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História Digimon: Vírus (Interativa) - Capítulo 6


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Notas do Autor


Olá Digiescolhidos! Tudo bem com vocês?

Primeiro de tudo! Coloquem a música do "Aleluia aleluia aleluiaaaaa" pra tocar...
Sim, depois de muito tempo, retorno com mais um capítulo dessa jornada dos Digiescolhidos!
Desculpa pela demora! É que a quarentena está me afetando psicológicamente ao ponto de me deixar completamente sem motivação pra escrever! Mas com muito esforço voltei! Obrigada a quem ainda estiver acompanhando ^^

Em segundo lugar, quero agradecer ao meu migo Ninguemnavida pela ajuda! Também deixo meus agradecimentos ao Sr.Ovelha! Também quero agradecer ao JustL pelas dicas das batalhas, tento chegar perto do que me mostrou, mas ainda é um caminho que tenho que me esforçar muito!

Bom, sem mais enrolações, vamos pro capítulo!
Beijos de Luz!

Capítulo 6 - Confusão no Hotel Digimon


Fanfic / Fanfiction Digimon: Vírus (Interativa) - Capítulo 6 - Confusão no Hotel Digimon

Cansados por atravessar o intenso calor da área rochosa, os Digiescolhidos foram ao Templo da Ordem, sob a indicação de Dinohumon, no entanto, o local estava sob o novo comando de Reppamon que submetia Digimons a uma eterna penitencia. Akane e Renamon foram as únicas que não foram pegas numa armadilha e foram as responsáveis por salvar os amigos. Com o problema resolvido, foram convidados a passarem a noite no local e seguirem viagem na manhã seguinte.

 

 Deixando o Templo da Ordem para trás, os Digiescolhidos continuaram seu caminho até a Zona Industrial, a cada dia de caminhada, aproximavam-se mais ainda de seus objetivos. Já estavam há dois dias em viagem, com o passar do tempo, estreitavam seus laços com seus Digimons e entendiam cada vez mais o quanto aquele mundo estava tão próximo dos seus.

Durante a caminhada, Takeshi retirou a flauta que tinha guardada em sua mochila, apesar de tocar bem, o tempo que permaneceu com o instrumento musical acabou irritando os demais, que tentavam não ferir seus sentimentos ao pedi-lo que parasse de tocar. Apenas Gumdramon aproveitava do momento, mantendo um ritmo animado e o sorriso no rosto.

A caminha era tranquila apesar dos pesares, Natsu e Daisuke tinham maior velocidade devido à altura e acabavam tomando a frente, enquanto Akane, Amélia, Louis, Takeshi e Yasu permaneciam ao centro, mais atrás dos outros estavam Sakura e Yuri, sendo os menores do grupo, praticamente tinham que correr para acompanhar os passos dos primeiros, o que desprendia mais energia que os demais. A caminhada ao som da constante e estridente flauta de Takeshi levava os jovens à um estado emocional mais aflorado e, percebendo que estava prestes a chorar, Yuri tentou afastar a canseira com brincadeiras.

— Hey, vamos fazer uma brincadeira? — Yuri apressou os passos até a frente dos demais e cessou a caminhada de forma que todos ficassem diante de si. — Ela se chama... Duas verdades e uma mentira. Assim a gente se conhece melhor! E ainda podemos envolver os Digimons! — O garoto sorriu empolgado em conhecer mais seus colegas de viagem e em afastar a tensão.

— Mas mentir não é errado, Yuri? — Syakomon perguntou confuso.

— Sim! Mas é uma brincadeira... — Yuri sorriu com a inocência infantil daquele Digimon. — A mentira é proposital pra confundir as pessoas. Funciona assim, você conta duas verdades sobre você e uma mentira, aí cada um opina se é verdade ou mentira. Entendeu?! No final, a pessoa revela qual é a mentira.

— Não! Ao invés de brincar, vamos correr! — Gumdramon sugeriu energizado. — Vamos correr até não aguentar mais! Assim a gente chega mais rápido na Zona Industrial. — Os olhos do Digimon dragão brilharam, apesar do corpo pequeno, tinha uma grande energia.

— Parece que temos alguém animado! — Takeshi sorriu com a atitude de seu parceiro Digimon. — É uma boa também! Vamos correndo! Não precisa ser tanto quanto o Gumdramon quer, mas podemos dar uma boa adiantada nesse percurso!

— Eu concordo! — Gumdramon vibrou.

— Sério?! — Akane os olhou com certo receio.

— Não acho lá a melhor ideia. — Louis coçou a nuca um tanto sem graça.

— Nem todos aguentam correr. — Yasu disse de forma complacente. — Estamos em um coletivo, temos que levar em consideração os limites de cada um.

— Mas isso de certa forma atrasa. — Takeshi retrucou. — Podemos começar com pequenas corridas, aos poucos todos vão ganhando condicionamento físico e logo estamos quase maratonando. — O garoto brincou a fim de amenizar sua posição.

— Não acho conveniente. — Yasu deu de ombros, fechou os olhos e ignorou a posição do rapaz.

— Yasu! A gente precisa treinar! Apenas caminhar não nos ajuda no caminho pra ser um ninja! — Falcomon empolgou-se com Takeshi e Gumdramon.

— Tá com medo de não dar conta, né?! — Takeshi provocou brincalhão e apenas recebeu um olhar desafiador.

— Não me subestima, Takeshi. Você pode se decepcionar. — Yasu rebateu a provocação de uma forma que Takeshi, em seu âmago, sentiu-se intimidado. — E Falcomon, ser um bom ninja também tem haver com paciência e sabedoria o suficiente para entender a situação como um todo, não é apenas força física!

— Uau! — Falcomon olhou para sua parceira com certa admiração. — Você é mesmo bem sábia, Yasu!

— Vamos deixar isso pra lá, né?! — Louis tomou frente com um sorriso amarelo. — Acho justo descontrair um pouco!

— É verdade, essa brincadeira do Yuri me parece divertida! — Amélia concordou. — Em qualquer ocasião, quando a gente se diverte, o tempo passa mais rápido.

— Ao menos a gente se distrai... vamos lá... vamos dar uma chance a isso. — Daisuke incentivou os demais.

— Então vamos começar? — Yuri sorriu.

— Ah! Yuri! Posso começar? Eu quero começar! — Syakomon empolgou-se em conhecer mais dos costumes dos seres humanos.

— Vocês aceitam? — Yuri encarou aos demais e após assentirem, retomaram a caminhada, dessa vez com a brincadeira acontecendo.

— Eu vou começar! — Syakomon repetiu animado. — Eu sou um Digimon! Eu gosto do Yuri e eu... Eu não quero nadar em um lugar bem bonito.

— Essa é fácil. Tá na cara que você não gosta do Yuri. — Natsu debochou e gargalhou zombeteiro.

 — Eu gosto dele sim! — Syakomon enrubesceu com raiva. — Essa não é a mentira! Eu quero muito nadar em um lugar bonito.

— É uma brincadeira, Syakomon. — Yuri acalmou seu parceiro Digimon.

Todos riram com a inocência do Digimon, muitos ali partilhavam daquele tom pueril e ingênuo, Cupimon, Agumon e Patamon eram alguns desses, tiravam altas gargalhadas dos companheiros por não entenderem bem a situação a qual se deparavam. A caminhada tornou-se menos árdua naquele momento e as horas se passaram mais facilmente.

— Ok. Vamos continuar... — Louis sorriu após Agumon se confundir e contar apenas mentiras. — Sakura, é sua vez.

A menina trancou a respiração e segurou YukimiBotamon mais forte, era difícil pensar em verdades que não lhe fossem dolorosas, mas tinha que fingir, não era justo acabar com uma brincadeira tão inocente porque lhe era difícil falar algo que não espetasse seu coração.

— Eu... eu, eu, eu... — A menina levou o indicador à boca.  Eu tenho medo do escuro. Eu sou debochada... — Sakura tentou por pra fora um humor que não conseguia sentir. Deu um tom diferente ao “debochada”, tornando sua voz mais satirizada e enfim prosseguiu. — E eu gosto de filosofia.

— Ok, mais uma igual ao Syakomon. — Louis sorriu com a brincadeira. — É obvio que a mentira é que gosta de filosofia. Ninguém gosta de filosofia.

— O que é filosofia, Louis?! — Patamon perguntou curioso.

— Algo bem chato. — Louis sorriu e se limitou a essa resposta.

— Há quem goste de filosofia, viu?! — A menina brincou e deixou o assunto andar.

— Então vai lá, Natsu. — Yuri passou a vez para o rapaz que permanecera calado até então.

— Vamos ver... — Natsu tentou pensar em algo sobre si, levou algum tempo e logo animou-se em revelar. — Eu gosto de desenhar. Sou um cara meio briguento. — Natsu riu brincando e logo continuou. — Já namorei duas pessoas ao mesmo tempo. — O rapaz sorriu malicioso.

— Essa também está na cara, né?! — Yasu ironizou.

— Isso é! — Akane concordou. — Quem aqui olha pro Natsu e concorda que ele destruiria sua vida? Levanta a mão! — A menina caçoou e logo completou. — Brincadeira, Natsu. Mas no geral, você tem cara daquele boy que as pessoas se apaixonam, abandonam a saúde mental, ideologias e crenças e no fim das contas são trocadas de forma fria e humilhante e passam as noites de finais de semana chorando tristes e sozinhas, comendo um pote de sorvete ouvindo All by Myself.

— Wow. — Yuri a olhou com os olhos estatelados.

— Bem específica, hein?! — Daisuke sorriu sem graça.

— Já passou por isso? — Amélia brincou.

— Não. Eu sou vacinada. — Akane sorriu descontraída. — Isso até pode acontecer, mas a pessoa precisa ser bem falsa pra isso. — A menina sorriu e não entrou mais em detalhes.

— E é verdade? — Yuri encarou Natsu curioso.

— Isso fica por conta de vocês. — Natsu deu de ombros e pôs fim a conversa que tinha como tema sua personalidade.

A brincadeira se estendeu até que encontrassem um hotel à frente. Com grandes sacadas, um jardim bem cuidado e uma grande fonte de alguma espécie de baleia digimon jorrando água por seu espiráculo, o local esbanjava uma certa imponência, ao passo que a escassez de algo realmente atrativo ao redor não justificasse sua presença ali.

O hotel em questão era grande e luxuoso a maior parte dos quartos estavam vazios, as camas eram grandes e os travesseiros muito fofos e confortáveis, um frigobar repleto de chocolates e outras guloseimas, os banheiros eram amplos com direito a uma banheira com água quente e hidromassagem. Cada quarto também possuía uma grande sacada que dava um vislumbre tanto do belíssimo horizonte quanto das áreas externas pertencentes ao hotel.

— Sejam bem vindos! Muito bem vindos! — A voz juvenil e levemente esganiçada do Digimon deu as boas vindas ao grupo de Digiescolhidos.

— Quem é vo-cê? — Yuri levou o indicador à boca e perguntou inocentemente ao Digimon.

— Meu nome é Floramon, sou a recepcionista do hotel. — O digimon disse com um sorriso, enquanto movimentava suas mãos em formato de flores lilases.

O corpo reptiliano de Floramon não era tão grande, suas pernas assemelhavam-se à raízes grossas e verdes, em seu pescoço, um colar de pétalas avermelhadas desabrochavam  enquanto sua cabeça amarelada parecia um caricato “miolo” de uma flor, ainda uma grande pétala dobrava-se sob a cabeça como um elmo vermelho e delicado. Seus olhos azuis contrastavam com suas colorações avermelhadas e verde e ainda combinava com suas extremidades lilases de suas mãos. Floramon tinha uma aparência delicada e agradável, porém sua voz fina e esganiçada acabava por trazer certo desconforto aos ouvidos alheios.

— Não fiquem aí parados, venham podem entrar. — O Digimon sorriu convidativo.

— Desculpa a pergunta... Mas por que tem um hotel aqui? No meio do nada? — Akane olhou confusa para o local.

— Esse hotel foi construído há muitos anos atrás. Nosso pioneiro e visionário proprietário e gerente, Majiramon, o contruiu com o objetivo de trazer conforto, alegria e luxo a todos os visitantes da Ilha Arquivo. — Floramon disse com um tom ensaiado e dramatizado.

Sakura riu com aquele Digimon, era bonito e irritante, mas ainda conseguia ver certa dor em seus olhos, se identificou com Floramon. Ambas mostravam-se felizes, mas seus olhos diziam outra coisa, por certo momento, se viu em Floramon e tomou para si a vontade de ser forte como aquele Digimon, que reprimia seus problemas e sorria para trabalhar.

Yukimibotamon, apesar de um bebê, pareceu concordar com os sentimentos de Sakura, seu pequeno e frio corpo brilhou intensamente chamando a atenção de todos ali. Aos poucos Sakura deixou de sentir o leve frio que aquele corpinho exalava e o sentiu aquecer rapidamente, bem como sentiu os braços expandirem levemente para acomodar o novo corpo que evoluía.

— Oi, eu sou a Nyaromon. — O Digimon abriu um grande sorriso naquele pequeno corpo.

Nyaromon era quase como uma pequena bola de pelos, dois grandes olhos castanhos avermelhados projetavam em sua face, ao topo, duas orelhas felinas cresceram e de sua traseira surgiu uma cauda com algumas marcas roxas, finalizando com a extremidade totalmente colorida em tom roxo. Sakura olhou aquela pequena figura semelhante a um felino e sentiu algo tão profundo que jamais sentira antes.

— Nyaro-mon?! — A menina balbuciou enquanto reprimia sua emoção ao presenciar a evolução daquele ser que há poucos dias, nascera em seus braços.

— Olha! Mais um motivo para vocês permanecerem aqui! Por que não uma boa e confortável noite após a Digievolução desse... Digimon. — Floramon insistiu para que ficassem e aos poucos sua intenção com a presença dos humanos ia para outro sentido. Encarou bem Sakura e então se dirigiu à bancada da recepção.

— Espera! Antes de decidirmos algo, precisamos saber como vamos pagar. — Takeshi ficou confuso quanto aos débitos naquele mundo. — Desculpa.

— Qual é?! Aqui é o Digimundo. Eles são Digimons... Não tem necessidades iguais as nossas. — Amélia respondeu pondo-se à frente. — Não é, Floramon?!

— Não se preocupe com isso... Isso acertamos depois. — Floramon sorriu e bateu suas mãos em uma pequena campainha. — Gazimon! — O Digimon flor gritou com sua voz esganiçada, trazendo alguns arrepios em Akane e Louis. — Temos clientes!

Cinco Digimon mamíferos com grandes garras afiadas apareceram com cara de poucos amigos. Eram bípedes, com grandes orelhas elevadas e uma comprida cauda.

— O que foi? — Um deles disse com mau humor mantendo o corpo jogado contra a parede e uma mão na cintura, um pedaço de capim era mantido no canto da boca e o Digimon parecia não se importar com sua postura desleixada.

— Temos clientes! — Floramon repetiu em repreensão.

— Ah que se dane. — O Gazimon pôs-se à frente de seu bando, deixando claro que era ele quem era o líder daquela pequena alcateia.

— Leve-os aos quartos! — Floramon disse com um sorriso sem graça. — Me desculpe, Digiescolhidos. — O Digimon deu ênfase aos “Digiescolhidos” e encarou os Gazimon. — Mas nem todos nossos funcionários possuem essa atitude.

— Oh sim! — O Gazimon estremeceu e pareceu enfim perceber o que sua companheira de serviço quis dizer. — Me desculpem, jovens Digiescolhidos... Nós os levaremos aos seus aposentos. Vamos os deixar nos melhores quartos.

Os jovens vibraram com a possibilidade de uma boa noite de sono e mal perceberam os olhares entre Floramon e os Gazimon.

 

~

 

Cada Digiescolhido foi levado a um quarto particular, passaram algum tempo relaxando ou se divertindo em seus próprios quartos, enfim sentiam um certo nível de privacidade maior que o que tinham quando juntos, no entanto, já haviam se acostumado com a presença dos companheiros de viagem, o que os fez alguns acabarem procurando uns pelos outros.

— Louis o que você está fazendo? — Patamon aproximou-se de seu parceiro e pousou ao seu lado com um olhar curioso.

— Eu... — Louis segurou sua ocarina um pouco mais forte. — Pensei em tocar um pouco. — O rapaz disse inspirado pelas montanhas à frente da sacada de seu quarto.

— O que é isso? — Patamon girou levemente a cabeça.

— É uma ocarina, daqui sai um som maravilhoso... Mas... Sei lá, eu não toco muito bem. — Louis sorriu sem graça.

— Ah... — Patamon olhou para os olhos distantes do companheiro e sentiu uma intensa vontade de ouvi-lo tocar o instrumento musical. — Posso ouvir? Aí eu te digo que se é bom ou não.

— Tenho a ligeira impressão que você mentiria. — Louis disse fazendo um carinho na cabeça do Digimon e então fechou os olhos, levou a ocarina até a boca, respirou fundo e começou a tocar.

A melodia tocada por Louis e sua ocarina percorreu por todo o hotel, despertava uma serenidade e a estranha sensação de uma liberdade que só a natureza conferia.

Enquanto isso, Natsu deixava sua mente viajar ao som da melodia, o som que ouvia lhe inspirou a usar os papéis que encontrara para desenhar. Tirou um lápis de sua mochila e pôs-se a trabalhar em seu desenho, enquanto isso Agumon dormia preguiçosamente na grande cama. Yuri, Amélia e Syakomon optaram por aproveitar a grande piscina do hotel enquanto Bearmon comia frutas no gramado ao lado. Yasu por sua vez desfrutava de um bom banho quente na banheira, enquanto Falcomon “treinava” sua arte ninja arremessando cabides pelo quarto. Akane inspirou-se com a melodia e andava para lá e para cá buscando composições que combinavam com aquele som, enquanto Renamon aproveitava o momento meditando. Daisuke por sua vez encarava Cupimon dormindo, ambos deitados lado a lado em sua cama, o rapaz ponderava o quanto sabia sobre tudo aquilo e remoia algo tão profundo em seu coração que dificilmente alguém conseguiria acessar tão facilmente. Sakura, por sua vez, buscava conversar com Nyaromon, era a primeira vez que poderia ter diálogos com seu parceiro Digimon o que lhe trouxe um ânimo ainda maior que ao ver Floramon.

Diferentemente dos demais, Takeshi e Gumdramon foram até o gramado, inicialmente o Digimon não entendia o que seu parceiro planejava, mas logo o rapaz expôs o que de fato queria.

— Gumdramon, já reparei inúmeras vezes em você e acho que existem algumas coisas que devemos trabalhar. — Takeshi levou a mão ao queixo e fechou os olhos. — Sua disciplina!

— O quê? — O pequeno dragão o olhou confuso.

— Isso mesmo! — Takeshi andou de um lado para o outro, lembrou-se de quando era mais novo e seu avô lhe ensinou a arte do karatê. — Você come demais, corre desgovernadamente e não possui nenhum tipo de estratégias quando quer batalhar.

Os olhos de Gumdramon esbugalharam, o Digimon enrubesceu e ficou boquiaberto. Tanto tempo que passou treinando, seja naquela floresta onde se encontraram, ou antes mesmo de Takeshi vir parar ali.

— Eu sou disciplinado sim! — Gumdramon encarou o parceiro e bateu o pé para firmar sua opinião.

— Não é não. Você perde muito tempo dormindo, se distrai fácil e acha que treinar é só sair por aí batendo em árvores ou em pedras... — Takeshi disse analisando a postura de seu companheiro e pensando em formas de otimizar toda a energia de seu amigo Digimon.

— Você que não é disciplinado e fica tocando flauta tão ruim quanto a corneta de um Gekomon! — Gumdramon cruzou os braços certo de que havia ofendido Takeshi.

— O que isso tem haver?! — Takeshi olhou para Gumdramon um tanto incrédulo. O Digimon era incrivelmente amigável e engraçadinho, mas também era bem infantil e birrento, se não fosse a aparência draconiana, poderia ser  perfeitamente em uma criança. — Ah tá bom. — Takeshi sorriu e passou a mão do amigo. — Você não é tão indisciplinado assim...

— Você só está falando isso pra me agradar! — Gumdramon bufou e inflou as bochechas!

— Calma, Gumdramon...

— Calma nada! Eu sou disciplinado sim e você vai ver! — O Digimon embirrou e correu pelo imenso jardim do hotel.

Longe dali, Sakura mantinha sua atenção em Nyaromon, era a primeira vez que sentia-se tão acolhida, o Digimon era quase como um bebê ainda, mantinha certa ingenuidade e carinho que parecia transcender qualquer relação com o tempo em que passaram juntas. Estavam envoltas em conversas banais quando três tímidas batidas na porta lhes chamaram a atenção.

— Oi?! — A loira abriu a porta e rapidamente a figura floral do Digimon recepcionista entrou de súbito no quarto.

— Digiescolhida... Vocês precisam nos ajudar. — A voz esganiçada de Floramon beirava o desespero.

— Como assim? — Sakura perguntou confusa e rapidamente olhou para Nyaromon.

— Ela digivolveu! Vocês precisam digivolver pra nos ajudar... O Majiramon é muito mal. — Floramon sentou-se cansada e choramingou. — Ele nos obriga a trabalhar incansavelmente e nos paga uma mixaria... Sequer consigo voltar pra casa.

— Como assim? — Sakura a olhou confusa. — Você é um Digimon, tem poderes e habilidades, porque simplesmente não vai embora? Aqui é uma ilha ainda por cima...

— Eu não sou daqui... Nem eu e nem os Gazimon, nem muitos outros habitantes dessa ilha. Nós viemos para cá quando as coisas ficaram mais intensas lá fora... A Ilha Arquivo se tornou um refúgio para muitos Digimons... Eu queria um dinheiro pra pagar o navio de volta pra casa, mas...

Sakura comoveu-se com aquele Digimon. Então era essa a tristeza que via em seus olhos mais cedo. Era a vontade de Floramon de voltar para sua casa.

— Eu vou chamar os outros, espere aqui. — Sakura se prontificou e deixou o quarto afim de reunir os demais companheiros de viagem.

Nem todos estavam do lado de dentro do hotel, sendo assim, na reunião, ficaram de fora Takeshi, Amélia e Yuri. Os demais ouviram Floramon e todo o relato de abusos feitos por Majiramon.

— Majiramon... — Renamon expressou um tom preocupado. — Ele é um Digimon no nível perfeito e também...

— Ele é um Deva. — Patamon disse recordando-se do nome do Digimon.

— Deva? — Akane olhou para a parceira. — Como assim, um Deva? O que é isso?

— Deva são um grupo composto por doze Digimons do nível perfeito. São subordinados das quatro Bestas Sagradas que protegem os quatro cantos do Digimundo. — Renamon explanou.

— E o que é esse nível perfeito? E bestas sagradas? — Louis olhou para Patamon.

— O nível perfeito é uma evolução acima do nível do Greymon ou da Kyubimon. — Patamon explicou a Louis. — E as Bestas Sagradas são Digimons que, como a Renamon disse, governam os quatro cantos do Digimundo, eles protegem o Digimundo das ameaças que aparecem, mas por algum motivo, não fizeram nada quando tudo começou a desandar.

— Mas pelo que dizem, eles abandonaram o Digimundo, inclusive seus Devas. Por isso Majiramon está aqui. Ele viu que a Ilha Arquivo estava sendo um refúgio para muitos Digimons e acabou por se estabelecer aqui para lucrar com o desespero dos refugiados ou com a intenção de hospedar os Pacificadores dos outros continentes. — Floramon revelou tudo o que sabia, queria ajuda para ir embora dali e viu nos Digiescolhidos a sua salvação.

— Então a gente só precisa quebrar a cara desse cuzão?! — Natsu estralou os dedos e bateu nas costas de Agumon. — Se prepara, dinossaurão, nós vamos descer porrada nesse verme.

— Eu não vou ficar parada enquanto vejo um idiota quer explorar Digimons que estão em vulnerabilidade, então, Renamon, nós também vamos lutar! — Akane inspirou-se cerrando os punhos.

— Seria um bom momento para os outros evoluírem também. — Yasu olhou pensativa para Falcomon. — Um Digimon em um nível superior pode ser complicado...

— É uma boa ideia. — Daisuke olhou para Cupimon. — Mas... Não vamos os forçar... Acho que isso tem que ser algo natural para eles...

— Quanto mais, melhor. — Natsu bateu com o punho fechado na outra mão. — Ele pode ser grande, mas não é dois. — O rapaz sorriu confiante. — Onde que esse cara tá?

— Ele é grande demais para ficar aqui nesses andares... Por isso ele fica no último. Na verdade... o hotel tem apenas dois andares, os outros cinco são apenas fachada pra esconder o grande aposento do Majiramon — Floramon informou com um sorriso sem graça.

— Mas não tem mais escadas... — Yasu constatou.

— Apenas ele acessa o último andar. — O líder dos Gazimon disse com um tom cansado.

— E como chegaremos lá? — Louis perguntou.

— Vocês não precisarão. — A voz grossa e meio ferina ressoou pelo quarto. — Não pensem que não fico de olho em vocês... Ou de ouvido no caso...

O som de um click percorreu o local e logo todas as portas e janelas fecharam-se rapidamente reforçadas com um material metálico.

— Me desculpe, Majiramon! — Gazimon ajoelhou-se e fechou as palmas das mãos em súplica e logo seus companheiros fizeram o mesmo. — Foi tudo culpa da Floramon! Ela que nos influenciou. — O covarde Digimon apontou para o Digimon flor.

Floramon ficou estática e não soube como reagir. Os Digiescolhidos aproximaram-se um dos outros instintivamente.

— Seus covardes! — Sakura olhou com desprezo para os Gazimon.

— Se querem se redimir, tragam os Digiescolhidos! — Majiramon disse com um sorriso malicioso. — Eles podem render um bom dinheiro!

— Vocês ouviram! — O quinteto de Gazimon viraram-se contra os escolhidos e apontaram suas afiadíssimas garras.

— Cai fora, trouxa! — Natsu chutou o peito de um dos Gazimon arremessando-o para trás, o que trouxe maior fúria dos outros companheiros.

Yasu também não ficou parada e arremessou uma cadeira contra um dos Gazimon. Akane e Sakura se aproximaram de Daisuke e Louis, que apesar de não se sentirem tão ousados quanto os companheiros, mantinham-se juntos na tentativa de maior proteção.

Air Shot! — Patamon insuflou seu peito expandindo seu corpo fortemente e lançou uma potente bolha de ar.

Angel Ring! — Cupimon pôs-se também a lutar. Da proeminência de sua cabeça, o Digimon projetou um anel de luz e o lançou no oponente.

Scrach Smash! — Falcomon girou seu corpo tentando assemelhar-se à um ninja, em seguida saltou e pousou de trás de um dos Gazimon e utilizou das garras em suas asas para arranhá-lo.

— Viu só?! Não nos subestime! — Akane esbravejou ao ver que os Gazimon já estavam imobilizados.

— Então, eu terei que descer! — Majiramon sorriu convencido.

Do lado de fora, Yuri e Amélia aproveitavam a piscina junto de Syakomon. O Digimon reclamava do excesso de produto de limpeza quando foram surpreendidos pelo leve tremor.

— Você percebeu isso? — Yuri perguntou a Amélia.

— Acho... que sim. — A menina levantou-se procurando pela toalha.

— Será que foi um terremoto? — Yuri se perguntou confuso.

— Aqui tem placas tectônicas? — Amélia se perguntou e em seguida esperou a resposta de seus companheiros Digimon.

— O que é placa tectônica? — Bearmon abriu apenas um olho para perguntar a parceira.

— Deixa pra lá. — A menina enrolou-se na toalha.

— Hey... Olha lá! — Syakomon deu leve pulos dentro de sua concha ressaltando as portas e janelas do hotel que estavam revestidas com metais.

— Isso é uma armadilha! — Amélia surpreendeu-se ao notar os gritos no interior do hotel.

Ambos trocaram suas roupas rapidamente e aproximaram-se da porta de entrada para o hotel. Syakomon fechou-se em seu casco e jogou-se contra o metal e Bearmon tentou usar suas garras para quebrá-la, porém foi em vão.

— O que foi?! — Takeshi aproximou-se dos dois amigos. Estava distraído após a confusão com Gumdramon.

— Eles trancaram tudo! — Yuri disse amedrontado. — Os outros estão lá dentro.

— O Gumdramon entrou? — Takeshi preocupou-se com o amigo.

— Eu sei lá. — Amélia respondeu. — Mas sei que nem todos saíram. — A garota disse assustada.

— Nós precisamos fazer alguma coisa... — Yuri lamentou sentindo-se impotente e recostou-se ao lado de Syakomon.

Takeshi sentiu um aperto no coração. E se Gumdramon estivesse lá dentro? Se por causa de algo idiota o pobre Digimon estivesse agora sozinho e sentindo-se tão impotente quanto Yuri e até mesmo quanto ele.

— Gumdramon! — Takeshi bateu na porta e gritou.

O rapaz sentou-se ao chão e olhou para o céu em busca de alguma solução divina e, convenientemente, encontrou.

— Lá em cima! O telhado parece ter desaparecido! — Takeshi apontou e logo se levantou. — Se tem uma forma de entrar, é por cima.

— E como vamos fazer isso? — Yuri o olhou confuso. — Nenhum de nós ou dos nossos Digimons voam.

— Não precisa voar! — Takeshi sorriu ajeitando as luvas que tinha no bolso.

— E você vai fazer o que, Homem Aranha? — Amélia o questionou e logo se espantou com a atitude do rapaz.

— Eu consigo escalar! — Takeshi se atracou na parede, aproveitava-se das vinhas e das saliências arquitetônicas para se estabalizar e escalar a parede do hotel. — Fica calmo, Gumdramon! Eu vou te ajudar! — O rapaz pensou esperançoso que o companheiro estivesse bem.

Do lado de dentro, Majiramon utilizou dos aparatos tecnológicos do hotel para retirar o teto sobre si e lhe dar mais mobilidade. Com um forte soco, quebrou o chão abaixo na tentativa de visualizar melhor os Digiescolhidos.

Os gritos de susto dos jovens revelavam cada vez mais onde estavam, o teto dos quartos aos poucos quebravam e logo restava apenas aquele ao final do corredor.

— Nós precisamos de um plano de fuga! — Daisuke encarou os amigos e depositou em Natsu a confiança de que ele saberia o que fazer.

— Podemos descer até o térreo... — Yasu sugeriu. — Embora que tenhamos que passar pela vista dele até chegar às escadas.

— E não seria uma boa opção usar o elevador... — Akane ponderou.

— Tudo bem... Eu já tenho o plano! — Natsu estralou o pescoço e ajeitou a postura.

— O que? Vai sair na porrada contra um Digimon que usa o punho pra abrir buracos no teto? — Sakura debochou das atitudes do rapaz.

— Não. — Natsu respondeu com um olhar fulminante. — O Agumon vai fazer isso. Eu só vou ficar do lado dele. — Natsu pôs-se à frente. — Quando nós tivermos a atenção dele, vocês correm para as escadas.

— Eu to pronto, Natsu! — Agumon juntou-se ao companheiro e deu um leve rosnado, preparado para a briga.

— Isso é loucura! — Daisuke interpôs. — Ele é do nível perfeito.

— Ele vai escravizar todos nós. — Floramon choramingou.

— Calma. Vai ficar tudo certo. — Sakura segurou a mão do Digimon flor e tentou passar algum tipo de força.

— Não podemos deixar o Natsu em perigo e corrermos tão covardemente quanto esses Gazimon! — Louis disse compadecido com a atitude do rapaz.

— Não se preocupem, porra! — Natsu esbravejou. — Assim que vocês estiverem a salvo, eu pulo nas costas do Greymon e nós saímos daqui!

— É um bom plano. — Yasu concordou. — Não temos outra escolha! Não podemos apenas correr, é preciso lutar também. — A garota disse convicta.

— Kitsune... — Akane olhou para Renamon. — Nós vamos lutar contra esse imbecil!

— Com certeza! — Renamon se prontificou.

Majiramon quebrou mais uma parte do teto e foi a deixa para que os Digiescolhidos que ali estavam se manifestassem.

— Agumon digivolve para... — Agumon logo se pôs à frente, digievoluindo e adquirindo tamanho necessário para tentar proteger Natsu e seus amigos. — GeoGreymon.

— Renamon digivolve para... — Renamon também entrou em batalha. — Kyubimon.

GeoGreymon saltou e jogou seu corpo nos punhos de Majiramon. Cravou suas garras e seus dentes, mordendo a espessa camada de escamas esverdeadas do Digimon. Kyubimon saltou e girou em seu próprio eixo, usando sua técnica Koenryu, em seguida manteve-se presa ao Digimon.

Parte do teto cedeu, dando não só a oportunidade dos Digiescolhidos correrem até as escadas como também lhes revelou a aparência do oponente. Majiramon era um Digimon dragão, com o corpo esguio e comprido, as escamas de seu ventre possuíam coloração bege enquanto o restante de seu corpo era composto de uma escama verde musgo com uma espécie de crina escamosa na cor vermelha. Seu torso era alongado até terminar em uma comprida cauda com uma cabeleira prateada na extremidade. Sustentava-se em quatro patas e seu tronco erguia-se tão longo que deixava o Digimon até um tanto curvado. Seus braços eram compridos e vestia uma espécie de armadura roxa pequena e justa no que seria a região de seu peitoral. A cabeça reptiliana também era alongada, com um comprido bigode prateado semelhante as caricaturas dos antigos chineses. No topo de sua cabeça desciam uma cabeleira prateada e dois cornos erguiam-se cada um exibindo três pares de proeminências. Os profundos olhos vermelhos enraiveciam-se ao errar seus alvos.

— Vocês não são páreos para mim! — Majiramon atacou GeoGreymon e Kyubimon, no entanto os ignorou e continuou a procurar os Digiescolhidos.

— Acaba com ele, GeoGreymon! — Natsu esbravejou.

Do lado de fora, a estrutura do hotel estremesseu, o barulho chamou a atenção de Gumdramon, que escondia-se em uma parte distante no jardim do hotel. O pequeno dragão lamentava sua postura e tentava esconder seu descontentamento ao reconhecer-se indisciplinado. Apenas notou o que acontecia ao ouvir o grande barulho provocado por Majiramon.

Sem pensar duas vezes, o Digimon correu até o local com medo de que seu parceiro, Takeshi, tivesse em perigo. Enquanto se aproximava do local, viu o corpo de Majiramon elevando-se ao céu, GeoGreymon e Kyubimon foram arremessados para fora do hotel, quebrando parte da parede da estrutura.

Vedhaka! — O corpo de Majiramon ascendeu até o céu e escondeu-se nas nuvens que juntaram, um enorme vórtice vermelho se abriu e de lá uma chuva de espículas energéticas avermelhadas caíram como chuva, destruindo tudo por onde passava.

— Takeshi! — Amélia e Yuri gritaram em uníssono. Ambos escondiam-se com seus Digimons enquanto o rapaz estava pendurado na parede do local. — Takeshi volta!

— Eu preciso encontrar o Gumdramon! — O rapaz respondeu determinado a adentrar o local.

— Takeshi! — Gumdramon gritou com lágrimas nos olhos. — Takeshi eu estou aqui!

Quando Takeshi olhou para seu companheiro, novamente veio uma chuva de espículas avermelhadas, fazendo o rapaz desequilibrar e cair.

— Takeshi! — Gumdramon gritou e seu desejo de proteger o parceiro respondeu ao brilho do Digivice do rapaz. — Gumdramon digivolve para... — A luz da digievolução percorreu o corpo do Digimon, sua estatura aumentou consideravelmente, seu corpo blindou-se com uma carapaça azul arroxeada, mais resistente e eficiente, suas garras foram vestidas por luvas amarelas e espessas, bem como parte de suas patas, que deixaram a mostra apenas as grossas garras, uma armadura vermelha surgiu em seu tórax e estendia-se até a parte superior de suas asas, seu pescoço longo e fino sustentavam sua cabeça que perdeu os contornos delicados e pueris e deu origem a uma face mais imponente e repleta de espículas escamosas da mesma cor que seu corpo. Por fim, sua cauda em formato de martelo deu origem a uma longa e afunilada cauda que em sua extremidade uma espécie de âncora pontiaguda. — Arresterdramon!

O Digimon dragão voou rapidamente até seu parceiro e impediu que este caísse no chão. Com carinho, Arresterdramon colocou Takeshi em segurança e sorriu.

— Agora eu sou mais forte, Takeshi! Graças a você! — O Digimon disse fraternal e logo se pôs a voar.

— Você sempre foi forte, Arresterdramon. — Takeshi sorriu orgulhoso de seu parceiro.

— GeoGreymon, Kyubimon, juntos nós podemos o vencer. — Arresterdramon virou-se para os parceiros de batalha.

— Eu to pronto pra luta! — GeoGreymon levantou-se.

— Precisamos proteger nossos amigos. — Kyubimon concordou colocando-se de pé.

— Eu vou fazer ele descer! — Arresterdramon saltou e alçou voo em alta velocidade rumo às nuvens onde Majiramon havia se escondido.

Mais uma vez, Majiramon lançou seu ataque Vadhaka, fazendo uma chuva de espículas vermelhas cair do céu. No entanto, dessa vez, os Digimons estavam prontos para contra-atacar.

— Onibidama! — Kyubimon posicionou-se a da extremidade de suas nove caudas uma acendeu uma série de chamas azuis que contra atacaram o golpe de Majiramon, permitindo que Arresterdramon se aproximasse.

— Prism Garret! — Arresterdramon gritou, a âncora pontiaguda da extremidade da cauda do Digimon brilhou dourada, apontando rumo à Majiramon. Em alta velocidade, Arresterdramon partiu rumo ao oponente, formando incontáveis rotações de luz que acertaram o oponente e concedeu a possibilidade de Arresterdramon permanecer do lado oposto a Majiramon.

— Maldito! — Majiramon esbravejou. Suas escamas espessas receberam diversos cortes, até mesmo parte de seu bigode e cabelo prateado foram cortados com o ataque de Arresterdramon.

O Digimon se jogou contra Arresterdramon e cravou suas garras em seu longo pescoço. A força de Majiramon era superior, uma vez que atingia o nível perfeito, o que o tornou resistente ao potente ataque do Digimon. O dragão azulado estendeu sua grande cauda e a enlaçou no pescoço do inimigo, afastando-o de seu corpo e o lançando ao chão.

Enquanto Majiramon ia de encontro ao solo, Arresterdramon mais uma vez usou de sua grande velocidade para lançar mais um ataque.

Match Flicker! — O Digimon gritou e cerrou os punhos com uma rajada de socos no oponente. De longe era possível apenas ver esferas amareladas que acertavam rapidamente Majiramon, a velocidade dos murros de Arresterdramon era tão rápida que pouco se via de seus braços.

Mega Flame! — GeoGreymon inflou seu corpo e enquanto pequenas labaredas formavam em sua boca, em seguida, uma grande esfera de fogo foi expelida em direção à Majiramon.

Koenryu! — Kyubimon girou em torno de seu próprio eixo, as chamas azuladas tomaram conta de seu corpo e assumiram a formato de um dragão que seguiu em direção ao oponente.

Majiramon urrou de dor e atingiu o chão. Por alguns instantes, ficou imóvel, gemeu tentando reunir forças, mas foi em vão. Quando os Digiescolhidos se aproximaram notaram uma estranha camada de minúsculas partículas negras deixando o corpo de Majiramon, elas ascenderam pouco acima do corpo do Digimon e pareceram “explodir” e logo desapareceram.

— O que foi isso? — Yuri perguntou curioso.

— Vírus. — Foi Patamon quem respondeu.

Takeshi correu até Arresterdramon, o grande dragão brilhou e voltou a sua forma do nível “Criança”.

— Viu, Takeshi?! Eu evoluí e fiquei super forte! — Gumdramon pulou empolgado.

— Eu vi! — Takeshi sorriu e abraçou o parceiro Digimon.

GeoGreymon e Kyubimon também voltaram a sua forma do nível criança. Os Digiescolhidos juntos de seus parceiros e Floramon aproximaram-se do corpo de Majiramon. O Digimon acordou, o que deixou os demais tensos, no entanto sua postura foi outra.

— Vocês... São... — O Digimon fechou os olhos e logo entendeu a situação. — Digiescolhidos.

— Majiramon! Nós não vamos deixar que continue explorando esses Digimons! Pague eles certinho! — Akane o repreendeu como se estivesse dando uma lição.

— Me desculpem... Eu não queria fazer isso... Me veio um medo de empobrecer... De não ter mais dinheiro pra nada! — Majiramon lamentou.

— As coisas nesse mundo não são de graça? — Amélia o indagou crente que o Digimon usava uma desculpa.

— Na Ilha Arquivo, grande parte é... Porque adotam os antigos costumes... Porém... Desde que Alphamon criou as Novas Leis... Dinheiro é valioso...

— Isso não justifica ter explorado esses Digimons. Pouco salário, muito trabalho e o uso do medo como forma de repressão! Isso não é certo. — Sakura disse olhando para o Digimon e se aproximando de Floramon. — Ela se sujeitou a tudo isso pra poder voltar pra casa... Você se aproveitou da fragilidade dela para se beneficiar.

— Me desculpe, Floramon... Mas... Até agora eu não entendo porque fiz isso...

— O vírus... — Renamon encontrou o motivo. — Foi possível vê-lo deixando seu corpo. Você sabe como o contraiu?

— Sinto muito, eu não sei... — Majiramon lamentou. — Ele é um inimigo invisível, acho que apenas não o transmiti pra Floramon e os Gazimon porque me mantive grande parte do tempo naquele andar... — Majiramon disse lembrando-se de suas ações. — Agora meu hotel está destruído, minha reputação manchada...

— Se preocupe em limpar sua barra. — Natsu disse sem demonstrar tanta empatia. — Paga eles direito e tenta limpar sua barra com atitudes.

— Não foi sua culpa, Majiramon. Mas é consequência do que aconteceu com você e, de um jeito ou de outro, você precisa lidar com isso. — Takeshi completou.

— Pode começar dando um lugar pra gente dormir e comida de graça. — Amélia brincou querendo dizer a verdade.

— Vocês podem ficar... Inclusive... Se quiserem ajudar a reconstruir, posso pagar vocês pelo serviço...

— Ah tá! — Os Digiescolhidos e seus parceiros Digimons disseram em uníssono e riram com a situação, encerrando mais um dia de suas aventuras.

 

_Continua



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