História Dirty Little Secrets - Capítulo 28


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Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Drama (Tragédia), Famí­lia, Ficção Adolescente, Mistério, Policial, Romance e Novela, Suspense, Terror e Horror, Violência
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 28 - Life Turned Into Ashes


Fanfic / Fanfiction Dirty Little Secrets - Capítulo 28 - Life Turned Into Ashes

"Algum dia quando você menos esperar, a morte irá chegar para todos e nada restará além de cinzas." -G.M.S.

 

A poeira se esvaía pelo ar junto com a fumaça expelida pelas chamas que ardiam a sua volta. Não havia mais nada, ou ninguém, tudo ao seu redor fora reduzido a uma pilha de escombros retorcidos e flamejantes. Alex abriu seus olhos e contemplou a tragédia que o rondeava, a escuridão de onde estava sendo apenas iluminada pela luz avermelhada do fogo próximo, o estado cataclísmico em que a escola se tornara. Liz estava caída debaixo dele sobre seus braços, de uma forma que Alex a protegera de todos os entulhos que caíram sobre si. Sua cabeça latejava enquanto um zumbido em seu ouvido o deixava tonto e seu braço sangrava devido aos cortes que havia nele. Liz tossia devido a poeira, seus olhos azuis se abriram, parecendo iluminar toda aquela cena de horror ha havia em volta deles.

-Liz... Você está bem? -Perguntou Alex saindo de cima dela, que não parecia estar muito machucada.

-Acho que estou... -Disse ela tentando ficar de joelhos. -O que foi que aconteceu?

-Acho que houve uma explosão... Parece que a escola inteira desmoronou em cima de nós.

-Onde a gente está? -Perguntou Liz confusa. -Cadê o auditório? Cadê os outros?

-Eu não sei. -Disse ele se levantando olhando ao redor. Eles estavam em frente a saída do auditório quando o chão se abriu e os dois rolaram pelos escombros para dois andares abaixo enquanto o teto do auditório caía em cima deles. Agora os dois estavam numa espécie de porão da escola com um buraco no tato por onde toneladas de concreto e aço retorcido haviam caído e se empilhado no chão. -Acho que estamos no subsolo da escola, isto aqui parece com a sala das caldeiras. 

-Sala do quê? -Indagou ela colocando a mão sobre sua cabeça que possuía um pequeno corte.

-É onde fica o encanamento, aquecimento essas  coisas. Precisamos sair daqui antes que tudo isso exploda em cima de nós.

-De novo... -Complementou Liz enquanto se levantava com a ajuda de Alex. -Nós temos que achar os outros! E se eles estiverem machucados, não conseguirem sair ou se estiverem mortos... -Ela começou a chorar ao perceber o quão grave poderia ser a situação. Alex a abraçou enquanto sussurrava em seu ouvido:

-Não se preocupe, vai ficar tudo bem. Você vai ficar bem, eu vou ficar bem, nossos amigos vão ficar bem. Eu estou aqui com você.

-Eu estou com medo...

-Eu sei. Eu também.

 

Sam estava machucado. Ele tentou se levantar em meio aos escombros a sua volta, estava coberto de poeira, estava sangrando e um pouco queimado. Acontecera tudo tão rápido, num minuto estavam todos lá e em seguida ele só se lembrava de despencar em um buraco que se abrira no chão e atingir o concreto gelado do piso abaixo enquanto suas costas eram expostas ao fogo que rugia logo acima. Ele ouviu alguém gemer próximo a si em meio aos entulhos e os assentos quebrados que estavam espalhados por todo o lado. Sam se ergueu como pode, caminhando de joelhos visto que o teto despencara até pouco mais de um metro acima de sua cabeça, remexeu em meio a poeira e os estofados queimados até encontrar a pessoa que estava gemendo logo abaixo: Tom.

-Tom! -Gritou Sam. Tom estava completamente envolto por pedaços de gesso e assentos do teatro que há pouco existia, ele se debatia para tentar sair enquanto soltava algumas palavras inaudíveis devido a poeira que o havia deixado sem voz. -Calma, eu vou te tirar daqui! -Disse Sam livrando-o dos escombros. Os dois caíram no chão cheio de cacos de vidro e ferro, completamente sem forças.

-Como... como ela estava lá? -Questionou Tom com sua voz fraca. -Como Emily está viva?

-Eu não sei... -Disse Sam tentando tirar um pouco da poeira de seu rosto com a blusa. -Mas olhando em volta pra esse lugar provavelmente ela não está mais. Cadê o Liam? Onde estão todos os outros?

-Não consegui ver direito para onde correram, e quando me dei conta já não tinha mais chão embaixo de mim. Sam nós temos que sair daqui agora antes que acabemos morrendo aqui.

-Não sem o Liam e os outros. Não podemos deixá-los aqui! -Insistiu Sam.

-Se não procurarmos uma saída agora vamos acabar morrendo! -Gritou Tom segurando Sam pelos ombros. Os dois estavam praticamente soterrados, era óbvio o fato de que eles precisavam sair daquele lugar instável o mais rápido possível.

-Tudo bem, vamos achar um jeito de sair daqui. -Concordou Sam. Antes que os dois pudessem se mexer para qualquer lugar, eles ouviram um grito vindo distante. Um grito de uma pessoa, um homem, claramente ferido. -Você ouviu isso? -Indagou Tom assustado, olhando ao redor para ver se conseguia descobrir a fonte daquele barulho.

-Ouvi, temos que ajudá-lo. -Falou Sam começando a rastejar para a direção dos gritos. -Estamos indo atrás de você! -Berrou ele, e então virou-se para Tom e perguntou: -Você vem comigo?

-Estou indo bem atrás de você. -Afirmou Tom enquanto os dois engatinhavam pelos escombros em meio ao lugar completamente destruído. 

 

Olivia tentou enxergar além da fumaça que subia ao redor de sua cabeça. Ela podia ver o fogo arder o que restava do palco que agora se transformara em um mar de chamas. O auditório inteiro havia desmoronado e uma grande cratera se abrira no lugar. Pedaços do teto despencaram sendo possível ver o céu em meio a fumaça que subia. Ela e Leo haviam corrido para o corredor dos camarins antes de todo o lugar implodir e agora ela estava tateando pelo chão escuro para tentar achá-lo, ou em busca de uma saída ou fonte de luz. Atrás dela havia o palco em chamas e a sua frente um longo e escuro corredor cheio de salas que davam em sabe-se lá aonde. Ela não conseguia respirar, a fumaça densa cobria sua garganta a impedindo de gritar, de pedir ajuda, ou de simplesmente se lamentar. Até que alguém segurou em sua mão e a puxou para cima, era Leo, em meio a Luz fraca e avermelhada ela podia ver sua silhueta robusta conduzindo-a pela escuridão. Os dois correram com as cabeças abaixadas o máximo que podiam até que Leo abriu uma porta pela qual os dois entraram, era uma escada de emergência. Eles fecharam a porta atrás deles para impedir a entrada de fumaça enquanto se jogavam no chão exaustos e sem ar.

-Você... você está bem? -Perguntou Leo tossindo.

-Acho que... acho que sim. -Respondeu Olivia tentando recuperar o fôlego enquanto fazia uma rápida avaliação de seu corpo para verificar se tudo estava lá. Aparentemente ela estava bem. -Como isso foi acontecer? Como Emily ainda está viva? Como S conseguiu fazer isso? Nós vamos todos morrer, nós vamos todos...

-Olivia calma! -Gritou Leo segurando-a. -Você tem que se manter calma pra pensarmos em como vamos sair daqui, entendeu?

-Eu...eu entendi. -Respondeu Olivia com a voz meio distante. Ela não conseguia assimilar tudo o que havia acabado de acontecer. Emily. S. A escola inteira explodindo. Nada daquilo fazia sentido. Nada daquilo deveria estar acontecendo. E se seus amigos estivessem mortos? E se todos que estavam no auditório tiverem morrido, sem que ela pudesse ter feito nada? E se ela fosse a próxima a morrer, assim como Stephanie? Ela não conseguia manter a calma. Não conseguia se manter inteira, estava despedaçada, quebrada, S havia feito aquilo com ela e havia conseguido cumprir seu plano. Ele conseguiu se vingar dela pelos seus erros, conseguiu tirar tudo o que ela tinha, e estava prestes a tirar a única coisa que ainda lhe restara: sua vida.

-Essa escada dá num corredor que leva pra cantina, de lá podemos sair pela porta que dá pro pátio ou por uma janela. -Disse Leo enquanto a ajudava a se levantar e a se apoiar nele. Ele a segurava firme, estava tremendo assim como ela, temendo todas as possibilidades que poderiam acontecer dali em diante. Olivia se sentia segura com ele ao seu lado a protegendo, pois sabia que naquela hora ela possuía alguém, e que não enfrentaria aquilo sozinha. Os dois desceram as escadas com a luz fraca das lâmpadas de emergência até o andar debaixo e saíram em um grande corredor cheio de salas. Mas para o azar deles, o caminho que levava para a cantina, e para a saída, estava completamente obstruído. O andar de cima desabara e montes de paredes de concreto se amontoavam e formavam uma barreira que cobria inteiramente o corredor, fumaça e fogo saíam daquela pilha de destroços queimando portas e armários. Leo e Olivia não viram outra saída a não ser ir para o outro lado e adentar na escola, eles correram pelo grande corredor atravessando todas as portas com salas onde alunos costumavam estudar e aprender sobre a vida que lhes aguardava fora dali. Aquilo já não fazia mais sentido para Olivia, nada mais fazia.

 

Alex e Liz estavam no porão da escola, algumas das paredes e do teto haviam desmoronado a sua volta transformando o lugar em um campo minado, acima deles destroços em chamas continuavam caindo pelos buracos do teto e fumaça começava a se espalhar. Eles caminharam de mãos dadas pelo corredor escuro que existia entre os sistemas de aquecimento da escola, em algumas horas precisavam se abaixar para conseguirem passar entre os estreitos espaços entre os montes de concreto e o teto cheio de canos que vazavam água. O lugar parecia feder a esgoto e um cheiro forte de queimado invadia suas narinas. Alex e Liz estavam descendo por uma pilha de carteiras e armários que caíram do andar de cima, quando de repente uma mão surgiu em meio aos escombros e agarrou o pé de Liz, que gritou aterrorizada. Alex se abaixou para ver quem estava lá e se surpreendeu em ver que era Emma quem estava debaixo de tudo aquilo.

-Emma! -Gritou Alex. -Consegue me ouvir? Você está bem?

-Alex... -Disse ela fraca. Seu braço sangrava e parecia que uma parte do armário havia esmagado sua perna. -Não consigo sair. Estou presa. Por favor me ajude...

-Fica calma vamos te tirar daí! -Anunciou ele enquanto verificava o estado da situação. Emma estava bem embaixo de um grande armário que estava sobre suas pernas com montes de cadeiras e reboco ao redor. Um pedaço de concreto segurava a outra ponta do móvel e impedia que o armário esmagasse o resto do corpo dela. Eles precisavam tirá-la de lá sem fazer com que toda a pilha caísse em cima dela e a esmagasse. Liz começou a retirar algumas coisas de cima do armário pra facilitar a retirada de Emma enquanto Alex tentava puxar o armário e levantá-lo, mas ainda assim era pesado demais. Liz se juntou a ele e os dois puxaram com toda a força que tinham, mas mesmo assim o objeto não se mexeu mais que poucos centímetros. Eles pararam, exaustos, Alex não sabia mais o que fazer para tentar tirá-la dali. 

-Acho que tive uma ideia. -Disse Liz enquanto descia de cima dos escombros espalhados pelo chão e começou a vasculhá-los até achar um pedaço de vergalhão e retirá-lo do meio de um pedaço de parede despedaçado. Ela levou a barra de ferro até embaixo de onde o armário esmagava as pernas de Emma e a apoiou em cima de uma cadeira de forma que aquilo se transformara em uma espécia de alavanca.

-Ótima ideia! -Comentou Alex enquanto os dois se posicionaram ao lado da barra de ferro e então a empurraram para baixo com toda a força que tinham. Aos poucos, o grande armário de levantou alguns centímetros acima do chão, tornando capaz que Emma rastejasse para fora dos escombros. Alex e Liz soltaram a alavanca e o armário caiu de volta no chão e em seguida foram verificar se Emma estava bem, ela chorava de dor devido ao fato de suas pernas estarem com cortes profundos e aparentemente um de seus pés havia sido torcido. Alex enrolou os cortes com pedaços da blusa dela enquanto Liz tentava posicionar seu pé de volta no lugar. 

-Isso vai doer. -Afirmou a loira segurando o pé de Emma em suas mãos.

-Faça isso. Não vamos conseguir sair daqui se eu não conseguir andar. 

-Segure as minhas mãos. -Disse Alex estendendo-as para ela. Emma as agarrou com força enquanto tentava conter as lágrimas. 

-No três. -Falou Liz enquanto contava. -Um, dois, três! -Ela torceu o pé de volta pro lugar enquanto Emma soltava um grito agudo de dor segurando firme as mãos de Alex. Eles esperaram ela poder se recompor e então a levantaram com cuidado, apoiando-a em seus ombros. A fumaça ficava cada vez mais densa e as chamas aumentavam no andar de cima e caíam pelo grande buraco que havia no teto no fundo do porão. A sala de máquinas terminava em uma pequena sala onde ficavam registros de encanamento e no fim estava localizada a porta que levava para o andar de cima. Mas quando eles estavam quase chegando lá, os canos que haviam acima de suas cabeças estouraram, fazendo com que centenas de litros de água caíssem sobre suas cabeças. Eles gritaram desesperados e antes que conseguissem correr até a porta partes dos canos e to teto despencaram bloqueando o caminho. Do outro lado, na sala de máquinas, uma explosão podia ser ouvida enquanto chamas escapavam pelas frestas da porta fechada. Eles estavam presos.

 

Sam e Tom estavam rastejando em meio aos destroços. Aparentemente eles haviam caído dentro de uma sala de aula e estavam se espreitando em meio as partes caídas do teto para tentar chegar a porta. Não havia muito espaço para se locomoverem, o teto do auditório formara pilhas e mais pilhas de concreto por todo o lugar, fora um milagre que eles não haviam sido soterrados e esmagados. Seus corpos doíam devido aos seus machucados e a respiração estava difícil com toda a poeira e a fumaça, mas ambos estavam dispostos a encontrar a pessoa que estava presa próximo a eles, seja lá quem fosse. Os dois estavam passando por uma pequena fresta entre o teto e a pilha de escombros que soterrara a sala, quando Tom falou:

-É ele o cara de quem você gosta?

-O quê? Ele quem? -Questionou Sam confuso. Ele e Tom não se falavam havia meses, era estranho que ele houvesse falado com ele ainda mais sobre uma coisa dessas.

-O ruivo, Liam, você gosta dele não gosta? 

-Sim, eu gosto. -Respondeu Sam enquanto retirava pedras do caminho deles. -Ficou tão evidente assim? -Perguntou o loiro rindo.

-Nem tanto, mas eu te conheço bem, sei quando está escondendo algo. Além do mais, vocês dois não foram muito silenciosos ontem.

-Você sempre sabe... -Disse Sam se lembrando de quantas vezes Tom já havia praticamente lido seus pensamentos, de quando ele sabia quando Sam estava se sentindo bem ou não, e de todas as vezes que disse "Eu te avisei" . Tom sempre sabia exatamente o que Sam estava sentindo, assim como ele sempre fazia o mesmo pelo amigo. Aquilo fez com que ele se lembrasse do motivo pelo qual não se falavam mais, do motivo pelo qual sua amizade acabara, dos erros que Sam cometera. E aparentemente Tom estava pensando o mesmo.

-Sam... -Disse Tom cutucando-o nas costas, ele parou por um minuto e virou-se para Tom atrás dele.

-O que foi? Se machucou? Achou alguém?

-Não eu só... Eu só queria te dizer uma coisa. Eu te perdoo.

-O quê? -Indagou Sam confuso. -Como assim?

-Eu perdoo você pelo que aconteceu com Olivia. Eu já queria ter feito isso há muito tempo, mas não sabia como. Não sabia como olhar nos seus olhos sem ver aquela maldita foto... Não sabia como seguir em frente.

-E por quê você fez isso agora?

-Sam. Olhe ao redor! Estamos à beira da morte! Podemos morrer a qualquer momento e se isso acontecer... se você morrer... se eu perder o meu melhor amigo por causa de S, eu nunca conseguiria viver com isso sem dizer que eu te perdoo, por tudo.

-Você não pode fazer isso... -Disse Sam.

-Como não posso? -Questionou Tom confuso.

-Você não pode porquê eu não fui o amigo que deveria ter sido pra você, não fui a pessoa que você merecia. Olivia estava bêbada, e eu também, mas eu sabia o que estava fazendo quando fiz aquilo! Eu só queria que alguém me amasse nem que fosse por um segundo, eu não tinha meus pais, não tinha meu irmão, eu só tinha vocês e então a Olivia apareceu lá e eu simplesmente estraguei a única coisa boa que eu tinha na minha vida! Eu não posso me deixar fazer isso com você de novo, não posso quebrar seu coração mais uma vez.

-Você não vai, acredite em mim! Nesses dois meses que eu passei sozinho, pude pensar sobre as coisas que havia feito na minha vida. E quer saber, quando é para acontecer é porquê é pra acontecer. Eu amava Olivia, de verdade, mas agora eu já superei ela e superei o fato de que você tenha de alguma forma destruído meu relacionamento. Nós éramos melhores amigos Sam, sempre foi a pessoa que eu mais amei nesse mundo e perder você não é algo que eu estou disposto a fazer, não de novo. 

-Tom, eu sinto muito... -Disse Sam enquanto chorava. Tom foi até ele e os dois se abraçaram naquela escuridão mórbida que os rondeava. De alguma forma, ambos os dois sabiam que amizades verdadeiras sempre encontravam um jeito de se unirem novamente, custe o que custar. Os sentimentos de dor que haviam dentro deles agora davam lugar a algo maior e ainda mais poderoso: o amor.

Tá bom, já chega. -Interrompeu Sam secando as suas lágrimas, ele podia ver que Tom também estava chorando. -Vamos logo achar esse cara antes que ele ou nós acabemos morrendo esmagados nesse inferno.

-Tudo bem... -Disse Tom sorrindo, e então os dois voltaram a rastejar pelos escombros a sua volta, mas desta vez unidos mais do que nunca.

 

Olivia e Leo estavam correndo pelos corredores escuros de Phoenix High, a escola parecia não ter fim em meio a todas aquelas salas. Eles tentaram abrir a porta de algumas delas para tentarem sair pelas janelas mas estavam todas trancadas. Estavam tentando achar uma saída que não estivesse obstruída pelo fogo ou por escombros e o único jeito que acharam de sai dali foi pela entrada de serviços que se localizava do outro lado do que antes era o auditório. Quase todos os corredores estavam completamente destruídos, mas eles conseguiram achar um único que os possibilitava a passagem. Eles andaram rápido em meio a fumaça densa que começava a tomar conta de todo o prédio, quando de repente Olivia gritou:

-Pare! -Ela segurou Leo para impedir que ele desse mais um passo no que provavelmente seria a sua morte. Diante deles havia um piso inundado com água que vazava dos sprinklers das salas daquele corredor (aparentemente os únicos que não haviam sido danificados pela explosão) e em meio àquela água havia um fio de eletricidade que despencara do teto junto com outros cabos, soltando faíscas azuis que brilhavam pelo local escuro, pronto para eletrocutar aquele que ousasse pisar na água eletrificada. -Não podemos pisar na água ou então seremos eletrocutados! -Falou Olivia tensa recuando alguns passos.

-Mas não há outra saída, temos que passar por aqui antes que a fumaça fique espessa demais. -Disse Leo tossindo um pouco.

-E como vamos passar por isso sem encostar no chão? -Questionou Olivia. Leo pensou por alguns segundos, elevou seu olhar para o teto e então apontou para os canos no teto dizendo:

-Por aqui.

-Tá de brincadeira? Acha mesmo que eu sou o Homem Aranha pra me pendurar nisso aí e atravessar esse corredor sem cair?

-É o único jeito.

-Eu não vou conseguir, não vou fazer isso! -Discutiu Olivia.

-É claro que vai! -Disse Leo segurando-a gentilmente pelos braços. -Eu sei que você, vai conseguir, eu confio em você.

-Mas e se eu cair? Eu tenho medo não vou conseguir me segurar nisso eu não tenho forças...

-Eu te ajudo, vou estar bem do seu lado e prometo que não vou te deixar cair. Você confia em mim?

-Eu... Eu confio. -Respondeu Olivia. Uma voz em sua mente gritava dizendo que ela não iria conseguir, mas uma parte dela estava hipnotizada pela forma como Leo a estava reconfortando diante da situação. Ela sentia como se pudesse se entregar completamente a ele e que mesmo assim tudo terminaria bem, ela confiava nele e gostava dele. -Vamos fazer isso.

Leo se ajoelhou e serviu de apoio para ela subir e segurar no maior cano que havia no teto, e que possivelmente era o mais resistente para aguentar o peso de ambos. Em seguida ele pulou e se pendurou logo a frente dela, dizendo:

-É só você focar em mim e tudo vai dar certo, está bem? -Ela respondeu afirmativamente com um grunhido. -É só ir uma mão de cada vez, com calma e respirando firme. -Ele começou a se movimentar pra frente, e Olivia logo foi atrás dele. Toda vez que levantava a sua mão para agarrar a próxima parte do cano que havia a sua frente ela sentia como se fosse despencar em direção a morte, seu pulso tremia, sua respiração falhava, ela sentia que iria cair. Mas então olhava para frente e encontrava os olhos de Leo, que diziam a ela para continuar. Mais um passo a frente. De novo a sensação de queda, de desespero. A cada novo movimento sentia que iria falhar, assim como já falhara em tantas coisas em sua vida. Eles chegaram próximo ao fio despencado, faíscas explodiam ao seu lado, ameaçando incendiá-la ou eletrocutá-la. 

-Eu não vou conseguir! -Gritou Olivia. -Eu vou cair, eu vou morrer!

-Não você não vai! -Contrapôs Leo. -Você vai conseguir eu sei que vai, já estamos quase no fim!

-Não posso mais! Meus dedos não aguentam! -Nessa hora suas mãos pareciam lentamente escorregar do cano, o fim nunca se parecera tão próximo para Olivia Wills.

-Olhe para mim Olivia! Você consegue! Faça isso por mim! Faça por todos nós!

Olivia pensou em todas as pessoas que faziam parte de sua vida: De Liz, que sempre fora sua melhor amiga, de Tom, alguém que ela acreditara ser o amor de sua vida, Sam, a pessoa que sempre soubera como alegrar, Alex, com sua lealdade e a forma como sempre a ajudava, Stacy que a recebera de braços abertos quando não tinha mais ninguém, e Leo que a estava guiando em meio a escuridão que os rondeava para atravessar aquele rio da morte. Todas aquelas pessoas fizeram parte em sua vida, pessoas se importavam e que sentiriam a falta dela se ela morresse, se ela desistisse. Ela não iria desistir, não deixaria seus amigos, não deixaria S vencer. Ela recuperou a força dentro de si e continuou um passo de cada vez, sempre olhando para os olhos negros de Leo que a indicavam o caminho para seguir. Então quando se deu conta, ela percebeu que os dois já estavam do outro lado do corredor, além da água e do perigo que os ameaçava.

 

Sam e Tom estavam próximos da pessoa presa debaixo dos blocos de concreto, os barulhos estavam ficando mais altos enquanto ambos suplicavam por sinais de onde a pessoa estava. A fumaça estava espeça, o que dificultava a sua visão e os impedia de gritar por auxílio. A voz ficava cada vez mais e mais próxima, e mais reconhecível. Quando estavam perto, Sam já sabia exatamente quem é que eles estavam procurando: Liam. 

-Liam! -Gritava Sam enquanto ele e Tom procuravam atentos a qualquer sinal de movimentação. -Liam se estiver me ouvindo grita ou bate em alguma coisa! -Nada. Eles continuaram parados por alguns segundos com seus ouvidos preparados para lhes indicar qualquer que fosse a origem dos pedidos de socorro. Então, um grito grave pode ser ouvido a direita deles, e em seguida Sam pôde ver uma mão se agitar debaixo de uma pilha de assentos que despencara do andar de cima. -Liam! -Gritou Sam desesperadamente enquanto ele e Tom corriam para ajudá-lo. Ele estava soterrado debaixo de uma parede, sua perna esquerda estava esmagada e havia sido perfurada por um vergalhão. Sangue escorria por sua roupa e caía sobre o concreto cinza cheio de poeira e resquícios de fuligem e fumaça. 

-Meu deus o que aconteceu com você? -Questionou Sam ao ver o estado em que o companheiro estava.

-Eu não estou tão ruim assim... não é? -Falou Liam fazendo uma pergunta retórica.

-Temos que te tirar daqui, mas vai ser difícil com esse pedaço de ferro encravado na sua perna. -Disse Tom analisando os ferimentos dele. -O ideal seria se eu tivesse um cirurgião aqui, mas como sabemos que eles provavelmente vão demorar muito pra chegar, acho que nós é que teremos que te livrar dessa.

-Esse é o seu amigo que assiste Grey's Anatomy? -Perguntou Liam a Sam enquanto ele removia alguns pedaços de concreto para abrir espaço.

-Vejo que já andou falando de mim pro seu namorado... -Comentou Tom rindo. -Não se preocupe, não há nada que eu não tenha aprendido em mais de 13 temporadas de Grey's Anatomy. -Os três riram da piada, mas ambos sabiam que o que viria em seguida não seria nada tranquilo. -Tudo bem, Sam eu preciso que você segure o Liam bem firme, ele vai tentar se debater e isso pode acabar piorando ainda mais. Enquanto isso eu puxo esse pedaço de parede com o vergalhão pra cima e o tiro da perna dele, e quando isso acontecer preciso que esteja preparado porquê vai haver muito sangue.

-Então tá, doutor. -Brincou Sam enquanto subia cuidadosamente em cima de Liam e segurava seus braços e seu tronco no lugar. 

-Na última vez que estávamos nessa posição havia sido bem melhor... -Comentou Liam com a voz fraca.

-Pra tudo sempre tem uma segunda vez... 

-Estão prontos? -Perguntou Tom, e eles afirmaram com a cabeça. Era evidente que os três ali estavam completamente apavorados em meio a situação, mas aquilo que estavam fazendo era preciso se quisessem sair dali, e precisava ser feito naquela hora. Tom começou a puxar a parede para cima e com isso a perna de Liam foi lentamente deslizando para fora do vergalhão como um espeto. Ele gritava de dor e se debatia embaixo de Sam que o segurava com toda a sua força. Ele sentia uma lágrima escorrendo por sua bochecha, não conseguia ver aquilo acontecer com uma pessoa que ele amava tanto, era sofrimento demais para ele. Tom soltou a perna de Liam e com isso um monte de sangue começou a jorrar pelo buraco onde a barra de ferro anteriormente estava, ele começou a tampar o ferimento com a calça de Liam e em seguida retirou seu casaco e o rasgou em tiras para poder amarrá-las na perna dele. Sam saiu de cima do ruivo e passou a ajudá-lo na tentativa de conter a hemorragia. Após alguns minutos, eles enfim conseguiram parar o sangramento, estavam todos sujos de sangue e Liam estava completamente acabado, mas ainda estava vivo, e era isso que importava.

Tom e Sam ergueram Liam e o carregaram em seus braços pelos destroços até caírem do alto de uma pilha de lajes dentro de um corredor que havia sido completamente destruído pela força da explosão. Os três se levantaram em meio ao local escuro, iluminado apenas por alguns focos de chamas que podiam ser vistos dentro das salas de aula ou no enorme buraco que ficara no auditório. Aparentemente toda a escola havia sido atingida por aquela explosão, quem quer que tivesse causado ela conseguiu por um fim em Phoenix High. Eles caminharam alguns metros e tentaram abrir algumas portas, mas todas estavam trancadas ou bloqueadas, incluindo a escada. O corredor terminava em uma parede com uma máquina de refrigerante, Tom foi até lá e colocou sua mão dentro da máquina que possuía os vidros completamente estourados e sacou três garrafas de água. Ele entregou as garrafas para Sam e Liam, que beberam com voracidade considerando que suas gargantas estavam completamente secas devido a toda a fumaça e a poeira. Tom usou um pouco de sua água pala limpar a ferida de Liam e em seguida bebeu o resto da garrafa.

-Para onde vamos agora? -Perguntou Tom. Não há saída e não podemos entrar de volta naquele monte de entulhos.

-Podemos tentar a saída do ar-condicionado. -Sugeriu Sam lembrando-se da vez que ficara preso com Lucas no porão da sua cada em Hamptons e os dois quase morreram afogados.

-Eu acho que tenho uma ideia melhor. -Disse Liam.

-Qual? -Perguntaram Sam e Tom ao mesmo tempo. Nessa hora Liam epenas apontou para as duas portas metálicas que haviam ao lado da máquina de refrigerantes. Um elevador.

-É um elevador, mas não tem eletricidade, não há como usá-lo. -Falou Tom.

-E quem disse que iriamos subir dentro do elevador? -Indagou-se Liam deixando Sam e Tom intrigados.

 

Alex, Liz e Emma estavam com água até os pescoços. Cada vez mais e mais o ar se esvaía do pequeno quarto onde estavam enquanto tentavam desesperadamente encontrar uma forma de abrir a porta que os confinava lá dentro. Os canos prendiam a porta que levava para as escadas enquanto fumaça e fogo ardiam dentro da porta atrás deles que levava para a sala de máquinas agora completamente em chamas, mais e maia água saía dos encanamentos estourados lhe restando apenas alguns centímetros de ar para respirar. Parecia que aquele seria o fim. Os três empurravam e tentavam remover os entulhos e batiam na porta com toda a sua força mas ela não se mexia, a maçaneta estava completamente emperrada. Quando se deram conta, estavam completamente submersos.

Alex nadava e tentava respirar as pequenas bolhas de ar que ainda restavam no teto. Não havia como saírem dali, não haveria um felizes para sempre para eles. Ele segurou a mão de Liz, que se debatia enquanto tentava nadar. Se fosse para morrer naquela situação, pelo menos ele morreria com a pessoa que amava, a única pessoa que ele realmente amou em sua vida. A ideia de não ver mais os cabelos loiros de Liz brilhando sobre a luz do dia enquanto os dois deitavam no gramado e apenas relaxavam passou por sua mente, as imagens de Olivia, Tom e Sam brilhavam em sua memória, pessoas que ele provavelmente nunca mais viria a ver. Pessoas que, assim como ele, também haviam sido derrotadas.

Liz batia seus braços em meio a água gélida. O ar dentro de seus pulmões acabava rapidamente, sua mente estava ficando mais lenta, seus pensamentos estavam se nublando. Ela segurou a mão de Alex, seu toque quente a reconfortava de uma forma que ela não sabia explicar, de uma forma que somente Alex a fazia sentir-se bem, e segura. Ele tentara protege-lá de toda essa situação, tentara ser a pessoa que ela precisava que ele fosse. Se Liz pudesse dizer mais alguma palavra sobre aquelas águas escuras, ela diria "obrigado". Ela se lembrava de todos os momentos felizes de sua vida, de todos os momentos que passara junto com Alex e seus amigos. Ela se lembrou de Olivia, doce e magnífica Olivia, sua eterna melhor amiga, a pessoa com quem ela partilhava todos os seus sentimentos e emoções, a pessoa que sempre estivera lá para ela. Lembrou-se de Tom e todas as vezes que ele a pedira conselhos sobre seu relacionamento com Olivia. E enfim se lembrou de Sam, com seu carisma singular que sempre a fazia rir independente da situação. Será que seus amigos estavam bem, será que eles ainda estavam vivos? Será que eles chorariam em seu funeral enquanto seu corpo desceria lentamente em direção ao solo de seu descanso final eterno, ou será que eles a aguardavam em algum outro lugar, o lugar para qual ela, Alex e Emma estavam prestes a ir? Liz sentia que já podia ver a luz se aproximando dela, trazendo consigo a morte fria e solitária que a levaria para longe deste mundo no qual ela tanto sofrera. Ela estava se aproximando dela, estava quase atravessando-a, quando de repente fora sugada para dentro da luz e chocara-se contra o chão enquanto emergia na superfície. Enquanto tentava recuperar o fôlego Alex a ajudou a se levantar.

-O que aconteceu? -Perguntou ela meio tonta enquanto ajudavam Emma a se apoiar em seus ombros.

-A porta estourou com a pressão da água. -Relatou Alex. Só então que Liz percebeu que eles não estavam mais na sala de registros do encanamento, e sim no corredor que levava a uma escada logo a sua frente. Atrás dela, a água ainda saía de dentro da sala com a porta arrombada no chão, eles estavam livres. 

-Vamos sair logo daqui pelo amor de Deus. -Suplicou Emma. Naquele mesmo instante os três partiram em direção a escada.

 

Sam e Tom fizeram força com seus braços para abrirem as portas do elevador que havia no fim do corredor do qual estavam presos. Após muito esforço as portas metálicas deslizaram para o lado revelando um imenso fosso que descia até o subterrâneo da escola, acima de suas cabeças o elevador pendia no último andar enquanto colunas de fumaça subiam dos andares inferiores. 

-O que nós fazemos agora? -Perguntou Sam enquanto ele e Tom pegavam Liam do chão onde o haviam apoiado e o levavam até a entrada do fosso para poderem visualizar o que havia lá dentro.

-Existem pequenas escadas de segurança presas nas paredes do lado de dentro, podemos escalá-las e sair pelas portas do andar de cima.

-Mas como você espera conseguir fazer isso? Sua perna está muito machucada, você mal consegue andar! -Exclamou Tom.

-Eu dou o meu jeito. -Respondeu Liam um pouco receoso, mas era a única saída que eles possuíam no momento.

-Eu fico atrás dele pra impedir que ele caia. -Sugeriu Sam. Tom vai na frente, qualquer coisa você segura nos pés dele e eu te seguro pelas pernas pra você não escorregar.

-Você acha que consegue fazer isso? -Perguntou Liam nervoso. -Não posso pedir que se arrisquem só por minha causa, e se você acabar caindo e culpa for minha eu...

-Mas eu não vou cair! -Afirmou Sam convicto. -Confie em mim, estarei logo atrás de você.

-Promete que você não vai me soltar?

-Eu prometo! -Falou Sam.

-Promete mesmo. -Exclamou Liam.

-Eu prometo que não vou te soltar, nem agora, e nem nunca. -Prometeu Sam. Antes que pudessem entrar no elevador, Liam o agarrou pela blusa e o puxou até si, dando-lhe um forte beijo na boca. 

-Pra dar sorte. -Explicou-se Liam. Tom foi o primeiro a entrar, se pendurando numa escada localizada na lateral das paredes a sua direita com um pulo. Aquilo não era nada menos que um monte de barras de metal enfileiradas uma em cima da outra, mas era o suficiente para que pudesse ter um apoio sólido. Degrau por degrau, ele foi subindo até atingir uma altura suficiente para abrir espaço para Liam subir logo abaixo dele. -Eu não sei se vou conseguir! -Gritou Liam, analisando a distância de quase um metro entre a beirada do corredor e a escada na parede.

-Você vai conseguir, confie em mim, já vi você pular distâncias bem maiores que essa nos treinos de futebol. Vai conseguir com uma perna só. -Incentivou Sam enquanto o ruivo contraía os joelhos de modo que conseguiria pegar mais impulso. Ele respirou fundo, concentrou-se na barra de ferro logo a sua frente, e então pulou com toda a sua força. Liam voou até a escada, agarrando-se como podia com as duas mãos e se apoiando nos degraus com a perna direita enquanto sua perna esquerda pendia livremente com gotas de sangue escorrendo por ela. -Você está bem? -Perguntou Sam preocupado.

-Melhor impossível. -Respondeu Liam enquanto começava a escalar as escadas na parede do fosso do elevador. Tom estava logo acima dele, sempre olhando para baixo para certificar-se de que ele estava bem, e então Sam também pulou até a escada e se posicionou abaixo de Liam. Mais e mais fumaça entrava pelos andares inferiores completamente destruídos, ela possuía um cheiro nauseante e fazia seus olhos lacrimejarem enquanto eles tentavam enxergar alguma coisa em meio ao fosso completamente escuro. Acima deles o elevador pendia no ar e emitia alguns estalos, parecendo que a cada momento poderia despencar em cima deles e esmagá-los até uma morte certa. Os três continuaram subindo degrau após degrau, com Tom e Sam sempre auxiliando o amigo ferido para garantir que ele não fosse cair. 

Tom atingiu o nível do segundo andar e esticou o braço até as portas de metal na tentativa de conseguir abri-las, mas falhou. Não possuía força suficiente para fazer aquilo, e tanto Liam quanto Sam não tinham a capacidade de poder ajudá-lo.

-Não consigo abrir, está muito emperrado! -Anunciou Tom, sua voz emitia um leve eco enquanto descia pelo fosso.

-Qual é, você consegue! Não vai amarelar agora que já estamos aqui!  -Contrapôs Sam.

-Agora não é hora pra brincadeiras, eu realmente não estou conseguindo abrir essa merda!

-Tenta com mais força, se puxar com jeitinho pode ser que abra! -Sugeriu Liam. Tom tentou abrir as portas novamente, ele puxava e empurrava o máximo que conseguia mas mesmo assim as portas não se mexeram nenhum único sentido. Eles estavam presos ali naquele lugar. Abaixo deles chamas podiam ser vistas queimando no corredor de onde vieram enquanto mais fumaça subia e bloqueava seus campos de visão. Tom estava com raiva, estava puto que tudo aquilo estava acontecendo com ele. Por quê eles tinham que ter ouvido as mensagens de S e vindo até ali? Por quê eles não conseguiam descobrir quem era o responsável por todo esse caos? Por quê eles foram estúpidos o bastante para acabarem matando Stephanie Winderson? Ele tentava mais e mais abrir as portas mais continuava falhando, em um acesso de raiva Tom começou a gritar e a bater descontroladamente nas portas de metal mesmo com Sam e Liam tentando acalmá-lo logo abaixo. Ele estava puto, estava cansado das coisas darem errado em sua vida.

Então como que em um milagre do além, as portas do elevador se abriram sozinhas deixando Tom, Liam e Sam completamente perplexos com o que seus olhos embaçados lhes estavam mostrando. Mas em seguida, surgindo de dentro de um corredor escuro, um rosto apareceu por entre as portas abertas revelando ser o responsável por abri-las: Karen.

-Ai meu Deus não acredito que vocês estão vivos, Senhor muito obrigado! -Comemorava Karen claramente feliz em vê-los ali naquela hora. Tom pulou até a beirada da porta e subiu para o segundo andar enquanto Liam e Sam continuavam subindo os degraus. Karen e Tom estenderam suas mãos, cada um apoiando-se em uma das portas para poderem segurar Liam assim que ele pulasse. O ruivo se preparou para saltar novamente, o coração de Sam batia aceleradamente torcendo para que ele não falhasse, ele contraiu a perna direita e então subitamente se jogou para o lado caindo no corredor bem entre Tom e Karen que o seguraram e o puxaram rapidamente. Karen o ajudou a se levantar enquanto Sam se preparava para pular até a porta onde Tom estendia seus braços.

-Pode vir que eu te pego! -Anunciou ele segurando-se firme na parede com um dos braços. Sam estava prestes a pular quando um estrondo ruiu logo acima de sua cabeça, fazendo-o se desconcentrar e perder o equilíbrio.O loiro tentou se jogar até a porta mas com a rapidez com que tudo se desenrolava não conseguira pegar impulso suficiente e começara a cair. Por um breve segundo ele foi rapidamente tomado por uma sensação de alívio. "Então é isso, esse é o fim" pensou enquanto a gravidade puxava seu corpo cada vez mais para baixo, para o fundo do fosso. Ele sentia como se enfim sua jornada houvesse acabado, como se já tivesse feito tudo o que fora destinado a fazer e agora estivesse pronto para morrer. Pensou em como ele e Lucas haviam se tornado irmãos inseparáveis, em como encontrara o amor de sua vida em meio aos cabelos avermelhados de Liam, e em como enfim fora perdoado por Tom por todos os seus erros. Sam Miller havia completado sua jornada, e agora estava pronto para encarar o seu fim.

Sam foi subitamente segurado por uma mão que agarrara seu braço, ele parara de cair e fora repentinamente puxado para cima por uma força desconhecida. Ele dirigiu seus olhos para o alto e viu ninguém menos que Tom lutando para segurá-lo e impedir que ele caísse. Tom o puxou até si enquanto Sam esforçava-se para conseguir se pendurar e subir pelas laterais do fosso. Acima deles o elevador rangia bruscamente, e quando se deram conta, os dois já estavam em segurança no corredor ao lado de Liam e Karen.

-Eu disse que te segurava... -Disse Tom quase sem fôlego deitado no chão.

-É, eu percebi... -Zombou Sam, e os dois caíram na gargalhada, mas foram interrompidos por Karen que falava alto e gesticulava rapidamente.

-Eu preciso da ajuda de vocês, preciso de ajuda agora! Ele está soterrado, não está bem precisamos tirá-lo daqui agora mas eu não consegui sozinha e então eu ouvi um barulho vindo do elevador e usei um pedaço de ferro pra abrir a porta e vocês estavam lá e preciso que vocês me ajudem porquê...

-Karen calma! -Reconfortou-a Tom enquanto todos tentavam entender a situação. -Pra começar, quem é que está preso?

-O Angel! Ele está bem ali debaixo daquela parede! -Gritou Karen apontado para um monte de paredes e reboco caídos pelo chão. -Nós dois estávamos correndo atrás de Alex, Liz e Emma quando um pedaço gigante do tato caiu bem na nossa frente. Nós corremos para a saída que estava pegando fogo e então o chão se abriu e caímos dentro da sala dos zeladores no primeiro andar. A saída estava completamente bloqueada então escalamos os montes de concreto caído até o segundo andar e passamos por um buraco que havia na parede, mas então ela caiu bem em cima de nós! Eu consegui sair mas Angel não e ele está muito mal e precisa de ajuda mas meu telefone está sem sinal e acho que o dele foi esmagado junto com a parte debaixo do seu corpo e ai meu Deus... -Karen começou a chorar de desespero enquanto todos iam até lá para ver o estado em que Angel estava. A parede o cobrira totalmente deixando apenas visível a sua cabeça se você se agachasse e olhasse o que havia lá embaixo.

-Angel, é o Tom! Você está bem?

-Tom? É você? -Perguntou Angel com uma voz fraca. Era claro que ele estava bastante mal e aquilo assustava Tom. 

-Sim sou eu. Viemos pra tirar você daqui e...

-Não se preocupem comigo... Vão embora, saiam daqui enquanto ainda podem... -Disse ofegante enquanto tossia. Gotas de sangue escorriam por sua boca.

-Nós não vamos te abandonar aqui! Vamos te tirar e te levar prum hospital e você vai ficar bem, confia em mim! -Falou Karen enquanto esticava-se no chão ao lado de Tom enquanto Sam tentava puxar o bloco de parede que o soterrava.

-Eu te disse que era pra você sair daqui, mas você é sempre tão teimosa... Nunca escuta o que eu te falo... -Disse Angel.

-Eu escuto... Escuto sim! Sempre escutei, mas queria me fazer de difícil com você... -Karen estava chorando agora, assim com todos os outros ali. -Você tem que ser forte não pode parar de lutar agora! Eles podem te tirar daqui e te concertar, você só precisa aguentar mais um pouco...

-Karen sempre com suas frases de Grey's Anatomy... Será que você não percebe? Eu estou morrendo, acabou pra mim. Minhas pernas estão esmagadas e... -Ele tossiu, mais sangue escorreu de sua boca. -sinceramente, não faço a mínima ideia de onde um dos meus braços está... Vocês tem que me deixar aqui, tem que se salvar enquanto ainda podem...

-Não vamos fazer isso! -Afirmou Tom acabando-se em suas lágrimas. Sam já havia parado de tentar tirar os escombros, era inútil, eles sabiam que não conseguiriam salvá-lo. -Vamos ficar aqui com você e vamos te salvar! Não aceito que você tenha feito tudo isso por mim e acabe desse jeito...

-É tem razão. -Concordou Angel. -Mas a vida é feita de injustiças, e digo que essa valeu totalmente a pena. -Ele parou pra respirar ofegante. -Digam... Digam pro Evan que ele foi um ótimo amigo. E que eu perdoo ele por ter sido um filho da puta...

-Não diga isso pra mim, você tem que dizer isso pro Evan. Você não pode nos deixar agora Angel, não pode...

-Balthasar...

-O que foi que disse? -Perguntaram Karen e Tom confusos.

-Meu nome... -Disse Angel fechando os olhos. -É Balthasar...

-Angel... -Gritou Karen mexendo em seu braço. -Angel abra os olhos! Angel abra os olhos!

Ela caiu nos braços de Tom chorando absurdamente. Todos ali estavam chorando após a cena do horror que haviam acabado de presenciar. Angel estava morto... Ou melhor dizendo, Balthasar. Antes que eles pudessem sequer se levantar, um estrondo enorme repercutiu sobre seus ouvidos enquanto o barulho de metal de retorcendo e vigas se soltando ecoava pelo ar denso pela fumaça.

-O que é isso? -Gritou Liam tampando os ouvidos. Naquela hora Tom apenas olhou para as portas metálicas do elevador e pode ver o vagão desmoronando em chamas bruscamente em direção ao solo enquanto partes do fosso pareciam se desmantelar sobre si. Ele só conseguira dizer uma única coisa naquela hora enquanto pegava Karen que estava completamente destruída em seus braços:

-Corram!

Tom, Karen, Sam e Liam dispararam pelo corredor, passando ao lado do fosso do elevador que desmoronava e correndo para o mais longe que conseguiam. Os barulhos ficavam mais altos, enquanto o som do elevador colidindo com o solo produzia um ruído metálico seguido pelo barulho estrondoso de uma explosão. Em questão se segundos uma enorme bola de fogo surgiu de dentro do elevador e levou tudo consigo, as portas metálicas, as paredes, o corpo de Angel... Os quatro correram desesperadamente por suas vidas com a enorme explosão atrás deles, e então, tudo ficou branco como a luz do céu.

 

Olivia e Leo estavam correndo pelos corredores escuros em busca de encontrar uma saída. Todas as portas que levavam a salas com janelas estavam trancadas e escombros apareciam por toda parte bloqueando o caminho enquanto diversas salas eram consumidas pelo fogo. Phoenix High era uma escola simplesmente gigante, uma das maiores do estado e se perder ali era algo fácil de se acontecer mesmo a luz do dia. Eles continuavam a procura de uma rota de fuga com seus rostos cobertos devido a fumaça que empesteava o local, a cada minuto parecia ficar mais difícil de respirar. Eles passaram pelo corredor onde ficava o Clube de Desenho e Pintura, quando então Leo parou de correr e a pediu para esperar.

-O que foi? -Perguntou Olivia. -Está machucado, quer parar pra descansar? 

-Não, não é isso. -Respondeu Leo enquanto ia até a porta do Clube mexendo e seus bolsos e retirando um molho de chaves de dentro dele. -Trouxe as chaves do Clube comigo caso precisássemos, podemos entrar na sala e pular pela janela.

-Ótima ideia! -Concordou Olivia enquanto ele girava a chave na porta e os dois entraram correndo em direção a janela, abrindo-a, mas ao olharem para baixo perceberam que seu plano de fuga havia sido completamente destruído. Abaixo deles, o que antes era um belo jardim agora se transformara em um vale de chamas que ardiam sem parar. Pedaços de vidro e metal retorcido que haviam sido atirados para fora com a força da explosão estavam espalhados pelo pátio como um campo minado. Ao longe, eles podiam ver luzes de carros de bombeiros e policiais que corriam por todos os lados com mangueiras e extintores batalhando para conter as chamas, Olivia e Leo começaram a gritar desesperadamente por ajuda mas eles estavam distantes demais para conseguirem ouvir. 

-Não temos como sair por aqui... -Disse Olivia fechando a janela para impedir que a fumaça que saía do gramado não entrasse na sala. -Temos que voltar e achar outra saída...

-Quem sabe eu possa arrombar uma porta de outra sala com uma cadeira ou sei lá... E então poderemos pular pelas janelas em um lugar seguro. -Sugeriu Leo enquanto limpava a fuligem em seu rosto.

-Vamos tentar! Quanto mais rápido sairmos daqui mais cedo saberemos se os outros estão bem!

Os dois estavam prestes a se dirigir para a porta quando um enorme estrondo metálico soou por todo o lugar. Coisas pareceram se quebrar, os dois deram as mãos num momento de pânico no que parecia ser um novo desabamento. Em seguida, apenas alguns segundos depois, um clarão iluminou o corredor e o lado de fora das janelas enquanto os dois foram jogados para longe por uma explosão que criara ma bola de fogo enorme que consumira tudo o que havia do lado de fora da sala. Quadros foram arremessados para fora das paredes, potes de tinta voaram pela sala se espatifando no chão em montes coloridos enquanto Olivia e Leo se seguravam no chão abaixo da janela. O fogo invadiu pela porta enquanto podiam ver destroços sendo arremessados por todos os lados, o barulho formado por tudo aquilo era mais alto do que qualquer coisa que eles já houvessem ouvido antes. As janelas estouraram e cacos de vidro caíram sobre sobre seus corpos cortando-os enquanto soltavam gritos de desespero que foram abafados pela explosão. E do mesmo jeito que surgiu, as bolas de fogo se desfizeram em montes de fumaça deixando tudo que havia atrás em completas ruínas.

Olivia e Leo se levantaram feridos do chão, a frente deles o corredor havia sido tomado pelas chamas e completamente destruído, logo a sua frente ela podia ver o quadro que pintara sobre Phoenix High em chamas. "Parece que nem sempre as coisas acontecem da forma que desejamos" pensou Olivia analisando o fato de que estava presa naquela escola pegando fogo e que possivelmente todos os seus amigos estavam mortos. Será que eles haviam conseguido escapar? Ela pensava a cada instante na possibilidade deles terem conseguido sair pela porta lateral e estarem do lado de fora da escola esperando ansiosos por ela e Leo. Ela queria que todos estivessem bem, mas no fundo sabia que naquele exato instante alguém havia acabado de morrer. Uma fumaça densa e ´preta começou a tomar conta da sala, Leo rapidamente correu até a porta chamuscada e a fechou o mais rápido que pôde, voltando para perto da janela onde estavam teoricamente em segurança.

-Não podemos ficar mais aqui! -Falou Leo cobrindo o rosto com a blusa, e Olivia fazia o mesmo enquanto dizia:

-Mas se nós pularmos da janela nós iremos morrer! É uma quenda de pelo menos seis metros em cima de um monte de mato pegando fogo cheio de cacos de vidro pontiagudos prontos para nos furar ainda mais! 

-Então para onde vamos? -Questionou Leo desesperadamente. Olivia começou a pensar e a olhar ao redor da sala. Via apenas estantes caídas com fracos quebrados de tintas e materiais para desenho, cavaletes espalhados pelo chão, quadros rasgados ou pegando fogo, cadeiras tombadas onde antes ela sentava-se e se sentia segura. Agora aquele lugar havia se transformado num verdadeiro pandemônio, o que antes fora um sonho agora não passava de um horroroso pesadelo. Mas então os olhos de Olivia se focaram em alguma coisa: uma grade de ventilação na parede logo ao lado da estante na parede a sua esquerda. Naquele instante seu cérebro apenas conseguia se lembrar de uma história que Sam contara enquanto dirigiam para Hamptons no dia anterior, um relato de quando ele e seu irmão ficaram presos no porão e só conseguiram sair pelo duto da ventilação, exatamente igual ao que se mostrava diante dos olhos de Olivia. Ela correu até a parede e com a ajuda de uma cadeira que ela pegara do chão subira até quase no teto e retirara a grade que havia na parede, revelando uma passagem do ar-condicionado que após alguns metros fazia uma subida diretamente em direção ao telhado. Ela sabia que eles terminavam lá pois alunos já relataram terem que limpar as saídas do ar-condicionado enquanto estavam em detenção.

-O que você está fazendo aí? -Perguntou Leo confuso enquanto corria até ela.

-Acho que essa pode ser a nossa saída! Se subirmos por aqui sairemos pelo telhado e de lá podemos descer em uma das escadas de emergência que existem do lado de fora! -Antes que ela colocasse sua cabeça ali dentro, Leo segurou a sua mão por um instante, ela se virou para ele, que disse:

-Se não conseguirmos sair daqui, quero que você saiba de uma coisa... -Ele encostou sua boca na dela e os dois se beijaram. Fazia tempo que Olivia não se sentia daquele jeito, não era tocada daquela forma. Seu coração disparou loucamente e em um breve momento percebeu uma coisa: Ela gostava do Leo. Aquilo que ela sentia por ele não era uma mera lembrança de Tom, não era somente a saudade que ela sentia pelo seu relacionamento antigo, aquilo era verdadeiro. Olivia sentia que estava verdadeiramente, sem ao menos saber, apaixonada por Leo. Seus rostos de distanciaram e ele somente disse: -Agora vá.

 

Alex, Liz e Emma haviam subido as escadas após terem saído do andar inferior completamente alagado, e pela infelicidade do destino descobriram que as portas de saída da escada no primeiro e segundo andares andares estavam completamente bloqueadas por escombros e chamas, forçando-os a subirem até o terceiro andar, onde conseguiram sair em feio a corredores com pisos completamente colapsados. Os três procuravam por um corredor que não houvesse desmoronado no andar inferior, mas para todas as direções que iam encontravam apenas passagens intransitáveis. Não havia para onde fugirem, não havia saída daquele inferno...

Então Alex viu algo que considerou ser uma luz no fim do túnel: no fim de um dos corredores havia uma enorme janela despedaçada por onde eles poderiam sair, mas havia um único problema pois, para chegar até ela eles precisariam atravessar o enorme buraco em chamas onde antes era o auditório da única forma que ele conseguia visualizar no momento: através de um dos suportes dos holofotes do palco que despencara e formara uma espécie de uma ponte ligando o começo e o fim do corredor.

-Acho que encontrei um jeito de sairmos. -Anunciou Alex enquanto se dirigia com Emma apoiada em seus ombros até a beirada de onde o piso havia desmoronado completamente. 

-Por onde? -Perguntou Liz, e em seguida ele apenas apontou com o dedo para a janela ao longe.

-Você só pode estar de brincadeira! -Contrapôs-se Emma. -Essa coisa está muito instável, vai acabar desmoronando assim que colocarmos o pé!

-Você tem alguma ideia melhor? -Rebateu Alex verificando o estado em que os suportes dos holofotes estavam. Pareciam rígidos ao seu ver. -Se voltarmos iremos achar um monte de paredes e buracos impedindo o caminho ou então seremos queimados vivos. É isso, ou ficar, o que você escolhe?

Emma parou por alguns segundos para pensar e tentar formar algum argumento, mas teve que aceitar que aquela era a única opção que tinham. Liz caminhou até a beirada do buraco e olhou para baixo, onde o que restava do auditório ardia em chamas. Ela olhou mais atentamente, e então viu uma cena que jamais conseguiria tirar de sua cabeça: Lá embaixo, esmagado por um dos lustres, estava o corpo de Stacy, a amiga de cabelos roxos de Olivia. Seu coração se fragmentou em milhares de pedaços por ela, e Liz fora obrigada a desviar o olhar para não acabar chorando. Alex apoiou a perna sobre as barras de metal que serviriam como ponte para eles e disse:

-Liz você vai primeiro, assim nós dois podemos ajudar Emma, você na frente e eu atrás.

-Eu não sei se vou conseguir Alex... Eu não posso fazer isso. -Desesperou-se Liz. Alex se aproximou dela e colocou as mãos em suas bochechas, assim como ela fazia com ele quando estava agitado. 

-É claro que você consegue, você é a minha garota eu sei do que você é capaz. Eu estarei bem atrás de você se precisar, se ficar com medo, apenas olhe nos meus olhos e pense em alguma coisa legal. -E em seguida ele beijou-a. Liz subiu em cima dos suportes, ofegante, fumaça subia em direção ao seu rosto das chamas que ardiam logo embaixo. O corpo de Stacy continuava lá, imóvel, mostrando-se para ela e fazendo-a enxergar o que aconteceria se ela caísse, se ela falhasse. Andando de quatro, ela foi seguindo lentamente por cima do suporte dos holofotes, Emma foi logo atrás dela, e em seguida Alex também subiu. Os três atravessavam o abismo que havia abaixo de seus narizes enquanto engatinhavam em direção a sua saída, a sua casa, seus amigos, seus pais, sua vida. Devagar, Liz se aproximava do fim do corredor onde poderia pisar em solo novamente, onde tudo o que precisaria fazer era correr até aquela grande janela e pulá-la. 

Mas então, um estrondo enorme repercutiu por seus ouvidos, seguido pelo som alto de um baque profundo. Em um instante, um clarão tomou conta deles engolindo-os como a luz do sol. Era como se o dia houvesse voltado a brilhar sobre seus rostos, o céu houvesse ficado azul novamente e os passarinhos cantassem enquanto voavam pelo horizonte límpido. Mas aquela visão errônea não durara mais que dois segundos, quando aquele belo sol se transformara numa gigantesca bola de fogo, chamas e destruição que estava prestes a engoli-los. Eles foram jogados para o lado com o a força com que o ar se deslocava, Emma prendia-se firme as barras de metal, Liz tombou para o lado porèm conseguiu se segurar e voltar rapidamente para a posição de onde estava, enquanto Alex fora brutalmente arremessado para longe, perdendo o equilíbrio e caindo salvando-se no último segundo quando se segurara com seu braço esquerdo nos suportes que os serviam de ponte enquanto via ao longe a explosão destruir tudo o que havia ao redor deles. 

O suporte dos holofotes tremeu e se desestabilizou, os três gritavam desesperadamente por suas vidas enquanto tudo o que Alex conseguia dizer enquanto tentava se reerguer era: corram! Liz e Emma se apressaram na tentativa de sair dali e ele escalava de volta as barras de metal para continuar a travessia, colocava uma mão depois da outra tomando sempre o cuidado para não escorregar novamente. As bolas de fogo rugiam próximos a eles, Alex podia sentir o calor em sua pele enquanto se esforçava ao máximo para chegar a o outro lado onde Liz e Emma já o esperavam em segurança. Ele estava quase chegando quando de repente o suporte simplesmente se soltou e caiu com Alex em cima. Liz e Emma gritaram horrorizadas enquanto o assistiam desaparecer em meio as colunas de fumaça que subiam. Enquanto caía, Alex Grey teve seus últimos pensamentos: "Você venceu, S".

Liz estava em estado de choque chorando descontroladamente enquanto mais partes do teto começavam a ruir também. Emma a segurou pelos braços gritando com ela e se arrastou até a janela que ficava logo ao lado de um canteiro de arbustos aparentemente intacto. Liz se desesperava, estava completamente destruída. "Alex morreu. Meu Alex morreu." Eram as únicas coisas que ela conseguia pensar enquanto pulava da janela com Emma. Suas lágrimas voavam junto com o vento que batia em seu rosto e alisava seus cabelos loiros dos quais Alex vivia acariciando, ela lembrou em como seus olhos brilharam pra ela nos seus últimos momentos antes de cair e desaparecer completamente sobre a fumaça, antes de ser engolido pela escuridão profunda da morte. Ela atingiu o solo coberto de arbustos e em seguida olhou para cima, contemplando a escola que ruía atrás de si, esperando que Alex saísse também por aquela janela da qual pularam e caísse bem ali ao lado dela em segurança, mas ele não saiu. E nunca viria a sair.

 

Olivia e Leo estavam terminando de descer as escadas de emergência exteriores da escola, ambos haviam escalado pelos dutos de ventilação até o telhado da escola de onde pularam na escada e a usaram para descer até o solo. Eles corriam pelo estacionamento cheio de carros de bombeiros e polícias que jogavam toneladas de águas com mangueiras em cima do colégio em chamas. Eles foram até a rua em frente a escola onde uma multidão assistia a tragédia que abalava a todos na cidade, os dois esperavam ver seus amigos parados lá esperando por eles, mas não havia ninguém. Então, do nada, Lucas apareceu ao lado dela completamente desesperado.

-Onde ele está? Cadê o Sam ele está bem, quero saber onde ele está!

-Do que você tá falando? -Questionou-se Olivia enquanto a ficha caía lentamente em sua cabeça. Quase que num sou inaudível, ela falou o pensamento que mais temia: -Eles não saíram lá de dentro, saíram?

-Não! Você sabe se o Sam está bem? Me diga se ele morreu pelo amor de Deus!

-Eu não sei, pensava que eles haviam conseguido sair! Nos separamos na hora em que a escola inteira explodiu, não sei onde os outros estão...

Um policial, o detetive Tyler Bowel, que estava ajudando nas operações viu a discussão e reconheceu Olivia, indo e  até ela espantado.

-O que você está fazendo aqui? Onde você e seus amigos estiveram? Sabe que eu vou ter que lhe prender por ter fugido pra prisão não sabe? -Disse ele aproximando-se dela. Olivia começou a suplicar tentando explicar toda a situação em que se encontrava.

-Você tem ajudar meus amigos, eles ainda estão lá dentro! Estávamos todos lá na escola quando ela explodiu, vocês têm que ajudá-los ou eles vão morrer! -A multidão que assistia ao incêndio da calçada viu o alvoroço e perceberam quem Olivia era, chegando cada vez mais perto para assistir a discussão.

-Como assim eles ainda estão lá dentro? Está dizendo que há pessoas lá?

-Sim e você precisa ajudar eles agora!

Naquele mesmo instante, a porta da frente da escola foi arrombada, e de dentro dela três adolescentes saíram completamente machucados e queimados. Eram Karen, Tom e Sam. Olivia foi tomada por uma sensação de alívio enquanto ela, Lucas e Leo corriam até os amigos que eram ajudados por bombeiros e paramédicos a se distanciarem do local. Quando se aproximou, ela viu que todos ali estavam chorando, especialmente Sam, e foi naquela hora que ela percebeu o motivo: Em seus braços, ele carregava alguém com cabelos ruivos em seu colo, alguém gravemente ferido e com vários machucados, aquele alguém era Liam.

-Eu preciso de ajuda! -Gritou Sam enquanto mais médicos se aproximavam e colocavam Liam numa maca. Enquanto os levavam para a ambulância, Leo perguntou a eles:

-E os outros? Cadê a minha irmã? Cadê todos os outros?

-Não sabemos... -Respondeu Tom. -Estávamos só nós e Angel durante todo o tempo, não vimos mais ninguém. E então do nada tudo explodiu e Liam foi gravemente machucado pela explosão. Nós corremos até acharmos uma escada e então descemos e saímos pela porta da frente...

-E onde está Angel? -Perguntou Olivia percebendo que ele não havia saído com o grupo. Karen, que estava sendo conduzida por um bombeiro até a ambulância apenas se virou para ela e disse "Ele se foi".

Os olhos dela se encheram de lágrimas ao ouvir aquelas palavras, ela correu até uma lata de lixo que havia na calçada e vomitou. Aquele sabor amargo tomou conta de sua boca enquanto ela desatava a chorar. Ela olhou de volta para a escola e viu que Leo também chorava temeroso por Larissa que ainda estava lá dentro. Enquanto limpava o rosto ela ouviu alguém na multidão gritar: "Tem alguém saindo lá de trás." Todos se viraram e perceberam que ao longe vinham Liz e Emma, apoiadas uma na outra, mancando em direção ao grupo. Olivia correu até a amiga ferida e a abraçou de uma forma que nunca fizera antes.

-Ai meu deus graças a Deus vocês estão bem... Eu estava tão preocupada e... -Ela parou de falar pois Liz estava chorando incontrolavelmente em seus braços, só então ela percebeu uma coisa: Alex não estava lá. -Liz. Liz, querida, cadê o Alex? -Perguntou Olivia nervosa. A amiga não respondia, apenas chorava ainda mais. Emma fora levada por um bombeiro enquanto Tom e Sam se aproximavam das duas, e só pela reação deles, foi o bastante para saber que todos ali haviam entendido o que havia acontecido. Os dois se juntaram a Liz e Olivia no abraço que faziam, e todos os quatro desataram a chorar em meio a perda que haviam acabado de sofrer. Alex Grey estava morto. S havia cumprido com seu plano. Enquanto os quatro encontravam-se em um estado de sofrimento inimaginável, as pessoas ao redor assistiam a toda a cena, comovidas pela tragédia que os arrebatara. Naquele instante, uma pergunta repercutiu na mente deles: "Seria aquele o fim?"

 

 

Phoenix High fora totalmente consumida pelas chamas, que iluminavam o céu negro da cidade de Bluemount e cobriam as estrelas com sua fumaça. Assistindo a toda aquela cena junto com toda a cidade, estavam Elizabeth Davids, Thomas Henworth, Olivia Wills e Sam Miller, que sofriam em silêncio pela perda de seu amigo, de seu companheiro, de seu namorado, de sua pessoa. Enquanto eram atendidos por paramédicos, suturas eram enroladas, cacos de vidro retirados de suas peles, queimaduras tratadas e pontos realizados. Além de toda essa dor que sentiam, havia mais uma, um tipo de dor que não pode ser tratado com medicamentos, e que não pode ser consertados com simples curativos. A dor da perda havia tomado conta deles, havia destruído eles, acabado com todos de uma forma tão avassaladora, que a descrição em meras palavras se tornou algo fútil e incompreensível. 

Enquanto a escola ardia como o inferno na terra, um sentimento de comoção era compartilhado por todos ali. Mas esse sentimento fora interrompido quando uma figura apareceu pela porta da frente, saindo de dentro das chamas como uma criatura celestial, imortal aos feitos cometidos na terra pelos seres humanos. De dentro da escola, Alex Grey saía caminhando com seu corpo queimado e gravemente ferido. Estava coberto por um longo pedaço encharcado que cobria seu corpo machucado. Todos ali ficaram eufóricos ao perceber que ele estava vivo, Liz, Tom, Olivia e Sam correram até o amigo sem acreditar no que seus olhos lhes mostravam. Porém, o sentimento de alegria logo se esvaiu, a cidade inteira e todos que ali estavam assistiam completamente chocados quando Alex revelara que, por debaixo do pano, carregava nada menos que o corpo da enfim falecida Emily Tisdale.



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