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História Digimon Jugo Tamers - Our Story - Capítulo 13


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Capítulo 13 - A promessa de Ryotaro!


Fanfic / Fanfiction Digimon Jugo Tamers - Our Story - Capítulo 13 - A promessa de Ryotaro!

12/08/2019, Japão; distrito de Ueno.

 

19:40, quarta-feira.

Ao contrário do que esperava, Ryotaro não se sentiu aliviado ao ver seu quarto como antes, sem a presença de Herissmon, na realidade ele sentiu o vazio em seu coração, que há muito não sentia, aumentar mais um pouco e o prejudicar tanto que ele não conseguiu ficar em seu quarto mais naquele momento. O jovem desceu as escadas até a cozinha, onde preparou qualquer coisa para comer e depois sentou-se à mesa em silêncio, acabando por refletir um pouco sobre todas as palavras estranhas de Herissmon e seus sentimentos conflituosos.

Que loucura...eu não acredito no que aconteceu..., mas...pensando só por um segundo, hipoteticamente, se aquele tal de Herissmon era mesmo um digimon...então, todos aqueles monstrinhos com que eu jogava junto do Yuuta eram reais o tempo todo? Mas então, o que eu tenho a ver com isso? Ele disse que já nos conhecíamos...e fomos separados por “alguma coisa ruim”...; Pensou Ryotaro, comendo lentamente seu simples sanduiche, logo se recordando de novo de seu estranho sonho e de suas próprias palavras nele, conectando-as ao que Herissmon disse antes em meio as lágrimas.

- Uma promessa... – Disse Ryotaro, ainda pensativo e se lembrando do quão triste Herissmon parecia ter ficado e das coisas duras que disse a ele em seu momento de estresse e pavor.

Ryotaro não era o tipo de pessoa que dizia coisas cruéis aos outros sem sentir nada, as piores brigas que ele teve com seu irmão mais velho nem duravam tanto, sempre o jovem mais novo voltava pedindo desculpas e completamente arrependido de tudo o que dissera; naquela situação, com relação ao digimon, não era diferente, por mais que nada fizesse sentido naquela história toda. Porém, ao perceber que estava começando a acreditar nessa “loucura”, Ryotaro deixou os pensamentos para lá, terminou seu lanche e subiu novamente para o seu quarto, observando o V-Pet, agora apagado, com certa tristeza e medo, mas então também ignorando isso e se jogando em sua cama, onde caiu no sono rapidamente.

 

20:52, quarta-feira.

O cochilo foi breve, mas dentro da cabeça de Ryotaro o tempo pareceu ser bem mais longo: as suas lembranças da noite passada retornaram quase exatamente iguais, porém novas apareceram, nelas o jovem, como uma criança, parecia gargalhar sem controle ao lado de uma criatura, em outra Ryotaro parecia ensinar a tal criatura alguma coisa...e em outra lembrança, o monstrinho aparecia tentando defender a criança de alguma coisa muito perigosa e assustadora. Antes, a criatura não era clara para Ryotaro, mas agora sua aparência era um pouco mais visível, por mais que a imagem ainda estivesse borrada e levemente descolorida...a tal criatura se parecia muito com Herissmon.

Enquanto sonhava, e se lembrava, o peito de Ryotaro voltou a doer, se recordando também das palavras do digimon em seu quarto sobre ele, então a lembrança final da noite passada retornou, dessa vez mais clara, e assim o jovem ouviu mais uma vez a promessa que fez a criatura misteriosa, ou a Herissmon: que ele nunca o abandonaria.

Tão de repente quanto dormiu, Ryotaro despertou assustado e ofegante, passando sua mão direita por seu rosto ele sentiu algumas lágrimas quase secas, então sentiu frio, um vento gelado possuía o ambiente vindo da janela aberta; por ela, Ryotaro se surpreendeu com a escuridão do céu, então buscou seu celular em sua calça, ainda do uniforme, e verificou o horário.

Cara! Eu dormi!? Nossa...mamãe já deve ter chegado..., mas...; Pensou Ryotaro, deixando seu celular na cama e logo buscando o V-Pet com seus olhos pelo chão, vendo que ele estava exatamente onde o viu antes de cair no sono.

- Então aconteceu tudo mesmo... – Disse Ryotaro, suspirando, tristemente.

Essas coisas que apareceram no meu sonho...são lembranças mesmo? Lembranças que eu perdi depois do incidente de dez anos atrás? Mas se for isso...então tudo o que o Herissmon disse era verdade? Digimons não são personagens como eu pensava...e o V-Pet pelo jeito não era só um brinquedo que eu ganhei..., mas como infernos isso tudo pode ser possível!? Até hoje de manhã estava tudo normal...e então as coisas só mudaram assim do nada!? Não faz sentido...; Pensou Ryotaro, levando as mãos até sua cabeça, ainda bastante afetado e confuso com tudo.

Desistindo mais uma vez de pensar no assunto, Ryotaro se levantou e saiu do quarto, encontrando sua mãe realmente já em casa, ela estava preparando o jantar na cozinha e enquanto isso a televisão na sala estava ligada, pelo que parecia uma reportagem estava sendo mostrada na tela.

- Acordou enfim? Nossa, nem tirou o uniforme, deve ter chegado exausto do treino, né querido? – Disse Sawako, percebendo que o filho mais novo estava lá e olhando para ele com gentileza.

- Ah...foi sim, foi bem puxado, estou morto... – Disse Ryotaro, sentando-se no pequeno sofá da sala, desanimado. – Chegou faz quanto tempo?

- Não muito, hoje estou preparando takoyaki e lula-frita, os favoritos seus e do Tera! O que acha? – Disse a adulta, voltando sua atenção para a cozinha.

- Muito bom, valeu mãe... – Disse Ryotaro, então prestando atenção ao que a televisão mostrava.

Ao que parecia, o jornalista estava explicando um evento misterioso em um dos centros comercias de Ueno, próximo ao bairro onde o jovem e sua família viviam.

- Hum...o que é isso na TV? Estão mostrando aquele centro comercial aqui perto... – Disse Ryotaro, curioso.

- Oh sim, eu soube a pouco, parece que aconteceu um tipo de curto-circuito no sistema da linha de trem naquela área, os postes de energia e todos os eletrônicos de lá foram afetados e os passageiros do trem ficaram presos dentro dos vagões até a pouco. – Disse Sawako. – Ninguém se feriu pelo que soube, ainda bem, mas foi muito estranho mesmo, não é normal quase nada acontecer por aqui!

Assim que a mãe de Ryotaro lhe contou a história, imediatamente o jovem se lembrou dos policiais que viu no caminho de casa e da destruição próxima do riacho, mas não entendeu qual relação poderia fazer e por que um frio percorria sua espinha agora. Prestando atenção ao jornal, uma filmagem de uma das câmeras de segurança do centro apareceu, com a imagem de má qualidade, Ryotaro percebeu quando algumas luzes começaram a falhar e faíscas a sair dos postes de energia e do trilho do trem; então uma visão espantosa, de apenas um segundo, fez com que o jovem de olhos verdes se levantasse do sofá em um salto pelo susto: ele jurou ter visto, no canto inferior esquerdo da filmagem, um monstro gigante, um ser similar a um urso, mas que não possuía aparência clara e nem detalhes, apenas uma cor azul escuro e outros detalhes artificiais...como um personagem de jogo.

- O que foi isso!? – Disse Ryotaro, assustado.

- Hum? O que? – Disse Sawako, confusa e se virando para o filho. – Você está bem Ryo?

- Eu... Tinha um monstro do outro lado do trilho! Vem ver mãe, vai passar de novo! – Disse Ryotaro, apontando nervoso para a televisão.

Confusa, Sawako deixou a cozinha e se juntou ao seu filho na sala, a imagem da câmera de segurança passou mais uma vez, e uma vez mais Ryotaro viu a criatura, em um segundo parada e no outro desaparecendo, parecendo ter corrido pelo trilho da linha; porém, pela expressão de sua mãe, a moça não havia visto a criatura.

- Que monstro Ryotaro? Escute, sabe que eu não gosto desse tipo de brincadeira! – Disse Sawako, olhando para seu filho de modo repreensivo.

- Mas...você não viu? – Disse Ryotaro, confuso e incrédulo. Como ela não viu!? Estava bem claro..., mas pensando bem, se todos tivessem visto, teriam noticiado isso...então só eu vi!? Como assim e por que!?; Pensou Ryotaro, se controlando um pouco para não preocupar sua mãe.

- Meu amor...tem certeza de que está bem? Não quer tomar um banho e ir dormir mais cedo hoje? Posso servir o jantar antes só para você. – Disse Sawako, acariciando delicadamente o rosto de seu filho mais novo, com um olhar gentil e ao mesmo tempo carregado de preocupação.

- Não...eu estou bem, de verdade, eu posso esperar... Me desculpe te atrapalhar mãe! – Disse Ryotaro, sorrindo para a adulta e afastando sua mão. – Vou me trocar e depois desço aqui!

Deixando sua mãe onde estava, Ryotaro subiu as escadas correndo e voltou ao seu quarto, enquanto isso pensava no que havia acabado de ver pela televisão e o que aquilo significava; de repente, o jovem se recordou de algumas das palavras de Herissmon, sobre ele ter ficado sozinho e tendo fugido de monstros estranhos... Não me diga que era daquilo que ele falava... O que está havendo aqui, meu Deus!?; Pensou Ryotaro, aflito e com medo, se agachando no chão e pegando o V-Pet.

A cabeça de Ryotaro não parava de doer, ele nunca havia pensado em tantas coisas ao mesmo tempo e ele não se sentia perdido e ferido daquele jeito desde a época após o incidente de 2009, com o V-Pet na mão, Ryotaro se lembrou de Herissmon e de suas lembranças, ainda bem confusas, que teve naquela tarde e na noite passada; com isso, o jovem de olhos verdes se pegou preocupado com o digimon, em como ele estaria naquele momento depois de todas as coisas ruins que Ryotaro lhe disse.

- Herissmon...você está aí? – Disse Ryotaro, no fundo ainda com medo, mas torcendo para que o digimon tivesse voltado para dentro do item.

Sem obter resposta, Ryotaro imediatamente olhou para a janela aberta e imaginou o pior, ainda mais após o “curto-circuito” misterioso com o monstro misterioso no centro próximo do distrito; com os punhos cerrados e apertando forte o V-Pet, Ryotaro se manteve imóvel observando a janela aberta, com muitas dúvidas, medos, incertezas e dor em sua mente..., mas em meio a isso, naquela loucura, uma única certeza o jovem conseguiu ter e, deixando de lado todos os seus conflitos e suas fugas de cada dia, ele decidiu se agarrar a ela com todas as forças.

- Ainda não entendo merda nenhuma disso...e não estou feliz com essa loucura, mas...ao que parece...o Herissmon e eu já fomos amigos...nós estivemos juntos antigamente de alguma forma...e eu prometi não abandona-lo...e ainda assim, olha o que eu fiz!? Eu sou uma piada, DROGA! – Disse Ryotaro, com todas as suas poucas lembranças desconexas ao lado de Herissmon passando em sua mente, lhe dando ainda mais força para se mexer.

Ryotaro pegou seu celular e o colocou no bolso, então, descendo as escadas correndo e segurando o V-Pet firmemente, ele avançou para a porta de entrada e calçou seus sapatos o mais rápido que pôde, deixando Sawako um pouco confusa e preocupada.

- Aonde vai? – Perguntou Sawako.

- Eu... Eu acho que deixei uma chuteira minha na escola! Vou ver se consigo buscar ainda! Volto logo! – Disse Ryotaro, abrindo a porta abruptamente e passando por ela, só conseguindo ouvir bem ao longe sua mãe pedindo para que voltasse e que já era muito tarde.

 

21:17, quarta-feira.

Correndo pelas ruas de Ueno a noite, Ryotaro não fazia ideia para onde ir, ele estava preocupado que Herissmon pudesse ter sido encontrado por algum policial, ou uma pessoa ruim ou, pior, pelo monstro misterioso que viu na televisão; porém, mesmo não sabendo para onde ir, Ryotaro não parou de correr, mesmo exausto e ofegante após um dia cansativo, ele seguiu no maior ritmo que pôde, sentindo em seu coração que ele, de fato, precisava encontrar o digimon o quanto antes.

Onde aquele digimon se meteu!? Droga! Se alguém o viu e fez mal a ele...ou se aquele monstro-urso o encontrou... Eu gritei com ele e fui cruel, nem quis ouvi-lo...e eu tinha prometido não abandona-lo! Eu preciso encontra-lo!; Pensou Ryotaro, correndo em meio a noite, desesperado e preocupado.

Agarrando seu V-Pet com força e apenas pensando em Herissmon, o celular do jovem começou a tocar e vibrar em certo momento, provavelmente por conta de uma ligação de sua mãe, mas Ryotaro mal se importou com isso e apenas continuou correndo. Sua concentração e desejo por ver Herissmon era tão grande que o jovem mal sentiu e percebeu que saiu do mundo real e continuou correndo em um ambiente inferior de um servidor digital, com blocos azuis escuro abaixo de seus pés e flutuando por aí em uma área completamente bizarra e saída da internet.

Porém, Ryotaro não notou isso, ele só olhava para frente até ver, enfim, sinal de Herissmon, mas ele não estava sozinho: havia um monstro igual ao que o jovem viu pela televisão próximo a Herissmon, mas esse se assemelhava mais a um grande lobo feroz, e pelo que Ryotaro conseguia ver, parecia que o monstro e Herissmon estavam no meio de uma luta.

Devido ao impacto de ver uma criatura maior e assustadora, Ryotaro parou de correr, muito ofegante e mais exausto do que o normal, e enfim percebeu o ambiente estranho onde estava: Mas...onde vim parar!? Esse lugar...parece mais...um cenário...pobre de jogo... Enfim! Tem um monstrão igual ao da TV perto do Herissmon! E agora!?; Pensou Ryotaro, olhando ao redor, mas rapidamente deixando suas dúvidas de lado para se focar no digimon mais adiante e em seu oponente.

A criatura lobo circundava o pequeno digimon, que já aparentava estar bastante ferido e exausto devido a sua respiração irregular, então o monstro avançava atacando com patadas e com suas garras afiadas, jogando Herissmon de um lado para o outro; ao mesmo tempo, Herissmon sempre se levantava de novo, mas não atacava ou tentava, Ryotaro pensou que talvez ele estivesse fraco demais para isso e ficou extremamente preocupado, especialmente ao ver o monstro lobo preparando um tipo de poder dentro de sua boca para atingir o pequeno digimon.

Não... Ele vai ser atingido assim! E se for...ele vai...; Pensou Ryotaro, tremendo de medo, se lembrando mais uma vez de como o digimon ficou feliz em revê-lo mais cedo, de como ele chorava e de como ele dizia que estava com medo e com dor...como ele.

Sem pensar então, Ryotaro correu em disparada, com sua grande velocidade de um atleta e de um artilheiro, o jovem correu por aquele campo misterioso como correria em seu jogo mais importante num campo; assim que se aproximou de Herissmon, Ryotaro escorregou pelo chão, pegou o digimon nos braços e os dois escaparam de uma rajada de fogo azul bem na hora, só parando de outro lado do extenso campo digital.

- Ryo...? O que...você está fazendo aqui...? – Disse Herissmon, olhando confuso e muito surpreso para o humano.

- Eu...eu vim aqui...cumprir a minha promessa...de não te abandonar, lembra? – Respondeu Ryotaro, ofegante, mas ainda assim sorrindo levemente. – Me perdoe por tudo, Herissmon...eu fui cruel...fui um idiota e nem quis te ouvir... Mesmo que eu ainda não esteja entendendo nada disso...mesmo que eu esteja com medo e que eu não lembre das coisas muito bem... Mesmo assim, eu não deveria ter falado daquele jeito com você...

Em um instante, os olhos do pequeno Herissmon se encheram de brilho e de esperança, Ryotaro pensou que a criatura iria chorar de novo como antes.

- Mas você me disse que...

- Eu sei o que disse... – Interrompeu Ryotaro, suspirando. – Eu estava com medo e confuso...e ainda assim fui um imbecil, desconsidere tudo o que eu disse e vamos tentar dar uma direção para essa loucura, tá? Apesar de tudo, eu acho...eu acho que nós fomos amigos um dia mesmo, acho que me lembro um pouco...

Mas eu queria me lembrar mais, droga! Se essa merda toda é para valer, por que isso nunca aconteceu antes? Por que nunca me disseram? Ou ninguém sabia assim como eu...? Se eu conheci os digimons em algum momento na vida...foi na época daquele maldito incidente...se não fosse a merda desse buraco na minha memória, eu...; Pensou Ryotaro, nervoso e segurando o digimon mais forte, por raiva de si mesmo, por medo e insegurança com todos aqueles mistérios e, também, medo de deixar Herissmon ir de novo, porém, acordando o rapaz de seus pensamentos, o digimon encostou uma de suas pequenas patas em uma de suas mãos e sorriu para ele.

- Ryo...eu sabia que não tinha se esquecido de mim! Também tenho estado confuso com um monte de coisas, mas eu acredito que se ficarmos juntos...juntos de vez, a partir de agora, podemos descobrir todas as respostas para as nossas dúvidas! Eu posso te ajudar a se lembrar e você a mim também...e assim nunca mais nos sentiremos sozinhos e nem vamos sentir aquela dor! – Disse Herissmon, decidido e muito contente.

Era um bom plano, foi o que Ryotaro pensou após se lembrar mais uma vez de suas poucas lembranças turvas com o digimon, mas dessa vez ele se permitiu sentir e relembrar seus sentimentos como quando era criança, ao lado de Herissmon: felicidade, amizade, amor e companheirismo; naquele momento, Ryotaro sentiu que parte de seu vazio no peito havia sido preenchido, não era a solução de todos os seus problemas, nem de longe, mas aquele pequeno momento de luz e de alivio era tudo o que o jovem de olhos verdes precisava.

- Gosto disso, está certo então! Mas agora... – Disse Ryotaro, decidido, mas logo se lembrando do monstro lobo que os encarava com aparente raiva, devido aos sons que emitia e sua postura ameaçadora. – O que é aquela coisa, onde é aqui e como voltamos para casa!?

- Eu não sei o que são, sei que se parecem com digimons, mas não são! São maus, mais fortes e sem alma... Era deles que eu vivia fugindo...e aqui é um lugar na rede, às vezes eu vinha para cá e outros lugares da rede atrás de você, Ryo! – Respondeu Herissmon.

- “Rede”!? Não quer dizer rede digital...né? É impossível alguém entrar fisicamente na internet... – Disse Ryotaro, confuso.

- Mas é isso mesmo! Daqui eu consigo ir pro acampamento e vice-versa, mas ir para a sua casa eu não sei bem como fiz... Já vi uns humanos estranhos por aqui sumirem sozinhos. – Disse Herissmon, naturalmente. – Talvez se desejarmos muito voltar, dê certo!

Legal...era tudo o que eu queria ouvir: agora eu também posso entrar na internet como aqueles animes bizarros! E de que “acampamento” ele tá falando?; Pensou Ryotaro, suspirando de preocupação com as respostas do digimon, mas ainda assim decidindo não discutir e duvidar mais.

- Como você veio parar justo aqui afinal...? – Perguntou Ryotaro,

- Você me mandou ir embora...e eu não queria voltar para o acampamento, onde sempre fiquei, então caminhei pelo seu mundo até eu ver outro desses monstros, aí eu fugi e vim parar aqui... – Disse Herissmon, chateado. – Me desculpa, Ryo...

“Acampamento” deve ser o V-Pet eu acho..., mas então ele viu o outro monstro também...; Pensou Ryotaro, logo prestando atenção ao corpo do digimon em seu colo, em seu peso, na textura áspera de seus pelos e de seus espinhos incômodos e sentindo o sangue quente escorrer de suas várias feridas pelo corpo.

- Tudo bem, a culpa é minha, como eu disse, me perdoe... Nós vamos embora agora mesmo, vamos para casa! – Disse Ryotaro, se levantando com calma, com medo que a criatura avançasse, mas sem tirar os olhos dela e segurando Herissmon com cuidado e ao mesmo tempo força em seus braços.

O monstro reagiu ao movimento do humano, ele rugiu tão alto e violentamente que o corpo de Ryotaro congelou no mesmo lugar, Herissmon resolveu agir e se soltou do jovem parceiro, saltando para o chão, entre ele e criatura maligna.

- Herissmon, o que vai fazer!? – Disse Ryotaro, preocupado.

- Vou te proteger, Ryo! Vou ganhar tempo para você começar a correr, agora! – Disse Herissmon, corajosamente.

Então, Herissmon saltou e se enrolou como uma bola, avançando e atingindo a criatura com tamanha força que a empurrou bastante, mas o monstro resistiu bem e rapidamente contra-atacou, tentando atingir o pequeno digimon com uma patada; porém, Herissmon voltou ao normal e saltou no mesmo instante, escapando do ataque e logo em seguida atacando o inimigo com diversos tiros dos espinhos de suas costas.

Ryotaro não conseguiu sair do lugar, ele observava a batalha quase que hipnotizado, admirando a determinação e força de Herissmon, mas ao mesmo tempo assustado com o poder do monstro estranho e sua violência; Herissmon atacava com seus espinhos e suas investidas sempre que tinha chance, também usando de sua agilidade para escapar de ataques se preciso, porém o monstro lobo era mais resistente e ainda mais ágil, conseguindo resistir a boa parte dos ataques do pequeno oponente e contra-atacando com mais força.

Em certo momento, o monstro notou novamente Ryotaro, então, se aproveitando que Herissmon não conseguia se levantar após um golpe seu, a criatura avançou em disparada para cima do jovem humano, que nada conseguiu fazer além de observar, paralisado de medo. AH NÃO! SE MEXE, RYOTARO! JÁ!; Pensou Ryotaro, apavorado, mas sem conseguir sair do lugar.

- RYO! – Gritou Herissmon, avançando o mais rápido que pôde, virando uma bola e conseguindo chegar até o parceiro antes da criatura.

Herissmon conseguiu empurrar o humano para fora da linha de ataque do monstro, porém, com isso, o grande lobo pegou o pequeno digimon com uma poderosa mordida; assim, a criatura sacudiu Herissmon bastante, provocando muita dor ao pequeno, e em seguida o jogando na direção de Ryotaro, que rapidamente o agarrou.

- Herissmon! – Disse Ryotaro, muito aflito. – Não, não... Você não devia lutar, não devia ter feito isso! Ele é muito mais forte!

- Mas...eu preciso lutar...pra te proteger...e pra voltarmos para casa... – Disse Herissmon, enfraquecido.

Impressionado e comovido com as palavras de Herissmon, Ryotaro se sentiu ainda pior pelas suas atitudes mais cedo para com o digimon, se achando um verdadeiro covarde e fracote; então Ryotaro voltou a se levantar e, ignorando completamente o monstro lobo, se virou e correu o mais rápido que pôde, com a criatura o perseguindo logo atrás.

- Ryo! O que está fazendo!? – Indagou Herissmon, confuso.

- Tirando a gente daqui! Nem pensar que você vai lutar de novo contra aquela coisa! – Respondeu Ryotaro, não diminuindo sua velocidade um momento sequer. Parece que é só querer pra sair daqui então, né!? Nesse caso, eu quero muito voltar pro meu mundo! POR FAVOR!; Pensou Ryotaro, fechando os olhos com força e ainda assim correndo.

Ryotaro pensou e desejou fortemente voltar para sua cidade, para seu lar, mesmo com os rosnados assustadores do monstro-lobo logo atrás de si, o jovem se concentrou ao máximo e não permitiu que suas pernas parassem de correr; Herissmon estava extremamente aflito, mas resolveu tentar ajudar o parceiro e também fechou os olhos, implorando para que ele e Ryotaro saíssem de lá o quanto antes.

Então, em um instante, o monstro maligno se viu perseguindo o nada e parou, Ryotaro e Herissmon foram parar de volta nas ruas de Ueno, mais ou menos pelo mesmo lugar por onde o jovem humano estava passando antes de desaparecer de seu mundo; apenas quando retornou e que Ryotaro sentiu a brisa fria da noite, o jovem sentiu um cansaço enorme enfim lhe abater, assim ele caiu no chão ofegante e ainda segurando o digimon.

Deu... Deu certo... Graças a Deus...; Pensou Ryotaro, aliviado e conseguindo se sentar no chão, rapidamente observando a rua onde estava e vendo que era o único por lá.

- Herissmon, você está bem? Viu? Nós voltamos! – Disse Ryotaro, observando o digimon enfraquecido em seus braços.

- É verdade... Eu vou melhorar, Ryo, não se preocupe...só preciso voltar para o acampamento e descansar... – Disse Herissmon, com um sorriso fraco.

- Ah...o V-Pet, né? Mas tem certeza? Você está sangrando tanto... – Disse Ryotaro, rapidamente pegando o item em um de seus bolsos, sem lembrar que estava com ele nas mãos antes de ir ao ambiente digital.

- Tenho sim... Obrigado por ter me salvado, Ryo...antes eu estava muito triste e ferido por dentro, mas agora...eu me sinto tão feliz que mal sinto dor... – Disse Herissmon, parecendo rir um pouco, apesar de sua situação.

- Herissmon... – Disse Ryotaro, espantado.

Sem dizer mais nada, o digimon simplesmente sumiu dos braços do humano, deixando o jovem brevemente assustado e preocupado, então, ao olhar para a tela do V-Pet e enxergar um pequeno digimon dormindo, ele confirmou que de fato o acampamento que Herissmon falava era o interior do item em sua mão, assim Ryotaro suspirou aliviado. Bom...melhor eu voltar para casa também, vou levar uma bela bronca, mas...nem pensar que posso falar a verdade, mamãe iria surtar e o Tera ainda mais...; Pensou Ryotaro, se levantando com um pouco de dificuldade, devido a fraqueza em suas pernas agora.

 

21:35, quarta-feira.

Enquanto caminhava para casa, Ryotaro percebeu como seus braços e mãos estavam sujos devido ao sangue de Herissmon, então ele buscou uma das várias torneiras públicas pelo seu bairro e se lavou rapidamente, em poucos minutos depois retornando ao seu lar. Naturalmente, Sawako recebeu o filho mais novo com uma bronca longa de se ouvir, Terasaka não transpareceu muita preocupação, mas também encheu Ryotaro de perguntas e de provocações sobre sua atitude maluca e estranha.

Não foi fácil para Ryotaro mentir para sua própria família, ele não se sentia bem com isso, mas ele pensava que a verdade seria pior e temia que sua mãe e seu irmão não recebessem bem as notícias que nem ele mesmo entendia ainda. Então, usando a desculpa de não ter conseguido recuperar um de seus itens de jogador na escola, após vários minutos antes, durante e depois do jantar, Sawako e Terasaka pareceram se convencer e perdoar Ryotaro, mas não antes que ele jurasse nunca mais sair tão tarde da noite sozinho e ainda sem atender as ligações da família.

Após um dia cansativo, por todos os motivos imagináveis, Ryotaro subiu para se trocar para dormir, então, em seu quarto, o jovem percebeu o bilhete ainda amassado no chão e o pegou, o desamassando e o lendo mais uma vez.

- “R”...quem diabos é essa pessoa? Será que ela sabia o tempo todo o que meu V-Pet era de verdade e que o Herissmon estava nele...? – Comentou Ryotaro, intrigado, mas logo suspirando de cansaço, deixando o bilhete em cima de sua escrivaninha bagunçada e cheia de papéis e itens escolares. – Minha cabeça está girando...melhor tomar o remédio logo e ir dormir...

Pegando um dos comprimidos em seu quarto, o jovem nem quis descer atrás de água, ele simplesmente engoliu a medicação a seco, fechou a janela e a cortina de seu quarto e se jogou na cama. Observando o teto de seu cômodo, Ryotaro ainda não conseguia acreditar em tudo o que havia acontecido naquele dia, era tudo tão surreal e assustador, mas ao mesmo tempo uma coisa boa...?

Ryotaro se virou para seu móvel a sua esquerda e pegou o V-Pet, pensando em Herissmon e se ele já estaria curado dos ferimentos.

- Herissmon, está acordado? Pode me ouvir? – Disse Ryotaro, sem saber se receberia resposta.

- Consigo sim, Ryo...ainda estou acordado. – Respondeu Herissmon.

- Ah, bom...como está? Os seus ferimentos curaram? – Perguntou Ryotaro, ansioso.

- Ainda preciso de mais tempo para me curar, mas estou bem melhor! Comi bastante, então acho que amanhã estarei completamente bem! – Disse Herissmon, confiante.

- Sério? Que bom... – Disse Ryotaro, aliviado. A voz dele ecoa na minha cabeça, como aqueles personagens que usam telepatia nos animes...é muita loucura...; Pensou o jovem de olhos verdes, suspirando de cansaço.

- Ryo...e você? Como está? Você disse que não se lembrava das coisas e mencionou uma “tragédia”...o que é isso? Parece ser algo ruim... – Disse Herissmon, soando bem preocupado.

- Tragédia é uma coisa muito ruim mesmo... Eu não sei como me sinto, na verdade, é muita loucura e novidade ao mesmo tempo..., mas vou ficar bem, amanhã vamos tentar conversar melhor e esclarecer o que pudermos, tudo bem? – Disse Ryotaro, cansado. – Depois da escola...

- Oh...está bem então! Mas...o que é “escola”? – Perguntou Herissmon, curioso.

- Hum...escola é o lugar para onde todas as crianças humanas vão para aprenderem, fazerem amigos, serem educados e onde conseguem dar seus primeiros passos para o futuro... Não é o melhor lugar do mundo, é cheio de regras, professores chatos e assuntos difíceis, mas é importante...e é onde eu costumo treinar e jogar, então eu gosto de lá. – Explicou Ryotaro, pensativo.

- Nossa, que interessante! Você treina então!? O que? É divertido? – Disse Herissmon, animado.

- Ah...amanhã eu te explico, está bem? Realmente estou cansado...e você deveria descansar também. – Disse Ryotaro, bocejando em seguida.

- Ah sim... Tem razão, boa noite Ryo! – Disse Herissmon.

- Boa noite... – Disse Ryotaro, fechando os olhos e deixando o V-Pet perto de si, em seu travesseiro.

- ...Ryo? – Chamou Herissmon, timidamente.

- Hum? – Resmungou Ryotaro, sem abrir os olhos.

- Aquela sua promessa...dessa vez, dessa vez vai dar certo, né? Não vamos mais nos separar, né? – Disse Herissmon, um pouco preocupado.

Ryotaro não pensou muito antes de responder, ele segurou o V-Pet e o aproximou mais de si, ainda de olhos fechados.

- Vai ficar tudo bem...eu juro que, dessa vez, nada vai me fazer te abandonar...nunca mesmo. – Garantiu Ryotaro, caindo no sono minutos depois.



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