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História Die Gesichter Der Liebe - Capítulo 1


Escrita por:


Notas do Autor


Muito boa tarde, gurias. Esse não é um horário que eu apareça normalmente, mas foi quando consegui, porque estou sem tempo real ultimamente. E eu sei, essa one shot ficou enormeeee e, acreditem, essa não era a intenção. Eu não queria passar de 6K de palavras, mas acabei me emocionando numa parte. Poderia ter dividido, porém, acabaria com o contexto que criei. E, apesar desse tamanho e de saber que pode ser bem cansativo a leitura, eu não viria aqui se não fosse para trazer uma história massa. Então, leiam aos poucos, mas leiam. Tenho certeza que vão amar tanto quanto eu.

Uma dica: para entenderem a ordem dos atos é preciso que leiam a sinopse.



xoxo'

Capítulo 1 - 0.0 erotes


Fanfic / Fanfiction Die Gesichter Der Liebe - Capítulo 1 - 0.0 erotes

➸ 3° ato: Anteros ▪ Um amor não correspondido produz um ressentimento capaz de causar o caos.

 

TONI KROOS

Há uma linha tênue entre o que é certo e errado. Essa linha é criada ao longo dos anos exatamente na medida em que você molda o seu caráter. E não espere que alguém venha a lhe advertir quando estiver ultrapassando-a. Somente nós temos conhecimento sobre nossa própria linha. E somente nós podemos escolher se queremos ultrapassá-la.

Ninguém mais.

Pareceu absurdamente errado me envolver com uma garota de dezessete anos. Inúmeros motivos deveriam ter me demovido do desejo esfuziante de tê-la tremendo, embaixo de mim, enquanto gozava deliciosamente. No entanto foi só observá-la morder o lábio inferior quando tentava conter uma risada, que todo meu autocontrole fora para o espaço. Claire tinha uma carreira brilhante pela frente e eu já estava no topo, mantendo a Deutsche Bank TK como o banco mais importante da Alemanha. A vida dela até então estava em Nova York, logo ganharia o mundo. E eu estava sempre viajando a trabalho. Era quase como um aviso claro.

E eu que não quis enxergar na época.

Fins para histórias como essa há aos montes por aí. O roteiro conta com o homem rico, que se aproveita da pobre moça até enjoar dela e depois a abandona como se não tivesse importância alguma. A questão é que os papéis se inverteram comigo. E a posição de homem abandonado ainda traz um gosto amargo.

E difícil de esquecer.

E quando não se esquece algo, você tem duas escolhas: agir ou aprender a conviver com as lembranças.

Definitivamente, eu fico com a primeira opção.

Poucas foram às vezes que vim em Los Angeles. Essa cidade nunca fez parte de minha rota em função do trabalho. Algo que está para mudar num piscar de olhos, pois abrir uma sucursal da Deutsche Bank TK aqui fora uma tacada de mestre.

E quando adentro a propriedade dos Lewandowski logo percebo olhares sobre mim e minha esposa. Nina mantém um sorriso no rosto, mas sei que está nervosa com o que vamos lidar em instantes. E não vai demorar nada. Os convidados nos cumprimentam a medida que caminhamos pelo jardim decorado, até que um par de olhos azuis nos encaram com certa surpresa e pavor.

Depois de longos dez anos se passarem, novamente estou frente a frente com Claire Morgan. E a maldita não poderia estar mais bonita.

Inferno.

Seu peito sobe e desce como se estivesse com dificuldade para respirar. Posso até jurar que espera ferreamente para que esteja vendo uma miragem. É engraçado, não nego. Todavia o tempo passa e as ações se fazem presentes, fazendo com que meus devaneios sejam cortados. Uma pena, eu diria.

- Já estava achando que não viria mais, Kroos. - Robert traz consigo a noiva e nos lança um sorriso amigável. Sinto uma pontada de raiva, algo que causa certa surpresa, mas não me apego muito a esse fato.

Talvez seja apenas a raiva, que sinto de Claire, dando o ar da graça.

- Acabei tendo uns problemas pra resolver em Nova York, o que fez nosso voo atrasar. - Respondo, retribuindo o sorriso. 

- Entendo. - Ele assente e logo seus olhos pousam em Claire. Não sei se ele é capaz de notar, mas a americana também está com raiva. Posso sentir a quilômetros de distância. - Essa é minha noiva Claire Morgan. - Nos apresenta a pessoa que já conhecemos sem que faça a menor noção disso, o que me faz segurar uma risada. - Claire, esses são o senhor e senhora Kroos. O Toni é o CEO da Deutsche Bank que eu comentei que fechou negócio comigo há um mês pra construção da nova sucursal do banco aqui em Los Angeles.

Os olhos de Claire parecem mais com duas pedras de gelo. Não há nenhuma expressão suave em sua face. Nina se remexe, nitidamente nervosa e temerosa com a situação. E eu me mantenho tranquilo, com um sorriso no rosto, esperando por sua reação.

- Oh, sim. - Ela sorri docemente para o noivo e então torna a nos encarar. - É um prazer conhecê-los.

Não dá para perceber, exceto se você a conhece bem. Todavia, noto o tom enfurecido em sua voz. É quase como se estivesse perguntando o que está acontecendo - não de uma forma amigável, certamente.

- O Toni vai comprar uma casa aqui em Los Angeles, querida. Talvez você possa ajudar Nina com o que precisarem. - O pedido de Robert faz com que ela o encare um tanto desgostosa, sem perceber que deixara suas emoções transparecerem. Mas em poucos segundos Claire recupera sua pose, nos lançando um sorriso forçado.

- Com certeza. Agora se me derem licença, preciso verificar algo no bufê. - Ainda mantém o mesmo sorriso na face. Quer mostrar que não se importa com nada do que está acontecendo, mas em determinados momentos suas emoções transpareceram. Eu notei e tenho certeza de que ela sabe disso.

- Claro. - Respondo lançando um olhar muito conhecido pela americana. Algo que a faz suspirar e nos deixar aqui, praticamente saindo às pressas.

Recomeço auspicioso para alinhamentos.

Caminho por entre essas pessoas, com a taça de champanhe na mão, enquanto cumprimento a todos com um aceno. Não conheço todas essas pessoas, obviamente, e esse é um dos motivos pelos quais grandes executivos comparecem a esse tipo de evento.

Negócios.

Estamos sempre atrás de um novo meio lucrativo.

No entanto, essa noite é um pouco diferente. Não vim até aqui para firmar nenhum investimento. Vim para um acerto de contas, por assim dizer.

Um acerto de contas com o passado.

Claire parece sempre ocupada demais com os convidados, sendo simpática e solicita o tempo todo. Com todos, menos comigo e com Nina, obviamente. Não fazemos parte do seleto grupo de pessoas que merecem sua atenção. Fica ainda mais claro quando evita permanecer mais que cinco minutos em alguma roda de mulheres que contenha a minha esposa.

- Eu acho uma tremenda loucura você estar fazendo isso. Se o seu irmão sonhar que fechou negócio com a empreiteira do noivo da tal mulher por quem você se apaixonou anos atrás, o Reus vai surgir aqui na América causando um furacão. - Brandt surge ao meu lado, em um dos raros momentos longe de sua noiva, Fernanda.

- Por que não relaxa um pouco? Esse é o seu final de semana de folga, afinal de contas vem tratando em toda papelada pra que não percamos tempo em iniciar a construção. - Digo tomando um gole da bebida.

Um dos advogados da Deutsche Bank sorri ironicamente, pronto para dizer alguma frase carregada de ironia. Nada que eu já não esteja habituado.

- Não há como uma pessoa descansar a cabeça tendo conhecimento sobre o que eu tenho. - Ameaça se afastar, mas dá meia volta, tornando a ficar em minha frente. - Você só está tranquilo porque é louco. E a sua dor de cotovelo ainda está vivíssima. Caso mais do que sério.

Antes que eu possa lhe retrucar, Julian se afasta por completo. Torna a se aproximar de Fernanda e logo os dois se entrosam em uma conversa com um casal que não faço a mínima ideia de quem sejam. E nem faço a mínima questão de saber, pois tudo que realmente importa é esperar pelo momento onde poderei ter uma conversa a sós com Claire. Esperei pacientemente por dez anos. Não que tenha deixado de viver nesse tempo. Apenas mantive aceso o desejo de revê-la e precisava ser numa situação vantajosa.

Nada menos que isso.

E não pode haver um momento melhor para termos nossa conversa do que quando a vejo entrar na enorme mansão.

Caminho a passos largos, temendo perde-la de visão. Talvez seja imprudente agir com tanta pressa, mas a possibilidade de não conseguir o que quero, faz com que haja por impulso. Fico satisfeito quando a vejo parada em frente a uma porta. Uma das mãos está ocupada mexendo em seu celular enquanto a outra segura a maçaneta. Quando nota minha aproximação, Claire ameaça se afastar, todavia sou mais rápido em pegá-la pelo braço, fazendo com que entre comigo no lavabo.

- O que pensa que está fazendo? - Questiona puxando o braço com tanta força que consegue se livrar de mim, mas não por completo, pois tranco a porta e guardo a chave no bolso de minha calça.

Um sinal claro de que teremos nossa conversa, ela querendo ou não. 
 

 

➸ 1° ato: Himeros ▪ Desejos ardentes podem ser um presságio do que está por vir. Seja algo bom ou ruim.

 

NARRADOR

Dez anos atrás

 

O coque bem feito deixava dois fios de cabelo livres. A maquiagem leve nos olhos com um delineado delicado combinava com um batom vermelho para destacar seus lábios. Nada que fosse surpreendente até então. Todavia o vestido preto com gola choker a deixava um pouco insegura. Não era pelo comprimento, que ia até um palmo abaixo do joelho, tampouco pela fenda na perna esquerda. O problema de Claire era o decote extremamente generoso, com detalhes em renda, que destacavam deliberadamente os seios fartos. Quando se olhou no espelho pela primeira vez chegou a sentir-se poderosa, como se não tivesse apenas dezessete anos, mas com o passar do tempo a realidade bateu a sua porta e o nervosismo passou a tomar conta de si.

- Claire, você vai fazer um buraco no chão daqui a pouco. - Nina tornou a sentar no sofá, acomodando-se entre as almofadas.

- Eu não devia ter aceitado essa loucura. - Passou a mão pelo rosto, num gesto que demonstrava exatamente o que estava sentindo.

- Se você não for a esse jantar, eu vou ter que ligar pra agência e dizer que não posso aceitar o serviço. - Lamentou-se realmente preocupada. Estava longe de ser um emprego possível para a bailarina, mas aceitava numa boa conviver com as diferenças – o que não significava que tinha que ajudar Nina, não da maneira como o faria.

- Mas você está doente, Nina. – Tentou pela enésima vez usar aquele argumento, contudo sabia a resposta que a amiga usaria.

- Eles não ligam pra isso. O cara me escolheu então eu preciso estar disponível caso contrário, posso até ser demitida. – Explicou, espirrando logo em seguida. O chá, que Claire preparou as pressas, ainda estava pela metade. No entanto, nada era mais importante do que desenrolar aquela história de uma vez por todas.

- Não seria nada mal se isso acontecesse. Todos acham que você está indo para o último ano da faculdade de direito, no entanto está trabalhando como acompanhante. - Claire disparou sem se importar por jogar aquela verdade na cara da amiga.

Não era mesmo a primeira vez.

Ambas se conheciam desde crianças, uma vez que suas mães eram amigas. Com o passar dos anos foram se distanciando, porém quando Claire fora para Nova York estudar na Juilliard School, rever a amiga de infância pareceu uma excelente ideia - assim como dividir o apartamento com a mesma.

Agora ela já não tinha mais essa certeza.

- Por favor, Claire. - Implorou. - Você está tão linda, nem parece que é menor de idade. Ninguém vai notar e você só precisa acompanhar o cara no jantar, nada mais que isso. Além do mais, você é rica e vai tirar de letra ter que lidar com esses eventos maçantes.

Aquele apelo em muito se parecia com o utilizado por Nina quando conseguiu convencer a amiga a ajudá-la. Sabia que no fundo Claire não desistiria. Só estava receosa, sem saber o que esperar daquela noite. Era esperado que ela fosse ter algum tipo de recaída quando se aproximasse do horário combinado com o empresário alemão.

- Tudo bem, eu vou.

E talvez se soubesse o que a esperava, ela não teria caminhado em direção ao Bentley estacionado na frente do seu prédio.

Mas ela o fez.

Ao lado do automóvel, um homem alto, vestindo um terno sob medida, conversava ao telefone. Parecia alheio a qualquer movimentação, falando constantemente enquanto verificava o horário em seu Royal Oak. Ela saberia reconhecer aquele objeto a quilômetros de distância. Crescera rodeada de luxo. E poderia jurar, pelo corte do terno, que se tratava de um Hugo Boss. Nada impressionante, levando em consideração que Nina lhe dissera que o homem que a havia contratado era extremamente rico. A surpresa mesmo ficara a cargo da aparência dele. A californiana acreditou que teria que passar horas com um homem velho, que certamente ficaria babando em cima de si e que talvez fosse querer algo a mais que o tratado com a agência. Jamais passou por sua cabeça que se trataria de alguém mais jovem. Muito menos que ele fosse bonito.

Bonito pra caralho.

E com um olhar tão penetrante, que a deixou com as pernas bambas no exato momento em que se virou, encarando diretamente seus olhos.

Não se podia dizer que Kroos se encontrava muito diferente dela. A diferença é que ele nunca deixava transparecer suas emoções. E, claro, estava acostumado a sair com belas mulheres, no entanto nenhumas delas compôs um combo tão perfeito, esteticamente falando. Um corpo de tirar o fôlego e um rosto angelical. Nada disso anulava o fato de sentir-se atraído por Claire, de forma instantânea e nada casta. Mas não era só isso. Havia algo estranho pairando em sua cabeça. Algo que só faria algum sentido mais pra frente.

- Toni Kroos? - A voz da americana soou como uma pergunta, mas poderia ser como uma canção também.

- Sim. E você quem é? - Perguntou olhando-a dos pés a cabeça. A vontade crescente de beijá-la o deixando confuso.

- Sou a Claire, amiga da Nina. Ela não pôde vir e me pediu pra substituí-la. - Respondeu tentando soar o mais tranquila possível.

- Então sua amiga não pôde vir e ao invés de avisar pra agência me comunicar, pediu pra uma amiga vir em seu lugar. - Comentou, colocando as mãos no bolso.

A frieza com que conduzia a conversa a fazia imaginar o quanto aquilo tudo fora uma péssima ideia. Claire queria, literalmente, sair correndo mesmo que seus pés parecessem colados no chão. Contudo, ainda que o nervosismo a consumisse, ela continuava sendo alguém que não costumava baixar a cabeça em nenhum momento.

- Você pode ligar pra lá, fazer uma reclamação e pedir que mandem outra. - Deu as costas para o alemão, mas não conseguiu dar mais que dois passos, pois a mão firme dele a segurou pelo braço.

- Não disse nada sobre não querer sua companhia. Só estava entendendo a situação. - Lhe dirigiu um meio sorriso que a teria feito cambalear para trás se não estivesse sendo segurada pelo alemão. - Eu detesto me atrasar, então seria melhor se fôssemos logo para o restaurante, a não ser que você não queira mais, Claire.

Um desejo sexual não escolhe o momento mais oportuno para surgir, tampouco seleciona pessoas ideias para tal sentimento avassalador. Esse tipo de coisa acontece no momento mais improvável, sem que tenha consciência disso. Tampouco é capaz de frear as sensações de urgência que surgem intensamente.

Ambos podiam se enquadrar nesse seleto grupo de pessoas que estavam destinadas a sentirem uma forte atração, independente dos motivos pelos quais não deveriam seguir em frente com a vontade insana de se saciarem ao máximo.

- Claro, nós podemos ir. - Forçou um sorriso temendo deixar escapar um suspiro pesado.

A certeza em sua afirmação era uma incógnita. Claire queria conseguir desistir daquilo em algum momento, mas só conseguia pensar no quanto queria sentir aquelas mãos firmes passeando por seu corpo.

Um delírio, talvez.

Todavia um delírio compartilhado, uma vez que Kroos passara a sentir uma excitação dolorosa, beirando a insanidade.

Um completo e sórdido desejo sexual.

 

 


➸ 2° ato: Pothos ▪ A paixão fora feita para os inconsequentes externarem o quanto a mesma pode ser letal. 

 

NARRADOR

Dez anos atrás

 

Dizer que o jantar fora um fracasso seria um eufemismo. Os executivos eram maçantes e somente conversaram sobre negócios. Era um ambiente familiar, então fora extremamente fácil saber lidar com aquelas pessoas. Agir de forma polida, sem risadas extravagantes e comentários inoportunos, fazia parte do seu cotidiano. Odiava, é claro, mas crescera dessa maneira. Estava habituada. Todavia isso fora uma grata surpresa para o alemão, que temeu passar algum tipo de constrangimento aquela noite. É fato que as acompanhantes de luxo sabiam como se portar, mas aquele não era o caso. Claire não era uma acompanhante, apenas estava ajudando a amiga.

Kroos detestava ter de apelar para aquele tipo de encontro nada íntimo. Não era a primeira vez e talvez não fosse a última. Acontecia quando estava em outro país e precisava passar uma boa imagem para os executivos com quem trataria de negócios. Sabia que todos esperavam que apresentasse uma companheira, mas ele não estava nada inclinado a relacionamentos afetivos. Entretanto, tudo muda.

O tempo todo.

- Eu estou impressionado com o quanto soube lidar com aquelas pessoas, ainda mais por ser tão nova. - O comentário soou nos ouvidos de Claire, fazendo com que parasse de prestar atenção na movimentação esfuziante das ruas da cidade.

- Eu não me lembro de ter dito a minha idade. - Retrucou ainda sem olhá-lo.

Estavam a uma distância considerável. O motorista seguia compenetrado no que fazia, totalmente alheio aos dois. Era uma conversa privada de todo jeito. Poderiam dizer o que quisessem que mesmo se ouvisse algo, Fritz jamais espalharia qualquer coisa relacionada a vida do patrão.

- Não, mas você comentou sobre a Julliard. Não que estuda lá, mas deu tantos detalhes que me faz pensar que estuda, do contrário estaria viajando em turnê. - Lhe lançou um sorriso ladino enquanto americana se arrependia de ter virado o rosto em sua direção.

Touché. - Brincou, retribuindo o sorriso, porém de uma forma que soou como uma provocação para o alemão.

- Certo. Então eu fui enganado durante horas? - Questionou aproximando-se de um modo muito perigoso.

E que fez o interior de Claire tremer rapidamente.

- Ninguém te enganou. Se eu bem me lembro, você não perguntou a minha idade em nenhum momento. - Usou uma resposta simples, nada de ironias. Apenas a verdade. Pareceu ter compreendido que o deboche desencadeava certo risco a seus nervos.

- Muito esperta você. Quantos anos tem, Claire? - Não havia um insulto, ordem, crítica, nada do tipo. Entretanto a voz de Kroos fazia seu sangue ferver instantaneamente. Talvez fosse só o desejo latejante de ouvi-lo sussurrar algumas palavras em seu ouvido enquanto saciava a vontade de tê-lo o mais fundo dentro de sua intimidade.

- Vou fazer dezoito anos daqui dois meses.

E o baque fora alto, mas tão alto que Kroos pareceu ter levado um soco na cara. Seu espanto poderia ser engraçado se não fosse o fato de ainda sustentar um olhar meio predatório.

- Você tem noção de que eu posso ser preso por sair com uma menor de idade? - Estava cético, o tom utilizado demonstrava isso. Claire queria rir, mas o nervosismo a impedia.

- Entre mortos e feridos, salvaram-se todos. - Fora a única resposta que conseguiu dar, virando o rosto novamente para a janela.

- Certeza, Claire? Porque eu não estou vendo você sã e salva no seu apartamento.

A voz costuma vibrar quando o som se faz presente. É possível você detectar emoções dessa maneira. Basta que se preste a devida atenção. E mesmo que estivesse observando a movimentação das ruas, Claire tomou aquilo por uma canção erótica, com um alto teor de perigo. No entanto não era um perigo ruim, do tipo que a faria querer ligar pra a polícia a fim de pedir ajuda. Era mais do tipo que fazia seu interior queimar e uma umidade invadir sua intimidade.

- Está tentando me amedrontar? - Ergueu uma sobrancelha, quase rindo da careta que surgiu na face do loiro. Era uma pergunta boba, com uma resposta óbvia, mas ainda era válida. Fazia com que ele se visse obrigado a ser mais direto.

- Funcionaria?

- Não. E você sabe que não seria preso porque não fez nada além de sair pra jantar comigo. - Revirou os olhos, um ato corriqueiro demais. Tinha essa mania principalmente quando perdia a paciência com algum assunto ou pessoa. Não era bem o caso, mas de toda maneira o fez. E não poderia ter provocado uma reação diferente.

De forma alguma.

- Não fiz ainda.

A percepção de que aquelas palavras continham um aviso claro, era mais do que óbvia. Claire não precisou mais do que alguns segundos para compreender isso. Tempo suficiente antes de sua nuca ser segurada e seus lábios tomados por um beijo que esquentaria até o mais frio dos homens.

A bailarina hesitou por um breve instante, mesmo que não tivesse sido realmente pega de surpresa. Parecia que seu subconsciente ainda não estava preparado para lidar com aquele tipo de acontecimento. Todavia, inegavelmente, a atração entre ambos fora instantânea. E por mais que parecesse errado qualquer contato mais íntimo, a racionalidade passara totalmente longe.

Quase como se não existisse.

E, ah o primeiro toque... ele é primordial. Costuma impregnar em cada célula do seu corpo, emanando uma resposta muito clara sobre o que está sentindo e como deseja prosseguir. A maneira ritmada e calma serve como combustível para lhe fazer ansiar por algo mais enérgico, forte e intenso. As mãos procuram uma âncora na vã intenção de conter um pouco as sensações avassaladoras, temendo por sua sanidade. Entretanto, toda paixão leva consigo uma parte de sua racionalidade - quando não te deixa sem um resquício dela.

Sentiam-se assim.

Queriam muito mais do que estavam recebendo naquele momento. E a fricção entre os corpos, quando a americana acabara sentada no colo de Kroos, rapidamente a fez gemer baixinho, enquanto o alemão segurava-se para não fazer uma loucura ali mesmo. No entanto seus dedos ágeis logo encontraram a parte exposta pela fenda, percorrendo um caminho tortuoso até encontrar a coxa de Claire. Mais um gemido baixinho. E um suspiro pesado pela parte dele.

- Claire. - A chamou, interrompendo o beijo, mas permanecendo muito próximo aos lábios carnudos. - Eu quero você.

Três pequenas palavras podem parecer inofensivas. Há quem meça extensão por intensidade. No entanto não funciona assim. Palavras curtas podem causar as emoções mais intensas.

Exatamente como acontecera.

Claire não soube muito bem em que momento tudo saíra dos trilhos. A noite devia ter sido um calvário, do qual sempre usaria contra a amiga para lhe lembrar do grande favor que lhe fizera. No entanto, houve uma grata surpresa.

- É só você me ter. - Seus lábios moveram-se de um modo provocante, que fez a ereção do alemão crescer consideravelmente.

Sim, ele podia a ter.

Como bem quisesse.

E dos dois, o mais propenso a cair em desgraça pelo amor era Kroos.

Indiscutivelmente.

A garota da Califórnia não estranhou quando adentrou a suíte master do The Plaza Hotel. O edifício de estilo renascentista francês, datado de 1907, estava situado em um Marco Histórico Nacional. Entre algumas das vantagens que o hóspede tinha à disposição por lá estavam: academia, spa, restaurante, bar de champanhe e o lounge. Isso tudo sem falar nos jardins tranquilos deste hotel, onde era possível relaxar em meio à correia da viagem.

Os quartos do The Plaza eram super luxuosos, espaçosos e ofereciam tecnologia de ponta, incluindo controle de todos os serviços da suíte via iPad. Os banheiros destes apartamentos eram outro ponto que mereciam destaque, sendo todos super modernos e com detalhes em ouro 24 quilates.

Exuberante.

Todavia nada ali teve mais relevância do que os dois se entregando por completo. Com a ansiedade tomando conta de Claire, fazendo com que sentisse um frio percorrer a espinha. Não era totalmente uma garota inexperiente. Tivera um namorado antes de se mudar para Nova York, algo que durou pouco mais de um ano. Perdera a virgindade com o mesmo. Entretanto não tinha a experiência que as mulheres que Kroos estava acostumado a sair. Isso a deixava um tanto insegura.

E nada passava batido pelo alemão. 

Toni conduziu o corpo da americana até a enorme cama, deitando-a na mesma sem deixar de beijá-la. No processo, Claire se livrou dos sapatos. Seu coque fora desfeito, deixando seu cabelo solto, fazendo os cachos ficarem em evidência. O paletó também fora dispensado nesse meio tempo. E os primeiros botões da camisa dele estavam abertos. Sentia a mesma necessidade que Claire, mas inegavelmente a experiência contava a seu favor. Poderia transformar aquele momento em algo memorável. 

Tal como foi.

À medida que o zíper do vestido era puxado para baixo, os beijos no pescoço dela ficavam cada vez mais intensos. Marcas ficariam naquela região. Ele tinha certeza disso. Mas sabia também que não havia ninguém ali que pudesse questionar a futura bailarina, tendo em vista que a mesma morava apenas com a amiga.

Nenhum impedimento.

Muito menos o mais importante; o de Claire.

Quando os seios fartos ficaram completamente à mostra, sob o olhar voraz do banqueiro, os bicos enrijeceram imediatamente. Emitindo um sorriso presunçoso, ele levou a boca até o seio esquerdo, explorando aquele local como se houvesse muito a ser descoberto. A cada vez que sua língua brincava com aquela região sensível, Claire se contorcia toda, sentindo sua intimidade umedecer a cada segundo que passava.

Era o inferno querer pular todas aquelas etapas e tê-lo dentro de si o mais rápido possível. Não aconteceria, nem que implorasse.

Quando deu-se por satisfeito, ao notar que os seios dela estavam vermelhos, Toni fora baixando o restante do vestido, revelando as curvas que o fez ter inúmeros pensamentos impuros durante aquele jantar maçante. Ao se deparar com a calcinha preta em renda, sorriu ao imaginar-se retirando-a com os dentes. Como nunca fora um homem de não fazer aquilo que quer, não perdeu tempo em levar sua boca até as coxas da americana. Beijos molhados a fizeram se remexer mais uma vez. Mas nada fora tão certeiro do que quando ele passou a língua por sua intimidade. Mesmo por cima da calcinha, o alemão conseguiu sentir o quanto ela estava molhada. Totalmente pronta para recebê-lo, mas não no nível que desejava.

- Você se importa se eu puxar sua calcinha? - Perguntou, mudando a ideia inicial para algo ainda mais ousado. Mantinha aquele sorriso malicioso na face, desmontando cada pedacinho da bailarina. Não era fácil responder aquela pergunta, mesmo que precisasse dizer uma única palavra. A questão é que cada ato daquele homem era uma novidade para si. Trazia uma excitação que não sentira com o ex-namorado. Precisava aprender a lidar.

- Eu... - Mordeu com força o lábio inferior, impedindo que gemesse no momento em que precisava lhe dar uma resposta.

- Eu posso, Claire? - Passou o nariz lentamente pelo local úmido, causando um choque por todo aquele corpo. E quando levou os dedos a barra da calcinha, não houve mais como permanecer no silêncio ou em tentativas frustradas de dizer o que queria.

- Sim, por favor. - Pediu, aturdida com as provocações. E seu estado de urgência só aumentou quando o sentiu puxar o tecido fino, rasgando-o enquanto deixava uma ardência em sua pele sensível.

Kroos contemplou aquela cena por uns segundos, até se levantar na intenção de se livrar de suas roupas. A americana estava nua na cama, os cachos caindo como uma cascata naquele lençol de seda, os olhos brilhando em puro desejo e a boca entreaberta de um modo muito provocante. Ainda assim ele abriu lentamente o restante dos botões da camisa, revelando suas tatuagens e um abdômen de tirar o fôlego, fazendo-a suspirar. E o suspiro pesou em seguida quando a calça fora dispensada. A cueca boxer preta deixava sua excitação em completa evidência. E ela não conseguiu prestar atenção em mais nada, nem quando o loiro se livrou de seus sapatos. Só conseguia pensar em como seria quando chegassem ao ato de fato. E só saiu de seus devaneios quando ele colocou-se no meio de suas pernas, afastando-as o suficiente para ter o acesso que precisava.

- Que delícia você toda molhadinha. - Disse antes de passar a língua por toda a intimidade latejante.

Quando a viu apertar o lençol com força, puxou seu pontinho sensível, com cuidado, a fazendo gemer desesperada. Chupá-la terminou sendo mais do que uma provocação e uma vontade gritante. Era também uma forma de demonstrar o quanto a noite que teriam seria inesquecível.

E já estava sendo.

Introduziu um dedo em sua boceta. Claire se remexeu. A sensação era boa e só melhorou quando ele colocou mais um. Precisando encontrar uma forma de aplacar o que sentia, acabou segurando os próprios seios com força. Kroos sorriu. Seus dedos entravam e saíam com uma rapidez esfuziante. Gostava de observar as expressões de prazer na face da americana. Era, além de estimulante, algo totalmente novo. Talvez fosse por ela ser uma completa novidade. Cheirava a perigo. Disso não tinha a menor dúvida. Mas talvez estivesse mesmo condenado a viver aquele momento, pouco se importando com possíveis consequências.

- Claire. - A voz rouca, a chamando, fez com que a mesma fizesse um esforço enorme para abrir os olhos. - Quando eu voltar a te chupar, você pode gozar. Você pode e eu quero. Muito.

Ele não fazia ideia do quanto fora um esforço enorme não se desmanchar naquele exato momento, tamanho tesão que sentira por conta de seus estímulos e uma fala nada casta. Claire não respondeu, tampouco ele esperava ouvir um resposta. Era só um tipo de aviso sobre algo que sabia que aconteceria, entretanto trazia um gosto doce levá-la ao limite.

E estava por um fio de ultrapassá-lo.

Sem deixar de movimentar seus dedos dentro da boceta quentinha, o alemão passou a língua por seu pontinho sensível. Claire gemeu alto, sem conseguir se controlar. Não queria soar como uma desesperada, mas era inútil tentar manter algum tipo de controle. Ele estava sendo mesmo alguém determinado a dar prazer pelo simples prazer de proporcionar tais reações em uma mulher - nela, pra ser mais franca.

- Tão gostosa. - Disse antes de chupar seu clitóris, puxando levemente a pele avermelhada.

A americana tremeu levemente. Sentia-se mais do que pronta para chegar ao ápice. E todas as suas reações confirmavam esse fato. Segurou o cabelo de Kroos por instinto. E ele não recuou, pelo contrário. O banqueiro intensificou as sucções, contanto mentalmente quantos segundos obteria o que desejava.

- Oh, Toni!

E fora cinco.

Cinco segundos.

E a explosão viera.

Mais uma vez o corpo da bailarina tremeu, violentamente. Um grito, abafado pela própria mão, ecoou pelos ouvidos de Kroos como se fosse uma linda canção. E o orgasmo se estendeu por um tempo que parecera longo demais. Toni só deixou de chupar sua intimidade quando os espasmos foram cessando, até não existirem mais.

Quando levantou o rosto para poder encarar a face da americana, ele sorriu. Não um típico sorriso que sempre aparecia em todos os momentos, como se fosse o dono do mundo. Era algo mais contemplativo. Havia algo de especial em vislumbrá-la. E a visão fora de tirar o fôlego e o deixar sem palavras.

Claire tinha as bochechas coradas, os lábios inchados, dois fios de cabelo estavam perto de seus olhos e os mesmos sustentavam lágrimas contidas, que resultaram de um orgasmo avassalador. 

- Claire. - O nome soava deliciosamente em seu sotaque alemão. Fez com que o encarasse de imediato. E pôde notar nesse exato momento que a noite mal havia começado. - Eu estou quase entrando no inferno.

- Está me dizendo que eu sou o diabo? - Perguntou, soltando uma risadinha nervosa.

- Não, mas eu estou a ponto de me queimar e eu não serei o único, então, preciso saber se tem certeza que é isso que quer. - Sua mão procurou a pele de Claire, apertando a lateral de sua bunda. A ereção latejante pressionando a entrada dela, como um aviso muito claro de onde queria estar.

- Sim, por favor. - A súplica saiu como que por instinto, sem que se realmente notasse esse fato, até vê-lo se afastar, levantando-se para tirar a única peça de roupa que continuava sendo um impedimento para que pudessem sentir a satisfação completa.

A primeira provocação veio quando ele segurou o membro avantajado, fazendo movimentos de vai e vem. Piorou quando se aproximou, subindo em cima dela, passando a cabecinha de seu pau pela intimidade, abrindo os lábios vaginais de Claire. Foi como se uma corrente elétrica passasse por seu corpo, lhe causando vários curtos circuitos. Ela fechou os olhos com força, evitando que um gemido saísse de sua boca. Tola decisão. De nada adiantaria no fim, não quando o alemão estava obstinado a vê-la implorar.

- Toni...

- Hum, o quê? - Questionou sem esconder a satisfação presente em sua face.

O ponto que tanto queria estava bem ali a sua frente.

Todavia ela nada disse. Remexeu o corpo, totalmente inquieta. Ele aproveitou para aumentar a provocação e meteu apenas a cabecinha dentro de sua boceta. Houve um gemido seguido de um suspiro pesado. Aquilo se repetiu mais algumas vezes. Era o inferno. Quando pensava que enfim o sentiria todo dentro de si, Kroos retirava seu pau sem nenhum resquício de arrependimento.

- Por favor...

- Por favor, o quê?

- Eu... - A voz falhou miseravelmente quando fora invadida mais uma vez. E como em todas as outras, não passou de uma tortura penosa. Teria um fim e ela sabia como seria. Precisava apenas terminar a frase que ficara presa em sua garganta. - Preciso sentir você. Agora.

- Olha pra mim. - Pediu com a rouquidão de sua voz soando ainda mais excitante do que todas as vezes que já tinha o ouvido até então.

Não fora difícil fazer o que lhe fora pedido. O desafio mesmo era manter seu olhar no dele, tamanha intensidade que enxergava em Toni. Era como se pudesse ser desmontada com aquele pequeno ato. E tais pensamentos a fizeram ser pega desprevenida quando fora invadida de uma vez por todas.

Kroos gemeu em pura satisfação, sendo seguido pela americana. Uma sincronia perfeita, que apenas estava começando. Os primeiros movimentos vieram em seguida. Não era uma intensidade gritante, mas faziam com que ela pudesse o sentir realmente fundo. Muito fundo. Talvez porque ele esperasse ouvir em algum momento que a mesma era virgem. Não, Toni não estava acostumado a sair com mulheres inexperientes, quanto mais virgens, mas por um momento desejou ter esse privilégio - o que não diminuía em nada o prazer que sentia, sobretudo por constatar o quanto a deixava nervosa de um modo muito bom.

Quando a americana não conseguiu mais permanecer de olhos abertos, seus gemidos aumentaram consideravelmente. E fora impossível não tomar seus lábios naquele instante. Toni segurou seu rosto, sem deixar de se movimentar, e iniciou aquele contato que parecia mais íntimo do que o sexo em si. Soava como uma necessidade de aplacar sensações que não estavam incluídas ao prazer de uma boa transa.

O começo do fim.

Do fim dos dias de paz. 

Porque há algo sobre o amor que você precisa saber; apesar de ser sublime, sentimento tão ansiado por ser sentido e compartilhado, ainda há o lado negro que ninguém gosta de falar. Os problemas surgem, a paz se vai e ainda há outros empecilhos a serem driblados se deseja mesmo continuar nesse caminho.

Mas ainda não era esse o caso.

Ainda.

Claire teve seus lábios órfãos dos beijos quentes, mas por uma razão prazerosa. Suas pernas foram enlaçadas na cintura do loiro, lhe dando mais mobilidade para se movimentar. Com o quadril erguido, o sentiu ainda mais fundo. E dessa vez não houve nenhum cuidado da parte de Kroos. Ao segurar a cintura dela, passou a se movimentar rapidamente. Tendo ainda mais motivos para enlouquecer ao ver os seios fartos movimentando-se freneticamente. Aquilo fazia seu pau doer de tanta excitação e por se segurar para não parecer um velho babão, terminando por gozar cedo demais. O corpo de Claire, aos seus olhos, era perfeito. E tinha a absoluta certeza de que os anos só fariam com que aumentasse ainda mais o nível absurdo de beleza. Mas o pior de tudo é que numa breve fração de segundos, ansiou por ver aquela cena mais vezes.

Um erro fatal.

Num ato rápido, ela sentiu seu corpo ser puxado para cima e terminou no colo do alemão. Houve uma pausa para um contato mais calmo. Com beijos sendo distribuídos pelo pescoço da americana, até chegar a seus seios. Novamente lá estava Toni se deliciando como se provasse pela enésima vez seu doce favorito - o mesmo que nunca perderia sua preferência. E Claire viu-se necessitada por tornar a ser penetrada com força. Como as posições estavam invertidas, estando sentada, aproveitou para começar a rebolar. Não era como há minutos, disso não tinha a menor dúvida. Ainda assim era gostoso poder ter o controle, mesmo que por pouco tempo.

Toni sentia cada fibra de seu corpo totalmente extasiada, necessitando de um alívio, que só viria quando gozasse. Por hora seguiu chupando os seios dela, enquanto segurava seu quadril, impulsionado os movimentos da mesma. Fora impossível não elevar seu nível de brincadeira e terminou por puxar um dos bicos com os dentes. Claire emitiu um gritinho, sentindo-se surpresa, dolorida e excitada com o ato dele.

- Oh, droga.

- Doeu? - Quis saber apesar de ter detectado um ar de satisfação nas reações da bailarina. Mesmo querendo fazer tudo a sua maneira, ainda continuava tendo a consciência de que ela era só uma garota, que podia se sentir inibida a falar quando algo a estivesse incomodando.

- Um pouco, mas depois foi bom. - Respondeu simples. Não sentia mais a insegurança inicial, conseguindo agir com naturalidade agora, sem receio de dizer o que quer que fosse.

Então, um meio sorriso surgiu na face do alemão. Ele passou o dedo lentamente pela boca entreaberta dela, como se fosse um carinho. À sua maneira, claro. E por mais que quisesse prolongar ainda mais o sexo inebriante que faziam, a necessidade de gozar tornou-se inevitável. Não era só pelas sensações prazerosas que sentia, sobretudo com os movimentos tão ritmados que ela fazia, mas porque havia algo nos olhos de Claire que o fazia sentir uma urgência nunca antes conhecida.

- Se eu pedir algo, você faz?

- Eu não sei. Talvez. - Respondeu, cessando os movimentos lentamente.

- Só quero que fique de pé... - Demorou uns segundos, mas ela assentiu diante daquele pedido, que parecia inofensivo. - Na frente da janela.

As últimas palavras fizeram com que ela arqueasse uma sobrancelha, surpresa pelo que ouvira. Esse pequeno gesto fez com que ele pensasse que talvez estivesse querendo demais, todavia não conseguira controlar aquele fetiche que surgira do nada. E antes mesmo que pudesse voltar atrás em seu pedido, Claire sorriu, levantando-se.

- Ok, eu estou bem aqui onde pediu. - Sentiu o gelado do vidro em suas costas e se esforçou para permanecer com a mesma expressão tranquila que mantinha naquele instante.

Mesmo que tivesse sentindo uma surpresa enorme com o que ouviu, a ideia de transar com aquele homem num local onde alguém poderia os ver, fazia seu corpo amolecer. Uma sensação ótima, diga-se de passagem.

Antes de caminhar em direção ao que ansiava, Kroos tratou de colocar a camisinha que estava em sua carteira. Claire vislumbrou ele colocar o preservativo no pau grosso, quase salivando. Todos os atos do alemão tornavam-se um motivo a mais para querer passar a noite toda transando com ele. E em breve o teria novamente. 

Breve, tipo uns segundos.

- Vire-se. - Mais um pedido em tom de ordem e mais uma vez ela fizera o que ele quis, sem pestanejar. Não por medo de lhe negar algo, mas porque sentia que não haveria arrependimento algum.

A luz ambiente do quarto, juntamente com a lua, eram a única iluminação do local. Para ele era mais do que perfeito, tendo em vista onde estava prestes a foder a americana. E quando ela se remexeu inquieta ao sentir seu pau explorando a entrada molhada, não houve mais espaço para nada além de seguir seus instintos.

Toni afastou uma mecha de cabelo, atacando o pescoço da bailarina, penetrando-a o mais fundo que conseguiu. Claire espalmou as mãos no vidro, o desconforto inicial transformando-se num prazer magistral. E quando o sentiu levar a mão até seu pontinho sensível, jurou que fosse gozar naquele mesmo instante. Não seria, mas estava próximo demais.

- Você está quase gozando. E está me apertando, querida. - Provocou, fazendo movimentos circulares em seu clitóris.

- Oh! Oh! - Nada além de gemidos saíam de sua boca. Gostaria de ser capaz de lhe falar qualquer frase, por menor que fosse, que conseguisse ser tão provocante quanto o que ouvia dele. Mas com seu corpo praticamente entrando em combustão, era impossível ser racional. Perdera por completo o controle sobre si.

- Não aguento mais. - As únicas três palavras que conseguiu proferir confirmavam aquilo que seu corpo já tinha deixado claro.

- Tantas pessoas acordadas agora e nenhuma delas faz ideia do que estamos fazendo. - Toni pareceu não ligar para o que havia escutado. Claire soluçou, fechando os olhos. Não tinha mais forças nem para se manter em pé. E ele estava amando cada segundo daquilo. - Mas se pudessem te ver agora, aposto que ficariam loucas por você, assim como eu estou.

Existem gatilhos que se usados causam as sensações mais intensas de nossas vidas. Conversar durante o sexo que faziam tornou-se um afrodisíaco certeiro, que impregnou na americana, causando tudo que nunca julgou ser capaz de sentir.

- Para, me solta. Para. - Pediu de forma alucinada, sem ser realmente o que queria. Claro que ele conseguiu detectar a verdade por trás daquela suplicia. Conseguia entendê-la. Sentia-se da mesma forma, com a diferença de que conseguia manter o controle sobre o que estava fazendo. E seguiu agindo, com os mesmos movimentos circulares no clitóris inchado, dessa vez mais lentos que anteriormente.

- Não é isso que você quer. Eu sei que precisa gozar. Faça isso agora. - Passou a língua pelo lóbulo da orelha dela, mordendo levemente em seguida. - Agora, Claire.

- Oh, droga. Toni! - Gritou, cravando as unhas na coxa do loiro, sem nenhum pingo de dó. Seu corpo tremeu mais uma vez aquela noite, só que infinitamente mais intenso. E seus olhos logo encheram-se de lágrimas, as quais Kroos conseguiu enxergar pelo reflexo do vidro. O brilho nos olhos dela era inconfundível e provocou uma reação imediata. Toni deixou o pontinho sensível órfão de seus toques, segurou a cintura dela e estocou seu pau freneticamente na boceta quentinha e molhada. O corpo da americana permanecia com espasmos, parecendo incapaz de se recuperar. E isso intensificou-se quando o ouviu soltar um gemido rouco, gozando enquanto depositava um tapa em sua bunda.

- Céus! - Apertou o corpo da bailarina contra o seu, descansando seu rosto na curva do pescoço da mesma. As respirações ofegantes, os corpos suados e uma excitação que não chegara ao fim. - Você ainda vai ser minha ruína.

Seis palavras, um único significado.

Aquele sussurro não pareceu fazer sentido naquele instante. Também pudera, tinha muito a ser assimilado. E certamente não seria enquanto o tivesse dentro de sua intimidade. Mas a verdade continuava sendo uma só, custe o tempo que custar para que pudesse compreendê-la. Sensações máximas requerem um tempo maior de recuperação. Para orgasmos intensos isso não é muito diferente, não. Necessitavam permanecer naquele silêncio, enquanto organizavam os pensamentos e tentavam entender tudo o que tinha acontecido até então. Se conseguiriam discernir o certo do errado, isso nós já sabemos a resposta. E obviamente quando o fôlego voltara a ambos, reiniciar aquele processo para o alcance do prazer, era uma certeza irrefutável.

 

 

➸ 4° ato: Eros ▪ Não importa o quanto a tempestade seja assombrosa, o amor verdadeiro resiste as piores tormentas.

 

CLAIRE MORGAN

 

- Nós não temos nada para conversar. Devolva a chave, Kroos. - Peço num tom firme, que o faça compreender que não sou mais a garota que conheceu dez anos atrás.

Mas o pior de tudo é ele notar e sustentar um olhar de admiração com isso.

- Temos, sim. E não vamos sair daqui até que possamos alinhar alguns pontos. - Caminha em direção a uma poltrona que há no lavabo, situada ao lado de um grande espelho.

- Você arquitetou uma forma de ficarmos próximos para mostrar que se casou com a Nina. Que tipo de alinhamento você quer ter mesmo? - Solto uma risada em completo escárnio, sem conter a raiva que estou sentindo.

Tentei contato com a minha amiga durante algum tempo. Nada surtiu efeito, até receber uma mensagem da mesma dizendo que sua vida havia tomado um rumo diferente, mas que estava feliz. E que queria deixar tudo e todos no passado, isso certamente me incluiu. Não tentei mais, simplesmente compreendi que essa era sua decisão final. Apenas lhe deixei claro que sempre saberia onde me procurar caso algum dia quisesse conversar comigo. Só nunca imaginei que seria dessa forma – casada com o único homem que amei.

- Sou muito feliz com a minha esposa, se quer saber.

Não, eu não quero saber.

Desde o momento em que nossos olhos se conectaram, sinto uma enorme vontade de sair correndo desse lugar. Inúmeros motivos me fazem permanecer na casa dos meus futuros sogros. Mas nenhum deles parece ser o bastante para me dar a força que preciso para seguir lidando com essa situação.

- O que você quer falar, Toni? - Pergunto, sem a menor intenção de continuar andando em círculos. Prefiro que ele vá direto ao ponto, sem mais rodeios e frases de efeito.

- Acho que seria pertinente começarmos pelo motivo que te fez fugir aquela noite. - Não há mais nenhum resquício de ironia em sua voz, tampouco em sua expressão facial. Agora ele apenas é alguém interessado em uma resposta que sane uma dúvida que cultivou por dez anos.

O problema é que existem assuntos que não devem ser tocados. A melhor escolha é deixar no passado tudo aquilo que não pode ser mudado e que em nada vai acrescentar em nossas vidas.

Contar toda a verdade levaria horas, um tempo que não temos. Faria com que algumas cicatrizes fossem abertas. E eu, sequer, tenho a certeza de que ele acreditaria em mim. Então por qual motivo eu relembraria o que passou?

Talvez porque as verdades precisam ser ditas mesmo que causem tormentas. É assim que aprendemos desde pequenos. Mas na prática, a maioria de nós é covarde demais para fazer o que é correto, preferindo um caminho que parece mais fácil.

- Porque você ia embora dentro de dois dias. Eu só antecipei a despedida. - Respondo dando de ombros, tentando fazer parecer que faço pouco caso para isso.

- Não houve uma despedida. - Acusa.

- Precisava mesmo haver? - Retruco na vã tentativa de inverter as posições.

- Se fazer de sonsa não é seu forte, nunca foi pelo menos. - Dessa vez ele não poupa um sorriso carregado de deboche. Mas ainda há o brilho do ódio em seus olhos. E eu não poderia me sentir pior por presenciar algo do tipo. - Por que não começa contando a verdade? Não temos muito tempo, então seria bom se nos poupasse de um novo encontro.

- Eu não menti. - Conto mais uma mentira. E Kroos sempre soube enxergar as minhas verdades.

- Certo. Então, eu acordei naquela manhã e você não estava mais no hotel. Fui atrás de você e também não estava em seu apartamento porque subitamente foi viajar. - De repente ele se levanta e caminha em minha direção. Não percebo que dou passos para trás, até sentir a parede fria em minhas costas. - Você disse que só antecipou nossa despedida. E isso não tem absolutamente nada a ver com o fato de estar grávida na época, ter ocultado isso de mim e ter abortado depois que sumiu?

Nada poderia doer mais do que essa acusação. É como se abrisse uma cratera em meus pés. Um buraco gigantesco pronto para me engolir. E ainda assim julgo que seria melhor do que ter que lidar com uma inverdade sendo jogada em minha cara com uma veemência que faria qualquer um acreditar nele.

Talvez seja melhor que tudo continue como está. Nunca, nem nos meus piores pesadelos, imaginei passar por um momento como esse. É quase inacreditável que ele esteja em minha frente usando tais palavras. E ainda mais que eu preferiria lidar com isso dessa maneira.

À sua maneira.

- Você disse que é feliz com a Nina. - Comento, tentando me manter em pé mesmo que minha visão comece a ficar turva. Toni nada responde, entende que não estou fazendo um questionamento, mas não consegue compreender o porquê estou dizendo isso. - Então o passado não importa mais.

Negar seria o mais adequado. Deveria ter uma vontade incessante de fazê-lo acreditar em mim. Todavia não creio que Toni seja capaz de amolecer. O homem que eu conheci anos atrás, sim. Agora, esse que está a minha frente sustenta um olhar carregado de um ódio que nunca imaginei enxergar. Não causa medo, apesar de tudo, mas traz outras emoções tão perturbadoras quanto.

- Você é decepcionante, Claire. E não tem nada a ver com nossa diferença de idade, mas sim com quem você é mesmo. - Cada palavra que sai de sua boca parece cravar uma faca em meu coração. Não há mais só frieza e ódio em seus olhos, há desprezo também. E por mais que eu tente incessantemente manter meus nervos intactos, uma lágrima cai sem que consiga evitar. - Pensei que fosse ao menos tentar me fazer entender sua decisão. Ou até mesmo dizer que estou errado.

- Você só veio aqui pra receber uma confirmação. Não está interessado em mais nada que não seja isso.

Respondo com certa dificuldade, amaldiçoando-me por isso. Estava indo tão bem em demonstrar indiferença, entretanto tudo desabou com uma acusação absurda. Não consigo mais manter meus olhos nos seus. A dor passa a me atingir demasiadamente. Sei que meus atos estão fazendo-o se questionar sobre a razão de estar quase chorando. Talvez pense que é culpa pelo suposto aborto.

Mas o único sentimento de culpa que sinto é ter me apaixonado por ele.

Eu deveria saber, desde o princípio, que uma relação como a nossa não tinha a menor chance de dar certo. Mesmo que não tivesse acontecido nada do que sucedeu, ainda éramos duas pessoas com vidas completamente diferentes. Kroos queria alguém que pudesse estar presente em sua vida. E eu era alguém que queria alçar voos constantes.

E contra todas as probabilidades, segui com o relacionado fadado ao fracasso.

Até tudo se tornar um terrível filme de terror.

- Conte a verdade, Claire. - Sua voz me tira de meus devaneios e suspiro ao perceber que acabei dando ao alemão o benefício da dúvida.

- Você já a conhece. Acabou o que tinha pra dizer? - Pergunto, forçando-me ao máximo para tornar a postura tranquila que desejei nunca perder.

- O que não está me contando? - Torna a ser insistente, mas de nada adianta.

- Podemos sair daqui antes que alguém perceba nosso sumiço? - Há um tom de súplica em minha voz. Não gostaria que estivesse aqui. No entanto não consigo manter uma regularidade em minhas emoções. Está tudo uma bagunça. Um caos que parece querer acabar com o que restou de mim.

- Em algum momento a verdade vai surgir.

- Por favor, Toni.

Fecho os olhos ao sentir seus dedos em meu rosto. Um carinho que imaginei que nunca mais receberia. Meu peito dói e o ar parece escasso. E esse estado piora quando seu dedo contorna minha boca. Sua respiração fica próxima a minha. E por um momento penso que irá me beijar, todavia isso não acontece.

- Tenho todo tempo do mundo.

Demoro uns segundos para compreender o que realmente ouvi. E só então abro meus olhos. Há uma infinidade de significados para o que acabou de dizer, posso ver isso nele. E lentamente vai se afastando de mim, até que a porta é aberta e ele se vai.

Mas não pra longe como anos atrás.

Seja o que prometeu aqui, sei que vai cumprir.

As pessoas dizem que um relacionamento não se sustenta apenas com o amor. Julgam esse sentimento como sendo algo totalmente dispensável, que mais traz sofrimentos do que alegrias. Eu não sei dizer em que momento passei a viver dessa maneira, como se acreditasse nessa blasfêmia. O amor pode não ser a única razão pela qual um relacionamento se mantém de pé, entretanto ele é a base sólida que sustenta todo o resto.

Sem o amor nada dura.

E quando se ama alguém por tanto tempo, o que resta de você se não pedaços do que um dia foi?

Do que um dia eu fui.

Certa vez li sobre a história de um dos deuses, que justamente se encaixa com a minha vida amorosa.

O deus Eros.

A palavra Eros, é derivada do verbo érasthai, que em grego clássico, significa "desejar ardentemente", em outras palavras, "estar ardente de amor".

Explicação simples que diz muito. Entretanto, podemos ir além.

Eros é o deus do amor. Na maioria das vezes é colocado como filho de Afrodite e Ares, mas para Hesíodo, na Teogonia, ele é um deus primordial que nasceu do Caos.

Como ''filho de Afrodite'' ele era representado como uma criança que nunca crescia. Certa vez, sua mãe questionou à Métis, a prudência, esse fato. A amiga explicou que Eros era muito solitário e precisava de um irmão. Com a chegada de Anteros, o pequeno deus começou a crescer normalmente.

Com o tempo, Afrodite concebeu quatro Erotes que personificavam as diferentes faces do amor, sendo Eros o principal deles.

E o capaz de mudar sua vida para sempre.

Ele mudou a minha vida anos atrás e sei que está prestes a fazer novas mudanças.


Notas Finais


Link da música The Weeknd - Call Out My Name https://www.youtube.com/watch?v=M4ZoCHID9GI

Espero que tenham gostado, beijos!


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