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História Diga Que Me Ama - Capítulo 8


Escrita por:


Notas do Autor


I'M BACK!!!!!!!!!
Obrigada pela paciência e a @un-village pela capa🖤
Estão preparados?

Capítulo 8 - Diga que não esperava por isso


Atualmente

 

 — Moshi moshi?

  O coração de Ichigo bateu forte contra o peito ao escutar a voz cativante do outro lado de seu celular. 

 — Inoue, sou eu — disse, tendo quase certeza que ela, distraída do jeito que era, havia atendido sem nem verificar o identificador de chamadas.

 A linha ficou muda. Por um período longo e apreensivo, só foi capaz de ouvir o som da respiração dela.

 — Kurosaki-kun — Adotou um tom bem menos caloroso, soando tensa — Como vai você?

 — Bem — mentiu — E você?

 — Estou bem.

 “Mentirosa”, não conseguiu deixar de pensar.

 — Vou para Tóquio neste final de semana e quero me encontrar com você — Foi direto ao ponto — Precisamos conversar.

 Outro momento de silêncio.

 — Sobre o quê?

 — Você sabe sobre o quê.

 Escutou a respiração dela acelerar bruscamente.

 — Não temos nada para conversar, Kurosaki-kun.

 Ela desligou antes que ele respondesse. Ligou mais quatro vezes, porém ela não atendeu mais. Isso irritou-o a ponto de quase atirar o celular na parede.

 Orihime podia até não colaborar, mas isso não o impediria de ir atrás dela. No fundo, sentia-se mal por querer forçá-la a entrar em uma situação que ela claramente ansiava evitar, mas não tinha outra opção. Não conseguiria, e nem queria, continuar vivendo com o conhecimento de que ela estava magoada com ele. Precisava resolver essa situação o mais rápido possível, pelo bem de sua sanidade.

 Caminhando de um lado para o outro na sala de sua casa, Ichigo refletia sobre suas alternativas. Ele podia tentar falar com Ishida ou Chad para ver se eles sabiam onde ela morava, uma vez que Tatsuki não lhe daria esse tipo de informação nem sob tortura. 

 Entretanto, sabia em qual hospital a ruiva trabalhava, pois ela comentou com ele uma vez, então também havia a opção de tentar encontrá-la lá durante o expediente. O problema é que teria que descobrir quando exatamente ela ia trabalhar, visto que enfermeiras não costumavam seguir o horário comercial.

 Enquanto tentava se lembrar de qualquer outra coisa que pudesse ajudá-lo, uma ideia incômoda atravessou sua cabeça: e se um dos motivos pelos quais Orihime não queria vê-lo, além de estar chateada, fosse ela estar em um relacionamento?

 Seu estômago embrulhou. Imaginar outro homem provando aqueles lábios perfeitos e sentindo aquela pele macia contra seu corpo o corroeu por dentro.

 O pior era que tal probabilidade não era nada absurda, por mais que ele desejasse que fosse. Ainda que Kazane tenha errado feio ao dizer que Orihime estava casada, devia haver algo que a fez acreditar nisso.

 Enfim… Só havia um modo de descobrir.

 

 

  — Kurosaki-san, que bom te ver novamente! Quer uma mesa para quantas pessoas? — Kazane saudou-o cordialmente e dirigiu o olhar para a entrada do restaurante, certamente com a intenção de verificar se ele estava acompanhado. Dessa vez, ela ocupava a posição de maitre, o que fez Ichigo, por um mero segundo, questionar-se se ela fora promovida ou simplesmente estava substituindo alguém que faltou no dia.

 — Não vim para jantar dessa vez, Sato-san. Estou aqui porque preciso falar com você sobre a Inoue.

 Num primeiro instante, Kazane fitou-o com estranhamento, porém acabou dizendo:

 — Se importa de esperar até às onze? É quando o meu expediente acaba.

 Apesar de se tratar de uma longa espera, especialmente por ser de noite, ele concordou. Sorte sua que havia uma pequena lanchonete em frente, que com certeza seria bem mais confortável para passar o tempo do que o restaurante chique.

 Após quase três horas e incontáveis bolinhos e copos de chá, viu, pela janela da lanchonete, Kazane sair do restaurante com uma bolsa de ombro, jeans e suéter preto no lugar do uniforme, visivelmente pronta para ir para casa. Ichigo colocou o dinheiro da conta sobre a mesa e correu para encontrá-la.

 — Por que quer falar comigo sobre a Inoue-chan? — cumprimentou-o com um questionamento que exalava curiosidade.

 — Tenho algumas perguntas para te fazer sobre ela…

 — Não acho que eu tenha muito a te dizer, Kurosaki-san. Depois que terminamos a escola, só a vi naquela vez em Tóquio.

 — É sobre esse dia que eu quero saber. Você disse que ela estava com o marido dela, não é? — Kazane confirmou — Acontece que a Inoue não é casada, Sato-san.

 Ela franziu o cenho levemente.

 — Não? Me enganei então — Deu de ombros.

 — Como era o cara que estava com ela?

 — Alto, loiro… Tinha cara de ser legal.

 Ichigo sabia que não era mesmo sem conhecê-lo.

 — Qual era o nome dele?

 Kazane levou a mão ao queixo e fez uma careta enquanto tentava se recordar.

 — Não me lembro. Praticamente só conversei com a Inoue-chan.

 — Ele e Inoue estavam de mãos dadas ou fazendo alguma coisa que casais costumam fazer?

 — Não, ele só estava carregando algumas sacolas para ela.

 — Eles estavam usando anéis que se pareciam com alianças?

 — Por Kami-sama, Kurosaki-san! Que perguntas são essas?

 Ichigo se deu conta do quão maluco ele devia estar parecendo. Sentindo-se um idiota, ele bufou e explicou:

 — Estou tentando entender o porquê de você ter achado que a Inoue e esse cara eram casados.

 Os olhos de Kazane brilharam em entendimento.

 — Ah, simples, é porque ela estava grávida.

 Num primeiro momento, Ichigo achou que tinha escutado errado ou que ela estava de zombaria com cara dele, porém ela não deu nenhum indício de que fosse o caso. Convencido de que se tratava de mais um engano, ele indagou:

 — Tem certeza?

 — É claro que tenho! — A garçonete/maitre exclamou, indignada com a desconfiança do ruivo. — A barriga dela estava enorme e nós até falamos sobre o bebê…

 — Ela disse quem é o pai? — interrompeu-a, com uma crescente onda de pânico revirando suas vísceras.

 — Ela não mencionou nada sobre o pai. Na verdade eu nem perguntei porque assumi que fosse o cara loiro.

 Ichigo teve vontade de agarrar a ex-colega de escola pelos ombros e sacudi-la, perguntando como diabos ela pôde ser tão sonsa e deixar passar informações tão críticas.

 — O que ela te disse sobre o bebê?

 — Que era um menino e iria nascer em abril. Ela também falou que queria decorar o quartinho dele com bichinhos e…

 Ichigo não foi capaz de processar o resto das coisas que ela contou. Não depois de realizar um cálculo rápido em sua cabeça.

 A festa de aniversário de Tatsuki foi em julho do ano anterior. O filho de Orihime nasceria, ou melhor, nasceu em abril. Nove meses depois. Nove meses após eles dormirem juntos.

 — Kurosaki-san, está tudo bem? — Ela indagou com um semblante preocupado.

 Ichigo, congelado de choque, sequer foi capaz de assentir. O turbilhão de pensamentos e emoções dentro de si era avassalador. Sentindo-se fraco, como se seus ossos tivessem se transformado em gelatina, ele deu as costas para Kazane e se sentou no meio-fio, cobrindo a cabeça com as mãos ao passo em que lutava para respirar.

 

 

 Tatsuki acordou com alguém esmurrando a porta de sua casa. O barulho trovejante era complementado pela campainha, que tocava incessantemente como se alguém houvesse afundado o dedo nela.

 Conferiu o relógio digital na cabeceira da cama antes de se levantar às pressas e vestir um roupão sobre o pijama. Foi correndo atender a porta, acreditando que havia acontecido algo com um de seus vizinhos. Afinal, por que outro motivo uma pessoa apareceria em sua casa à uma hora da manhã de um dia de semana se não fosse por uma emergência?

 Para sua surpresa, deparou-se com um Ichigo vermelho e transpirando fúria. A cara dele de quem iria cometer um assassinato nos próximos minutos, entretanto, não a intimidou.

 — Puta que pariu, Ichigo, você enlouqueceu?! O que…

 — O filho da Inoue é meu?

 Tatsuki petrificou. A maneira instantânea como ela empalideceu deu ao Kurosaki uma prova tão concreta quanto um teste de DNA. 

 — Me responda, Tatsuki! — Embora tivesse quase certeza, precisava ouvir a confirmação.

 — Como você descobriu que ela tem um filho? — indagou ao se recuperar parcialmente do choque.

 — Isso não vem ao caso.

 — É claro que vem, prec…

 — Me responda! —  rugiu, sem paciência para enrolações.

 — Você não é o pai. 

 Era evidente que ela se esforçou para não gaguejar. O efeito que isso teve sobre o humor dele foi semelhante a jogar um galão de gasolina em um incêndio.

 — Mentirosa! Sei que se a Inoue tivesse um filho com outro homem, você teria feito questão de jogar isso na minha cara naquele dia! — acusou, cerrando os punhos — Foi por isso que você me disse para ficar longe dela, não foi?! 

 Ela podia até tentar negar novamente, porém seria incapaz de disfarçar a verdade gritante em seu olhar.

 — Como você pode?! — gritou, sentindo-se traído — Achei que você fosse minha amiga!

 — Ichigo… Eu… — Tatsuki fez uma pausa, tentando achar as palavras adequadas. Por fim, deu um suspiro derrotado — Não cabia a mim te dizer.

 — É claro que cabia! Qualquer pessoa com o mínimo bom senso teria me dito!

 A cautela de Tatsuki foi imediatamente substituída por indignação. 

 — Não me venha falar de bom senso, seu cretino! Esqueceu das merdas que você fez?!

 — Meus erros não justificam os seus.

 — Não cometi erro nenhum e mesmo se tivesse cometido, não me arrependo de nada! — Ela devolveu — Você só teria feito eles sofrerem!

 — Eu nunca faria mal para o meu filho!

 Ela soltou uma risadinha debochada.

 — Realmente acha que vou acreditar nisso depois de você ter feito mal para a mãe dele?

 As palavras de Tatsuki fizeram com que o coração de Ichigo desse aquela incômoda e familiar contorcida. 

 — Já chega, isso aqui está ridículo — disse com seriedade — Não é com você que eu tenho que ter essa conversa.

 Tatsuki arregalou os olhos ao perceber o que ele quis dizer. Contudo, era tarde demais para fazer algo, pois ele já havia ido embora.

 


Notas Finais


Que deixar registrado aqui que a @MaiCifer chutou nos comentários do último capítulo a possibilidade de Orihime ter engravidado do Ichigo e eu, obviamente, neguei na cara dura. Desculpa, flor, mas eu não podia dar esse spoiler. Mas eu te disse que esse era o meu clichê favorito, não disse?


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