História Diga que me quer - Ruggarol (adaptação) - Capítulo 5


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Categorias Karol Sevilla, Ruggero Pasquarelli
Personagens Karol Sevilla, Ruggero Pasquarelli
Tags Amor, Karol Sevilla, Lutteo, Paixão, Romance, Ruggarol, Ruggero Pasquarelli, Sou Luna, Soy Luna
Visualizações 33
Palavras 4.182
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Crossover, Ficção Adolescente, Romance e Novela, Shoujo (Romântico)
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 5 - Capítulo 4.


(se houver algum erro, ou uma confusão de nomes, me avisem pra mim corrigir, até porque fazer uma adaptação e trocar coisas não é tão fácil, e eu acabo me confundindo.)


É IMPRESSIONANTE COMO SEMPRE ME SENTI CONECTADO com a minha irmã; mesmo quando ela agia como uma pentelha chata.

Tinha esquecido o tanto que a companhia dela me fazia bem. Sua presença me fazia esquecer a outra garota que não saía da minha cabeça, enquanto ela tagarelava sobre Pedro. Até mesmo na semana em que a pirralha ficou reclusa em casa e tive aguentar meu amigo no meu pé querendo saber como ela estava. Após o homem me encher muito o saco, falei onde ela fazia suas corridas matinais. Já não bastavam os meus problemas, ainda tinha que dar uma de cupido. Era mole? Mas eu estava contente, pois de um jeito muito esquisito sentia que Isadora gostava dele. Ela nunca ficou tão interessada em alguém assim, pelo menos não que eu soubesse.

— O que você aprontou, Isadora? — perguntei quando a doida começou a rir do nada enquanto estávamos no restaurante, após me contar uma longa história sobre vacas loiras que não entendi absolutamente nada.

Ela contou sobre um bilhete que escreveu e eu gargalhei com a insanidade da garota. Quem vai embora, em pleno tesão, e ainda deixa um recado zoando o tamanho do pau do cara? Aparentemente Isadora. Achava engraçada a forma como ela fazia questão de deixar claro o quanto era diferente da nossa mãe, mas quando eu conversava com ela, era como se tivesse em frente à dona Helena. As duas eram extremamente parecidas em muitos aspectos, inclusive na teimosia. Suspirei fundo e me despedi dela, relutante porque queria saber de mais fofoca para atentar o Pedro depois, mas ainda tinha paciente para atender; uma das poucas daquela semana, pois não estava conseguindo me concentrar.

Após atendê-la, fiquei um tempo mexendo em uns papéis sem realmente conseguir de fato ler o que estava escrito. Já não bastasse eu não gostar do meu trabalho, ainda tinha outra pessoa para me distrair do que já era uma tarefa difícil. Eu estava completamente perturbado com o tanto de trabalho que tinha enquanto estava sentado à mesa pensando na vida, que só então me dei conta que não havia saído com mais ninguém depois da coroa casada completamente sem noção. Isso quase nunca acontecia. Pelo menos uma vez na semana eu saía para alguma festa e acabava enroscado em alguma mulher, ou em algumas mulheres. Passei a mão pelos cabelos sem entender o que estava acontecendo comigo. Peguei o celular de dentro da gaveta e abri a agenda, rolando o dedo pela tela à procura de alguma das amizades coloridas que eu tinha. Estava na hora de acabar com aquela estranheza que me afligia. Quando cliquei no nome de Beatriz, uma mensagem de Isadora apareceu na notificação, chamando-me para uma balada. Respondi que estava pensando em sair com uma amiga e ela me mandou dezenas de chantagens baratas, então acabei concordando em ir.

Apertei meus olhos e olhei a ficha dos pacientes. Não tinha mais ninguém para atender. Assinei a folha e saí, fechando a sala e indo até a recepção para deixar a prancheta. Como era de praxe, pisquei para a recepcionista e fui para casa. Quem sabe a noite não me traria uma distração. Certeza de que Isadora ia sumir e me deixaria sozinho mesmo, tudo certo. Seria uma mulher desconhecida ao invés de Beatriz, por mim estava tudo bem. Cheguei em casa e subi as escadas procurando pelo pessoal. Ouvi o movimento no antigo quarto de Isadora e cheguei bem quando a doida tirava um monte de roupa de tudo quanto é canto do cômodo.

— Rugge! Que bom que chegou. O que acha desse vestido? Está bom?

— Desde quando sou consultor de moda? — zombei, franzindo a testa com o nervosismo dela. Realmente ela estava com os quatro pneus arriados e pronta para a maldade.

— Idiota. Quero saber se esse fica bom — falou, colocando um vestido esquisito em frente ao corpo. Ao ver minha careta, ela bufou e revirou os olhos, pegando a próxima peça.

— Acho que vou com esse macacão preto. O que acha?

Arqueei a sobrancelha e não falei nada, mais uma vez questionando a sua insanidade. A única coisa que entendia de roupas era em tirá-las, nisso eu era mestre.

— Aff! Já te falei que essa sua cabeça gigante é inútil? Por que Deus não me mandou uma irmã que entende de moda?

— Deixa disso. Você me ama e não me trocaria por nada neste mundo — provoquei, rindo do desespero dela.

— Que horas que vai querer sair? Preciso saber se tem como eu tirar um cochilo antes, estou morto em pé.

— Dez horas a Karol vai passar aqui, então não se atrasa — murmurou e, por alguns segundos, senti uma coisa esquisita no meu peito, uma animação em excesso que não estava nos meus planos.

— Karol? Sua amiga do parque? — indaguei, tentando disfarçar a empolgação da voz. Ai meu caralho. Só me faltava aquilo para o meu carma piorar, realmente não tinha como a situação ser pior.

— Ela mesma.

Enquanto Isadora bagunçava ainda mais seu quarto, fiquei ali parado na porta, esperando que ela falasse mais alguma coisa, porque eu só conseguia ficar calado. Isso quase nunca acontecia, aquela garota estava mexendo com meu juízo. Precisava disfarçar porque Isadora é pentelha e ama me atormentar, se ela descobrisse que estava minimamente interessado na amiga dela, eu estaria completamente ferrado.

— Juízo, viu? Não apronte com a Karol. Tenho medo de você corromper a inocência da menina. Ela é muito fofa para o furacão Ruggero. — Ergui a sobrancelha e gargalhei, como fazia muitas vezes para disfarçar incômodos. Furacão, eu? Mais fácil ela ser um furacão.

— Quê? Você acha que eu gosto de garotas? Já disse que gosto de coroas, maninha. Pode deixar que assim que vocês duas forem fazer suas coisas, eu arrumo alguém para terminar a noite — disse e ela me olhou.

Isadora pareceu pensar por um tempo antes de responder.

— Então espero que Katol também arrume alguém, porque espero pelo menos uns pegas mais quentes com o irmão dela. — Ela riu e logo fechou a cara, como se tivesse ficado incomodada com a própria fala.

— Nossa, mas você é rápida! Que orgulho. Já pegou o irmão da garota? — perguntei, cruzando os braços. Eu disse que safadeza era de família.

— Você sabe que o irmão dela é o Pedro, não é? — disse.

Ai meu caralho. Foi exatamente isso que pensei. Aquela foi a maior penitência que Deus me mandou. Eu estava pensando sacanagens com a irmã de um dos meus amigos. Com a irmã adolescente de um dos meus amigos. Minha boca caiu por alguns segundos e nem consegui responder nada, apenas dei um falso sorriso de malícia para disfarçar que aquilo me baqueou e saí do quarto de Isadora, indo para o meu. Sentei na cama, encaixando os cabelos entre os dedos, sentindo um misto de coisas bizarras. As coisas estavam muito erradas. Nunca tive problema em passar para a próxima mulher quando uma era comprometida, impedida ou o que quer que fosse, mas então por que aquilo me incomodou tanto? Eu juro que não sabia! Ouvi minha irmã indo tomar banho às oito horas da noite, ainda faltavam duas horas e já sentia meu coração desesperado.

Quase desmarquei porque realmente não queria me envolver nessa situação chata. Pedro me mataria se eu tocasse na sua irmã. Quantas vezes ele não me falou sobre ela com um tom excessivamente protetor? Quantas vezes eu não o perguntei se ela era gostosa e ele me ameaçou? Só que eu não tinha ideia de que era a Karol, nem sabia como a garota era porque Pedro fazia questão de deixar claro que ela significava muito para ele, por isso eu precisava manter distância. Tirei meu celular do bolso e fucei as redes sociais de Pedro, procurando pela garota mexedora de juízo. Rapidamente a achei no meio dos amigos e abri a foto de perfil, encarando os detalhes; a forma como a boca vermelha estava levemente entreaberta, um pouco do decote da camiseta mostrando apenas a curva dos seus seios, o jeito pecaminoso com que seus dedos pausaram no lábio inferior… Tudo. Absolutamente tudo nela era uma tortura. Mas eu conseguiria! Não pegaria a irmã do meu amigo. Jamais faria isso com ele. Eu o considerava demais para destruir nossa amizade, que estava cada dia mais forte, ainda mais por uma mulher. Por uma garota!

Respirei fundo e bloqueei a tela, recusando-me a ficar me torturando daquele jeito. Deitei na cama e coloquei um despertador para nove horas para tentar tirar uma soneca, mas nem precisava dizer que não consegui cochilar porque aqueles olhos invadiam minha mente todo o tempo. Quando o celular despertou, levantei e passei pelo quarto de Isadora em direção ao banheiro e vi enquanto ela arrumava os cabelos. Por que a pessoa alisava os fios para poder cachear depois? Nem fazia sentido.

Tomei um banho demorado e gelado, tentando abaixar o fervor que Karol me causava sem nunca ter me tocado. Saí do banheiro e Isadora já estava maquiada descendo as escadas e me apressando. Apenas revirei os olhos e andei calmamente para meu quarto, a toalha amarrada na cintura e as gotas caindo pela casa. Minha mãe iria comer meu couro; ela sempre brigou comigo como se eu tivesse cinco anos. Confesso que brigava muito mais com a Isadora, mas dona Helena tinha seus momentos de surtos comigo também. Enquanto me vestia, peguei o celular novamente e rapidamente tirei do aplicativo aberto, ainda com a foto da Karol ali, para ler a mensagem de Pedro.

“Não sei o que vestir, cara. Do que Isadora gosta?” Gargalhei e respondi a mensagem, mandando que ele deixasse de ser Zé mané, mas lá estava eu, escolhendo a camisa gola polo que combinava com os olhos da Karol. Eu estava ficando louco, certeza. Rapidamente peguei qualquer uma dentro do guarda-roupa, tentando esquecer aquela loucura, e desci as escadas com a peça na mão. Minha irmã já estava lá embaixo, sentada no sofá e olhando a tela do celular enquanto tirava alguma coisa do canto do olho. Deitei ali, colocando a camisa em cima do sofá para não amassar, e liguei a televisão porque realmente precisava pensar em outra coisa. Parecia que eu estava indo casar e não para uma balada. Olhava fixamente para a televisão, mas a verdade é que não estava vendo porra nenhuma. Eu teria que me distrair de outra forma, então usei meu passatempo preferido: atormentar a Isadora.

— Relaxa, Isadora. Você está parecendo uma adolescente — provoquei e ela bufou, já vindo com suas pedrinhas na mão.

— O quê? Por quê? Estou tranquila. Ah, vá se lascar e me erra.

— Eu não te vejo nervosa desse jeito desde… bem. Nunca — zombei mais e a sensação de que eu estava falando aquilo para mim chegou com tudo.

Puta que pariu, que porra estava se passando na minha cabeça? Acho que finalmente tinha acontecido o que tanto Isadora me atormentava que iria acontecer: meus parafusos estavam se soltando da minha cabeça. Só poderia ser isso.

— Não estou nervosa. Para de falar besteira — rebateu, tentando disfarçar o maldito nervosismo, que, aliás, também me dominava de um jeito sinistro, só que eu a conhecia demais. — Só odeio esperar!

— Se odiasse esperar não teria se arrumado tão cedo. Nem parece que é mulher. Era para você estar tomando banho agora.

— Teu c… Antes que ela pudesse concluir a frase, a campainha tocou alto e nos assustou, mas eu disfarcei enquanto lutava com a ansiedade e tentava me controlar para a pentelha não perceber.

— Pronto. Seu príncipe encantado chegou — provoquei mais um pouco.

O nervosismo estava tomando conta de mim e eu parecia um adolescente. Peguei a camisa do braço do sofá e enrolei para vestir, pois queria saber se só ela que mexia comigo, se eu estava louco pensando em Karol sozinho. Cada vez que essa relação que nunca existiu ficava mais proibida, mais eu ficava curioso, atormentado, nem sei dizer. Ela era a irmã caçula e adolescente do meu amigo. Porra, a que nível eu tinha chegado? Saímos pelo portão e ela estava parada lá fora vestida com um vestido vermelho, que marcava seus quadris largos e escondia seus seios enormes com um decote mínimo. Graças a Deus, pelo menos um motivo a menos para me deixar doido.

— Oi, Isa. Que linda! — Karol disse com aquela empolgação de sempre enquanto abraçava minha irmã, mas rapidamente seu rosto corou quando olhou para meu peitoral exposto enquanto terminava de vestir a camisa.

— Hum… Oi, Ruggero.

— Olá, Karol — falei, sorrindo com satisfação em saber que pelo menos fisicamente eu mexia com ela. Por que eu queria saber se mexia em outros sentidos também?

Aproximei-me dela e depositei um beijo na sua bochecha, me arrependendo na hora porque um cheiro torturante invadiu minhas narinas.

— Você está muito bonita.

— Obrigada. — Karol sorriu, novamente a cor vermelha sumindo da sua face.

— Você também está bem bonito.

Pisquei para ela e a cor voltou a aparecer. Era uma gracinha como ela não tinha controle da velocidade que isso acontecia. Quando mais uma série de pensamentos sacanas rondou a minha mente, perguntando-me se ela coraria no sexo também, lembrei-me do grande detalhe de que faltava Pedro na pequena reunião.

— Cadê o Pedro?

— Ah. Ele não vai. — a garota respondeu, fazendo um biquinho de tristeza daqueles que dava vontade de morder, chupar e lamber de novo.

Será que seus lábios tinham gosto de morango como o cheiro do seu perfume? Fiquei aliviado porque não precisaria disfarçar muito as escaneadas que meus olhos insistiam em dar no seu corpo. Ela tinha um puta corpo para a idade que seu rostinho aparentava. Ainda tinha o fator crucial para eu me manter longe: ainda não sabia da sua idade. Pedro já tinha chegado a comentar, mas realmente não me lembrava.

— Nossa, Isa. Nem disfarça sua expressão de decepção — disse Karol do jeito empolgado e contagiante que ela tinha.

— Ele vai nos encontrar lá. Relaxa.

— Eu? Na verdade, estava bem contente. Você destruiu a minha felicidade em poucos segundos — Isadora respondeu de um jeito que nem disfarçava a mentira. Eu precisava dar umas aulinhas para ela sobre como disfarçar sentimentos.

— Então, vamos?

Foi quando surgiu a oportunidade de descobrir a idade dela. Bom, pelo menos saber se ela já tinha idade para tirar carteira.

— Vamos no meu carro. Já vi que você não veio com o seu. Pensando bem… Tem idade para dirigir? — provoquei, torcendo para que ela gritasse um “sim” em alto e bom tom.

— Claro! Faço dezenove no ano que vem, tá? Tirei carteira assim que completei dezoito anos — ela respondeu, parecendo ofendida, fazendo novamente aquele biquinho.

Dezoito anos. Exatamente dezoito anos. Ainda assim eram quase dez anos de diferença. Não era muito, era? Era sim. Eu estava tentando me sabotar, mas não conseguia disfarçar o alívio e a empolgação que aquilo me causou. Claro que novamente disfarcei muito bem enquanto íamos até meu carro. Pelo menos acho que disfarcei.

— Resumindo: você saiu das fraldas ontem — debochei com um sorriso de orelha a orelha e Karol me deu língua.

A vontade que senti de me inclinar e morder não foi pequena não. Enquanto Isadora dava a volta para entrar no banco do passageiro, não resisti e segurei o braço de Karol, ignorando o calor que sua pele macia na minha palma me causou. Inclinei e sussurrei no seu ouvido, mais uma vez sendo atingido por aquele cheiro de morango.

— Quem dá língua pede beijo.

Ela ficou espantada por um tempo antes de entrar no veículo e eu soltei uma risada, não resistindo. Dirigi, ainda com o sorriso bobo no rosto enquanto eu a olhava pelo retrovisor, rindo da sua péssima tentativa de não olhar para mim. Pisquei para ela, vendo o momento em que sacudiu a cabeça e mordeu o lábio para segurar uma risada. Isadora estava concentrada demais em tirar pelos imaginários da sua roupa para perceber o que quer que estivesse acontecendo ao seu redor, então não perdi a chance de ver aquela pele branca corando. Era uma cena linda de se ver.

Enquanto entrávamos na boate, tentei me concentrar em outra coisa porque a qualquer momento Pedro chegaria e nem fodendo que ficaria de graça com a irmã dele com ele olhando. Ver as pessoas se pegando tão descaradamente ali na casa noturna não adiantou em nada para acalmar o fogo no pau.

Assim que chegamos ao bar, Karol encostou no balcão, parecendo completamente empolgada com a situação.

— O que vocês vão beber? — gritou devido ao som alto da música que tocava no local.

— Eu não bebo — Isadora murmurou, encostando no ouvido de Jennifer.

Ri internamente, lembrando-me de como minha irmã ficava engraçada sob efeito de álcool, inclusive tinha várias gravações salvas no meu computador de quando bebíamos escondidos para o caso de precisar chantageá-la.

— Mas hoje você vai beber. Por mim! — disse a garota, já pedindo a bebida para o bartender.

O homem a olhou com uma expressão de desconfiado, olhou para mim em seguida e pediu a identidade dela. Não resisti e soltei uma gargalhada porque a expressão de raiva dela era hilária. Karol bufou, jogou os cabelos para trás e entregou o documento para o homem, que acenou depois de analisar e foi atrás das três doses de tequila que ela pediu.

Assim que ela me entregou uma, nossos dedos roçaram de leve com o movimento.

— Vamos beber, porque só temos uma vida. E como diz Henrique e Juliano: antes embriagada do que iludida — Karol falou e me olhou de um jeito diferente por alguns breves segundos que achei que tinha sido coisa da minha imaginação.

Concordei com a frase e virei a bebida, observando-a fazer o mesmo sem mostrar um careta sequer. Eu realmente estava precisando encher a cara. Isadora virou a bebida após o olhar pidão de Karol. Pouco tempo depois, senti um tapa na minha cabeça e me assustei quando vi que era Pedro. Será que ele tinha visto alguma coisa? Troca de olhares, nossas mãos se roçando, qualquer coisa. Eu precisava manter distância. Karol nos arrastou para o sofá e disfarcei muito para não encarar sua bunda se movimentando com o ritmo da música animada que tocava. Enquanto ficamos sentados, concentrei-me em encontrar alguma mulher para me tirar dali. Aquilo tudo estava perturbador demais para minha cabeça, de verdade.

Parei de procurar quando Karol arrastou minha irmã para a pista de dança e começou novamente com aquela dança desajeitada, do mesmo jeito que fez no Parque. Ela dançava do mesmo jeito, independente do ritmo. Não sei como achei sexy, mas ela era uma gracinha. Seus longos cabelos negros sacudiam rebeldes e seu sorriso não saía do rosto. Pedro também encarava a pista, mas o foco dele era outro. Quando ele levantou e foi até lá para dançar com Isadora, senti vontade de fazer o mesmo com a irmã dele, mas não queria morrer naquele dia.

Olhei mais uma vez ao redor, procurando alguém disponível, e vi uma ruiva no bar, lançando-me olhares disfarçados enquanto conversava com a amiga. Era ela. Pelo menos eu achava que era até sentir a garota furacão sentando novamente no sofazinho dali.

— Você não dança? — perguntou.

Vi o suor descendo pelo colo dos seus seios e passei os dedos pelas têmporas para controlar as putarias gritantes na minha cabeça. Sabe o quão difícil era controlar um desejo tão grande do seu corpo? Exatamente. Era impossível.

— Prefiro danças mais particulares — provoquei, esperando seu rosto corar, mas parecia que a tequila tinha dado mais controle disso para ela.

— Eu sei que você quer me pegar — disse e arregalei os olhos, surpreso com a abordagem.

— Sabe? — indaguei.

Meu corpo se inclinou automaticamente por sobre a mesa, juro que foi de forma inconsciente, enquanto o sorriso dela se abria.

— E o que você quer?

— Quer sinceridade?

Acenei, amando cada segundo daquele sorriso de malícia que só aumentava. Esqueci quem ela era, a diferença de idade, esqueci que eu tinha todos os motivos do mundo para me manter longe. Eu só a queria nos meus braços, como nunca quis alguém na vida.

— Sempre, gatinha.

— Tenho vontade de saber se você é tudo isso que tenta mostrar — murmurou, também se inclinando por sobre a mesa.

Seu rosto estava a poucos centímetros de distância quando ela levantou. Do nada. Karol saiu rebolando e eu inclinei a cabeça, acompanhando o movimento da sua bunda. Eu me arrumei no banco, sacudindo a cabeça para afastar os pensamentos impuros, quanto notei Isadora e Pedro interrompendo a espécie de transa em forma de dança que eles estavam fazendo no meio da pista. Antes que chegassem até onde eu estava sentado, levantei rapidamente. A intenção era dar sequência ao plano de ir atrás da ruiva, mas fui impedido porque senti uma mão encaixando na minha e me puxando para um dos becos dali. A música estava abafada e tudo o que sentia era o cheiro de morango. A pouca luz só me deixava ver os olhos verdes me analisando e um sorriso de dentes brancos com caninos levemente tortos. Era um puta charme.

— E então? — sussurrou no meu ouvido e voltou a me encarar.

Minha mão foi institivamente até seus lábios entreabertos. Deslizei o polegar pelo batom rosa que moldava sua boca carnuda.

— Vou beijar você… — sussurrei de volta, estranhando o ato porque nunca anunciava nada antes, normalmente as coisas já aconteciam no calor do momento e, quando via, já estava sem roupa com a mulher embaixo de mim.

Só que com Karol sentia que precisava de uma autorização. Inclinei minha cabeça lentamente, ainda com olhos abertos encarando os seus com expectativa. Nossas bocas se encostaram de leve. Eu me sentia estranho por querer ter tanto cuidado com alguém, mas ela parecia tão delicada, ao mesmo tempo em que era tão quente e sexy. Karol era um furacão animado e extravagante e beijava imensamente bem. A delicadeza do beijo foi interrompida por ela, que segurou meu rosto e colou ainda mais nossos corpos. Sua virilha encostava na minha ereção e me espantei com a velocidade com que isso aconteceu; no beijo delicado eu já estava com o pau prestes a explodir de tesão.

Karol inclinava o corpo, fazendo questão de roçar em mim, esfregando-se como se também estivesse louca de desejo. Minha mão entrou no seu cabelo macio enquanto eu ainda me inebriava com seu beijo, sentindo o leve gosto de bebida ainda ali. Então lembrei que ela tinha bebido e me afastei.

— Você bebeu — disse com a respiração ofegante.

— Não estou bêbada. Quer que eu faça um quatro para você ver? — murmurou com o batom borrado no canto e passei o dedo ali para limpar.

Karol suspirou e fechou os olhos com o toque como se fosse uma carícia erótica. Antes que pudesse jogar uma piadinha de duplo sentido, ela voltou a invadir minha boca, suas mãos puxando o meu cabelo com força. Eu estava amando cada segundo daquilo. A garota realmente não estava me ajudando a manter a ideia de resistir a ela. Minhas mãos passearam em seu quadril, subindo pela sua cintura, parando na lateral dos seus seios. Nem por um momento lembrei de que não estávamos em um lugar reservado. Não sabia se agradecia por isso impedir de continuar aquela loucura ou se xingava por não poder rasgar aquele vestido do jeito que eu gostaria. Quando a consciência bateu e eu ia me afastar, ela segurou as minhas mãos e levou em direção aos seus seios. Sua boca se afastou da minha para me observar. Gemi baixo com nossos lábios roçando de leve e pela primeira vez não sabia o que fazer. Eu não podia levá-la dali para fazer tudo o que desejava.

— Você é meu carma, sabia? — sussurrei. Um lindo carma de olhos verdes e sorriso espontâneo.

— Me beija de novo — pediu enquanto minhas mãos ainda estavam em seus seios, sentindo os bicos eriçados. Eu queria abocanhá-los para sentir a maciez na minha boca, mas me contentei em massageá-los enquanto ela gemia para mim. Tortura pura aquilo.

— Nós não podemos… — Consegui dizer após me afastar de novo. Ela colocou o dedo na minha boca e sacudiu a cabeça.

— Não vamos estragar, por favor. Não é assim que quero me lembrar deste momento — falou, sorrindo para mim. — Tenho a leve impressão de que nunca me esquecerei dele.

Franzi a testa com sua fala direta. Karol estava certa. Ela jamais esqueceria aquele momento. E eu muito menos.



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