História Dirty Angel - Capítulo 4


Escrita por: e ddfelipi

Postado
Categorias Yuri!!! on Ice
Personagens Christophe Giacometti, Jean-Jacques Leroy, Lee Seung Gil, Mari Katsuki, Minako, Phichit Chulanont, Victor Nikiforov, Yuri Katsuki, Yuri Plisetsky
Tags Boyslove, Gay, Romance, Victor, Victuuri, Yaoi, Yoi, Yuuri
Visualizações 117
Palavras 5.546
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Fantasia, Lemon, LGBT, Literatura Feminina, Mistério, Misticismo, Musical (Songfic), Romance e Novela, Violência, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


oi gente, este capítulo ficou enorme. Eu tinha muita coisa a contar e por isso ficou grande me desculpem.
Comentem o que acharem para eu saber como minha fic está atingindo os leitores.
Qualquer erro reportem também.
Obrigada e até o próximo capítulo ;)

Capítulo 4 - Lembranças


Fanfic / Fanfiction Dirty Angel - Capítulo 4 - Lembranças


        Três semanas se haviam passado desde o incidente da boate e, também, já estava ganhando prática sobre o meu trabalho como coordenador. A primeira semana foi de aprendizagem e agora Christopher me deixou sozinho a trabalhar com alguns autores.

Todavia eu ainda tinha uma folha com todos os passos apontados sobre o processo de impressão de livros. Não gostava de correr riscos e ainda para mais não queria desapontar Victor apesar de ele me ter evitado todas estas semanas restringindo-se apenas a cumprimentos ou conversa de trabalho em reuniões e, admito, que isso me consumia mas eu não podia fazer nada.

Acredito que me esteja a evitar sobre o que se passou na boate. Eu não sabia realmente o que se tinha passado, havia uma versão minha e uma de Victor e por mais que eu quisesse acreditar que a minha era a correta eu não conseguia arranjar uma explicação para o que havia acontecido.

Poderia ter sido um descargo de adrenalina que fez Victor aguentar a pancada do carro? Ou ele dizia a verdade?

Estas eram algumas das várias perguntas que iam passando pela minha cabeça ao longo da semana e que não me permitiam concentrar a 100% em meu trabalho.

- Yuuri? Está me ouvindo?

Deixo meus devaneios e olho para o moreno a minha frente que estava olhando para mim com ar preocupado.

- Ah..? Sim, claro. Me desculpe Sr.Altin – olho em redor e apesar de estarmos sozinhos numa sala de reuniões não conseguia deixar de lado as formalidades.

O moreno sorri para mim compreensivo.

- Me chame Otabek por favor, não sou assim tão velho. E se quiser podemos marcar para outro dia esta reunião.

Me levanto arrumando minha gravata e andando ao redor da mesa. Otabek Altin era um dos melhores autores da companhia e seu manuscrito estava deveras muito bom. Não valia a pena atrasar a reunião pelos meus devaneios.

- Não será necessário Otabek, seria falta de profissionalismo da minha parte se tal acontecesse e além do mais eu chameio-o aqui porque nosso preparador detetou erros mínimos em seu manuscrito e antes de o enviarmos ao diagramador eu tenho de tratar isso com você -sorrio e abro os braços como que abraçando toda a divisão para explicar o motivo de estarmos ali sozinhos – sei que normalmente seria o próprio preparador a tratar disto com você mas ele está indisponível e como eu sou coordenador eu tenho acesso a todos os processos e relatórios. Espero que não se importe de resolver as coisas comigo.

Otabek sorri e se levanta para logo se recostar na mesa oval com as mãos nos bolsos.

- Não estou preocupado Yuuri, você é um ótimo profissional, Christopher era meu coordenador anterior e só me falou bem de si, assim como o próprio Victor.

Meu coração para com a menção de meu patrão mas tinha de mostrar profissionalismo e por isso abano a cabeça sacudindo meus cabelos e volto a subir meus óculos que sempre deslizavam por meu nariz.

- Fico agradecido pela sua confiança Otabek. – agarro nos documentos que tenho em cima da mesa e olho para o relatório do preparador – Podemos começar?

Otabek acena afirmativamente.

- Muito bem. A sua história é muito envolvente, com criaturas e clãs. Isso impressiona-me bastante na verdade, mas existe alguns erros como datas históricas. Por exemplo a personagem principal esteve dormindo durante um milénio certo?

Otabek me olha com curiosidade.

- Sim.

- Muito bem mas não se consegue perceber onde decorre a ação principal, o presente quero eu dizer. Os leitores não saberão que lugar imaginar se não souberem a época em questão.

Otabek gargalha, tira as mãos dos bolsos e esfrega elas enquanto sorri para mim novamente.

- E se a história decorresse no espaço Yuuri? Não seria exatamente uma época.

- Sim tem razão mas temos de ter algum ponto por onde nos guiar e acho que o manuscrito fica confuso.

- Tem razão. A ação decorre na época medieval mas não a época medieval como todos imaginam. Como pode ver na minha história existem criaturas de várias categorias nomeadamente os 4 elementos.

Sorrio e coro. O melhor de trabalhar nesta empresa é que eu sabia de antemão as histórias que iriam ser publicadas. E esta história de Otabek iria sem dúvida vender milhões.

- Não só criaturas que controlam esses elementos e é essa diversidade que fará seu livro vender muito bem Otabek.

Otabek sorri para mim e se afasta da mesa.

- É preciso mais alguma coisa?

Olho novamente para o relatório procurando algo que precisasse ser analisado.

- Não, está tudo em ordem agora. Você agora leva o manuscrito para casa e trata de corrigir e assim que terminar envie para seu preparador que logo será enviado para o diagramador.

Nos despedimos com um cumprimento de mão e antes que Otabek se fosse embora não consegui conter meu entusiasmo de fã.

- Ah…Otabek? Sei que é sua política revelar o título de seus livros depois de passarem pelo revisor de 3°prova antes mesmo da impressão mas será que…me podia dizer a mim? -vejo Otabek parado olhando para mim pensativo – Mas se quiser não precisa dizer mesmo. Acho que eu falo demais não é….

- War of Ice

- Desculpe?

Otabek se vira para a porta, abre ela e sai. Mas não antes de se despedir.

- Estou dizendo que meu livro se chamará War of Ice.

Realmente o título era perfeito mas não podia ficar muito tempo ali. Tinha um relatório para fazer sobre a reunião com Otabek para entregar a Victor.

Saio da sala e me dirijo para minha secretária que ficava mesmo ao lado de Christopher e uns metros antes do escritório de Victor.

- Como correu? Ele acedeu ás mudanças?

Assim que me sento começo a escrever em meu computador o relatório. Aceno afirmativamente como resposta a Christopher e continuo focado na tela do ecrã quando sinto algo se encostar a mim. Paro de escrever e olho para baixo e vejo que é uma caixa com donuts. Sorrio e olho para o meu colega.

- Obrigada Christopher. É alguma ocasião especial?

- Não querido. Apenas notei que tem andado distraído e pensei que comida resolvesse. Os humanos parecem gostar muito de doces.

Christopher me pisca o olho. Reviro os olhos, sempre tratando as pessoas assim mas não tinha o direito de me queixar. Apesar de não saber o seu papel naquela noite na boate ele sempre foi boa pessoa para mim.

Eu tinha ganho um amigo naquela empresa e eu adorava isso.

Agarro no maior donut.

- Obrigada Christopher – dou uma dentada e me apercebo do que ele havia dito – espera ae, humanos como assim? – deixo cair o donut em cima de minha secretária.

Meu colega nota minha preocupação e receio e logo me interrompe tentando acalmar.

-Eh… me desculpe eu dei a impressão errada. Na verdade eu estudo muito psicologia também e li que o ser humano é o único animal que na maioria das vezes se sente melhor depois de comer…- olha para mim e sorri assim que me vê suspirar – era…era isso que queria dizer meu querido.

Olho mais atentamente para Christopher, sorrio e volto a pegar no donut.

Assim que termino de comer continuo meu relatório mas notei que Christopher esteve o tempo todo me olhando receoso.

Algum tempo depois termino meu trabalho e o entrego a Christopher que logo me olha com curiosidade.

- Não acha que vou entregar o seu relatório a Victor certo? É o seu trabalho.

- Mas..

- Sem mas Yuuri. Este é seu trabalho e tem que o tratar com profissionalismo. Além do mais..- olha para a porta do escritório e novamente para mim – Não se podem evitar para sempre.

Ia insistir novamente para me contar o que se passou na boate mas sua versão é a mesma de Victor e sabendo que são amigos de longa data decidi não falar mais sobre isso com Christopher.

Assim, pego no relatório novamente, me levanto, pisco o olho para meu colega enquanto lhe mando um beijo.

Me dirijo ao escritório de Victor deixando para trás um Christopher boquiaberto e surpreendido.

Toc toc

- Pode entrar.

Respiro fundo, entro pela porta preparado para uma conversa curta e respostas secas de Victor.

Entro com a maior seriedade possível e me dirijo para a secretária enorme enquanto analiso o homem que está diante de mim.

Estava sério, concentrado nos seus papéis, com umas calças azul escuro e uma camisa branca por dentro delas desabotoada dois botões deixando exposto um pouco de pele, “gostoso do caralho".

Assim que me posiciono á sua frente Victor pousa seus papéis e olha para mim inquisitivamente.

- Boa tarde Yuuri. Precisa de alguma coisa?

- Sim, vim aqui entregar o relatório da reunião com Sr.Altin – entrego os papéis e espero que os leia.

Olha para eles durante algum tempo e depois para mim.

- Bem era só mesmo isso. Leia com atenção.

Me viro, pronto para ir embora.

-Espere Yuuri.

- Sim?

Victor me levanta um dedo indicando para eu esperar, pega em seu telefone e telefona para a receção -Christopher? Quando é minha próxima reunião? – fica uns segundos em silêncio- Muito bem, cancele. Aham…agradecido -pousa o telefone e sorri de forma tensa para mim.

- Sente-se Yuuri.

Avanço em sua direção olhando cautelosamente para meu patrão, isto era estranho, fazia 3 semanas que mal tinha contacto comigo.

- Porque cancelou sua reunião?

- Queria falar consigo Yuuri.

- Comigo?

- Sim, consigo. Apercebi -me que não sei quase nada de você.

- Tenho direito a questioná-lo também?

Victor sorri e me olha ternamente.

- Suponho que seja justo. Aceito.

Levanta a mão indicando que posso começar.

Suspiro pronto para a pergunta que mais me consumia ao longo destas 3 semanas. Cruzo os dedos e abano a perna tremendo de nervosismo fazendo meu óculos cair pelo meu nariz “raios”. Tiro eles e olho Victor nos olhos e vejo que este de um momento para o outro havia mudado sua face para tons avermelhados. Mas o que? Só porque tirei meu óculos?

- Então me diga porque raio me tem andado a evitar estas semanas?

Victor suspira e olha para mim com plena tristeza.

- Para nosso bem Yuuri, para manter nossa relação profissional.

- Não acredito nisso.

- Você não acredita em nada do que eu digo.

- Porque eu sei que você mente.

Victor se levanta mais sério do que nunca.

- Yuuri eu não posso dizer mais nada a você. Lide com isso e pergunte outra coisa.

Se volta a sentar mantendo o contacto visual.

Se não me iria dar respostas diretamente que fosse. Eu ia obter elas de qualquer jeito.

- Muito bem. Porque não existem fotos suas na internet?

- Para manter minha privacidade Yuuri, acho que ninguém gosta de ter 50 paparazzi tirando foto sua enquanto come um croissant não é mesmo? Além do mais…Assim eu sei que meus parceiros sexuais não me escolhem por minha fama.

Tusso. Eles havia mesmo dito companheiros?

- Tem namorada?

Victor sorri para mim e olha maliciosamente.

- Em que é que isso lhe é útil?

Baixo a cabeça envergonhado.

- Não tenho namorada não, nem namorado. Até agora nunca tive.

Levanto a cabeça espantado.

- Sério? -pergunto com surpresa.

- Sério. Só companheiros sexuais.

De repente surgiu outra pergunta em minha cabeça.

- Já fez um ménage?

Coro assim que profiro estas palavras. Esta conversa estava tendo um rumo bem estranho.

Victor volta a sorrir maliciosamente para mim.

- Sim, orgias também. Sabe…estou gostando muito desta conversa Yuuri mas acho que não era isto que você tinha em mente.

- Sim é verdade, queria também perguntar o motivo de só haver registos seus desde á 5 anos para cá. Afinal o que fazia antes de ter esta empresa?

- Isso Yuuri é outra coisa que não lhe posso esclarecer já. Podemos dizer que tive uma infância turbulenta e que só á 5 anos decidi ser independente e não ter mais nada a ver com Meu Pai. Agora me deixe perguntar algo Yuuri. É crente?

Fico pasmo com a pergunta. Tanta coisa a perguntar e decide perguntar se sou crente?

- Ah… não. Acho eu? – olho para um Victor confuso -eu realmente não sei se acredito. Gosto de pensar que as coisas evoluíram como a ciência diz mas nas alturas mais tristes da minha vida dou por mim olhando para o céu e pedindo ajuda.

- Isso chama-se fé. Não precisa rezar ou acreditar em tudo. Basta acreditar em algo, por mais pequeno que seja. E se pensa Nele em suas piores horas é porque você, decerto, acredita em algo. Quanto á evolução já pensou que Deus pode ter criada a humanidade e deixado ela evoluir do seu jeito?

Olho mais atentamente para Victor procurando algo que nem eu mesmo sei o quê.

- E você Victor? Acredita?

Victor gargalha alto.

- Acredito sim. Gostava de não o fazer mas infelizmente sim, acredito de corpo e alma.

- Não faz o seu tipo.

Me olha com o sobrolho franzido.

- Que tipo é que eu sou?

- Sei lá. Você é bonito, bissexual …

- E isso é errado?

- Não de todo mas a Rússia aqui é bem preconceituosa.

- Por esse motivo Yuuri eu vim para aqui. Ser gay ou não, não tem nada que ver com crença. Deus ajuda todos seus filhos e isso incluí gays ou não e um de meus objetivos nesse país é mudar sua maneira de ver as coisas.

Coro com sua fala, para além de lindo e inteligente era altruísta. Era a minha definição de perfeição…bem se não fosse seu mau feitio e o facto de me estar a ignorar feito otário.

- Demasiado altruísta Victor, uma pessoa não pode mudar assim um país.

Se levanta e vem em minha direção. Se põe detrás de mim e deposita suas mãos em meus ombros. Aproxima sua boca de meu ouvido me fazendo corar e suspirar com seus sussurros.

- Mas eu…Yuuri, não sou um homem qualquer.

Me arrepio e dou um gemido baixo “puta que pariu". Viro meu rosto para o lado onde Victor havia sussurrado e olho diretamente em seus olhos. Estava a míseros centímetros de mim.

Vejo Victor olhar para meus lábios e decido me vingar por todas aquelas 3 semanas. Lambo meu lábio superior enquanto me aproximo de seus lábios e olho em seus olhos. Vejo Victor se contorcer de desejo e avançar sobre mim mas antes de sentir qualquer toque meu celular começa a vibrar.

Victor fecha os olhos e cerra as mãos em punho, retrocede e respira fundo.

- Atenda Yuuri. Está dispensado.

Engulo em seco. O que tinha acontecido ali? Será que me ia beijar por pena ou me quer apenas como amante? Qualquer que fosse a opção eu não aceitaria ser subjugado dessa maneira.

Me levanto da cadeira e saio de seu escritório.

- Alô? Mira?

- Oi tio. Tô com saudades. Minha mamãe deixou eu ligar para você.

Meu coração derrete e logo esqueço o que passou com Victor. Me concentro em meu sobrinho.

- Oi Sanji. Tudo bem com você?

.

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Arquejo excitado assim que Yuuri sai de meu escritório. Me viro para a paisagem da cidade tentando me acalmar.

Se calhar foi bom termos sido interrompidos não? Somos patrão e subordinado. É. Ainda bem que nos impediram.

Mas meu pau não concordava com isso, estava tremendamente excitado. Como assim? Nem nos beijamos. Que raio…?

- Victor sei que agora não é uma boa altura mas tenho notícias para você.

Me viro e vejo meu irmão novamente, Yuri Plisetsky.

- Sabe que não gosto que me incomodem.

- Sim eu sei…

-E por favor recolha as asas. Se alguém entra aqui e vê você …?

- Calma Victor. Está muito irritadiço. É tudo por causa do garoto Katsuki? – Yuri sorri enquanto recolhe suas asas. Assim parecia apenas um adolescente de 16 anos. Ninguém diria que tinha força sobre humana ou que era até mesmo um anjo -eu realmente percebo o seu fascínio por ele. Eu falei com ele 3 semana atrás e….

- O QUE VOCE FEZ???? -Me levanto com brusquidão e vou em sua direção.

Yuri logo levanta as suas mãos em posição defensiva.

- Calma. Provavelmente ele não lembra de mim de tão bêbado que estava mas admito que desperta interesse e olha que isso vindo de mim é muito.

- Pois mas não é para despertar interesse em você Yuri.

Yuri sorri com desdém.

- Se ele me cativa a mim não acha que cativará nosso lindo irmão? Me deixe elucidar você…ah…o nosso querido Lucifer sabe?

Meu corpo fica imóvel. Seria isso possível?

- Não isso não vai acontecer.

Yuri avança para minha cadeira detrás da secretaria e se senta nela cruzando seus pés por cima do tampo de madeira da secretária.

- Já já chego aí Victor mas agora preciso lhe dizer algo.

Continuo em pé, meto minhas mãos nos bolsos e espero por uma resposta impacientemente.

- Então? Conta lá, não tenho a vida toda -sorrio para Yuri de lado – Ups…Afinal tenho.

- O nosso presidente quer invadir os EUA.

Perco o sorriso, outrora em meus lábios, e dou lugar a uma faceta amarga e assustada.

- Espera…o que?

- É isso mesmo que você ouviu. Basicamente a Rússia tentou impedir os EUA de atacar a Síria por palavras e a resposta de agradecimento foi a morte de 3 deputados. Obviamente tem mão de demónio aí mas a Rússia pensa que é trabalho dos americanos e quando tiver essa confirmação, e eu tenho a certeza que vai ter, vai rebentar com eles.

- Mas isso não pode acontecer. Isso vai ser uma 3°Guerra Mundial.

Yuri bate com suas mãos em minha mesa e se levanta.

- Aleluia que você entendeu o que se tá passando aqui. Não é a primeira vez que existe uma guerra criada por Lucifer. Você sabe que ele quer causar o caos na humanidade e para isso ela precisa perder a esperança. Mas nunca aconteceu uma guerra nesta magnitude. Com toda a sua tecnologia os humanos correm o risco de se aniquilarem. Países do 3° mundo já estão em guerra e se as grandes potências como EUA, Rússia e Coreia também entrarem será o fim da criaçãozinha de nosso Pai.

- E como acha que devo impedir isso? Afinal somos mais 6 irmãos não posso ser só eu.

Yuri fica estático e me olha nos olhos.

- Ao que parece nosso Pai quer que seja você impedindo o lançamento desses mísseis. Obviamente nosso presidente sempre foi de mau caracter e as escolhas sempre foram dele. Mas desconfio que alguma entidade esteja influenciando ou até mesmo possuindo ele. Você tem que tirar esse demônio de lá ou uma guerra rebentará.

Suspiro exasperado.

- Como você pensa que vou fazer isso? Devo chegar lá no meio de todos aqueles seguranças e dizer “oh olá. Vou fazer um exorcismo a seu presidente e provavelmente ele vai sair machucado"? Não me parece Yuri.

- Você é influente, tem contactos. Pode marcar uma reunião com ele. Quanto aos seguranças eu ajudo você.

- Vou pensar e na altura oportuna eu aviso você.

Yuri tira seu rosto frio e sorri ternamente.

- Sabe eu sei o quanto a Terra significa para você. É a sua casa agora…. Não quer mesmo voltar?

Me dá a mão e entrelaça seus dedos nos meus.

- Me desculpe Yuri. Eu me cansei de tudo lá em cima. Além do mais – fecho os olhos trazendo todas as memórias de Yuuri – Tenho alguém para proteger e por isso eu vou impedir nosso irmão de destruir a nossa casa.

Yuri se entristece.

- Era aí que queria chegar. Victor, por muito que você goste do Katsuki…Se você se aproximar Lucifer saberá de sua existência e pode usar ele. Tenha cuidado. Além do mais, ele é sua fraqueza. Um humano, é muito fácil de manipular e você sabe.

Estremeço com todas as coisas que meu irmão poderia fazer a Yuuri. Mas eu não deixaria. Iria proteger ele. De repente me apercebo que não posso ser tão duro com ele, ele iria sofrer e eu também. Afinal já havia sofrido 3 longas semanas tentando impedir qualquer aproximação mas também não posso deixar avançar mais que isso. Incidentes como o de á pouco não podem voltar a acontecer.

- Eu sei Yuri obrigado.

Yuri sorri e me beija na face e me abraça forte.

- Dê meus cumprimentos ao Giacommeti.

- Darei com certeza.

E assim Yuri desaparece mais uma vez.

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- Yuuri vá entregar o café ao Victor.

Olho para Christopher que estava olhando para seu ecrã e digitando com grande rapidez.

- Porque eu?

- Bem eu estou atulhado de trabalho e nosso patrão sempre toma café a esta hora. Como não posso entregar será você.

Me levanto e me dirijo a máquina para fazer um café para Victor.

- Ei não esqueça da Vodka.

Olho surpreendido para Christopher. Este para de digitar e olha para mim.

-Estava esperando o que? O cara é rico e vive na Rússia. Só essa explicação basta.

Encolho os ombros. Não é meu dever me queixar do que meu patrão bebe ou não bebe.

Assim que termino de fazer o café, deposito uma garrafa de Vodka no tabuleiro e me direciono ao gabinete.

Ia bater á porta me algo me fez não o fazer. Umas vozes. Pelo que percebi eram duas.

- Eu sei Yuri obrigado.

Yuri? Não tinha visto ninguém entrar. Me aproximo mais tentando ouvir.

- Dê meus cumprimentos ao Giacommeti.

- Darei com certeza

Paro de ouvir qualquer voz. Era Victor e quem mais?

Espero que esse alguém saia pela porta mas isso não acontece.

Para não deixar o café esfriar decido entrar mesmo assim.


Toc Toc

- Entra Christopher.

Entro no gabinete e vejo Victor de pé perto da cadeira de convidado e estava direcionado para sua cadeira como se estivesse falando com alguém mas não havia mais ninguém ali para além de Victor.

- Me desculpe incomodar outra vez. Christopher está cheio de trabalho e me mandou entregar seu café com Vodka… peço desculpa sei que não devia estar aqui depois daquilo.

Victor sorri para mim e se encosta em sua secretaria exatamente como Otabek havia feito de manhã.

- Não se preocupe Yuuri, pode deixar aqui o café.

Avanço em sua direção com o tabuleiro na mão. Este não me permitia ver o chão e por isso tropeço em seu tapete vermelho entornado o café escaldante na camisa de Victor.

- PUTA QUE PARIU ME DESCULPE.

Entro em pânico, com as mãos a tremer.

- Peço perdão Senhor eu vou buscar pensos e curativos.

Me viro mas logo sou agarrado no braço. Olho para trás e vejo Victor sorrir ternamente para mim.

- Não se preocupe Yuuri. Não me magoei.

Olho para sua camisa encharcada. De certo ele iria ficar com queimaduras em seu peito.

- Como não? O café estava fervendo e eu mandei para cima de…. Pera que você tá fazendo?

Vejo Victor tirar sua camisa branca, desabotoando botão a botão enquanto olha para mim.

- Sou um CEO, não posso estar com a camisa suja.

Assim que termina de falar tira sua camisa e deixa ela cair no chão mostrando seu tronco nu.

Engoli em seco, não havia nenhuma marca, apenas sua pele branca exposta. Seus peitorais definidos e sua barriga dando sinais de definição. Corpo esbelto e definido. Se eu pudesse beijar cada centímetro de seu tronco...

- Vê? Não ficou marca – sorri enquanto dá uma volta para mostrar que não havia ficado nenhuma queimadura.

-Mas isso é impossível Vic.. – fico estarrecido. Enquanto Victor dá uma volta consigo ver suas costas definidas mas não só. Havia também duas marcas em suas costas.

Eram marcas simétricas, me aproximo e vejo que estão em carne viva mas que estava ali fazia tempo.

- Victor que se passou com você alguém te mutilou? – digo avançando em sua direção.

Estico minha mão tentando tocar em suas marcas. Quem quer que tivesse feito isso merecia morrer. Um corpo como o dele não devia ser profanado assim.

- Não me toque aí.

- Mas porque não? – digo tocando com minha mão em suas marcas e sentindo a pele sensível.

Victor agarra minha mão com força fazendo ela deixar de tocar em suas costas.

Olha para mim sério, com raiva mas também com pena. Seria dele próprio?

- Eu sou repugnante para você. Apenas não me toque -Suspira largando minhas mãos- apenas vá embora Yuuri. Pode só voltar amanhã.

-Mas Victor. Eu…

- APENAS VÁ POR FAVOR.

Me assusto com o seu grito. Nunca o havia visto nervoso dessa maneira. Olho para seu corpo e vejo que está respirando pesado e sua cara fazendo um esforço para se manter sério.

Victor levanta sua mão em direção á porta e eu não podia fazer nada. Por muito que eu quisesse correr em sua direção e dizer que estava tudo bem e que para mim não era um monstro ele não me iria ouvir.

Qualquer segredo que ele tivesse ele não me queria contar e preferia sofrer sozinho.

Aceno com minha cabeça em forma de despedida e saio porta fora.

- Ei garoto está tremendo porque?

Christopher havia deixado seu teclado e estava agora organizando uns papéis.

Não havia reparado que minhas mãos tremiam.

- Vou embora mais cedo. Victor me dispensou por hoje.

Meu colega me olha inquisitivamente.

- Se não me quer contar tudo bem. Eu pergunto a Victor e descubro logo.

-Como queira Christopher.

Acabo de arrumar minhas coisas e as ponho em minha mala para analisar em casa.

- Ah Yuuri só mais uma coisa. Lembra da conferência de autores e editores que vai haver em Chelyabinsk?

- Sim? Eu marquei reserva no hotel para você e para Victor porque?

- Eu não poderei ir. Avisei Victor hoje de manhã que tenho algo importante a tratar. Ele compreendeu e me mandou escolher alguém ao mesmo nível. Por isso eu escolhi você.

- Como assim? Isso é já depois de amanhã.

- Não se queixe garoto. Pode trabalhar através de um computador e além do mais poderá visitar sua família durante 3 dias.

Pensando bem no assunto não era mau de todo. Teria de conviver com Victor mas poderia ver minha família e Minako. Estava cheio de saudades.

-Está bem. Chegando a casa eu ligo a mudar a presença.

Christopher pôs sua mão em sua boca tentando esconder o sorriso.

- Eu já fiz isso Yuuri me desculpe.

Reviro os olhos. Christopher sempre fazendo aquilo que quer.

- Muito bem, que assim seja. Até amanhã.

Me despeço e logo saio do edifício em direção a minha casa. Muita coisa se havia passado nesse dia. Coisas realmente estranhas.

Minha mente estava uma bagunça.

- Sara, Phit! CHEGUEIIIIII

Recebo um abraço apertado de Sara que me faz perder o fôlego.

- Yuuri adivinha? EU VOU Á SUA TERRA NATAL.

A afasto de mim de cenho franzido.

- Você vai ao Japão?

- Não seu idiota. Vou a Chelyabinsk. Vou patinar numa pequena competição. Quer que eu entregue algum recado á sua família?

- Não. Vou lá passar 3 dias agora no final desta semana -vejo Sara sorrir de orelha a orelha esperando uma fofoca – vou a trabalho – vejo minha amiga perder o sorriso.

- Mas ei, posso ir ver você patinar que acha?

Sorri novamente e salta para meu colo.

-Claro Yuuri. Não espero outra coisa de você. Se você faltar -Me diz espetando o seu dedo em meu peito - eu te mato.

Levanto minha mão em direção á minha testa em sinal de continência.

- Sim minha Senhora.

Sara sorri e vai em direção á cozinha fazer o jantar.

Sigo ela e vejo Seung.

-Olá. Phit não está?

Seung se levanta e me vem cumprimentar.

- Não. Vai chegar mais tarde da faculdade hoje. Por isso somos os 3 jantando.

Sara se vira para nós receosa.

- Na verdade são só vocês dois. Eu vou dormir a casa de minha amiga mas não queria deixar vocês sem comer. Afinal se eu não fizer nada vocês também não fazem. Sem ofensa mas vocês são uns bosta cozinhando.

Sorrimos os dois em concordância meu arroz sempre parecia sopa e os bifes de Seung sempre pareciam uma sola de sapato.

1h depois Sara estava saindo de casa e eu e Seung estávamos sentados em frente ao outro comendo. Não era a primeira vez, ele sempre foi bom ouvinte e sempre gostei de o ouvir falar sobre suas crenças e tal. Olhando para ele e para Phit me fazia pensar que no amor tudo é possível mesmo sendo totalmente opostos.

- Então Seung? Rezou muito a Deus hoje? – Rio fazendo troça dele.

Me dá um soco no braço, rindo também.

-Cale sua boca Yuuri.

- Sabe que não consigo evitar.

Seung para de rir e me olha atentamente.

-Mas verdade hoje rezei para os filhos Dele.

-Você quer dizer nós?

- Nós somos sua criação. Me refiro mesmo a seus filhos.

- Ahhhhh, você está falando de anjos?

Seung sorri e abana a cabeça.

-Acho que sua cabeça não vai entender se explicar muito por isso sim, pode se dizer que é algo assim.

Paro de comer subitamente curioso.

- E qual a diferença de anjo para Deus?

Ele me olha novamente. Talvez inseguro em ter essa conversa comigo.

- Podem se misturar entre nós e se fazer passar por humanos. Anjos têm rosto.

- E você acredita?

- Claro que sim – Seung baixa seu rosto nervoso – na verdade acho que posso ter visto um.

- Sério?

- Sim. Mas podia ser minha impressão por isso prefiro não tirar conclusões.

- Okay e porque você reza a eles?

- Porque estão aqui desde a criação do universo e nos momentos em que a humanidade mais esteve aflita foram eles que desceram á Terra para nos ajudar. Merecem tantas preces como Deus.

- Eles podem ir e voltar do céu?

- Não sei muito sobre isso. Apenas sei que se rebelarem contra o Céu ou forem expulsos se tornam caídos e não podem voltar. Não sei mais.

Aceno com a cabeça e termino de comer.

Me levanto e lavo meu prato.

- E você não acha estranho acreditar em algo sem saber tudo ao pormenor?

Seung se aproxima do lava louça com seu prato e me sorri.

- Aí é que está a piada não é mesmo? Acreditar em algo que nunca se viu. A isso se chama fé. Basta ter a certeza de algo que o resto mesmo não tendo provas você pensa que é questão de tempo até se provar. Fé….Yuuri, fé.

Fico surpreendido com a similaridade de seu discurso com o de Victor.

Ouço alguém abrir a porta.

- Alô? Yuuri, Sara, Seung cheguei.

Phit aparece na porta da cozinha, sorri e cumprimenta Seung com um beijo na boca.

- Oi Yuuri onde está Sara?

- Foi dormir fora.

- Aquela vagabunda ne? -Phit gargalha.

Seung se aproxima de seu rosto e pega ele com suas mãos examinando sua face.

- Você está com olheiras, deve estar exausto. Vamos dormir.

- Eu também tenho de ir. O Phit que coma alguma coisa e depois podem ir dormir tá?

Ambos me acenam com a cabeça assim que vou em direção a meu quarto.

Entro, dispo minha roupa e fico só em box.

Me deito em minha cama pensando que demoraria a adormecer como tem acontecido nas últimas semanas.

Pelos vistos estava errado, ao fim de alguns minutos meus olhos cederam ao cansaço e por fim adormeci.

Uma voz sussurra em minha cabeça: humanos gostam de doces.

Uma imagem de Victor surge á minha frente, estava no escritório em tronco nú com suas marcas visíveis. Avanço em sua direção e Victor se desfaz numa névoa e volta a aparecer na boate.

- Victor?

- Eu disse que não devia ter beijado aquela garota.

Vejo um carro vindo em minha direção, Victor se intromete e leva com o carro.

A imagem se desfaz novamente e aparece Víctor deitado no chão. Me aproximo.

- Victor??

Abre os olhos e estes têm cor escarlate. O tom de vermelho vivo de seus olhos logo começa a ficar escuro. Victor estava sangrando dos olhos e falando diabolicamente.

- Ne Yuuri. Vos coniectans: Non sum quod sum? (Vamos Yuuri. Ainda não adivinhou o que eu sou?)

Começa a tremer e a ter uma convulsão no chão. Fecha os olhos novamente. Estava morto.

- Nãooooo.

Uma sombra sai de seu corpo e vem em minha direção me cegando.

Abro os olhos novamente e estou deitado no lago do Chebakal.

Algo se deita em cima de mim, Victor.

- Victor?

Sorri para mim e seu cabelo começa a crescer, sua roupa desaparece e uma tiara de flores aparece em sua cabeça. E por fim aparece duas asas brancas em suas costas preenchendo o lugar onde havia queimaduras.

- Meu nome é Victor e sou um anjo – vem em minha direção e me beija”

Me levanto assustado, encharcado em suor e arfando.

- Final….finalmente eu me lem…lembro- passo minha mão por minha testa limpando o suor – Você é um anjo Victor. 



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