com atenção. Seu rosto estava sério, mas não bravo. Ela já estava esperando por aquilo.

- E porque você não pode Alice? - O seu tom de voz era suave.

Alice fechou os olhos por alguns segundos e os abriu novamente ao mesmo tempo em que afastava uma onda de seu cabelo que insistia em lhe tampar os olhos. Não havia nenhuma desculpa boa o suficiente em sua mente naquele momento, então ela decidiu simplesmente ser sincera.

- Você não entende Carmen? Você alguma vez já me viu conversando com alguém nessa escola?

Alice falava de uma forma agoniada. Precisava convencer Carmen e sabia que não seria fácil. Estava se sentindo completamente apavorada.

- A única coisa que eu vejo Alice, é uma aluna incrível com um potencial maravilhoso e um dom natural para fotografia. - Ela começou entrelaçando as mãos em cima de sua mesa. - E a única coisa que eu estou pedindo, é para que essa aluna incrível passe um pouco dos seus conhecimentos para um de seus colegas de classe.

- Não, eu não posso. Você não vê? Não tenho colegas, amigos, ninguém. Não falo com ninguém nessa escola porque ninguém está interessado em falar comigo. Porque você acha que alguém se interessaria em aprender alguma coisa comigo?

Alice já estava exasperada. Sua voz estava beirando ao grito e seus olhos estavam cheios d'água.
Ela se virou de costas para a mesa de Carmen e abaixou a cabeça pressionando os olhos em um tentativa falha de se acalmar.
A professora se levantou da mesa e caminhou até perto da garota.

- Eu entendo Alice. Eu vejo você pelos corredores e na sala de aula. Eu entendo seu medo. - A professora começou com calma. Alguma coisa na aluna era estranhamente familiar em sua vida. - Eu entendo tudo que passa aí dentro por mais que você não acredite.

Alice soltou uma risada baixa, carregada de sarcasmo.

- Sabe Alice - A professora suspirou antes de continuar. - Eu poderia sim deixar você concluir esse trabalho sozinha. Mas não vou. Não vou porque vejo potencial em você e quero que você aprenda algo com isso tudo. Você precisa abrir mais sua mente para as oportunidades.

Alice se virou para a professora devagar. Os olhos estavam tristes e ela já sabia que não adiantaria argumentar, ela já havia perdido.
Carmen sentiu uma dor no peito. A menina se parecia muito com sua versão adolescente.

- Vamos fazer assim então - Disse por fim, cruzando os braços - vocês terão seis meses para  concluir a tarefa. Se você tentar por três meses e não conseguir, nos meses restante pode terminar a tarefa sozinha, e nem você, nem sua dupla irá perder ponto. Podemos combinar assim?

Um brilho de esperança surgiu em Alice. Ela só precisaria tentar um pouquinho e depois desistir. Perfeito.

- Estamos combinadas.

Alice pegou sua mochila e saiu da sala em silêncio. Teria seis meses para pensar em um projeto de fotografia. A ansiedade era tanta que por alguns segundos, ela havia até se esquecido de que teria uma dupla nisso tudo.


Notas Finais


Se tiver com algum erro que eu não tiver notado, por favor me avisem.
Espero que gostem. Amo vocês <3


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