História Dias de Guerra - Capítulo 11


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Categorias Saint Seiya
Personagens Aiacos de Garuda, Camus de Aquário, Dohko de Libra, Kiki de Áries, Lune de Balron, Miro de Escorpião, Shion de Áries
Tags Camus, Guerra, Kimonohi Tsuki, Milo, Paz, Saint Seiya, Shun, Submundo
Visualizações 29
Palavras 2.267
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 14 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Famí­lia, Romance e Novela
Avisos: Heterossexualidade, Linguagem Imprópria, Spoilers
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 11 - Dia XI - Apaixonados não se atrasam, Aspros. Parte II


Dia XI - Apaixonados não se atrasam, Aspros. Parte II

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-  E então? - Kanon perguntou assim que o mais velho voltou à mesa.

- Eu sabia...Eu sentia que havia algo errado - Respondeu com simpleza, sua expressão lívida em desgosto, enquanto tomava dinheiro de sua carteira para pagarem o café.

- O que houve? - Questionou sério, preocupando-se com o semblante contrário.

- A mansão foi invadida, parece que é um assalto. - Disse simplesmente, indo no caixa pagar a conta.

No entanto, frente a esse comentário o rosto de Kanon se suavizou.

- Olha Saga, me desculpe, você tem muitas habilidades, mas eu duvido muito que prever assalto seja uma delas. - Brincou – Pelo jeito que você falou, achei que fosse algo importante.

Assim que recebeu seu recibo o mais velho olhou descrente para seu irmão.

- Como pode não ser importante? – Exautou-se – São vidas inocentes.

- É só um assalto – Reforçou – Nada envolvendo deuses, exércitos divinos, são apenas humanos atacando uns aos outros. E eu não chamaria os Walden de “vidas inocentes”. Como você mesmo disse, eles tem um passado realmente muito sujo.

- Então você, Kanon de Dragão Marinho, acha que erros do passado jamais podem ser apagados? – Colocou com claro desgosto, seguindo em direção à rua que ficava cada vez mais e mais movimentada de curiosos.

O mais novo não o seguiu a princípio, sentindo o impacto daquelas palavras, apenas quando seu irmão sumia de sua vista que decidiu segui-lo.

Até perceber, que parado um pouco atrás da multidão, Saga o esperava.

- ...Me desculpe, Kanon – Confessou quando o alcançou –  Eu não quis...

- Eu acho – Respondeu simplesmente, vendo os portões que conduziam a um grande jardim. – Que jamais haverá real absolvição para nossos crimes, Saga. Nada, jamais, apagará o que fizemos.

- Mas ao menos podemos...- Apertou os punhos com força, vendo como mais um carro de reportagem estacionava para cobrir os acontecimentos, enquanto uma barricada policial tentava deixar todos distantes – Compensar alguns de nossos pecados.

- E você acha que um bom começo seria salvando um bando de desconhecidos numa mansão cercada por curiosos e câmeras? – Apontava para a repórter e o câmeraman que recém haviam chego. – Quer nos expor ainda mais ao mundo? Eu não sei se esses equipamentos de gravação são capazes de acompanhar nossa velocidade, não vivi tanto naquele santuário parado no tempo como vocês, mas também não sou especialista em tecnologia. Imagina se você for captado quebrando a barreira do som por nem que seja por uma delas, em que situação acha que o santuário ficaria? Athena, o mestre ancião e Shiryu já tiveram muito trabalho convencendo o mundo de que aquele torneio galáctico era apenas uma farsa teatral, como espera que acobertem um homem que ultrapassava a velocidade de um avião militar! – Suspirou longamente enquanto o mais velho apenas baixava sua cabeça, escutando – Por Zeus, Saga, você sempre foi o mais ponderado de nós dois, pense um pouco. Não somos heróis, não podemos nos arriscar a sermos vistos em troca de casos tão civis assim, ia perturbar a ordens das coisas. Países poderiam lutar para ter-nos do seu lado, seria o caos, o mundo humano moderno não está preparado para pessoas como nós. Deixe isso para as autoridades competentes deles.

- E se...Eu tiver certeza que não serei visto? – Repentinamente ergueu a cabeça – E se eu entrasse pelo penhasco? Se você ou eu mesmo me acertasse com a Outra Dimensão, eu poderia cruzar os dimensões e me esgueirar pela parte mais remota da mansão.

Quanto a isso Kanon piscou surpreso.

- Não está falando sério, não é? – Ironizou.

- Se eu chegasse por uma parte tão íngreme ninguém me veria e até poderia enganar essas “Câmeras”, posso convencer as autoridade depois que eu me esgueirei pelo rochedo.  – Começou a falar, mais sozinho do que para o outro.

- Saga – Chamou exasperado – A troco do quê?! “Ah, eu me esgueirei pelo penhasco com altura de um prédio porque achei que salvá-los compensaria meus pecados” – Ironizou. – Quem compraria uma história dessas?!

- Eu não posso só ficar aqui parado, Kanon! – Respondeu tenso, finalmente encarando seu gêmeo. – Eu não sei explicar, eu só...- Soltou um bufo frustrado – Eu sinto que tenho que fazer isso, nem eu sei o porquê, não é que queira me passar por herói. É a mesma razão pela qual sentia que tinha que vir a Dinamarca.

- Sim, eu sei, a tal “Ligação estranha com esse País”. Você só tem falado disso desde que chegamos, e não tivemos grandes avanços até agora, não é? – Contestou subindo ligeiramente seu tom de voz. – Eu fui paciente com esse seu desejo súbito e “não turístico” até agora, mas você está passando dos limites!  

- Volte para o santuário então – Decretou impaciente, algumas quantas pessoas agora já se dividiam entre os desfechos da mansão e a briga dos irmãos em um idioma estrangeiro. – Eu nunca disse para você vir comigo de qualquer modo, então saia do meu caminho!

Novamente o mais novo observou seu irmão mais velho surpreso, com a boca ligeiramente aberta, enquanto esse caminhava na direção do penhasco.

Hesitou, ignorando as pessoas que o encaravam.

Porém não podia deixar o outro sozinho assim, não depois de tudo, a última vez que se separaram, ambos acabaram indo pelos piores caminhos possíveis.

Novamente ao perceber que estava sendo seguido, Saga parou, levando as mãos exasperadas aos cabelos.

-...Kanon, eu não sei o que está acontecendo comigo, é diferente de quando eu...- Engoliu em seco –Me deixei levar pelo lado escuro da minha alma. Na verdade, a sensação é totalmente oposta. Eu sei que soa irracional e absurdo, mas eu simplesmente sinto como se...Algo estivesse me atraindo para cá desde que voltamos a vida, uma sensação cada vez mais difícil de ignorar, e principalmente hoje ela estava mais e mais forte. Senti que tínhamos que vir a essa mansão, e agora esse atentado acontece, não pode ser coincidência.

Voltou-se para encarar o mais novo, mas surpreendeu-se com o que se seguiu.

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Seu rosto virou para o lado depois de receber um sonoro tapa em sua cara.

- Jamais volte a dizer que eu estou no seu caminho, Saga de Gêmeos – Decretou em voz firme – E tampouco pense que se livrará de mim tão facilmente, de novo.

O mencionado levou a mão para a área atingida, ainda surpreso com o movimento.

Sem dar importância a isso, o ex marina seguiu em direção ao penhasco, ignorando o fato de estarem próximos aos mares de Poseidon.

- Eu nunca usei a Outra Dimensão com o fim de transporte, mas a ideia tem seu sentido. – Voltou-se sério para o mais velho – Então vamos de uma vez antes que eu me arrependa. – Então tornou a bufar - A pessoa que me disse para manter distância do mar, é a mesma que decide invadir um casarão numa costa marítima, é bipolaridade que chama, não é?

Quanto a isso, Saga sorriu vencido.

- Obrigado...E me perdoe pelos transtornos.

Com um objetivo único em mente, os irmãos avançaram para parte mais afastada dos terrenos do casarão, de onde já podiam ouvir as ondas se quebrando e visualizar o topo do telhado por entre as copas das árvores que cercavam a construção.

Resolveram por usar a Outra Dimensão cada qual em si mesmo, como os livros antigos da casa de gêmeos descreviam ser possível. Deram as mãos, apesar dos reclamos de Kanon, para tentarem não se separar tanto.

 E conseguiram seu cometido, andando por entre a dimensão de ares cósmicos, até ultrapassarem os muros da mansão.

Contudo, como nessa vida nenhum dos dois jamais havia estado naquele lugar antes, o retorno a terra não foi exatamente como esperavam.

Um grito mudo escapou dos lábios do cavaleiro de gêmeos quando olhou para baixo e simplesmente não havia terra sob seus pés.

Porém,  sua mão seguia sendo segurada pelo ex-marina.

- Está vendo? – Resmungou, fazendo força para puxar o mais velho para a superfície – Se eu não tivesse vindo, teria sido uma bela queda essa sua!

Com os dois agora sob o rochedo, podiam ver a mansão bem mais próxima, embora parecesse estranhamente silenciosa, por entre ainda algumas árvores.

- O que houve com seu ombro? – Questionou Saga vendo como irmão o segurava com desgosto.

- O desloquei – Explicou com simpleza – Precisamos treinar mais essa coisa de viagem dimensional.

Limitou-se a concordar, realocando o membro do companheiro que sequer franziu de dor e ajudando-o a levantar.

- Deve funcionar melhor quando vemos para onde vamos – Seguiu o cavaleiro.

- É, pode ser – O ex marina se voltou a mansão – E agora? Seu “sexto sentido” te diz para onde devemos ir?

Em resposta, Saga apontou para o segundo andar da mansão.

- ....Ceeeerto, depois daqui, iremos numa casa de apostas – Brincou –Lembra o que eu disse, sem velocidades absurdas, vamos tentar agir o mais humanamente possível aqui – O mais velho concordou, e Kanon se sentiu bem sendo quem, pelo menos uma vez, dava as ordens ao outro – Além disso, cuidado com essas “armas de fogo” que as pessoas usam, não subestime essas coisas, não deixe nenhuma te acertar, podem parecer fracas, mas a queimadura que fazem são bem dolorosas.

O mais velho piscou.

- Você já foi acertado por uma? – Surpreendeu-se.

Quanto a isso, Kanon deu de ombros.

- Os Walden não foram a única família rica que tiveram o “privilégio” de sofrerem um atentado, digamos que eu subestimei aquelas coisinhas. Porém, depois falamos disso, vamos de uma vez.

- Sim.

Ambos rodearam ainda parte do bosque que contornava a casa, para então desviar pelos terrenos do fundo, Kanon ia quebrar a varanda com um chute, mas Saga o impediu, alegando que isso faria muito barulho e poderia colocar os reféns em risco.

- Vamos usar a copa de uma das árvores para chegar ali – Indicou uma frondosa que estava há pelo menos um metro de uma das janelas.

- Caramba, eu não subo numa árvore desde os meus seis anos – Caçoou com meio sorriso, ainda assim seguindo o mais velho em seus ágeis movimentos.

Do topo dos galhos, já conseguiram ouvir os primeiros sons estranhos. Pessoas gritando em dinamarquês, enquanto aparentemente negociavam com a polícia que tentava invadir pelo outro extremo do casarão.

- Sabe em quantos são os Walden? – Perguntou Saga. Tentando ver por entre a janela do segundo andar, mas a árvore dava passagem apenas para o cômodo ao lado daquele que era seu objetivo.

- Que eu me lembre. A esposa se chamava Atena, e o seu marido Tristan. – Ponderou ao que o outro lhe lançou um olhar de descrença – É, eu sei, o destino é uma vadia. De qualquer forma, eles queriam ter um herdeiro quando eu estava na mansão Solo, mas não sei se conseguiram.

Saga ia perguntar algo mais, porém um disparo interrompeu completamente sua linha de raciocínio.

-...Esse é o som de uma dessas armas que eu mencionei – Explicou o ex marina com um semblante preocupado – Talvez já seja tar- SAAAGA!

Antes que pudesse terminar, o geminiano saltou do galho em que estava, quebrando a janela formando uma bola com o corpo.

A voz de seu irmão já soava distante, quando correu para onde seus sentidos apontavam que deveriam estar e seu coração pulou uma batida.

Haviam pelo menos dez empregados no chão com as mãos na cabeça, claramente feitos de refém, muitos chorando, outros tremendo, enquanto o corpo de uma mulher padecia no chão, segurando em suas mãos um embrulho, enquanto àquele que, pelo trajar impecável parecia ser Tristan Walden a sacudia com movimentos nervosos.

- QUEM É VOCÊ?

Sequer processou de quem vinha a pergunta, e avançou com tudo na direção dos criminosos, o fator surpresa ajudando a desarmar todos na sala, enquanto os nocauteava com movimentos normais como chutes laterais e socos, o suficiente para desacordá-los.

Quando Kanon entrou no salão, Saga já se ajoelhava ao lado da mulher.

-...Obrigado, obrigado...Mas minha esposa...Minha filha!! – Dizia com voz quebrada o senhor de cabelos castanhos cacheados e barba farta.

Gêmeos adiantou-se, seu irmão não deixando de notar que tremia ligeiramente.

A mulher estava morta.

Porém então, um movimento no embrulho de tecidos que segurava fortemente chamou sua atenção, com sumo cuidado o tomou dos braços de sua mãe, enquanto o pai parecia em choque demais para fazer qualquer coisa.

Um bebê. Seu rosto era claro, seus olhos grandes e expressivos, e os poucos fios de cabelos que possuía eram negros como o ébano.

-...Ei... – As palavras pareciam saltar de sua boca - ...Desculpa te fazer esperar.

- Tem mais pessoas na mansão!

Alertou um dos empregados a Kanon, porém o mesmo não entendeu absolutamente nada do que foi dito, até que novos tiros se ouviram e o ex marina tomou a frente para derrubar quem mais vinha, nocauteando outros três sequestradores com um único chute, porém, enquanto tomava suas armas para si, uma vez que destruí-las seria algo muito difícil de explicar depois, outro bandido surgindo de um corredor lateral atirou aparentemente a esmo, Kanon correu para ele, derrubando o último do bando.

Mas ao seguir a direção que os tiros tinham ido, o ex marina abriu a boca descrente.

- SEU IDIOTA! POR QUE NÃO DESVIOU?!

As palavras pareciam distantes e vazias para Saga, que observava o pequeno rosto estranhamente contente, apesar da situação, enquanto parte do casaco de seu salvador havia sido queimado na parte de trás, depois de ser atingido por três tiros nas costas.

Mas a dor, diferente dos golpes que estava acostumado, eram uma faísca, frente a luz que parecia irradiar daquela menina.

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