História Diferenças - Capítulo 2


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Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Drama, Originais, Romance
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Palavras 3.791
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Romance e Novela
Avisos: Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Mais um capítulo desta história original.
Espero que gostem!

Capítulo 2 - Retribuição


Era Segunda-feira, o dia da semana em que eu preferia usar saia. Uma bem larga, cor roxo escuro, casada com um casaco de tricô de gola alta, este cor cinza também escuro. Cato as peças no armário e as jogo sobre a cama, apressando-me para vestir minha calcinha, grande como uma fralda ao mesmo tempo em que desenrolava meu sutiã bege. Não era como se eu gostasse dos trajes, mas como minha mãe os mandara para mim, me senti na obrigação de não fazer desfeita, ou seja, não me importava com tamanho mau gosto.

Após me vestir dei um "check" mental no quesito não estar atraente nem aos olhos de um mendigo. Em frente ao espelho do armário, bagunço meus cabelos loiro médio, mal humorada. Hoje, devido ao tempo frio, meu cabelo ficara parcialmente molhado. Bufo em seguida e tentando ignorar o fato de que ele provavelmente ficaria fedendo a bunda suja, prendi minhas longas madeixas onduladas em um coque. Nada fora do comum. Desde que comecei a trabalhar a única vez que meu cabelo ficou solto foi quando, porventura, um vento com força tamanha comparável a um soco de um boxeador profissional, atingiu meu rosto e isto fez com que duas mexas de minha franja - se é que ainda poderia chamá-la assim - desprendessem de meu coque. Meu último corte fora feito na última vez em que fui visitar meus pais.

- Por que ainda dou ouvidos a minha mãe? - Falo pro espelho ainda emburrada.

Mexia nas mexas cor de mel de minha franja que ladeavam meu rosto. Por um instante, ainda pensei em abrir exceções, talvez ousar um pouco, deixando-as soltas. Armo novamente minha barreira contra ideias inúteis enquanto refaço o coque. Checo o relógio e surto quando me dei conta de que já passava das sete e meia. Corro pra buscar minhas sapatilhas, que, deveras, ainda machucavam os meus pés. Vaidade não era necessidade para mim. Logicamente eu me cuidava, porém nada envolvido à estética em si. O ambiente empresarial, no qual fico enfurnada mais de oito horas por dia, me fez mudar. Há um ano e meio venho perdendo o gosto por meu exterior cada vez mais influenciada pelas críticas.

Calço minhas sapatilhas pretas que estava no meio de tantas caixas de sapato antigas, este estava na parte de baixo do armário de madeira antiga, o qual era ladeado pela parede que dividia o quarto da cozinha. Atravessando a também pequena cozinha, pego minha minha bolsa que pendia no tripé ao lado da porta da saída e pego Mr. Fin nos braços. Era meu gato siamês. O único com quem tenho tido contato ultimamente. Brinco com ele um bocado, antes de suspirar pesadamente e, finalmente, sair de casa.

De cara, uma forte ventania me apaziguou, visto que eu amava o tempo frio. Os prédios, os carros num trânsito entediante de Segunda, buzinando sem parar, pessoas correndo. Era revigorante. Tudo isto parecia desagradável para muitos, para mim, era incrivelmente bom. De uma casa geminada para meu meu inferno pessoal, nomeado BuiltA, multinacional de arquitetura onde eu trabalhava, era uma árdua escolha a se fazer diariamente. Cada milissegundo era desfrutado por mim, em busca de manter-me sã e calma naquele limbo que era meu trabalho.

Tomo um ônibus quase em frente à minha casa e, capotando quase que no colo do motorista pela milésima vez naquele ano, eu contava os trocados da passagem dentro da bolsa agradecendo aos céus pela carona ter vindo rápido, assim poderia ter a chance de chegar no horário. A vantagem de morar no centro da cidade, sendo pobre, é que a condução era facilitada.

No tempo em que eu chacoalhava dentro da condução, noto o mal humorado senhor careca me olhando pelo retrovisor interno. Ele me encarava com a mesma conhecida carranca, esperando que eu catasse minha mixaria para que eu o pagasse e fosse me acomodar de uma vez. Uno as sobrancelhas enquanto chego à conclusão de que, em algum lugar daquela careca, ele devia pensar que, de alguma forma, eu passava por aquelas coisas porque eu gosto. É a única explicação plausível que encontrei para a cara de "não estou disponível" que ele me lançava pelo retrovisor. Grotesco. Sua carranca já imensamente assimétrica, contorceu-se ainda mais quando rapidamente, evitando qualquer contato, lhe entreguei os trocados.

Mais uma vez, fui lançada a quilômetros para os confins daquele veículo, trombando com mais pessoas mal humoradas, desculpando-me com todas elas pelo caminho. Ri internamente quando ao esbarrei, por fim, num cara que me tentou se aproveitar de mim semana passada, fazendo com que o café que ele bebia respingasse em sua roupa, enquanto por fora ostentava a faceta mais arrependida possível. Ele rosnava e eu o derrotava indiretamente. Segurando-me no apoio do veículo, concluo, triunfante, que certos desastres vêm para o bem.

Reflito um pouco sobre minhas obrigações diárias e me dou conta de que não só a quantidade de trabalho aumentara, mas também a frequência com que ia à sala de Sebastian, meu chefe, era estupidamente maior. Era horrível pra mim, estar num ambiente tão fora da minha realidade. Me sinto fora do lugar, principalmente quando outras mulheres entram na sala dele junto comigo. Elas se jogam em cima do mesmo praticamente. De certa forma, ele devia adorar, aquele arrogante.

Não me intitularia revoltada, apenas inconformada. Há cinco meses ele assumira o cargo do pai e, desde então, tem sido um inferno ainda pior. Aquelas olhadelas repugnantes atribuídas ao jovem sucessor. O loiro de boa aparência, cabelos também cor mel, magro, porém de alguma definição sob o Gucci, que tanto amava vestir... Com certeza era um incapaz, que assumira o cargo por ser filho do chefe. O pior não era a rotina de cantadas e indiretas que o via receber, mas aquele maldito óculos escuro. Pra mim, o cúmulo da arrogância e antipatia. Está certo que ele vem de família requintada, mas para que tanta arrogância ao ponto de usar óculos para não ver pessoas inferiores, economicamente falando? Bufo irritada. Para a maioria esmagadora da empresa, era atraente sua particularidade, para mim, apenas um meio de ser mais um idiota trajado de terno de grife.

A poucos metros da multinacional, minha carranca contorcia-se ainda mais. Olhei-me por vezes no reflexo da janela, angustiada, enquanto o ônibus fazia a última curva. Dei o sinal junto a um último suspiro. Para a minha felicidade, o motorista outra vez parou a metros de distância do ponto onde deveria ter detido-se originalmente. Saltando do ônibus, quase dou de cara no chão. Como se já não bastasse o careca ter tirado uma com a minha cara, minha bolsa terminou de fazer o resto, arrebentando enquanto eu capotava no meio fio, espalhando cartão de identificação e material de trabalho pelo chão.

- Merda! - Esbravejei entredentes vendo-o, pelo vidro da janela, exibir uma satisfação irritante.

Curvo-me no chão frio com meus joelhos sensíveis, recolhendo todos os meus pertences, inconformada. Uma plena sensação de frustração percorria meu corpo franzino enquanto enchi a mão com o molho de chaves e conduzi tudo ao busto, para que não caísse no chão novamente. Todo santo dia um estresse me ocorria em minha vida miserável. Me acostumei com a ideia de rotina de estresse e lamentações, mas aquilo estava indo longe demais. Resmungava baixinho meu ódio contra pessoas mal intencionadas que riem da desgraça alheia, tentando me levantar sem usar as mãos, quando fui arrancada de meu monólogo com a sombra que se formou cobrindo meu campo de visão e com dificuldade, me equilibrei pra me levantar. Cacei com o olhar o responsável pela sombra e era meu chefe, sendo auxiliado pelo chauffeur, que abrira a porta pra ele sair do limusine luxuosa.

Amaldiçoei-me mentalmente por ter sido lançada a léguas de distância do ponto, ficando no caminho do dono da multinacional. Encolhi-me tentando esconder-me, um pouco cabisbaixa antes de fita-lo, enquanto lutava pra esconder minha expressão insatisfeita e vi o de óculos escuros e nariz em pé, mover de leve seu rosto em minha direção. Deduzi que por trás daquela vidraça, havia um olhar de repúdio. Suspiro levemente prensando com demasia o a papelada contra meu peito, vendo-o esticar o terno de cor cinza e depois ajeitar a gola do blusão cor pêssego esboçando incômodo com o cenho franzido. Encolhi-me mais um bocado como se isso de alguma maneira lhe desse mais espaço para passar. Transbordava dentro de mim o mesmo tipo de desaprovação que ele me oferecera discretamente, enquanto o cedia passagem. O único que ele provavelmente não sabia, é que, por eu ter ciência de minha rotina enlouquecedora, desenvolvi capacidade de adaptação e mais, a capacidade de lidar com as adversidades.

Ergui-me um bocado, dando-lhe um bom dia com um breve sorriso torto. Seus passos calmos, lentos e tão certos, postura ereta, eram demais pra mim, que bisbilhotava de canto de olho. Àquela altura só esperava que ele atravessasse de uma vez e logo eu poderia ostentar minha faceta usual. Era suficiente que meus colegas de trabalho passassem por mim tirando sarro de meu momento de penúria, mas até esse nariz em pé... Inaceitável. Suspirando um pouco, de cenho franzido, recompus-me, evitando pensar em demasia. O humor do filhinho de papai, que mais parecia estar passeando do que buscando entrar no prédio, não me interessava. Tendo apenas a visão sobre a vidraça negra, vendo-o agora deixando-me para trás, poderia limitar-me apenas a especulações. E isso me fazia pensar demais.

Para a minha inevitável e irrevogável surpresa, o vi voltar seu pescoço pra minha direção no intuito de retribuir-me o bom dia, após gesticular com o chauffeur que o acompanhava e então sumirem de meu campo de visão, ou talvez eu só teria ficado fora do ar por um tempo, buscando internamente compreender a situação. A porta de correr automática do edifício envidraçado me despertou do maldito transe. Não pude captar o tom exato em sua voz, tampouco importava-me com isto. O mais insano era imaginar que o riquinho contestara-me. Uma expressão perturbada atravessava meu rosto, enquanto removia a poeira de minha longa saia, nervosamente, com a mão livre.

Preenchi os pulmões com ar, ainda franzindo o cenho, preenchendo-me de falsa calmaria. Quanto mais me desse o trabalho de refletir sobre os meios infinitos de me tirarem a paciência, mais me afogaria em trabalho e mais chocolates comeria para estabilizar-me emocionalmente. Dar de ombros era mais simples. Exigia menos de minha capacidade mental. Então, isso bastava. O meu dever era seguir com o trabalho e era o que faria. Mirei meu inferno, o bendito prédio, enquanto caminhava em sua direção, mal humorada. Depois de séculos esperando os funcionários entrarem, senti-me mais segura para cumprimentar o segurança, que guardava o imenso local. O senhor de aparência simpática, um senhor educado e bigodudo, acima do peso e com uma enorme pinta na bochecha esquerda, era uma das poucas pessoas que se davam o trabalho de ser gentil comigo.

O ensurdecedor barulho dos saltos no piso branco bem polido, cada vez mais audível. No enorme hall, pessoas sentadas nos assentos de madeira, clientes do mais alto nível, alguns nem tanto, sendo atendidos por secretárias bem vestidas, de beleza exuberante e conduzidos pela lábia delas, para que fechassem negócio no andar de cima. Trabalhar com esse barulho, diariamente, estava tornando-se cada vez mais difícil. Pisquei mais duas vezes, seguindo em direção ao elevador principal, este que ficava ao lado da recepção da entrada.

Problema número um avistado. Mirando-me com desdém, como sempre, Jenna, trajada em roupa de recepcionista cor azul escuro, exalava arrogância. O blazer torto que ela sempre fazia questão de esticar pra mostrar que era mais encorpada do que eu. Entre uma risadinha e outra entrei no elevador em silêncio. Ignorar esta primeira fase nunca foi difícil, hoje não seria diferente. No elevador fitava meu reflexo turvo do metal das portas, afinal, era ali onde eu tinha um curto período de paz. Quando o sexto andar chega, tenho a visão do mesmo enquanto as portas abriam-se.

Os aglomerados de mesas com seus respectivos telefones e computadores pertencentes aos funcionários, mais conhecidos por mim como problemas de número dois. Os aparelhos telefônicos tocando de maneira repetida e infernal já me rendiam dores de cabeça. Quanto ao problema, era mais certo dizer que se tratava de quantidade. Meus conhecidos inimigos de trabalho, que usualmente se vestiam igual. Provavelmente seu problema com meu estilo, era porque eu não condizia em nada com o ambiente e isso, obviamente, pouco me importava. Sempre que eu chegava, os olhares, vários pares deles, me fuzilavam e logo expressões que iam desde rejeição a desdém eram formadas em seus rostos. Umas dúzias de funcionários de salto alto e saia justa atravessavam meu caminho - provavelmente algo proposital - até que eu finalmente pudesse chegar à minha mesa, meu problema 3!

Esta era localizada a poucos metros da sala de Sebastian, o loiro metido, meu problema três. Minha mesa era colada na parede de vidro que ladeava o escritório dele, perto do banheiro. Segurando firmemente minhas coisas, atravessei o caminho das metralhadoras fulminantes e cheguei ao meu canto, onde despejei tudo o que estava em meus braços, levemente incomodada. Era um costume meu chegar cinco minutos antes do horário, para passar no café de Joane antes de começar o expediente, para conversar um pouco com ela e beber seu café, que eu considerava extremamente saboroso. Ela era uma das poucas que me mantinha firme todo esse tempo neste lugar e me convencia de que o bairro não havia sido contaminado com o vírus da maldade. Suspiro levemente, enquanto conformava-me de que só não havia passado lá por conta do riquinho, já que perdi tempo demais tentando entender sua simpatia repentina. Reflito um bocado sobre todas as vezes que acenei para ele e estes foram um ato solitário, visto que o de nariz em pé parecia nem ter ligado.

Apenas foquei-me no meu trabalho revisando o quadro de lucros da empresa, conferindo a tabela de preços para uma agência interessada em expandir seus negócios filiando-se com BuiltA. Nesse meio tempo, a figura esnobe surgiu do meu lado, distraindo-me. Meu problema quatro, vulgo Barbara Campbell.

- Hey, Hannah! Como está? - Ela indagou debochada curvando-se em minha direção.

A morena de olhos azuis e traços plastificados, boca carnuda e nariz afinado, me atribuía um sorriso falso com seus dentes reluzentes, fitando-me de cima. Sua sobrancelha arcada denunciava suas intenções. Ignorada por mim, que a mirava desconfiada, ela seguiu:

- Hoje Bob vem aqui, e como você sabe, tenho de recepcionar os contratantes do serviço de marketing. Então gostaria que, por favor, recepcionasse-o pra mim, já que estarei ocupada - pediu educadamente, com um tom cheio de falsa doçura.

Sem poder negar o pedido de meu demônio, aceitei o pedido, com expressão séria, ainda que por dentro relutasse e visualizasse que tipo de ocupação Barbara teria, se oferecendo para alguns velhos babões e rapazes que se rendiam ao seu charme barato. A ideia de ter que fazer algo relacionado ao meu problema três com ainda mais frequência ainda, era um tremendo incômodo. Com o mesmo ar que me abordara, Barbara fora embora, após agradecer a mim de maneira simpática.

Obviamente eu sabia da paixão que ela e seus amiguinhos chiques tinham por me tirar do sério e, principalmente, o ódio que me percorria o corpo toda vez que que tinha de adentrar a maldita sala da presidência. Entretanto, claro, eu tinha ciência sobre a exímia capacidade de meus respectivos problemas de atormentar-me, por isso não havia outra escolha senão aceitar fazer o que ela pedia. Vendo-a ir embora de minha mesa, desfilando com seu salto agulha, alisando os quadris pra acertar a saia lápis preta no corpo, que complementava sua blusa branca de manga justa, me permiti deslizar na cadeira, suspirando profundamente com olhos apertados, quando conferi que ela havia tomado uma distância segura de mim.

Sentindo-me um pouco mais segura para prosseguir com meus afazeres, reposicionei-me pra fitar o computador e endureci diante da desagradável surpresa de vê-lo com a tela apagada. Meus olhos arregalados repletos de preocupação e eu só conseguia pensar em minha estupidez de ter esquecido de fazer o backup. Bato na tela do computador duas, três, quatro vezes na tentativa frustrada de fazê-lo funcionar. Ponho a mão no cenho, refletindo sobre o que eu poderia ter feito de errado e sinto que um semblante de puro desespero dominava meu rosto. No dia anterior, havia passado o dia inteiro trabalhando nessa tabela e vê-la esvaindo-se pelos meus dedos me rendia lampejos de desespero. Nesse meio tempo, não me contive. Abruptamente, me levantei, repleta de insatisfação, respirando com dificuldade, fitando minha mesa, aflita. Corri para trás do computador, ver se algum cabo estava desconectado e me deparei com o cabo da energia desplugado.

Meu rosto congelou na expressão vazia e pude ouvir ao fundo, risos abafados e já podia imaginar o motivo que lhes proporcionava tal deleite. Agachada atrás, da torre, conectei o cabo outra vez na energia, lutando pra suprimir meu aborrecimento. Não me dei o trabalho de mirá-los para confrontá-los, pois assim veriam a expressão irada que se apossou de meu rosto, esta contido com muita dificuldade. Juntando a papelada espalhada na mesa, guardei-a na gaveta alocada no canto da mesma, trancando-a em seguida. Evitaria que mais problemas pudessem vir a acontecer. Eles estavam se tornando cada vez melhores em aprontar e eu me dei conta disso da pior maneira possível. Certifiquei-me novamente de que o compartimento não abriria e ergui-me novamente para encará-los, engolindo em seco.

Barbara sorria com escárnio junto ao seu grupinho de seguidores composto por Katerine, Lola e Jhon. Katerine sempre com vestidos colados no corpo, dona de cabelos loiros platinados, a mais alta e magra de todos. Lola era dotada de pernas grossas, esta amava exibi-las com saias justas, a mais exibicionista, era quase gêmea de Jhon e Katerine, pois esta era a cor de cabelo que os três usavam no cabelo. Para mim, era quase certeza de que eles iam ao mesmo salão de beleza para imitarem esse tom, no meu ponto de vista, nem um pouco invejável que Kate ostentava. O homem era o que mais desdenhava de mim, sempre que podia. Este sempre a par a par das tendências de moda, pelo menos era o que ele pensava. Hoje, ele vestia um suéter xadrez preto e branco, calça preta social e sapatos da mesma cor. Eles cochichavam entre si e me olhavam com ar de superioridade.

O resto dos funcionários apenas os seguiam nas risadas, alguns pude notar que até se compadeciam de mim, mas tinham medo de ir contra a maioria. Estes eram padronizados, tentando manter o nível de elegância do grupinho chique que caçoara de mim. As víboras se cutucavam exibindo seus dentes brilhantes, as risadas estridentes. Eu apenas franzi o cenho, devidamente frustrada, enquanto os xingava mentalmente. Manter a calma anda sendo bem mais difícil.

- Hey, Hannah. Não vá se atrasar para o compromisso, hein. Você prometeu - novamente o tom debochado acompanhado de falsa preocupação.

Ela tornava a gargalhar, juntamente ao grupo e eu olhei o relógio brevemente enquanto aprontei-me para buscar o senhor Bob. Ignorando outra vez os olhares maléficos deles, atravessei seus campos de visão como uma flecha, para evitar mais aborrecimentos.
Me enfiei dentro do elevador apressadamente e suspirei profundamente no tempo em que aguardava o primeiro andar chegar. Era inevitável perguntar-me qual era a graça de fazer isso com alguém. Humilhar pessoas não deveria deveria ser motivo de risadas, refleti com semblante exausto.

Fechei os olhos buscando me confortar e ouvi as portas abrirem-se. Vi o senhor de aparência séria parado nas portas de correr do hall, segurando a famosa caixa. A misteriosa caixa que ninguém se atrevera a averiguar o conteúdo até então. Me perguntava o que teria dentro, cheguei até mesmo em pensamentos rápidos a cogitar a possibilidade de comercializarem drogas na empresa. Me repreendi de imediato, mas com o persistente pensamento, acabei cedendo à reflexão de que a falta de comunicação do patrão, deixava em aberto muitas possibilidades sinistras. Fechei a cara por instantes. Minha intuição me dizia que, de uma maneira ou de outra, se eu mexesse no conteúdo daquela caixa, poderia mudar drasticamente o meu destino. De qualquer maneira, ficaria quieta por ora. Minha prioridade, afinal, era recepcionar o senhor de idade, tarefa a qual nem era minha e isso por si só, já me ocuparia o suficiente para me atrasar nos meus próprios afazeres. Bufei. A incompetência de uns começava a afetar a minha vida.

Circunstancialmente, acenei para o senhor que, felizmente, me retribuíra. Talvez eu possa aumentar para três o número de pessoas que se dão o trabalho de serem simpáticas comigo, pensei sarcástica, enquanto me encaminhava ao senhor que era o fiel escudeiro do antigo presidente, pai de Sebastian. Ele limitou-se a cumprimentar-me com um bom dia com um sorriso gentil, enquanto carregava o pacote. Suas rugas evidenciavam sua idade avançada. Ele tinha cabelos brancos extremamente penteados e vestia um terno impecável. A caixa que era grande o suficiente para ocupar seus dois braços e por isso tratei de pedir para que ele me deixasse ajudá-lo, coisa que ele fez questão de prontamente negar com expressão mais séria. Ignorando por fora comum sorriso torto, senti minha mente borbulhar repleta de pensamentos a respeito dessa caixa. Esse mistério todo que gira em torno dessa caixa me fazia acreditar que talvez eu não estivesse tão louca assim.

Pedi passagem para as pessoas pelo caminho até o elevador e já dentro dele, não parava de pensar sobre o que haveria dentro do item quadrado. Permanecemos em silêncio até chegarmos ao sexto andar naquele clima tenso esmagador e eu só conseguia contar os andares impacientemente, para que eu pudesse focar-me logo em meu trabalho e assim me livrar de pensamentos sobre coisas que não me dizem respeito. Assim que as portas se abriram, vi o telefone de minha mesa tocar, tive que pedir desculpas rapidamente para o senhor e pude jurar que ele me sorriu. Corro em direção ao objeto de toque irritante, atendendo-o.

- Hannah? - A voz conhecida do loiro arrogante invadiu minha mente e eu franzi o cenho.

- Sim? - Respondi em prontidão olhando o senhor esperando em frente ao elevador.

- Você está com o Bob, certo?

- Sim... - Engoli em seco.

- Traga-o até mim, por favor - ele pediu e eu podia jurar que havia uma ponta de preocupação em sua voz.

Pus o telefone no gancho depois de assegurá-lo que levaria o senhor e suspirei, me preparando mentalmente mais uma vez para outro processo detestável. Certamente além da curiosidade iminente dentro de mim, agora teria de lidar com o aborrecimento de suportar outra faceta de desdém. O dia seria longo.

 


Notas Finais


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