História Dias de Guerra - Capítulo 9


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Categorias Saint Seiya
Personagens Aiacos de Garuda, Camus de Aquário, Dohko de Libra, Kiki de Áries, Lune de Balron, Miro de Escorpião, Shion de Áries
Tags Camus, Guerra, Kimonohi Tsuki, Milo, Paz, Saint Seiya, Shun, Submundo
Visualizações 47
Palavras 3.238
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 14 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Famí­lia, Romance e Novela
Avisos: Heterossexualidade, Linguagem Imprópria, Spoilers
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Aos leitores de Guerra e Paz, aconselho ler esse oneshot depois do Capítulo XVI - Tristes irmãos -, uma vez que ele trata de um momento suprimido nesse mesmo capítulo.

Capítulo 9 - Dia IX - Companheiros de templo.


Fanfic / Fanfiction Dias de Guerra - Capítulo 9 - Dia IX - Companheiros de templo.

Dia IX - Companheiros de templo

Estava vivo, mal podia acreditar nisso, não importa quantas vezes olhava para suas mãos ainda aranhadas de ter sido jogado no chão. Porém, independente de suas unhas arruinadas, do seu cabelo cortado rudemente, de suas costas que ainda doíam e seu braço enfaixado, ainda estava vivo, e isso era simplesmente maravilhoso.

Quando foi encurralado por aqueles três gângsters que começaram a surrá-lo em um dos becos de sua querida Paris. Tinha certeza que iria morrer, para se tornar apenas uma estatística. "Um travesti morto em Paris" iam dizer, menosprezando sua vida como se vestir uma saia o fazia ter menos direito de ser chamado “ser humano.”

Mas estava vivo, era isso que importava.

Tudo graças àquele que apareceu e o salvou, Yohma de Mephistofeles, que agora se apresentava simplesmente como Kairos.

O espectro, que na guerra passada tinha sido um traidor como ele, porque ser leal a Thanatos ao invés de Hades era sim uma traição, tinha, aparentemente, conseguido a absolvição do novo imperador do submundo, Shun Kido, e pelos últimos vinte anos tinha atuado como guardião da reencarnação dos demais servos do submundo, consigo incluso.

Ainda lembrava com carinho do homem de cartola que havia impedido seu pai de surrá-lo quando ainda era uma criança, apenas porque tinha pego as maquiagens de sua mãe para brincar. Jamais pensou que teria a oportunidade de agradecê-lo, quem dirá ser salvo outra vez por sua pessoa ou conviver com ele.

E agora teriam, talvez literalmente até demais, a eternidade para conviver um com o outro.

"- Meu senhor, eu concedo minha alma a ti, sob a forma da Estrela Celeste da Contemplação, peço que me permita servir ao seu lado, como um dos 108 espíritos reencarnados."

Porque, depois de ver como o submundo tinha ficado, depois de presenciar a reforma da terra dos mortos que trazia de volta sua velha imagem antes das Guerras Santas contra Athena. Depois de ver a figura sublime do novo imperador, que o extasiou completamente, fazendo-o lembrar de seu saudoso imperador Hades de milênios atrás, não teve verdadeiramente outra opção senão segui-lo.

E agora estava aqui, andando em direção aos templos criados pelo seu senhor para os seus espectros, e já tendo uma missão que cumprir: Criar roupas humanas adequadas e formais para que o imperador, seu irmão e o próprio Kairos pudessem ir aos mundo dos vivos para encontrar-se com a reencarnação de Poseidon.

Nessa sua vida humana, como estudante de moda, sonhava um dia poder vestir as grandes celebridades e figuras ilustres do mundo como uma princesa, quem sabe um rei ou uma rainha. 

Eis que o destino lhe dava a oportunidade de vestir um imperador, praticamente um deus. Por isso precisava ser a vestimenta mais adequada de todas. 

Mas como faria isso tão somente em um dia? Pouco mais que uma tarde!

Enfim chegou a região que Daidalos educadamente havia lhe indicado, uma larga estrada de paralelepípedos romanos em que dos dois lados havia espargidos cinquenta e quatro templos de mármore negro, composto por colunas que os faziam se assimilar a pequenos Partenons, porém, em certa medida pareciam-se mais as doze casas.

“Faz sentindo” – Pensou o espectro enquanto observava o nome das estrelas malignas dos templos escritos em grego antigo “-Afinal, nosso novo imperador foi um cavaleiro de Athena, conhece bem o Santuário. Trofônio deve estar orgulhoso pela mudança arquitetônica.”

Finalmente encontrou o templo negro dedicado a Nasu, ficava ao lado daquele destinado a Satevis e Cassiopeia. Parou encarando esse último, que a estrela maléfica assassina e a estrela maléfica da dor dividissem o templo era uma escolha muito peculiar, Cassiopeia, pelo que havia feito com sua filha, Andrômeda, pagou por sua arrogância sendo castigada a se tornar uma constelação de cabeça para baixo. Assim de específico. Sua alma, cheia de culpa e infortúnio, porém, havia sido amparada por Hades e a mesma assumiu a sobrepeliz da criatura que iria devorar sua filha se não fosse pelas ações de Perseu, o monstro marinho Ceto. Esse “detalhe” era para lembrá-la sempre da dor que ser guiada apenas por seus sentimentos poderia causar a si mesma e aos outros, uma forma ‘submundo’ de ensinar humildade. Desde então “Cassia”, como costumavam chamá-la, se tornou como espectro uma pessoa muito melhor, mais ponderada e racional, ao tempo que era amorosa com todos como era com sua filha que quase condenou a um destino terrível. Era um ótimo contraste perto de mulheres tão agressivas e perigosas como Violate e Queen. Contudo, com o passar das reencarnações, como no caso de todos os espectros, a alma de Ceto havia sofrido muito, acabando por se tornar uma jovem cada vez mais retraída e insegura a cada nova vida, até mesmo o surpreendia que Shun tivesse se dado ao trabalho de criar um templo para a mesma, até onde sabia, Chris Walden, sua última reencarnação, havia desertado das forças de Hades. 

Por outro lado, Satevis era uma pessoa... Estranha, ninguém nunca a via sem armadura e muito menos sem elmo, sequer sabiam se era homem ou mulher, e o fato de ser o único espectro capaz de mudar de forma não ajudava em nada na situação. Hades nunca se importou em esclarecer a confusão tampouco, respeitando a vontade do espectro. Sinceramente não podia alegar nada contra isso, sendo quem era. 

No fim, tudo que sabiam a respeito de Serket era que ela vinha de uma família meio grega, meio egípcia, e havia morrido no deserto no meio de uma emboscada, quando os bandidos e assassinos que controlava haviam tido o azar de abordarem uma caravana com guerreiros de verdade que trabalhavam na escolta. Contudo, como a pessoa orgulhosa como era, ao se ver capturada, deixou-se picar por um escorpião com fim de morrer antes que seus capturadores pudessem pensar em outro fim para sua figura. 

Havia chego ao submundo com a cabeça erguida. Apesar das mãos sujas de sangue, Hades a aceitou justamente por sua coragem de encarar a morte de frente sem pestanejar.

Uma jovem arrependida e um assassino, ou uma assassina, implacável e sem remorsos, não tinha ideia de como essa combinação poderia funcionar. 

Esticou o pescoço para ver dentro, mas o templo parecia vazio. 

- Eles não estão ai, ou elas. – Uma voz às suas costas, contudo, o sobressaltou, quase o fazendo cair, virou-se para ver seu salvador brincando com a cartola há alguns passos de si – Ceto ainda não recobrou as memórias e a alma de Satevis estava tão prejudicada que só conseguimos fazê-la reencarnar há cinco anos. E sinceramente, não sei se sobrou algo de espectro nela.

- Então era uma mulher- Acrescentou interessado.

Quanto a isso, Kairos deu de ombros. 

-...Eu não sei se dois gêneros são suficientes para definir Satevis – Colocou ponderando – Eu diria que ela era algo entre Hermafrodito e Charles-Geneviéve.

- Que específico – Disse erguendo as sobrancelhas voltando-se para seu templo, afinal, tinha muito trabalho a fazer para ficar de conversa.

- Achei que você entenderia – Seguiu o japonês com o sorriso ladeado, seguindo-o – Era alguém francês. 

- Eu sei quem é, mas me surpreende que você saiba –Acrescentou parando de frente a construção que trazia o símbolo dedicado à sua estrela maligna. 

- Eu fui condenado a estar no corpo de Yohma com seu nascimento em 1711, e apesar de nascer no Japão, eu vivi a maior parte da minha vida em um castelo na Alemanha – Respondeu desinteressadamente parando na entrada também - Não era muito difícil saber sobre a vida de outros castelos, e eu tinha certo interesse em Luís XV da França, digamos assim, porque antes de Yohma, eu estive no corpo de seu avô, Luís, o Grande Delfim de França. Acabei ficando curioso sobre que rumo teve a monarquia, e acabei conhecendo um pouco sobre meu pseudo neto, e por consequente ouvi falar sobre seu ilustre amante Charles-Geneviéve, mesmo que não o tenha conhecido pessoalmente, era um sujeitinha interessante.

Ao voltar a encarar Nasu, o mesmo o observava com a boca completamente aberta em choque. 

- VOCÊ SÓ PODE ESTAR BRINCANDO! – Acabou por exclamar fora de si – Você esteve na corte da França!

- Sim, você não? – Questionou inclinando o rosto – Lembro que você também nasceu na França na reencarnação passada.-  Então um sorriso de dentes pontiagudos se alargou em sua face - Só lamento ter perdido a parte que eles cortavam cabeças, deve ter sido uma época engraçada.

A expressão de Verônica azedou.

- Na guerra passada eu nasci no corpo de um camponês de mãos calejadas, foi um enorme esforço dar um trato na pele e aparência antes da Guerra, mas eu pessoalmente agradeço não estar mais na França na época da revolução – Suspirou – Eu diria que Shun e as Moiras foram muito mais considerados comigo nessa reencarnação.

- É, o imperador tem esse problema – Retou importância – Você poderia me deixar passar? – Indicou a porta a qual o espectro mais jovem ainda estava parado na frente. 

- Ah, sim, sim, desculpa. – Acrescentou, sem graça, dando passagem ao outro, para depois franzir a expressão – Espera! Esse templo...

- Sim, nós somos companheiros de templo – Disse fazendo sinal para que o outro o seguisse. 

Ao entrar, a boca de Verônica se abriu novamente, era um quarto tão ridiculamente amplo que seria necessário gritar para que o outro pudesse ouvir se estivessem em um dos leitos de colchão visualmente macio, ao lado das camas, ainda haviam cômodas de madeira reluzente e ao seu lado dois armários do mais negro ébano, fechando com duas enormes mesas com cadeiras de estilo barroco, aparentemente feitas de ferro e couro. E sobre a mesa, que imaginou que pertencia a si, havia papel, e vários tipos de canetas tinteiro. 

- ...Mon Dieu...

- Pelo menos nosso senhor tem bom gosto – Comentou Kairos afrouxando sua gravata.

- Tootalmente...Isso tudo é para nós?! Quer dizer, há milênios tínhamos pequenos quartos, mas não chegava nem perto disso. As doze casas são assim?! Que vida têm os cavaleiros heim!

- Isso eu não sei dizer – Seguiu abrindo sua camisa – Ataquei o santuário, mas não cheguei a ver as residências internas.

- Também nunca vi...-  Disse aproximando-se e tocando o suave lençol com os dedos – É tudo tão fino...

- Todo esse lugar se materializa a partir da energia de Shun, ele precisa de uma referência anterior para então criar e moldar, por isso Trofônio nunca pôde ajudar Hades a cunhar algo mais sofisticado, já que nosso anterior Imperador nunca havia visto mais que os casebres que os ciclopes fizeram para os deuses durante a Titanomaquia, e o templo que Trofônio mesmo construiu em seu nome, no qual ele se baseou para fazer a morada dos juízes. Nosso velho arquiteto precisaria construir pedra por pedra um templo como esse que pisamos e criar seus móveis apenas com a madeira dos campos Asfódelos e rochas do submundo para que Hades pudesse visualizar e reproduzir depois, algo que claramente não era possível. Shun, por outro lado, tem muito mais referências do mundo exterior para conseguir criar coisas como essa – E então tirou sua calça, enquanto Verônica seguia admirando tudo. – Seja se espelhando nas doze casas, ou em algum outro lugar.

- Mas então como o Senhor Shun reconstruiu o submundo, se nunca tinha visto como ele era antes? - Não pôde deixar de perguntar, estranhado, admirando seus móveis.

- Essa é uma excelente pergunta – Um sorriso misterioso tomando sua face – Segundo ele, é porque algumas memórias de Hades ficaram em seu corpo. Você pode escolher acreditar nisso ou não.

Quanto a isso, Verônica franziu as sobrancelhas. 

- E por qual outra razão seria? – Questionou afundando os dedos no colchão.

- Quem sabe...- Terminou com a expressão de quem desconfiava de algo, mas de costas seu companheiro não notou.

- Por sinal – Resolveu voltar ao assunto anterior, pois algo mais havia chamado sua atenção no novo submundo - Eu não vi o palácio dos juízes em nenhum lugar – Ponderou, passando os dedos agora por sua grande mesa.

- Shun se livrou deles, agora os três mosqueteiros terão que dividir seu espaço como todo mundo. Se mal havia espaço no reino para o ego deles, quem dirá dividindo o templo. – Tirou seus boxes, e como o resto da roupa, dobrou e colocou sobre a cômoda, um costume organizacional que não havia perdido desde que trabalhou como mordomo, para então sentar-se na beira de seu leito e começar a tirar os sapatos – Ao menos eu queria que fosse assim, seria épico, mas os juízes foram designados a ficar com seus servos mais leais. Radamanthys e Valentine, Minos e Lune, Aiacos e Violaaate.

Isso fez o francês rir por baixo.

- Aiacos parece que se deu bem – Dito isso virou-se, no momento certo para ver o seu companheiro nu se jogando na cama enquanto se espreguiçava felinamente -...E falando em se dar bem...Ehem – Tossiu.

- Hã? – Perguntou desinteressadamente o deus, sem abrir os olhos – Ah, é, eu durmo nu, se você se importar, problema é seu.

- Aaah, mon cher ami~ - Disse observando o outro de cima a baixo detalhadamente – Ma maison, c'est ta Maison.

- Merci, mon ami – Respondeu em um sotaque carregado, e já um pouco sonolento, mas ainda era possível ver um sorriso pícaro em sua face. 

-...E...Como era viver na corte da França? – Perguntou, sentando-se em sua própria cama sem deixar de esquadrinhar seu companheiro.

- Nem de longe tão glorioso como pode parecer – Respondeu com desgosto – Minha prisão era um inútil, como todos os outros, primeiro da linha de sucessão, mas foi filho justamente do rei que por mais tempo governou os humanos até hoje, não viveu o suficiente para sequer ver a cor do trono, apenas seu neto usou a coroa. Porém, nisso consistia a maldição de meu irmão, me prender em corpos de pessoas que nunca alcançam o potencial que deveriam ter.

- Devia ser frustrante.

- Muito – Foi a simples resposta que recebeu.

O mais velho não parecia se importar minimamente de ser visto nu, o que fez uma nova pergunta surgir a mente do francês.

-...É por isso que você não se importa de ficar desnudo? Por que foi um deus?

Isso chamou a atenção do japonês que inclinou o rosto para vê-lo.

- Para nós deuses a ideia de pudor é estranha, sim. Finalmente alguém capaz de entender isso. – Então desviou o olhar para o teto – Eu vivia assim, totalmente livre em todo meu esplendor, antes de ser selado. 

- Você se veste impecavelmente bem para alguém que gosta de ficar pelado – Seguiu desviando agora a vista para a pilha de roupas delicadamente dobradas. 

- Hmmm~ finalmente alguém com bom gosto, continue não me decepcionando assim, companheiro de templo – Brincou – Por isso eu sugeri que fosse você a desenhar roupas para nós. 

Quanto a isso, Verônica recordou de seu labor, levantando-se prontamente e indo até a mesa começar a rabiscar, nesse meio tempo o oriental sequer se mexeu, embora seguiu falando.

-... Esse gosto por roupas e teatro vem de Mephisto, eu não me importava realmente com essas coisas. Porém me unir a ele foi muito melhor do que seguir naquela prisão, onde eu era apenas um pássaro numa gaiola de vidro, capaz de ver e ouvir, mas sem poder cantar ou voar. 

Havia uma clara melancolia em sua voz enquanto esticava a mão para o alto, como se tentasse agarrar alguma coisa.

-...Por que seu irmão te selou? – Questionou, embora não tinha certeza se devia perguntar isso.

- ...Eu não sei...- Foi a resposta simples do espectro, virando-se de costas, mostrando que a conversa começava a incomodá-lo. - ...Simplesmente aconteceu.

Engoliu em seco, observando a caneta tinteiro que começava a rabiscar o papel. 

-...E o que vem de você? Digo...- Começou, tentando amenizar o clima – O que você, Kairos, gosta?

- Eu...? – O deus caído piscou, como se surpreso com a pergunta, como se ela nunca tivesse sido feita antes, nem para si mesmo - ...Eu...- Engoliu em seco – Eu não lembro...

Um longo silêncio se fez, onde o único som que se ouvia era a ponta de metal riscando o papel. 

-...Da sensação de vento contra meu rosto – Foi apenas meia hora depois que a resposta surgiu, sobressaltando o francês que voltou-se ao deus para ver que esse encarava o teto pensativo – Da liberdade para correr, correr para onde eu quiser, sem me importar com nada, sem ser visto porque eu não quero ser visto, e não porque não passo de uma mancha na alma de alguém.

Era uma resposta muito mais profunda e muito mais triste do que imaginou que receberia, pelo que tinha convivido com o outro até agora, esperava alguma piadinha ou provocação.

-... Dos beijos de minha esposa, seu sorriso, sua voz, a forma como ela surrava nosso filho para ensiná-lo a força a despertar o sétimo sentido.

- Esposa? Filho?  - Surpreendeu-se – Não sabia que você tinha uma família... Ainda mais com cosmo.

Uma risada ardilosa tomou os lábios japoneses.

- Não conhece de Homero um verso – Ironizou como quem disse que o outro não sabia nem o começo da história – Sim, eu tinha. Eu não sei o rumo que a alma dela teve, mas meu filho já reencarnou.

- Isso significa que você é hetero – Colocou com claro desapontamento.

Tal gesto fez Kairos encará-lo.

- Decepcionado?

- Como não ficar? – Fez um biquinho muito francês em sinal de desapontamento - Não se encontra um lindo japonês bem dotado, conhecedor da história francesa, com bom gosto para roupas, que gosta de correr nu por aí, todos os dias – Brincou. 

Em resposta o outro riu, uma risada diferente da anterior, mais suave, sutil. Essa devia ser sua risada sincera. 

- Não se pode ter tudo, suponho. 

- Éee, infelizmente não – Seguiu com um suspiro fingido – Mas em troca da beeela vista que me oferece, eu prometo desenhar roupas de tecido bem leve, de preferência um pouquinho transparente para arejar bastante. Sensação de vento na pele e liberdade, com selo da mais alta costura. Qu'en penses-tu?

- Ce serait magnifique – Completou com um sorriso galante – Parece que vamos nos dar bem, senhor homem de saia.

- Eu penso o mesmo Adônis do tempo~ - Galanteou.

E em menos de uma hora, os desenhos estavam prontos, enquanto Kairos havia caído em um profundo sono depois de mascar algumas raízes de asfódelo. Para completo assombro de Verônica, pela décima vez, uma vez terminada sua parte, Daidalos o informou que os Solo tinham contratos de exclusividade com vários estúdios famosos e pediu sua opinião para que escolhesse qual acreditava que faria um trabalho excepcional em menos tempo.

Era como viver um sonho.

Nunca imaginou que peças tão finas poderiam ficar prontas tão rapidamente, mas assim foi. Em três horas exatas as roupas sob medida já estavam confeccionadas em suas mãos, ao tempo que retornava de Paris através do portal do submundo.

Nada que o nome de uma família bilionária, e um cartão negro da Natwest Black Mastercard, não podiam fazer.

Esse foi um dia peculiar para Verônica, mas foi o primeiro de tantos outros que fez o francês acreditar que seu senhor tinha o que era necessário para herdar o reino de Hades, sem mencionar o começo da excêntrica amizade com o peculiar comandante do submundo.

Afinal, pelas roupas rasgadas mostram-se os vícios menores, mas as vestes de cerimónia e as peles escondem eles.

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