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História Diário de Viagem - Capítulo 6


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Notas do Autor


Oie.
Saudades de todos.

Meus sinceros agradecimentos pela paciência

Capítulo 6 - Uma nova Aventura


Fanfic / Fanfiction Diário de Viagem - Capítulo 6 - Uma nova Aventura

08:00

Nessas alturas, o zé povinho do meu bairro sambava de porta em porta a novidade sobre minha homossexualidade revelada por Kasa. Imagino a família Dexter, gritando saber desde o princípio ou, a família Toodor, criticando a falta de religião da minha casa sem desconfiar que a filha namora secretamente a vizinha.

Quer saber? 

Foda-se.

Sou jovem, bonito, independente, empregado. Se eu quiser farrear com homens e mulheres o que tem? Jamais passou por minha cabeça porém, não ia ser escravo de chantagem ou bancar o idiota para agradar pessoas.

Levantei a cabeça, inspirei meu ego, registrei belas fotos no celular e fui rumo a ilha que sonhei. Devolver ao mar Egeu o coto umbilical guardado pela Senhora Nereu era minha missão.

"Será que seríamos compatíveis? Será que ele pensa em mim? E se eu fosse... gay?"

Depois que passa o efeito do ouzo, vem os efeitos de Kanon! O grego que surgiu dos quinto dos infernos para tentar contra minha vida. 

Meu Deus. Que homem!

Sinto o calor do seu abraço presente em minha pele.

Devaneios tolos. 

Apresso meus passos afugentando os fanrasmas. Inicio com Camus uma trilha circular perigosa, visivelmente ninguém passava por anos naquele desfiladeiro.

Vem a paixão do aventureiro.

Como não se maravilhar com as cores do alvorecer? O fabuloso espetáculo solar com a pura visão encantadora do amanhecer no paraíso. Se era de paz que meu espírito clamava, eis o céu do meu inferno.

- Puta que pariu, Camus. Olha esse mundo… 

O mar e seus tons cristalinos. Dava para ver corais vivos e cardumes debaixo d'água.  Aves mergulhonas, árvores frutíferas, o canto poético do deserto. A vida em forma de liberdade.

Minha dupla não era lá muita paciente, tinha pressa, preocupações e foco. Das raras vezes que trocou alguma idéia pela manhã  foi pra me dar bronca ou fazer advertência: Cuidado com isso, com aquilo, olha onde pisa, non faz, non pode, non fale, non senta, non… non… non

Dou risada. Como pode um velho estar nesse corpo jovem? Imagino ele como professor? Coitado dos alunos. Todavia, não o julgava, ele tinha um objetivo digno, ajudar pessoas doentes.

Antes de chegar no pântano, fizemos um jogo de perguntas para aliviar o estresse e nos aproximar. Foi muito revelador.

- Uma cor? - pergunto. 

- Hã… vermelho?

Olho seus cabelos e unhas. 

Sorrimos.

- Ahan. Homem ou mulher? - 

- Pergunta de vez? - ele franze a testa.

- Você é... digo...

- Sim. Sou gay. Gosto de homens fortes, tipo quarentão,  peludos e braçudos.

Fico pasmo, em choque. Ele segue a revelação. 

- Infelizmente você non faz meu biotipo. Sinto muito.

Nego sua afirmação sorrindo. 

- Um deus grego?

- Zeus, sem sombra de dúvida. - beija o ombro.

- Seu resumo de vida e metas. - me encosto num tronco caído.

 - Ok! Me chamo Camus, tenho 26 anos, gosto de músicas clássicas e instrumentais.  Minha comida favorita, salgados. Vivi num abrigo muito anos, entrei pra faculdade de farmácias aos 17, depois fiz química e pesquisas. Consegui trabalho no laboratório do meu professor como estagiário...

O francês tinha uma entonação perfeita, harmoniosa, segura e uma vida de lutas. O sujeito nunca teve o carinho ou um  lar familiar. Por toda dificuldade financeira e rejeição de minha mãe, eu tive amor, proteção e abrigo.

- Meu primeiro beijo foi com um homem, perdi a virgindade com ele ainda criança. - engole seco essa frase. - Bom, transei com mulheres também e non gostei. Nada contra.  Eu namorei escondido o filho do meu professor, talvez tenha sido o primeiro e único. - recordo de seu término recente. - Eu non amava Suth porém, ele me fazia ser normal. No sexo ele parava quando eu tinha  minhas... crises. Quando non queria ter relações ou conversar, ele compreendia, nunca abusou dos meus medos. - se abraça agônico. - O pai dele nos descobriu, faltou me matar de tanto bater e aí, ele passou  mal, avecesou. Quando morreu precisei sair do país, fui para o interior, depois Alemanha.

Fico com suspeitas e dúvidas, prefiro não vasculhar mais suas feridas.

- Bom. Os planos do futuro?

Ele pega uma pagina velha de algum livro, era o desenho de uma flor e várias cadeias químicas.

- Minha meta de vida é conseguir provar que esta flor misteriosa existe, limpar meu nome, provar minha inocência e... voltar para a França.

Seria ele algum criminoso? Teria ele alguma coisa com a morte de seu professor?

Um macaquinho salta na nossa frente, nos assusta e rouba meu boné. 

- Ei seu... safado. - Ele subiu num galho alto e ficou mastigando o sombrero.

Gentilmente Camus me entrega o seu.

- Pode ficar, aquele ali, já era.

- Sem essa, foi um presente, vou ficar ofendido. 

Ele encaixa suas bolsas andando devagarinho. 

- Sua vez. Uma cor, comida, gênero?

- Certo. Eu Adoro verde, mas não é qualquer verde. - pisco várias vezes indicando meus olhos claríssimos.

Meu avô sempre dizia que eu gostava de falar, para não ser irritante, fiz um curto resumo.

- Tenho 19 anos, recém formado em Geografia. Pretendo ser professor mas, tá difícil no momento. Moro na casa dos meus avós desde sempre, sou apaixonado por Dona Anny Nereu, minha vó. Nunca soube do meu pai biológico mas, gostaria que fosse o tio Julian, pai da Thetis. Ele sempre me deu presentes de aniversário e as vezes me levava para pescar. Trabalho no mercadão desde os 15 anos, banca de peixes, gosto do que faço e sou perfeccionistas. 

- Ah. Também sou. - ergue a mão. 

- Meu primeiro beijo foi com uma garota aos 12, transei pra valer aos 16 e, eu… eu… eu beijei um homem… ontem.

Freada brusca.

- Oi? - o ruivo me fixa surpreso. - Fala sério. Como assim, ontem?

- Juro. Eu nunca antes e... não sou… não era… sei lá… gay. - nessas alturas minha identidade é duvidosa. 

- Non sabe? Achei que me paquerava no hostel. Há, mentira.

Acho que descobri meu problema naquele país, minha simpatia e educação.

- Eu só queria fazer amizade.

- Caramba. Tem cara de… viado. -  zomba.

Notando minha inquietude, ele segura minha mão.

- Enton, e aí, como foi? O cara te forçou, ele tava bêbado, era velho?

- Não, não.

Fico tímido.

- Pra falar a verdade, foi muito, muito bom. Nunca me senti tão seguro e fazendo algo... certo.

Ele arqueia a exótica sobrancelha bipartida. 

- Safadinho. Conta mais. Teve as tais borboletas no estômago?

- Nossa, Camus. Eu quase tive diarreia.

- Ahahahahaha. Tu é bobo. Fala.

 - Ele era lindo, um digno deus grego. Ares… - rimos juntos. - Enorme, forte, saliente, sorridente… um puta homem cheiroso e... envolvente.

Parecíamos duas comadres no portão desvendando segredos ocultos.  

- Com língua?

- Claro né. Foi língua, chupão… mão… - mordo o lábio. - Fiquei duro, bem duro. - mostro o antebraço alto.

- Olha rapaz, para mim você se apaixonou. Foi obra do Cupido. Ferrou.

- Será? Não... - estralo meus dedos nervoso. - Acho que foi ficção, o clima nesse paraíso e do ouzu do Dionísio.

- Terá que experimentar de novo, arriscar e... ser você. - aperta minha bochecha. - Nunca, nunca teve sexo com homem nenhum? Oral ou...

- NÃO... - bebo água.

- E tipo, se tocou com os dedos?

Recordo uma situação constrangedora. Uma das únicas vezes que gozei transando. Era uma mulher experiente, a conheci num aplicativo e marcamos o encontro. Bebemos, tiramos a roupa e transamos ali na sala. Ela não tinha frescuras, gostava de tudo. Fodi sua bunda com tesão, ela gemia alto, rebolava e escorregava o dedo no meu ânus. Fui a loucura, soquei fundo delirante até... gozar.

Me vejo excitado e cubro meu volume. 

- Droga, droga. Foi mal. Acho que preciso de sexo, talvez meu tipo seja as mulheres mais velha.

Camus me olhou diferente, gostou do que viu e ouviu. Aquele papo nada ver foi bem divertido, deu um grau em nossa amizade.

- Vamos trabalhar,  Viadinho. Assim que ganhar muito dinheiro com minha pesquisa, te levarei no BOYS. Você precisa é de homem.

Fizemos nossa rota. Caí, perdi um tênis, rasguei a bermuda, sentei num formigueiro e dei de cara com um escorpião. Definitivamente a natureza estava contra mim. Pego rápido uma pedra e antes de esmagá-lo, sou advertido pelo francês. 

- Tá louco? Non...

- É um escorpião.

O ruivo afugenta o peçonhento. 

-  Você invade seu território e o condena por isso?

- É um escorpião, cara, eles são venenosos.

- Non me digas. - debocha do meu zelo. 

O ruivo registra imagens do trio de aracnídeos e se surpreende com as queimaduras nas patas. 

- Ei, Bian, observe que curioso. Este é, o rei. 

- Hm! Como sabe?

- Nunca ouviu falar do Escorpião rei?

- Só no filme.

Camus revira os olhos.

- Valha me Deus. Affe. Non, o rei é pequeno e tem a calda vermelha. Olhe bem. - cutuca a criatura com um galho. - É o único macho da espécie que acasala sem ser devorado. Consegue ferroar várias vezes sua vítima ou… várias dela. Uma única picada é letal. Seu veneno paralisa o corpo em segundos, os membros e nervos entram em choque enquanto agulhadas dilaceram seus órgãos internos. Morre-se lentamente afogado em seu próprio sangue. - Pobrezinho. Vai em paz.

- Pobrezinho? Acabou de falar que esse carinha é um assassino em série e ainda… tem dó?

- É a natureza dele.

Camus era astuto, inteligente, misterioso, fascinante e… um baita teimoso. Acho que por isso me apeguei nele.

Descobrimos que fomos enganados tardiamente, a ilha Egeu estava a mais de 15 km leste e adivinha, a maré estava baixa. Nossa única opção era atravessar o pântano, um lugar fétido  sujo, podre e cheio de bichos. Talvez até com jacarés gigantes.

Um frio na barriga me invade.

- Oh my Good! Não quero entrar aí. - visualizo a água escura.

- Deixa de frescura, é dó um pouco fria. 

Escuto galhos pisados.

- Camus! Acho que não estamos sozinhos. Ouviu isso?

Ele concorda.

- Vamos atravessar de vez esta fossa. Fique ligado nos movimentos. 

Atravessamos o lugar com cheiro de decomposição e vegetação rastejante. Os pulmões ardiam, o peso era sufocante. Uma das experiência que quero esquecer, o pântano. Foram seis sanguessugas na panturrilha e uma no pescoço. Picadas de pernilongos e insetos gigantes, sem mencionar a estranha sensação de estar sendo observado, talvez por uma anaconda aguardando a hora perfeita do bote.

" Ain, Deus. Vamos morrer...

Meu estômago faz sintonia com cigarras, grilos e aves. Estava no limite.

- Preciso sentar, descansar e comer. Meus pés tem bolhas, caguei meu jantar faz uma hora, preciso repor.

- Você, reclama heim. Podia ter escolhido uma forma menos dolorosa para se matar.

De novo ele puxa o assunto do afogamento.

- Pela décima vez, eu não estava tentando me matar.

- Enton…

- Sei lá. Ouvi meu nome, queria esquecer o lance do beijo no bar e, deu ruim.

Enfim a pausa. 

Sentei a metros do entojado que comia atum enlatado e tomates secos. Abri dois sacos de fandangos sabor queijo e em segundos… acabou.

- Você é um idiota. - ouço o ruivo resmungar. - Esse cheiro de chulé vai atrair até o Kraken dos confins do mar norueguês.  

Dou de ombros.

- Ele que traga o próprios salgadinhos.

- Tome, é energético. - me lança uma latinha gelada.

- Ai sim. Arrasou.

Acho que estamos ficando amigos. 

Depois do descanso fui esvaziar, mijei meio tanque.

- Olha cara, tomara que tenha alguma cachoeira... -  me deparo com o vazio, Camus tinha partido. 

FILHO DA PUTA.

- Camus, Camus… - procuro nos arredores. - Isso não tem graça.  Camus!!!! Cadê você.

Foi cruel imaginar que fui enganou e abandonado a minha própria sorte.


12:00

Passei a suar frio e ter vertigens. Descarrego o peso da mochila e ajoelho. 

" Respira… respira. 

Me oriento sem sucesso. Estava em hipóxia, com visão turva e escura. 

" Vou des...m.a.i.a.r...

Caio de cara no chão.

Meu corpo mergulha em águas profundas e relaxantes. Me sinto em casa. 

Quando era criança sempre apanhava do Kasa. Um dia, Thetis nos convidou para sua festa de aniversário, ele resolveu me diminuir e abaixou minhas calças. Todos riram. Me tranquei no banheiro, tive uma crise asmática e saí quase morto. O pai da loira arrombou a porta me encontrou caído e roxo e me socorreu.

"" B I A N…

"" B I A N…

Meu nome outra vez. De onde será que vem? 

"" B I A N

Acordo com a queimadura em forma de tridente na mão. Aquela lesão não estava ali antes. O celular sem sinal marca quase uma da tarde, me levanto tonto e vejo que estou do lado de uma fonte.

Sabe-se Deus como fui parar ali mas, maravilha.

Tirei roupas e sapatos, pulei na água e me lavei. Fiz várias mergulhos, nadei, boiei.  A água me carregava de energias, renovava meu espírito. 

A visita de macaquinhos me alegra, eles gostavam de brincar e mastigar besouros. Interagi com o silêncio e fotografei as últimas imagens antes de perder a bateria.

Agora nem as horas eu tinha. 

Sigo uma caminhada sem rumo perseguido pelo perigo. Uma sombra avança, não percebo o invasor que sem piedade me agarra pelas costas me prendendo os punhos.

- PERDEU, PERDEU...

- HAAAAAAAAAAA… 

Grito.

O eco foi aterrorizante. 

Aves batem fuga e macaquinhos se dispensam pelas árvores.

Kanon se firme a mais de 100 metros de altura, nota as aves partirem de um mesmo ponto.

- Que grito foi esse?

Saga estranha a repentina distração do gêmeo.

- Algum problema, mano?

- Ouvi nitidamente um grito.

- Foi sua imaginação. Rápido, mais uns metros e chegamos em Pallas.

Esse era objetivo dos gregos, explorar a colina chamada de Pallas atrás de vestígios da lendária flor milagrosa. Uma esperança ou última missão. 

Milo respira ofegante. 

- Tudo bem aí de cima? Quero ser chato não mas, tá muito pesado aqui.

- Aguenta Peçonha. Já vamos puxar. 

Kanon vigia o irmão, temendo seus esforços. 

- Tomou os remédios?

- Sim. Faço isso diariamente. - respira ofegante. 

- Me preocupo, seu coração anda falhando e tens estado muito cansado.

- Porra, Kan. To vivo. Só olhar pra cima. É apenas o calor.

Milo não gostava do mais velho, desde pequeno era seu rival, odiava toda proteção materna e sua superioridade arrogante. Ao seu ver, a doença do primo era castigo.

- Bora gente, tá pesado aqui. - chama uma última vez.

………….

Tropeço nas pernas, tento correr mas, caio.

- So.cor.ro...

- Calma, calma.

Sou pego pelos braços e aprisionado.

- ME SOL… SOLTA…

- CALMA…

Olho bem para o ruivo e desabo.

- CAMUS. Seu… seu filho da puta.

Ziiiiim, ziiiiiim.

A respiração falha. 

- Filho da... da puta. Des.gra.çado… Não  consigo nem… Zimm… zimmm...

- Puta que pariu. - o ruivo fica sério. - Você é asmático?

Zimmm, Zimmm.

O chiado responde por mim.

- Merda, merda. - tira seu relógio e conta meu pulso. - Tá indo bem, respira, de vagar. 

Me senti em trabalho de parto com sua preocupação.  

- Você quase me matou de susto. - sopro ar entre os lábios. - Não faz mais... isso. Ziiiiiim… ziiiiiim.

- Cara, que molenga. - seca o suor e prende os cabelos. - Por que veio aqui? Precisei te localizar no GPS.

Encaro o francês revoltado.

-Ainda pergunta? Você sumiu. Fui mijar e aí... você sumiu.

- Eu fui tentar o sinal de GPS.

- A vá. Mentiroso. Quis se livrar de mim, fala logo.

- A tá. Ia partir sem minha mochila?

- Que mochila? - o olho interrogado.

- As que estão… - ele olha nas redondezas. - Cadê minhas… coisas?

- Tem nada seu comigo.

- Non brinca viado, cadê minhas coisas?

- Pára de graça.

Ele me aponta nervoso. 

- Se non eston contigo, com quem?

- OLÁ... BONECAS.

- AAAAAAAAAH


Milo termina de puxar as últimas bolsas. 

- Caramba. Ouviu isso Léo? - pega o binóculo. - Parece um grito de… morte.

- De certo algum animal foi devorado. 

O loiro dá de ombros e guarda as cordas e trilhos. 

-  Quer uma cerveja? 

O caçula da turma conhecia o leonino desde os dez anos, o admirava e amava. 

- Léo! 

- Hum!

- De tonto só tenho a cara e o jeito de andar. Solta a língua. O que tá pegando?

- Eu heim. 

- Sou teu melhor amigo, pô. Quero apenas o seu bem. Fala.

O fotógrafo mira entristecidos o gêmeo mais velho.

- Tomei um fora. Satisfeito? Foi isso. Às vezes nos apaixonamos pela pessoa errada. É um risco, pode acontecer com qualquer um.

O loiro dá um risinho torto.

- Qualquer um sim, menos eu. Sou vacinado, boy, sei fazer as coisas.  

- Não se gabe Milo. Quando menos esperar, o cupido te pega.

Milo faz o sinal da cruz. 

- Tá amarrado. - soca seu braço.

.................

Ziiiiiimziiiiiiim.

Outra crise asmática.

- Ca.Camus...

- Oh, mon Dieu. Se acalme. - o ruivo tremia.

- Não consigo, res.pi.rar…. Haamm… hammm.

Ele olha arredil os estranhos.

- Quem son? O que querem?

As três figuras se entre olham. 

- O QUE ELE TEM? - me apontam. 

- Asma. - me abana. - Respira,  respira… Devagar. Calma. Foi só um susto.

- Eu vou… mor...mor...morrer.

- Só foi um…

A figura oculta no fim da fila se apresenta, fixa o tapa olho e um lenço.

- Ora, ora. Não é que nos encontramos outra vez…  bonecas.

- Fiodor? - falamos juntos.

- O que significa isso? - Camus se altera, principalmente ao ver seus equipamentos espalhados. - Minhas… coisas. Ei...

- Não tem nada aqui capitão. - um gigante de moicano e dentes escuros conhecido como Cássios vasculha minhas coisas. - Nada de valor e nem flor.

Camus tenta recuperar sua frasqueira térmica e é agredido.

- Que isso? Devolve minhas…

O piloto nos aponta um revólver.  

- Quieto aí, francês. 

Me apavoro, não compreendia uma palavra do grego que usavam.

- A putinha é muito arisca pra você, Mandagoras? Hahahahahaha. - Jamian, o menor do grupo com dentes pontiagudos nos encara maldoso. - Vou ensinar essa bicha ser mais… carinhosa.

- Nem pensar. - Fiodor ergue a mão. - Eu cuido dele... mais tarde.  - mostra os dentes dourados.

Camus respira cheio de raiva e frustração. 

Somos amarrados pelos punhos nas costas, agora era certo, caímos nas mãos de uma organização criminosa. Vi meus euros confiscados e nossa comida devorada. Até o cordão sem valor do meu pescoço os brutamontes tiraram. Ficamos horas observando aqueles filhos da puta destruir os sonhos de meu amigo, eles queimaram o computador, nossos celulares e GPS.

- Camus! Quem são eles?  - falo baixo. 

- Non sei, creio que son piratas. 

O sujeito moicano era bem desajeitado, seu tamanho desengonçado o apresentava desprovido de QI. 

Camus pensa numa investida arriscada.

- Sei como podemos fugir mas, preciso de sua ajuda.

- Como?

- Vê o grandão, pede pra ele te levar pra mijar.

- Eu não quero mijar…

- Vai mijar sim, porra. Escuta. Você é forte, maior que eu. - fecha os olhos e dá um longa inspirada.  - Quando ficar a sós com ele, pede pra ele abrir sua bermuda e o seduz.

- Eu não falo grego. Vou ser estuprado, mané.  Tá louco?

- Calado. Improvisa, faz mímica. 

Eu preferia morrer que trepar com aquele gorila.

- Presta atenção, você vai ser violado e morto de qualquer jeito. Vi os dois tirando a sorte sobre você. Nossa única chance é fugir. 

- Tá, tá bem. Como devo... fazer?

Disfarçadamente ele fala ao meu ouvido tudo que precisava, meu coração dispara, correndo contra o tempo, chamo minha vítima. 

- Ei, psiu, sorry. Por  favor, pode me ajudar? - olho bem meigo em seus olhos de lagarto.

- O que quer? - me arrepio com sua aproximação. - Fala aí. 

- Ele é americano, non fala grego. - o ruivo se faz de interprete.

- E o que ele quer?

- Mijar. Ta muito apertado.

Esfrego meus lábios, cruzo as pernas e indico uma árvore a cem metros.

 - Rapidinho. To quase mijando aqui.

- Sei não… vou perguntar pro chefe, fica sentado aí. 

Que idiota. Fecho a cara.

- Não, não. - Camus o adverte. - É coisa rápida, abre o zíper dele e ajuda a... mirar.

Faço uma reboladinha e aperto as coxas, o grandão se empolga com meu olhar jovial.

Mandagoras estava ocupado, foi fácil ganhar atenção do maior. Me imaginei arrombado por sua vara. O gigante me guiou pelo braço, lambeu os lábios abrindo meu zíper. 

Faço um olhar de puta e me remexo.

- Ain...

- Gosta, é? - ele segura meu pênis. - E eu... adoro garotinhos safados.

- Hum. - conforme ele batia eu fingia gostar. - Oh, yes. Hum. - ele aperta minhas bolas gostando do meu assanhamento. 

Quê nojo, quê nojo. 

Foi a coisa mais nojenta que fiz na vida. Seduzir aquele… animal.

Camus vê Fiodor e fingi tossir, ganha sua atenção. 

Sentiu saudades do papai, boneca?

Tava aí o termo que o francês odiava nos homens antes do sexo, ser chamado de papai. 

- Já pegou o que tínhamos de valor, por favor, nos deixa ir embora.

O malfeitor se curva a beleza exótica do ruivo.

- Diz pra mim, a flor existe?

O jovem estudioso olha para os lados invocado. Ele queria a Riso.

- Non sei mas, se existir, vale muito dinheiro. 

- Como ela é?

- Non falo mai, se me soltar, te faço rico.

Mandagoras puxa seus cabelos ruivo. 

- Quanto?

- Um laboratório alemon ofereceu 2 bilhões por essa pesquisa. Preciso provar que a flor existe e aí... eles fazem o depósito. Te dou metade de tudo que eu ganhar, metade. Tô falando de um... bi.lhão.

O caolho coça o queixo tentado.

- É muito dinheiro, Fiodor. Eles fazem qualquer coisa por essa flor. Podemos nos ajudar e... pedir mais. 

- Tem muita gente pra dividir, não sei. Você é valioso, posso te garantir mas, terei que matar seu amigo. 

Camus teme pelo canadense.

O bandido puxa seu queixo e fala rente a seus lábios. 

- Isso me excita, sabia? - abre o sorriso dourado. - Eu quero te... fo.der.

- Um bilhão, non te excita mais? Pensa bem, ninguém precisa morrer. Precisamos de mão de obra, quanto mais flor… mais dinheiro.

Fiodor cheira sua vítima.

- Tens razão. Você é esperto.

O francês respira enojado e mordisca o lábio de seu agressor com malícia. Deveras, a vida o ensinou a sobreviver. 

- Me solta vai, te entrego a flor, você ganha, eu ganho e…  - cheira seu pescoço. - A gente fode o quanto quiser encima de bilhões. 

- Francês delícia. - o beija lascivamente mordendo seu pescoço.

- Hum… Isso.

Camus finge gostar e esfrega seu corpo ao dele. Chupa sua língua e o lambe.

- Meu pau tá duro, viado.

- Enton... me solta.

 Seduzido pela estratégia, Fiodor desfaz  as amarras e aperta as firmes nádegas francesa.

- Eu quero seu cabelo vermelho voando, suas unhas me rasgando o braço. Vadia… puta… minha… puta. - tira seu falo ereto e melado. - Chupa, vai... chupa.

Camus pega uma pedra, empurra o homem ao chão e senta em seu colo rebolando. 

- Vou te deixar maluquinho e... rico.

- Isso. Faz o papai feliz, faz...

" Papai... aquele nome.


Flashback 

" Isso, mon Petit. Faz o papai feliz, faz... isso.

Camus era apenas uma crianca sendo violada e estuprada por quem acreditava o proteger.

" Non, non posso mais.

............

O grito estridente de Cassios ecoa alto, Mandagoras vacila e Camus acerta sua cabeça com muita violência. 

- AAAAHHHHH. FILHO DA…

A pancada não é suficiente para o abater, o maldito deveria ter pacto com o diabo.

Bian surge descorado com a boca cheia de sangue. 

- Bora, Camus… bora.

- Meus equipamentos. Preciso pegar minhas...

- Esquece mano, bora. Eles vão nos matar.

Jamian atira no alto assim que ver Cassios caído. 

A dupla de amigos apenas reaver um rádio e a frasqueira.

- Corre, Bian… corre. 

Desesperado invadem a mata, morros e desfiladeiros tentando salvar suas vidas.

Fiodor aperta a cabeça lavada de sangue.

- Jaaaaaamian. A caçada vai começar. Chame reforços e me traga aquele ruivo.


17:00hs

Estávamos exaustos, famintos e sedentos todavia, eles pareciam nos farejar a quilômetros. 

- Tamo perto, Mandagora. Sinto cheiro de… queijo.

Camus vê na minha mão um único pacote de salgadinho que recuperei. 

F I L H O D A P U T A. 

Leio seus lábios. Eu não queria ser morto por conta de uns isopores de queijo, rezei e fiquei em total silêncio dentro de um tronco velho.

O cara de corvo se aproxima, seguro a mão de Camus.

- Acho que vejo alguma coisa, aqui. - esboça seu sorriso macabro.

- Viu eles, Jamian?

- Achei sim… 

Meu coração dispara. Dessa vez iríamos morrer. 

- Achei... - ele pega um escorpião.  - Seu fujão. Hehehehe. - o aracnídeo é pego pela calda e ateado ao fogo. - Vai aprender que ninguém foge do Corvo, ninguém. Hahahahaha. 

A pobre criatura se debater até seu final, Camus recorda o escorpião rei, queria seu veneno  naquele momento.

Quanta crueldade.

- Idiota… - Fiodor revira o olho e volta a sua busca. - VAMOS, VAMOS…

O rádio chama e o falso piloto atende.

- Mandagoras,  câmbio.

"" Achou a flor?

- Ainda não mas, vou achar.

"" Te mandei reforços, estúpido. Pense bem no quê fará. Se não achar esse cientista e a minha flor… eu te transformo em isca. Entendeu?

- Sim… senhor. 

Cássios cruza os braços vingativo.

- Vou foder aquele americano até meu pau sair pela boca dele. Desgraçado. - alisa a orelha decapitada. 

Fiquei mudo até ver eles partirem.

- Vão nos matar, Camus. Meu Deus...

- Não entra em pânico, ok. Calma, muita calma nessa hora. - cochicha quase inaudível. - Precisamos de ajuda, qualquer uma.


19:00hs

Descansamos na conhecida cama de Afrodite, duas rochas verticais num penhasco flutuante. Fizemos lanças, juntamos pedras e folhagens. Aguardamos a noite chegar.  Camus temia usar o rádio e sermos localizados pelos homens errados.

Observo uma luz na volta norte da montanha, talvez fogo.

- Camus! São eles?

- Acho que non. É muito longe, talvez, aventureiros. - força a visão. - Estão perto do Olimpo, talvez um dia a nossa frente, bem perto das mãos de Zeus.

Suspira desanimado.

 - Me perdoa, Cam.

- Non foi sua culpa. 

- Foi sim. No barco falei que você queria a flor, agora, eles também querem.

- Esquece. - ele encosta a cabeça no meu ombro. - Ia acontecer de qualquer jeito. Fomos escolhidos desde antes. Estamos encurralados e talvez mortos pelo frio antes do amanhecer.  

- Vamos sobreviver, eu creio.

- Amém. Que seu Deus te ouça. 

Foi neste instante que percebi que no fundo, o ruivo tinha um coração bondoso. Ele se jogou no mar para me salvar, protegeu os escorpiões venenosos, brigou comigo, me ajudou e... me ensinou a seduzir um homem por sobrevivência.

" Arg! Essa parte prefiro esquecer. 

Dou risada.

- Aquele nojento me chamou de nenê. Isso eu entendi. 

Camus sorriu.

A noite caiu repentina e fria, um breu assustador nos dominou, estava exausto, faminto e gelado. Minha única visão era aquele ponto de fogo longe do nosso alcance.

- Ei, Bian. Como se livrou daquele monstro?

- Há, ele ficou empolgado, me soltou e tentou me beijar. Aí... chutei o pau dele e mordi sua orelha suja e nojenta. Ele tinha hálito com odor de pântano. 

- Arg!!!!

Ficamos mudos até outra vez  sua voz quebrar a escuridão. 

- Bian!  Estava tentando suicídio, sim ou non?

Como explicar o que não sei?

Cruzei meus braços trêmulos, ele se compadeceu e me abraçou. Sopro a gás carbônico em forma de vapor. 

- É difícil explicar.

- Temos tempo, não pretendo dormir.

Recordo o grego de sorriso surpreendentemente belo. 

Já se apaixonou por alguém de primeira.

- Non. Sem apegos amorosos. Esse é meu lema.

- E um beijo de amor… tipo… um beijo que te leva a outras dimensões? - Relembro Kanon e seu aveludado toque de paixão e magia. - Você acha possível se apaixonar por alguém que nunca mais vai ver?

Para começar um beijo

Ele vai pra sempre me amar

É assim que vai ser

Sei que ele está por aí

Esperando eu aparecer

Louco pra me conhecer, yeah, yeah

O seu nome eu não sei

Eu me lembro que eu sonhei

E acordei pensando em você

Eu nem sei o que é paixão

Perguntei pro coração

Ele disse que pra eu ter calma

Um dia virá, meu primeiro amor

- Se apaixonou pelo primeiro bofe que te pegou. Ain, Bian. Primeira regra na balada, não se apaixone por ninguém, principalmente se te oferece bebidas.

Fico sem graça. 

- Cara, ele era lindo, acho que nunca mais vou esquecer. 

Camus faz sinal de ânsia. 

- Amor, amor. Que nojo! Você sempre caí assim quando se apaixona?

- Pra falar a verdade, nunca me apaixonei…

- Você é muito carinhoso, sensível, não te imaginava assim. - me abraça. - Fico feliz de te conhecer, ao menos não vou morrer sozinho.

- Cam…

- Hum.

- Como é ser… gay?

- Non existe manual.

Começo a ter outra visão da vida, me empolgo com as possibilidades.

- Perto da banca que trabalho, tem o carinha dos frios. Ele tem um corpo sarado, bonito, me olha com graça. Só é afeminado mas, pra começar… acho que tá bom.

- Cara, na boa, os viados olham corpo e beleza. Isso tudo você tem. Todavia, vamos lá ao seu perfil. Quando o tal Kanon apareceu, o seu termômetro gay foi às alturas, certo? Ele era o quê?

- Grande, forte e bonito, charmoso. - mordo o lábio aceso. - Tudo de bom em um homem.

- Então é isso, seu termômetro gosta de coisa boa, estilo homem hetero. 

- Acho que sim. Sei lá. Ele é divertido e intelecto, experiente, viveu muitas coisas.

- E tu vai atrás de biba mulherzinha, porque? Eu vou te dar uma noção.

Camus me dá várias visões do mundo homossexual e definitivamente, eu era um. Quem era quem na noite, lugares a ir, roupas, lances, filmes...

- Como que rola o... sexo?

- Camisinha sempre e sempre. A maioria dos boys são descuidados, alguns tipo bonito e forte como o Kanon são até soro positivo e nao falam. O ideal non é transar com o primeiro, é difícil controlar um ânus em ebulição enton, camisinha é sua nova identidade.  Você se protege e também protege o parceiro.

- Como sei se sou passivo ou… ativo?

- Praticando, ué. - me olha como se fosse óbvio. - Non gosto disso, acho ridículo alguém perguntar, " quem é o homem da relação?". Affe!!! Somos dois homens. Tem caras que gostam de levar ferro, tem bigodudos de chapéu que usam uma bela calcinha rosa, tem musculoso que de grande só os músculos, lá embaixo, uma ofertinha. - cada vez mais me sinto amparado pelo desconhecido. - O sexo acontece naturalmente, da maneira que te dar prazer e relaxa. Se der o cu na primeira, não quer dizer que será passivo sempre, é o momento. Uma hora vai meter e descobrir o quão gostoso é  foder um cu de homem. O que interessa é o prazer.

O frio apertou, bati o queixo temendo morrer hipotermico. Ficamos mudos vendo nossa respiração esbranquiçadas.

- Camus! - miro a longícua fogueira. - Sobre o sexo, na hora de transar… dói?

Ouço seu riso nasal.

- Ain, Bian. Depende do boy. Dói um pouco, as vezes. Com um bom parceiro isso não é relevante. É gostoso, vale a pena. 

- Estou com muito frio. Ain. Minha boca ta dura.

- Xiiii. Vem aqui. - me abraça. - Vamos nos manter aquecidos até o sol nascer. Aguente firme.

Nos unimos, sentindo o pouco calor que nos aquecia. O francês sela meus lábios carinhoso e gentil, rápido, delicado.

 Eu busco seu olhar de fogo e não vejo.

- Faz de novo. 

Sinto seus cabelos me cobrir. Ele se aproxima e círculo seu pescoço, busco sua boca, sua língua.

- Me beija, Cam.

- Bian... - ele desliza seus lábios frios a minha pele e... nos beijamos calientemente.


Notas Finais


Depois nos falamos melhor.

Aqui está o desafio dessa viagem.
O que podemos esperar?

Camus e Bian ainda vão aprontar e logo mais, inimigos...

Música
Wanessa Camargo.
" Um dia, meu primeiro amor.


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