História Die for love - Capítulo 37


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Palavras 4.519
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Crossover, FemmeSlash, Ficção, Ficção Adolescente, LGBT, Romance e Novela
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Pansexualidade, Sexo, Transsexualidade
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


A música utilizada foi "oceans" do "seafret".
Este capítulo ficou muito grande, então irei o dividir em duas partes.
Espero que gostem!

Capítulo 37 - Sofia.


Anteriormente em "die for love"...

Era uma casa antiga, rústica, com suas paredes de cimento queimado branco e telhado marrom.

- Não deveriam ter se separado.

- Você se doou para ela, alguém que não te merece e depois reclama que o amor dói. 

 E depois de minutos a única coisa que sobrou foi a vibração de um celular, a notificação de uma mensagem e Sofia do outro lado da tela com os únicos dizeres:

"Ela se foi".

Capítulo trinta e sete.

"Nunca pensei muito em como eu iria morrer.
Mas morrer no lugar de alguém que eu amo, me parece uma boa maneira de partir".


Os olhos da cubana se abrem aos poucos, devagar, um de cada vez.
Sua visão tomando foco em meio ao branco, e ainda frágil, varre o quarto hospitalar, Sinuh percebe o agito e corre ao encontro da filha.

- Mila! - exclama, as mãos são levadas à garota, mas não chegam a tocá-la.

- Oi, mãe...- cumprimenta, sua voz fraca e arrastada fazendo as lágrimas presas da mulher, finalmente serem liberadas.- não chora, por favor.

Pede ainda sentindo o efeito da dopação causada pelos remédios que invadiam suas veias, ela lentamente alcança a mão trêmula da maior sobre as grades da cama e passa os dedos por seus nós apertados.
Camila não teve tempo de falar com a mãe na noite passada quando seu rosto recebia flash's vindo de todos os lados a desnorteado, microfones eram postos à sua volta e todas aquelas vozes que faziam perguntas...
Todo aquele barulho.
Na verdade, a cubana não conseguiu falar com ninguém além de plantonistas e o que teve com Lauren não foi realmente uma conversa.
Espera... Lauren!

- Onde está a Lauren?

De repente os remédios calmantes já não pareciam funcionar quando seu coração pulsou mais forte e ela tentou se sentar, mas seu corpo era pesado demais para isso.
Sinuh não consegui pronunciar palavra alguma, única ação da mulher foi apertar o botão de emergência que acionou o pequeno alarme no lado de fora sobre a porta que imediatamente foi aberta, mas nenhum médico entrou por ela.

Parecia uma maldita regra seu rosto estar sempre marcado por hematomas ou cortes, curativos como agora, seu andar elegante se tornara duro conforme entrava no local, seus olhos verdes baixos não desprendendo da garota na cama, e então ela parou, no meio do quarto sem saber o que fazer.
O silêncio da hesitação, até que o primeiro ato foi tomado, Camila lentamente abriu seus braços e o fantasma de um sorriso serpenteou por seus lábios até se tornar algo completo quando a morena cobriu o corpo da menor em um abraço apertado.

Quando finalmente os médicos chegaram, paralisaram diante da cena e com um aceno simples da Cabello mais velha, eles retornaram seu caminho sendo acompanhados por ela.
Agora era apenas as duas garotas e os sons de suas respirações sendo sugadas pelas bocas de lábios abertos de quem se controlava para outra vez não chorar, um choro de alívio.
Elas ficaram assim por um tempo, Lauren deitada sobre o corpo da garota que a abraçava e afagava seus cabelos, a cabeça enterrada na curva de seu pescoço, ar quente o atingindo enquanto a morena pensava no que seria dito.

- Fingir não te amar foi a coisa mais difícil que já fiz.

Ela sussurrou em um único fôlego, e com o pouco de força restante, Camila a abraçou forte contra si, ela leu em algum lugar que "um abraço é o encontro de dois corações", e não poderia concordar mais com isso, porque ali, com Lauren devolvendo o aperto aquecido mas inofensivo, a cubana sentiu tudo dentro dela colando outra vez.
Mas a morena se afastou, apenas o suficiente para que pudessem se enxergar, para que Camila pudesse a ver e ver aqueles olhos verdes quê, céus, paleta de tinta alguma seria capaz de identificar tal tom.

- O verde mais verde de todos...- a menor comenta com um sorriso bobo, levando uma mão ao rosto da garota que se inclina sobre seu toque.- pensei que você tivesse ido embora.

- Não mais. Não posso e nem quero mais fingir, eu amo você, vou amar até morrer e independente do que venha depois, vou continuar amando. Então se você ainda me quiser... não mais.

Tudo era muito manso na menor, mas ela conseguiu movimentar bem uma segunda mão ao rosto e o puxar para que seus lábios se encontrassem em um beijo doce. "Você é tudo o que eu mais quero", Camila sussurrou assim que se separaram, o sorriso crescendo largo na maior também.
A Cabello queria Lauren porque sentia que a garota podia a fazer feliz, e não é isso o que todos queremos? Querermos ser felizes mas não sabemos por onde começar, e talvez isso só se torne mais difícil de decidir dada a situação.
Camila era calor, Lauren, o frio.
A Cabello era o silêncio, a Jauregui o barulho. A calma, e o exagero, mas eram uma para a outra, se completavam a sua maneira.


Elas compartilharam a cama mais alguns momentos, tempo esse, em que os médicos voltaram a aparecer, o curativo do ferimento que melhorava foi trocado e todos se animaram quando a cubana reclamou da fome e pediu algo para comer, mesmo que depois fosse trapacear implorando para Lauren comer as cenouras de sua sopa.
E enquanto ela se alimentava, a morena tomou nota dela e como se nunca fosse se acostumar, sentiu o coração apertar com as marcas nos braços.

Pensar que a menor já tentara desistir, lembrar que ela já tentara, na noite em que uma quantidade não recordada de remédios foi tomada na tentativa de matar a angústia de viver como uma prisioneira com sua falsa liberdade.
Mas tudo resultou em seu primeiro beijo com Camila, então, talvez continuar não fosse ruim. É não foi.
Não é ruim, mas muitas vezes é difícil, vezes essas como quando os policias entraram no quarto e as garotas pararam sua luta de polegares para dar depoimentos, apenas um dos muitos que seriam dados nas visitas aos tribunais, nas entrevistas rápidas enquanto saiam deles e em ocasião especiais como quando as mães das últimas vítimas do conselheiro as agradeceram por dar um fim a essa história.

Mas isso tudo seria futuro, agora, o que acontecia era Camila recebendo alta e mesmo sobre a restrição de movimento, a cubana dançou pelo corredor até a irmã na intensão de aliviar o clima e distrair a garotinha que se jogou em seus braços, era bom ver aquele rosto de novo.
E o que acontecia também era que depois de dias podendo ficar afastadas da escola, dias os quais Lauren juntou ela e a Cabello oficialmente em um segundo pedido de namoro durante um jantar com a família da garota, e o resto do grupo: Ally, Dinah e Normani, que decidiram fazer uma visita.

Acontecia a mão de Lauren apertando forte a da então, namorada, enquanto cruzavam juntas o corredor da escola com todos os olhares sobre elas, mas não os mesmos que Camila estava acostumada, olhares de admiração, alguns inveja e outros até mesmo medo.
Provocação alguma foi ouvida, pé algum se pôs à frente dos da cubana quando ela caminhou pelo refeitório e sentou ao lado dos irmãos Shawn e Lauren.

E então, numa tarde com Camila organizando algumas pastas no jornal escolar, o qual ela agora fazia parte como escritora, Austin Mahone chegou de fininho, depois de muito insistir por uma chance e tê-la, ele contou sobre como não deveria ter feito o que fez, como se arrependia.
E a Cabello o perdoou, muitas coisas devem ficar no passado.
Naquele mesmo final de tarde, logo depois do rapaz sair e trombar com a Jauregui que adentrou confusa o local antes de receber uma explicação, a mesma começou a respirar ansiosamente enquanto se disfarçava checando uma pilha de papeis já checados, ela se virou para a garota que esperava com expectativa.

- Bem...- começa, tentando se concentrar em outra coisa que não fosse como suas mãos suavam.- sei que o certo seria eu ter um corsage mas eu nunca realmente acreditei nessa tradição, afinal você, pode dançar com quem quiser...

Divagava nervosa, Camila se controlava para não rir da situação, a sua namorada, a garota que ela amava, estava insegura sobre algo assim, era no mínimo fofo ver a latina maior fechando forte os olhos e cuspindo tudo de uma vez.

- Eu gostaria de saber se você quer comigo ir no baile... ir - se embola antes de respirar fundo e tentar de novo.- gostaria de ir comigo ao baile?

Camila sentia suas bochechas doerem com o tanto que sorria, ela se joga nos braços da maior que responde com um suspiro aliviado.

[...]

- Vocês estão lindas! - Sinuh comenta por trás de um forte flash de câmera.

- Virem de lado, vamos tirar mais algumas...- Clara informa, mas as garotas que saiam de sua cegueira temporária negam.

- Na verdade, temos que ir, não é, amor? - Camila discretamente sugere para a Jauregui que confirma vendo as mães fazendo beicinho.

- Não seja por isso, eu estou a disposição!

Shawn informa, saltando do sofá e indo para o meio da sala das Cabello's, onde a sessão de fotos ocorria, não demora muito para elas voltarem a acontecer.
"Mal vejo a hora de poder ir aos bailes", Sofia comenta.
"Não seja por isso...", Camila estende uma mão em direção à menor que a toma e elas iniciam o que era para ser uma valsa. "Tome cuidado com os pés", Sinuh aconselha para uma Lauren risonha.

- Bem, agora realmente temos que ir...- Camila diz, ofegante abraçando a irmã.- mãe, onde estão as chaves?

Pede procurando, imaginava que fossem com o carro de Sinuh esta noite, mas a mulher não responde, e Lauren pigarreia.

- Na verdade, Camz...

Antes que qualquer coisa pudesse ser dita, a buzina de um veículo é ouvida tocar, os olhos da cubana se arregalam em expectativa e ela corre para fora, não poderia ser o que ela estava pensando...
Lá estava, a limusine ao aguardo deles, a cubana mal acreditava.

- Lauren...- é tudo o que sai de sua boca.

- Você não foi no baile ano passado, esse é o primeiro de nós duas juntas e o último de todos nós. Não achou que eu ia deixar ser qualquer coisa, achou?

Pergunta vendo os olhos da namorada brilharem.
Depois de muitas recomendações e avisos vindo das mães, finalmente o trio estava dentro do carro, eles dançavam e cantavam junto da música alta, Shawn mandava mensagem para Justin enquanto Camila e Lauren subiram pelo teto solar aberto.
Lá estavam elas, recebendo o vento forte em seus rostos, seus perfumes se fundindo em um aroma doce, ao longe podiam ver o baile da escola acontecendo, e eles iam para a direção oposta.

Em algum momento, os braços da cubana se abriram como se podendo barrar o ar que as alcançava rápido.
Lauren caminhou os dedos até chegar em suas mãos, e então as segurou, assim elas ficaram, presas ao calor uma da outra, um pequeno beijo foi dado pela morena, próximo à orelha de Camila que estremeceu.

- Hey, Titanic! - Shawn provoca e as duas garotas finalmente saem de seu transe, voltando para dentro do veículo.

Mais cantorias e risos até que chegaram ao seu destino.
A limusine foi embora, ninguém sabendo como voltariam para casa, mas ninguém realmente se importando com isso.
A única coisa que importava agora, era passar pelas decorações improvisadas da escola desconhecida, para encontrar em seu ginásio, todos os membros do clube a sua espera.
Eles se cumprimentaram, abraços e beijos foram dados e recebidos.

Ponche foi bebido, coreografias dançadas e então de repente parecia que havia apenas eles lá, com sua turma onde todos estavam agarrados pelos ombros e pulavam juntos enquanto gritavam.
A música alta, os confetes, todos tão alegres, e então, a lentidão.
A música calma preencheu o local e os casais se puseram juntos, Lauren caminhou devagar até a namorada e em um pedido silencioso, a cubana arrastou os braços para o redor de seu pescoço e elas balançaram ao ritmo.

Eu quero você;

Sim, eu quero você;

E nada chega perto da maneira que preciso de você...


Os olhos um no outro, marrom e verde.
Camila levemente passa seus dedos pela nuca da garota que arrepia contra o toque e na intensão de evitar o sorriso largo da cubana que percebeu isso, sua cabeça afunda no ombro da menor.
Elas continuam ali, uma para a outra, como deveria ser.

Desejo que eu possa sentir sua pele;

Quando a música novamente se agitou, ambas retornaram do mundo único delas e se lembraram que estavam entre amigos.
Amigos esses quê, mesmo estudando em outra escola estavam na formatura das garotas, gritavam mais do que qualquer um ao ouvirem seus nomes, e comemoravam mais do que todos ao verem elas correndo até eles, realizadas e formadas.

Tudo era amor, de diferentes formas.
Clara nunca descobriu sobre o trabalho da filha, mas descobriu como esses anos todos, foi praticamente sustentada pela mesma, e acabou com isso.
Lauren então tinha dinheiro, e o sonho de viajar sem rumo com uma certa cubana a acompanhando.
E foi o que fizeram.
Tiraram aquelas fotos clichês de turistas na torre Eiffel e no Coliseu, puderam sentir o verdadeiro calor do Texas e Camila finalmente conheceu o Brasil.
Elas se amaram nos detalhes, aqueles que ninguém repara, se amaram daquela vez como se fosse a última. 


E talvez fosse, pois foi quando elas acampavam na praia, em um final de tarde depois da Cabello vencer seu pânico de água quê, a mesma se sentiu afogar e seu corpo fraquejou quando o vômito explodiu na areia.
Lauren correu em direção a namorada, afagou suas costas e pensou no que poderia fazer para ajudá-la, mas sentiu o mesmo efeito sobre si quando avistou a tela do celular que a garota segurava, uma notificação, uma mensagem, uma foto de Sofia amarrada e abaixo "acerto de contas", Ty Dolla anunciava.

[...]

Elas não pararam, a motocicleta não desacelerou em minuto algum até chegarem de novo à cidade que deixaram para trás.
Lauren tentava tranquilizar a namorada, a explicava que Ty não havia encostado um dedo em Sofia, que a briga dele era com elas, e que era isso o que queria.
Mas mesmo assim, todo seu trajeto foi retornado em dias, sem dormir ou comer, até mesmo às barras de cereais eram duramente engolidas enquanto paravam para abastecer e Camila chorava por não poder contar a verdade para a mãe do outro lado da linha telefónica.

Mas mentir se tornou mais difícil quando tiveram que olhar nos olhos da mulher desesperada e dizer que não sabiam o que estava acontecendo, mas iam descobrir.
O antigo local de trabalho da Lauren estava vazio e todos os lugares onde ela pensava que o homem poderia estar, também.
Foi numa noite, ambas as garotas estavam exaustas, fisicamente e psicologicamente, então a Jauregui decidiu já não ser tão discreta.
Ela é Camila foram em direção à um bar luxuoso onde Lucy Vives frequentava.

Tal não foi a surpresa quando a garota estava lá, afundada em uma garrafa de vinho barato, seu reino de poder havia acabado e agora ela consumia o restante de seus tempos de glória.
Graças a Camila, Ty perdeu tudo, e isso ia muito além do dinheiro. Agora Lucy precisava de outra pessoa para lhe dar a vida que ela achava merecer.

- Olhem só se não é o meu casal favorito... - diz sarcástica.- não sei o que vocês querem, mas é melhor serem rápidas, tenho coisas melhores para fazer.

Ela dá um aceno falsamente tímido para o homem sentado à mesa ao lado da delas, quando finalmente larga seu olhar faminto e cínico e se volta para as garotas sentadas em frente à ela, ambas sérias, quase enfurecidas.

- Onde está minha irmã?

Camila pergunta com uma voz arrastada de quem não dorme há dias, Lauren não teria sido tão direta, pois saberia que a garota com elas, faria exatamente o que fez: fingir.

- Sua irmã? - pergunta em um tom irônico. - já tentou procurar no parquinho?

As mãos da cubana se cerram e seu corpo é levado para frente, mas ela é impedida por uma mão de Lauren repousando em sua perna, quando encontra os olhos esverdeados, eles pedem por sua calma.
A morena ia conseguir resolver isso, ela sempre conseguia.

- Ty a sequestrou - Lucy parece engolir seco ao ouvir essas palavras, sua pose caindo alguns segundos antes de retornar.- você sabe algo sobre isso?

- Eu já disse, não tenho interesse algum em saber onde a irmã da sua namoradinha está...

Outra vez informação nenhuma é obtida, a Jauregui torna a encolher contra a cadeira mas Camila avança, estava cansada demais para de importar com todos ao redor.

- Onde está a minha irmã?!

Questiona em um berro para a garota que se afasta assustada com a aproximação bruta, mas ela nada faz além de ficar encarando as garotas, Lauren segura a namorada transtornada e a arrasta para fora, súplicas da cubana enquanto era levada, o choro reprimido e voz cortada.
"Nós vamos encontra-la, está bem?", a morena prometeu no estacionamento abraçando forte a Cabello contra seu peito.

Lucy Vives era uma mulher complexa, com escolhas duvidosas que geravam consequências catastróficas para si mesma, e para outros, embora não se importasse com a segunda opção, uma mensagem surgiu no celular da Jauregui.
Uma mensagem da garota que ela nunca soube explicar qual relação tinham.
Da garota que a chamava sempre que a vontade de ter alguém batia, mesmo caso da noite em que abandonou Camila no clube e teve que fugir ao encontro da garota que a tinha em suas mãos.

Mas nem tudo eram flores, e mesmo sendo obrigada a estar com ela, Lauren conseguia ter empatia por suas noites em que essa garota chorava em seu colo, se arrependendo pelo dia que entrou naquela vida onde o dinheiro não paga as coisas que realmente importam.
Talvez por essas noites que a mensagem tenha vindo, algo discreto mas decifrável para a morena que junto da namorada subiu na motocicleta e foi em frente com a certeza dos dizeres "você sempre pode ter uma revanche".

E então outra viagem, outro bar, esse no entanto, não era luxuoso, quase tão brutal quanto o homem que fumava selvagemente em uma de suas mesas, o sorriso cruel em seus lábios ao avistar as garotas que se aproximaram e outra vez se sentaram sem serem convidadas.
Outra vez perguntas diretas pela parte da cubana, mas as repostas vinham afiadas e com gozação enquanto outro cigarro era apagado contra o cinzeiro sobre a mesa.

- Por favor, por favor...

A latina menor suplicava em seu choro baixo e então foi o limite, quando o homem se aproximou e lançou uma fumaça por entre seus dentes amarelados diretamente no rosto de Camila.
Lauren estava mansa até ali, mas aquilo foi demais, em um movimento rápido ela alcançou o cinzeiro e com ele, atingiu o rosto do homem que caiu no chão.
Todos assistiam alarmados a pessoa com o nariz sangrando e a garota que em um tom alto e firme, questionou uma última vez "onde está Ty Dolla?!".

Ela teve sua informação de imediato, Camila a seguiu atordoada para fora do local em que o homem que atacou Lauren no clube estilo Texas, foi deixado para trás.
O caminho foi silencioso, Camila nunca havia visto a Jauregui reagir daquela forma, mas mesmo tendo seu próprio desafio para lidar com isso, nada foi dito e elas chegaram ao lugar indicado.

Esperavam muitas coisas, outra mansão talvez, mas um porto no meio da floresta de Forks não chegou nem perto de seus pensamentos.
Elas adentraram devagar o estabelecimento escuro e com containers por todos os lados, um labirinto de metal, até elas chegarem em seu centro, o único lugar com luz, a luz sobre uma cadeira onde Sofia estava amarrada.

- Sofi!

Camila vai até a irmã, mas antes que pudesse a alcançar, o som do gatilho sendo ativado, chama sua atenção e ela para quando Ty sai das sobras.

- Confesso que eu já estava ficando entediado, achei que não iam me encontrar - fala em deboche.

- Solta a Sofia!

A cubana ordena, sua pose se tornando pela primeira vez defensiva, o peito estufado, uma leoa preparada para a batalha, não sabia o que viria, mas não queria a irmã no meio disso.

- Não se preocupe, irei soltá-la - fala se posicionando atrás da garota amordaçada.- mas antes, vamos voltar um pouco a história, você tirou tudo de mim... então eu vou tirar tudo de você!

O canivete foi puxado, sua lâmina exposta e Camila longe demais para fazer qualquer coisa além de gritar e disparar em direção ao homem que levou a leve lâmina ao pescoço da menor.
Mas antes que o movimento se tornasse algo real, uma pedra atingiu a temporária de Ty que cambaleou para trás e desnorteado, caiu no chão, o canivete sendo perdido, a arma também.
Enquanto desamarrava Sofia, do outro lado recinto, Kevin foi visto pulando, seus braços para o alto e seu sorriso amplo, comemorando a boa mira, não viram quando ele chegou, mas era bom ter ele ali.

Sofia e Camila já estavam junto de Lauren no meio do local, quando o garoto de volumosos cabelos cacheados ainda se divertia com sua vitória, "isso! Bem na sua cara!", ele gritava em total êxtase, perdido em sua alegria, o mínimo riso foi solto pelas garotas aliviadas por aquilo ter tido um fim, e então o disparo, e Kevin não se mexeu mais, seus sorriso ainda no rosto quando seus olhos se tornaram brilhantes devido as lágrimas, o sangue começando a banhar sua camisa, e ele caiu sem vida.

A Cabello gritou, tentou ir em direção ao amigo mas foi impedida pela morena que a arrastava para trás de uma pilha de entulhos onde Sofia já se escondia.
Camila se sentia querendo vomitar, sentia raiva e dor, tudo o que a deixava sem reação. Mas Lauren agiu, o celular foi pego, um número discado, Shawn do outro lado da linha, "se afaste de todo mundo... preciso de sua ajuda", ela contou, outro disparo e então a linha caiu.

- Camila Cabello... onde está você?

Pergunta o homem, cambaleando enquanto procurava pelo local cheio, as garotas começaram a se afastar, passo a passo, indo em direção à porta pelo labirinto de containers, estavam próximas, quase lá...
Mas algo agarrou Camila, alguém, um dos capangas de Ty, Kevin estava lá, então é claro que haveriam outros.
O braço do homem estava ao redor de seu pescoço, apertando cada vez mais, Lauren e Sofia congeladas à sua frente.

"Vão...", a cubana apela em uma voz esmagada, Lauren não queria deixar sua namorada, mas a segurança da Cabello menor era o que importava agora, ela arrastou a garotinha que gritava pela irmã, até o lado de fora onde Shawn apareceu desembarcando da garupa da moto de Justin que pilotava o veículo.
Mas eles não vieram sozinhos, Dinah, Ally, Normani, o casal Larry e Semi, todos ali.

- "Todas por uma", lembra? - Normani chega avisando para a Jauregui que parecia querer protestar a participação.

E então os outros capangas deram as caras, musculosos e perdidos, não podendo agir sem uma ordem, a mesma que deveria vir do moreno que ainda procurava por Camila, a garota que se debatia nos braços do brutamontes que a segurava, não conseguia respirar, aos poucos não conseguia se mexer, mas antes de desistir, a mão foi enfiada em seu bolso e puxou a lâmina que ainda estava lá, lâmina que foi passada contra a bochecha esquerda do homem que caiu alguns passos para trás, e então a menor correu fraca entre os corredores de entulhos, e no final de um, derrubou o mesmo sobre o homem que já não podia mais perseguí-la.
Olhava para a imagem dele preso quando o ativar de um gatilho foi ouvido atrás de si, e Ty Dolla sorriu largo ao apontar a arma para ela.

- Finalmente, cara à cara...

Diz encarando a Cabello que não tinha para onde fugir, ele grunhe em falso remorso ao se aproximar do corpo sem vida de Kevin no chão, "não toca nele!", Camila exclama quando o homem força o pé contra o rosto de seu amigo, mas tudo o que Ty faz é rir.

- É uma pena, eu gostava dele, mas, tudo o que fazemos tem consequências, tudo tem um preço... é hora de pagar o seu!

Rosna antes de voltar sua atenção para a garota que apenas teve o reflexo de fechar os olhos e esperar o tiro vir.
Mas não veio, porque o homem armado foi jogado no chão e Lauren de repente estava em cima dele, a luta pelo controle, uma luta que a Jauregui não ia aceitar perder, e não perdeu.
Não quando tinha tantos motivos para ganhar, não quando o desarmou e um último golpe foi capaz de pará-lo por alguns minutos, minutos o suficiente para ela se afastar em direção à namorada e Louise imobilizar o moreno.

Estavam todos lá dentro, os capangas, sempre tão de confiança, ao saberem de Kevin, fugiram, todos eles, até mesmo o que conseguiu se desenrolar de onde Camila o deixou.
Sofia estava ali, ela abraçava a irmã que só a soltou quando se agarrou na namorada que respirava com pesar, respiração que se acelerou quando ela saiu brutalmente do abraço da menor e de forma rápida, pegou a arma caída, a apontando para o homem segurado por um Louise tenso e assustado, não tão diferente de todos que acompanhavam o que acontecia.

Lauren estava cega pelo ódio, tudo tremia em si, ela só tinha que puxar o gatilho e Ty Dolla pagaria por tudo o que fez, por todos os anos que a fez sofrer, por ter feito quem ela amava, sofrer.
Era só puxar o gatilho.
Seu corpo relaxa de forma exagerada quando abaixa a arma, todos com ela soltam suspiros que nem sabiam que haviam prendido.
A morena desce na frente do homem que a encara com seus olhos arregalados, mas que sabiam da verdade: Lauren Jauregui não era uma assassina.

- Eu nunca conseguiria, está me ouvindo? Quando sair daqui hoje, saia como alguém que não conseguiria...

Fala voltando a se levantar e dando a ordem para que saíssem, Louise solta o homem que permanece caído enquanto se retiravam, mas Ty também estava cego pelo ódio, o canivete tornou a ser pego e ele correu em direção ao que poderia matar a cubana, Sofia.
Mas a menor foi empurrada para trás e deixou de ser o alvo quando a lâmina perfurou a barriga de Camila, quando entrou arrastada em sua pele e um ar soltou da boca da garota quase que em um gemido estalado.


Notas Finais


Depois de madrugadas sem dormir, cigarros fumados e crises existenciais, finalmente eu voltei, estamos tão perto do final, tenho tanta coisa para dizer, mas deixarei isso para o próximo e último capítulo.
Muito obrigada por estar acompanhando.


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