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História Digimon - Digital World: ReStart - Capítulo 1


Escrita por:


Notas do Autor


Olá. Eu aqui mais uma vez tentando relançar de novo uma história.

*desvia de balas armas e raios*

Por favor não me matem! Para quem me conhece sabe que tenho o péssimo hábito de demorar a atualizar histórias, mas como sempre tentarei lutar contra isso, as demais pararam por problemas pessoas e de saúde.

Mas como voltei um pouco ao ânimo de Digimon e estamos todos passando por tempos difíceis, resolvi tentar mais uma vez, então espero que gostem e conto com apoio de todos.

Boa leitura. o/

Capítulo 1 - A importância das escolhas: Bem Vindo!


Fanfic / Fanfiction Digimon - Digital World: ReStart - Capítulo 1 - A importância das escolhas: Bem Vindo!

 Paris, França; 2018; sexta-feira; um fim de tarde frio de outono, o céu se torna laranja e a noite chega aos poucos, anunciando uma nova onda de frio noturno. As pessoas passam bem agasalhada pelas ruas para se proteger dos ventos frios, deixam seus escritórios e comércios ao fim do expediente a passos calmos enquanto colocam seus casacos ou os tiram de suas bolsas, para enfrentar os ventos de outono após sair o conforto quente de seus trabalhos, ou sala de aula, no caso dos que deixam a Universidade Paris 1


 Os alunos de várias idades saem aos montes, vindos de várias aulas diferentes, mas todos bem agasalhados para escapar do frio, conversando muitos entre si ou outros sozinhos apenas apertando o passo para irem embora. Mas um está diferente da maioria, um rapaz andando de cabeça baixa e bem devagar descendo as escadas do prédio, olhando para um papel em suas mãos bem pensativo e distraído do mundo ao redor.


 O rapaz é alto, cabelos castanhos e bagunçados, porém lisos e com volume, sua pele é branca, mas bronzeada, possui olhos vermelhos, usa uma camisa branca social por baixo de um colete preto social e um suéter azul, usa por cima pelo frio um blazer azul bem escuro e em seu pescoço um cachecol laranja vermelho todo listrado, em seu ombro esquerdo há uma alça da pasta marrom escura que carrega.


 Seu nome é Julian Meyer de 18 anos, francês. Estudante no primeiro semestre de história. Ele desce as escadas de Paris 1 e segue andando pela calçada, mas sem perder o foco do papel em suas mãos.


– Julian! – Uma voz doce e familiar chama a atenção do rapaz.


– Uh? – Julian muda o foco e olha para quem o chama, mas a pessoa já se encontra ao seu lado.


– Não me ouviu chamar lá dentro? – Diz uma jovem e bonita moça com um leve sorriso. -- Te chamei pra conversar desde que te vi saindo da sala, mas parece distraído.


 A jovem possui longos e fios de cabelos loiros, que se estendem até sua cintura e presos numa longa trança, uma camisa social com uma gravata preta, um casaco menor azul escuro por baixo de outro maior preto, cachecol listrado vermelho, verde e amarelo, um short curto azul escuro e as pernas totalmente cobertas por uma meia calça preta. Em suas mãos abraçando dois livros contra seu peito e uma pasta preta em seus ombros também.


 Seu nome é Letícia Antony, 19 anos e francesa também, estudante no terceiro semestres de Direito em Paris 1


 – Ah, desculpa Letícia, não ouvi. – O rapaz responde com a expressão ainda pensativa, e volta a olhar o papel em suas mãos enquanto caminha. 


 A loira ao seu lado nota a distração e faz um bico com as bochechas infladas, tentando parecer emburrada.


– Com licença! O que há de tão interessante aqui? – rapidamente a loira tira o papel das mãos de Julian, começando a ler.


– H-Hey! – O rapaz tenta protestar, mas por conhecer a loira, desiste com um suspiro derrotado. 


– Oh! – Aos poucos o rosto emburrado se torna um surpreso e até empolgado. -- Vocês vão fazer uma excursão pra Alemanha?


– Mais ou menos… – O moreno pega o papel das mãos da garota, que se trata de uma confirmação para uma viagem com a faculdade. – Vamos estudar e explorar as praias invadidas no Dia D e sobre a Segunda Guerra.


– Nossa… – Letícia olha bem impressionada e admirada para o amigo. – E pensar que já haveria uma oportunidade dessas sendo do primeiro ano.


– Na verdade, é só para o quarto ano … O professor que conseguiu uma vaga e quis me convidar. 


– Sério? Nossa, que impressionante! Sabia que te notaram cedo por ser tão esforçado. Parabéns! – A jovem sorri mais largo para o rapaz com os olhos brilhando, realmente animada, mas logo seu sorriso some. – Mas então por que esse rosto confuso? Devia estar animado, não?


– Eu devia, mas estou pensando se vou ou não… – Julian diz um pouco desanimado e voltando a olhar o papel.


– Por que a dúvida? É uma oportunidade incrível. – Ela indaga confusa. – Fica enjoado em viagens por acaso?


– Antes fosse, isso até dá pra aguentar, o problema é a data… – Julian então mostra para a amiga no papel a data da viagem, que está marcada para exatos 30 dias.


– Uh? E o que tem nessa data? 


– É o aniversário de casamento dos meus pais… – Ele suspira um pouco. – Meu pai sempre pede ajuda para fazer alguma surpresa, ou eu e as meninas ficamos sozinhos ou com nossos avós quando eles viajam, ainda mais em um fim de semana.


– Oh, entendo… – Letícia baixa o olhar e tenta pensar em algo pra ajudar o amigo, logo sorrindo para ele e andando em sua frente o olhando, levemente corada. – Bom, já que precisa pensar nisso… Por que não pensa enquanto comemos algo naquela padaria aqui perto?


 Julian ergue o olhar para a amiga, um pouco surpreso, mas nem tanto. Desde que começou a faculdade, Letícia tem sido seu apoio, tanto acadêmico, social e emocional, por ser, nas palavras dela, “sua veterana”. 


 Ele sorri leve para a amiga, abrindo a boca para responder, mas então…


Trim Trim! Trim Trim!


 Um toque de celular o interrompe e os dois param de andar. Julian suspira por reconhecer o som, ele faz um gesto com a mão para a amiga esperar enquanto ele pega o telefone de seu bolso e o atende.


– Alô? 


JULIAN! – Grita alto a voz no outro lado a linha, o que faz o rapaz afastar o telefone do gosto por um momento, mas a reconhecendo na hora. Já está em casa?


– Não… – Devagar ele volta com o celular ao ouvido. – Acabei de sair da aula… Por que?


Ótimo! com a sua carteira? 


– Claro que eu estou… Mas eu pergunto de novo: Por que? – o moreno já fica com uma gota em sua cabeça pelo rumo da conversa.


Ótimo! Me encontra naquele mercado de ontem! Agora, é uma emergência! – Então a voz animada na linha desliga a ligação, deixando o rapaz confuso e meio indignado, suspirando pesado.


– Falando na Sophia… Desculpa, acho que o lanche vai ficar para depois, preciso me encontrar com ela.


– Ah, sem problemas. Não quero entrar na lista negra dela por te ocupar demais pra atender ela. – A loira ri leve com a própria piada e concorda com a cabeça, mas o rapaz nota na amiga um pingo de desapontamento. – Bom, então nos vemos segunda na aula. Até mais.


– Até mais. – Responde o rapaz sorrindo leve e acenando.


 Logo após de despedir, Julian se vira e sai andando na direção que ambos já seguiam, porém mais rápido. Já Julian se vira e toma a contramão, indo para outra direção.


 Enquanto anda, Julian abre sua bolsa em seu ombro para guardar seu celular e o papel do torneio, mas ao abrir, bem no canto de sua visão, ele vê algo, o que parece ser asas de uma borboleta, mas azuis e brilhantes como um inseto normal jamais poderia produzir tão brilho.


– Uh? – Julian para e vira o rosto para onde achou ter visto o bater de asas, mas não vê nada, apenas as pessoas passando pela calçada. – Deve ter sido minha imaginação.


 O rapaz volta a guardar as coisas na bolsa, mas novamente para ao sentir tocar em algo desconhecido lá dentro.


– O que é isso? – Ele tira o objetivo estranho da bolsa e o olha em suas mãos.


 O objeto é um aparelho um pouco menor que seu celular, cabendo perfeitamente em sua mão, totalmente branco e cinza, possui arestas de plástico para empunhar, uma pequena tela apagada e 3 botões, dois ao seu lado, um em cima do outro, e outro menor na sua diagonal, e abaixo de todos outro botão maior que mais parece um joystick de videogame e uma pequena antena preta do na parte superior direita do objeto. Na verdade todo o aparelho parece aqueles videogames portáteis antigos.


– O que isso tá fazendo aqui? – Confuso e com razão, o rapaz aperta todos os botões do aparelho para ver do que de trata, mas nada acontece, na pequena tela não aparece e nem acontece nada. – E ainda tá quebrado…


 Sem saber o que fazer direito com o aparelho, e por ter que encontrar Sophia logo, o castanho guarda novamente o objetivo em sua bolsa e volta a seguir seu caminho.


– Mais tarde vejo do que se trata.


————————————


 Poucas horas depois, já 8 horas da noite, o céu negro já tomou conta de Paris, mas não pode ser visto de onde Julian está, por estar descendo as escadas da estação de metrô, carregando em suas mãos várias sacolas plásticas e pesadas cheias de ingredientes e comidas, tanto doces quanto salgadas, com clara dificuldade para carregar tudo.


– Você me chamou pra ir com você para pagar por tudo ou pra ser seu burro de carga? – Comenta Julian suspirando pesado e indignado para a garota ao seu lado.


– Eu faria isso? – A garota se faz de ofendida, com a mão no peito, mas logo sorri com a língua pra fora e dá uma piscadinha. – Exatamente, e você veio por ser um irmão muito bonzinho.


– Ou trouxa… – Murmura ele completando a frase.


 – É, ou isso também. – A jovem ri um pouco balançando os braços enquanto caminha, carregando apenas uma pequena e leve sacola.


 Essa é Sophia Meyer,, 19 anos, irmã mais velha de Julian. Possui um corpo esbelto e atraente, quase tão alta quanto Julian, apenas alguns centímetros mais baixa. Usa um casaco de couro preto e por baixo um suéter de gola preto, uma calça jeans azul e botas pretas, a roupa justa no corpo destacando bem suas curvas, cintura fina, seios e quadril fartos. Possui a pele branca e bem clara, cabelos longos e azulados bem claros que vão até sua cintura, e olhos também azuis.


 Os dois irmãos andam até chegarem perto da área de embarque e desembarque, esperando o trem deles para voltarem para casa, junto de várias outras pessoas esperando o trem para seus destinos.


– Eu só não entendi o porquê de você querer fazer uma surpresa pro papai e pra mamãe amanhã se o aniversário deles é só mês que vêm. – Diz o rapaz com os ombros pesados por causa das compras.


– Se fosse no dia ou muito perto não seria uma surpresa, não é? E não sei o que o papai vai planejar… se for muito perto ele pode melar meus planos de novo! – A jovem cruza os braços e bufa emburrada.


– Mas o aniversário é deles, e os planos também e… Ah deixa pra lá. – Julian suspira derrotado, sem querer prolongar uma conversa que iria sair perdendo e possivelmente gastando mais dinheiro.


– E não ouse reclamar! – A garota aponta o dedo para o irmão. – Você vai comer tudo isso também e eu não te tirei de algo importante para vir comigo… ou tirei?


– Tirou não… Mas eu iria ir comer algo com a Letícia, e pensando bem acho que foi melhor sair antes mesmo de ir com ela do que sair durante o lanche, seria mais falta de educação. – O castanho comenta pensando consigo mesmo.


– Hehe… Sair com a Letícia é? Quem fez a investida, você ou ela? – Sophia dá um risinho malicioso o olhando de lado.


– Não teve movimento nenhum, era só um lanche. E pra sua informação foi ela que me chamou. – Ele responde, cansado e suspira pesado, o que faz a garota estalar a língua e cruzar os braços.


– Seu chato… Além de vocês dois ficarem nesse “vai e não vai”, não tem graça implicar com você se não fica bem corado e sem graça.


– Estou muito a frente disso, irmãzinha. – Dessa vez ele sorri de canto e ri leve para a menor, que o olha de canto e vira o rosto de novo emburrada, quieta junto a ele esperando o trem.


AHHHHHHHH!


 Mas então um grito chama a atenção dos irmãos e de outras pessoas próximas.


– Uh? – Os dois se olham em meio ao susto e se juntam a um amontoado de pessoas que falam alto e olham para os trilhos do trem.


 Ao se aproximarem eles veem o que todos vêem e o motivo do grito, uma mulher, caida nos trilhos do trem convencimento.


– Meu Deus! Alguém chama ajuda!


– Ela tá viva?


– Alguém tem que tirar ela de lá!


– Moça, acorda!


 As pessoas falam várias coisas, todas assustadas e preocupadas vendo a mulher caída, Sophia não consegue dizer nada, apenas segura a manga do braço de Julian, nervosa com isso. 


– Meu Deus… o trem vai vir e pegar ela!


– Tirem ela de lá!


– Parem o trem!


 Os gritos aumentam, a tensão aumenta… todos desesperados com a chance de verem a morte acontecer a sua frente, uma morte horrível e feia, porém o medo e tensão não são o bastante para fazer essas pessoas irem contra o instinto básico de autopreservação e se arriscarem nos trilhos do trem.


– Fica aqui!


 Bom, quase todos.


– Uh? – Sem ter tempo para entender, Sophia apenas sente Julian puxar seu braço, largar as bolsas de compra e sua própria bolsa no chão, e então vê seu irmão pular nos trilhos e ir em direção a mulher caída.


– JULIAN!


 Mais gritos quando as pessoas vem o rapaz, alguns mais assustados querendo que ele saia, outros gritando para ajudar a moça.


 Julian chega e se agacha ao lado da mulher que ainda se contorce em espasmos, a pegando nos braços e a sacudindo freneticamente para acordá-la.


– Acorda moça, acorda! – Tão nervoso quanto às demais pessoas, alternando seu olhar para a mulher em seus braços… – Acorda! – Mais uma tentativa falha, o castanho olha e procura pelo corpo da mulher alguma coisa que pudesse mostrar porquê ela desmaiou, então seus olhos chegam em uma pulseira de ferro no pulso dela, que ele logo trata de ler. – Epiléptica…


 Vendo que não teria como fazê-la acordar, e notando no fim do túnel as luzes do trem aparecendo, sinal de que o trem está chegando, rápido demais para frear antes de acertá-los, mesmo com pessoas na plataforma acenando para frear, Julian reúne toda força e levanta a mulher nos braços, para carrega-la para fora dos trilhos.


– Vem logo! – As pessoas próximas esticam as mãos para ajudar a tirar os dois de lá.


 Mas o coração de todos quase para por um segundo, com o susto dos freios do trem tentando parar esse monstro de metal, mas pela velocidade que estava, segue rápido e cuspindo faíscas dos trilhos.


 Julian tem todo o direito de sentir a força ir embora ou suas pernas travarem no lugar, mas ele sabe que isso significaria o fim, então com o trem se aproximando ainda mais, ele carrega a mulher em seus braços até próxima a plataforma.


– Pega ela, rápido! – Com força ele a levanta muito acima da cabeça, graças a adrenalina talvez, e as pessoas na plataforma pegam a mulher, vários braços a tira das mãos do rapaz e a puxam para segurança.


 Uma salva, mas Julian ainda está nos trilhos. 


 O castanho tenta subir para a plataforma alta, escalando e se apoiando com os pés pelas laterais, as pessoas perto ajudam o puxando desesperadas por o trem já estar quase chegando, poucos segundos o separando do fim.


– Julian! – Sophia é uma das pessoas que agarra no casaco de braços do rapaz para puxar com toda a força.


 Com muito esforço e vontade de viver, os gritos já sendo abafados pelo som dos trilhos chacoalhando, Julian consegue emergir para a plataforma, se erguendo com as mãos no chão e pondo um pé de cada vez na plataforma, olhando para Sophia sorrindo, de alívio e nervoso ao mesmo tempo.


– Eu tô be-


 Mas antes de poder tranquilizar a irmã, antes de todos poderem comemorar e saldar o rapaz herói, um erro acontece… um passo em falso. 


 Os olhos de Julian se arregalam e quase veem o mundo em câmera lenta, enquanto cai de costas para trás por ter escorregado o pé na beirada da plataforma, podendo ver com clareza, os olhares horrorizados das pessoas e de sua irmã a sua frente, que lentamente se afastam para sempre…


JULIAN!


 Então, uma luz branca enorme toma conta da visão do francês, enquanto ouve o grito de sua irmã que se afasta. Agora para ele, está parado no ar em meio a nada além de branco, sem conseguir se mexer nem falar, não vendo nada mais da estação de metro, apenas uma visão periférica, bem no canto de seus olhos, do trem parado a nem à um metro de si. Julian não sabe o que pensar, o que sentir, apenas passa pela cabeça a princípio o mais óbvio, que já morreu ou está para morrer.


 Logo algo surge algo em meio a luz. A sua frente, quase ao alcance de sua mão esticada, surgem duas palavras, ou melhor, dois botões um em cima do outro, parecido com um menu de vídeo-game. Julian fica cada vez mais confuso e agoniado, será isso que decide quem vai para o céu ou não? Isso se existir tal coisa, o que a essa altura o rapaz não duvida de mais nada.


 Mas a confusão aumenta um pouco mais, quando acima dos botões se forma uma frase escrita com luz, completando a visão em sua frente.


 O que você mais quer?


(...)



 Sem entender nada, sem nem tentar, a beira da morte algo ou alguém lhe faz uma pergunta dessas, parece combinado ou algo assim, mas a esse ponto ele não precisa pensar para dar uma resposta. O braço esticado de Julian se move em direção a frase, apenas ele livre da paralisia e se movendo livremente, ele leva os dedos os estica apontando para a resposta, a mais óbvia que poderia dar, digitando como se houvesse um teclado invisível, formando sua palavra e seu desejo.


(VIVER)


 Viver… é sua única resposta possível para ele, pois ainda tem muito o que fazer, muito o que viver, pessoas que não quer perder nem fazer sofrer com sua ausência, então apenas quer viver. 


 A pergunta a sua frente some após dar sua resposta, seu corpo volta a ficar totalmente imóvel, mas agora há algo diferente, em apenas um segundo, aquele pequeno aparelho branco que estava em sua pasta aparece em sua mão, sendo segurado firme e com a tela brilhando fortemente, o cegando novamente e o fazendo apagar. Porém, antes de perder a consciência, pelo canto de sua visão, Julian podia jurar que vê o trem abrir algo como uma boca enorme, cheia de dentes, e então o engole, e ele apaga.



————————————


 Dor de cabeça, barulho alto e luz em seus olhos, é o que resume o estado de Julian ao recobrar. Ele leva o braço para cobrir seus olhos, para não se ferir com luz direto neles, que já sente forte mesmo contra as pálpebras, se sentando antes de abri-los.


– Ai… o que foi… Isso? – O castanho abre os olhos lentamente, ainda com um pouco de dor de cabeça e certo incômodo, mas essas sensações ruins deixam de ser importantes assim que ele nota onde está. – O que? Um vagão de trem…?


 Julian se vê sentado no chão de um vagão de passageiros de um trem, mas não um de metrô, mas como os antigos de viagens ferroviárias. O lugar está vazio, com exceção dele mesmo, ele olha para si mesmo e vê que está normal e bem, ainda com o aparelho branco em sua mão e, para sua surpresa, sua pasta no chão bem ao seu lado. Ele se levanta e põe a alça da pasta em seu ombro, o aparelho em seu bolso, e tenta olhar pela janela para saber onde está, após perceber que a luz em seus olhos era luz do sol vindo pela janela. Mas antes de ter a chance de fazer isso, a porta do vagão se abre e faz um barulho alto. Receoso, mas ao mesmo tempo sem escolha, Julian anda devagar até a porta, não conseguindo olhar para fora por uma forte claridade, mas ainda sim dá passos para sair.


 Após sair do trem, seus olhos se acostumam com a claridade e então pode ver onde está.


– Wow… onde eu estou? – É um píer de madeira em um enorme lago, com certeza um lugar que não era para passar um trem, ainda mais que o trem estaria sobre a água, já que Julian saindo de frente para uma enorme floresta próxima ao lago.


 TCHUUUUU!


 Mais um som alto assusta o rapaz, o som do trem tocando um apito alto, que mais parece um urro, e começando a se mover para ir embora, deixando o francês sozinho no píer do lago e nessa floresta, no meio do nada sem ele saber onde está.


 Além do píer, o lado enorme, floresta com plantas que jamais viu e trem andando sobre a água, está de dia, um céu azul e belo com quase nenhuma nuvem e com um sol forte, mas sem tanto calor, talvez apenas pelo fato de estar agasalhado para inverno.


– Eu tô morto… isso é o céu? – Julian anda um pouco para a margem do lago, olhando ao redor. Ele vai até perto da água cristalina, se abaixa e molha os dedos na mesma. 


Gelada, mas real.


– Esse é o céu… eu morri mesmo? – Ele pensa alto consigo mesmo, enquanto olha seu reflexo na água, turvo pelas pequenas ondas que seus dedos fazem na água.


– Você é um fantasma?


 Mas então, do nada, uma voz infantil chama sua atenção atrás de si.


– Uh? – Julian tira os dedos da água, se ergue e olha para trás, em busca da voz, quem sabe alguém que o ajude a esclarecer o que está havendo, mas ao se virar, não vê ninguém. –  Eu ouvi coisas?


 Julian dá alguns passos para frente e olhando ao redor, procurando algum sinal da voz, mas enquanto anda, sente algo puxar a barra de sua calça.


– Uh? – A puxada o faz olhar para baixo, talvez algum galho preso, mas acaba por ver algo totalmente inesperado. 


– Você não é fantasma, eu te toco! – Diz uma pequena criaturinha, tão pequena que bate de altura apenas em sua canela, e está mordendo e puxando a barra da calça do francês.


 O castanho arregala os olhos, e pelo susto puxa a perna e tropeça para trás.


– Ah! – O francês cai sentado no chão, virado para a pequena criatura em sua frente, que a olha curioso.


– E fantasmas voam! Você não é um fantasma! – Fala o pequeno ser, dando pequenos pulos e parecendo empolgado. – Você é humano!


 O pequeno ser é verde, similar a um cavalo marinho, mas com traços de répteis, parecendo mais um pequeno dragão. Possui a barriga amarela e a calda azul, tem pequenas asinhas que tomam o lugar das nadadeiras de um cavalo marinho real, em sua cabeça possui dois chifres que se separam ambos em duas pontas com um traço roxo nelas, dentes para fora da boca pelas laterais e olhos grandes e de cor roxa que olham para Julian com certo brilho e inocência.


 – Você é humano né? – O pequeno dragão saltitar na direção do francês e para entre suas pernas abertas, sem tirar os olhos dele.


– S-Sou sim… – Ainda abalado, o moreno responde se recuperando aos poucos.


– Eu sabia! Então por que disse que era um fantasma? – A pequena criatura primeiro comemora animado e depois olha curioso o francês.


– E-Eu só estava pensando alto… – Julian se senta de pernas cruzadas no chão, virado corretamente para o pequeno dragão. – Não sabia que no Céu havia Pokemon.


– O que é “Pokémon”? – A curiosidade do pequeno só aumenta.


– São animais com poderes de um jogo, onde nele as prendem em bolas e os forçam a lutar por esporte. – O francês resposta normalmente, achando até engraçado o ar curioso do pequeno, e a estranheza por parte dele da pequena criatura se vai complemente.


– Hey! Eu não sou um Pokemon! Por favor não me prende numa bola, moço fantasma de mentira… – o pequeno se encolhe um pouco e parece ficar assustado com a ideia. 


–Eu não vou fazer isso, não se preocupa. – Ele ri leve, e sem medo algum, leva as mãos até o pequeno ser, que de começo teme um pouco, mas logo deixa o maior tocá-lo e o pegar no colo. – E não precisa me chamar disso, meu nome é Julian.


– Oh, entendi senhor fantasma! – O menor fala animado. – Prazer Julian! Eu sou Babydmon, e não sou um Pokemon! Sou um Digimon!


– Prazer Babydmon… – os dois sorriem um para o outro, ambos sem nenhum medo ou receio do ser totalmente diferente de si a sua frente. – Digimon… o que é isso?


– Significa “Monstro Digita”! E aqui não é esse “céu”, é o Lago da Verdade, fica no Digimundo! – Explica Babydmon, pulando das mãos de Julian para o chão, e saltando ao redor dele, como se estivesse mostrando o lugar.


– Digi… mundo… 


– Isso! Bem vindo ao Digimundo, Julian! – Babydmon para mais uma vez na frente do rapaz, sorrindo e parecendo muito feliz. – Esse é meu lar! Te esperei muito!


 




Notas Finais


Espero Que tenham gostado. Apoiem como possível para a história seguir. Uma história só pode ser contada de alguém a ler, então mostrem que estão interessados.

O próximo capítulo já está pronto e o lançarem em breve. Até mais o/


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