História Dinastia - Capítulo 31


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Categorias Once Upon a Time
Personagens Cora (Mills), David Nolan (Príncipe Encantado), Fa Mulan, Marian, Princesa Aurora, Regina Mills (Rainha Malvada), Robin Hood, Ruby (Chapeuzinho Vermelho), Vovó (Granny), Zelena (Bruxa Má do Oeste)
Tags Lana Parrilla, Malina Weissman, Outlaw Queen, Outlawqueen, Regina Mills, Robin Locksley, Romance, Sean Maguire
Visualizações 113
Palavras 5.554
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Fantasia, Ficção, Magia, Mistério, Romance e Novela
Avisos: Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Sexo, Tortura
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Olá!
Sem muitas delongas, boa leitura!

Capítulo 31 - Aquele da explosão mágica


Fanfic / Fanfiction Dinastia - Capítulo 31 - Aquele da explosão mágica

O olhar gélido fazia todo o meu corpo arrepiar, era como se ela quisesse mostrar que ali já não existia a menina doce e carinhosa que estávamos acostumados. Mel era habilidosa e destemida, como eu sempre acreditei que ela seria. Apenas não imaginei que o mal seria seu único caminho. Melinda não tinha escolha, não era uma luta contra o bem e o mal, era uma luta em vão contra um destino traçado que não podia ser modificado. Não tinha a mínima ideia de como agir dali por diante, não conseguia nem sequer me movimentar, eu apenas olhava para o nada, esperando que tudo se desfizesse e eu comprovasse que aquilo não passava de uma alucinação.

Meu coração doía cada vez que a cena que presenciei no quarto de Lili era repassada na minha mente e somado a profecia, só aumentava ainda mais meu estado de pavor. Eu queria correr dali, ir para o meio da floresta, onde eu pudesse recarregar minhas energias e buscar uma solução para todo o caos que Melzinha enfrentaria dali por diante, mas eu não conseguia levantar da poltrona que estava sentada.

Sentia o olhar de Robin sobre mim, todavia, encará-lo era outra coisa difícil para mim. A súbita mudança de Melinda, também deixava claro o que Robin se recusava a enxergar: nosso amor era uma farsa. Engoli a imensa vontade de chorar, reuni o pouco de força que me restava e levantei da poltrona. Robin ameaçou dar alguns passos em minha direção, mas supliquei com o olhar que ele permanecesse no mesmo lugar.

"Eu preciso ficar sozinha!" Ele assentiu um pouco decepcionado. Desviei minha atenção para Melinda e ela olhava-me com bastante atenção. Sua feição não havia mudado, a expressão no seu rosto chegava a assustar. A cor dos seus olhos, estava escurecida, talvez tivesse sido provocada pela alta magia que pulsava dentro dela. A pequena ajeitou-se na cama, virando-se para o outro lado e me deu as costas. Respirei fundo, buscando novamente o olhar de Robin e me surpreendi quando percebi que ele estava ao meu lado.

"Irei ficar com ela. Eu lhe darei um tempo, sei que precisa." Olhou firme em meus olhos. "Não deixarei que se isole de todos nós, principalmente da sua filha." Encaramo-nos por segundos e eu desviei o olhar, andando até a porta e saindo do quarto.

Me sentia uma péssima mãe, porque já havia construído uma barreira enorme entre mim e Melinda, começando pela falta de conexão com a nossa magia. Andei pelos corredores, atordoada, enquanto toda a minha vida rondava por minha mente. Meu destino tinha sido amarrado ao de Robin, de uma forma bastante cruel. Conseguia entender agora porque mamãe escondeu tudo de mim. Se eu soubesse que meu destino seria forjado, faria de tudo para retardá-lo. Não posso negar o quanto fui feliz, como foi bom viver cada momento ao lado de Robin, dos bons aos ruins. Jamais conseguirei descrever a sensação maravilhosa que foi descobrir que estava grávida do homem que amava, da primeira vez que Melinda mexeu na minha barriga ou de quando eu a peguei no colo pela primeira vez. E também quando lhe dei um nome, que trazia tudo que eu desejava que ela transmitisse, mas que agora era tudo que ela não tinha: doçura.

Abri a porta do quarto que dividia com Robin, que a essa altura já tinha sido organizado mais uma vez. A minha falta de controle na magia ocasionou um quarto completamente destruído. Se não fosse Zara, o castelo certamente estaria completamente danificado. Andei até a cama vagarosamente e sentei-me ali, deixando que todo o choro preso na garganta saísse livremente. Minha cabeça doía como o inferno, me sentia impotente, queria poder esquecer todos os episódios recentes, mas isso não traria minha filha de volta. Precisava enfrentar todos esses obstáculos, só não sabia como começar a fazer isso.

Limpei meu rosto e busquei o guia de bruxas da família Mills, passando a folheá-lo com velocidade. Tinha lido o livro inteiro, diversas vezes, mas não tinha nenhuma informação além de feitiços muito bem organizados, instruções de como utilizar a magia e um pequeno resumo sobre a linhagem de bruxas da família. Uma folha em específico chamou minha atenção, nela tinha a letra inconfundível de Morgana Mills, ela fora a responsável pelos primeiros feitiços da família. Notei que em algumas anotações de mamãe, ela citava muitos feitiços de Morgana e alguns deles estavam modificados. Toquei na caligrafia dela, usando minha magia para tentar conseguir mais informações através da sua letra, mas não encontrei. Conseguia vê-la sentada em um tronco de árvore, enquanto anotava os feitiços. O sol brilhava forte naquele dia, mas ela não parecia se importar. Morgana era uma bruxa bastante bonita e sagaz, além de muito poderosa, e tinha magia mental igual Melinda. Bufei inconformada e folheei mais algumas páginas, até a bonita caligrafia de Cora tomar conta de toda a minha visão. Toquei por cima e pude vê-la sentada à mesa, o móvel era desgastado e o único existente no cômodo. Mamãe sorria, enquanto anotava sua contribuição ao guia. O lugar estava pouco iluminado, mas não interferiu em sua concentração. Nesse dia mamãe fez anotações sobre o controle de elementos naturais, eram sobre as minhas habilidades que ela escrevia. Depois de ler o guia inteiro algumas vezes, tive a certeza que toda contribuição dela era referente aos meus poderes. Mamãe passou o restante da sua vida pesquisando cada dom meu e anotou todas as suas descobertas no guia da família. Parecia ter sido um plano bem calculado, Cora sabia que não viveria o suficiente para me ajudar a desenvolver todos os meus poderes. Devolvi o livro para seu lugar e meus olhos capturaram o frasco que continha a fragrância do perfume que Robin tanto amava. Meu peito se apertou, enquanto eu lembrava da primeira frase da profecia: do perfume enfeitiçado, o amor será forjado.

As lembranças com Robin tomaram conta dos meus pensamentos. De como ele se interessou pelo meu perfume, o fato dele sempre buscar o meu cheiro, até mesmo em outras mulheres, como aconteceu quando ficamos separados. Meu cheiro o acalmava e era a única coisa em mim que ele nunca esqueceu, pelo contrário, meu cheiro sempre fora o responsável por manter Robin preso a mim.

Esfreguei com força toda minha pele, tentando tirar aquele cheiro de mim, não suportava mais senti-lo, me sentia suja lembrando de todas às vezes que atrai Locksley através de um perfume enfeitiçado. Os beijos apaixonados, as juras de amor cada vez que nossos corpos estavam unidos, a filha que tivemos juntos... Nada foi verdadeiro. Me sentia um monstro. Quando pensei que meu único pecado em relação a Locksley tinha sido me passar por Eloise, descobri que por minha culpa ele tinha sido o escolhido para viver uma vida de mentiras ao meu lado, para me ajudar a trazer uma criança que libertaria todas as trevas do mundo.

Com o coração estilhaçado, usei magia para trazer o frasco até as minhas mãos. Fora o que mamãe me dera, ela sabia que o maldito perfume me faria embarcar em uma vida de mentiras e me faria sofrer pelo resto da minha vida. Por muitas vezes eu supri a saudade que sentia através do cheiro que me lembrava bastante ela, mas aquilo não era uma mera lembrança, era uma dolorosa confirmação de que eu nunca conheci minha mãe de verdade e talvez ela não se importasse tanto assim comigo. Não sabia se existia justificativa para tal, mas nada me faria entender os motivos de mamãe. Olhei uma última vez para o frasco e um grito frustrado saiu de dentro da minha garganta, ao passo que lançava o objeto contra a parede. O perfume transformou-se em uma explosão mágica e meu coração bateu descompassado. Era saudade e mágoa misturada, mas a saudade ainda conseguia ser mais forte. Caí de joelhos no chão e chorei baixinho, enquanto ouvia a voz doce que tanto me fizera falta. Quando sua voz se calou mais uma vez, tudo fez sentido para mim.

°° °° °°

"Robin?" Desviei minha atenção para a porta, vendo Zara e Anastácia adentrarem o quarto de Melinda.

Fazia algumas horas que Regina tinha saído e Melinda havia pegado no sono. Era estranho não saber lidar com minha filha, e tudo piorava porque eu sentia que ela não fazia a mínima questão de me ter ao seu lado. Mas isso não fora capaz de me tirar do seu quarto, continuei velando seu sono e aproveitei aquelas horas para tentar compreender o que estava acontecendo. Não fui capaz de chegar a uma conclusão, tudo me soava tão confuso. Regina continuava isolada, acreditando cegamente na profecia. Não julgava, era a crença dela e mesmo não concordando com algumas coisas, respeitava. De qualquer forma, ver toda a transformação de Melinda me deixava cada vez mais crente que Regina tinha razão em se preocupar. No entanto, não me daria por vencido, buscaria uma saída para toda a confusão que nos enfiamos da noite para o dia.

"Onde está a Regina?" Questionou Anastácia, me tirando dos meus devaneios.

"Ela pediu para ficar sozinha, isso faz algumas horas." Suspirei cansado, me remexendo na poltrona. "Ela está... destruída. Não sei o que fazer." Busquei seu olhar, sentindo meus olhos pesarem.

"No momento você precisa apenas descansar. Nada que façamos mudará a profecia." Aproximou-se, tocando em meu ombro. "Ficaremos aqui com ela. Pedi que preparassem a sala de banhos, lhe fará bem."

"Mas..."

"Não é um pedido, Robin." Arqueou uma sobrancelha e apenas assenti. Levantei da poltrona, andando até a cama da minha bruxinha e deixei um beijo em sua cabeça. Agradeci as duas mulheres e saí do quarto. Assim que fechei a porta, dei de cara com August no corredor. Pelo seu semblante, pude constatar que não me daria boas notícias. Indiquei com a mão para que me acompanhasse e assim ele fez.

"Não tenho boas notícias." Falou com pesar.

"Imaginei que não." Sussurrei.

"Os nobres exigiram uma reunião com o Bispo e em algumas horas estarão todos reunidos." Ele fez uma pausa. "Essa reunião não trará benefício algum para o reino, pelo contrário..."

"Eu sei..." Passei a mão pelo cabelo, em um claro sinal de frustração. "Eu não tenho cabeça para isso, August. Minha filha e Regina estão passando por momentos difíceis e nesse momento elas são minha prioridade."

"Sinto muito por trazer mais problemas, mas eu precisava lhe informar a respeito disso." Apenas assenti, concordando. "Irei tentar ter acesso à reunião, eles não podem se reunir na sua ausência, isso soa como conspiração e traição à Coroa." Paramos em frente a sala de banhos. "Procurei por Mulan por todo o castelo, mas não encontrei. Ela saiu a serviço do reino?"

"Não!" Franzi o cenho. "Não vejo Mulan desde ontem. Ela deveria estar com Melzinha, mas Mel apareceu hoje no quarto de Lili sem ela."

"Marian também não sabe dela. Irei procurá-la." Toquei na maçaneta, mas antes de abrir a porta da sala de banhos a voz de August me deteve. "Cuide da sua família, Robin. Cuidarei para que não saia prejudicado, irei à reunião dos nobres. Afinal, ainda sou um." Sorri agradecido e toquei em seu ombro.

"Muito obrigado, meu amigo." Ele fez um leve movimento com a cabeça e despareceu pelo corredor.

Entrei na sala de banhos e um serviçal me ajudou a retirar a roupa pesada, deixando-me apenas de trajes íntimos. Entrei no tanque e gemi de satisfação, sentindo a água refrescar todo meu corpo. Nadei até um canto e me apoiei no batente, deixando que os pensamentos tomassem conta da minha mente mais uma vez. Fechei os meus olhos e pude visualizar a imagem de Regina. O amor que sentia por ela fora por muito tempo a única verdade que tive na vida. Não podia mentir para mim mesmo e afirmar que as palavras daquela bruxa não mexeram com meus sentimentos. Se eu fosse o Robin de anos atrás, já teria retirado Regina da minha vida, assim como fiz quando descobri que ela era bruxa. O meu antigo eu não pensaria duas vezes em acusá-la. Todavia, eu não era mais o antigo Robin, e já havia passado tempo demais longe da mulher que amava. Não suportaria perder Regina mais uma vez e, na verdade, não queria. Minha cabeça estava confusa, não conseguia assimilar tudo que aconteceu, mas faria o possível e impossível para buscar uma solução que mantivesse minha família unida.

O que me deixava intrigado era a súbita mudança da nossa filha. Poderia até soar estranho, mas eu não conseguia enxergar minha filha naquela criança que deixei dormindo no quarto. Melinda nunca fora uma criança rude, muito menos silenciosa. Ela adorava tagarelar a respeito de tudo e, acima de tudo, adorava quando eu estava por perto. Tanto eu, quanto Regina. Nenhuma profecia seria capaz de me fazer acreditar que minha bruxinha despertaria às trevas no mundo. Tinha fé que tudo se resolveria e as coisas voltariam a ser como eram antes.

"Deixe-nos a sós." Abri os olhos, assim que ouvi sua voz doce.

Girei meu corpo e nossos olhares se cruzaram. Seu olhar desviou do meu por um instante, apenas para acompanhar o serviçal que se dirigia para fora da sala. Regina andou até a porta e trancou, voltando para o mesmo lugar logo depois. Observei cada passo seu, sem saber ao certo como reagir diante dela. Pela pele marcada e os olhos inchados, pude constar que ela passara horas chorando. Meu coração doeu e fiz menção em sair da água e toma-la em meus braços, para garantir que tudo ficaria bem. Mas ela tinha outro plano. Mills se despiu completamente e entrou no tanque, caminhando lentamente até colar seu corpo ao meu. Nossos olhares estavam alinhados e apesar de conhecê-la bem, não conseguia decifrar o que se passava pela sua cabeça.

"Me faça esquecer!" Deslizou suas mãos por meus braços, até alcançar meu pescoço e abraçou-me, juntando ainda mais nossos corpos. "Me faça esquecer tudo, Robin." Sussurrou contra minha boca. "Por favor!" Levei minhas mãos até sua cintura e segurei firme, sem desviar meu olhar do seu.

"Farei você lembrar, Regina." Levei uma das mãos até seu rosto e fiz um pequeno afago. Mills fechou os olhos, apreciando o carinho. "Farei você lembrar do nosso amor, de como nos damos bem juntos e de tudo que vivemos até aqui. Farei você lembrar o quanto eu te amo e que independente do que aconteça, sempre teremos um ao outro." Limpei uma lágrima solitária que deslizou pelo seu rosto e ela abriu os olhos, me encarando. Por um instante eu pude ver a esperança no seu olhar e aquilo encheu meu peito de alegria. No fundo, ela acreditava na possibilidade de que tudo não passara de uma brincadeira sem fundamentos.

"Então faça, Robin." Sussurrou contra minha boca. "Me faça lembrar!"

Tomei seus lábios em um beijo e ela se rendeu ao momento. Tudo que vivemos nos minutos seguintes fora inexplicável, e quando Regina explodiu em espasmos e se aninhou nos meus braços, tive a certeza de que nada seria capaz de arrancá-la de mim.

°° °° °°

Seu olhar parecia um ímã atraindo-me. Era impossível desviar minha atenção da sua, e com ele parecia acontecer o mesmo. Tinha plena certeza que ele tinha sentido, em cada toque meu, que alguma coisa havia mudado depois que saí do quarto de Melinda. Robin sentia, conhecia-me bem, e nunca consegui esconder nada dele. Sorri discretamente para ele, lembrando do momento que havíamos compartilhado minutos atrás. Locksley não fazia a mínima ideia do que estava acontecendo, mas correspondeu com um sorriso bonito, no fundo, ele sabia que a nossa conexão tinha sido reestabelecida e nada seria capaz de acabar com o que construímos. Eu tinha razões para acreditar nisso, mas ele não, mesmo assim, sua fé em nosso amor continuava inabalável e mesmo que não precisasse de provas, ele tinha acabado de provar para mim, mais uma vez, que me amava de verdade.

"Regina?" Desviei meu olhar de Robin com muita custo e fitei Zara, que falava a respeito da profecia e da mudança drástica de Melinda. Estava muito resolvida em relação a Robin, só precisava encarar a nova fase da minha filha de frente. Ela precisava de mim, e lhe daria todo apoio que precisasse. Faria de tudo para resgatar a essência da minha bruxinha. "Alguma ideia de onde procurar a profecia que sua mãe lhe deixou?"

"Não!" Murmurei. "Pensei em ir atrás de bruxas anciãs, alguém, além das bruxas inimigas, tem que saber dessa profecia." Desviei minha atenção para a porta do gabinete de Robin, a tempo de ver Anastácia cruzar a mesma. Estávamos nos três, Marian e Zoe reunidos no gabinete de Robin. Melinda ainda dormia no quarto e preferi aproveitar de seu momento de descanso para pensar em alguma coisa que me tirasse do escuro. "Ela acordou?"

"Não!" Anastácia fitou-me. "Ela está com Louise. Apenas vim avisar que August não encontrou Mulan." Franzi o cenho, buscando o olhar de Robin.

"Mulan não está no castelo?" Marian levantou do sofá que dividia com Zoe e aproximou-se de mim, seu semblante de preocupação me deixou em alerta.

"Ela não está em nenhum lugar no Castelo." Confessou minha amiga. "É muito estranho, Regina. Ela não costuma desparecer assim, você sabe, ela jamais deixaria Melinda sozinha." As palavras de Marian me despertaram vários questionamentos e, apesar de não chegar a uma conclusão definitiva, Leigh estava certa: Mulan jamais deixaria Melzinha sozinha.

"Pedirei a alguns soldados que façam uma busca pelo reino."

"Amor..." O chamei, impedindo que ele saísse. Notei um sorriso no seu rosto pela forma que o chamei. Em meio as incertezas sobre o nosso amor, a forma que me referi a ele, fazia toda diferença. "Não demora, quero que esteja ao meu lado quando ela acordar." Ele assentiu e saiu do gabinete. "E Lili, como está?"

"Do mesmo jeito." Disse Marian. "Malva está com ela, colocou-a para dormir, estava sentindo muita dor. Ela ainda sangra muito e talvez não resista."

"Precisamos salvá-la, eu não posso deixar Lili morrer."

"Não é sua culpa, Regina." A voz de Anastácia ressoou pelo cômodo.

"Então de quem é?" Falei exasperada. "Me sinto culpada por tanta coisa ultimamente, Anastácia. Parece um pesadelo, tudo ao meu redor parece estar desmoronando e eu não posso fazer absolutamente nada para impedir. Além disso, minha filha quase a matou." Respirei fundo, tentando conter meu estado deplorável após falar a última frase. Ainda era difícil para mim, imaginar que Melinda fosse capaz de tamanha crueldade. Se não tivesse presenciado, jamais acreditaria na sua tentativa de assassinato.

"Teremos que saber lidar com isso." Zara olhou-me decidida. "E vale considerar que foi uma mudança repentina. Estamos deixando passar alguma coisa, Regina, tenho certeza."

"O quê?" Não obtive resposta, mas Zara estava coberta de razão. Muita coisa não fazia sentido em toda essa história. Todavia, minha filha continuava sendo a responsável pelas trevas e Mulan estava desparecida. Eram duas situações delicadas. Continuamos conversando a respeito de como podíamos começar a procurar a profecia e em determinado momento, senti falta dos comentários sarcásticos de Zoe. A situação era delicada, mas ela sempre arrumava um jeito de fazer um comentário, nem que fosse um rosnado. Olhei para a gata e ela estava deitada, com o pensamento longe. Seu olhar felino encontrou o meu, mas ela desviou o olhar rapidamente. Sabia que a essa altura já tinha ouvido meus pensamentos, mas mesmo assim, continuou silenciosa. "Zoe?" Andei em sua direção, mas a voz do meu amor fez-me cessar os passos.

"Melinda acordou!" Meu coração acelerou com a informação e esqueci a gata por um instante. Robin andou até mim, segurando em ambas as minhas mãos e olhou firme em meus olhos. "É nossa filha, não se esqueça!" Me concentrei naquela informação e deixei que ele me guiasse para fora do gabinete.

Marian, Zara e Anastácia saíram também, mas fizeram um trajeto oposto ao nosso. Para minha surpresa, Zoe seguia a mim e Robin. A presença da gata faria bem a Melinda, estava certa disso. Meu coração gritava a todo instante que ela era minha filha e nada mudaria isso, no entanto, minha razão me lembrava a todo instante do seu destino. Era uma briga bastante árdua. Lembrei de Cora, de tudo que ela fizera para me proteger. Recordei de tudo que passei com Melinda, de como ela trouxe cor para minha vida. Por mais que ainda fosse difícil, estava começando a me convencer de que, não importava o destino dela, Melinda sempre seria minha filha. Zoe miou satisfeita, concordando com todos os meus pensamentos. Meus passos cessaram assim que chegamos na porta do quarto e Robin buscou meu olhar.

"Está tudo bem?" Questionou-me, mesmo sabendo a resposta. Respirei fundo e troquei um olhar com Zoe, que apesar da sua carinha abatida, incentivou-me a continuar.

"É nossa filha!" Repeti suas palavras com convicção e suspirei, dando o aval para que ele abrisse a porta.

Assim que a porta se abriu, pude ver Louise em pé, ao lado da cama. Busquei o olhar da minha filha e foi como se tivesse sido atingida por uma imensa pedra de gelo. Ela continuava com a expressão endurecida, estava começando a acreditar que seus olhos jamais voltariam a ser azuis mais uma vez. Mel não desviava seu olhar do meu, parecia querer me intimidar, e apesar do meu coração doer, pela sua súbita vontade de mostrar que ali não existia mais a criança de antes, ignorei sua tentativa de intimidação e dei um passo a frente, entrando no quarto, e só parei quando estava diante dela.

"Filha..." Sentei ao seu lado na cama. Me sentia estranha, como se não fosse a criança que eu trouxe ao mundo que estivesse diante de mim. Nunca tinha me sentido tão desconfortável ao lado da minha filha. Mel parecia tão desconfortável quanto eu, mas não fazia nada que pudesse mudar a situação, e nem respondeu ao meu chamado. "Você dormiu direitinho?" Insisti e ela apenas assentiu. Tentei tocar seu rosto, mas ela recuou. Meu coração se partiu ao meio com o comportamento. A decepção estava estampada na minha cara e Melinda pareceu notar.

"Desculpa, mamãe." Sorri sem graça. A voz dela ainda era a mesma, mas o tom estava levemente ríspido. Ficamos alguns segundos nos encarando, eu precisava abordar Melinda de uma outra forma, uma que eu ainda desconhecia. Começava a acreditar que eu teria que conquistar o carinho da minha filha, porque ela não era mais a criança que costumava ser. "Oi, papai."

"Oi, meu amor." Robin sentou ao meu lado. "Você dormiu bem?" Ela assentiu e não recuou quando ele fez um carinho sobre seus cabelos. "Você está com fome?" Ela negou.

"Ela não comeu nada hoje." A voz de Louise soara tímida. "Ainda tem bolo na cozinha, trarei um pedaço para ela."

"Obrigada, Louise." Sorri para a jovem e ela devolveu o sorriso, saindo do quarto e deixando-nos a sós com Melinda. "Zoe está aqui, você quer vê-la?" Melinda franziu o cenho e fitou-me curiosa. "Sua gatinha, filha." Ela arregalou os olhos e eu estranhei seu comportamento. Por um instante tive a sensação que ela não lembrava de Zoe. Como isso era possível? Peguei o animal no colo e coloquei perto de Melinda. A pequena se encolheu e Zoe miou insatisfeita, voltando para seu lugar anterior, perto de meus pés. "Você não lembra dela? Ela é sua gatinha." Mel piscou os olhos, repetidas vezes, mas não respondeu. Respeitei seu silêncio e procurei o olhar de Robin, não sabia como prosseguir.

"Quer ir passear pelo jardim com o papai?" Propôs.

"Não, papai. Posso ficar aqui?" Respirei fundo, denunciando toda minha insatisfação e Melinda me olhou. "A mamãe não gosta da Melzinha mais?"

"Claro que a mamãe gosta." Respondi rapidamente. "Eu amo você, sempre vou amar." As palavras saíram com facilidade e meu coração bateu acelerado. Depois de tudo que aconteceu, aquela era a primeira vez que me declarava para minha filha sem medo do futuro. Eu sempre amaria Melinda, independente do que ela se tornasse. Locksley estava certo, ela era minha filha e nenhuma profecia mudaria isso. "A mamãe só está um pouco cansada. Mas eu prometo que tudo irá voltar ao normal, está bem?" Não obtive resposta.

Continuamos no quarto, buscando um diálogo mais profundo com a pequena, mas era quase impossível fazê-la falar. Melinda se limitava apenas a movimentar a cabeça em sinal de positivo e negativo. Tudo soava estranho e confuso para mim. Passamos algumas horas ao seu lado, e não houve sinal algum da menina que gostava de ouvir histórias, que amava conversar sobre tudo com o pai. Mel estava mudada e a mudança era gritante.

Em determinado momento, Zoe saiu do quarto e eu tive vontade de acompanhá-la, mas me detive. Precisava encontrar uma brecha para entender a nova faceta de Melinda. Enquanto ela se perdia em meio ao silêncio, me perdi em pensamentos. Zara tinha razão, alguma coisa estava deixando escapar. Primeiro, Mulan era muito responsável, não deixaria Melinda sozinha. A menos que tivesse acontecido algo muito grave com ela. Segundo, a mudança de Melinda fora muito repentina, nada muda de uma hora para outra. E, por último, tinha a relação dela com Zoe. Melinda não a reconhecia, assim como a gata parecia desconhecer sua dona. Não tive uma gata falante, no entanto, de uma coisa eu sabia: uma gata sempre reconhecia seu dono, e vice-versa. Olhei para Melinda, que tinha seu olhar concentrado no meu e sorri, mas ela não me devolveu o sorriso. Levantei da cama, deixei um beijo na sua testa e ela se encolheu. Murmurei para Robin que logo estaria de volta e saí do quarto, eu não acharia a peça que faltava no quebra-cabeças no quarto de Melinda. Pelo contrário, trancada com ela naquele quarto estava apenas perdendo tempo.

°° °° °°

Massageei as têmporas, sentindo uma leve dor de cabeça. Estava cansada de repassar todos os acontecimentos recentes em ordem cronológica. Mesmo lembrando minuciosamente de cada detalhe, era impossível para mim, identificar onde estava a falha na situação. No mundo da bruxaria tudo era possível, principalmente profecias que poderiam despertar o mal. O comportamento de Melinda foi inesperado, mas não podia negar que ela se deixava levar pela magia quando algo a irritava. Seus sentimentos com Lili sempre foram negativos, o fato dela usar o dom da morte e não o da cura, poderia ter sido causado pela aversão que ela alimentou da Rainha durante todo esse tempo. O que não entrava na minha cabeça era a sua mudança com todos a sua volta, principalmente comigo e Robin. Suspirei audivelmente e Malva tocou em minha mão, confortando-me e despertando-me dos meus devaneios.

"Eu pensei que a profecia fosse sobre qualquer outra coisa, menos as trevas. Isso não faz sentido algum." Busquei seu olhar, esperando que ela continuasse. "Ouvi relatos de uma profecia, mas era o oposto dessa. Nunca me importei com essas coisas, apesar de ser uma bruxa. Forjar o destino de alguém é cruel." Concordava e muito com Malva e me senti aliviada, assim que lembrei do encantamento que mamãe deixou no frasco de perfume.

"Nunca sonhei isso para minha filha. Melinda era..." Senti meus olhos marejados. "Doce. Ela perdeu toda leveza da noite para o dia. Não reconheço minha filha, e por mais que eu tente, não consigo ser totalmente verdadeira com ela."

"Precisamos acreditar que nem tudo está perdido, e independente do que ela despertará, continuará sendo sua filha." Seu olhar não encontrava o meu um só segundo. "Sinto muito! Saiba que sempre poderá contar comigo." Dessa vez seu olhar caiu sobre o meu e consegui enxergar a sinceridade nas suas palavras. Eu sabia que poderia contar com as duas. "Não se dê por vencida, precisamos encontrar a profecia que sua mãe deixou para você." Assenti. Eu precisava contar a elas, sobre o que descobri mais cedo, mas não era hora, teríamos tempo para isso. Além do mais, a minha descoberta era do meu interesse e de Robin. Era para ele que teria que contar primeiro.

"Como está a Lili?"

"Na mesma!" Malva sentou-se ao meu lado na cama. "Consegui estancar o sangramento com magia, mas não durará muito. O que feriu ela foi encantado com magia negra, só magia negra poderá salvá-la. Ou uma magia muito poderosa, como a de Melinda." Balancei a cabeça em negativa, não deixaria Melinda chegar perto de Lili, ou ela seria capaz de terminar o que não conseguiu na primeira vez.

"Precisamos de outra solução." Desviei minha atenção para a porta, quando esta abriu, mostrando a imagem de Zoe. A gata andou até nós e pulou na cama, deitando-se. Estávamos no quarto de Anastácia, era o quarto mais longe do de Melinda. A senhora estava prestando seus cuidados, junto com Marian, a Lili. "Alguma pista de Mulan?" Perguntei para Zoe, que fazia seu trabalho de bisbilhoteira direitinho.

"Não, bruxa. Não bisbilhotei ninguém, estou desanimada demais para isso."

"Por quê?" Questionei.

"Sua filha!" Choramingou. "Ela me rejeitou."

"Você também a rejeitou."

"Não consigo reconhecê-la, o cheiro está diferente. Tudo nela está diferente." Zara estreitou os olhos, aproximando-se da gata. "Eu sei, eu sei... sou uma péssima gata falante." Ela rosnou. "Danem-se as regras das bruxas, não consigo reconhecer minha dona."

"Me fale mais sobre Mulan, Regina." Pediu Zara, puxando a poltrona e sentou-se de frente para mim e Malva. Zoe pulou para o colo dela, recebendo um carinho reconfortante. A rejeição de Melinda tinha a deixado demasiadamente dramática.

"Acredito que queira saber da conduta dela como guerreira." Zara assentiu. "Mulan é a pessoa mais responsável que conheço, ela não deixaria Melinda sozinha nunca. Ela leva muito a sério a proteção de Melinda. Seu sumiço é muito estranho. Estou preocupada, mesmo sabendo que ela sabe se proteger."

"Que deprimente!" Reclamou Zoe. "Aquela não é minha Melinda." Troquei um olhar com as duas bruxas e, após, três pares de olhos caíram em cima de Zoe. "O que foi?" Ela balançou o rabo, impaciente. "É o que sinto, bruxas."

"Você é uma gênia, Zoe." Beijei o topo da sua cabeça e levantei. "Por favor, façam uma busca no castelo." Zara colocou Zoe na cama e levantou com Malva. "Assim que possível, me juntarei a vocês." Falei com tranquilidade, tentando disfarçar o tremor na voz.

Sai do quarto e atravessei o imenso corredor, tentando controlar as batidas do meu coração e soar o mais convincente possível. Tentei pensar no desfecho de toda aquela história e suspirei audivelmente. Assim que cheguei na porta do quarto de Melinda, respirei fundo, sorrindo da melhor forma que consegui. Abri a porta e Melinda conversava animada com Robin. Por um instante, o medo me fez titubear, apesar das evidências estarem tão claras. Caminhei até os dois e sorri para meu amor, antes de sentar ao lado de Melinda na cama. Ela me olhou, com o mesmo olhar gélido e não fez questão nenhuma de disfarçar sua insatisfação com minha presença. Era isso, Zoe estava certa. Ela não parecia ser a nossa Melinda.

"Estava se divertindo com o papai?" Meu olhar alternou entre ela e Robin, mas não obtive resposta sua. "Não quer ir descansar, amor? Eu cuido dela!"

"Tem certeza?" Apenas assenti. "Tudo bem! Estarei no nosso quarto, espero vocês duas lá." Ele levantou da poltrona, deu um beijo na testa da filha e, em seguida, beijou meus lábios. "Qualquer coisa, me chame."

"Está bem!" Acompanhei com o olhar até Robin sair do quarto e quando a porta bateu e me vi sozinha com ela, minha expressão mudou. "Agora somos só nós duas." Afaguei seu rosto e deslizei a mão até a região do seu coração. A sua expressão mudou, ao passo que ela olhava para mim assustada. Conseguia sentir o fluxo do seu sangue diminuindo cada vez mais.

" doendo, mamãe." Continuei interrompendo seu fluxo de sangue. "Mamãe!" Sua voz soara entrecortada. Fechei os olhos, tentado tirar a imagem de Melinda da minha cabeça.

Ela continuava chamando meu nome, implorando para que eu parasse, mas eu continuei. Nunca tinha vivido nada tão doloroso e apavorante. Era o rosto da minha filha, a voz dela, era como se eu estivesse a matando. Não posso negar que essa possibilidade passou pela minha cabeça. E se fosse realmente Melinda? E se o destino dela realmente fosse as trevas? Senti as lágrimas molharem meu rosto e intensifiquei ainda mais minha magia.

Minha mente estava um verdadeiro nó, mas era tarde demais para voltar atrás, eu tinha mais um assassinato nas minhas costas. Respirei fundo e mantive os olhos fechados, tentando convencer que ali naquela cama deitada não era a minha filha, era uma bruxa, talvez do Clã de Lótus. Esperei mais alguns segundos, tempo suficiente para que ela tivesse assumido sua verdadeira forma, e abri os olhos.

Todo o meu corpo tremeu e um grito de desespero saiu por entre os meus lábios quando a imagem que vi ainda era a de Melinda... eu tinha matado minha filha?



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