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História Dinastia - Capítulo 46


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Notas do Autor


Olá, gente!
Hoje temos um capítulo bem suave. Espero que gostem!
Obrigada pelos 180 favs. Vocês são incríveis! Sempre serei grata por todo apoio.

Boa leitura, bruxinhas!

Capítulo 46 - Aquele que estão em família


Fanfic / Fanfiction Dinastia - Capítulo 46 - Aquele que estão em família

Tudo em torno da minha relação com Robin beirava ao não convencional. Depois do nosso baile o esperado era que nos retirássemos para a famigerada noite de núpcias. No entanto, isso não aconteceu. Ficamos até o final da festa com o povo, dançamos, conversávamos com eles, e eu pude me aproximar ainda mais daquelas pessoas que governaria. Não conseguia conter a minha alegria. Nunca imaginei que poderia ser aceita por eles e que pudesse ver nos olhos de cada um, que eles confiavam em mim para ser Rainha de Florenças.

Cometemos uma pequena gafe com os nobres que festejavam no salão de bailes, esquecemos literalmente a festa dentro do castelo. Lili contornou a situação muito bem, dizendo que tínhamos ido para os nossos aposentos, o que era esperado. Quando entramos no castelo, não tinha uma alma viva para contar história, todos já estavam nos devidos aposentos. Ao amanhecer, a maioria partiria para os seus reinos, ficaria apenas os componentes do conselho. Locksley me contara que deixou para se reunir com eles, dois dias após o nosso casamento, alegando que queria desfrutar da minha companhia. E ele acrescentou que não era uma lua de mel, apenas um aperitivo.

Antes de entrar no nosso quarto, fomos até o de Melinda, que já estava dormindo, e demos o beijo de boa noite na pequena. Ela dormia feito um anjo, agarrada a Zoe. A felina, como sempre, roncava. Fomos para o nosso quarto, mas eu estava tão cansada que apenas tomei um banho, com Robin, e adormeci nos seus braços. Fora a melhor noite de sono que tive em toda a minha vida. Me sentia uma mulher realizada em todos os sentidos. Quando amanheceu, acordei com lindos olhos azuis me encarando com um lindo sorriso no rosto. Sua felicidade era tamanha, que me fez abrir um sorriso tão lindo quanto o dele.

Nosso casamento não fora um sonho, tinha sido real. Éramos marido e mulher. Eu era a sua rainha, como ele sempre desejou.

"Dormiu bem, senhora Locksley?" Sua mão já percorria o caminho até o meu ventre. Parecia automático. Sorri de forma afetada e o beijei apaixonada. Busquei seu olhar e respondi que sim. Nunca imaginei que um dia acordaria ao lado dele como a sua esposa. Ficamos naquela troca incessante de carinho até que uma leve batida na porta chamou a nossa atenção. Robin pediu para que ela entrasse, era Melinda. Com Zoe a tiracolo, ela caminhou sonolenta até a cama e deitou entre mim e Robin. A pequena nem sequer deu bom dia, ela apenas se aninhou nos meus braços e voltou a dormir. Robin sorriu do comportamento da filha e começou a acariciar o seu cabelo, não demorou muito para que voltássemos a dormir também.

Horas depois, quanto despertamos, Locksley chamou nós duas até a janela. Do alto pude ver o pátio do castelo todo decorado com rosas brancas, as flores que usei no meu buquê. Fiquei emocionada, era uma prova simbólica de que eles me aprovavam. Robin me abraçou pelos ombros e deixou um beijo no topo da minha cabeça. Era bom estar em paz.

Os dois dias de descanso transcorreram da melhor forma possível, me sentia revigorada para dar continuidade as questões reais. E a primeira coisa que fiz, oficialmente, como rainha foi participar de uma reunião com o conselho. Imaginei que apenas Robin fosse, visto que na última vez que estive com os membros do Conselho, não aprovaram muito bem a minha presença. Todavia, Robin insistiu. Pude notar o olhar desconfiado dos reis assim que me viram ao lado de Locksley. O loiro ignorou a todos, puxou a cadeira para mim e sentou-se logo após eu me acomodar.

"Bom dia!" Saudou. Fiz o mesmo. Todos responderam ao cumprimento. "Não estou vendo o Rei de Camélia aqui, ele cedeu o seu lugar a Florenças?"

"Exatamente!" Disse Arthur com um tom divertido na voz. Tive vontade de sorrir, nossa última conversa não fora tão agradável assim. Ele acabou ouvindo o que não queria. Não me arrependia de ter exposto a situação do seu reino e os seus meios de fazer política. Sua tentativa de me silenciar não deu certo e ele ainda perdeu o lugar no Conselho. "O lugar é seu Robin!" Locksley se ajeitou na cadeira, fitando cada um presente.

"Não serei eu a pessoa que irá ocupar o lugar no Conselho." Franzi o cenho, confusa. Antes que alguém pudesse contestar, Locksley continuou. "Pedi um lugar para Florenças, não disse que seria para mim." Ele me olhou e naquele momento eu soube das duas intenções. Céus! Por que ele não me dissera antes? Não tinha intenção de recusar. Uma voz no Conselho seria muito válida para as causas que eu defendia. No entanto, eu estava surpresa por tudo, principalmente por Robin ter me ocultado suas intenções.

"Isso é inaceitável! Ela é uma mulher!" Exclamou o Rei Rodolfo, olhando furioso para Robin. Respirei fundo e controlei a minha vontade de respondê-lo.

"Sim, eu sei. E o que isso implica na entrada dela no Conselho?" Perguntou calmamente. "O fato da minha esposa ser uma mulher não inválida as habilidades dela, muito pelo contrário. Acredito que não é necessário lembrá-lo de quem resgatou o seu reino das mãos de David. Não foi nenhum homem do seu exército, muito menos o senhor." O homem fechou a cara e olhou para os outros reis, esperando apoio. O apoio não veio. "Regina está reinando ao meu lado, sua voz é tão importante quanto a minha dentro de Florenças."

"É uma honra para mim tê-la nesse Conselho. A Rainha é uma mulher extremamente inteligente, certamente contribuirá muito com os reinos do Norte, até mais que o rei de Camélia."

"Tenho total competência para ocupar um lugar no Conselho. E não falo apenas de ocupar uma cadeira, mas de fazer valer a pena o meu posto. É de conhecimento de todo o Norte que o Conselho, ultimamente, só tem servido para dar ordens."

"Dar ordens e acatar!" Disse Arthur. "Chega a ser maçante. Eu gostaria de ver tudo isso renovado. A sua chegada, majestade, mudará e muito o rumo desse Conselho, tenho certeza." Rodolfo o fuzilou com o olhar. Arthur não se importou. "Sei que fará um belo trabalho e sempre terá o meu apoio."

"Obrigada, Arthur!"

"Está decidido, então! Regina representará Florenças. Irei bancar o marido protetor que sou, apesar de saber que Regina sabe se defender muito bem. Não a desrespeitem!" Locksley estava bastante calmo, mas o seu tom de voz era tão firme que os reis entenderam com exatidão o seu recado. Em silêncio, os três levantaram e saíram da sala de reuniões. Arthur permaneceu. Robin o olhou, ele nunca gostara de Arthur. O homem era um patife, não tirava os olhos predadores de cima de mim. Chegava a ser ridículo. "Algum problema, Arthur?"

"Não!" Ele pigarreou, desviando o seu olhar. "Só estava admirando a vista." Olhou com cinismo para Robin. "Ela é uma..."

"Pode me deixar a sós com o meu marido?" Interrompi sua fala. "Você deveria procurar uma esposa, Arthur. Uma que realmente note a sua presença e goste dos seus gracejos. O que não é o meu caso, porque sou muito bem casada!" Ele moveu os lábios para revidar, mas nada saiu da sua boca. Contrariado, apenas saiu da sala, deixando-me a sós com Robin.

"Eu o acertaria com um soco se você não achasse um comportamento ridículo." Sorri da sua sinceridade. "Sabe o que me deixa aliviado?" Ele levantou, estendendo a mão para mim. Aceitei, me colocando de pé.

"O quê?"

"Eu confio em você, sei que sabe se defender e, acima de tudo, sei que me ama." Roçou seus lábios nos meus, sem a intenção de me beijar. Resmunguei. Abracei o seu pescoço e o mantive por perto.

"Por que não me contou antes?"

"Você não gostou?"

"Sim! Eu sempre disse que o Conselho precisava de uma mulher. Fico feliz por eu ser essa mulher. Só fui pega de surpresa."

"Exatamente por isso quis fazer uma surpresa. Eu a conheço o suficiente para saber que não recusaria. Prince..." Ele se calou. "Princesa não combina mais com você, mas ainda não consigo esquecê-lo." Sorri com o seu devaneio. "Sei que fará bom uso do seu lugar no Conselho, tanto para Florenças, como para às bruxas. Não tem ninguém melhor do que você para assumir esse posto. Pode deixar que eu tomo conta das nossas filhas sempre que a mamãe for se reunir com o Conselho e nos encher de orgulho."

"Eu amo você, sabia?" Robin sorriu, capturando meus lábios em um beijo. "Darei o meu melhor! Ah, Robin! Eu vou enlouquecer cada um deles. Já estou cheia de ideias, não vejo a hora de poder colocar em prática." Meu amor riu com vontade, puxando levemente a minha cintura e deixando um beijo na minha testa.

"Você pode tudo, Senhora Locksley!"

°° °° °°

"Me sinto inspirada!" Sua confissão encheu o meu coração de alegria. Sorri, bebericando o meu chá e ela continuou. "Não sei se tem dimensão da influência que você desperta nas mulheres. Não só em mim. Tenho certeza que cada uma olha para você e diz para si mesma: eu também consigo." Ela suspirou, perdida em pensamentos, como se refletisse sobre a sua própria vida. "Pelo menos aconteceu isso comigo. Fui um pouco resistente, mas depois de tudo que eu presenciei, notei que eu podia fazer muito mais por mim, fazer a diferença. Não é como se fosse fácil, ninguém nunca tinha tomado a iniciativa até você chegar e fazer. Você é inspiradora, Regina."

"Está me deixando envergonhada, Lili." Ela sorriu.

"Você, envergonhada? Não me faça rir." Soltei um riso, negando com a cabeça. "Estou apontando os fatos. Você me fez acreditar que eu podia governar meu reino sozinha, me fez entender que a minha opinião importa. Regina, você me deu a chance de encontrar o amor novamente. Apesar de tudo..."

"Não me venha com pesares. Esqueça tudo que vivemos antes da nossa reconciliação. Você estava enfeitiçada e, além disso, não quero falar do passado, quero aproveitar a amizade que construímos. Sem ressentimentos!"

"Sem ressentimentos!" Seus olhos brilharam enquanto me encarava. "Obrigada! Me sinto uma mulher forte e aprendi bastante com você. Acho que... tudo que eu passei valeu a pena. Não acho, tenho certeza. Sou outra mulher e serei uma grande rainha para o meu povo."

"Você é uma grande rainha, Lili." Um silêncio tomou conta da sala de chá, não era incomodo, pelo contrário. Por um certo período a mulher a minha frente tinha sido um grande empecilho na minha união com Robin. Travamos uma briga quando retornei a Florenças com Melinda, com direito a declarações rudes. Não me orgulhava o meu passado com Lili. No entanto, tudo que importava agora era a nossa amizade. Ela também tinha me ensinando muito, principalmente a ser uma rainha. Eu poderia ser um exemplo de mulher, mas ela também era. Um ótimo exemplo de como ser uma excelente rainha. A troca tinha sido mútua. "Espero contar com a sua ajuda. Você tem muito mais influência com as rainhas. Podemos tentar, juntas, que sejam mais ativas no governo dos seus reinos, assim como nós duas seremos. Serei porta-voz de todas as mulheres naquele Conselho."

"É claro que sim! Farei isso no próximo encontro. E pelo andar da carruagem, será em Alvalade." Seu sorriso se alargou. O reino dela estava quase concluído, faltava muito pouco para que ela retornasse ao próprio Reino. "Quero muito que conheça meu lar. Nada mais justo, visto que abusei muito do seu."

"Sentirei sua falta!" Ela piscou os olhos rapidamente, espantando as lágrimas que se fizeram presente. Levando a xícara aos lábios, desviou o olhar. Sorri do seu comportamento.

"Também sentirei a sua." Murmurou. Ela suspirou e baixou o olhar, evitando o meu. "Sentirei falta da alegria de Melinda. Promete levá-la sempre que for me visitar?"

"Claro que sim! Levarei as suas duas sobrinhas, não se preocupe."

"Então você acha mesmo que é menina?"

"Sinceramente? Não faço ideia. Robin sempre se refere como a filha dele, acabei pegando a mania. Melinda também acha que é menina."

"Já tem um nome?" Neguei com a cabeça, ainda era cedo para pensar nisso. "Por falar em Melinda, Granny e Anastácia estão disputando a atenção dela." Soltei uma gargalhada. "Você precisava ver os olhinhos da bruxinha quando uma lhe deu um pedaço de bolo de chocolate e a outro, uma torta de maçã."

"Ah, céus! Eu preciso parar aquelas duas senhoras!" Olhei os dois tipos de bolo em cima da mesa. "Agora está explicado os dois bolos aqui." A rainha assentiu. A conversa seguiu agradável. Era sempre bom sentar à mesa e desfrutar de um chá na companhia de Lili. Sentiria falta dela todas as tardes, já havia me acostumado. Todavia, sabia que ela precisa voltar para o seu lar, por mais que fosse solitário no início. Ela levaria alguns criados, que quisesse acompanhá-la, para não se sentir tão sozinha.

"Mamãe!" Melzinha apareceu na sala de chá. "Oi, tia Lili." Ela se aproximou da tia, oferecendo a bochecha para ser beijada. A rainha apertou o rostinho dela com as mãos e deu um beijo carinhoso na pequena.

"Oi, meu amor." A pequena sorriu, devolvendo o beijo na mulher.

"O papai chamando a senhora lá no lugar que a tia Mulan luta." Ela beliscou o bolo. Dei um tapinha na sua mão e ela recolheu a mesma. Seu olhar fora ao encontro do meu e ela deu uma risadinha.

"Você é uma sapequinha!" Apertei os olhos na sua direção. Ela sorriu. A pequena se aproximou de mim. "Mamãe sua barriga não vai crescer?"

"Vai sim, apressadinha. Demora um pouquinho." Ela alisou o meu ventre.

" bom, mamãe. Agora o papai chamando." Ela apressou. Levantamos da mesa e saímos da sala. Melzinha caminhava na nossa frente.

"Deve ser os novos soldados." Comentou Lili. "Mulan já estava entediada sem ter o que fazer. Ela deveria ter uma irmã gêmea, adoraria ter uma comandante no meu exército."

"Existem outras guerreiras, fale com Mulan, talvez ela tenha uma amiga." Lili se mostrou empolgada. "Marian comentou sobre o seu desejo de levá-la com ela para Alvalade. Não teste a minha paciência, majestade." Ela riu.

"Só foi um convite aleatório, sabia que ela não aceitaria. Marian é muito inteligente, ficaria satisfeita se ela assumisse o posto de minha conselheira." Tinha que concordar. A mente de Marian trabalhava sem parar. Ele sempre fora muito criativa. "Ela não consegue deixá-la! Muito menos a afilhada. Marian é feliz aqui, com vocês. Fico feliz por ter sua ajuda sempre que precisar, certamente recorrerei a ela muitas vezes por cartas."

"É uma ótima alternativa!" Continuamos a andar e em poucos minutos, estávamos no centro de treinamento. Tinham uns 30 alunos novos, de várias idades. Me coloquei ao lado de Robin e Mulan. A guerreira parecia satisfeita com os seus novos alunos. Passei a observá-los melhor. Lili deu um gritinho de surpresa, assim que seu olhar capturou a mesma coisa que o meu. Agora estava explicado a felicidade de Mulan. Apesar de isso ser muito comum no Clã, no exército era diferente. Minutos atrás Lili tinha falado sobre como eu era uma mulher inspiradora, assim como ela era. Marian, Louise, Zara, Malva, entre tantas outras... Eu estava rodeada de mulheres incríveis. Sempre admirei Mulan, por ser uma mulher guerreira. Ela sempre fora muito menosprezada, olhada com indiferença, até mesmo quando mostrava suas técnicas com a luta. A mulher sabia manusear a espada como ninguém, era uma arqueira invejável. Suas habilidades não passavam despercebidas. Troquei um olhar com a guerreira e ela sorriu de forma afeta para mim. Voltei a minha atenção para sua nova turma de alunos e fiquei feliz por ela. Entre os 30 alunos, 10 eram mulheres.

°° °° °°

Meses depois...

A evolução que eu mais desejava era uma forma de contar o tempo com mais facilidade. Mas eu percebia ele passando. Percebia porque Alvalade fora construída novamente e Lili se mudou para o seu reino. Os meus hormônios atacados me deixaram tão emotiva que me desmanchei em lágrimas na sua partida. Acabei fazendo a Rainha chorar também. No entanto, ela estava feliz e era isso que importava.

Eu percebia o tempo passando, porque Marian se casou, mas ela demorou a dizer sim para August, mesmo amando o homem. Não era por falta de amor, ou de desejar estar com ele. Marian sempre fora uma mulher muito independente, ela tinha medo da vida a dois, mas consegui se convencer de que saberia administrar sua nova vida. Os dois morariam no castelo e eu agradeci por isso, já tinha me acostumado com a presença da minha amiga.

Eu percebia o tempo passando, porque tive a primeira reunião com o Conselho e, apesar de ainda resistentes, apresentei a minha primeira proposta a eles. Ainda não tinha conseguido êxito, mas estava caminhando para isso e na próxima vez que me reunisse com eles, tinha certeza que conseguiria a aprovação da Lei proposta.

Em determinado momento, o tempo parecia congelado, fora quando a minha lua de mel com Robin aconteceu. Fomos para o palácio de verão, aquele lugar sempre fora importante para nós dois. Locksley me preencheu com muito amor e eu me senti a mulher mais sortuda do mundo. Meu marido era um homem incrível. Planejamos uma semana inteira no palácio, mas no terceiro dia já estávamos impaciente e sentindo falta da agitação do castelo, principalmente de Melinda. Não éramos um casal desesperado por privacidade, então, arrumamos as malas e voltamos para o conforto do nosso lar. Abracei e apertei tanto Melzinha quando voltei que parecia que tinha passado uma eternidade longe.

Eu percebia o tempo passando, porque Louise aprendeu a dominar os seus dons e era uma excelente clarividente, assim como a sua avó. Ela não sofria mais com as suas visões. O tempo se mostrava presente nos cabelos cada vez mais brancos de Anastácia e Granny. Finalmente as duas tinham chegado a um acordo e não sentiam tanto ciúmes de Melinda. As duas passavam horas conversando e se divertindo com a pequena. O tempo passava, tinha certeza disso, porque Melinda agora lia suas histórias preferidas, sozinha. Só recorria a alguém na hora de dormir e era sempre o pai. A pequena finalmente consertou as letrinhas tortas e tinha uma caligrafia belíssima. Toda vez que olhava para ela, desejava que o tempo congelasse. Logo ela teria 7 anos. Por outro lado, logo ela conheceria a sua irmã. O tempo e suas nuances.

Ah, mas quando se tratava de Locksley, o tempo parecia não fazer diferença. A vida ao lado dele era indescritível. Seu olhar de apaixonando era o mesmo, a intensidade da sua paixão não diminuiu com o tempo. Ele me conquistava todos os dias. Sempre atencioso e preocupado com a minha gravidez. Sua felicidade era contagiante. Robin notava qualquer alteração no meu ventre e sua felicidade por acompanhar cada passo da gravidez era impagável. Me sentia grata às forças superiores por permitir tamanha alegria.

Eu percebia o tempo passando sempre que me olhava no espelho, porque...

"A sua barriga parece uma bola, mamãe." Sim, a minha barriga estava enorme. Eu tinha desistido de me entender com o calendário lunar. Minha sorte era Dona Brice, por mais estranho que fosse, ela sabia muito bem lidar com o tempo de gravidez de uma mulher. Pelas suas contas, eu estava com 5 meses de gravidez. Estava enorme. Ela ensinou Melinda a medir o cumprimento da minha barriga, para controlar, e a bruxinha aparecia a cada mês com um pedaço de fita. A diversão favorita dela. "Como vai ser o nome dela?" Encarei Robin, pedindo socorro. Ainda não tinha pensando em um nome.

"Ainda não pensamos em um." Robin se aproximou da cama, sentando ao meu lado. Eu estava sentada, com as costas na cabeceira, enquanto Melinda terminava com a seu trabalho de medir minha barriga.

"Poderia se chamar Zoe." Franzi o cenho, prendendo um riso e neguei com a cabeça. Melinda deu uma risadinha e encarou Zoe com divertimento. "É um belo nome. Não me olhe assim, Melzinha."

"A minha irmãzinha não pode chamar Zoe. Já tem uma Zoe." A gata miou. "Eu posso ajudar a escolher?"

"Claro, meu amor." Os olhinhos dela brilharam. "Faça uma listinha e depois traga para que eu e seu pai, possamos ver."

" bom, mamãe." Ela largou a fita na cama, depois de marcar com a sua magia o cumprimento. "Vou procurar um nome bem bonito pra você, irmãzinha." Suas mãozinhas deslizavam suavemente pela protuberância. "A vovó Anastácia disse que você será bem pequenininha. Mais pequena que eu." Ela deu uma risadinha. "Vou cuidar de você igual a mamãe cuida de mim." Meus olhos encheram de lágrimas com a cena. Melinda sempre conversava com a minha barriga. Ela e Robin. A pequena parecia mais ansiosa que todos para conhecer a irmã. Ela se debruçou contra a minha barriga e deixou um beijo estalado.

"Quando você estava na barriga da mamãe, eu também conversava com você." Toquei a pontinha do seu nariz. "Todos os dias antes de dormir e quando eu acordava." Ela me encarava atenta. "Ficava me perguntando como você seria. Se teria os meus ou os olhos de Robin. Se seu cabelo seria loiro ou preto. Quando você nasceu vi que era uma mistura de nós dois."

"Uma bela mistura. A minha princesinha é a mais linda de todos os reinos." Melinda buscou o olhar do pai, um sorriso bonito enfeitava seus lábios. Ela jogou um beijo no ar e ele fingiu pegá-lo. "Ainda bem que você herdou a beleza da sua mãe. Não sou tão bonito quanto ela."

"É bonito sim, papai. Todo mundo diz que o senhor é bonito." Melinda buscou meu olhar. "O papai né bonito?" Robin tinha uma sobrancelha arqueada. Um sorriso divertido enfeitava seus lábios enquanto ele me encarava esperando a resposta. Como se ele já não soubesse qual seria. Ele tinha prazer em me ouvir massageando seu ego.

"Não acho!" Prendi o riso com a cara de espanto da bruxinha. Ela me encarou incrédula e depois fechou a cara. Seu olhar voltou para o pai e depois para mim.

"É sim, mamãe! E por que a senhora casou com ele?" Ela cruzou os braços. Cerrei os olhos na sua direção. Ela era uma traidorazinha. Sempre uma ótima defensora do pai.

"Casei com ele porque não tive escolha." Seu espanto só aumentou. "Seu pai é um homem muito, mas muito feio. Parece aquele monstrinho do seu livro."

"Mamãe!" Ela voltou a encarar Robin, mas ele evitava o olhar indignado da pequena ou acabaria rindo. "O papai é bonito. O monstrinho não parece o papai."

"Ah, por favor!" Grunhiu Zoe. "Nem você acredita nisso, Bruxa. Ela está se divertindo as suas custas, Melinda. Não acredite nela."

"Você é tão chata, Zoe."

"Não perturbe a paz dela, só quem pode fazer isso sou eu." Ela me encarou. "Eu também não gosto de perturbá-la, mas como não posso mais tirar a sua paciência, por causa da gravidez. E da repreensão da dona Brice." Sussurrou a última frase. "Melinda é uma ótima distração para mim."

"Não faça isso com a minha filha." Disse Robin com tom de brincadeira, após saber por mim o que a gata disse. "Não me faça cortar a sua comida."

"Você não seria capaz de..."

"Ah, céus!" Os três olharam apreensivos na minha direção. Eu conhecia aquela sensação maravilhosa, mas a emoção era como se tivesse sido a primeira vez. Já estava sentindo falta, pensei que o momento não chegaria. Melinda se mostrara muito mais inquieta na minha barriga, estava sempre mexendo. Pousei a mão na minha barriga e senti mexer novamente. Fiquei tão envolvida com o momento que esqueci que era observada por duas pessoas e uma gata. Saí da bolha que me encontrava e busquei o olhar de Robin. "Nossa filha mexeu." Seu olhar alternou entre a minha barriga e os meus olhos. "Você quer sentir?" Era uma pergunta sem sentido, era claro que ele queria. Sempre esteve atento a tudo que acontecia, interessado em viver aquele momento comigo. Busquei a sua mão e pousei na minha barriga. Robin não desviava o olhar da protuberância. Nossa filha parecia não querer se mostrar para o pai. Robin continuou ali, calmo, esperando uma reação da filha.

"Ah, meu Deus!" Disse emocionado, os olhos encontrando o meu por breves segundos e depois voltando para o meu ventre. "Teremos outra bruxinha elétrica." Sorri do comentário. "Você tinha razão quando me disse que é impossível descrever a sensação de sentir a criança mexendo." Ele se referiu a gravidez de Melinda, quando me questionou sobre ela na biblioteca. Assenti para o meu amor, feliz por ele está tirando suas próprias conclusões.

"Vem cá, bruxinha. Põe a mão aqui também." Não precisei pedir duas vezes. Melinda sorriu assim que sentiu a irmãzinha mexendo. A criança parecia reagir ao toque de Melinda, tinha ficado ainda mais elétrica. "As vezes dói!" Prendi a respiração. "Ai!"

"Não precisa machucar a mamãe." Fez um carinho na minha barriga. "Calma, irmãzinha." Ela começou a cantar uma música que mamãe cantava para mim e eu passei a cantar para Melzinha quando ela era pequena. O carinho no meu ventre continuava, enquanto ela cantava. Robin apertou a minha mão levemente e passamos a observar Melinda. Não sabia explicar o que estava acontecendo, mas a criança dentro da minha barriga se acalmou. Naquele momento eu tive certeza que a criança teria magia e talvez fosse mesmo uma menina. Ela também tinha uma conexão com Melinda, isso ficou evidente.

A dinastia Mills teria mais uma bruxa.

°° °° °°

"Ah, filha! Está tão tarde." Realmente era tarde. Tão tarde que eu me perguntava o que minha amada esposa estava fazendo acordada enquanto falava com a nossa filha. No início da gravidez, ela sempre acordava enjoada, passava horas no lavabo. Sempre me levantava com ela. Depois que os meses passaram, o humor de Regina ficava horrível. As vezes ela ficava extremamente irritada com tudo, outras vezes, tão emotiva que começava a chorar sem motivo aparente. Ela chorou durante a cerimônia de coroação de Lili. E chorou também quando a rainha fora embora. Acompanhando de perto, percebi que a gravidez tem seus pontos negativos. Para mim era muito fácil apenas assistir e esperar que a minha filha nascesse. Para Regina, não. Ela tinha que lidar com as oscilações de humor, sofrer para buscar uma boa posição na cama e tinha todo o seu corpo modificado.

Tentava viver tudo com ela.

Estava sempre em alerta na madrugada. Buscava com ela uma posição mais confortável na cama e sempre que ela estava emotiva por conta dos hormônios, sugeria um passeio à floresta ou pedia que fizessem a sua sobremesa favorita. Estava funcionando.

Ouvi Regina choramingar e forcei o meu corpo a despertar. O quarto estava um pouco escuro, era madrugada, costumávamos apagar as tochas que iluminavam o cômodo. Ela tinha acendido uma das tochas e meu corpo despertou completamente quando notei as lágrimas através da pouca luz.

"Amor?" Ela me encarou. Desci da cama, apressado e caminhei até a poltrona que ela se encontrava. Mills estava encolhida na poltrona. "Aconteceu alguma coisa?" Ela fungou. "Céus, Regina! Você está sentindo alguma coisa?" Me agachei ao seu lado e busquei sua mão, entrelaçando a minha. Sua mão estava gelado, a madrugada costumava ser fria. "Vamos voltar para cama, meu amor. Você está congelando."

"Estou bem, Robin. Eu só..." Ela suspirou. "Estou com desejo!" Regina fez um biquinho tão infantil que me lembrou Melinda. "Não queria acordá-lo, tentei saciar o meu desejo usando magia, mas está muito fraca. Não consegui!" Seus olhos encheram de lágrimas.

"Me diga o que você quer, eu irei buscar."

"Ah, Robin! Não é possível porque está muito tarde. Não encontrará nada a essa hora."

"Diga para mim, meu amor." Beijei os nós dos seus dedos. "Farei o impossível para atender seu desejo." Acabei arrancando um sorriso seu.

"Eu queria uma maçã. Não qualquer maçã, mas uma daquelas que dona Clarissa vende." Céus, como eu atenderia o desejo de Regina? Eu estava num beco sem saída. Dona Clarissa deveria estar dormindo. Por Deus, ela era uma senhora de idade, eu não poderia simplesmente interromper seu sono. No entanto, a minha mulher estava se desmanchando em lágrimas e com desejos. Não conseguia negligenciá-la.

"Vou buscar para você!” Ajeitei a postura, mas antes de me afastar, Regina segurou meu braço.

"Não precisa incomodar Dona Clarissa por minha causa. Por mais que eu esteja com muito, muito desejo."

"Não se preocupe!" Beijei sua testa. "Darei um jeito de trazer suas maçãs sem incomodar a senhora." Peguei-a no colo e coloquei-a na cama para mantê-la aquecida até que eu retornasse. "Não saia daqui, está muito frio. Eu volto o mais rápido que puder!" Ela assentiu. Me troquei rapidamente, peguei um casaco para me proteger do clima e saí do quarto. Andei apressado pelos corredores e me detive quando ouvi Mulan saindo do seu.

"Algum problema?" Questionou ela.

"Regina!" Fiz menção para que ela me acompanhasse. "Está com desejo."

"Já estive na sua pele." Meu olhar confuso encontrou o seu. "Melinda!”

"Ah!" Nunca deixei de pensar em tudo que Regina passou na gravidez de Melinda. Sempre me lamentava por não ter estado com ela. Me deixava aliviado saber que esteve amparada com as amigas, mas eu deveria ter estado ao seu lado. "Obrigado por ter cuidado disso, Mulan. Sempre vou me lamentar por não ter dado o apoio que ela precisava. Era minha obrigação estar com ela."

"Não adianta se torturar!" Saímos do castelo e caminhamos em direção ao estábulo. "Céus, o que ela está desejando?"

"Maçãs. Não qualquer maçã, mas as de dona Clarissa." Mulan riu.

"Sempre tem que ser algo que não tenha em casa, é incrível!" Chegamos no estábulo, selamos os cavalos e seguimos para a feira do reino. "Você não deveria pensar no passado." Retornou ao assunto anterior. "Aproveite o que está vivendo agora. A situação agora é muito melhor que antes."

"Você tem razão!" Ela sorriu para mim. Coloquei o meu cavalo para correr. Mulan estava ao meu lado. Minutos depois, já estávamos em frente a barraca da senhora. Cada barraca tinha um tipo de depósito, para que os comerciantes não precisassem ir e voltar com as mercadorias. Agradeci mentalmente por não ter ninguém nas ruas, eu teria que arrombar o depósito. Pulei do cavalo e Mulan fez o mesmo.

"Mandarei um soldado para ficar tomando conta do depósito. Ele explicará tudo a senhora quando ela vier trabalhar!" Era uma boa ideia. Mandaria um bilhete explicando a situação e moedas para reparar os danos.

Enfiei os dedos entre as falhas do depósito de madeira e forcei até conseguir abrir. Fiz uma nota mental para reforçar todos os depósitos, eram muito frágeis. No entanto, naquele momento, agradeci por isso.

Mulan tateou os sacos bem organizados, a pouca luz não ajudava, até encontrar as preciosas maçãs de Regina.

"Vamos levar o máximo que puder, nunca se saber quando ela pode ter o mesmo desejo." Ajudei Mulan a puxar um saco e colocamos uma dúzia de maçãs dentro. Subimos no cavalo novamente e trotamos o mais rápido possível para o castelo. "O que estava fazendo acordada?"

"Estava sem sono! As vezes não consigo dormir bem!"

"É mesmo?" Olhei de soslaio para ela. "Não seria uma paixão secreta?"

"Se fosse não diria, deixaria de ser secreta." Ri da sua observação. "Não sou do tipo que casa e tem filhos e vive um conto de fadas, assim como Regina e Marian. Quer dizer, não sou esse tipo de mulher agora, mas posso mudar de opinião. Só que agora..." Ela me encarou. "Meu trabalho nunca foi tão bem reconhecido, quero aproveitar isso. Eu quero alguém que me aceite como eu sou. Nem todo homem aceita uma mulher com uma espada na mão."

"Entendo perfeitamente bem! Desejo que encontre alguém que realmente a mereça." Sorri para a guerreira. Eu a admirava muito. "Você merece ser feliz. Também merece o reconhecimento que tem, é uma excelente guerreira."

"Agora coloque esse cavalo para correr, não é bonito deixar a rainha esperando." Ela disparou na frente. Coloquei meu cavalo para correr.

O percurso até o castelo não demorou. Pulei do cavalo e Mulan se ofereceu para levá-los até o estábulo. Agradeci a ela e saí correndo para dentro do castelo. Antes disso, passei na cozinha e lavei as maçãs. Voltei a correr novamente. Meus pensamentos me levaram até Melinda, ela iria adorar a travessura. Quando cheguei no quarto, uma respiração leve tomava conta de todo o ambiente. Fechei os olhos sem acreditar no que meus olhos viam. Regina estava agarrada ao meu travesseiro, enquanto dormia tranquilamente. Larguei as maçãs na mesinha de cabeceira e me joguei na poltrona que ela ocupava assim que acordei minutos atrás. Ainda tentava recuperar o fôlego. Regina me fizera violar um depósito de uma senhora para buscar maçãs que ela nem esperara para comer.

Sorte dela que eu a amava.

Resolvi voltar a dormir. Assim que me acomodei na cama e tentei puxar meu travesseiro, ela despertou.

"As minhas maçãs!" Murmurou com a voz rouca. Pulei da cama com toda felicidade do mundo. Vê-la comendo faria valer a pena meu esforço. Acendi algumas tochas para que ela pudesse enxergar melhor e entreguei as maçãs. Os olhos dela brilharam de satisfação. Ela parecia uma criança faminta devorando seu doce favorito.

"Come devagar, amor!" Regina já tinha devorado três maçãs. "O que é isso?"

"Mel!" Ela mergulhou a maçã num recipiente e devorou. "Fui buscar quando você saiu. Esqueci de dizer que queria maçã com mel."

"Por Deus, Regina! Isso é comestível?"

"Sim! Você quer?" Fiz uma careta e ela sorriu. Sentei ao seu lado na cama e esperei que ela comesse. Só pedia a Deus para que toda essa gula não lhe fizesse mal. Ficamos em silêncio até que meu amor se sentiu satisfeita. Ela comeu seis maçãs com mel. Uma combinação muito estranha por sinal. Não contestei, o importante era a felicidade da minha esposa. "Você é o melhor marido do mundo." Se inclinou na minha direção e deixou um selinho nos meus lábios.

"Interesseira!" Ela gargalhou. "Está satisfeita, papai?" Alisei a barriga de Regina. "Acho que você será igual a sua irmãzinha, apaixonada por torta de maçã." Beijei a barriga de 5 meses. Troquei um olhar com Regina e ela sorriu. Ela adorava quando eu passava horas conversando com a nossa filha. Nossa filha, as vezes, reagia a minha voz e se agitava, mas na maior parte do tempo, permanecia quietinha. "O papai está muito ansioso para conhecer você. Amo muito você, bruxinha. Tem uma família cheia de amor te esperando." Beijei mais uma vez seu ventre e depois, beijei os lábios de Regina. Levantei, apaguei as tochas e me acomodei na cama. Abracei Regina por trás, deixando um beijo na sua nuca. Era a melhor posição para ela. Ela se rendeu ao sono, minutos depois. Fiquei ali, velando seu sono e podia até parecer bobagem, mas me senti o homem mais feliz do mundo por participar da gravidez da minha esposa, mesmo que tenha sido uma aventura noturna em busca de algumas maçãs.


Notas Finais


Até mais!


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