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História Discórdia Infame - Capítulo 3


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Notas do Autor


Desculpe a demora!

Boa leitura <3

Capítulo 3 - Fenômenos


Província de Dergon

 

Jeongguk terminava de fechar sua mala com a ajuda de Hoseok, seu primo e melhor amigo, enquanto escutava os resmungos alheios.

— Caralho, você 'tá levando um dos muros do castelo 'pra lá? — a cena do alfa pulando em cima do objeto com os joelhos ao mesmo tempo que tentava deslizar o zíper fez Jeongguk rir com a mão na barriga, caindo para trás em cima do macio colchão.

— Filho, tudo pronto? — senhora Han, a beta governanta do Castelo, questionou após bater na porta aberta do quarto. — Oh, meu Deus, Hoseok. — a grisalha soltou uma breve risada.

— Senhora Han, podemos conversar? — ela assentiu, saindo do ambiente para esperar Jeongguk no corredor. — Vai, Hoseok, só mais um pouco! Força, 'tá quase!

— Eu estou tentando fechar uma mala ou parir uma criança, garoto? — o travesseiro arremessado em sua cara fora a deixa para sair do cômodo e encontrar a mulher rindo.

— Vocês não têm jeito. — ela deu um último sorriso ajeitando a postura, fitando o moreno em seguida. — O que quer falar, querido?

O suspiro do alfa saiu manhoso e os olhos negros pidões logo deram destaque à expressão de bebê do lúpus — mesmo com seus vinte anos completos.

— Meu menino — a voz naturalmente doce saira num timbre maternal —, você cresceu tão rápido. E, olhe só, já será Rei! — aproximou-se, ajeitando os poucos fios levemente longos que irritavam o olho do lúpus. — Mas, infelizmente, sacrifícios vêm junto. E esse é um deles. — suspirou, dando uma falsa limpada na região do ombro, onde o paletó estava milimetricamente arrumado.

— Eu sei, senhora Han, mas não é como se Jihoon fosse a melhor escolha para reinar ao meu lado. — a beta o olhou enigmática.

— Sua mãe contou-me da discussãozinha que tiveram. Querido, sei que Gayoon é uma alfa difícil de lidar, mas não deixe que ela mande no seu coração. — sorriu terna.

Jeongguk piscou atônito. Senhora Han sempre demonstrou negação perante algumas ações de Gayoon para com o lúpus, mas apenas ouvia calada na presença da soberana para não piorar o lado de Jeon.

Em poucos meses Gayoon passaria a Coroa para o Jeon mais novo. Com a "fuga" de seu irmão mais velho com um ômega, que envolvera-se e um bebê fora concebido, a responsabilidade de sucessão caira sobre suas costas.

Mas Dergon insistia em casar seus futuros ou futuras monarcas antes de oficializar a coroação perante a Província. Perpetuavam como motivo o fato do rei ou rainha ser apto a ter filhotes, para assim a população — e as demais Províncias — saberem que Dergon teria um herdeiro legítimo após a morte de seu soberano.

Desde a geração de seus avós era assim, mesmo que as outras Províncias extinguiram a união instável no período. Poderia levar como exemplo o casamento de seus avós e pais, mas não via um futuro promissor com aquele que lhe fora designado como esposo.

— Ei, consegui. — Hoseok apareceu ofegante e de expressão cansada. — A donzela que carregue, já me esforcei demais.

— Tudo bem, Hobi. Obrigado. — o ruivo deixou a voz risonha passar batida, e somente caminhou para o lado oposto do Castelo para ir ao quarto descansar, afinal passava das duas da manhã.

— Agora vá. Terá uma longa viagem pela frente. Cuide-se, meu menino. — a beta abraçou rapidamente o príncipe, dando um selar em sua testa.

"Ainda há tempo para mudar o curso da história, Jeon."

Franziu o cenho. Seu lobo conseguia ser indecifrável em circunstâncias inoportunas.

 

[...]

 

Província de Snowden

 

As horas dentro da carruagem fizeram as costas de Jeongguk reclamarem ao descer em frente ao Castelo de Gelo. Dormir durante o percurso de cinco horas fora difícil, o balançar da locomoção ocasionava-o pequenas vertigens.

Alongou-se vendo um ou outro morador da Província do Inverno lhe encararem com curiosidade — raras foram às vezes que estivera em Snowden.

Uma das governantas apareceu, lembrava-se vagamente da beta, mas a cumprimentou com formalidade, recebendo um "Como você cresceu!" típico em resposta. Sorriu envergonhado e acompanhou a mulher tagarela pela entrada do Castelo.

Fora informado de que os Reis e seu noivo — a retração dos músculos faciais ao escutar a denominação foi automática — estavam à sua espera para o café. Jeon estava mais ansioso para comer do que conversar sobre casamento.

Caminharam pela estrutura de gelo maciço encaminhando-se para um dos variados jardins do terreno. Jeon perdera a noção de onde estavam após virarem tantos corredores.

Notou pela porta aberta o Rei Chanyeol e Rei Baekhyun rindo, Jeon torcia para estarem de bom humor para não importarem-se pelo seu breve atraso.

— Majestades, o Príncipe Jeon chegou. — Jeongguk esperou pacientemente a beta anunciar sua chegada para então passar pela porta. 

Reverenciou os soberanos, que estavam de pé, e Baekhyun soltou um ruído descontente.

— Sem formalidades, querido, por favor. — ordenou com o conhecido sorriso quadrado esbanjando seu rosto. 

Jeongguk sorriu tímido, cumprimentando-os com um rápido apertar de mãos. Os Reis de Snowden portavam uma simplicidade sem igual nas outras Províncias, e Jeon sentia-se perdido em meio às quebras de etiqueta.

Viu Jihoon, seu futuro esposo, em pé com um sorriso receptivo, mas o olhar de negação assim como o que pairava em suas orbes estava presente. 

— Príncipe Jeon. — o ômega estendeu a mão pequena, tendo a grande de Jeon a cobrindo em um aperto fraco. 

— Príncipe Jihoon. — sorriu singelo, cortando a conexão tão rapidamente quanto começara.

— Sente-se, Jeon, fique à vontade. — Baekhyun aconselhou e, satisfeito com a educação do alfa, sorriu. — Desculpe as estradas esburacadas, querido, isso deve ter atrapalhado seu sono. — Jeongguk prontamente negou, inibindo seu cansaço do rosto.

— Não se preocupe, senhor Park. O importante é que tive uma ótima viagem. — sorriu mostrando seus dentes semelhantes a de um coelho — como alguém dizia quando era pequeno — e encantando mais o ômega de cabelos negros com sua simpatia.

O monarca mandou a beta próxima a mesa chamar os cozinheiros, e prontamente sua ordem fora acatada.

— Então, Jeon. — Chanyeol o chamou sério. O lúpus sabia que o Rei alfa não estava feliz com a união, pois era um de seus filhos sendo entregue a um homem que, apesar de ambos os Reis conhecerem-no o suficiente para terem consciência de que não faria mal nenhum ao ômega, era somente o sentimento de pai falando mais alto. — Como estão os preparativos para sua coroação? Ai! — brandou. Baekhyun deu-lhe um beliscão na coxa.

— Coma, Jeongguk. E não ligue para as perguntas idiotas de meu marido. — Jeongguk segurou o chiado ao ver a expressão amuada do alfa, claramente acariciando o local dolorido. 

Todos presentes à mesa comiam em silêncio, até Jihoon quebrá-lo com uma indagação que Jeongguk externou certa curiosidade.

— Papai, e o Minnie? — depositou cuidadosamente a xícara no pratinho delicado da coleção, esperando a resposta do progenitor ômega.

O apelido não lhe era desconhecido.

— Dormindo, meu amor. — Baekhyun mentiu, Jeon percebeu pela voz do ômega. — Ele estava com algumas dores, mas não se preocupe, sim? — sorriu carinhoso, vendo a carinha triste do caçula enquanto assentia. 

Após o término da refeição, Chanyeol convidou o futuro genro para uma volta pelo jardim ornado por esculturas de gelo. Jeongguk acompanhava o Rei quieto, sua respiração era a única coisa que perpetuava, e uma fina fumaça saindo de sua boca.

— Senhor Park, desculpe a intromissão, mas — engoliu em seco. — o príncipe está bem?

O arquear de sobrancelhas do alfa mais velho causou receio em Jeongguk. Chanyeol era visto como um ser rude pela expressão que portava, mas a máscara caia quando estava no Castelo. Era uma criança em seus quarenta anos, como Baekhyun dizia.

— Sim, Jeongguk. — soltou, calmo. — Devo crer que não é a favor do casamento com meu caçula, estou certo? — trocou de assunto, achando graça da reação surpresa do mais novo, rindo contido. — Acredite, ele também não. — suspirou. — Sua mãe tem uma teimosia do cão. — ambos riram e Jeon concordou. — Esse casamento não vai fazer bem ao psicológico de vocês. Jihoon comentou ontem que está de rolo com um alfa da Província, e a vida de soberano não é para ele, como vive dizendo aos quatro ventos. — Chanyeol sorriu, olhando para o chão e chutando os baixos montes formados pela neve durante a noite.

Jeongguk escutava com atenção. E Chanyeol estava certo; sacrificar sua vida e a de um ômega que o via somente como um mero conhecido — e que já possuía laços românticos com outro homem, sem contar o fato de detestar a realeza — não era saudável, tanto para seus lados humanos quanto animais.

O silêncio novamente instalara-se e Chanyeol percebeu pela marca em seu pescoço que Baekhyun o queria de volta ao Castelo. Despediu-se de Jeongguk, afirmando para o mesmo aproveitar sua estadia.

Entediado, o alfa continuou caminhando sem rumo pelo jardim, rindo vez ou outra das expressões grotescas nas esculturas representando humanos. Todavia, parou de repente ao sentir a marca de nascença em suas costas coçar. 

Deu de ombros, possivelmente sua pele estava apenas acostumando-se com a temperatura mais baixa do que a de Dergon. Mas fora dar mais dois passos que a região passou a gerar uma dor instantânea, queimando a pele amorenada.

Um gemido de dor espalhou pelo recinto, espantando alguns preciosos pássaros azuis que jaziam sobre as copas das árvores congeladas. Sentia como se a marca gravada em sua pele estava abrindo-se. Como se algo quisesse sair.

Jeon pôde escutar ao longe um grito parecido ao que dera. Porém, a escuridão inundando sua visão fora a última coisa antes de seu corpo despencar acima da neve.

 

[...]

 

Jeon acordou horas depois. Perdido, tentou averiguar o local pelo qual estava mas a visão embaçada atrapalhava-o. Sentia o corpo trêmulo e relutou até que conseguisse sentar na cama com as costas na cabeceira. E ao praticar tal ação, a marca ricocheteou um choque pela medula espinhal.

O que está acontecendo? — pensou, assustando-se com o modo ao qual não dispunha o controle do próprio corpo.

A porta de gelo abriu-se e, com a fraca iluminação, não reconheceu quem era ao passo em que a cabeça da pessoa passava pela fresta. 

— Príncipe Jeon, como se sente? — senhora Kim, Jeon lembrou-se depois de muito procurar o nome da beta em suas memórias, entrou no cômodo carregando uma bandeja de prata.

— Estranho. — revelou, em um sussurro. — O que aconteceu? — apertou as pálpebras ao sentir a luz artificial ressecar os olhos. — Que horas são?

— Tenha calma, querido. — a beta pôs a bandeja no colo do lúpus. Jeon notou algumas frutas cortadas em cubos num recipiente e uma tigela com sopa. Comeu tudo em poucos minutos e agradeceu à beta ao entregá-la o objeto cintilante de volta. 

A beta saiu e retornou rapidamente. Pediu licença para o lúpus e acomodou-se em uma poltrona de frente para a cama. Limpou a garganta, recebendo o olhar curioso do mais novo.

— Já é madrugada. Você passou o dia inteiro desmaiado. Um dos jardineiros te encontrou, você estava quase tendo hipotermia. — sentenciou. — Mas, você não foi o único. — Jeon franziu o cenho.

— Como assim, senhora Kim? — a beta suspirou, sorrindo fraco.

— Jimin também foi encontrado desmaiado. Ele estava perto de você, do outro lado da barreira de gelo. — Jeongguk arregalou os olhos, recordando-se do som nítido que ouvira. — Ele ainda não acordou. — sussurrou, preocupada.

Jeongguk piscou diversas vezes, sentindo a queimação nas costas retornar. Pediu encarecidamente que a beta o ajudasse a sair da cama, e com o pedido atendido, caminhou até parar em frente ao espelho no canto do quarto de hóspedes.

Viu a expressão confusa da beta pelo reflexo, e levou as mãos à barra da camisa que usava. Haviam tirado somente seu sobretudo, constatou. Puxou a peça, revelando seu tronco extremamente definido. Senhora Kim cobriu os olhos, dando privacidade para o príncipe e saiu do quarto, dizendo para chamá-la caso precisasse de algo.

Sozinho, Jeongguk virou-se o suficiente para ver a própria pele refletida no espelho comprido. E sua boca abriu em choque.

Traços coloridos tomavam todo o espaço da extensão de suas costas largas e decifrar o que estava gravado não era possível; faltavam partes para completar o desenho.

"Sua resposta está mais perto do que imagina."


Notas Finais


Até!

Cuidem-se <3


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